06/11/2008

esquecidos ou quase 9

Nunca pensei por estes nesta rubrica, mas tendo em conta que telefonaram duas pessoas para a Radar a perguntar quem eram estes, estes aqui estão. E se nesta rubrica tem caído não só mas quase só curiosidades, estes, para mim, são um pouco mais que uma curiosidade. Escolham a versão que quiserem da música que provocou 2 telefonemas. NEW ORDER Blue Monday HARDFLOOR REMIX LIVE Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6 esquecidos ou quase 7 esquecidos ou quase 8

coisas que me fazem impressão

Falar-se dos políticos e das campanhas, dando, em primeiro lugar, importância às falhas ou "gafes". Pensava que o mais importante seria o projecto, programa, ideias, sei lá, qualquer coisas assim.

05/11/2008

música

Parece que há mais gente a render-se aos Wild Beasts ainda bem. Aqui http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt/393840.html

USA

A vitória de Obama é fácil de entender, o que continuo sem perceber é como foi possível muitos dos eleitores de Obama terem ficado em casa na reeleição de W. Seja pela cor ou por uma nova encarnação de JC na terra, qualquer destes me parece um péssimo motivo para começar a transformar o mundo. Portanto, tenhamos fé. Johnny Cash I Am The Nation

04/11/2008

Depois de uma série de exames, que culminaram com uma desagradável endoscopia, parece que tenho uma gastrite do antro, coisa comum a 90% dos adultos. Nem um pouco de colesterol, triglicéridos, ácido úrico, nem um batimento cardiaco ao lado, nem uma úlcera, eczema, nada, tudo absurdamente saudável e normal, tal como a gastrite. E um cirurgião para a alma não há? Jeff Buckley Eternal life Eternal life is now on my trail Got my red glitter coffin man, just need one last nail... While all these ugly gentlemen play out their foolish games There's a flaming red horizon that screams our names And as your fantasies are broken in two Did you really think this bloody road would pave the way for you? You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel Racist everyman, what have you done? Man, you've made a killer of your unborn son Crown my fear your king, at the point of a gun All I wanna do is love everyone And as your fantasies are broken in two Did you really think this bloody road would pave the way for you? You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel There's no time for hatred, only questions What is love? Where is happiness? What is a life? Where is peace? When will I find the strength to bring me release? Tell me where is the love in what your prophet has said? Man it sounds to me just like a prison for the walking dead Well I've got a message for you and your twisted hope You'd better turn around and blow your kiss goodbye to life eternal, angel

Dizes que não tenho fé, mas tenho. Tenho fé que quando acabares de ouvir esta canção não irás dizer, esta música é triste. Jeff Buckley Hallelujah

02/11/2008

compreensão

A «compreensão» é um conceito admirável. Quando alguém diz que «compreende» já estuda discretamente as saídas de emergência. diz Pedro Mexia no estado civil. Eu penso que poderá ser muito mais do que isso. Mas o que sei eu?
Falhar. Falhar sempre. Falhar até que o falhanço fique desenhado da pele, no contorno das rugas, dos olhos, cavados na certeza de não ter desistido. Nick Drake Place To Be When I was younger, younger than before I never saw the truth hanging from the door And now I'm older see it face to face And now I'm older gotta get up clean the place. And I was green, greener than the hill Where the flowers grew and the sun shone still Now I'm darker than the deepest sea Just hand me down, give me a place to be. And I was strong, strong in the sun I thought I'd see when day is done Now I'm weaker than the palest blue Oh, so weak in this need for you.

31/10/2008

o que é uma grande canção

Smells Like Teen Spirit Patti Smith Tori Amos Paul Anka Ukulele Orchestra talvez uma que até só com ferrinhos nos faça vibrar.

peixe:avião

Ainda não conheço o novo disco, 40.02, na totalidade, mas o que conheço não engana, muito bom. peixe:avião a espera é um arame podem ouvir mais aqui, http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=224126066

29/10/2008

distrações e outras complicações

O meu amigo e produtor Kalle foi contratado para técnico principal dos Madredeus, como parece que andam numa grande azáfama a preparar 6 concertos em Lisboa até 15 de Novembro, lá vai o meu disco atrasar mais uns dias, logo agora que estava nas misturas finais. De qualquer forma, ainda bem para ele. Entretanto, emprestou-me um disco de uma banda com que andou a trabalhar e que me tinha passado ao lado, ainda por cima tão perto de mim, Setúbal. Acabei de ouvir e, mais macaquinho de imitação ou menos, gostei bastante deste som. Mazgani Lay Down Somewhere Beneath the Sky

contradições

João Gonçalves diz no Portugal dos pequeninos http://www.portugaldospequeninos.blogspot.com/ Existe um défice de confronto por cá. Por todo o lado, no poder, na oposição, nas televisões, pelos jornais, na literatura, entre blogues, etc., etc., nota-se aquele cuidado hipócrita em não ferir a susceptibilidade do Outro. O Outro - uma desgraçada invenção do divã freudiano e da "modernidade" - é a nossa cruz. Como o país é pequenino e toda a gente está mais ou menos comprometida com toda a gente, a amabilidade impede que as relações, públicas ou privadas, sejam adultas. Só a ruptura e a desmesura valem a pena. São um sinal de maturidade e de responsabilidade contra a trivialidade da vida quotidiana falsamente "animada" pelos amáveis de serviço. Por isso gosto de cães grandes e detesto caniches. Por isso não troco o mar por arbustos verdejantes e piqueniques com famílias felizes. Por isso ignoro a maioria das "figuras públicas". Qualquer "mulher-a-dias" que a minha insónia intercepta e que corre debaixo da minha janela às cinco da manhã atrás do primeiro autocarro para o trabalho, merece-me a consideração esdrúxula que não possuo pelos homúnculos do regime. Não conheço melhor libelo contra a amabilidade do que os famosos versos de Botto em homenagem a Pessoa, justamente um dos que, par delicatesse, perdeu literalmente uma vida que nunca chegou a ter. "Isto por cá vai indo como dantes;/O mesmo arremelgado idiotismo/Nuns Senhores que tu já conhecias/- Autênticos patifes bem falantes.../E a mesma intriga; as horas, os minutos,/As noites sempre iguais, os mesmos dias,/Tudo igual! Acordando e adormecendo/Na mesma côr, do mesmo lado, sempre/O mesmo ar e em tudo a mesma posição." Qual contraditório (confronto), aquele que nos fode, aquele que assim que nos apanha de costas nos empurra, usando um eufemismo, para fora de qualquer espécie de argumento, sim porque em frente cala-se, ignora e despreza. Apesar do nada que sou, também eu tenho em consideração a "mulher-a-dias". Mas a consideração também é dada no valor que se paga, quando era um pouco menos nada do que sou agora e tinha uma empregada, não procurei o mais barato e paguei sempre o que me pedia, quando tive uma empresa não andava a esgravatar o degraçado mais barato para me fazer o trabalho. Parece que anda por aí muita gente indignada porque o ordenado mínimo (que nome arrepiante) vai aumentar para a mágica quantia de 450€, essa fortuna para o povo gastar nos centros comerciais, ainda por cima não é na FNAC a comprar os livros que os contraditórios editam. É que a consideração não é coisa para se ter da janela, mas sim com os pés na terra, só da janela parece-me assim, como direi, uma coisa de amabilidades.

28/10/2008

coisas estranhas

Não gosto de um nem do outro, mas isto até está bom. Boss AC & Mariza Alguem me ouviu

completamente esquecidos

Parece que está na moda, outra vez, o roque em português. Iodo Malta à Porta Com o meu amigo Alfredo na bateria. Roquivarios Cristina Com o meu amigo Jorge Loução na guitarra. Quando tinha 11,12 anos, costumava ver estas duas bandas a abrir os concertos dos UHF, com os Xutos entalados no meio.

