26/01/2009
o abismo
Por volta dos 9 anos veio parar às minhas mãos uma guitarra, comprada pelos meus pais para o meu irmão mais velho, pouco depois, fui eu que comecei a dar-lhe mais uso, Naquela idade, ouvir o meu irmão a tentar tocar com os amigos clássicos como Smoke on the Water, Wish you Were Here ou uma versão de rua, se assim posso chamar, do Starway to Heaven, era algo diferente. Comecei, então, a ouvir música de uma forma quase obsessiva, com o meu pai conheci os Beatles, os Beach Boys, Leonard Cohen, o José Afonso, com os amigos Pink Floyd, Clash, U2 entre outros, na rádio ouvia-se new wave. Assim que aprendi 3 acordes, comecei logo a fazer músicas, com letras e tudo ou qualquer coisa parecida, nunca tive grande paciência para tocar os tais clássicos, aprendia depressa e esgotava-se o interesse.
No ano seguinte, estava eu a brincar na rua, quando aparece o meu irmão com a trupe mais velha e dizem-me que nessa noite, exactamente nuns montes onde por vezes ia jogar à bola com o Figo e outros amigos de infância, tocavam os GNR e os UHF, numa das muitas festas da amizade que o PCP fazia pelo país. Nunca tinha visto um concerto de rock, nessa noite, com a ingenuidade própria do tamanho, fiquei perplexo. A potência do som, as luzes, os cânticos do público, a verdade (verdade porque estava a ver, ouvir e, sobretudo, sentir), a entrega, deixaram-me ainda mais maluquinho pela música. A partir daqui queria conhecer tudo, ouvir tudo, aprender tudo. Nessa noite construi um sonho, tinha de levar a minha guitarra com os 3 acordes e mais aquela espécie de letras para um palco.
Felizmente, 2 anos depois, o meu pai foi trabalhar numa gráfica que fazia livros para a Assírio & Alvim, o saudoso Manuel Hermínio Monteiro oferecia-nos livros, assim passei dos Cinco e dos Sete para Boris Vian, Tennessee Williams, Kafka, Fernando Pessoa, que me ajudaram a passar a espécie de letras para letras com alguma espécie, qualquer que fosse.
Demorei 7 curtos e bons anos, entre aulas de música (pagas com o dinheiro do passe-social que o dinheiro não dava para tudo), ler muito e fazer canções, a realizar esse sonho. Foi no dia 16 de Março de um ano extraordinário, tinha 18 anos, tocámos de dia no mesmo palco onde iriam tocar os UHF e Xutos à noite, apesar do enorme nervosismo inicial tudo correu com a naturalidade de quem faz as coisas porque tem que ser. Na altura, tínhamos como referência bandas da chamada música independente, The Smiths, Loyd Cole, REM. Desde o começo até hoje, já disseram que a minha música era parecida com Beatles, Pink Floyd, Doors, U2, REM, RadioHead, VU, Violent Femmes (estes dois últimos foi estranho porque na altura ainda não os tinha ouvido). A disparidade destas opiniões nunca me chateou bem pelo contrário, que riqueza se fosse verdade, de qualquer forma desde que agarrei numa guitarra a motivação foi sempre fazer, criar, nunca recriar.
Neste caminho, sempre solitário mas não sozinho, nunca ganhei nada que não o prazer de fazer e de tocar com pessoas, foi uma forma de acompanhar uma solidão inútil e vazia e dar asas a uma inquietação inquietante que não me larga.
Por várias razões, uma segunda parte do sonho não se cumpriu, mas esse ficará para depois.
24/01/2009
talvez uma brisa
I
Aqui, agora, ausente, simplesmente fechado em mim
E nos meus sonhos
Onde existe toda a vida
Onde posso encarnar quem eu quiser
E até quem não quiser
Posso ser alguém ou então o vento, a água, o fogo
Mas nunca a mágoa
Posso ver-me em tons de azul ou negro
Posso sentir amor ou raiva
Posso ter o impossível
Posso ser tudo como a natureza!...
II
Sinto-me agora uma folha, verde, húmida, levada pelo vento
Onde me sossego vendo o mundo correr
Sinto-me agora um mar, imenso, revolto
Onde apaziguado me domino
Sinto-me agora uma chama, azul, púrpura
Onde aqueço a vida
Agora sou Platão e a caverna da ilusão
Agora sou Cristo submisso ao Pai
Agora sou um poeta soberbo
Agora sou nada como tudo isto!...
III
E como é importante este nada
Onde tudo o que me importa nasce
Onde a fantasia se torna realidade
Onde sempre a correr nunca me canso
Onde sem querer me desculpo
Onde sozinho me acompanho de todos
Onde existo sem existir
Onde se abre a alma, sossegando-me o espírito
Onde sonho todos os sonhos do mundo...
IV
Agora sonho-me uma vasta planície
Onde me perco no espaço
Agora sonho-me a pirâmide mais alta
Por onde penetro o céu
Agora sou alguém entre muitos
Onde me revejo
Se quiser
Agora sou tudo como o nada que é isto!...
V
E como é importante esta sensação
Onde sou tudo o que importa
Onde me sento a conversar com o homem mais sábio
Contando-me histórias que nunca imaginei
E fico feliz como uma criança
E posso rir inocentemente
E posso sentir com todos os sentidos sem me perder...
VI
Agora sou jovem, forte
Abraçando a vida
Agora sou velho, sabedor
Partilhando tudo o que aprendi
Agora sinto-me sem idade
Agora não sei o que é isto!...
VII
Talvez imagens, somente imagens
Que passam sem pedir licença
Talvez simples sombras
Que toldam a realidade
Talvez um reino que não existe...
VIII
Talvez ilusões, enganosas ilusões
Que enganam sem querer
Talvez uma chama
Queimando a vida...
IX
Talvez frustrações, irritantes frustrações
Que teimam em aparecer
Talvez um rio passando...
X
Talvez a vida, toda a vida
Que existe só porque existe...
XI
Talvez uma brisa soprando.
23/01/2009
continuando aparvalhar
Podia falar do nosso querido Marinho de cognome o bochechas e aquilo dos casamentos e aleitamentos, podia falar da subida do spread (tás morto e bem morto tás é mal enterrado) ou ainda do árbitro que vai beneficiar o Glorioso daqui a mais uns minutos (cada expirro penalty para o SLB e muito bem).
Mas quero lá saber disso tudo, sou bonito, mesmo bonito, o azar é que é lixado já parti 2 espelhos.
virgem - o perfeccionista
Recebi este email hoje, não os costumo abrir, mas hoje calhou. Ainda bem, parece que sou isto tudo em especial as duas em evidência e leal também, pelo menos no nome. Umas horas atrás uma amiga dizia que eu estava mesmo bonito, que não um boi (espero eu).
Agora vou ali partir um espelho para ter mais uns anos de azar, sete é pouco.
Dominante em relações.
Conservador.
Quer ter sempre a última palavra.
Argumentativo.
Preocupado.
Muito inteligente.
Antipatiza com barulho e caos.
Ansioso.
Trabalhador.
Leal.
Bonito.
Fácil de falar.
Difícil de agradar.
Severo.
Prático e muito exigente.
Frequentemente tímido.
Pessimista.
7 anos de azar se você não remete.
