20/10/2008

blogs

Estão aí duas moradas novas, a única real tradição viva e casario do ginjal, o primeiro dedicado aos surrealistas, o segundo fala de muitas coisas, mas principalmente do meu ginjal que, pelos vistos, também é do Luís Milheiro. Este foi escrito no ginjal há anos que não lembro. I Não sei para onde vou Sei aquilo que tenho Mas sei também aquilo que não tenho Olho o rio quase parado Correndo lento para o mar Sem força, sem chama Revejo-me nesta imagem E entristeço ainda mais Sinto a minha vida parada Ao menos o rio vai para o mar Eu, não sei para onde vou... Não sei para onde vou Sei aquilo que sou Mas sei também aquilo que não sou Não sei para onde quero ir Nem sequer sei se quero ir O rio sabe para onde vai E devagar chega ao mar Aí transforma-se e fica alegre e pujante Cheio de vida Eu, não sei para onde vou Nem sei onde vou chegar!... II Por vezes os rios têm pontes As pontes são úteis E por vezes bonitas Os rios têm barcos E todos os barcos são bonitos Eu sei aquilo que tenho E o que não tenho Mas também nunca achei útil ou bonito Os rios sabem onde nascem Mas também sabem onde acabam Eu, só sei onde nasci. Por vezes a vida tem aventuras As aventuras são úteis E por vezes bonitas A vida tem sonhos E os sonhos são sempre bonitos Eu sei aquilo que sou E o que não sou Mas também nunca achei útil ou bonito Os rios acabam no mar E o mar é vida Eu, só sei onde nasci.

18/10/2008

jornalismo, jornalistas

"Que a esmagadora maioria da classe jornalística não reaja, todos os dias, a estes atentados aos seus valores mais genuínos, eis o mistério filosófico dos nossos dias televisivos.", diz João Lopes no Sound & Vision. Quais? Quem? Onde? Os que tem medo de perder o lugar, os que nunca conseguiram o lugar, os que estão no lugar, estes não serão de certeza e os outros quem os escuta. E o pior ainda está para vir, que eu bem vi como eles eram feitos para o tal lugar. Na cadeira de Jornalismo e Poder, mais teórica em que era preciso pensar mais e com um bom professor para o efeito, as notas foram uma desgraça. Quem foi o culpado? O professor claro, que logo foi posto a andar porque os meninos não pagavam para chumbar. Depois era vê-los brilhar no atelier em frente às câmaras.

17/10/2008

uma família

Trabalho sobre a família de Mafalda Paiva para o curso de fotografia da ETIC. Esta é assim, a preto e branco e um pouco desfocada, a fotógrafa é a única que não está enevoada, ainda bem para ela.

será uma família

P. vive com R. e P., um casal de canários fêmeas. Será que são uma família?

coisas que me fazem ainda mais impressão

No 5 dias leio uma discussão muita parva sobre Rucas e Pedros, famílias gays, adopções e por aí fora. Tal como dos casamentos, gosto de quem adopta e não me interessa nada o que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.

16/10/2008

música

Algumas pessoas perguntam-me porque não escrevo mais sobre música, porque me limito a postar os telediscos sem mais enquadramento algum. Sempre preferi gastar o meu tempo a ouvir e fazer música, quando o faço emprego todos os meus sentidos, começo pelo geral e percorro todos os caminhos, instrumento a instrumento, até aos pormenores mais ínfimos das canções. Seria um chato a falar de música, além disso também escrevo, quando o faço, para me libertar das melodias, embora acabe por tentar fazer música com as palavras, enfim, no fundo é tudo uma questão de ar e já agora de oxigénio também. De qualquer forma, aí ao lado existem pessoas que escrevem muito bem sobre música e da boa, mesmo que pareça filosofia, vejam era um redondo vocábulo 39, aproveitem para ler os outros 38.

coisas que me fazem impressão

Casamentos homosexuais. Como já aqui disse antes, gosto de casamentos, portanto acho que todos deviam poder casar com todos, independentemente do que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.