27/10/2008

incomunicação

A TVI não dá ponto sem nó, depois de uma boa reportagem sobre uma criança com uma doença rara, hoje de manhã enfia essa mesma criança num estúdio sujeita a um ambiente naturalmente hostil. Tentam a todo o custo fazer a menina falar, repetem a mesma história até à exaustão, conseguem por a mãe a chorar, facto que não me apercebi de ter acontecido na reportagem e, como corolário, os pseudo-apresentadores dizem que não podendo resolver o problema, podem, pelo menos, dar uma ajuda ou ajudazita. Sabem qual foi, a fabulosa quantia de 1000 euros. Se fossem bardamerda como dizia o meu avô e fossem explorar o cultivo de uvas em marte. Bem esteve a menina, indiferente a esta palhaçada, mas isso deve ser o peso dos 70 anos num corpo de 10.

24/10/2008

esquecidos ou quase 9

Já agora também estes, com o Nuno Rebelo no baixo. Street Kids Propaganda

esquecidos ou quase 8

Não são as minhas preferidas mas não encontrei outras. Mler if dada Zuvi Zeva Novi Dance Music Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6 esquecidos ou quase 7

23/10/2008

alma, culpa e outras confissões

"Uma alma que fosse posssível considerar responsável por todo e qualquer acto cometido teria de levar-nos, forçosamente, a reconhecer a total inocência do corpo, reduzido a ser o instrumento passivo de uma vontade, de um querer, de um desejar não especificamente localizáveis nesse mesmo corpo. A mão, em estado de repouso, com os seus ossos, nervos e tendões, está pronta para cumprir no instante seguinte a ordem que lhe for dada e de que em si mesma não é responsável, seja para oferecer uma flor ou para apagar um cigarro na pele de alguém." aqui http://caderno.josesaramago.org/ Um amigo meu dizia-me, (se não me engano a propósito de "gajas") tu é que tás bem, não sentes a culpa, isto por eu não acreditar em Deus, nem no sentido de culpa cristã. O que ele não sabia é que a responsabilidade e o respeito que sempre tentei ter para com os outros, não se absolve em confissões.

22/10/2008

knock on wood

Numa pesquisa que fiz na net, entre outras coisas, knock on wood deu o que vem aí em baixo. Gostava de dizer que o nome do estúdio não tem nada com isto, mas até tem piada. Agora tenho de arranjar uma bola de espelhos. Amii Stewart KNOCK ON WOOD

a minha marca amarela

Este é o logo, feito pelo meu irmão, para o nosso estúdio/escola de música, entre outras coisas que lá vamos fazer. Em Novembro mais um começo, lembrando alguns outros reparo que têm calhado quase sempre com o cair das folhas, quando ficam amarelas.

livros

Aí está um livro muito importante na minha vida A marca amarela. Quando se fala em livros mais importantes ou melhores, andamos sempre pelos clássicos e esquecemos o que nos ajudou a chegar lá. Sigam este caminho, http://abrupto.blogspot.com/2008/10/errata-com-blake-e-mortimer-george.html

20/10/2008

blogs

Estão aí duas moradas novas, a única real tradição viva e casario do ginjal, o primeiro dedicado aos surrealistas, o segundo fala de muitas coisas, mas principalmente do meu ginjal que, pelos vistos, também é do Luís Milheiro. Este foi escrito no ginjal há anos que não lembro. I Não sei para onde vou Sei aquilo que tenho Mas sei também aquilo que não tenho Olho o rio quase parado Correndo lento para o mar Sem força, sem chama Revejo-me nesta imagem E entristeço ainda mais Sinto a minha vida parada Ao menos o rio vai para o mar Eu, não sei para onde vou... Não sei para onde vou Sei aquilo que sou Mas sei também aquilo que não sou Não sei para onde quero ir Nem sequer sei se quero ir O rio sabe para onde vai E devagar chega ao mar Aí transforma-se e fica alegre e pujante Cheio de vida Eu, não sei para onde vou Nem sei onde vou chegar!... II Por vezes os rios têm pontes As pontes são úteis E por vezes bonitas Os rios têm barcos E todos os barcos são bonitos Eu sei aquilo que tenho E o que não tenho Mas também nunca achei útil ou bonito Os rios sabem onde nascem Mas também sabem onde acabam Eu, só sei onde nasci. Por vezes a vida tem aventuras As aventuras são úteis E por vezes bonitas A vida tem sonhos E os sonhos são sempre bonitos Eu sei aquilo que sou E o que não sou Mas também nunca achei útil ou bonito Os rios acabam no mar E o mar é vida Eu, só sei onde nasci.

18/10/2008

jornalismo, jornalistas

"Que a esmagadora maioria da classe jornalística não reaja, todos os dias, a estes atentados aos seus valores mais genuínos, eis o mistério filosófico dos nossos dias televisivos.", diz João Lopes no Sound & Vision. Quais? Quem? Onde? Os que tem medo de perder o lugar, os que nunca conseguiram o lugar, os que estão no lugar, estes não serão de certeza e os outros quem os escuta. E o pior ainda está para vir, que eu bem vi como eles eram feitos para o tal lugar. Na cadeira de Jornalismo e Poder, mais teórica em que era preciso pensar mais e com um bom professor para o efeito, as notas foram uma desgraça. Quem foi o culpado? O professor claro, que logo foi posto a andar porque os meninos não pagavam para chumbar. Depois era vê-los brilhar no atelier em frente às câmaras.

17/10/2008

uma família

Trabalho sobre a família de Mafalda Paiva para o curso de fotografia da ETIC. Esta é assim, a preto e branco e um pouco desfocada, a fotógrafa é a única que não está enevoada, ainda bem para ela.

será uma família

P. vive com R. e P., um casal de canários fêmeas. Será que são uma família?

coisas que me fazem ainda mais impressão

No 5 dias leio uma discussão muita parva sobre Rucas e Pedros, famílias gays, adopções e por aí fora. Tal como dos casamentos, gosto de quem adopta e não me interessa nada o que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.

16/10/2008

música

Algumas pessoas perguntam-me porque não escrevo mais sobre música, porque me limito a postar os telediscos sem mais enquadramento algum. Sempre preferi gastar o meu tempo a ouvir e fazer música, quando o faço emprego todos os meus sentidos, começo pelo geral e percorro todos os caminhos, instrumento a instrumento, até aos pormenores mais ínfimos das canções. Seria um chato a falar de música, além disso também escrevo, quando o faço, para me libertar das melodias, embora acabe por tentar fazer música com as palavras, enfim, no fundo é tudo uma questão de ar e já agora de oxigénio também. De qualquer forma, aí ao lado existem pessoas que escrevem muito bem sobre música e da boa, mesmo que pareça filosofia, vejam era um redondo vocábulo 39, aproveitem para ler os outros 38.

coisas que me fazem impressão

Casamentos homosexuais. Como já aqui disse antes, gosto de casamentos, portanto acho que todos deviam poder casar com todos, independentemente do que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.

15/10/2008

coisas boas

Muito boa a nova música dos Calexico. Two Silver Trees
No nascer do sol o Lourenço diz "...uma Nova Iorque impiedosa, invadida por provincianos e suburbanos a tentar escalar até um topo místico e completamente inacessível, opaco, preenchido por nova iorquinos de gema." Antes como agora, se isto é verdade também não é mentira que NY é muito mais que isto. e já agora mais isto, ao vivo no ano em que nasci

14/10/2008

Não há engano, na tormenta voraz dos acontecimentos. O que foi, o que é e o que irá ser, não há desvios, paragens ou perspectivas abstractas. O caminho, que é uma estrada já feita, terá o tempo que o tempo precisa, sem pressas, que o tempo tem os seus caprichos e leva, sempre, o tempo que o tempo tem. Não há engano, no desbravar voraz dos sentimentos. O que se quis, o que se quer e o que se irá querer, não há curvas, atalhos ou certezas condicionadas. O destino, que é um fado já cantado, terá todo o espaço que o espaço precisa, e, na vastidão, qualquer dúvida será varrida, porque o espaço quer-se vasto mas limpo também. Não há engano, no tempo e no espaço que é só um. Onde tudo o que foi dito, se diz ou virá a dizer é, tão só, um ciclo de repetições constantes. Nesta vida, que temos e fazemos, o tempo que levamos leva-nos também e o espaço que é nosso é aquele que conquistamos. Resta-nos esperar que os enganos se vão apagando.