21/01/2009
australia
Os primeiros minutos do filme Australia, até arrancarem com o gado, são desastrosos. Depois de uma pequena introdução muito boa o filme descamba numa série de acções precipitadas onde até a bonita Nicole Kidman desilude, talvez falta de jeito para fazer de aristocrata inglesa, quando salta para cima do cavalo e começa a sujar-se o filme ganha outra dimensão, e ela também.
Tirando os primeiros minutos, uma realização segura mas aqui ou ali um pouco atabalhoada, com vários finais falhados Baz Luhrmann não atinge com esta saga a qualidade de contador de histórias sentimentais como tinha conseguido em Moulin Rouge, embora eu seja suspeito para falar do Moulin Rouge devido a uma relação muito pessoal que tenho com este filme.
tudo isto é triste
Ontem tive de ir a Belém tratar de uns assuntos ao Cenjor, enquanto bebia um café na tasca em frente, um velhote meteu conversa comigo e com o meu irmão. Desde o Obama, que dava na TV, a guerra colonial até aos impérios Grego, Romano e sei lá que mais, foi um rol de estórias, daquelas de café mesmo.
Mas, no meio da confusão estilística, este Sr. disse uma grande verdade, que foi esta: sou português porque sou obrigado. Eu ri-me, porque sinto o mesmo, o meu pai sempre sentiu p mesmo e, pelos vistos, faz parte da nossa condição porque outros também o sentem.
Triste fado este.
Amália Rodrigues
Tudo isto é fado
19/01/2009
vida de parvos
Sitiados
Outro Parvo no Meu Lugar
Nascido no mesmo ano que eu, a memória que guardo do João Aguardela era a simplicidade mas, sobretudo, aqueles olhos azuis com vontade de comer o mundo.
Será que ceguei e parei,
perdendo o nexo do que quero,
desistindo de tudo o que espero
e do querer que sempre acreditei?
Será o tempo que não faço,
as palavras que não escrevo e digo,
o espaço por onde me perco e fico,
um esboço que já não traço?
Será que acomodei e deixei,
toda a imaginação que fui e quis
toda a vontade que fui e fiz
e todas as ideias que pensei?
Será um caminho perdido,
o traçado de um destino obrigado,
a evidência de um triste fado,
uma realidade crua e sem sentido?
Será que encerrei e fiquei,
sem a força que pensava e fazia,
sem o confronto que era e queria
e todo o verso que disse e achei?
Será uma metáfora falhada,
que trespassa o vazio que é a vida,
a angústia duma batalha não vencida,
o desespero da derrota anunciada?
Será que ceguei e parei,
que não sei o que sou e tenho?
Será que encerrei e fiquei,
que não sei para onde vou ou donde venho?
Será que arrumei e deixei,
tudo o que queria e amei?
Será?
José Paiva
esteve nos nossos olhos
Este texto Não está nas nossas mãosa> no insónia, fala de quase tudo o que a excelente representação de Brad Pitt nos deixa ver. Independentemente dos efeitos e do absolutely, os silêncios, as expressões, os timings, o ritmo da velhice nova e da juventude velha, tudo nele pareceu-me perfeito.
Quem olha para o personagem, mais do que ver que não está nas nossas mãos (neste caso das dele), Pitt deixa que isso se perceba com uma naturalidade que me impressionou.
Apesar de ter gostado, preferia ver este filme realizado pelo Paul Thomas Anderson.
17/01/2009
O Estranho Caso de Benjamin Button
O absolutely com que Brad Pitt responde a Cate Blanchett quando esta lhe pergunta se ele quer dormir com ela encerra uma vontade tão grande que, só por si, vale o filme e já agora um Oscar para o Pittozinho.
esquecidos ou quase 10
The Men They Couldn't Hang
Ghosts of Cable Street
The Colours
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
esquecidos ou quase 7
esquecidos ou quase 8
esquecidos ou quase 9
15/01/2009
14/01/2009
Viagem(zinha) na minha terra
Existem lugares assim, onde, apesar do tempo que passe sem lá voltar, me sinto em casa.
Além da minha Almada/Lisboa, também Mamaroneck
http://www.village.mamaroneck.ny.us/Pages/index , Maputo e Vieira de Leiria fazem parte deste lote acolhedor, e se nesta última passei muitos dias de férias na minha infância e adolescência durante vários anos seguidos, em Mamoroneck estive cerca de 1 ano e em Maputo apenas uns dias. Desta forma simplista, deduzo que este sentimento não é uma questão de quantidade mas de química, por exemplo, locais onde estive mais tempo como Londres, Recife ou Sion pouco me disseram, aliás os meses que passei na capital inglesa chegaram a ser penosos, apesar dos teatros, monumentos, exposições, da música e tudo o mais que ali encontrei.
Nesta pequena viagem até Coimbra, com passagem pelas Caldas da Rainha, Marinha Grande, Vieira de Leiria e Monte Real, encontrei alguns exemplos típicos do que é o Portugal de hoje, auto-estradas com 3 vias onde raramente se vê um carro (A17), muita construção desordenada (praia da Vieira) e completamente às moscas, a perda quase total das tradições e um pseudo-desenvolvimento plástico tipo Tupperware de quarta categoria, em que na única vez que precisei de uma indicação, já na cidade dos Doutores, o analfabetismo prático veio ao de cima. A minha namorada dizia, estás a chegar lá por intuição, pois são os anos de hábito a perceber o imperceptível, e cheguei.
É este o País que chama seniores aos seus velhos, acabei de ver agora num anúncio. O meu velhote diz que prefere ser júnior porque mini, infantil ou ainda iniciado já seria pedir demais. É o mesmo País em que o multibanco do tribunal de Setúbal foi, pela terceira vez, assaltado e o Juiz Presidente diz que não existe segurança alguma no edifício. Para quê Sr. Juiz? Vem aí mais auto-estradas, TGV's que não o shot, mundiais de futebol e bandeirinhas de orgulho nacional.
E agora para algo verdadeiramente diferente, a minha prima de Vieira (padeira) recebeu-me com uns grandes camarões fritos e uma jardineira de galo que alimentou a broa de milho que eu também provei e aprovei com queijo, tal como o galo que, apesar de tudo, sabia a galo e não a broa, tudo regado com um tinto muito bom da Cartuxa. De manhã, pequeno-almoço com pão acabado de sair do forno, logo seguido de um almoço com costeletas de novilho que mais pareciam a vaca inteira e outro alentejano que não fixei o nome mas melhor que o da Cartuxa. Por fim, em Coimbra, um leitão delicioso e um ananás para regressar com a alma aconchegada.
Nem tudo é mau, principalmente porque não engordo.
11/01/2009
arejar
Amanhã vou até Vieira de Leiria, local onde costumava passar férias na minha infância e espero passar nas Caldas de caminho, terça trato de assuntos importantes em Coimbra, cidade onde já não vou há anos mas que gosto sempre de visitar.
Quarta estou de volta, apesar de curto ver se dá para arejar.
Faço o mundo em orações sempre subordinadas.
Tudo o resto são morfologias e sintaxes imperfeitas,
pontuações incertas, inconstantes e imprecisas,
figuras de estilo ou recursos estilísticos sem recursos.
A estas folhas de faltas fátuas submeto-me, só,
subordinante branco alvo, alvo de paz dissonante,
discordante desarmonioso de palavras que desconstruo.
Assim, neste Latim donde venho vejo-me Grego,
qual Pessoa ou Kavafis, nesta Odisseia, que não sou.
