28/08/2008

esperar

Hoje faço 39 anos e sinto que tenho passado uma vida à espera, especialmente os últimos 4, este ano sei que o resultado deste esforço, quase ridículo de perseverança, muito trabalho e teimosia, vai ter um final que, espero, seja um começo. A ver vamos.

27/08/2008

bipolar

Acho que sou mais europolar. Quando não os tenho fico muito chateado.

media

Não sou muito dado a este tipo de manifestações de espírito patriótico, esperas de atletas em aeroportos, mas a indignada senhora que acabei de ouvir na TV tem muita razão quando diz que os media não falaram do regresso dos atletas. Tantas horas gastas com a caminha e pseudo-derrotas e agora isto. Entretanto as observações e perguntas ridículas continuam. Vou mas é p'ra caminha.

23/08/2008

do not pirimpapalhate

Estas semanas de Jogos Olímpicos, conseguiram fazer a silly season ainda mais silly do que o costume. No nosso cantinho, quando toca a grandes eventos desportivos, entramos em grandes devaneios, penso que próprios de um povo que a principal actividade física estará algures entre a sueca e o dominó ou a malha e o chinquilho, onde o órgão mais exercitado será a língua. Se existisse uma cultura de desporto séria, tão simples quanto uma prática real nas escolas, e uns media que não perdessem horas a promover menoridades como a bola que entrou ou não entrou ou o tipo de fitas que cobrem os brincos do Ronaldo, talvez fosse diferente. Neste Portugal onde todos somos mais bolos e as declarações de figuras públicas com responsabilidades efectivas são o que são, ficamos chocados com um rapaz que de manhã é mais caminha. Por mim, que o sono não lhe seja pesado e que continue a encarar o mundo com tanta descontracção, bem faria a todos nós, talvez não partíssemos do princípio que somos os melhores do mundo quando na realidade enfim, somos mais bolos e parece que caminha também. O que é mais anedótico é que isto só acontece no desporto, logo no desporto, com todo o carácter aleatório, de sorte e azar e onde os adversários são isso mesmo adversários com possibilidades e vontade própria, como o João Lopes tão bem vem referindo (desde o Europeu) no Sound & Vision. Agora vou comer um pastel de nata. Já que não encontro os bolos fica aí o do not pirimpapalhate the alhey woman ou o que quer que seja.

22/08/2008

esquecidos e outras "estórias"

Há 5 anos, quando vivi em Londres em Tufnell Park, zona com muitos músicos e outros artistas, costumava dar umas corridas nuns campos de futebol mesmo em frente da casa onde estava, foi onde conheci o vocalista dos Fine Young Cannibals, um pouco anafado e com bastantes cabelos brancos mas de uma simpatia extraordinária. O Pedro Mexia no estado civil lembrou-se deles, ainda bem. Entretanto esta alembradura fez-me alembrar outra. Esta menos inócua, mas com poucas colheitas. Terence Trent D'Arby Dance little sister

esquecidos ou quase 3

Stan Ridgway Camouflage Esta estava mesmo muito esquecida, agradecimentos ao Pedro. esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2

04/08/2008

reflexo IV

O que é que te aconteceu? Uma cotovelada abriu-me o sobrolho no treino e tive de levar 6 pontos, responde n. Porque é que não me telefonaste? n abre os olhos ou pelo menos um e encolhe os ombros. És mesmo mariquinhas, não me ligaste para não te ver chorar, diz Rosa. n abre ainda mais o olho sorrindo. Rosa continua. Como é que foste para o hospital? Sozinho, com uma mão estancava o sangue e com a outra conduzia. Fui cozido por uma estagiária muito simpática enquanto falávamos do Woody Allen. Reflexo I Reflexo II, Reflexo III