10/10/2008

esquecidos ou quase 7

XTC Making plans for nigel (1979) Senses Working Overtime (1982) Dear God (1986) The ballad of Peter Pumpkinhead (1992) Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6

07/10/2008

blogs

Isto dos blogs é realmente giro, Pedro Mexia diz no estado civil "Como acontece com frequência nos blogues, alguém teve a mesma ideia no mesmo dia e lembrou «It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)»." por causa de um post no corta-fitas http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2502769.html. Já agora tinha tido a mesma ideia aqui Era bom era mais não vai ser, se não me engano por causa da crise do petróleo em Junho e com as mesmas imagens do estado civil e tudo. Andamos todos ao mesmo, mas também como a minha crise já é antiga é normal que me lembrasse primeiro, azar o meu.

03/10/2008

do bom e do burro - texto de Maria João no insónia

Ultimamente tenho reparado que muita gente confunde as pessoas boas com pessoas burras, mas bom e burro não são sinónimos. Se formos verificar, no dicionário a palavra bom quer dizer de boa qualidade, que tem bondade e é sinónimo de virtuoso, vantajoso, próprio, agradável, útil, sadio, nobre, seguro e garantido. É claro que burro também começa por b, mas isso não quer dizer que o b de bom seja igual ao b de burro. Burro, segundo o dicionário é um nome vulgar de uns mamíferos perissodáctilos, da família dos Equídeos, menos corpulentos que os cavalos, mas com orelhas mais compridas; é sinónimo de asno, jumento e cavalgadura; também pode ser um jogo de cartas; e, finalmente, significa indivíduo estúpido e teimoso. Assim, no dicionário verificamos que estas duas palavras não são sinónimas, não surgem associadas, dai se deduz que uma pessoa boa não é burra, ou seja, estúpida e teimosa. Eu acho que por vezes o b de bom pode coincidir com o b de burro, mas isso é uma excepção que confirma a regra. O equívoco existe também porque muita gente confunde as pessoas boas com pessoas fracas. Ora fraco significa não ter força e é sinónimo de débil, frouxo, delgado, cobarde, pusilânime, debilitado, medíocre, brando, mau, reles, defeito, tendência, simpatia, paixão (estes últimos quando se tem um fraco por…), vício, predominante, balda. Assim, ser fraco não é coisa boa de certeza, também não sei se os fracos são burros, ou seja estúpidos e teimosos, não tenho a certeza, um indivíduo pode ser fraco apenas porque está doente, a doença nada tem a ver com a inteligência. Mas penso que a origem deste equívoco está no facto da bondade, o altruísmo, a generosidade, a partilha serem vistas com maus olhos no capitalismo selvático onde vivemos, sobretudo no mundo do trabalho que é uma psicose desenfreada, onde o individualismo, o egocentrismo, o egoísmo é sinónimo de forte no salve-se quem puder. Infelizmente, sinto que o sistema de mercado do salve-se quem puder também contamina e abrange não apenas o mundo do trabalho, mas outras áreas dos humanos. Verifico que essa contaminação está sempre presente na gente que confunde o b de bom com o b de burro. Acho, no entanto, que nunca nos devemos de esquecer que burro em italiano significa manteiga. Com as orelhas de burro que tenho e magro (fraco) que sou só posso ser bom, vou ali matar uma mosca e já venho. Muito fraco este texto, aliás burro, porra bom. É isso bom.

bailado

Duas postas sobre futebol em tão poucos dias parece-me demais, mas vejam lá se a forma como o Nuno Gomes foge ao seu par não parece bailado.

02/10/2008

o estilo das figuras que param em andamento

Parar de escrever, disse outrem Deixar de soltar e trocar palavras Desistir de todas as figuras de estilo Sem excepção. Parar com as prosopopeias, litotes e ironias Com as metonímias, hipérboles e metáforas Com os anacolutos e elipses. Arrumar todas as alegorias contraditórias, Encerrar as comparações imagéticas E as personificações aberrantes numa prateleira. Porque as árvores de fruto não dão dinheiro E a felicidade não nasce do chão. Arrumar as aliterações chatas e monótonas Insistentes, insuportáveis e inconsequentes, E os anacolutos estapafúrdios e confusos Porque todos, nem feito e defeito, nada valemos. Arrumar as anáforas, diáforas, epíforas e o que mais, E parar de repetir que a vida é a vida porque é a vida. Arrumar as anástrofes e hipérbatos enfáticos, Deixar as inversões e disfunções para o dia-a-dia E tornar, que a realidade assim quer, a perder. Arrumar com os eufemismos e litotes contidos E chamar os bois pelos nomes, todos, Porque as moscas passam e o que fica é o mesmo. Arrumar as antíteses, paradoxos e oxímoros E ser concreto, objectivo e claro, Porque a dor que não dói não alegra a felicidade. Arrumar as autonomásias, metonímias e sinédoques Ser analítico, porque a pressa carrega o tempo. Arrumar com os pleonasmos desnecessários, Bem visto com olhos de ver vai dar tudo ao mesmo. Arrumar com o exagero sebastiânico das hipérboles Porque a vida perde-se, sempre, num imenso nevoeiro. Parar de escrever, disseram Deixar de imaginar a vida nas palavras Desistir dos sentidos e sentimentos Sem excepção. Parar com pretensões estéreis e irrelevantes Com a procura da compreensão e entendimento, Com as emoções que se julgam racionais. Arrumar todas as possibilidades de parecer ser, Encerrar a necessidade de oposição e confronto, E a ilusão sonhadora de ser amado. Porque quem não sabe dizer amo-te, É porque não consegue amar. E esta e só mais uma ironia, Que as figuras, com estilo ou sem, nos pregam.
A merda nos sapatos cheira mal e pode fazer-nos tropeçar mas não nos impede de andar em frente.
Se soubeses como eu gosto quando és cruel e me mentes ao ouvido.

01/10/2008

descolonizar, retornar, entornar

De vez em quanto surge, na comunicação social, o tema dos retornados e da descolonização, de uma forma geral mal abordado ou, talvez, bem abordado se virmos na perspectiva de uns media onde predomina a palha, a inconsequência, o Pathos explorado aos limites em doses cada vez mais fortes e pesadas. É o que o povo quer, dizem eles, e como o povo vai comendo está tudo bem, principalmente se as acções não descerem muito. Mais uma vez, era o Salazar é que era bom, os pretos que eram muito maus e ainda por cima pretos, viemos sem um tostão no bolso nem o Baltazar e Anacleta que serviam para tudo, do outro lado estão os da metrópole (isto tem piada metrópole) que se foram para lá que lá ficassem, que o Estado Novo é que provocou tudo, o Salazar era um bandido, só não comia criancinhas isso eram os outros mais a leste, enfim um rol de tanto nada que assusta ao fim destes anos. A descolonização foi mal feita, nada exemplar ao contrário do que diz o Dr. Mário Soares, pois foi e como é que podia ser bem feita com o País extremado como estava e que mesmo quando estável poucas coisas faz bem feitas. Parece que ao fim destes anos todos, com a Europa, globalização, choque tecnológico e sei lá que mais, continuamos os mesmo chorões de sempre.

30/09/2008

enganar a crise

Bom negócio de Rui Costa ter deixado sair aquele rapaz para a equipa azul para vir o Reyes. Vejam bem a última repetição.

esquecidos ou quase 6

Fischer Z The Worker Battalions of strangers esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5

coisas que me fazem impressão

Gosto de Hillary Clinton, gosto menos de Barack Obama, não gosto de John McCain e gosto muito menos de Sarah Palin. Nesta contabilidade não entra sexo, cor, idade, estado civil, número de filhos, e faz-me impressão, muita impressão, que sejam estes os tópicos dominantes quando se fala destas pessoas. A questão do exorcismo é diferente porque a acho, além de estranha para pessoas com este tipo de educação e responsabilidade, potencialmente perigosa para alguém com um poder de vice-presidente.