E tento, muito, aprender apreendendo o todo que posso,
recomeçando, sempre, de um nada pesado
para um nada carregado que sei que sou que sinto.
E o erro é o certo centro da cegueira neutra do zero,
implacável fardo calçado nas costelas do raciocínio,
reiteração alegórica, absurdo hiperbólico desesperado.
Nesta nulidade que sou, recomeço da nulidade que fui para a que serei,
sem esquecimento que a razão não deixa, o trilho cansa.
O todo que posso pesa e, tento, muito, descansar.
Procuro o meu eido ermo, onde em silêncio me deito.
Aparto as sombras, todas, os desejos que não sei que tenho,
os palácios que construo, as aventuras que desconheço,
a brisa leve que amo, as notas que desafinam e os barcos que perco.
Calo todas as palavras que são frases que quero verso em prosa,
todas as metáforas que são estrofes sem poemas,
e todas as virgulas, interrogações, reticências e pontos,
que pontuo confuso na confusão da minha incerteza.
Em silêncio desfaço-me, qual livro branco desnudo-me e deito-me.
Desvanecendo desvaneço-me nesta aurora entardecido.
Replico provas, provadas em prosas arcaicas, de incapacidades sinceras,
mendigo recomeços falhos.
E, também, silêncios escusos, escuros, de sombras e palavras.
Harmonia de contradições contrapostas de mim por mim para mim,
assim,
sem fim,
sem arte,
sem Outono,
sem chuva,
sem som,
sem céu,
sem orações,
sem subordinante.
Só, subordinado figurativo que figuro, tombo em sintaxes erradas,
em paradoxos sem resolução, ironia imutável que interpreto.
Neste palco, capitulo desvanecendo-me, destoado sem sorte.
O mundo é esta roupa que visto e me cai mal.
É Inverno, em mim também, frio que tenho que sou,
geada gélida gelando o gelo que sulca a vida,
aflora a pele e entra penetrando carne dentro,
num encontro interior de glaciares, orgia de frio nas entranhas.
Como as árvores despidas,
tolhidas pelo Inverno frio que sei que faz que sinto,
qual folhas caídas,
dispo esta roupa,
que é o mundo que dói,
e suporto esta existência nula.
Resignado estou a esta sensação de gelo
que a razão e a epiderme obrigam-se a suster.
Exposto, nu, vazio, cansado, submisso ao tédio que o frio não apaga.
Assim,
vou respirando ao acaso de uma pontuação irregular,
feita de geadas e Invernos frios,
ou, como no início deste desacerto, de desassossegos e ânsias sem vento,
mas também de paisagens e pensamentos,
de silêncios e sensações,
e sonhos claro, sempre os sonhos,
todos os sonhos, os que transbordam e os que ficam,
neste tédio que sou.
Está frio, com o dedo desenho espirais sem nexo
nesta minha janela embaciada pela humidade gelada,
em voltas alheias apago o orvalho e, no vidro,
vejo uma sombra,
a minha janela sou eu.
09/01/2009
frio
Parece que algumas pessoas andam contentes com a hipótese de nevar em Lisboa, eu passo. O tempo que passei em NY foi suficiente para ficar farto de nevões, como se não bastasse o frio, acordar 1 hora antes e desenterrar o carro para chegar a horas ao trabalho não é muito agradável.
Por mim, a poesia da neve esgota-se num qualquer quadro que não me enregele os ossos.
08/01/2009
apesar do frio
Vivo sempre numa espécie de céu, não um paraíso aborrecido com tudo muito lavadinho e cheio de anjinhos, mas num céu muito meu.
Apesar das desilusões constantes, de algumas tristezas mas nunca depressões nem tendências suicidas, chego a um ponto em que me rio de tudo. Nunca fui muito dado a espantos, mas sempre, estupidamente, esperei o melhor de alguns outros, apesar de saber que é estúpido vou continuar a esperar esse melhor. Parece que afinal tenho alguma fé e, se virmos bem, viver de outra forma deve ser ainda mais estúpido.
Já viram como o céu até está bonito hoje, apesar do frio, parece aqueles olhos azuis onde me fiquei a meditar.
Black
Wonderful Life
06/01/2009
meditando
Ontem conheci uma mulher gira, para aí na quarta ou quinta frase, talvez terceira, já me dizia que era meditista, acho que era isto meditista (de meditação). A minha cara foi a mesma como se me tivesse dito que era lésbica e ela e a namorada queriam ir para a cama comigo, ou seja de espanto e ao mesmo tempo interesse, nunca neguei à partida ciências que desconheço.
Acho extraordinária esta capacidade que algumas pessoas têm de se identificarem ou afirmarem ou sei lá o quê, se virmos bem teríamos um mundo melhor, por exemplo.
- Olá o meu nome é Joana e sou católica.
- Prazer, João, eu sou parvo.
ou
- Nuno, bom dia eu sou nazista.
- Olá querido, Xiquinho e sou homossexual.
ou,
- Boas, sou a Francisca e sou vegetariana.
- Sim Francisca que giro, o meu nome é Dina e sou comunista, como criancinhas.
ou ainda,
- Olá sou o n e não sou nada.
- Eu sou a Rosa e sei que sou fodida e vou dar-te cabo da cabeça.
Bem pelo menos tudo seria mais claro, agora vou meditar nos olhos azuis da moça.
MEDITATION MUSIC
Feng Shui- Kokin Gumi - Zen Garden
05/01/2009
arejar
Depois, olho para cima por baixo da razão e caio a pique,
lembro as nuvens que não consigo ver
que, densas e longínquas,
sei que voltam com o mesmo vento que partiram.
Mas, por enquanto, fico-me só um pouco mais,
esqueço o vento nesta brisa que tenho,
esqueço tudo e as nuvens também.
Abandono-me e tento descobrir as cores,
todas as cores que trazes nos olhos
e as raízes que são teus pés,
os sons todos que fazes nos cheiros que dizes,
o tempo que deixaste neste pensamento
e o desejo de querer entender-te.
Nesta Primavera, agora já florida,
vagueio na luz dourada que já não falha, intermitente,
e nas estrelas que as nuvens, longínquas, deixam ver.
Vejo as folhas que, levemente, se abraçam a esta claridade
e percorro a constância e o calor que me dá,
solto a razão,
tento chegar-vos
e dizer-vos baixinho,
todas as coisas e lugares,
todos os pensamentos e segredos,
todas as derrotas e faltas,
todos os sonhos e ausências,
toda a paz e a vida,
toda a luz e a morte,
e abraçar-vos na eternidade que vislumbro.
coisas que me fazem muita impressão
Membros do Hamas matam os líderes da Administração da Fatah (OLP) em Gaza.
Ter o poder de ser diferente e não conseguir na relação de Israel com os bárbaros de cima.
coisas que me fazem impressão
Os finais de ano são muito férteis em listas, estrelas e pontuações das obras, sejam elas música, cinema, literatura ou outra, curioso que nunca vi tal para escultura ou pintura, não sei se existe mas eu nunca vi, nunca percebi estas classificações. Também me parecem estranhas algumas polémicas como se se canta em português, inglês, chinês ou noutra língua qualquer, tal como as histórias dos melhores e por aí fora.