28/07/2008

aos meus meninos de férias em Moçambique

Para a Mafalda A minha menina é linda. Linda e mágica como um arco-íris. E é linda porque teve a sorte de nascer assim. É o vermelho sangue vivo, feito de força e garra. É o laranja fogo, criativo e empreendedor. É o amarelo alegre como os raios de sol. É o verde estável e seguro das árvores. É o azul celeste, sereno como o céu. É o azul escuro, arrebatador como o mar. É o violeta mágico e descomprometido. É a junção feliz de todas elas, o branco paz de uma folha de papel, onde escrevo o carinho sem fim e o todo o amor terno que sinto. É linda a minha menina. Linda como as papoilas vermelhas que se espalham na primavera, inundando os campos de alegria e cor enchendo-nos de sonhos e vida. Linda como as árvores verdes que cobrem montanhas, vales, planícies e, robustas e sem idade, nos purificam a alma e o espírito. Linda como o céu azul, onde na sua calma vastidão se prostra um sol amarelo quente, que nos aquece e nos lembra, que o tempo passa e um novo dia vai chegar. A minha menina é linda. Linda como as histórias de encantar, onde tudo pode acontecer, mas no fim os príncipes e as princesas se amam e são felizes para sempre. Linda como as palavras todas que só um poeta sabe escrever expondo toda a vida que sabe numa folha vazia de sentimentos. Linda como um filme de aventuras, onde os heróis não têm medo e atravessam as maiores dificuldades, passando rios, montanhas e desertos agrestes. Como a vida, mas ganhando sempre. É linda a minha menina. Linda como o espaço e o tempo, passado, presente e futuro, todo o tempo e todo o espaço onde se fazem os sonhos e a vida. Linda como o sossego da noite, em que as luzes são mágicas e a eternidade se encontra e pensa nas estrelas que brilham no céu. Linda como as cores todas que existem, e dão alegria, brilho e esperança, fazendo sorrir as crianças e não só, tornando o mundo tão lindo como a menina que tu és! Para o Miguel Queria fazer-te um poema, dizer-te mil e uma coisas, em linhas trocadas, pensadas com forma de estilo com figuras. Porém, só me lembro das expressões figuradas, suaves, alegres, sempre alegres, feitas nas palavras e jogos habituais de quem se ama e conhece. A música que calo para te ouvir, porque nesta pequena viagem o centro és tu, e, naturalmente, vais sendo. E neste compasso, só, na vacuidade abstracta, espero o relance do teu sorriso, como uma lua junto à escarpa, que de tão cheia e amarela mais parece um sol a nascer, sorrindo como tu. Queria fazer-te um poema, dizer-te todas as coisas em forma de metáforas, daquelas bonitas, como só os poetas sabem. Queria fazer-te um poema, Mas não consigo!

16/07/2008

férias

A banhos a ver se acalma. REM & Muppets Furry happy monsters

11/07/2008

esquecidos ou quase 2

Virginia Astley Some Small Hope Aqui com a voz de David Sylvian.

09/07/2008

um soneto

Oh! Que triste deriva sem esperança, encalhado num porto sem abrigo. Tu dizes que o tempo o tempo alcança, mas aqui estou sozinho e não contigo. Neste espaço pego na contradança, acerto o passo com o passo que consigo. Tu gritas, tudo é composto de mudança, mas a vontade é desejo e não castigo. E se com a idade o tempo pesa e cansa e o barco, desnorteado, fica perdido, amanha-se uma réstea de confiança e solto as amarras a que me obrigo, abro as velas ao vento e o vento sigo e, assim, sou o mar me amansa. José Paiva

06/07/2008

eufemismos

Desde sexta-feira que os media dizem que os portugueses começaram a poupar no pão. Poupar onde? No pão? Que raio de cantinho este à beira-mar plantado. Para a semana deve chegar às migalhas.