26/09/2008

exorcismos e/ou ajuda divina

Parece que a candidata a vice-presidente dos USA, Sarah Palin, foi exorcizada. Eu vi a cena e aquilo pareceu-me mais uma peça de teatro rasca, mas fazendo fé, isso mesmo fé, nos meios de comunicação, aceito que fosse um exorcismo. O que se torna complicado, pelo menos para mim, são alguns comentadores a dizer que não deverá afectar a campanha, se isto não afecta uma campanha o que poderá afectar, um vídeo com Barack Obama a ser recebido por Deus himself, que lhe oferece um livro de auto-ajuda para oferecer a cada americano porque Ele está farto dos Humanos e vai mudar de planeta.

25/09/2008

24/09/2008

auto-ajuda

Ofereceram-me um desses livros chamados de auto-ajuda, a pessoa que me ofereceu tem 2 licenciaturas e um mestrado. O meu primeiro pensamento é que está tudo maluco, não pela oferta, mas porque a pessoa devia conhecer-me melhor, embora, vejo agora, também eu pensava que a conhecia melhor. Desde miúdo que tenho gosto em conversar com pessoas de diferentes crenças, credos, personalidades e atitudes. Lembro-me de uma vez, deveria ter uns doze anos, em que duas moças testemunhas do Jeová tentaram durante cerca de 1 hora convencer-me que o primeiro homem tinha sido o Adão. Perguntaram-me se sabia quem tinha sido o primeiro homem e disse-lhes que sim, que era o Australopiteco, durante 1 hora as meninas diziam que era o Adão e eu dizia que era o outro da espécie macacóide, ainda por cima estava a dar o Paleolítico numa das minhas disciplinas favoritas, história. A conversa foi demorada e gira, foram na delas eu fiquei na minha. Pouco mais tarde, no 9.º ano, tive uma colega também testemunha do Jeová, que nas análises aos poemas tinha sempre umas opiniões estranhas, a turma ria e quase que a comiam, eu, impelido pelo meu lado altruísta, lá contornava as minhas opiniões de forma a que ela não ficasse sozinha e não, ela não era um borracho de que eu quisesse qualquer tipo de ajuda (naquela altura era mais auto-ajuda mesmo). Uma vez, num intervalo, o professor, um extraordinário professor que me dava cassetes com os Cure, Triffids, REM entre outros, perguntou-me porque é que eu fazia aquilo, acho que lhe disse que não gostava de ver as pessoas gozadas e muito menos isoladas. Arranquei um 5, espero que pelo esforço mental que eu fazia naquelas aulas para ajeitar o meu pensamento, embora as trocas de cassetes devam ter ajudado e o meu gosto por poesia também. Episódios destes têm-me surgido vários ao longo da vida, apesar de não gostar nada de interferir na vida dos outros, tenho este vício estranho de socorrer pessoas que por qualquer razão estão fragilizadas ou isoladas. Com 18 anos fiz a minha primeira empresa, Libercomp, artes gráficas, durou cerca de década e meia e os primeiros dez anos foram muito bons, tive um bar, nunca tive subsídios nem qualquer outro tipo de ajuda. Quando as coisas ficaram mal fui para Nova Iorque trabalhar e, regressado, fui acabar um curso que tinha deixado a meio. Entretanto, refiz um projecto musical que tenho desde os 16 anos, estou acabar de gravar um disco que paguei a construir, durante um ano, o estúdio onde está a ser gravado. Não satisfeito, comecei há quatro meses, a construir um estúdio/escola de música onde pretendo desenvolver várias actividades relacionadas com a música. Tudo sem dinheiro, apenas com a minha mão-de-obra e, principalmente, do meu irmão e do meu pai com 69 anos, que são gráficos de profissão. Isto tudo para dizer, para que raio preciso eu de um livro de auto-ajuda, das duas uma, se alguém me quiser ajudar não recuso mas se não me pusessem livros destes à frente já era bom. Em relação ao livro, já tentei começar a ler mas não consigo passar das primeiras páginas, é como ver aquele programa novo da Teresa Guilherme, não sabemos se havemos de rir ou de chorar.

Radiohead Live at the Santa Barbara Bowl

Já adulto existiram 2 discos que, na primeira audição, me motivaram um fascínio tão grande como o The Wall aos 11, Stone Roses e Ok Computer dos Radiohead. Tenho estado a ouvir o espectáculo dos últimos no Santa Barbara Bowl, que concerto e que banda extraordinária esta, mesmo em baixa fidelidade o que seria ouvido ao vivo ou, pelo menos, em alta fidelidade. É seguir o link. http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=94315732 Para ser mais completo 2 vídeos onde os Radiohead visitam o maravilhoso mundo dos New Order e dos The Smiths

19/09/2008

crise ou crises

Esta última tão exaltada e exasperante crise, passa-me completamente ao lado, nem sequer me belisca. É que nos últimos 5 anos da minha vida tenho estado tão mas tão longe de créditos, com cartões ou sem eles, de spreds (acho que é assim que se diz), de bonificações, prestações e sei lá que mais, que penso não ter perdido nada em andar neste limbo. Nada de extraordinário, simplesmente esta crise bateu-me à porta bem mais cedo, dá-se um pontapé em tudo e é começar de novo. Está é a demorar, porra. Pink Floyd Money

18/09/2008

esquecidos ou quase 5

The House of Love Beatles and the Stones Christine

à ausência

Preciso da ausência que sou, e de todos os sonhos onde faço o sonho que prefiguro, arrebate falhado de um espírito inconsequente. Esvoaço sem tino, ausente, sempre ausente nesta ausência que sou. Ausência do real no abstracto onde penso, sem voz, sem presença, sem graça, sem garra, sem palavra. Não conheço aventuras, romances ou amores, não parto, fico ou continuo, não partilho, espero ou alcanço, não ofereço nem recebo, não invento nem desejo, na realidade que dizem, fazem e vivem. Ausência no vazio que sinto e sou. Ausência no nada absurdo que não sei. Ausência no espaço e tempo. Ausência na imagem que não vislumbro. Ausência de concretos que não encontro. Ausência de entidade. Ausência de possibilidades e infinitos. Ausência de um passado ou presente. Ausência de um futuro ausente. Ausência de corpo e espírito. Assim sou eu, sombra ausente, sempre ausente nesta ausência que sou. Sou o sonho presente em mim, o sonho que me leva de mansinho e me ensina todas as coisas, todas as letras que me afagam todas as palavras onde me deito, todas as frases onde adormeço e repouso. Neste lençol de linho branco existo, com alma, com promessas, com palavras, com verdade. Sou o sonho que quero e faço, onde construo todos os possíveis, espartilho o espírito, divido-o e multiplico-o, faço, desfaço e refaço impérios. Escalo o Everest e digo olá às nuvens, ofereço-lhes todas as lágrimas que, em água doce, levam-me a mágoa. E a chuva cai. Ao vento conto segredos, em sigilo disfarçado resguardo-os e disperso-os em grãos finos de areia. E as dunas embalam-me. No céu escrevo cartas, todas as cartas com todas as letras que encontro, cartas de paixão e amor, enrolo-as em metáforas papel e sopro. E o céu abre-se. Nesta ausência feita de sonho construo a eternidade. Não quero ser vagabundo, aventureiro, boémio, lunático ou poeta. Só poesia.

insónias

Entre coisas bem mais importantes, principalmente a poesia, outra razão porque gosto muito do insónia é a forma como se simplifica o que para outros parece muito complicado. Sigam o link: AINDA A POESIA

17/09/2008

esquecidos ou nunca lembrados

The Triffids Bury Me Deep In Love O teledisco é foleiro, mas a banda era muito muito boa. Mais algumas canções, Red Pony Save What You Can

16/09/2008

Richard Wrigth

Já tinha lido sobre a morte de Richard Wrigth ontem à noite, mas o cansaço nem me permitiu pensar. Hoje de manhã, quando chego ao estúdio e na rádio passa o Shine on you crazy diamond é que desço à terra e me lembro da importância que os Pink Floyd tiveram para mim. The Wall foi o primeiro disco que comprei, com 11 anos e sem dinheiro pedia todas as noites 5 escudos ao meu pai, acho que custou uns 300 paus, os duplos eram mais caros. Na altura ouvia os Beatles, Beach Boys, UHF (à flor da pele, este sim o meu primeiro LP oferecido pelo meu pai), mas foram os Pink Floyd que eu quis descobrir primeiro, procurando todos os discos e ouvindo-os com uma paixão difícil de reencontrar hoje.

