24/01/2009

coisas sérias ou isso

Fotografia: Mafalda Paiva
Grafismo: Paulo Paiva

23/01/2009

continuando aparvalhar

Podia falar do nosso querido Marinho de cognome o bochechas e aquilo dos casamentos e aleitamentos, podia falar da subida do spread (tás morto e bem morto tás é mal enterrado) ou ainda do árbitro que vai beneficiar o Glorioso daqui a mais uns minutos (cada expirro penalty para o SLB e muito bem). Mas quero lá saber disso tudo, sou bonito, mesmo bonito, o azar é que é lixado já parti 2 espelhos.

virgem - o perfeccionista

Recebi este email hoje, não os costumo abrir, mas hoje calhou. Ainda bem, parece que sou isto tudo em especial as duas em evidência e leal também, pelo menos no nome. Umas horas atrás uma amiga dizia que eu estava mesmo bonito, que não um boi (espero eu). Agora vou ali partir um espelho para ter mais uns anos de azar, sete é pouco. Dominante em relações. Conservador. Quer ter sempre a última palavra. Argumentativo. Preocupado. Muito inteligente. Antipatiza com barulho e caos. Ansioso. Trabalhador. Leal. Bonito. Fácil de falar. Difícil de agradar. Severo. Prático e muito exigente. Frequentemente tímido. Pessimista. 7 anos de azar se você não remete.

21/01/2009

australia

Os primeiros minutos do filme Australia, até arrancarem com o gado, são desastrosos. Depois de uma pequena introdução muito boa o filme descamba numa série de acções precipitadas onde até a bonita Nicole Kidman desilude, talvez falta de jeito para fazer de aristocrata inglesa, quando salta para cima do cavalo e começa a sujar-se o filme ganha outra dimensão, e ela também. Tirando os primeiros minutos, uma realização segura mas aqui ou ali um pouco atabalhoada, com vários finais falhados Baz Luhrmann não atinge com esta saga a qualidade de contador de histórias sentimentais como tinha conseguido em Moulin Rouge, embora eu seja suspeito para falar do Moulin Rouge devido a uma relação muito pessoal que tenho com este filme.

tudo isto é triste

Ontem tive de ir a Belém tratar de uns assuntos ao Cenjor, enquanto bebia um café na tasca em frente, um velhote meteu conversa comigo e com o meu irmão. Desde o Obama, que dava na TV, a guerra colonial até aos impérios Grego, Romano e sei lá que mais, foi um rol de estórias, daquelas de café mesmo. Mas, no meio da confusão estilística, este Sr. disse uma grande verdade, que foi esta: sou português porque sou obrigado. Eu ri-me, porque sinto o mesmo, o meu pai sempre sentiu p mesmo e, pelos vistos, faz parte da nossa condição porque outros também o sentem. Triste fado este. Amália Rodrigues Tudo isto é fado

19/01/2009

vida de parvos

Sitiados Outro Parvo no Meu Lugar Nascido no mesmo ano que eu, a memória que guardo do João Aguardela era a simplicidade mas, sobretudo, aqueles olhos azuis com vontade de comer o mundo.
Será que ceguei e parei, perdendo o nexo do que quero, desistindo de tudo o que espero e do querer que sempre acreditei? Será o tempo que não faço, as palavras que não escrevo e digo, o espaço por onde me perco e fico, um esboço que já não traço? Será que acomodei e deixei, toda a imaginação que fui e quis toda a vontade que fui e fiz e todas as ideias que pensei? Será um caminho perdido, o traçado de um destino obrigado, a evidência de um triste fado, uma realidade crua e sem sentido? Será que encerrei e fiquei, sem a força que pensava e fazia, sem o confronto que era e queria e todo o verso que disse e achei? Será uma metáfora falhada, que trespassa o vazio que é a vida, a angústia duma batalha não vencida, o desespero da derrota anunciada? Será que ceguei e parei, que não sei o que sou e tenho? Será que encerrei e fiquei, que não sei para onde vou ou donde venho? Será que arrumei e deixei, tudo o que queria e amei? Será? José Paiva

esteve nos nossos olhos

Este texto Não está nas nossas mãosa> no insónia, fala de quase tudo o que a excelente representação de Brad Pitt nos deixa ver. Independentemente dos efeitos e do absolutely, os silêncios, as expressões, os timings, o ritmo da velhice nova e da juventude velha, tudo nele pareceu-me perfeito. Quem olha para o personagem, mais do que ver que não está nas nossas mãos (neste caso das dele), Pitt deixa que isso se perceba com uma naturalidade que me impressionou. Apesar de ter gostado, preferia ver este filme realizado pelo Paul Thomas Anderson.