Nunca o consegui fazer, comecei a ouvir música e a ler muito novo, por volta dos 11 anos, o cinema também entrou cedo na minha vida, mas nunca consegui pensar, este livro vale 2 estrelas e aquele cinco. O que garante a quem pontua que na semana seguinte ou no mês seguinte não daria mais ou menos estrelas. Já gostei mais de reler do que de ler, existem discos em que entro lá para a quinta audição, filmes há que gosto muito a primeira vez e depois nem por isso, poderia continuar mas como exemplo, até porque já deve ter acontecido a todos, penso que chega.
Assim, parece-me um festival da canção intelectual, mas o problema deve ser só meu.
03/01/2009
qual crise?
O jornal da SIC das 13 horas foi confrangedor, começou com uma tragédia em Ferreira do Alentejo que, afinal, foi só um acidente parvo, o jornalista da reportagem era mau de mais para ser verdade numa notícia já de si muito má.
Depois um rol de banalidades, por volta do quarto de hora a Palestina como se fosse outra banalidade logo seguida de uma série de crises, da Chrysler, da aviação e mais umas quantas, tantas que o meu puto até perguntou porque é que só usavam a palavra crise. Porque são parvos disse, antes de começar a explicação a sério.
Depois o inevitável desporto e desisti, vim ouvir música e tentar ler qualquer informação decente.
01/01/2009
a crise é mesmo grande
Acabado de acordar, ainda oiço que o Roman Abramovich não sabe se vai vender o Chelsea ou o iate, notícia muito importante dos últimos 3 dias, ainda por cima logo a seguir a uma com reformados a dizer como não vivem com 300 €.
Chatice, a crise de 2009 é mesmo grande.
31/12/2008
bom 2009
Para 2009, aconselho pessoas como o HMBF do insónia, o João Lopes do Sound$Vision, o Pedro Mexia do estado civil entre outros, a entregar os respectivos teclados ao génio das prosas do Pacheco Pereira no abrupto e aos "ressabiamentos" com estilo do João Gonçalves no portugal dos pequeninos.
Xutos & Pontapés
Sou Bom
banda sonora para as 00 h
The Beatles - Helter Skelter
Jimi Hendrix - Voodoo Child
Sex Pistols - Anarchy In The UK
Nirvana - Smells Like Teen Spirit
Metalica - Enter Sandman
Rage Against the Machine - Killing in the Name
entre outras...
30/12/2008
doente, quem?
Ontem revi os momentos Tumba dos Gatos Fedorentos, passando a piada da primeira vez, desta vi-me a pensar na amplitude de tais programas.
João Lopes no soun&vision tem alertado, muito bem, para a primazia do discurso novelesco "...com a formatação das narrativas e normalização dos olhares todos os dias decorrentes do domínio totalitário das telenovelas...", cada vez mais imbecil e vazio de conteúdo narrativo e até de imagem, cenários sempre com muitas cores e a transbordar de uma falsidade arrepiantes.
Mas que se pode esperar de uma geração que já cresceu e foi formada em momentos fascinantes como os que vimos nos Tumba, desde o big show sic ao muita louco até aquele momento mágico com o ícone da cultura que é o Toy.
Quando apareceram as tv's privadas passou a valer tudo, o resultado está aí, seja no jornalismo das gripes e outras desgraças, seja nos conteúdos culturais ou colturais.
Agora vou ali ver se apanho uma gripe, que está a chegar o pico da doença e não tenho nem uma gota no nariz.
29/12/2008
hipocrisias
Nesta hipocrisia em que vivemos, o que eu mais gosto são as pessoas que não tratam dos seus pais, avós e até filhos, mas gostam de falar, recriminar e aconselhar.
Quando se lembram de estar com eles é só beijinhos.
Só não digo para porem os beijinhos no cu porque os beijinhos no cu até são bons.
26/12/2008
mudar as cordas
Mudar as cordas sempre foi um frete para mim, mas até gosto de passar o óleo de cedro e ao som de Johnny Cash até escorre melhor, agora que o disco acabou deixo aqui uma.
Johnny Cash
Hurt
24/12/2008
boas festinhas
Contemporâneos
Salvem os Ricos
O RFF do hipocrisias indígenas que me desculpe o decalque, mas esta não podia deixar passar. Parece-me que aqui os contemporâneos atingem o máximo da crítica do que é o mundo de hoje e, ainda por cima, conseguem por-nos a rir por isso.
Vi quase todos os programas, mas esta tinha deixado passar e parece-me o melhor momento de todo um conjunto já de si muito bom.
Por isso boas festinhas que as festas estão caras e a crise é grande.
23/12/2008
que se lixe o árbitro, vivão os trenadores coltus
O treinador do Nacional é um tipo culto e engraçado, disse logo a seguir ao jogo o seguinte: claro que a subtracção de um jogador nosso dificultou, etc e etc (palavras difíceis)...
rapaz da sport tv: então e o lance polémico no fim do jogo?
treinador: sinceramente do lugar onde estava, com 22 jogadores à minha frente, não consegui ver e etc (mais palavras de cinco tostões como se dizia quando existiam tostões).
22 jogadores, então e a subtracção já não contando com o Moreira entre outros.
Depois ainda falou da mão do Nuno Gomes e que não era golo e mais não sei o quê. Não foi o Nuno foi o Miguel Vítor ó sinceramente subtraído pá.
Que é que se pode esperar de uma pessoa que ficou chateada com um sketch dos gatos fedorentos sobre a forma peculiar como este fala dos jogos.
errata
No post anterior referi o texto como pertencendo ao insónia mas não, era o estado civil do Pedro Mexia. Foi engano de simpatia, acho que já várias vezes demonstrei que o blog do hmbf é aquele pelo qual sinto uma maior afinidade, não conheço o Henrique pessoalmente, mas garanto que se passar pelas Caldas lhe faço uma visita à livraria e me identifico com um abraço se ele me permitir.
Posto isto, as minhas desculpas a todos pela troca, a porra da tesão deu-me a volta à cabeça.
22/12/2008
ainda a tesão
Bem f
Ele conta-me que uma mulher lhe disse: «eu gosto de ser bem fodida». Não sei se foi um statement, um clin d'oeil, um caveat ou qualquer outra coisa em estrangeiro. Sei que ele ficou como ficam os homens quando as mulheres usam linguagem reles: surpreendido, chocado e excitado. É verdade que, tirante o vocábulo, ela não disse nada do outro mundo. Toda a gente gosta de foder ou ser fodida, de preferência bem. A falta de manutenção ou o serviço deficiente já não são tolerados, especialmente pelas mulheres, que antes tinham de suportar o que lhes calhasse em azar. Hoje em dia uma mulher perdoa tudo a um homem, até violências e traições, mas não perdoa ser mal fodida. Abençoadas.
Texto de Pedro Mexia no estado civil
Na realidade, o que não se desculpa é a falta de vontade e dedicação no acto, no fundo é uma questão de tesão, seja homem ou mulher.
18/12/2008
2009
Nestes dias, tenho recebido votos de felicidade, sucesso, entre outras palavras mais ou menos bonitas, sucesso é muito feia por acaso.
Não se cansem, para o próximo ano só quero uma coisa.
Continuar com tesão.
Nirvana
Lithium
15/12/2008
Manoel de Oliveira
No meu último ano do curso de Ciências da Comunicação, farto de publicidade e, ainda mais, de jornalismo, optei por realização e produção de cinema. Num estágio final de três meses no Cenjor, tive de fazer um documentário.
