10/12/2008
o natal o lindo natal
Só saiu esta porcaria, não sei se a minha tia vai gostar, muito menos a professora
De ano para ano,
todos os anos segue em ritual.
São as luzes, os enfeites ou o engano,
do calor que queríamos,
talvez divino, talvez humano,
talvez esta cor não fique mal.
Compra, compra,
se não te serve dá, oferece.
Não tens notas ou moedas tens cartão,
ou inventas qualquer coisa,
que o comboio já está na estação,
se não entras ele vai e esquece.
Lembra, lembra,
não te deixes ficar, caminha.
Nesta paragem todos podem entrar,
mas vai cedo e prevenido,
que a lotação pode esgotar
e a entrada não se adivinha.
Perde, perde,
se não perderes não há pobres.
E queremos muitos pobres para ajudar,
ou uma coisa assim,
que fique bem e dê um ar,
de sentimentos puros e nobres.
De ano para ano,
todos os anos segue em ritual.
É a certeza da ilusão da esperança,
ou de uma vontade qualquer,
talvez uma mão, talvez a mudança,
que queres sempre e não só no Natal.
natal
Uma tia minha pediu-me um poema de natal, não sei bem para que efeito, o meu puto idem, para a escola, duas alunas de guitarra pediram-me para ensinar uma música de natal. Isto anda seco, ainda por cima com a hipocrisia que esta época representa mais seco fica.
Como é que se explica isto a quem não merece que lhes estraguem a festa.
05/12/2008
em stock
O Festival Super Bock em Stock foi uma desilusão, grande confusão para organizar o programa, salas esgotadas e duas delas manifestamente más para este tipo de evento, o Teatro Variedades e o Maxime, incluindo para os desgraçados dos técnicos de som.
Na primeira noite no São Jorge, vi uma Ladyhawke com uma banda muito bem ensaiada, um baterista muito bom, 2 ou 3 boas canções mas pouco mais. Do outro lado, no Tivoli, sala bonita e com boas condições, ainda cheguei com um José James em palco e para surpresa minha assisti a uma boa actuação de um jazz muito cool, pena o som demasiado baixo, dizia o técnico que não podia usar os compressores, só para a Santogold, coisa que achei estranho mas enfim. A dita, de santa tinha pouco, mas de diabo também não tinha nada, novamente algumas boas canções, mas a falta de músicos torna o concerto demasiado digital para mim, tenho a certeza que com uma banda seria bem melhor. Ainda fui ao Maxime para os El Perro del Mar, até consegui entrar sem dificuldade mas desisti, o som é muito mau nesta sala, conseguir sair é que foi mais difícil.
No segundo dia de festival comecei com a Lykke Li no Variedades, a sala não ajudou, mas não foi o que estava à espera, meio desiludido saltei para o Tivoli, pelo menos dá para curtir o espaço, e estava a cantar um Camelo, mais propriamente um Marcelo Camelo. O que faltava à Santogold aqui sobrava, oito músicos em palco, sendo que o guitarrista ao lado do trompetista persistia em estragar uma música muito bem feita e sobretudo sincera, com muitas das virtudes da boa música brasileira, mas, infelizmente, também alguns dos defeitos, mais uma vez o som boicotado, não consigo mesmo entender.
Por fim a banda onde depositava mais esperança, fruto de um bom recente disco, mas com os Walkman apanhei a desilusão maior. O som que faltava aos desgraçados das primeiras partes aqui sobrava e a banda não ajudava, muita tesão descontrolada, o rock também é isso, mas aqui não funcionou, além de alto o som estava embrulhado, só que vinha embrulhado dos próprios músicos, nas primeiras filas conseguia ouvir o som de palco. Diria que a vontade estragou um conjunto de boas e até muito boas canções.
Ainda fui ao Variedades, mas não consigo gostar dos X-Wife e ainda menos da sala, 3 músicas foram suficiente.
Parece que para o ano esta ideia um pouco parva de por as pessoas de um lado para o outro é para continuar, ainda por cima a pagar 40 € é que os sapatos não estão baratos.
01/12/2008
convergências
Gosto tanto quando os chamam de sectários enquanto arrumam a casa num piscar de olhos.
Uns gostam de convergências, outros gostam de fazer coisas como por exemplo, arrumar a casa assim, num piscar de olhos.
Gente mais sectária só pensa em trabalhar.
28/11/2008
digital e outras coisas
Daí a nostalgia. Faz-nos falta essa capacidade de inventar outros mundos que, no limite, nos devolvam o sabor da epopeia (veja-se ou reveja-se, justamente, O Rei Leão). Às vezes, até sentimos que o digital pode ser uma limitação: faz-nos falta a “imprecisão” dos traços desenhados pelas mãos humanas.
Texto integral de João Lopes no Sound & Vision
A questão do digital não se verifica apenas nas soluções precisas para o produto final, neste momento já existe uma geração de criativos e profissionais que cresceram, apreenderam e aprenderam somente esta técnica, ou seja, independentemente da técnica, o próprio pensamento já é digital. É aqui que reside o problema, pelo menos para quem estava habituado a uma forma de estar muito mais orgânica, não só nos processos de trabalho, mas, principalmente, no resultado final.
A rapidez dos métodos significa uma maior rapidez de pensamento que, mal gerida, torna-se inimiga de epopeias ou da capacidade de inventar outros mundos que não seja qualquer coisa rápida, barulhenta e, muitas vezes, vazia ou pouco mais que vazia.
Vi acontecer nas artes gráficas há cerca de 15 anos, na música pouco depois e no cinema logo a seguir. Muitos dirão que sempre existiu má música, filmes ou criações gráficas, é um facto, mas a questão aqui é toda uma mudança de mentalidade à qual dificilmente fugimos. Noto nos meus alunos de guitarra, nos miúdos do andebol que treino, nas bandas de bares que encontro por aí, aprendem e assimilam com uma rapidez impressionante, mas, de uma forma geral, são demasiado formatados, apesar do esforço que faço para procurarem outras soluções, imaginadas e criadas por eles, dificilmente saiem do previsto.
Cebola num macdonalds? Nem lhes passa pela cabeça.
Não pretendo com este texto criticar esta geração mas, por trabalhar bastante com crianças e jovens, tem sido algo com que me tenho debatido nestes últimos anos, até porque estou convencido que a criatividade, independentemente dos meios e da forma, existirá sempre.
27/11/2008
ao Nuno
de profundis
I
Navegando pelo mar, ausente,
perdido na razão contraditória de uma ficção real,
avisto uma paisagem que parece um sonho,
que me pertence.
Talvez?
Mas é imensa e real esta sensação,
de um lugar amplo onde o vento sopra,
acolhendo o corpo como um braço macio,
que penetra fundo,
envolvendo-o profundamente na confusão.
De repente, o mar cresce, atormenta-se,
baloiçando ainda mais a ténue convicção
desta imagem fantástica.
Raros são os momentos de tão pura harmonia,
em que os sentidos não são sentidos,
em que ser não é ser.
Ausência, total ausência.
Mas será assim?
Será possível?
No fundo é só um sonho,
o imaginário da ilusão
que inunda o corpo de sensações.
Mas depois há sempre um sinal qualquer
que estremece esta opinião...
Um pouco depois, vejo-me enrolado nas ondas,
mas já não estão revoltas,
simplesmente embalam-me, ternamente.
Eu confundo-me com o meu sonho,
se é que de um sonho se trata.
Súbito,
sem qualquer motivo,
afundo-me,
com tal rapidez que perco os sentidos.
Mas nos sonhos não se perdem os sentidos.
Acorda-se.
Estranho!
II
Que luz é esta que tudo ofusca
e não deixa ver nada,
estarei dentro da minha própria ilusão.
Que ausência é esta,
serei uma ilusão iluminada por uma clareza cega.
Mas lentamente começo a ver.
Que enorme alucinação!
Caberá tamanha alucinação dentro de um sonho?
Vejo um mundo de cristal
envolto numa grande bolha de água.
E eu perdido,
sem saber que caminho tomar,
mas noto não existirem caminhos.
Vagueio, vagueio sem sentido aparente...
Sem dar por isso,
encontro-me ao lado de pessoas
e parecem-me familiares,
mas não consigo distinguir feições.
Parecem demasiado envolvidas em algo.
Devagar começo a ver um pouco mais,
nesta claridade vislumbro alguma nitidez.
Parece que escrevem.
Canetas iguais à minha?
Porquê?
Estranho!
Apesar de confuso,
surge-me, nitidamente, a sensação
de que tudo é perfeito.