04/07/2008

também o meu

O corpo avisou - Texto de Pedro Mexia no estado civil Há uma inteligência do corpo que eu descurei, tão inimigos somos. O corpo não é apenas uma figura estética mas também uma entidade orgânica e somática. E tem uma inteligência que eu nem sequer conhecia. Senão vejamos. As coisas corriam francamente bem quando eu entrei em ameaça de colapso. Literato e «psicologista» , imaginei que fosse uma reacção negativa da mente (ou da «alma» ou do «inconsciente»). Na verdade, era uma reacção benéfica do corpo. Enquanto a «mente» (ou alma ou o inconsciente), embarca em ilusões ideológicas, o corpo reage sempre com pragmatismo. Aquele sinal aparentemente «negativo» era um aviso: «vamos ficar por aqui». Porque é que o corpo me avisou «vamos ficar por aqui?». O corpo devia procurar a satisfação dos seus instintos e estar mais entusiasmado que apreensivo. Mas o meu corpo detectou (e eu não) algo de semelhante ao «muro dos nadadores». O «muro dos nadadores» é aquele patamar de resistência que o nadador de longo curso não consegue ultrapassar, ainda que acredite que sim. Quando atinge certa distância, há uma barreira invisível que impede que ele prossiga. Não é apenas «cosa mentale»: é a materialização dos seus limites. Quando eu cheguei ao meu limite, tive um aviso evidente, que achei estúpido ou masoquista. Quando era o contrário disso: inteligente e apostado na auto-defesa. O corpo, no seu funcionamento interno que ignoro e temo, enviou sinais físicos estridentes. Era altura de recuar. Claro que eu podia continuar, se tivesse capacidade para isso (e tive), mas estava avisado: ia ser devorado pelos tubarões. E depois apareceram os tubarões.

mal por mal

Mal por mal prefiro o filósofo ateniense, diz-se no insónia. O problema é esse, mal por mal e, aqui, dois negativos não dão um positivo. E emigrar?

03/07/2008

coisas que me fazem muita impressão

Não é que não goste da palavra coisa, como se torna evidente, mas chamar outra coisa qualquer a uma coisa que não é uma coisa faz-me muita impressão. Parece que regressamos assim a uma coisa tipo era medieval. Frankie Goes to Hollywood Relax

coisas que me fazem impressão II

No desporto quem responde a uma agressão leva um castigo maior, mas eu nunca concordei muito com isto.

coisas que me fazem impressão

Pessoas mais cultas do que eu discutirem quanto gastam num restaurante ou no S. Carlos.

02/07/2008

nome meu

Tenho um nome que não escuto Que carrego no carrego das horas Na chafurda dos dias mansos Como os bois que calam e desistem Tenho um passado que não oiço Que largo no arrependimento Como os nobres touros córneos Mal passados depois da tourada Tenho palavras que não conheço Que falham, erram, resistem e insistem Na pele de todas as raposas matreiras Vestindo senhoras de índole e carácter Tenho ponteiros que não vislumbro Desfeitos enfeites feitos em preceitos De lutas selvagens com galos em fúria No chiqueiro sujo de capoeiras vazias Tenho olhos que não sabem sonhar O vagar lento de intento dos imbecis Cobridores com o cio de pavio frio Pavões errando na urbe da parvónia Tenho um corpo que não deseja Espaço estático de estética orgásmica Não quero mijar em todos os cantos Marcar territórios que não procuro Tenho um nome que não dizem Ainda bem. The Stone Roses I Wanna Be Adored I don't have to sell my soul He's already in me I don't need to sell my soul He's already in me I wanna be adored I wanna be adored I don't have to sell my soul He's already in me I don't need to sell my soul He's already in me I wanna be adored I wanna be adored Adored I wanna be adored You adore me You adore me You adore me I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I gotta be adored I wanna be adored

Vida

Desde quarta que ando assim. Tricky Ace Of Spades Nem com o valium amargo que me deram.

felicidade

Dizem que construir a felicidade dá muito trabalho, mas a infelicidade também não dá pouco.