Nas primeiras semanas, enquanto aprendíamos a editar, o formador, penso que o editor chefe da TVI, pôs-me a alcunha de Manoel de Oliveira, segundo ele os meus planos eram demasiado longos. Apesar de ser só uma brincadeira deu para constatar dos preconceitos que, até os profissionais do ramo, têm para com o cineasta.
A piada até esbarrou no facto de conhecer mal a obra do centenário realizador, quatro filmes apenas, e a minha indiferença traduziu-se em acabar a realizar o documentário sozinho, os meus colegas assustaram-se penso eu.
Por azar tive a melhor nota, mas o referido formador ainda me disse que o documentário era demasiado triste, como para mim demasiado nunca foi demais agradeci.
O pior é que fiquei com a sensação, quase certeza, que o rapaz nunca tinha visto um filme de Manoel de Oliveira.
12/12/2008
ainda o natal
O meu pai teve uma bela prenda de natal.
Como tem uma reforma bastante alta, cerca de 450 €, as finanças resolveram cortar 160 € devido a uma dívida, tudo bem quem deve tem de pagar, eu acho que ao Estado nem sempre mas enfim deve, deve.
O problema é que não deve, a referida dívida está paga e foi paga há mais de três anos, mais de 36 meses, mais de 1080 dias.
Muitos meses, dias, horas, minutos para entrar num sistema de computadores obsoleto e não foder o natal a uma pessoa, que mais do que a honestidade, se fartou e ainda farta de trabalhar (desde os 10 anos) para este estrume à beira mar plantado.
Sei que as finanças andam atrás das pessoas como os cães atrás de gatos, já era tempo dos gatos que não têm carros desportivos último modelo soltarem as garras e deitarem fogo a umas quantas repartições, principalmente a sede, porque parece que o problema é sempre na sede.
Entretanto, num pequeno negócio que ele tem em nome individual porque 450 € só dão para metade da prestação da casa, água, luz, etc, ou seja não chega para comer, faz umas vendas para umas escolas, como estas pertencem ao Estado, os serviços só pagam se a pessoa (empresa) não tiver dívidas, nem às finanças nem à segurança social. Para receber é preciso apresentar de 6 em 6 meses, não é ano a ano, é mesmo 6 em 6 meses uma declaração de cada instituição em como não existem dívidas. Tudo bem também, ele tem as declarações, o que só por si invalida a "estória" dos parágrafos anteriores mas, mas sei lá, como não sou nenhum Kafka não consigo fazer melhor, de qualquer forma tudo bem, não, tudo mal, porque o prazo das declarações expirou e era suposto terem renovado automaticamente, pois o meu pai tinha posto uma cruz para esse efeito mas nada.
Ou seja não só não recebe do Estado como ainda lhe gamam 150 € da reforma, por isso:
Viva o natal;
viva as finanças;
viva a segurança social;
viva Portugal, aliás portugal;
viva a Puta que os Pariu
e, principalmente,
viva o fogo nas sedes.
10/12/2008
o natal o lindo natal
Só saiu esta porcaria, não sei se a minha tia vai gostar, muito menos a professora
De ano para ano,
todos os anos segue em ritual.
São as luzes, os enfeites ou o engano,
do calor que queríamos,
talvez divino, talvez humano,
talvez esta cor não fique mal.
Compra, compra,
se não te serve dá, oferece.
Não tens notas ou moedas tens cartão,
ou inventas qualquer coisa,
que o comboio já está na estação,
se não entras ele vai e esquece.
Lembra, lembra,
não te deixes ficar, caminha.
Nesta paragem todos podem entrar,
mas vai cedo e prevenido,
que a lotação pode esgotar
e a entrada não se adivinha.
Perde, perde,
se não perderes não há pobres.
E queremos muitos pobres para ajudar,
ou uma coisa assim,
que fique bem e dê um ar,
de sentimentos puros e nobres.
De ano para ano,
todos os anos segue em ritual.
É a certeza da ilusão da esperança,
ou de uma vontade qualquer,
talvez uma mão, talvez a mudança,
que queres sempre e não só no Natal.
natal
Uma tia minha pediu-me um poema de natal, não sei bem para que efeito, o meu puto idem, para a escola, duas alunas de guitarra pediram-me para ensinar uma música de natal. Isto anda seco, ainda por cima com a hipocrisia que esta época representa mais seco fica.
Como é que se explica isto a quem não merece que lhes estraguem a festa.
05/12/2008
em stock
O Festival Super Bock em Stock foi uma desilusão, grande confusão para organizar o programa, salas esgotadas e duas delas manifestamente más para este tipo de evento, o Teatro Variedades e o Maxime, incluindo para os desgraçados dos técnicos de som.
Na primeira noite no São Jorge, vi uma Ladyhawke com uma banda muito bem ensaiada, um baterista muito bom, 2 ou 3 boas canções mas pouco mais. Do outro lado, no Tivoli, sala bonita e com boas condições, ainda cheguei com um José James em palco e para surpresa minha assisti a uma boa actuação de um jazz muito cool, pena o som demasiado baixo, dizia o técnico que não podia usar os compressores, só para a Santogold, coisa que achei estranho mas enfim. A dita, de santa tinha pouco, mas de diabo também não tinha nada, novamente algumas boas canções, mas a falta de músicos torna o concerto demasiado digital para mim, tenho a certeza que com uma banda seria bem melhor. Ainda fui ao Maxime para os El Perro del Mar, até consegui entrar sem dificuldade mas desisti, o som é muito mau nesta sala, conseguir sair é que foi mais difícil.
No segundo dia de festival comecei com a Lykke Li no Variedades, a sala não ajudou, mas não foi o que estava à espera, meio desiludido saltei para o Tivoli, pelo menos dá para curtir o espaço, e estava a cantar um Camelo, mais propriamente um Marcelo Camelo. O que faltava à Santogold aqui sobrava, oito músicos em palco, sendo que o guitarrista ao lado do trompetista persistia em estragar uma música muito bem feita e sobretudo sincera, com muitas das virtudes da boa música brasileira, mas, infelizmente, também alguns dos defeitos, mais uma vez o som boicotado, não consigo mesmo entender.
Por fim a banda onde depositava mais esperança, fruto de um bom recente disco, mas com os Walkman apanhei a desilusão maior. O som que faltava aos desgraçados das primeiras partes aqui sobrava e a banda não ajudava, muita tesão descontrolada, o rock também é isso, mas aqui não funcionou, além de alto o som estava embrulhado, só que vinha embrulhado dos próprios músicos, nas primeiras filas conseguia ouvir o som de palco. Diria que a vontade estragou um conjunto de boas e até muito boas canções.
Ainda fui ao Variedades, mas não consigo gostar dos X-Wife e ainda menos da sala, 3 músicas foram suficiente.
Parece que para o ano esta ideia um pouco parva de por as pessoas de um lado para o outro é para continuar, ainda por cima a pagar 40 € é que os sapatos não estão baratos.
01/12/2008
convergências
Gosto tanto quando os chamam de sectários enquanto arrumam a casa num piscar de olhos.
Uns gostam de convergências, outros gostam de fazer coisas como por exemplo, arrumar a casa assim, num piscar de olhos.
Gente mais sectária só pensa em trabalhar.