11/09/2008

fuck-se

Hoje é 11 de Setembro, ocupado como andei só me dei conta a meio da tarde, por razões pessoais, a principal ter vivido em Nova Iorque durante cerca de 1 ano, a data devia dizer-me alguma coisa, mas vivo este dia com a mesma indiferença com que esqueço o massacre do Ruanda, o maremoto de 2005 e outros acontecimentos trágicos. Este mundo é muito cínico e eu não me sinto melhor. Fuck-se

esquecidos ou quase 4

Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3

10/09/2008

Agosto

O meu mês de Agosto é assim muito querido, coisa que tento compensar com grandes doses de leitura, este ano foi Dostoiévski, Yukio Mishima, Paul Auster e muitos buracos para encher de buchas, mas está quase, mais 1 mês e o meu knockonwood studio estará pronto, tudo com materiais reciclados de lixos industriais. Este mundo é um desperdício, melhor para mim que a carteira está vazia.

07/09/2008

Aquele Querido Mês de Agosto em Agosto

Em Agosto costumo visitar feiras e festas locais, é a forma barata que encontro de ver bandas portuguesas, é o nosso mercado de concertos com cheiro a farturas e o som de fundo dos carroceis. Apesar de tudo as coisas vão melhorando, espaços mais apropriados (dentro do possível), bons palcos e grande evolução no profissionalismo das equipas, resultando em espectáculos a horas e com o som sempre perto do bom e muito bom. Comecei com duas estreias, Ala dos Namorados no Montijo, espaço bonito mas palco medíocre, som muito bom. Banda estranha esta, metade do concerto com excelentes canções a fazer lembrar Mler if Dada e José Afonso em alguns arranjos, outra metade com uma série de canções inócuas ou mesmo de fazer inveja ao Emanuel, um desperdício. A outra estreia foi no Barreiro com os Buraka, bom palco e muito som, pena eu não gostar da música, mas que é um trabalho de corta e cola bem feito é, com inesperados apontamentos a Kraftverk, ACDC e Prodigy. Depois vi Bandemónio e Xutos em Cascais, novamente boas condições, duas bandas muito competentes e com boas canções mas com espectáculos completamente estafados e a necessitar de grande revisão, se é que ainda é possível, eu penso sempre que sim. Prova do que digo antes foram os UHF, eles mesmo, no melhor palco, som e espaço em Corroios. Há largos anos, muitos mesmo, que não via um bom concerto dos UHF, bem escolhidas as canções, uma banda lúcida e um público que soube estar fizeram a noite. Esta sensação até podia ter sido uma reminescência dos meus 12 anos, visto até ter sido o meu aniversário nesse dia, mas pela reacção do numeroso povo que estava por lá acho que não foi. Em todo o caso, penso que os UHF dos primeiros 4 discos mereciam uma história melhor contada. Por fim, também em Corroios, vi um dos melhores espectáculos deste ano, nunca admirei muito os Silence 4, mas o David Fonseca tem feito bons discos e tem uma banda e arranjos ao vivo extraordinários. Noutro lugar teria sido muito bom mesmo.

05/09/2008

Aquele Querido Mês de Agosto em Julho

Gosto de casamentos, desde que me lembro sempre gostei de casamentos. Em miúdo, apesar da minha timidez racional, gostava de ver, observando, as pessoas e o ritual das roupas, das promessas, dos cumprimentos, dos sorrisos, das promessas, das fotografias, das felicitações, das promessas e da felicidade geral que se abatia sobre aquele dia. Chegado a adulto nada mudou, gostava tanto que acabei por casar com 21 anos, foi um belo dia de belas roupas e promessas e mais promessas e belos sorrisos, estão guardados algures em álbuns de fotografias e em vídeo mas, principalmente, na minha memória. Já não ia a um casamento há anos, desde o meu divórcio nunca tinha ido a nenhum. Em Julho fui ao casamento de um primo que é como um irmão mais novo. Que posso dizer, já sem timidez continuo a ver, observando, tudo e também as promessas que são bonitas porque são isso mesmo promessas. Foi um grande dia, o meu cinismo caminha noutras direcções, além disso fazia tempo que não usava fato e gravata, coisa que nem me fica nada mal. Vejam lá se não pareço um 000 qualquer. PS: Além disso este casamento teve um delicioso pimba-surrealismo. Como se não bastasse a visita surpresa (preparada pela noiva) da águia Vitória, ainda me empurraram a cantar o Wish you were here, com o tratador da águia exuberante na guitarra elétrica, eu a tentar lembrar-me da letra pensando como é que tinha ido ali parar e a banda atrás aos gambuzinos com o guitarrista muito parvo a olhar para a sua Ibanez a ser tocada pelo Barnabé. Os olhos fechados do Barnabé e como é que é a letra mesmo.

28/08/2008

esperar

Hoje faço 39 anos e sinto que tenho passado uma vida à espera, especialmente os últimos 4, este ano sei que o resultado deste esforço, quase ridículo de perseverança, muito trabalho e teimosia, vai ter um final que, espero, seja um começo. A ver vamos.

27/08/2008

bipolar

Acho que sou mais europolar. Quando não os tenho fico muito chateado.

media

Não sou muito dado a este tipo de manifestações de espírito patriótico, esperas de atletas em aeroportos, mas a indignada senhora que acabei de ouvir na TV tem muita razão quando diz que os media não falaram do regresso dos atletas. Tantas horas gastas com a caminha e pseudo-derrotas e agora isto. Entretanto as observações e perguntas ridículas continuam. Vou mas é p'ra caminha.

23/08/2008

do not pirimpapalhate

Estas semanas de Jogos Olímpicos, conseguiram fazer a silly season ainda mais silly do que o costume. No nosso cantinho, quando toca a grandes eventos desportivos, entramos em grandes devaneios, penso que próprios de um povo que a principal actividade física estará algures entre a sueca e o dominó ou a malha e o chinquilho, onde o órgão mais exercitado será a língua. Se existisse uma cultura de desporto séria, tão simples quanto uma prática real nas escolas, e uns media que não perdessem horas a promover menoridades como a bola que entrou ou não entrou ou o tipo de fitas que cobrem os brincos do Ronaldo, talvez fosse diferente. Neste Portugal onde todos somos mais bolos e as declarações de figuras públicas com responsabilidades efectivas são o que são, ficamos chocados com um rapaz que de manhã é mais caminha. Por mim, que o sono não lhe seja pesado e que continue a encarar o mundo com tanta descontracção, bem faria a todos nós, talvez não partíssemos do princípio que somos os melhores do mundo quando na realidade enfim, somos mais bolos e parece que caminha também. O que é mais anedótico é que isto só acontece no desporto, logo no desporto, com todo o carácter aleatório, de sorte e azar e onde os adversários são isso mesmo adversários com possibilidades e vontade própria, como o João Lopes tão bem vem referindo (desde o Europeu) no Sound & Vision. Agora vou comer um pastel de nata. Já que não encontro os bolos fica aí o do not pirimpapalhate the alhey woman ou o que quer que seja.

