17/09/2008

esquecidos ou nunca lembrados

The Triffids Bury Me Deep In Love O teledisco é foleiro, mas a banda era muito muito boa. Mais algumas canções, Red Pony Save What You Can

16/09/2008

Richard Wrigth

Já tinha lido sobre a morte de Richard Wrigth ontem à noite, mas o cansaço nem me permitiu pensar. Hoje de manhã, quando chego ao estúdio e na rádio passa o Shine on you crazy diamond é que desço à terra e me lembro da importância que os Pink Floyd tiveram para mim. The Wall foi o primeiro disco que comprei, com 11 anos e sem dinheiro pedia todas as noites 5 escudos ao meu pai, acho que custou uns 300 paus, os duplos eram mais caros. Na altura ouvia os Beatles, Beach Boys, UHF (à flor da pele, este sim o meu primeiro LP oferecido pelo meu pai), mas foram os Pink Floyd que eu quis descobrir primeiro, procurando todos os discos e ouvindo-os com uma paixão difícil de reencontrar hoje.

11/09/2008

fuck-se

Hoje é 11 de Setembro, ocupado como andei só me dei conta a meio da tarde, por razões pessoais, a principal ter vivido em Nova Iorque durante cerca de 1 ano, a data devia dizer-me alguma coisa, mas vivo este dia com a mesma indiferença com que esqueço o massacre do Ruanda, o maremoto de 2005 e outros acontecimentos trágicos. Este mundo é muito cínico e eu não me sinto melhor. Fuck-se

esquecidos ou quase 4

Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3

10/09/2008

Agosto

O meu mês de Agosto é assim muito querido, coisa que tento compensar com grandes doses de leitura, este ano foi Dostoiévski, Yukio Mishima, Paul Auster e muitos buracos para encher de buchas, mas está quase, mais 1 mês e o meu knockonwood studio estará pronto, tudo com materiais reciclados de lixos industriais. Este mundo é um desperdício, melhor para mim que a carteira está vazia.

07/09/2008

Aquele Querido Mês de Agosto em Agosto

Em Agosto costumo visitar feiras e festas locais, é a forma barata que encontro de ver bandas portuguesas, é o nosso mercado de concertos com cheiro a farturas e o som de fundo dos carroceis. Apesar de tudo as coisas vão melhorando, espaços mais apropriados (dentro do possível), bons palcos e grande evolução no profissionalismo das equipas, resultando em espectáculos a horas e com o som sempre perto do bom e muito bom. Comecei com duas estreias, Ala dos Namorados no Montijo, espaço bonito mas palco medíocre, som muito bom. Banda estranha esta, metade do concerto com excelentes canções a fazer lembrar Mler if Dada e José Afonso em alguns arranjos, outra metade com uma série de canções inócuas ou mesmo de fazer inveja ao Emanuel, um desperdício. A outra estreia foi no Barreiro com os Buraka, bom palco e muito som, pena eu não gostar da música, mas que é um trabalho de corta e cola bem feito é, com inesperados apontamentos a Kraftverk, ACDC e Prodigy. Depois vi Bandemónio e Xutos em Cascais, novamente boas condições, duas bandas muito competentes e com boas canções mas com espectáculos completamente estafados e a necessitar de grande revisão, se é que ainda é possível, eu penso sempre que sim. Prova do que digo antes foram os UHF, eles mesmo, no melhor palco, som e espaço em Corroios. Há largos anos, muitos mesmo, que não via um bom concerto dos UHF, bem escolhidas as canções, uma banda lúcida e um público que soube estar fizeram a noite. Esta sensação até podia ter sido uma reminescência dos meus 12 anos, visto até ter sido o meu aniversário nesse dia, mas pela reacção do numeroso povo que estava por lá acho que não foi. Em todo o caso, penso que os UHF dos primeiros 4 discos mereciam uma história melhor contada. Por fim, também em Corroios, vi um dos melhores espectáculos deste ano, nunca admirei muito os Silence 4, mas o David Fonseca tem feito bons discos e tem uma banda e arranjos ao vivo extraordinários. Noutro lugar teria sido muito bom mesmo.

05/09/2008

Aquele Querido Mês de Agosto em Julho

Gosto de casamentos, desde que me lembro sempre gostei de casamentos. Em miúdo, apesar da minha timidez racional, gostava de ver, observando, as pessoas e o ritual das roupas, das promessas, dos cumprimentos, dos sorrisos, das promessas, das fotografias, das felicitações, das promessas e da felicidade geral que se abatia sobre aquele dia. Chegado a adulto nada mudou, gostava tanto que acabei por casar com 21 anos, foi um belo dia de belas roupas e promessas e mais promessas e belos sorrisos, estão guardados algures em álbuns de fotografias e em vídeo mas, principalmente, na minha memória. Já não ia a um casamento há anos, desde o meu divórcio nunca tinha ido a nenhum. Em Julho fui ao casamento de um primo que é como um irmão mais novo. Que posso dizer, já sem timidez continuo a ver, observando, tudo e também as promessas que são bonitas porque são isso mesmo promessas. Foi um grande dia, o meu cinismo caminha noutras direcções, além disso fazia tempo que não usava fato e gravata, coisa que nem me fica nada mal. Vejam lá se não pareço um 000 qualquer. PS: Além disso este casamento teve um delicioso pimba-surrealismo. Como se não bastasse a visita surpresa (preparada pela noiva) da águia Vitória, ainda me empurraram a cantar o Wish you were here, com o tratador da águia exuberante na guitarra elétrica, eu a tentar lembrar-me da letra pensando como é que tinha ido ali parar e a banda atrás aos gambuzinos com o guitarrista muito parvo a olhar para a sua Ibanez a ser tocada pelo Barnabé. Os olhos fechados do Barnabé e como é que é a letra mesmo.