28/11/2008
digital e outras coisas
Daí a nostalgia. Faz-nos falta essa capacidade de inventar outros mundos que, no limite, nos devolvam o sabor da epopeia (veja-se ou reveja-se, justamente, O Rei Leão). Às vezes, até sentimos que o digital pode ser uma limitação: faz-nos falta a “imprecisão” dos traços desenhados pelas mãos humanas.
Texto integral de João Lopes no Sound & Vision
A questão do digital não se verifica apenas nas soluções precisas para o produto final, neste momento já existe uma geração de criativos e profissionais que cresceram, apreenderam e aprenderam somente esta técnica, ou seja, independentemente da técnica, o próprio pensamento já é digital. É aqui que reside o problema, pelo menos para quem estava habituado a uma forma de estar muito mais orgânica, não só nos processos de trabalho, mas, principalmente, no resultado final.
A rapidez dos métodos significa uma maior rapidez de pensamento que, mal gerida, torna-se inimiga de epopeias ou da capacidade de inventar outros mundos que não seja qualquer coisa rápida, barulhenta e, muitas vezes, vazia ou pouco mais que vazia.
Vi acontecer nas artes gráficas há cerca de 15 anos, na música pouco depois e no cinema logo a seguir. Muitos dirão que sempre existiu má música, filmes ou criações gráficas, é um facto, mas a questão aqui é toda uma mudança de mentalidade à qual dificilmente fugimos. Noto nos meus alunos de guitarra, nos miúdos do andebol que treino, nas bandas de bares que encontro por aí, aprendem e assimilam com uma rapidez impressionante, mas, de uma forma geral, são demasiado formatados, apesar do esforço que faço para procurarem outras soluções, imaginadas e criadas por eles, dificilmente saiem do previsto.
Cebola num macdonalds? Nem lhes passa pela cabeça.
Não pretendo com este texto criticar esta geração mas, por trabalhar bastante com crianças e jovens, tem sido algo com que me tenho debatido nestes últimos anos, até porque estou convencido que a criatividade, independentemente dos meios e da forma, existirá sempre.
27/11/2008
ao Nuno
de profundis
I
Navegando pelo mar, ausente,
perdido na razão contraditória de uma ficção real,
avisto uma paisagem que parece um sonho,
que me pertence.
Talvez?
Mas é imensa e real esta sensação,
de um lugar amplo onde o vento sopra,
acolhendo o corpo como um braço macio,
que penetra fundo,
envolvendo-o profundamente na confusão.
De repente, o mar cresce, atormenta-se,
baloiçando ainda mais a ténue convicção
desta imagem fantástica.
Raros são os momentos de tão pura harmonia,
em que os sentidos não são sentidos,
em que ser não é ser.
Ausência, total ausência.
Mas será assim?
Será possível?
No fundo é só um sonho,
o imaginário da ilusão
que inunda o corpo de sensações.
Mas depois há sempre um sinal qualquer
que estremece esta opinião...
Um pouco depois, vejo-me enrolado nas ondas,
mas já não estão revoltas,
simplesmente embalam-me, ternamente.
Eu confundo-me com o meu sonho,
se é que de um sonho se trata.
Súbito,
sem qualquer motivo,
afundo-me,
com tal rapidez que perco os sentidos.
Mas nos sonhos não se perdem os sentidos.
Acorda-se.
Estranho!
II
Que luz é esta que tudo ofusca
e não deixa ver nada,
estarei dentro da minha própria ilusão.
Que ausência é esta,
serei uma ilusão iluminada por uma clareza cega.
Mas lentamente começo a ver.
Que enorme alucinação!
Caberá tamanha alucinação dentro de um sonho?
Vejo um mundo de cristal
envolto numa grande bolha de água.
E eu perdido,
sem saber que caminho tomar,
mas noto não existirem caminhos.
Vagueio, vagueio sem sentido aparente...
Sem dar por isso,
encontro-me ao lado de pessoas
e parecem-me familiares,
mas não consigo distinguir feições.
Parecem demasiado envolvidas em algo.
Devagar começo a ver um pouco mais,
nesta claridade vislumbro alguma nitidez.
Parece que escrevem.
Canetas iguais à minha?
Porquê?
Estranho!
Apesar de confuso,
surge-me, nitidamente, a sensação
de que tudo é perfeito.
Desenrola-se tudo dentro de uma cadência
onde apenas a minha confusão diverge.
Que abismo é este?
Estarei dentro de mim?
Serei um estranho dentro de mim?
Entretanto, enquanto vagueio neste entendimento,
um mundo inigualável corre pelos meus olhos.
Como uma música de harmonias infinitas,
como um comboio vagaroso numa linha sem fim...
III
Desfilando calmamente,
como o comboio,
vejo pessoas, muitas pessoas,
com estranhas roupas,
parecem-me roupas antigas,
cada vez mais antigas.
Todas me parecem familiares,
as pessoas
e as roupas também.
Estranho!
Por fim,
apercebo-me que todas as pessoas
são imagens diferentes de mim próprio,
as caras, as roupas, os lugares.
O tempo é diferente,
mas sei que sou eu.
Apesar do total desentendimento dos sentidos,
reconheço, infinitamente,
o meu espírito dentro deste mundo.
Não sei se é sonho, ilusão
ou o que quer que seja,
mas o espírito vagueia,
ausente,
neste mundo
que não sei qual é.
26/11/2008
Esquizofrenia
Richey Edwards, dos Manic Street Preachers, foi, ao fim de 13 anos, declarado morto pelo tribunal. Esquizofrénico talentoso despareceu para não aparecer mais até hoje.
Infelizmente, sei bem o que é ter um esquizofrénico talentoso numa banda, quando partem a paz é maior mas a música não é bem a mesma.
Manic Street Preachers
Motorcycle emptiness
Para o Nuno com amor e saudade.
25/11/2008
hipocondriaco eu?
A hipocondria, do grego hypo- (abaixo) e chondros (cartilagem do diafragma), também conhecida por nosomifalia, é um estado psíquico que se caracteriza pela crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, preocupação e auto-observação constante do corpo e até as vezes, à descrença nos diagnósticos médicos.
A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo-compulsivo e à ansiedade.
Wikipédia
Se nunca pensei padecer de doenças graves, a morte não é coisa que acompanhe muito a minha vida, as únicas obsessões que tenho são aquelas duas que sabes, mas também se podem chamar desejo ou vontade. Também sabes que a minha orelha de abano sempre foi motivo de troça, mas que eu sou o primeiro a rir disso, raramente me vejo ao espelho e tenho uma crença quase absurda nos médicos, embora passem anos sem visitar um.
Ansioso sou bastante, mas tirando uma excepção em 39 anos, sempre foi essa ânsia que me fez andar, querer, desejar, fazer.
Hipocondriaco eu, porquê?
24/11/2008
quem pediu?
Vaticano "absolve" John Lennon
Artigo do ‘L’Osservatore Romano’ elogia a banda britânica The Beatles.
Chegou ao fim a Guerra Fria entre a Igreja Católica e um dos maiores grupos musicais de sempre.
Notícia do Correio da Manhã
Já vou dormir mais descansado e o John Lennon, a arder no inferno, também.
The Beatles
Bad Boy
22/11/2008
álbum colorido
Quarenta anos depois do álbum branco um álbum muito colorido, venham mais quarenta.
The Fireman
Electric Arguments
Nothing Too Much Just Out of Sight
Lovers in a Dream
Two Magpies
21/11/2008
Loverman
A propósito deste Loverman, faz 4 anos que vi esta versão ao vivo em New York. Grande versão e grande concerto.