Desenrola-se tudo dentro de uma cadência
onde apenas a minha confusão diverge.
Que abismo é este?
Estarei dentro de mim?
Serei um estranho dentro de mim?
Entretanto, enquanto vagueio neste entendimento,
um mundo inigualável corre pelos meus olhos.
Como uma música de harmonias infinitas,
como um comboio vagaroso numa linha sem fim...
III
Desfilando calmamente,
como o comboio,
vejo pessoas, muitas pessoas,
com estranhas roupas,
parecem-me roupas antigas,
cada vez mais antigas.
Todas me parecem familiares,
as pessoas
e as roupas também.
Estranho!
Por fim,
apercebo-me que todas as pessoas
são imagens diferentes de mim próprio,
as caras, as roupas, os lugares.
O tempo é diferente,
mas sei que sou eu.
Apesar do total desentendimento dos sentidos,
reconheço, infinitamente,
o meu espírito dentro deste mundo.
Não sei se é sonho, ilusão
ou o que quer que seja,
mas o espírito vagueia,
ausente,
neste mundo
que não sei qual é.
26/11/2008
Esquizofrenia
Richey Edwards, dos Manic Street Preachers, foi, ao fim de 13 anos, declarado morto pelo tribunal. Esquizofrénico talentoso despareceu para não aparecer mais até hoje.
Infelizmente, sei bem o que é ter um esquizofrénico talentoso numa banda, quando partem a paz é maior mas a música não é bem a mesma.
Manic Street Preachers
Motorcycle emptiness
Para o Nuno com amor e saudade.
25/11/2008
hipocondriaco eu?
A hipocondria, do grego hypo- (abaixo) e chondros (cartilagem do diafragma), também conhecida por nosomifalia, é um estado psíquico que se caracteriza pela crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, preocupação e auto-observação constante do corpo e até as vezes, à descrença nos diagnósticos médicos.
A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo-compulsivo e à ansiedade.
Wikipédia
Se nunca pensei padecer de doenças graves, a morte não é coisa que acompanhe muito a minha vida, as únicas obsessões que tenho são aquelas duas que sabes, mas também se podem chamar desejo ou vontade. Também sabes que a minha orelha de abano sempre foi motivo de troça, mas que eu sou o primeiro a rir disso, raramente me vejo ao espelho e tenho uma crença quase absurda nos médicos, embora passem anos sem visitar um.
Ansioso sou bastante, mas tirando uma excepção em 39 anos, sempre foi essa ânsia que me fez andar, querer, desejar, fazer.
Hipocondriaco eu, porquê?
24/11/2008
quem pediu?
Vaticano "absolve" John Lennon
Artigo do ‘L’Osservatore Romano’ elogia a banda britânica The Beatles.
Chegou ao fim a Guerra Fria entre a Igreja Católica e um dos maiores grupos musicais de sempre.
Notícia do Correio da Manhã
Já vou dormir mais descansado e o John Lennon, a arder no inferno, também.
The Beatles
Bad Boy
22/11/2008
álbum colorido
Quarenta anos depois do álbum branco um álbum muito colorido, venham mais quarenta.
The Fireman
Electric Arguments
Nothing Too Much Just Out of Sight
Lovers in a Dream
Two Magpies
21/11/2008
Loverman
A propósito deste Loverman, faz 4 anos que vi esta versão ao vivo em New York. Grande versão e grande concerto.
De resto tudo na mesma Cause I am what I am what I am what I am.
Metallica
Ao acordar a minha voz é bela, nas duas primeiras frases da manhã atinjo os médios/graves com que sempre sonhei.
Em mim, até a voz que mais gosto é efémera.
Nick Cave
Loverman
There's a devil waiting outside your door
(How much longer?)
There's a devil waiting outside your door
It is bucking and braying and pawing at the floor
And he's howling with pain and crawling up the walls
There's a devil waiting outside your door
He's weak with evil and broken by the world
He's shouting your name and he's asking for more
There's a devil waiting outside your door
Loverman! Since the world began
Forever, Amen Till end of time Take off that
dress I'm coming down I'm your loverman
Cause I am what I am what I am what I am
L is for LOVE, baby
O is for ONLY you that I do
V is for loving VIRTUALLY all that you are
E is for loving almost EVERYTHING that you do
R is for RAPE me
M is for MURDER me
A is for ANSWERING all of my prayers
N is for KNOWING your loverman's going to
be the answer to all of yours
Loverman! Till the bitter end
While empires burn down Forever and ever
and ever and ever Amen I'm your loverman
So help me, baby So help me
Cause I am what I am what I am what I am
I'll be your loverman!
There's a devil crawling along your floor
There's a devil crawling along your floor
With a trembling heart, he's coming through your door
With his straining sex in his jumping paw
There's a devil crawling along your floor
And he's old and he's stupid and
he's hungry and he's sore
And he's lame and he's blind
and he's dirty and he's poor
Give him more
There's a devil crawling along your floor
Loverman! Here I stand Forever, Amen
Cause I am what I am what I am what I am
Forgive me, baby My hands are tied
And I got no choice No, I got no choice at all
I'll say it again
L is for LOVE, baby
O is for O yes I do
V is for VIRTUE, so I ain't gonna hurt you
E is for EVEN if you want me to
R is for RENDER unto me, baby
M is for that which is MINE
A is for ANY old how, darling
N is for ANY old time
I'll be your loverman! I got a masterplan
To take off your dress And be your man
Seize the throne Seize the mantle
Seize the crown Cause I am what I am
What I am what I am I'm your loverman!
There's a devil lying by your side
You might think he's asleep
but look at his eyes
He wants you, baby, to be his bride
There's a devil lying by your side
Loverman! Loverman!
19/11/2008
ainda o silêncio
A Maria João fez o favor de deixar esta delícia aqui, vão ver http://atrama.blogspot.com/2008/11/silncio.html, existe sempre alguém que explica melhor as coisas do que nós.
John Cage about silence
17/11/2008
silêncios
«Foram momentos exemplares. Desde logo porque, ao contrário dessa obscenidade a que já assistimos diversas vezes (inclusive em Portugal), o público respeitou o silêncio. Depois, porque quem comentava teve o elementar bom senso, também nem sempre prevalecente, de assinalar o facto, de seguida assumindo por inteiro o seu próprio silêncio (peço desculpa, mas não retive o nome do comentador). Finalmente, porque graças a uma dessas maravilhas que um directo pode proporcionar, o silêncio foi de tal modo avassalador que foi possível ouvir as gotas de chuva que caíam nas superfícies metálicas do estádio.
Para nossa desgraça existencial, a televisão pouco ou nada nos ensina sobre essa coisa nobre e difícil que é saber ouvir. O que aconteceu na abertura do Blackburn-Chelsea acabou por ser uma maneira singela, também ela simbólica, de resistir às vozes histéricas dos programas de “entretenimento”, ao alarido de alguns programas de debate em que todos se esquecem que a sobreposição de vozes é impossível de acompanhar e, enfim, aos sons violentos de muita publicidade. Não precisamos de ter vergonha de dizer que ouvir a chuva é uma arte esquecida.»
Texto integral no sound +vision
Há poucos dias acabei as obras no meu estúdio e a forma como tenho celebrado o fim de 5 meses de trabalho tem sido em silêncio.
Sento-me e sinto-me a olhar o que fiz.
Mais do que não passar som para fora, o que mais gosto neste meu espaço é o facto de não deixar passar ruído para dentro.
Assim, posso construir o meu mundo de sons mas, sobretudo, de silêncios, algo quase impossível nos dias de hoje.
14/11/2008
verdade e mentira
Penso que acabamos por viver sempre em verdade, acho a mentira um engano, porque na realidade, no fim, o que fica foi verdade, mesmo que se pensasse, soubesse, desconfiasse que fosse mentira.
Insónia: L' ENFER
clássicos
Hoje a falar com um amigo, ele dissertava sobre o clássico Gasganta Funda (assim escrevi, assim fica).
Não sei se este http://www.tlavideo.com/results/index.cfm?searchtext=CAUGHT%20FROM%20BEHIND&sn=3628&g=0&v=4
é um clássico, mas sempre foi o meu preferido.
Além disso teve mais sequelas que a Guerra das Estrelas.
13/11/2008
12/11/2008
07/11/2008
Gostava de desistir!
Deitar-me com as árvores sobre a terra
e parar, ficar quieto, totalmente estático.
Desistir de tudo sem contemplações,
de todos os pensamentos e movimentos
e, simplesmente, existir porque estou lá.
Como as árvores, firmes e robustas.
Gostava de desistir!