17/01/2009

O Estranho Caso de Benjamin Button

O absolutely com que Brad Pitt responde a Cate Blanchett quando esta lhe pergunta se ele quer dormir com ela encerra uma vontade tão grande que, só por si, vale o filme e já agora um Oscar para o Pittozinho.

esquecidos ou quase 10

The Men They Couldn't Hang Ghosts of Cable Street The Colours Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6 esquecidos ou quase 7 esquecidos ou quase 8 esquecidos ou quase 9

15/01/2009

É verdade, tive pena de não conhecer pessoalmente o Henrique, fica para a próxima, tenho de voltar a Coimbra dia 16 de Março.

14/01/2009

Viagem(zinha) na minha terra

Existem lugares assim, onde, apesar do tempo que passe sem lá voltar, me sinto em casa. Além da minha Almada/Lisboa, também Mamaroneck http://www.village.mamaroneck.ny.us/Pages/index , Maputo e Vieira de Leiria fazem parte deste lote acolhedor, e se nesta última passei muitos dias de férias na minha infância e adolescência durante vários anos seguidos, em Mamoroneck estive cerca de 1 ano e em Maputo apenas uns dias. Desta forma simplista, deduzo que este sentimento não é uma questão de quantidade mas de química, por exemplo, locais onde estive mais tempo como Londres, Recife ou Sion pouco me disseram, aliás os meses que passei na capital inglesa chegaram a ser penosos, apesar dos teatros, monumentos, exposições, da música e tudo o mais que ali encontrei. Nesta pequena viagem até Coimbra, com passagem pelas Caldas da Rainha, Marinha Grande, Vieira de Leiria e Monte Real, encontrei alguns exemplos típicos do que é o Portugal de hoje, auto-estradas com 3 vias onde raramente se vê um carro (A17), muita construção desordenada (praia da Vieira) e completamente às moscas, a perda quase total das tradições e um pseudo-desenvolvimento plástico tipo Tupperware de quarta categoria, em que na única vez que precisei de uma indicação, já na cidade dos Doutores, o analfabetismo prático veio ao de cima. A minha namorada dizia, estás a chegar lá por intuição, pois são os anos de hábito a perceber o imperceptível, e cheguei. É este o País que chama seniores aos seus velhos, acabei de ver agora num anúncio. O meu velhote diz que prefere ser júnior porque mini, infantil ou ainda iniciado já seria pedir demais. É o mesmo País em que o multibanco do tribunal de Setúbal foi, pela terceira vez, assaltado e o Juiz Presidente diz que não existe segurança alguma no edifício. Para quê Sr. Juiz? Vem aí mais auto-estradas, TGV's que não o shot, mundiais de futebol e bandeirinhas de orgulho nacional. E agora para algo verdadeiramente diferente, a minha prima de Vieira (padeira) recebeu-me com uns grandes camarões fritos e uma jardineira de galo que alimentou a broa de milho que eu também provei e aprovei com queijo, tal como o galo que, apesar de tudo, sabia a galo e não a broa, tudo regado com um tinto muito bom da Cartuxa. De manhã, pequeno-almoço com pão acabado de sair do forno, logo seguido de um almoço com costeletas de novilho que mais pareciam a vaca inteira e outro alentejano que não fixei o nome mas melhor que o da Cartuxa. Por fim, em Coimbra, um leitão delicioso e um ananás para regressar com a alma aconchegada. Nem tudo é mau, principalmente porque não engordo.