De resto tudo na mesma Cause I am what I am what I am what I am.
Metallica
Ao acordar a minha voz é bela, nas duas primeiras frases da manhã atinjo os médios/graves com que sempre sonhei.
Em mim, até a voz que mais gosto é efémera.
Nick Cave
Loverman
There's a devil waiting outside your door
(How much longer?)
There's a devil waiting outside your door
It is bucking and braying and pawing at the floor
And he's howling with pain and crawling up the walls
There's a devil waiting outside your door
He's weak with evil and broken by the world
He's shouting your name and he's asking for more
There's a devil waiting outside your door
Loverman! Since the world began
Forever, Amen Till end of time Take off that
dress I'm coming down I'm your loverman
Cause I am what I am what I am what I am
L is for LOVE, baby
O is for ONLY you that I do
V is for loving VIRTUALLY all that you are
E is for loving almost EVERYTHING that you do
R is for RAPE me
M is for MURDER me
A is for ANSWERING all of my prayers
N is for KNOWING your loverman's going to
be the answer to all of yours
Loverman! Till the bitter end
While empires burn down Forever and ever
and ever and ever Amen I'm your loverman
So help me, baby So help me
Cause I am what I am what I am what I am
I'll be your loverman!
There's a devil crawling along your floor
There's a devil crawling along your floor
With a trembling heart, he's coming through your door
With his straining sex in his jumping paw
There's a devil crawling along your floor
And he's old and he's stupid and
he's hungry and he's sore
And he's lame and he's blind
and he's dirty and he's poor
Give him more
There's a devil crawling along your floor
Loverman! Here I stand Forever, Amen
Cause I am what I am what I am what I am
Forgive me, baby My hands are tied
And I got no choice No, I got no choice at all
I'll say it again
L is for LOVE, baby
O is for O yes I do
V is for VIRTUE, so I ain't gonna hurt you
E is for EVEN if you want me to
R is for RENDER unto me, baby
M is for that which is MINE
A is for ANY old how, darling
N is for ANY old time
I'll be your loverman! I got a masterplan
To take off your dress And be your man
Seize the throne Seize the mantle
Seize the crown Cause I am what I am
What I am what I am I'm your loverman!
There's a devil lying by your side
You might think he's asleep
but look at his eyes
He wants you, baby, to be his bride
There's a devil lying by your side
Loverman! Loverman!
19/11/2008
ainda o silêncio
A Maria João fez o favor de deixar esta delícia aqui, vão ver http://atrama.blogspot.com/2008/11/silncio.html, existe sempre alguém que explica melhor as coisas do que nós.
John Cage about silence
17/11/2008
silêncios
«Foram momentos exemplares. Desde logo porque, ao contrário dessa obscenidade a que já assistimos diversas vezes (inclusive em Portugal), o público respeitou o silêncio. Depois, porque quem comentava teve o elementar bom senso, também nem sempre prevalecente, de assinalar o facto, de seguida assumindo por inteiro o seu próprio silêncio (peço desculpa, mas não retive o nome do comentador). Finalmente, porque graças a uma dessas maravilhas que um directo pode proporcionar, o silêncio foi de tal modo avassalador que foi possível ouvir as gotas de chuva que caíam nas superfícies metálicas do estádio.
Para nossa desgraça existencial, a televisão pouco ou nada nos ensina sobre essa coisa nobre e difícil que é saber ouvir. O que aconteceu na abertura do Blackburn-Chelsea acabou por ser uma maneira singela, também ela simbólica, de resistir às vozes histéricas dos programas de “entretenimento”, ao alarido de alguns programas de debate em que todos se esquecem que a sobreposição de vozes é impossível de acompanhar e, enfim, aos sons violentos de muita publicidade. Não precisamos de ter vergonha de dizer que ouvir a chuva é uma arte esquecida.»
Texto integral no sound +vision
Há poucos dias acabei as obras no meu estúdio e a forma como tenho celebrado o fim de 5 meses de trabalho tem sido em silêncio.
Sento-me e sinto-me a olhar o que fiz.
Mais do que não passar som para fora, o que mais gosto neste meu espaço é o facto de não deixar passar ruído para dentro.
Assim, posso construir o meu mundo de sons mas, sobretudo, de silêncios, algo quase impossível nos dias de hoje.
14/11/2008
verdade e mentira
Penso que acabamos por viver sempre em verdade, acho a mentira um engano, porque na realidade, no fim, o que fica foi verdade, mesmo que se pensasse, soubesse, desconfiasse que fosse mentira.
Insónia: L' ENFER
clássicos
Hoje a falar com um amigo, ele dissertava sobre o clássico Gasganta Funda (assim escrevi, assim fica).
Não sei se este http://www.tlavideo.com/results/index.cfm?searchtext=CAUGHT%20FROM%20BEHIND&sn=3628&g=0&v=4
é um clássico, mas sempre foi o meu preferido.
Além disso teve mais sequelas que a Guerra das Estrelas.
13/11/2008
12/11/2008
07/11/2008
Gostava de desistir!
Deitar-me com as árvores sobre a terra
e parar, ficar quieto, totalmente estático.
Desistir de tudo sem contemplações,
de todos os pensamentos e movimentos
e, simplesmente, existir porque estou lá.
Como as árvores, firmes e robustas.
Gostava de desistir!
Confundir-me numa planície repleta de flores
e parar na mistura aleatória de cores.
Abandonando em cada pétala
tudo o que conheço e aprendi
e, simplesmente, existir em cada espécie.
Ser todas as cores da natureza.
Gostava de desistir!
Inserir-me deserto dentro sobre as dunas
e parar na imensidão do horizonte.
Sossegando o cansaço da gravidade,
de todas as recordações e enganos
e, simplesmente, existir no crepúsculo
que, breve, desponta todos os dias.
Gostava de desistir!
Afundar-me no oceano, ser uma onda
e parar na areia infinita de uma praia,
desaparecendo por entre cada pedaço
e também os desejos, os sonhos
e, simplesmente, existir em cada grão,
tornando-me o infinito que não se encontra.
Gostava de desistir!
Elevar-me ao céu sobre as nuvens
e parar, aconchegar-me nas várias formas,
perdendo todos os contornos que sou
e também o tempo, passado e futuro
e, simplesmente, existir no presente,
em todas as formas e contornos possíveis.
Gostava de desistir!
Perder-me no espaço com as estrelas
e parar nos braços ternos de uma lua,
desintegrando-se todo o corpo palpável
e também o espírito e a alma
e, simplesmente, existir na eternidade,
num ponto qualquer do universo.
Gostava de desistir!
Mas não sei.
os besouros
O Lourenço descobriu isto, ainda bem para ele.
It's All Too Much
E já que estamos numa de George esta vai para o meu Marinho, hoje à noite vamos tocar isto.
George Harrison
While my guitar gently weeps
políticos
Luís Amado diz na SIC notícias, referindo-se a Guantanamo, "...penso que irá acabar com esse pequeno tumor...".
Pequeno tumor?
Eu me penitencio em relação às gafes.
O meu pai, na sabedoria da idade, disse logo, não é ele que está a levar nos cornos.
06/11/2008
esquecidos ou quase 9
Nunca pensei por estes nesta rubrica, mas tendo em conta que telefonaram duas pessoas para a Radar a perguntar quem eram estes, estes aqui estão.