Confundir-me numa planície repleta de flores
e parar na mistura aleatória de cores.
Abandonando em cada pétala
tudo o que conheço e aprendi
e, simplesmente, existir em cada espécie.
Ser todas as cores da natureza.
Gostava de desistir!
Inserir-me deserto dentro sobre as dunas
e parar na imensidão do horizonte.
Sossegando o cansaço da gravidade,
de todas as recordações e enganos
e, simplesmente, existir no crepúsculo
que, breve, desponta todos os dias.
Gostava de desistir!
Afundar-me no oceano, ser uma onda
e parar na areia infinita de uma praia,
desaparecendo por entre cada pedaço
e também os desejos, os sonhos
e, simplesmente, existir em cada grão,
tornando-me o infinito que não se encontra.
Gostava de desistir!
Elevar-me ao céu sobre as nuvens
e parar, aconchegar-me nas várias formas,
perdendo todos os contornos que sou
e também o tempo, passado e futuro
e, simplesmente, existir no presente,
em todas as formas e contornos possíveis.
Gostava de desistir!
Perder-me no espaço com as estrelas
e parar nos braços ternos de uma lua,
desintegrando-se todo o corpo palpável
e também o espírito e a alma
e, simplesmente, existir na eternidade,
num ponto qualquer do universo.
Gostava de desistir!
Mas não sei.
os besouros
O Lourenço descobriu isto, ainda bem para ele.
It's All Too Much
E já que estamos numa de George esta vai para o meu Marinho, hoje à noite vamos tocar isto.
George Harrison
While my guitar gently weeps
políticos
Luís Amado diz na SIC notícias, referindo-se a Guantanamo, "...penso que irá acabar com esse pequeno tumor...".
Pequeno tumor?
Eu me penitencio em relação às gafes.
O meu pai, na sabedoria da idade, disse logo, não é ele que está a levar nos cornos.
06/11/2008
esquecidos ou quase 9
Nunca pensei por estes nesta rubrica, mas tendo em conta que telefonaram duas pessoas para a Radar a perguntar quem eram estes, estes aqui estão.
E se nesta rubrica tem caído não só mas quase só curiosidades, estes, para mim, são um pouco mais que uma curiosidade.
Escolham a versão que quiserem da música que provocou 2 telefonemas.
NEW ORDER
Blue Monday
HARDFLOOR REMIX
LIVE
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
esquecidos ou quase 7
esquecidos ou quase 8
coisas que me fazem impressão
Falar-se dos políticos e das campanhas, dando, em primeiro lugar, importância às falhas ou "gafes".
Pensava que o mais importante seria o projecto, programa, ideias, sei lá, qualquer coisas assim.
05/11/2008
música
Parece que há mais gente a render-se aos Wild Beasts ainda bem.
Aqui http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt/393840.html
USA
A vitória de Obama é fácil de entender, o que continuo sem perceber é como foi possível muitos dos eleitores de Obama terem ficado em casa na reeleição de W.
Seja pela cor ou por uma nova encarnação de JC na terra, qualquer destes me parece um péssimo motivo para começar a transformar o mundo.
Portanto, tenhamos fé.
Johnny Cash
I Am The Nation
04/11/2008
Depois de uma série de exames, que culminaram com uma desagradável endoscopia, parece que tenho uma gastrite do antro, coisa comum a 90% dos adultos. Nem um pouco de colesterol, triglicéridos, ácido úrico, nem um batimento cardiaco ao lado, nem uma úlcera, eczema, nada, tudo absurdamente saudável e normal, tal como a gastrite.
E um cirurgião para a alma não há?
Jeff Buckley
Eternal life
Eternal life is now on my trail
Got my red glitter coffin man, just need one last nail...
While all these ugly gentlemen play out their foolish games
There's a flaming red horizon that screams our names
And as your fantasies are broken in two
Did you really think this bloody road would pave the way for you?
You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel
Racist everyman, what have you done?
Man, you've made a killer of your unborn son
Crown my fear your king, at the point of a gun
All I wanna do is love everyone
And as your fantasies are broken in two
Did you really think this bloody road would pave the way for you?
You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel
There's no time for hatred, only questions
What is love?
Where is happiness?
What is a life?
Where is peace?
When will I find the strength to bring me release?
Tell me where is the love in what your prophet has said?
Man it sounds to me just like a prison for the walking dead
Well I've got a message for you and your twisted hope
You'd better turn around and blow your kiss goodbye to life eternal, angel
fé
Dizes que não tenho fé, mas tenho.
Tenho fé que quando acabares de ouvir esta canção não irás dizer, esta música é triste.
Jeff Buckley
Hallelujah
02/11/2008
compreensão
A «compreensão» é um conceito admirável. Quando alguém diz que «compreende» já estuda discretamente as saídas de emergência. diz Pedro Mexia no estado civil.
Eu penso que poderá ser muito mais do que isso. Mas o que sei eu?
Falhar. Falhar sempre.
Falhar até que o falhanço fique desenhado da pele, no contorno das rugas, dos olhos, cavados na certeza de não ter desistido.
Nick Drake
Place To Be
When I was younger, younger than before
I never saw the truth hanging from the door
And now I'm older see it face to face
And now I'm older gotta get up clean the place.
And I was green, greener than the hill
Where the flowers grew and the sun shone still
Now I'm darker than the deepest sea
Just hand me down, give me a place to be.
And I was strong, strong in the sun
I thought I'd see when day is done
Now I'm weaker than the palest blue
Oh, so weak in this need for you.
31/10/2008
o que é uma grande canção
Smells Like Teen Spirit
Patti Smith
Tori Amos
Paul Anka
Ukulele Orchestra
talvez uma que até só com ferrinhos nos faça vibrar.
peixe:avião
Ainda não conheço o novo disco, 40.02, na totalidade, mas o que conheço não engana, muito bom.
peixe:avião
a espera é um arame
podem ouvir mais aqui,
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=224126066
29/10/2008
distrações e outras complicações
O meu amigo e produtor Kalle foi contratado para técnico principal dos Madredeus, como parece que andam numa grande azáfama a preparar 6 concertos em Lisboa até 15 de Novembro, lá vai o meu disco atrasar mais uns dias, logo agora que estava nas misturas finais. De qualquer forma, ainda bem para ele.
Entretanto, emprestou-me um disco de uma banda com que andou a trabalhar e que me tinha passado ao lado, ainda por cima tão perto de mim, Setúbal. Acabei de ouvir e, mais macaquinho de imitação ou menos, gostei bastante deste som.
Mazgani
Lay Down
Somewhere Beneath the Sky
contradições
João Gonçalves diz no Portugal dos pequeninos http://www.portugaldospequeninos.blogspot.com/
Existe um défice de confronto por cá. Por todo o lado, no poder, na oposição, nas televisões, pelos jornais, na literatura, entre blogues, etc., etc., nota-se aquele cuidado hipócrita em não ferir a susceptibilidade do Outro. O Outro - uma desgraçada invenção do divã freudiano e da "modernidade" - é a nossa cruz. Como o país é pequenino e toda a gente está mais ou menos comprometida com toda a gente, a amabilidade impede que as relações, públicas ou privadas, sejam adultas. Só a ruptura e a desmesura valem a pena. São um sinal de maturidade e de responsabilidade contra a trivialidade da vida quotidiana falsamente "animada" pelos amáveis de serviço. Por isso gosto de cães grandes e detesto caniches. Por isso não troco o mar por arbustos verdejantes e piqueniques com famílias felizes. Por isso ignoro a maioria das "figuras públicas". Qualquer "mulher-a-dias" que a minha insónia intercepta e que corre debaixo da minha janela às cinco da manhã atrás do primeiro autocarro para o trabalho, merece-me a consideração esdrúxula que não possuo pelos homúnculos do regime. Não conheço melhor libelo contra a amabilidade do que os famosos versos de Botto em homenagem a Pessoa, justamente um dos que, par delicatesse, perdeu literalmente uma vida que nunca chegou a ter. "Isto por cá vai indo como dantes;/O mesmo arremelgado idiotismo/Nuns Senhores que tu já conhecias/- Autênticos patifes bem falantes.../E a mesma intriga; as horas, os minutos,/As noites sempre iguais, os mesmos dias,/Tudo igual! Acordando e adormecendo/Na mesma côr, do mesmo lado, sempre/O mesmo ar e em tudo a mesma posição."
Qual contraditório (confronto), aquele que nos fode, aquele que assim que nos apanha de costas nos empurra, usando um eufemismo, para fora de qualquer espécie de argumento, sim porque em frente cala-se, ignora e despreza.