11/01/2009

arejar

Amanhã vou até Vieira de Leiria, local onde costumava passar férias na minha infância e espero passar nas Caldas de caminho, terça trato de assuntos importantes em Coimbra, cidade onde já não vou há anos mas que gosto sempre de visitar. Quarta estou de volta, apesar de curto ver se dá para arejar.
Faço o mundo em orações sempre subordinadas. Tudo o resto são morfologias e sintaxes imperfeitas, pontuações incertas, inconstantes e imprecisas, figuras de estilo ou recursos estilísticos sem recursos. A estas folhas de faltas fátuas submeto-me, só, subordinante branco alvo, alvo de paz dissonante, discordante desarmonioso de palavras que desconstruo. Assim, neste Latim donde venho vejo-me Grego, qual Pessoa ou Kavafis, nesta Odisseia, que não sou. E tento, muito, aprender apreendendo o todo que posso, recomeçando, sempre, de um nada pesado para um nada carregado que sei que sou que sinto. E o erro é o certo centro da cegueira neutra do zero, implacável fardo calçado nas costelas do raciocínio, reiteração alegórica, absurdo hiperbólico desesperado. Nesta nulidade que sou, recomeço da nulidade que fui para a que serei, sem esquecimento que a razão não deixa, o trilho cansa. O todo que posso pesa e, tento, muito, descansar. Procuro o meu eido ermo, onde em silêncio me deito. Aparto as sombras, todas, os desejos que não sei que tenho, os palácios que construo, as aventuras que desconheço, a brisa leve que amo, as notas que desafinam e os barcos que perco. Calo todas as palavras que são frases que quero verso em prosa, todas as metáforas que são estrofes sem poemas, e todas as virgulas, interrogações, reticências e pontos, que pontuo confuso na confusão da minha incerteza. Em silêncio desfaço-me, qual livro branco desnudo-me e deito-me. Desvanecendo desvaneço-me nesta aurora entardecido. Replico provas, provadas em prosas arcaicas, de incapacidades sinceras, mendigo recomeços falhos. E, também, silêncios escusos, escuros, de sombras e palavras. Harmonia de contradições contrapostas de mim por mim para mim, assim, sem fim, sem arte, sem Outono, sem chuva, sem som, sem céu, sem orações, sem subordinante. Só, subordinado figurativo que figuro, tombo em sintaxes erradas, em paradoxos sem resolução, ironia imutável que interpreto. Neste palco, capitulo desvanecendo-me, destoado sem sorte. O mundo é esta roupa que visto e me cai mal. É Inverno, em mim também, frio que tenho que sou, geada gélida gelando o gelo que sulca a vida, aflora a pele e entra penetrando carne dentro, num encontro interior de glaciares, orgia de frio nas entranhas. Como as árvores despidas, tolhidas pelo Inverno frio que sei que faz que sinto, qual folhas caídas, dispo esta roupa, que é o mundo que dói, e suporto esta existência nula. Resignado estou a esta sensação de gelo que a razão e a epiderme obrigam-se a suster. Exposto, nu, vazio, cansado, submisso ao tédio que o frio não apaga. Assim, vou respirando ao acaso de uma pontuação irregular, feita de geadas e Invernos frios, ou, como no início deste desacerto, de desassossegos e ânsias sem vento, mas também de paisagens e pensamentos, de silêncios e sensações, e sonhos claro, sempre os sonhos, todos os sonhos, os que transbordam e os que ficam, neste tédio que sou. Está frio, com o dedo desenho espirais sem nexo nesta minha janela embaciada pela humidade gelada, em voltas alheias apago o orvalho e, no vidro, vejo uma sombra, a minha janela sou eu.

09/01/2009

frio

Parece que algumas pessoas andam contentes com a hipótese de nevar em Lisboa, eu passo. O tempo que passei em NY foi suficiente para ficar farto de nevões, como se não bastasse o frio, acordar 1 hora antes e desenterrar o carro para chegar a horas ao trabalho não é muito agradável. Por mim, a poesia da neve esgota-se num qualquer quadro que não me enregele os ossos.