22/08/2008

esquecidos e outras "estórias"

Há 5 anos, quando vivi em Londres em Tufnell Park, zona com muitos músicos e outros artistas, costumava dar umas corridas nuns campos de futebol mesmo em frente da casa onde estava, foi onde conheci o vocalista dos Fine Young Cannibals, um pouco anafado e com bastantes cabelos brancos mas de uma simpatia extraordinária. O Pedro Mexia no estado civil lembrou-se deles, ainda bem. Entretanto esta alembradura fez-me alembrar outra. Esta menos inócua, mas com poucas colheitas. Terence Trent D'Arby Dance little sister

esquecidos ou quase 3

Stan Ridgway Camouflage Esta estava mesmo muito esquecida, agradecimentos ao Pedro. esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2

04/08/2008

reflexo IV

O que é que te aconteceu? Uma cotovelada abriu-me o sobrolho no treino e tive de levar 6 pontos, responde n. Porque é que não me telefonaste? n abre os olhos ou pelo menos um e encolhe os ombros. És mesmo mariquinhas, não me ligaste para não te ver chorar, diz Rosa. n abre ainda mais o olho sorrindo. Rosa continua. Como é que foste para o hospital? Sozinho, com uma mão estancava o sangue e com a outra conduzia. Fui cozido por uma estagiária muito simpática enquanto falávamos do Woody Allen. Reflexo I Reflexo II, Reflexo III

28/07/2008

aos meus meninos de férias em Moçambique

Para a Mafalda A minha menina é linda. Linda e mágica como um arco-íris. E é linda porque teve a sorte de nascer assim. É o vermelho sangue vivo, feito de força e garra. É o laranja fogo, criativo e empreendedor. É o amarelo alegre como os raios de sol. É o verde estável e seguro das árvores. É o azul celeste, sereno como o céu. É o azul escuro, arrebatador como o mar. É o violeta mágico e descomprometido. É a junção feliz de todas elas, o branco paz de uma folha de papel, onde escrevo o carinho sem fim e o todo o amor terno que sinto. É linda a minha menina. Linda como as papoilas vermelhas que se espalham na primavera, inundando os campos de alegria e cor enchendo-nos de sonhos e vida. Linda como as árvores verdes que cobrem montanhas, vales, planícies e, robustas e sem idade, nos purificam a alma e o espírito. Linda como o céu azul, onde na sua calma vastidão se prostra um sol amarelo quente, que nos aquece e nos lembra, que o tempo passa e um novo dia vai chegar. A minha menina é linda. Linda como as histórias de encantar, onde tudo pode acontecer, mas no fim os príncipes e as princesas se amam e são felizes para sempre. Linda como as palavras todas que só um poeta sabe escrever expondo toda a vida que sabe numa folha vazia de sentimentos. Linda como um filme de aventuras, onde os heróis não têm medo e atravessam as maiores dificuldades, passando rios, montanhas e desertos agrestes. Como a vida, mas ganhando sempre. É linda a minha menina. Linda como o espaço e o tempo, passado, presente e futuro, todo o tempo e todo o espaço onde se fazem os sonhos e a vida. Linda como o sossego da noite, em que as luzes são mágicas e a eternidade se encontra e pensa nas estrelas que brilham no céu. Linda como as cores todas que existem, e dão alegria, brilho e esperança, fazendo sorrir as crianças e não só, tornando o mundo tão lindo como a menina que tu és! Para o Miguel Queria fazer-te um poema, dizer-te mil e uma coisas, em linhas trocadas, pensadas com forma de estilo com figuras. Porém, só me lembro das expressões figuradas, suaves, alegres, sempre alegres, feitas nas palavras e jogos habituais de quem se ama e conhece. A música que calo para te ouvir, porque nesta pequena viagem o centro és tu, e, naturalmente, vais sendo. E neste compasso, só, na vacuidade abstracta, espero o relance do teu sorriso, como uma lua junto à escarpa, que de tão cheia e amarela mais parece um sol a nascer, sorrindo como tu. Queria fazer-te um poema, dizer-te todas as coisas em forma de metáforas, daquelas bonitas, como só os poetas sabem. Queria fazer-te um poema, Mas não consigo!

16/07/2008

férias

A banhos a ver se acalma. REM & Muppets Furry happy monsters

11/07/2008

esquecidos ou quase 2

Virginia Astley Some Small Hope Aqui com a voz de David Sylvian.

09/07/2008

um soneto

Oh! Que triste deriva sem esperança, encalhado num porto sem abrigo. Tu dizes que o tempo o tempo alcança, mas aqui estou sozinho e não contigo. Neste espaço pego na contradança, acerto o passo com o passo que consigo. Tu gritas, tudo é composto de mudança, mas a vontade é desejo e não castigo. E se com a idade o tempo pesa e cansa e o barco, desnorteado, fica perdido, amanha-se uma réstea de confiança e solto as amarras a que me obrigo, abro as velas ao vento e o vento sigo e, assim, sou o mar me amansa. José Paiva

06/07/2008

eufemismos

Desde sexta-feira que os media dizem que os portugueses começaram a poupar no pão. Poupar onde? No pão? Que raio de cantinho este à beira-mar plantado. Para a semana deve chegar às migalhas.

04/07/2008

também o meu

O corpo avisou - Texto de Pedro Mexia no estado civil Há uma inteligência do corpo que eu descurei, tão inimigos somos. O corpo não é apenas uma figura estética mas também uma entidade orgânica e somática. E tem uma inteligência que eu nem sequer conhecia. Senão vejamos. As coisas corriam francamente bem quando eu entrei em ameaça de colapso. Literato e «psicologista» , imaginei que fosse uma reacção negativa da mente (ou da «alma» ou do «inconsciente»). Na verdade, era uma reacção benéfica do corpo. Enquanto a «mente» (ou alma ou o inconsciente), embarca em ilusões ideológicas, o corpo reage sempre com pragmatismo. Aquele sinal aparentemente «negativo» era um aviso: «vamos ficar por aqui». Porque é que o corpo me avisou «vamos ficar por aqui?». O corpo devia procurar a satisfação dos seus instintos e estar mais entusiasmado que apreensivo. Mas o meu corpo detectou (e eu não) algo de semelhante ao «muro dos nadadores». O «muro dos nadadores» é aquele patamar de resistência que o nadador de longo curso não consegue ultrapassar, ainda que acredite que sim. Quando atinge certa distância, há uma barreira invisível que impede que ele prossiga. Não é apenas «cosa mentale»: é a materialização dos seus limites. Quando eu cheguei ao meu limite, tive um aviso evidente, que achei estúpido ou masoquista. Quando era o contrário disso: inteligente e apostado na auto-defesa. O corpo, no seu funcionamento interno que ignoro e temo, enviou sinais físicos estridentes. Era altura de recuar. Claro que eu podia continuar, se tivesse capacidade para isso (e tive), mas estava avisado: ia ser devorado pelos tubarões. E depois apareceram os tubarões.

mal por mal

Mal por mal prefiro o filósofo ateniense, diz-se no insónia. O problema é esse, mal por mal e, aqui, dois negativos não dão um positivo. E emigrar?

03/07/2008

coisas que me fazem muita impressão

Não é que não goste da palavra coisa, como se torna evidente, mas chamar outra coisa qualquer a uma coisa que não é uma coisa faz-me muita impressão. Parece que regressamos assim a uma coisa tipo era medieval. Frankie Goes to Hollywood Relax

coisas que me fazem impressão II

No desporto quem responde a uma agressão leva um castigo maior, mas eu nunca concordei muito com isto.

coisas que me fazem impressão

Pessoas mais cultas do que eu discutirem quanto gastam num restaurante ou no S. Carlos.

02/07/2008

nome meu

Tenho um nome que não escuto Que carrego no carrego das horas Na chafurda dos dias mansos Como os bois que calam e desistem Tenho um passado que não oiço Que largo no arrependimento Como os nobres touros córneos Mal passados depois da tourada Tenho palavras que não conheço Que falham, erram, resistem e insistem Na pele de todas as raposas matreiras Vestindo senhoras de índole e carácter Tenho ponteiros que não vislumbro Desfeitos enfeites feitos em preceitos De lutas selvagens com galos em fúria No chiqueiro sujo de capoeiras vazias Tenho olhos que não sabem sonhar O vagar lento de intento dos imbecis Cobridores com o cio de pavio frio Pavões errando na urbe da parvónia Tenho um corpo que não deseja Espaço estático de estética orgásmica Não quero mijar em todos os cantos Marcar territórios que não procuro Tenho um nome que não dizem Ainda bem. The Stone Roses I Wanna Be Adored I don't have to sell my soul He's already in me I don't need to sell my soul He's already in me I wanna be adored I wanna be adored I don't have to sell my soul He's already in me I don't need to sell my soul He's already in me I wanna be adored I wanna be adored Adored I wanna be adored You adore me You adore me You adore me I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I wanna be adored I wanna, I wanna I gotta be adored I wanna be adored

Vida

Desde quarta que ando assim. Tricky Ace Of Spades Nem com o valium amargo que me deram.

felicidade

Dizem que construir a felicidade dá muito trabalho, mas a infelicidade também não dá pouco.