15/10/2008

coisas boas

Muito boa a nova música dos Calexico. Two Silver Trees
No nascer do sol o Lourenço diz "...uma Nova Iorque impiedosa, invadida por provincianos e suburbanos a tentar escalar até um topo místico e completamente inacessível, opaco, preenchido por nova iorquinos de gema." Antes como agora, se isto é verdade também não é mentira que NY é muito mais que isto. e já agora mais isto, ao vivo no ano em que nasci

14/10/2008

Não há engano, na tormenta voraz dos acontecimentos. O que foi, o que é e o que irá ser, não há desvios, paragens ou perspectivas abstractas. O caminho, que é uma estrada já feita, terá o tempo que o tempo precisa, sem pressas, que o tempo tem os seus caprichos e leva, sempre, o tempo que o tempo tem. Não há engano, no desbravar voraz dos sentimentos. O que se quis, o que se quer e o que se irá querer, não há curvas, atalhos ou certezas condicionadas. O destino, que é um fado já cantado, terá todo o espaço que o espaço precisa, e, na vastidão, qualquer dúvida será varrida, porque o espaço quer-se vasto mas limpo também. Não há engano, no tempo e no espaço que é só um. Onde tudo o que foi dito, se diz ou virá a dizer é, tão só, um ciclo de repetições constantes. Nesta vida, que temos e fazemos, o tempo que levamos leva-nos também e o espaço que é nosso é aquele que conquistamos. Resta-nos esperar que os enganos se vão apagando.

10/10/2008

esquecidos ou quase 7

XTC Making plans for nigel (1979) Senses Working Overtime (1982) Dear God (1986) The ballad of Peter Pumpkinhead (1992) Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6

07/10/2008

blogs

Isto dos blogs é realmente giro, Pedro Mexia diz no estado civil "Como acontece com frequência nos blogues, alguém teve a mesma ideia no mesmo dia e lembrou «It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)»." por causa de um post no corta-fitas http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2502769.html. Já agora tinha tido a mesma ideia aqui Era bom era mais não vai ser, se não me engano por causa da crise do petróleo em Junho e com as mesmas imagens do estado civil e tudo. Andamos todos ao mesmo, mas também como a minha crise já é antiga é normal que me lembrasse primeiro, azar o meu.

03/10/2008

do bom e do burro - texto de Maria João no insónia

Ultimamente tenho reparado que muita gente confunde as pessoas boas com pessoas burras, mas bom e burro não são sinónimos. Se formos verificar, no dicionário a palavra bom quer dizer de boa qualidade, que tem bondade e é sinónimo de virtuoso, vantajoso, próprio, agradável, útil, sadio, nobre, seguro e garantido. É claro que burro também começa por b, mas isso não quer dizer que o b de bom seja igual ao b de burro. Burro, segundo o dicionário é um nome vulgar de uns mamíferos perissodáctilos, da família dos Equídeos, menos corpulentos que os cavalos, mas com orelhas mais compridas; é sinónimo de asno, jumento e cavalgadura; também pode ser um jogo de cartas; e, finalmente, significa indivíduo estúpido e teimoso. Assim, no dicionário verificamos que estas duas palavras não são sinónimas, não surgem associadas, dai se deduz que uma pessoa boa não é burra, ou seja, estúpida e teimosa. Eu acho que por vezes o b de bom pode coincidir com o b de burro, mas isso é uma excepção que confirma a regra. O equívoco existe também porque muita gente confunde as pessoas boas com pessoas fracas. Ora fraco significa não ter força e é sinónimo de débil, frouxo, delgado, cobarde, pusilânime, debilitado, medíocre, brando, mau, reles, defeito, tendência, simpatia, paixão (estes últimos quando se tem um fraco por…), vício, predominante, balda. Assim, ser fraco não é coisa boa de certeza, também não sei se os fracos são burros, ou seja estúpidos e teimosos, não tenho a certeza, um indivíduo pode ser fraco apenas porque está doente, a doença nada tem a ver com a inteligência. Mas penso que a origem deste equívoco está no facto da bondade, o altruísmo, a generosidade, a partilha serem vistas com maus olhos no capitalismo selvático onde vivemos, sobretudo no mundo do trabalho que é uma psicose desenfreada, onde o individualismo, o egocentrismo, o egoísmo é sinónimo de forte no salve-se quem puder. Infelizmente, sinto que o sistema de mercado do salve-se quem puder também contamina e abrange não apenas o mundo do trabalho, mas outras áreas dos humanos. Verifico que essa contaminação está sempre presente na gente que confunde o b de bom com o b de burro. Acho, no entanto, que nunca nos devemos de esquecer que burro em italiano significa manteiga. Com as orelhas de burro que tenho e magro (fraco) que sou só posso ser bom, vou ali matar uma mosca e já venho. Muito fraco este texto, aliás burro, porra bom. É isso bom.

bailado

Duas postas sobre futebol em tão poucos dias parece-me demais, mas vejam lá se a forma como o Nuno Gomes foge ao seu par não parece bailado.