28/08/2008

esperar

Hoje faço 39 anos e sinto que tenho passado uma vida à espera, especialmente os últimos 4, este ano sei que o resultado deste esforço, quase ridículo de perseverança, muito trabalho e teimosia, vai ter um final que, espero, seja um começo. A ver vamos.

27/08/2008

bipolar

Acho que sou mais europolar. Quando não os tenho fico muito chateado.

media

Não sou muito dado a este tipo de manifestações de espírito patriótico, esperas de atletas em aeroportos, mas a indignada senhora que acabei de ouvir na TV tem muita razão quando diz que os media não falaram do regresso dos atletas. Tantas horas gastas com a caminha e pseudo-derrotas e agora isto. Entretanto as observações e perguntas ridículas continuam. Vou mas é p'ra caminha.

23/08/2008

do not pirimpapalhate

Estas semanas de Jogos Olímpicos, conseguiram fazer a silly season ainda mais silly do que o costume. No nosso cantinho, quando toca a grandes eventos desportivos, entramos em grandes devaneios, penso que próprios de um povo que a principal actividade física estará algures entre a sueca e o dominó ou a malha e o chinquilho, onde o órgão mais exercitado será a língua. Se existisse uma cultura de desporto séria, tão simples quanto uma prática real nas escolas, e uns media que não perdessem horas a promover menoridades como a bola que entrou ou não entrou ou o tipo de fitas que cobrem os brincos do Ronaldo, talvez fosse diferente. Neste Portugal onde todos somos mais bolos e as declarações de figuras públicas com responsabilidades efectivas são o que são, ficamos chocados com um rapaz que de manhã é mais caminha. Por mim, que o sono não lhe seja pesado e que continue a encarar o mundo com tanta descontracção, bem faria a todos nós, talvez não partíssemos do princípio que somos os melhores do mundo quando na realidade enfim, somos mais bolos e parece que caminha também. O que é mais anedótico é que isto só acontece no desporto, logo no desporto, com todo o carácter aleatório, de sorte e azar e onde os adversários são isso mesmo adversários com possibilidades e vontade própria, como o João Lopes tão bem vem referindo (desde o Europeu) no Sound & Vision. Agora vou comer um pastel de nata. Já que não encontro os bolos fica aí o do not pirimpapalhate the alhey woman ou o que quer que seja.

22/08/2008

esquecidos e outras "estórias"

Há 5 anos, quando vivi em Londres em Tufnell Park, zona com muitos músicos e outros artistas, costumava dar umas corridas nuns campos de futebol mesmo em frente da casa onde estava, foi onde conheci o vocalista dos Fine Young Cannibals, um pouco anafado e com bastantes cabelos brancos mas de uma simpatia extraordinária. O Pedro Mexia no estado civil lembrou-se deles, ainda bem. Entretanto esta alembradura fez-me alembrar outra. Esta menos inócua, mas com poucas colheitas. Terence Trent D'Arby Dance little sister

esquecidos ou quase 3

Stan Ridgway Camouflage Esta estava mesmo muito esquecida, agradecimentos ao Pedro. esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2

04/08/2008

reflexo IV

O que é que te aconteceu? Uma cotovelada abriu-me o sobrolho no treino e tive de levar 6 pontos, responde n. Porque é que não me telefonaste? n abre os olhos ou pelo menos um e encolhe os ombros. És mesmo mariquinhas, não me ligaste para não te ver chorar, diz Rosa. n abre ainda mais o olho sorrindo. Rosa continua. Como é que foste para o hospital? Sozinho, com uma mão estancava o sangue e com a outra conduzia. Fui cozido por uma estagiária muito simpática enquanto falávamos do Woody Allen. Reflexo I Reflexo II, Reflexo III