28/06/2008

mais coisas boas

Ainda à descoberta, cada vez me parecem melhores. Wild Beasts Sylvia, A Melodrama

coisas boas

Wild Beasts The Devil's Crayon Não os conheço mas vou procurar, porque esta canção é muito boa, até estou a respirar melhor.

27/06/2008

Apetece-me Terra

Apetece-me terra que me apetece ser, e a pertença ao lugar onde estou. Ser todos os grãos de vida que não é, e o magma perene de solidão. Destruir o abismo de medo, e também os conceitos e preconceitos, os desenganos e desesperos, as angústias e os devaneios, as alegrias temperadas em sal insonso ou as mágoas todas que sou e faço, adubar-me do nada que não sei, e transformar esta vida que tem que ser, porque existe, no lugar terra a que quero pertencer. Sétima Legião A um Deus Desconhecido

26/06/2008

afinal às vezes...

Ontem, pela primeira vez nos meus 38 anos de vida, pensei que ia morrer. Acabado de sentar para almoçar com os meus pais, filho e namorada levantei-me e disse. Não estou bem, não estou nada bem, chamem uma ambulância. No momento preciso em que pensei que caía para o lado, chamei o meu pai, sempre o meu pai, desde puto que é assim. Felizmente aguentei, sentei-me com a cabeça entre as pernas, as mãos no peito, respirei fundo e fui-me agarrando ao ar todo que encontrava. Isto porque para chamar a ambulância passou-se cerca de 30 minutos ao telefone, entre a minha mãe, namorada e um farmacêutico amigo que subiu rapidamente da farmácia do prédio, se fosse mesmo para morrer era certinho, qual ambulância, acho que só queriam saber quanto é que eu pesava e coisas do género (1,75 de altura e 68 Kg de peso satisfeitos, pode ser que alguma pessoa do INEM esteja a ler isto). Ao fim de algum tempo lá consegui levantar-me, o meu pai levou-me ao hospital de Almada, público, onde fui muito mas muito bem tratado. Já lá tinha estado há uns anos para levar uns pontos num sobrolho e mais duas ou três vezes com os meus filhos, o atendimento foi sempre excelente, volto a dizer hospital público. Aimee Mann Save me - Parece que foi só um ataque de ansiedade e nervos, mas que me parecia um ataque cardíaco parecia, aliás ainda sinto uma pressão forte no peito. Enfim, deve ser só o peso da vida.

Afinal a vida não é uma merda

Na noite de terça fui ver o Indiana Jones com o meu puto (10 anos), quando voltávamos para casa perguntei-lhe, já sabendo a resposta, se tinha gostado do filme. Afinal ele foi mais longe e diz-me. Claro pai e estou muito feliz, tu também estás? Tu estás eu também estou, respondi. Este filme deixou-me feliz, afinal a vida não é uma merda. Engoli em seco, enrolei o meu braço à volta do pescoço dele e disse. Pois não filho, existe muita coisa bonita para se ver. Para o Miguel a banda e música que ele mais gosta. The Killers mr. brightside

23/06/2008

Reflexo III

n: - Onde estás amor? Rosa: - Não me chames amor. n: - Porquê? Sabes que eu gosto. Rosa: - O amor não se chama faz-se. Reflexo I Reflexo II

FDS

No fds é quando mais tempo estou a olhar para um computador, estou na fase de misturas e é uma trabalheira. Isto está bom, isto não está, isto podia estar melhor, será necessário regravar, um efeito aqui, tira o outro dali e por aí fora. Enfiado no estúdio desligo do mundo, e sabe tão bem. Tom Waits What's he building in there?

20/06/2008

Coldplay

Ao 3.º disco os Coldplay começaram a ser olhados de lado, demasiado mainstream, penso que seja este o pecado. Como eu não sei o que é o pecado continuo a gostar. Agora lançaram um extraordinário, diz neste momento o António Sérgio na Radar, 4.º disco, já ouvi e concordo. O Brian Eno ajudou como tem feito ao longo dos anos com muitos outros. A canção não é das melhores do disco, mas o teledisco vale a pena.

19/06/2008

auto-retrato

Trabalho feito para o curso de fotografia que a minha filha, Mafalda Paiva, está a tirar na ETIC. Teve uma nota muito alta e eu fico feliz, não pela nota mas porque gosto muito do trabalho.

17/06/2008

Esquecidos ou quase

The Woodentops You make me feel why why why

Arejar

Donde sou vejo o Sul, o Sol que me nasce à esquerda,
empina ao meio-dia e, agora que é Inverno, se põe às 6 pm,
obliquando ocidente abaixo donde sou à direita,
pm sim, um estrangeirismo porque o tempo estranha-me
e dezoito é uma eternidade demasiado grande.

Donde sou, parado em movimento, vejo o sol mover-se parado,
desde o alvor da madrugadora até ao declínio do crepúsculo,
e penso na ilusão das coisas, na ilusão de todas as coisas,
no engano de um centro perene que nunca serei,
e no equívoco dos sentidos que nos ensinam a seguir.

E,
desde a névoa que o vermelho da aurora matinal esbate,
ao crescimento de uma luz de um dourado intenso,
transformando este dia numa claridade azul frio de Inverno,
até ao ocidental ocaso vestido de vermelho púrpura,
envolto em nuvens escarlate indefinido fazendo vénias à noite,
donde sou, erro a matéria que me faz e duvido do que vejo.

E
aqui estou,
donde sou,
reflexo inorgânico de solidão parada,
sombra baço desbotada,
embaciada em orvalho madrugador.

Assim, procuro a simplicidade,
o breve momento em que me confundo com uma gota húmida do orvalho.
Fotografia: mp

16/06/2008

Privados

A minha aventura com as telecomunicações continua, telefonemas para cá e para lá e a constatação de um serviço muito mau. Antes era por ser público, horas perdidas nos bancos, nos notários e muitos outros serviços, era preciso e urgente concorrência. Foi tudo privatizado com promessas de maior eficiência, eficácia e produtividade, essas palavras merdosas tão queridas hoje em dia. Comparo preços, serviços prestados, observo a simpatia, o atendimento, analiso os concorrentes e é tudo igual ou muito pior. Alguém me explica para que servem as privatizações? José Mário Branco - FMI

15/06/2008

Digital

Desde quarta sem serviço de internet e telefone, apenas para mudar o titular do contrato e para uma box digital. Isto não me parece nada digital. Não há crise tenho uma paciência analógica.

11/06/2008

Portugal

Pensava que iria faltar combustível aos jogadores portugueses, não faltou. Estão umas elites a falar de transpor os "sucessos" do futebol para o resto da sociedade. O futebol é coisa de xunga, isso mesmo chunga, e o problema de portugal nunca foi a chunga foram sempre as elites, a xunga chunga sempre fez pela vida, aqui e fora daqui, o resto são elites. Amanhã vou a pé ou durmo o dia inteiro, que se lixe, ou melhor, que se foda que eu também sou xunga chunga.

Era bom era, mais não vai ser

It's The End Of The World As We Know It REM Amanhã dão-nos uma pastilha elástica e ficamos todos fine.