02/10/2008

o estilo das figuras que param em andamento

Parar de escrever, disse outrem Deixar de soltar e trocar palavras Desistir de todas as figuras de estilo Sem excepção. Parar com as prosopopeias, litotes e ironias Com as metonímias, hipérboles e metáforas Com os anacolutos e elipses. Arrumar todas as alegorias contraditórias, Encerrar as comparações imagéticas E as personificações aberrantes numa prateleira. Porque as árvores de fruto não dão dinheiro E a felicidade não nasce do chão. Arrumar as aliterações chatas e monótonas Insistentes, insuportáveis e inconsequentes, E os anacolutos estapafúrdios e confusos Porque todos, nem feito e defeito, nada valemos. Arrumar as anáforas, diáforas, epíforas e o que mais, E parar de repetir que a vida é a vida porque é a vida. Arrumar as anástrofes e hipérbatos enfáticos, Deixar as inversões e disfunções para o dia-a-dia E tornar, que a realidade assim quer, a perder. Arrumar com os eufemismos e litotes contidos E chamar os bois pelos nomes, todos, Porque as moscas passam e o que fica é o mesmo. Arrumar as antíteses, paradoxos e oxímoros E ser concreto, objectivo e claro, Porque a dor que não dói não alegra a felicidade. Arrumar as autonomásias, metonímias e sinédoques Ser analítico, porque a pressa carrega o tempo. Arrumar com os pleonasmos desnecessários, Bem visto com olhos de ver vai dar tudo ao mesmo. Arrumar com o exagero sebastiânico das hipérboles Porque a vida perde-se, sempre, num imenso nevoeiro. Parar de escrever, disseram Deixar de imaginar a vida nas palavras Desistir dos sentidos e sentimentos Sem excepção. Parar com pretensões estéreis e irrelevantes Com a procura da compreensão e entendimento, Com as emoções que se julgam racionais. Arrumar todas as possibilidades de parecer ser, Encerrar a necessidade de oposição e confronto, E a ilusão sonhadora de ser amado. Porque quem não sabe dizer amo-te, É porque não consegue amar. E esta e só mais uma ironia, Que as figuras, com estilo ou sem, nos pregam.
A merda nos sapatos cheira mal e pode fazer-nos tropeçar mas não nos impede de andar em frente.
Se soubeses como eu gosto quando és cruel e me mentes ao ouvido.

01/10/2008

descolonizar, retornar, entornar

De vez em quanto surge, na comunicação social, o tema dos retornados e da descolonização, de uma forma geral mal abordado ou, talvez, bem abordado se virmos na perspectiva de uns media onde predomina a palha, a inconsequência, o Pathos explorado aos limites em doses cada vez mais fortes e pesadas. É o que o povo quer, dizem eles, e como o povo vai comendo está tudo bem, principalmente se as acções não descerem muito. Mais uma vez, era o Salazar é que era bom, os pretos que eram muito maus e ainda por cima pretos, viemos sem um tostão no bolso nem o Baltazar e Anacleta que serviam para tudo, do outro lado estão os da metrópole (isto tem piada metrópole) que se foram para lá que lá ficassem, que o Estado Novo é que provocou tudo, o Salazar era um bandido, só não comia criancinhas isso eram os outros mais a leste, enfim um rol de tanto nada que assusta ao fim destes anos. A descolonização foi mal feita, nada exemplar ao contrário do que diz o Dr. Mário Soares, pois foi e como é que podia ser bem feita com o País extremado como estava e que mesmo quando estável poucas coisas faz bem feitas. Parece que ao fim destes anos todos, com a Europa, globalização, choque tecnológico e sei lá que mais, continuamos os mesmo chorões de sempre.

30/09/2008

enganar a crise

Bom negócio de Rui Costa ter deixado sair aquele rapaz para a equipa azul para vir o Reyes. Vejam bem a última repetição.

esquecidos ou quase 6

Fischer Z The Worker Battalions of strangers esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5