Apesar do nada que sou, também eu tenho em consideração a "mulher-a-dias". Mas a consideração também é dada no valor que se paga, quando era um pouco menos nada do que sou agora e tinha uma empregada, não procurei o mais barato e paguei sempre o que me pedia, quando tive uma empresa não andava a esgravatar o degraçado mais barato para me fazer o trabalho. Parece que anda por aí muita gente indignada porque o ordenado mínimo (que nome arrepiante) vai aumentar para a mágica quantia de 450€, essa fortuna para o povo gastar nos centros comerciais, ainda por cima não é na FNAC a comprar os livros que os contraditórios editam.
É que a consideração não é coisa para se ter da janela, mas sim com os pés na terra, só da janela parece-me assim, como direi, uma coisa de amabilidades.
28/10/2008
coisas estranhas
Não gosto de um nem do outro, mas isto até está bom.
Boss AC & Mariza
Alguem me ouviu
completamente esquecidos
Parece que está na moda, outra vez, o roque em português.
Iodo
Malta à Porta
Com o meu amigo Alfredo na bateria.
Roquivarios
Cristina
Com o meu amigo Jorge Loução na guitarra.
Quando tinha 11,12 anos, costumava ver estas duas bandas a abrir os concertos dos UHF, com os Xutos entalados no meio.
27/10/2008
incomunicação
A TVI não dá ponto sem nó, depois de uma boa reportagem sobre uma criança com uma doença rara, hoje de manhã enfia essa mesma criança num estúdio sujeita a um ambiente naturalmente hostil.
Tentam a todo o custo fazer a menina falar, repetem a mesma história até à exaustão, conseguem por a mãe a chorar, facto que não me apercebi de ter acontecido na reportagem e, como corolário, os pseudo-apresentadores dizem que não podendo resolver o problema, podem, pelo menos, dar uma ajuda ou ajudazita.
Sabem qual foi, a fabulosa quantia de 1000 euros.
Se fossem bardamerda como dizia o meu avô e fossem explorar o cultivo de uvas em marte.
Bem esteve a menina, indiferente a esta palhaçada, mas isso deve ser o peso dos 70 anos num corpo de 10.
24/10/2008
esquecidos ou quase 8
Não são as minhas preferidas mas não encontrei outras.
Mler if dada
Zuvi Zeva Novi
Dance Music
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
esquecidos ou quase 7
23/10/2008
alma, culpa e outras confissões
"Uma alma que fosse posssível considerar responsável por todo e qualquer acto cometido teria de levar-nos, forçosamente, a reconhecer a total inocência do corpo, reduzido a ser o instrumento passivo de uma vontade, de um querer, de um desejar não especificamente localizáveis nesse mesmo corpo. A mão, em estado de repouso, com os seus ossos, nervos e tendões, está pronta para cumprir no instante seguinte a ordem que lhe for dada e de que em si mesma não é responsável, seja para oferecer uma flor ou para apagar um cigarro na pele de alguém." aqui http://caderno.josesaramago.org/
Um amigo meu dizia-me, (se não me engano a propósito de "gajas") tu é que tás bem, não sentes a culpa, isto por eu não acreditar em Deus, nem no sentido de culpa cristã.
O que ele não sabia é que a responsabilidade e o respeito que sempre tentei ter para com os outros, não se absolve em confissões.
22/10/2008
knock on wood
Numa pesquisa que fiz na net, entre outras coisas, knock on wood deu o que vem aí em baixo.
Gostava de dizer que o nome do estúdio não tem nada com isto, mas até tem piada. Agora tenho de arranjar uma bola de espelhos.
Amii Stewart
KNOCK ON WOOD
a minha marca amarela
livros
Aí está um livro muito importante na minha vida A marca amarela. Quando se fala em livros mais importantes ou melhores, andamos sempre pelos clássicos e esquecemos o que nos ajudou a chegar lá.
Sigam este caminho,
http://abrupto.blogspot.com/2008/10/errata-com-blake-e-mortimer-george.html
20/10/2008
blogs
Estão aí duas moradas novas, a única real tradição viva e casario do ginjal, o primeiro dedicado aos surrealistas, o segundo fala de muitas coisas, mas principalmente do meu ginjal que, pelos vistos, também é do Luís Milheiro.
Este foi escrito no ginjal há anos que não lembro.
I
Não sei para onde vou
Sei aquilo que tenho
Mas sei também aquilo que não tenho
Olho o rio quase parado
Correndo lento para o mar
Sem força, sem chama
Revejo-me nesta imagem
E entristeço ainda mais
Sinto a minha vida parada
Ao menos o rio vai para o mar
Eu, não sei para onde vou...
Não sei para onde vou
Sei aquilo que sou
Mas sei também aquilo que não sou
Não sei para onde quero ir
Nem sequer sei se quero ir
O rio sabe para onde vai
E devagar chega ao mar
Aí transforma-se e fica alegre e pujante
Cheio de vida
Eu, não sei para onde vou
Nem sei onde vou chegar!...
II
Por vezes os rios têm pontes
As pontes são úteis
E por vezes bonitas
Os rios têm barcos
E todos os barcos são bonitos
Eu sei aquilo que tenho
E o que não tenho
Mas também nunca achei útil ou bonito
Os rios sabem onde nascem
Mas também sabem onde acabam
Eu, só sei onde nasci.
Por vezes a vida tem aventuras
As aventuras são úteis
E por vezes bonitas
A vida tem sonhos
E os sonhos são sempre bonitos
Eu sei aquilo que sou
E o que não sou
Mas também nunca achei útil ou bonito
Os rios acabam no mar
E o mar é vida
Eu, só sei onde nasci.
18/10/2008
jornalismo, jornalistas
"Que a esmagadora maioria da classe jornalística não reaja, todos os dias, a estes atentados aos seus valores mais genuínos, eis o mistério filosófico dos nossos dias televisivos.", diz João Lopes no Sound & Vision.
Quais? Quem? Onde?
Os que tem medo de perder o lugar, os que nunca conseguiram o lugar, os que estão no lugar, estes não serão de certeza e os outros quem os escuta.
E o pior ainda está para vir, que eu bem vi como eles eram feitos para o tal lugar. Na cadeira de Jornalismo e Poder, mais teórica em que era preciso pensar mais e com um bom professor para o efeito, as notas foram uma desgraça. Quem foi o culpado? O professor claro, que logo foi posto a andar porque os meninos não pagavam para chumbar.
Depois era vê-los brilhar no atelier em frente às câmaras.
17/10/2008
uma família
coisas que me fazem ainda mais impressão
No 5 dias leio uma discussão muita parva sobre Rucas e Pedros, famílias gays, adopções e por aí fora.
Tal como dos casamentos, gosto de quem adopta e não me interessa nada o que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.
16/10/2008
música
Algumas pessoas perguntam-me porque não escrevo mais sobre música, porque me limito a postar os telediscos sem mais enquadramento algum.
Sempre preferi gastar o meu tempo a ouvir e fazer música, quando o faço emprego todos os meus sentidos, começo pelo geral e percorro todos os caminhos, instrumento a instrumento, até aos pormenores mais ínfimos das canções.
Seria um chato a falar de música, além disso também escrevo, quando o faço, para me libertar das melodias, embora acabe por tentar fazer música com as palavras, enfim, no fundo é tudo uma questão de ar e já agora de oxigénio também.
De qualquer forma, aí ao lado existem pessoas que escrevem muito bem sobre música e da boa, mesmo que pareça filosofia, vejam era um redondo vocábulo 39, aproveitem para ler os outros 38.
coisas que me fazem impressão
Casamentos homosexuais.
Como já aqui disse antes, gosto de casamentos, portanto acho que todos deviam poder casar com todos, independentemente do que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.
15/10/2008
No nascer do sol o Lourenço diz "...uma Nova Iorque impiedosa, invadida por provincianos e suburbanos a tentar escalar até um topo místico e completamente inacessível, opaco, preenchido por nova iorquinos de gema."
Antes como agora, se isto é verdade também não é mentira que NY é muito mais que isto.
e já agora mais isto, ao vivo no ano em que nasci
14/10/2008
Não há engano,
na tormenta voraz dos acontecimentos.
O que foi, o que é e o que irá ser,
não há desvios, paragens ou perspectivas abstractas.
O caminho, que é uma estrada já feita,
terá o tempo que o tempo precisa,
sem pressas, que o tempo tem os seus caprichos
e leva, sempre, o tempo que o tempo tem.
Não há engano,
no desbravar voraz dos sentimentos.