07/06/2008

Rock in Rio

Por razões que não interessam, fui, pela primeira e espero última vez, ao Rock in Rio, não que não goste de concertos, mesmo em festivais desta dimensão, mas faz-me assim um bocadinho impressão aquelas coisas de um mundo melhor, a natureza, ajudar os pobres e por aí fora. Fora sim, porque lá dentro era Macdonald's, Pizza Hut, Coca Cola, Vodafone, Millenium enfim, tudo pequenas empresas em dificuldades que não apelam nada ao consumo, essa coisa que não faz mal nenhum ao mundo melhor. Aliás, acho até que os empregados dessas empresas também estavam lá para ajudar, prescindiram do muito que ganham por hora para dar aos pobres e aos animais em vias de extinção, ou para a criação de minhocas que podem fazer falta para os hambruges e a manutenção daqueles postos de trabalho bem remunerados. Bem, mas aquilo era para concertos, som, música, rock, verdade, talvez um bocado de emoção, assim só um bocadinho inho inho, pois era, e também para putos a irevireempurraretelefonaretirarfotografiasemandarmensagensefalar e o raio que os partisse que eu estava a tentar qualquer coisa, talvez ouvir música. Apesar da inflamação nas costas de andar a contruir o meu estúdio, tudo com materiais reciclados (do lixo), por causa dessas coisas da natureza e um mundo melhor e da pobreza, pelo menos a minha, lá me coloquei ao lado da mesa de som, sitio onde o som deve ser o melhor porque está lá a mesa que é do som e do técnico que nela mexe para que som esteja bom, desculpem mas gosto da palavra som, e estava, o som estava bom, menos mal, o pior foi o resto. Primeiro os Orishas, nem com bolinhos, emoçao zero parecia um disco a tocar, música a metro como diz o meu pai. Depois os Kaiser Chiefts, música à balda com muita pseudo-energia, não há pachorra, muito fraco. Finalmente, sem perceber porque já, os Muse, melhor os comprimidos ainda me estão aguentar as costas. Não sei se é porque Matthew Bellamy toca guitarra como quem quer comê-la, se porque toca piano como se estivesse a embalar crianças ou se porque canta como se fosse morrer no fim de cada música, mas gosto deste tipo, além disso não diz baboseiras nem vai agarrar-se com a multidão, apesar de ser quem mais transpirou, suspirou, respirou música naquele palco. Admira-me a organização de apoio à guitarra não se queixar, ele trata-as tão mal que tinha de trocar em cada música, todas negras coitadas. Demasiado épicos? Sim e depois. The Offspring, as costas fizeram-me recuar, nunca tinha visto ao vivo e sempre achei piada a esta banda, deixa ver, sentei-me e esperei. Competentes mas inconsequentes, tirando a voz aquilo parecia UHF nos anos 80, o que só por si não é bom nem é mau. Para o fim melhorou e dizia o meu irmão, isto faz-me lembrar os Flintstones, pois o que me leva aos B-52's, sempre achei estes Offspring uns B-52's mais barulhentos mas menos imaginativos. O que é que isto tem haver com UHF? Não sei, mas vou ali ver e já venho. Não vim, fui, com as costas a doer acham que ia ver Linkin Park, enquanto saía ainda ouvi um puto a cantar e de vez em quanto fazia birra e gritava e farto de putos já estava eu. É verdade parece que os LP fecharam a noite porque são a banda que mais discos vende, o que me parece um bom critério, tendo em conta aquelas coisas de um mundo melhor, a natureza, os pobres e etc, bem para os meus pobres ouvidos foi bom, descansaram mais cedo.

06/06/2008

Hipocrisia

Todas as pessoas com dinheiro que tenho conhecido ao longo da vida, alguns até familiares, são de uma hipocrisia tal com a qual não consigo lidar nem aprender a lidar. Já pensei que perdia muito com isso, mas, cada vez mais, acho que só tenho ganho, apesar dos bolsos vazios e dos sonhos que não realizo. Se calhar tenho tido azar. God's Away On Business Tom Waits I'd sell your heart to the junkman baby For a buck, for a buck If you're looking for someone to pull you out of that ditch You're out of luck, you're out of luck Ship is sinking, the ship is sinking There's a leak, there's a leak in the boiler room The poor, the lame, the blind Who are the ones that we kept in charge? Killers, thieves and lawyers God's away, God's away God's away on business, business God's away, God's away God's away on business, business Digging up the dead with a shovel and a pick It's a job, it's a job Bloody moon rising with a plague and a flood Join the mob, join the mob It's all over, it's all over There's a leak, there's a leak in the boiler room The poor, the lame, the blind Who are the ones that we kept in charge? Killers, thieves and lawyers God's away, God's away on business, business God's away, God's away on business, business Godddamn there's always such a big temptation To be good, to be good There's always free cheddar in a mousetrap, baby It's a deal, it's a deal God's away, God's away on business, business God's away, God's away on business, business I narrow my eyes like a coin slot baby Let her ring, let her ring God's away, God's away on business, business God's away, God's away on business, business

04/06/2008

Vampire Weekend / Modest Mouse

Não percebo a excitação com os Vampire Weekend, talvez um torrão de açucar, usando a classificação gira do Lourenço do blog O Nascer do Sol, mas do amarelo para lhe dar um toque meu. e concordo com ele, os Modest Mouse, banda que acompanho desde o início, tem vindo a escurecer a pérola que são, o Johnny Marr ajudou. O nascer do Sol: Discos preferidos - Ratinho Modesto - A lua e a ant�rctida#links#links#links

Palavras

Parece que os preços da gasolina não são iguais, são paralelos. E um paralelo em cima da cabeça desta gente.

03/06/2008

Assírio & Alvim

Quando tinha 14 anos, o meu pai trabalhava numa gráfica na Passos Manuel onde eram feitos muitos livros para a Assírio & Alvim, Manuel Hermínio Monteiro oferecia sempre um exemplar para o meu pai me trazer, foi assim que passei dos cinco e dos sete para outras leituras. Mais tarde, numa gráfica que tive com o meu pai e irmão, faziamos todo o trabalho de pré-impressão de alguns daqueles livros que eu tanto gostava, foi um prazer trabalhar para e com eles. Isto porque existe um blog novo, está aí e ali ao lado. http://www.assirioealvim.blogspot.com/

Bo Diddley

As grandes guitarradas ficam mais pobres sem Bo Diddley.

02/06/2008

Sufocar

Californication é uma série muito boa por n coisas e muitas razões. Uma das coisas é aquele carro cor de pó. Uma das razões está aí na forma como começou. Vejam.

Respirar

Vejo a tua boca abrir-se ao infinito, os olhos fecharem-se vagando sossego, as mãos abertas nos braços colhidos, os lábios mover e dizerem-se, ao ouvido sussurrando. Foi bom, meu amor, amo-te muito. I Want You Elvis Costello Oh my baby baby I love you more than I can tell I don't think I can live without you And I know that I never will Oh my baby baby I want you so it scares me to death I can't say anymore than "I love you" Everything else is a waste of breath I want you You've had your fun you don't get well no more I want you Your fingernails go dragging down the wall Be careful darling you might fall I want you I woke up and one of us was crying I want you You said "Young man I do believe you're dying" I want you If you need a second opinion as you seem to do these days I want you You can look in my eyes and you can count the ways I want you Did you mean to tell me but seem to forget I want you Since when were you so generous and inarticulate I want you It's the stupid details that my heart is breaking for It's the way your shoulders shake and what they're shaking for I want you It's knowing that he knows you now after only guessing It's the thought of him undressing you or you undressing I want you He tossed some tatty compliment your way I want you And you were fool enough to love it when he said "I want you" I want you The truth can't hurt you it's just like the dark It scares you witless But in time you see things clear and stark I want you Go on and hurt me then we'll let it drop I want you I'm afraid I won't know where to stop I want you I'm not ashamed to say I cried for you I want you I want to know the things you did that we do too I want you I want to hear he pleases you more than I do I want you I might as well be useless for all it means to you I want you Did you call his name out as he held you down I want you Oh no my darling not with that clown I want you, I want you You've had your fun you don't get well no more I want you No-one who wants you could want you more I want you, I want you, I want you Every night when I go off to bed and when I wake up I want you I'm going to say it once again 'til I instill it I know I'm going to feel this way until you kill it I want you, I want you, I want you