08/01/2009

apesar do frio

Vivo sempre numa espécie de céu, não um paraíso aborrecido com tudo muito lavadinho e cheio de anjinhos, mas num céu muito meu. Apesar das desilusões constantes, de algumas tristezas mas nunca depressões nem tendências suicidas, chego a um ponto em que me rio de tudo. Nunca fui muito dado a espantos, mas sempre, estupidamente, esperei o melhor de alguns outros, apesar de saber que é estúpido vou continuar a esperar esse melhor. Parece que afinal tenho alguma fé e, se virmos bem, viver de outra forma deve ser ainda mais estúpido. Já viram como o céu até está bonito hoje, apesar do frio, parece aqueles olhos azuis onde me fiquei a meditar. Black Wonderful Life

06/01/2009

meditando

Ontem conheci uma mulher gira, para aí na quarta ou quinta frase, talvez terceira, já me dizia que era meditista, acho que era isto meditista (de meditação). A minha cara foi a mesma como se me tivesse dito que era lésbica e ela e a namorada queriam ir para a cama comigo, ou seja de espanto e ao mesmo tempo interesse, nunca neguei à partida ciências que desconheço. Acho extraordinária esta capacidade que algumas pessoas têm de se identificarem ou afirmarem ou sei lá o quê, se virmos bem teríamos um mundo melhor, por exemplo. - Olá o meu nome é Joana e sou católica. - Prazer, João, eu sou parvo. ou - Nuno, bom dia eu sou nazista. - Olá querido, Xiquinho e sou homossexual. ou, - Boas, sou a Francisca e sou vegetariana. - Sim Francisca que giro, o meu nome é Dina e sou comunista, como criancinhas. ou ainda, - Olá sou o n e não sou nada. - Eu sou a Rosa e sei que sou fodida e vou dar-te cabo da cabeça. Bem pelo menos tudo seria mais claro, agora vou meditar nos olhos azuis da moça. MEDITATION MUSIC Feng Shui- Kokin Gumi - Zen Garden

05/01/2009

arejar

Depois, olho para cima por baixo da razão e caio a pique, lembro as nuvens que não consigo ver que, densas e longínquas, sei que voltam com o mesmo vento que partiram. Mas, por enquanto, fico-me só um pouco mais, esqueço o vento nesta brisa que tenho, esqueço tudo e as nuvens também. Abandono-me e tento descobrir as cores, todas as cores que trazes nos olhos e as raízes que são teus pés, os sons todos que fazes nos cheiros que dizes, o tempo que deixaste neste pensamento e o desejo de querer entender-te. Nesta Primavera, agora já florida, vagueio na luz dourada que já não falha, intermitente, e nas estrelas que as nuvens, longínquas, deixam ver. Vejo as folhas que, levemente, se abraçam a esta claridade e percorro a constância e o calor que me dá, solto a razão, tento chegar-vos e dizer-vos baixinho, todas as coisas e lugares, todos os pensamentos e segredos, todas as derrotas e faltas, todos os sonhos e ausências, toda a paz e a vida, toda a luz e a morte, e abraçar-vos na eternidade que vislumbro.

coisas que me fazem muita impressão

Membros do Hamas matam os líderes da Administração da Fatah (OLP) em Gaza. Ter o poder de ser diferente e não conseguir na relação de Israel com os bárbaros de cima.

coisas que me fazem impressão

Os finais de ano são muito férteis em listas, estrelas e pontuações das obras, sejam elas música, cinema, literatura ou outra, curioso que nunca vi tal para escultura ou pintura, não sei se existe mas eu nunca vi, nunca percebi estas classificações. Também me parecem estranhas algumas polémicas como se se canta em português, inglês, chinês ou noutra língua qualquer, tal como as histórias dos melhores e por aí fora. Nunca o consegui fazer, comecei a ouvir música e a ler muito novo, por volta dos 11 anos, o cinema também entrou cedo na minha vida, mas nunca consegui pensar, este livro vale 2 estrelas e aquele cinco. O que garante a quem pontua que na semana seguinte ou no mês seguinte não daria mais ou menos estrelas. Já gostei mais de reler do que de ler, existem discos em que entro lá para a quinta audição, filmes há que gosto muito a primeira vez e depois nem por isso, poderia continuar mas como exemplo, até porque já deve ter acontecido a todos, penso que chega. Assim, parece-me um festival da canção intelectual, mas o problema deve ser só meu.