O que se quis, o que se quer e o que se irá querer,
não há curvas, atalhos ou certezas condicionadas.
O destino, que é um fado já cantado,
terá todo o espaço que o espaço precisa,
e, na vastidão, qualquer dúvida será varrida,
porque o espaço quer-se vasto mas limpo também.
Não há engano,
no tempo e no espaço que é só um.
Onde tudo o que foi dito, se diz ou virá a dizer
é, tão só, um ciclo de repetições constantes.
Nesta vida, que temos e fazemos,
o tempo que levamos leva-nos também
e o espaço que é nosso é aquele que conquistamos.
Resta-nos esperar que os enganos se vão apagando.
10/10/2008
esquecidos ou quase 7
XTC
Making plans for nigel (1979)
Senses Working Overtime (1982)
Dear God (1986)
The ballad of Peter Pumpkinhead (1992)
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
07/10/2008
blogs
Isto dos blogs é realmente giro, Pedro Mexia diz no estado civil "Como acontece com frequência nos blogues, alguém teve a mesma ideia no mesmo dia e lembrou «It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)»." por causa de um post no corta-fitas http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2502769.html.
Já agora tinha tido a mesma ideia aqui Era bom era mais não vai ser, se não me engano por causa da crise do petróleo em Junho e com as mesmas imagens do estado civil e tudo.
Andamos todos ao mesmo, mas também como a minha crise já é antiga é normal que me lembrasse primeiro, azar o meu.
03/10/2008
do bom e do burro - texto de Maria João no insónia
Ultimamente tenho reparado que muita gente confunde as pessoas boas com pessoas burras, mas bom e burro não são sinónimos. Se formos verificar, no dicionário a palavra bom quer dizer de boa qualidade, que tem bondade e é sinónimo de virtuoso, vantajoso, próprio, agradável, útil, sadio, nobre, seguro e garantido. É claro que burro também começa por b, mas isso não quer dizer que o b de bom seja igual ao b de burro. Burro, segundo o dicionário é um nome vulgar de uns mamíferos perissodáctilos, da família dos Equídeos, menos corpulentos que os cavalos, mas com orelhas mais compridas; é sinónimo de asno, jumento e cavalgadura; também pode ser um jogo de cartas; e, finalmente, significa indivíduo estúpido e teimoso. Assim, no dicionário verificamos que estas duas palavras não são sinónimas, não surgem associadas, dai se deduz que uma pessoa boa não é burra, ou seja, estúpida e teimosa. Eu acho que por vezes o b de bom pode coincidir com o b de burro, mas isso é uma excepção que confirma a regra. O equívoco existe também porque muita gente confunde as pessoas boas com pessoas fracas. Ora fraco significa não ter força e é sinónimo de débil, frouxo, delgado, cobarde, pusilânime, debilitado, medíocre, brando, mau, reles, defeito, tendência, simpatia, paixão (estes últimos quando se tem um fraco por…), vício, predominante, balda. Assim, ser fraco não é coisa boa de certeza, também não sei se os fracos são burros, ou seja estúpidos e teimosos, não tenho a certeza, um indivíduo pode ser fraco apenas porque está doente, a doença nada tem a ver com a inteligência. Mas penso que a origem deste equívoco está no facto da bondade, o altruísmo, a generosidade, a partilha serem vistas com maus olhos no capitalismo selvático onde vivemos, sobretudo no mundo do trabalho que é uma psicose desenfreada, onde o individualismo, o egocentrismo, o egoísmo é sinónimo de forte no salve-se quem puder. Infelizmente, sinto que o sistema de mercado do salve-se quem puder também contamina e abrange não apenas o mundo do trabalho, mas outras áreas dos humanos. Verifico que essa contaminação está sempre presente na gente que confunde o b de bom com o b de burro. Acho, no entanto, que nunca nos devemos de esquecer que burro em italiano significa manteiga.
Com as orelhas de burro que tenho e magro (fraco) que sou só posso ser bom, vou ali matar uma mosca e já venho.
Muito fraco este texto, aliás burro, porra bom. É isso bom.
bailado
Duas postas sobre futebol em tão poucos dias parece-me demais, mas vejam lá se a forma como o Nuno Gomes foge ao seu par não parece bailado.
02/10/2008
o estilo das figuras que param em andamento
Parar de escrever, disse outrem
Deixar de soltar e trocar palavras
Desistir de todas as figuras de estilo
Sem excepção.
Parar com as prosopopeias, litotes e ironias
Com as metonímias, hipérboles e metáforas
Com os anacolutos e elipses.
Arrumar todas as alegorias contraditórias,
Encerrar as comparações imagéticas
E as personificações aberrantes numa prateleira.
Porque as árvores de fruto não dão dinheiro
E a felicidade não nasce do chão.
Arrumar as aliterações chatas e monótonas
Insistentes, insuportáveis e inconsequentes,
E os anacolutos estapafúrdios e confusos
Porque todos, nem feito e defeito, nada valemos.
Arrumar as anáforas, diáforas, epíforas e o que mais,
E parar de repetir que a vida é a vida porque é a vida.
Arrumar as anástrofes e hipérbatos enfáticos,
Deixar as inversões e disfunções para o dia-a-dia
E tornar, que a realidade assim quer, a perder.
Arrumar com os eufemismos e litotes contidos
E chamar os bois pelos nomes, todos,
Porque as moscas passam e o que fica é o mesmo.
Arrumar as antíteses, paradoxos e oxímoros
E ser concreto, objectivo e claro,
Porque a dor que não dói não alegra a felicidade.
Arrumar as autonomásias, metonímias e sinédoques
Ser analítico, porque a pressa carrega o tempo.
Arrumar com os pleonasmos desnecessários,
Bem visto com olhos de ver vai dar tudo ao mesmo.
Arrumar com o exagero sebastiânico das hipérboles
Porque a vida perde-se, sempre, num imenso nevoeiro.
Parar de escrever, disseram
Deixar de imaginar a vida nas palavras
Desistir dos sentidos e sentimentos
Sem excepção.
Parar com pretensões estéreis e irrelevantes
Com a procura da compreensão e entendimento,
Com as emoções que se julgam racionais.
Arrumar todas as possibilidades de parecer ser,
Encerrar a necessidade de oposição e confronto,
E a ilusão sonhadora de ser amado.
Porque quem não sabe dizer amo-te,
É porque não consegue amar.
E esta e só mais uma ironia,
Que as figuras, com estilo ou sem, nos pregam.
01/10/2008
descolonizar, retornar, entornar
De vez em quanto surge, na comunicação social, o tema dos retornados e da descolonização, de uma forma geral mal abordado ou, talvez, bem abordado se virmos na perspectiva de uns media onde predomina a palha, a inconsequência, o Pathos explorado aos limites em doses cada vez mais fortes e pesadas. É o que o povo quer, dizem eles, e como o povo vai comendo está tudo bem, principalmente se as acções não descerem muito.
Mais uma vez, era o Salazar é que era bom, os pretos que eram muito maus e ainda por cima pretos, viemos sem um tostão no bolso nem o Baltazar e Anacleta que serviam para tudo, do outro lado estão os da metrópole (isto tem piada metrópole) que se foram para lá que lá ficassem, que o Estado Novo é que provocou tudo, o Salazar era um bandido, só não comia criancinhas isso eram os outros mais a leste, enfim um rol de tanto nada que assusta ao fim destes anos.
A descolonização foi mal feita, nada exemplar ao contrário do que diz o Dr. Mário Soares, pois foi e como é que podia ser bem feita com o País extremado como estava e que mesmo quando estável poucas coisas faz bem feitas.
Parece que ao fim destes anos todos, com a Europa, globalização, choque tecnológico e sei lá que mais, continuamos os mesmo chorões de sempre.
30/09/2008
enganar a crise
Bom negócio de Rui Costa ter deixado sair aquele rapaz para a equipa azul para vir o Reyes.
Vejam bem a última repetição.
esquecidos ou quase 6
Fischer Z
The Worker
Battalions of strangers
esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
coisas que me fazem impressão
Gosto de Hillary Clinton, gosto menos de Barack Obama, não gosto de John McCain e gosto muito menos de Sarah Palin.
Nesta contabilidade não entra sexo, cor, idade, estado civil, número de filhos, e faz-me impressão, muita impressão, que sejam estes os tópicos dominantes quando se fala destas pessoas.
A questão do exorcismo é diferente porque a acho, além de estranha para pessoas com este tipo de educação e responsabilidade, potencialmente perigosa para alguém com um poder de vice-presidente.