28/07/2008

aos meus meninos de férias em Moçambique

Para a Mafalda A minha menina é linda. Linda e mágica como um arco-íris. E é linda porque teve a sorte de nascer assim. É o vermelho sangue vivo, feito de força e garra. É o laranja fogo, criativo e empreendedor. É o amarelo alegre como os raios de sol. É o verde estável e seguro das árvores. É o azul celeste, sereno como o céu. É o azul escuro, arrebatador como o mar. É o violeta mágico e descomprometido. É a junção feliz de todas elas, o branco paz de uma folha de papel, onde escrevo o carinho sem fim e o todo o amor terno que sinto. É linda a minha menina. Linda como as papoilas vermelhas que se espalham na primavera, inundando os campos de alegria e cor enchendo-nos de sonhos e vida. Linda como as árvores verdes que cobrem montanhas, vales, planícies e, robustas e sem idade, nos purificam a alma e o espírito. Linda como o céu azul, onde na sua calma vastidão se prostra um sol amarelo quente, que nos aquece e nos lembra, que o tempo passa e um novo dia vai chegar. A minha menina é linda. Linda como as histórias de encantar, onde tudo pode acontecer, mas no fim os príncipes e as princesas se amam e são felizes para sempre. Linda como as palavras todas que só um poeta sabe escrever expondo toda a vida que sabe numa folha vazia de sentimentos. Linda como um filme de aventuras, onde os heróis não têm medo e atravessam as maiores dificuldades, passando rios, montanhas e desertos agrestes. Como a vida, mas ganhando sempre. É linda a minha menina. Linda como o espaço e o tempo, passado, presente e futuro, todo o tempo e todo o espaço onde se fazem os sonhos e a vida. Linda como o sossego da noite, em que as luzes são mágicas e a eternidade se encontra e pensa nas estrelas que brilham no céu. Linda como as cores todas que existem, e dão alegria, brilho e esperança, fazendo sorrir as crianças e não só, tornando o mundo tão lindo como a menina que tu és! Para o Miguel Queria fazer-te um poema, dizer-te mil e uma coisas, em linhas trocadas, pensadas com forma de estilo com figuras. Porém, só me lembro das expressões figuradas, suaves, alegres, sempre alegres, feitas nas palavras e jogos habituais de quem se ama e conhece. A música que calo para te ouvir, porque nesta pequena viagem o centro és tu, e, naturalmente, vais sendo. E neste compasso, só, na vacuidade abstracta, espero o relance do teu sorriso, como uma lua junto à escarpa, que de tão cheia e amarela mais parece um sol a nascer, sorrindo como tu. Queria fazer-te um poema, dizer-te todas as coisas em forma de metáforas, daquelas bonitas, como só os poetas sabem. Queria fazer-te um poema, Mas não consigo!

16/07/2008

férias

A banhos a ver se acalma. REM & Muppets Furry happy monsters

11/07/2008

esquecidos ou quase 2

Virginia Astley Some Small Hope Aqui com a voz de David Sylvian.

09/07/2008

um soneto

Oh! Que triste deriva sem esperança, encalhado num porto sem abrigo. Tu dizes que o tempo o tempo alcança, mas aqui estou sozinho e não contigo. Neste espaço pego na contradança, acerto o passo com o passo que consigo. Tu gritas, tudo é composto de mudança, mas a vontade é desejo e não castigo. E se com a idade o tempo pesa e cansa e o barco, desnorteado, fica perdido, amanha-se uma réstea de confiança e solto as amarras a que me obrigo, abro as velas ao vento e o vento sigo e, assim, sou o mar me amansa. José Paiva

06/07/2008

eufemismos

Desde sexta-feira que os media dizem que os portugueses começaram a poupar no pão. Poupar onde? No pão? Que raio de cantinho este à beira-mar plantado. Para a semana deve chegar às migalhas.

04/07/2008

também o meu

O corpo avisou - Texto de Pedro Mexia no estado civil Há uma inteligência do corpo que eu descurei, tão inimigos somos. O corpo não é apenas uma figura estética mas também uma entidade orgânica e somática. E tem uma inteligência que eu nem sequer conhecia. Senão vejamos. As coisas corriam francamente bem quando eu entrei em ameaça de colapso. Literato e «psicologista» , imaginei que fosse uma reacção negativa da mente (ou da «alma» ou do «inconsciente»). Na verdade, era uma reacção benéfica do corpo. Enquanto a «mente» (ou alma ou o inconsciente), embarca em ilusões ideológicas, o corpo reage sempre com pragmatismo. Aquele sinal aparentemente «negativo» era um aviso: «vamos ficar por aqui». Porque é que o corpo me avisou «vamos ficar por aqui?». O corpo devia procurar a satisfação dos seus instintos e estar mais entusiasmado que apreensivo. Mas o meu corpo detectou (e eu não) algo de semelhante ao «muro dos nadadores». O «muro dos nadadores» é aquele patamar de resistência que o nadador de longo curso não consegue ultrapassar, ainda que acredite que sim. Quando atinge certa distância, há uma barreira invisível que impede que ele prossiga. Não é apenas «cosa mentale»: é a materialização dos seus limites. Quando eu cheguei ao meu limite, tive um aviso evidente, que achei estúpido ou masoquista. Quando era o contrário disso: inteligente e apostado na auto-defesa. O corpo, no seu funcionamento interno que ignoro e temo, enviou sinais físicos estridentes. Era altura de recuar. Claro que eu podia continuar, se tivesse capacidade para isso (e tive), mas estava avisado: ia ser devorado pelos tubarões. E depois apareceram os tubarões.