26/09/2008
exorcismos e/ou ajuda divina
Parece que a candidata a vice-presidente dos USA, Sarah Palin, foi exorcizada. Eu vi a cena e aquilo pareceu-me mais uma peça de teatro rasca, mas fazendo fé, isso mesmo fé, nos meios de comunicação, aceito que fosse um exorcismo. O que se torna complicado, pelo menos para mim, são alguns comentadores a dizer que não deverá afectar a campanha, se isto não afecta uma campanha o que poderá afectar, um vídeo com Barack Obama a ser recebido por Deus himself, que lhe oferece um livro de auto-ajuda para oferecer a cada americano porque Ele está farto dos Humanos e vai mudar de planeta.
25/09/2008
ainda a crise no nascer do sol
Vão ver vale a pena, ainda por cima a música é muito boa.
our entire economy is in danger
24/09/2008
auto-ajuda
Ofereceram-me um desses livros chamados de auto-ajuda, a pessoa que me ofereceu tem 2 licenciaturas e um mestrado. O meu primeiro pensamento é que está tudo maluco, não pela oferta, mas porque a pessoa devia conhecer-me melhor, embora, vejo agora, também eu pensava que a conhecia melhor.
Desde miúdo que tenho gosto em conversar com pessoas de diferentes crenças, credos, personalidades e atitudes. Lembro-me de uma vez, deveria ter uns doze anos, em que duas moças testemunhas do Jeová tentaram durante cerca de 1 hora convencer-me que o primeiro homem tinha sido o Adão. Perguntaram-me se sabia quem tinha sido o primeiro homem e disse-lhes que sim, que era o Australopiteco, durante 1 hora as meninas diziam que era o Adão e eu dizia que era o outro da espécie macacóide, ainda por cima estava a dar o Paleolítico numa das minhas disciplinas favoritas, história. A conversa foi demorada e gira, foram na delas eu fiquei na minha.
Pouco mais tarde, no 9.º ano, tive uma colega também testemunha do Jeová, que nas análises aos poemas tinha sempre umas opiniões estranhas, a turma ria e quase que a comiam, eu, impelido pelo meu lado altruísta, lá contornava as minhas opiniões de forma a que ela não ficasse sozinha e não, ela não era um borracho de que eu quisesse qualquer tipo de ajuda (naquela altura era mais auto-ajuda mesmo). Uma vez, num intervalo, o professor, um extraordinário professor que me dava cassetes com os Cure, Triffids, REM entre outros, perguntou-me porque é que eu fazia aquilo, acho que lhe disse que não gostava de ver as pessoas gozadas e muito menos isoladas. Arranquei um 5, espero que pelo esforço mental que eu fazia naquelas aulas para ajeitar o meu pensamento, embora as trocas de cassetes devam ter ajudado e o meu gosto por poesia também.
Episódios destes têm-me surgido vários ao longo da vida, apesar de não gostar nada de interferir na vida dos outros, tenho este vício estranho de socorrer pessoas que por qualquer razão estão fragilizadas ou isoladas.
Com 18 anos fiz a minha primeira empresa, Libercomp, artes gráficas, durou cerca de década e meia e os primeiros dez anos foram muito bons, tive um bar, nunca tive subsídios nem qualquer outro tipo de ajuda. Quando as coisas ficaram mal fui para Nova Iorque trabalhar e, regressado, fui acabar um curso que tinha deixado a meio. Entretanto, refiz um projecto musical que tenho desde os 16 anos, estou acabar de gravar um disco que paguei a construir, durante um ano, o estúdio onde está a ser gravado. Não satisfeito, comecei há quatro meses, a construir um estúdio/escola de música onde pretendo desenvolver várias actividades relacionadas com a música. Tudo sem dinheiro, apenas com a minha mão-de-obra e, principalmente, do meu irmão e do meu pai com 69 anos, que são gráficos de profissão.
Isto tudo para dizer, para que raio preciso eu de um livro de auto-ajuda, das duas uma, se alguém me quiser ajudar não recuso mas se não me pusessem livros destes à frente já era bom.
Em relação ao livro, já tentei começar a ler mas não consigo passar das primeiras páginas, é como ver aquele programa novo da Teresa Guilherme, não sabemos se havemos de rir ou de chorar.
Radiohead Live at the Santa Barbara Bowl
Já adulto existiram 2 discos que, na primeira audição, me motivaram um fascínio tão grande como o The Wall aos 11, Stone Roses e Ok Computer dos Radiohead.
Tenho estado a ouvir o espectáculo dos últimos no Santa Barbara Bowl, que concerto e que banda extraordinária esta, mesmo em baixa fidelidade o que seria ouvido ao vivo ou, pelo menos, em alta fidelidade.
É seguir o link.
http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=94315732
Para ser mais completo 2 vídeos onde os Radiohead visitam o maravilhoso mundo dos New Order e dos The Smiths
19/09/2008
crise ou crises
Esta última tão exaltada e exasperante crise, passa-me completamente ao lado, nem sequer me belisca.
É que nos últimos 5 anos da minha vida tenho estado tão mas tão longe de créditos, com cartões ou sem eles, de spreds (acho que é assim que se diz), de bonificações, prestações e sei lá que mais, que penso não ter perdido nada em andar neste limbo.
Nada de extraordinário, simplesmente esta crise bateu-me à porta bem mais cedo, dá-se um pontapé em tudo e é começar de novo.
Está é a demorar, porra.
Pink Floyd
Money
18/09/2008
à ausência
Preciso da ausência que sou,
e de todos os sonhos onde faço o sonho que prefiguro,
arrebate falhado de um espírito inconsequente.
Esvoaço sem tino, ausente,
sempre ausente nesta ausência que sou.
Ausência do real no abstracto onde penso,
sem voz,
sem presença,
sem graça,
sem garra,
sem palavra.
Não conheço aventuras, romances ou amores,
não parto, fico ou continuo,
não partilho, espero ou alcanço,
não ofereço nem recebo,
não invento nem desejo,
na realidade que dizem, fazem e vivem.
Ausência no vazio que sinto e sou.
Ausência no nada absurdo que não sei.
Ausência no espaço e tempo.
Ausência na imagem que não vislumbro.
Ausência de concretos que não encontro.
Ausência de entidade.
Ausência de possibilidades e infinitos.
Ausência de um passado ou presente.
Ausência de um futuro ausente.
Ausência de corpo e espírito.
Assim sou eu, sombra ausente,
sempre ausente nesta ausência que sou.
Sou o sonho presente em mim,
o sonho que me leva de mansinho
e me ensina todas as coisas,
todas as letras que me afagam
todas as palavras onde me deito,
todas as frases onde adormeço e repouso.
Neste lençol de linho branco existo,
com alma,
com promessas,
com palavras,
com verdade.
Sou o sonho que quero e faço,
onde construo todos os possíveis,
espartilho o espírito, divido-o e multiplico-o,
faço, desfaço e refaço impérios.
Escalo o Everest e digo olá às nuvens,
ofereço-lhes todas as lágrimas
que, em água doce, levam-me a mágoa.
E a chuva cai.
Ao vento conto segredos,
em sigilo disfarçado resguardo-os
e disperso-os em grãos finos de areia.
E as dunas embalam-me.
No céu escrevo cartas,
todas as cartas com todas as letras que encontro,
cartas de paixão e amor,
enrolo-as em metáforas papel e sopro.
E o céu abre-se.
Nesta ausência feita de sonho construo a eternidade.
Não quero ser vagabundo, aventureiro, boémio, lunático ou poeta.
Só poesia.
insónias
Entre coisas bem mais importantes, principalmente a poesia, outra razão porque gosto muito do insónia é a forma como se simplifica o que para outros parece muito complicado.
Sigam o link: AINDA A POESIA
17/09/2008
esquecidos ou nunca lembrados
The Triffids
Bury Me Deep In Love
O teledisco é foleiro, mas a banda era muito muito boa.
Mais algumas canções,
Red Pony
Save What You Can
16/09/2008
Richard Wrigth
Já tinha lido sobre a morte de Richard Wrigth ontem à noite, mas o cansaço nem me permitiu pensar.
Hoje de manhã, quando chego ao estúdio e na rádio passa o Shine on you crazy diamond é que desço à terra e me lembro da importância que os Pink Floyd tiveram para mim. The Wall foi o primeiro disco que comprei, com 11 anos e sem dinheiro pedia todas as noites 5 escudos ao meu pai, acho que custou uns 300 paus, os duplos eram mais caros.
Na altura ouvia os Beatles, Beach Boys, UHF (à flor da pele, este sim o meu primeiro LP oferecido pelo meu pai), mas foram os Pink Floyd que eu quis descobrir primeiro, procurando todos os discos e ouvindo-os com uma paixão difícil de reencontrar hoje.
11/09/2008
fuck-se
Hoje é 11 de Setembro, ocupado como andei só me dei conta a meio da tarde, por razões pessoais, a principal ter vivido em Nova Iorque durante cerca de 1 ano, a data devia dizer-me alguma coisa, mas vivo este dia com a mesma indiferença com que esqueço o massacre do Ruanda, o maremoto de 2005 e outros acontecimentos trágicos.
Este mundo é muito cínico e eu não me sinto melhor.
Fuck-se
10/09/2008
Agosto
O meu mês de Agosto é assim muito querido, coisa que tento compensar com grandes doses de leitura, este ano foi Dostoiévski, Yukio Mishima, Paul Auster e muitos buracos para encher de buchas, mas está quase, mais 1 mês e o meu knockonwood studio estará pronto, tudo com materiais reciclados de lixos industriais.
Este mundo é um desperdício, melhor para mim que a carteira está vazia.
07/09/2008
Aquele Querido Mês de Agosto em Agosto
Em Agosto costumo visitar feiras e festas locais, é a forma barata que encontro de ver bandas portuguesas, é o nosso mercado de concertos com cheiro a farturas e o som de fundo dos carroceis. Apesar de tudo as coisas vão melhorando, espaços mais apropriados (dentro do possível), bons palcos e grande evolução no profissionalismo das equipas, resultando em espectáculos a horas e com o som sempre perto do bom e muito bom.
Comecei com duas estreias, Ala dos Namorados no Montijo, espaço bonito mas palco medíocre, som muito bom. Banda estranha esta, metade do concerto com excelentes canções a fazer lembrar Mler if Dada e José Afonso em alguns arranjos, outra metade com uma série de canções inócuas ou mesmo de fazer inveja ao Emanuel, um desperdício. A outra estreia foi no Barreiro com os Buraka, bom palco e muito som, pena eu não gostar da música, mas que é um trabalho de corta e cola bem feito é, com inesperados apontamentos a Kraftverk, ACDC e Prodigy.
Depois vi Bandemónio e Xutos em Cascais, novamente boas condições, duas bandas muito competentes e com boas canções mas com espectáculos completamente estafados e a necessitar de grande revisão, se é que ainda é possível, eu penso sempre que sim.
Prova do que digo antes foram os UHF, eles mesmo, no melhor palco, som e espaço em Corroios. Há largos anos, muitos mesmo, que não via um bom concerto dos UHF, bem escolhidas as canções, uma banda lúcida e um público que soube estar fizeram a noite. Esta sensação até podia ter sido uma reminescência dos meus 12 anos, visto até ter sido o meu aniversário nesse dia, mas pela reacção do numeroso povo que estava por lá acho que não foi. Em todo o caso, penso que os UHF dos primeiros 4 discos mereciam uma história melhor contada.
Por fim, também em Corroios, vi um dos melhores espectáculos deste ano, nunca admirei muito os Silence 4, mas o David Fonseca tem feito bons discos e tem uma banda e arranjos ao vivo extraordinários. Noutro lugar teria sido muito bom mesmo.
05/09/2008
Aquele Querido Mês de Agosto em Julho
Gosto de casamentos, desde que me lembro sempre gostei de casamentos.
Em miúdo, apesar da minha timidez racional, gostava de ver, observando, as pessoas e o ritual das roupas, das promessas, dos cumprimentos, dos sorrisos, das promessas, das fotografias, das felicitações, das promessas e da felicidade geral que se abatia sobre aquele dia.
Chegado a adulto nada mudou, gostava tanto que acabei por casar com 21 anos, foi um belo dia de belas roupas e promessas e mais promessas e belos sorrisos, estão guardados algures em álbuns de fotografias e em vídeo mas, principalmente, na minha memória.
Já não ia a um casamento há anos, desde o meu divórcio nunca tinha ido a nenhum. Em Julho fui ao casamento de um primo que é como um irmão mais novo. Que posso dizer, já sem timidez continuo a ver, observando, tudo e também as promessas que são bonitas porque são isso mesmo promessas.
Foi um grande dia, o meu cinismo caminha noutras direcções, além disso fazia tempo que não usava fato e gravata, coisa que nem me fica nada mal.
Vejam lá se não pareço um 000 qualquer.
PS: Além disso este casamento teve um delicioso pimba-surrealismo. Como se não bastasse a visita surpresa (preparada pela noiva) da águia Vitória, ainda me empurraram a cantar o Wish you were here, com o tratador da águia exuberante na guitarra elétrica, eu a tentar lembrar-me da letra pensando como é que tinha ido ali parar e a banda atrás aos gambuzinos com o guitarrista muito parvo a olhar para a sua Ibanez a ser tocada pelo Barnabé.
Os olhos fechados do Barnabé e como é que é a letra mesmo.
PS: Além disso este casamento teve um delicioso pimba-surrealismo. Como se não bastasse a visita surpresa (preparada pela noiva) da águia Vitória, ainda me empurraram a cantar o Wish you were here, com o tratador da águia exuberante na guitarra elétrica, eu a tentar lembrar-me da letra pensando como é que tinha ido ali parar e a banda atrás aos gambuzinos com o guitarrista muito parvo a olhar para a sua Ibanez a ser tocada pelo Barnabé.
Os olhos fechados do Barnabé e como é que é a letra mesmo.
28/08/2008
esperar
Hoje faço 39 anos e sinto que tenho passado uma vida à espera, especialmente os últimos 4, este ano sei que o resultado deste esforço, quase ridículo de perseverança, muito trabalho e teimosia, vai ter um final que, espero, seja um começo. A ver vamos.
27/08/2008
media
Não sou muito dado a este tipo de manifestações de espírito patriótico, esperas de atletas em aeroportos, mas a indignada senhora que acabei de ouvir na TV tem muita razão quando diz que os media não falaram do regresso dos atletas.
Tantas horas gastas com a caminha e pseudo-derrotas e agora isto.
Entretanto as observações e perguntas ridículas continuam.
Vou mas é p'ra caminha.
23/08/2008
do not pirimpapalhate
Estas semanas de Jogos Olímpicos, conseguiram fazer a silly season ainda mais silly do que o costume.
No nosso cantinho, quando toca a grandes eventos desportivos, entramos em grandes devaneios, penso que próprios de um povo que a principal actividade física estará algures entre a sueca e o dominó ou a malha e o chinquilho, onde o órgão mais exercitado será a língua.
Se existisse uma cultura de desporto séria, tão simples quanto uma prática real nas escolas, e uns media que não perdessem horas a promover menoridades como a bola que entrou ou não entrou ou o tipo de fitas que cobrem os brincos do Ronaldo, talvez fosse diferente.
Neste Portugal onde todos somos mais bolos e as declarações de figuras públicas com responsabilidades efectivas são o que são, ficamos chocados com um rapaz que de manhã é mais caminha. Por mim, que o sono não lhe seja pesado e que continue a encarar o mundo com tanta descontracção, bem faria a todos nós, talvez não partíssemos do princípio que somos os melhores do mundo quando na realidade enfim, somos mais bolos e parece que caminha também.
O que é mais anedótico é que isto só acontece no desporto, logo no desporto, com todo o carácter aleatório, de sorte e azar e onde os adversários são isso mesmo adversários com possibilidades e vontade própria, como o João Lopes tão bem vem referindo (desde o Europeu) no Sound & Vision.
Agora vou comer um pastel de nata.
Já que não encontro os bolos fica aí o do not pirimpapalhate the alhey woman ou o que quer que seja.
22/08/2008
esquecidos e outras "estórias"
Há 5 anos, quando vivi em Londres em Tufnell Park, zona com muitos músicos e outros artistas, costumava dar umas corridas nuns campos de futebol mesmo em frente da casa onde estava, foi onde conheci o vocalista dos Fine Young Cannibals, um pouco anafado e com bastantes cabelos brancos mas de uma simpatia extraordinária. O Pedro Mexia no estado civil lembrou-se deles, ainda bem.
Entretanto esta alembradura fez-me alembrar outra. Esta menos inócua, mas com poucas colheitas.
Terence Trent D'Arby
Dance little sister
esquecidos ou quase 3
Stan Ridgway
Camouflage
Esta estava mesmo muito esquecida, agradecimentos ao Pedro.
esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
04/08/2008
reflexo IV
O que é que te aconteceu?
Uma cotovelada abriu-me o sobrolho no treino e tive de levar 6 pontos, responde n.
Porque é que não me telefonaste?
n abre os olhos ou pelo menos um e encolhe os ombros.
És mesmo mariquinhas, não me ligaste para não te ver chorar, diz Rosa.
n abre ainda mais o olho sorrindo.
Rosa continua. Como é que foste para o hospital?
Sozinho, com uma mão estancava o sangue e com a outra conduzia. Fui cozido por uma estagiária muito simpática enquanto falávamos do Woody Allen.
Reflexo I
Reflexo II,
Reflexo III
28/07/2008
aos meus meninos de férias em Moçambique
Para a Mafalda
A minha menina é linda.
Linda e mágica como um arco-íris.
E é linda porque teve a sorte de nascer assim.
É o vermelho sangue vivo, feito de força e garra.
É o laranja fogo, criativo e empreendedor.
É o amarelo alegre como os raios de sol.
É o verde estável e seguro das árvores.
É o azul celeste, sereno como o céu.
É o azul escuro, arrebatador como o mar.
É o violeta mágico e descomprometido.
É a junção feliz de todas elas,
o branco paz de uma folha de papel,
onde escrevo o carinho sem fim
e o todo o amor terno que sinto.
É linda a minha menina.
Linda como as papoilas vermelhas
que se espalham na primavera,
inundando os campos de alegria e cor
enchendo-nos de sonhos e vida.
Linda como as árvores verdes
que cobrem montanhas, vales, planícies
e, robustas e sem idade,
nos purificam a alma e o espírito.
Linda como o céu azul,
onde na sua calma vastidão
se prostra um sol amarelo quente,
que nos aquece e nos lembra,
que o tempo passa e um novo dia vai chegar.
A minha menina é linda.
Linda como as histórias de encantar,
onde tudo pode acontecer,
mas no fim os príncipes e as princesas
se amam e são felizes para sempre.
Linda como as palavras todas
que só um poeta sabe escrever
expondo toda a vida que sabe
numa folha vazia de sentimentos.
Linda como um filme de aventuras,
onde os heróis não têm medo
e atravessam as maiores dificuldades,
passando rios, montanhas e desertos agrestes.
Como a vida, mas ganhando sempre.
É linda a minha menina.
Linda como o espaço e o tempo,
passado, presente e futuro,
todo o tempo e todo o espaço
onde se fazem os sonhos e a vida.
Linda como o sossego da noite,
em que as luzes são mágicas
e a eternidade se encontra e pensa
nas estrelas que brilham no céu.
Linda como as cores todas que existem,
e dão alegria, brilho e esperança,
fazendo sorrir as crianças e não só,
tornando o mundo tão lindo
como a menina que tu és!
Para o Miguel
Queria fazer-te um poema,
dizer-te mil e uma coisas,
em linhas trocadas, pensadas
com forma de estilo com figuras.
Porém, só me lembro
das expressões figuradas,
suaves, alegres, sempre alegres,
feitas nas palavras e jogos habituais
de quem se ama e conhece.
A música que calo para te ouvir,
porque nesta pequena viagem
o centro és tu,
e, naturalmente, vais sendo.
E neste compasso, só, na vacuidade abstracta,
espero o relance do teu sorriso,
como uma lua junto à escarpa,
que de tão cheia e amarela
mais parece um sol a nascer,
sorrindo como tu.
Queria fazer-te um poema,
dizer-te todas as coisas
em forma de metáforas,
daquelas bonitas,
como só os poetas sabem.
Queria fazer-te um poema,
Mas não consigo!
16/07/2008
11/07/2008
09/07/2008
um soneto
Oh! Que triste deriva sem esperança,
encalhado num porto sem abrigo.
Tu dizes que o tempo o tempo alcança,
mas aqui estou sozinho e não contigo.
Neste espaço pego na contradança,
acerto o passo com o passo que consigo.
Tu gritas, tudo é composto de mudança,
mas a vontade é desejo e não castigo.
E se com a idade o tempo pesa e cansa
e o barco, desnorteado, fica perdido,
amanha-se uma réstea de confiança
e solto as amarras a que me obrigo,
abro as velas ao vento e o vento sigo
e, assim, sou o mar me amansa.
José Paiva
06/07/2008
eufemismos
Desde sexta-feira que os media dizem que os portugueses começaram a poupar no pão.
Poupar onde? No pão?
Que raio de cantinho este à beira-mar plantado.
Para a semana deve chegar às migalhas.
04/07/2008
também o meu
O corpo avisou - Texto de Pedro Mexia no estado civil
Há uma inteligência do corpo que eu descurei, tão inimigos somos. O corpo não é apenas uma figura estética mas também uma entidade orgânica e somática. E tem uma inteligência que eu nem sequer conhecia.
Senão vejamos. As coisas corriam francamente bem quando eu entrei em ameaça de colapso. Literato e «psicologista» , imaginei que fosse uma reacção negativa da mente (ou da «alma» ou do «inconsciente»). Na verdade, era uma reacção benéfica do corpo. Enquanto a «mente» (ou alma ou o inconsciente), embarca em ilusões ideológicas, o corpo reage sempre com pragmatismo. Aquele sinal aparentemente «negativo» era um aviso: «vamos ficar por aqui».
Porque é que o corpo me avisou «vamos ficar por aqui?». O corpo devia procurar a satisfação dos seus instintos e estar mais entusiasmado que apreensivo. Mas o meu corpo detectou (e eu não) algo de semelhante ao «muro dos nadadores». O «muro dos nadadores» é aquele patamar de resistência que o nadador de longo curso não consegue ultrapassar, ainda que acredite que sim. Quando atinge certa distância, há uma barreira invisível que impede que ele prossiga. Não é apenas «cosa mentale»: é a materialização dos seus limites.
Quando eu cheguei ao meu limite, tive um aviso evidente, que achei estúpido ou masoquista. Quando era o contrário disso: inteligente e apostado na auto-defesa. O corpo, no seu funcionamento interno que ignoro e temo, enviou sinais físicos estridentes. Era altura de recuar. Claro que eu podia continuar, se tivesse capacidade para isso (e tive), mas estava avisado: ia ser devorado pelos tubarões.
E depois apareceram os tubarões.
mal por mal
Mal por mal prefiro o filósofo ateniense, diz-se no insónia. O problema é esse, mal por mal e, aqui, dois negativos não dão um positivo.
E emigrar?
03/07/2008
coisas que me fazem muita impressão
Não é que não goste da palavra coisa, como se torna evidente, mas chamar outra coisa qualquer a uma coisa que não é uma coisa faz-me muita impressão.
Parece que regressamos assim a uma coisa tipo era medieval.
Frankie Goes to Hollywood
Relax
coisas que me fazem impressão II
No desporto quem responde a uma agressão leva um castigo maior, mas eu nunca concordei muito com isto.
coisas que me fazem impressão
Pessoas mais cultas do que eu discutirem quanto gastam num restaurante ou no S. Carlos.
02/07/2008
nome meu
Tenho um nome que não escuto
Que carrego no carrego das horas
Na chafurda dos dias mansos
Como os bois que calam e desistem
Tenho um passado que não oiço
Que largo no arrependimento
Como os nobres touros córneos
Mal passados depois da tourada
Tenho palavras que não conheço
Que falham, erram, resistem e insistem
Na pele de todas as raposas matreiras
Vestindo senhoras de índole e carácter
Tenho ponteiros que não vislumbro
Desfeitos enfeites feitos em preceitos
De lutas selvagens com galos em fúria
No chiqueiro sujo de capoeiras vazias
Tenho olhos que não sabem sonhar
O vagar lento de intento dos imbecis
Cobridores com o cio de pavio frio
Pavões errando na urbe da parvónia
Tenho um corpo que não deseja
Espaço estático de estética orgásmica
Não quero mijar em todos os cantos
Marcar territórios que não procuro
Tenho um nome que não dizem
Ainda bem.
The Stone Roses
I Wanna Be Adored
I don't have to sell my soul
He's already in me
I don't need to sell my soul
He's already in me
I wanna be adored
I wanna be adored
I don't have to sell my soul
He's already in me
I don't need to sell my soul
He's already in me
I wanna be adored
I wanna be adored
Adored
I wanna be adored
You adore me
You adore me
You adore me
I wanna, I wanna
I wanna be adored
I wanna, I wanna
I wanna be adored
I wanna, I wanna
I wanna be adored
I wanna, I wanna
I gotta be adored
I wanna be adored
felicidade
Dizem que construir a felicidade dá muito trabalho, mas a infelicidade também não dá pouco.
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