E se nesta rubrica tem caído não só mas quase só curiosidades, estes, para mim, são um pouco mais que uma curiosidade.
Escolham a versão que quiserem da música que provocou 2 telefonemas.
NEW ORDER
Blue Monday
HARDFLOOR REMIX
LIVE
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
esquecidos ou quase 7
esquecidos ou quase 8
coisas que me fazem impressão
Falar-se dos políticos e das campanhas, dando, em primeiro lugar, importância às falhas ou "gafes".
Pensava que o mais importante seria o projecto, programa, ideias, sei lá, qualquer coisas assim.
05/11/2008
música
Parece que há mais gente a render-se aos Wild Beasts ainda bem.
Aqui http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt/393840.html
USA
A vitória de Obama é fácil de entender, o que continuo sem perceber é como foi possível muitos dos eleitores de Obama terem ficado em casa na reeleição de W.
Seja pela cor ou por uma nova encarnação de JC na terra, qualquer destes me parece um péssimo motivo para começar a transformar o mundo.
Portanto, tenhamos fé.
Johnny Cash
I Am The Nation
04/11/2008
Depois de uma série de exames, que culminaram com uma desagradável endoscopia, parece que tenho uma gastrite do antro, coisa comum a 90% dos adultos. Nem um pouco de colesterol, triglicéridos, ácido úrico, nem um batimento cardiaco ao lado, nem uma úlcera, eczema, nada, tudo absurdamente saudável e normal, tal como a gastrite.
E um cirurgião para a alma não há?
Jeff Buckley
Eternal life
Eternal life is now on my trail
Got my red glitter coffin man, just need one last nail...
While all these ugly gentlemen play out their foolish games
There's a flaming red horizon that screams our names
And as your fantasies are broken in two
Did you really think this bloody road would pave the way for you?
You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel
Racist everyman, what have you done?
Man, you've made a killer of your unborn son
Crown my fear your king, at the point of a gun
All I wanna do is love everyone
And as your fantasies are broken in two
Did you really think this bloody road would pave the way for you?
You better turn around and blow your kiss hello to life eternal, angel
There's no time for hatred, only questions
What is love?
Where is happiness?
What is a life?
Where is peace?
When will I find the strength to bring me release?
Tell me where is the love in what your prophet has said?
Man it sounds to me just like a prison for the walking dead
Well I've got a message for you and your twisted hope
You'd better turn around and blow your kiss goodbye to life eternal, angel
fé
Dizes que não tenho fé, mas tenho.
Tenho fé que quando acabares de ouvir esta canção não irás dizer, esta música é triste.
Jeff Buckley
Hallelujah
02/11/2008
compreensão
A «compreensão» é um conceito admirável. Quando alguém diz que «compreende» já estuda discretamente as saídas de emergência. diz Pedro Mexia no estado civil.
Eu penso que poderá ser muito mais do que isso. Mas o que sei eu?
Falhar. Falhar sempre.
Falhar até que o falhanço fique desenhado da pele, no contorno das rugas, dos olhos, cavados na certeza de não ter desistido.
Nick Drake
Place To Be
When I was younger, younger than before
I never saw the truth hanging from the door
And now I'm older see it face to face
And now I'm older gotta get up clean the place.
And I was green, greener than the hill
Where the flowers grew and the sun shone still
Now I'm darker than the deepest sea
Just hand me down, give me a place to be.
And I was strong, strong in the sun
I thought I'd see when day is done
Now I'm weaker than the palest blue
Oh, so weak in this need for you.
31/10/2008
o que é uma grande canção
Smells Like Teen Spirit
Patti Smith
Tori Amos
Paul Anka
Ukulele Orchestra
talvez uma que até só com ferrinhos nos faça vibrar.
peixe:avião
Ainda não conheço o novo disco, 40.02, na totalidade, mas o que conheço não engana, muito bom.
peixe:avião
a espera é um arame
podem ouvir mais aqui,
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=224126066
29/10/2008
distrações e outras complicações
O meu amigo e produtor Kalle foi contratado para técnico principal dos Madredeus, como parece que andam numa grande azáfama a preparar 6 concertos em Lisboa até 15 de Novembro, lá vai o meu disco atrasar mais uns dias, logo agora que estava nas misturas finais. De qualquer forma, ainda bem para ele.
Entretanto, emprestou-me um disco de uma banda com que andou a trabalhar e que me tinha passado ao lado, ainda por cima tão perto de mim, Setúbal. Acabei de ouvir e, mais macaquinho de imitação ou menos, gostei bastante deste som.
Mazgani
Lay Down
Somewhere Beneath the Sky
contradições
João Gonçalves diz no Portugal dos pequeninos http://www.portugaldospequeninos.blogspot.com/
Existe um défice de confronto por cá. Por todo o lado, no poder, na oposição, nas televisões, pelos jornais, na literatura, entre blogues, etc., etc., nota-se aquele cuidado hipócrita em não ferir a susceptibilidade do Outro. O Outro - uma desgraçada invenção do divã freudiano e da "modernidade" - é a nossa cruz. Como o país é pequenino e toda a gente está mais ou menos comprometida com toda a gente, a amabilidade impede que as relações, públicas ou privadas, sejam adultas. Só a ruptura e a desmesura valem a pena. São um sinal de maturidade e de responsabilidade contra a trivialidade da vida quotidiana falsamente "animada" pelos amáveis de serviço. Por isso gosto de cães grandes e detesto caniches. Por isso não troco o mar por arbustos verdejantes e piqueniques com famílias felizes. Por isso ignoro a maioria das "figuras públicas". Qualquer "mulher-a-dias" que a minha insónia intercepta e que corre debaixo da minha janela às cinco da manhã atrás do primeiro autocarro para o trabalho, merece-me a consideração esdrúxula que não possuo pelos homúnculos do regime. Não conheço melhor libelo contra a amabilidade do que os famosos versos de Botto em homenagem a Pessoa, justamente um dos que, par delicatesse, perdeu literalmente uma vida que nunca chegou a ter. "Isto por cá vai indo como dantes;/O mesmo arremelgado idiotismo/Nuns Senhores que tu já conhecias/- Autênticos patifes bem falantes.../E a mesma intriga; as horas, os minutos,/As noites sempre iguais, os mesmos dias,/Tudo igual! Acordando e adormecendo/Na mesma côr, do mesmo lado, sempre/O mesmo ar e em tudo a mesma posição."
Qual contraditório (confronto), aquele que nos fode, aquele que assim que nos apanha de costas nos empurra, usando um eufemismo, para fora de qualquer espécie de argumento, sim porque em frente cala-se, ignora e despreza.
Apesar do nada que sou, também eu tenho em consideração a "mulher-a-dias". Mas a consideração também é dada no valor que se paga, quando era um pouco menos nada do que sou agora e tinha uma empregada, não procurei o mais barato e paguei sempre o que me pedia, quando tive uma empresa não andava a esgravatar o degraçado mais barato para me fazer o trabalho. Parece que anda por aí muita gente indignada porque o ordenado mínimo (que nome arrepiante) vai aumentar para a mágica quantia de 450€, essa fortuna para o povo gastar nos centros comerciais, ainda por cima não é na FNAC a comprar os livros que os contraditórios editam.
É que a consideração não é coisa para se ter da janela, mas sim com os pés na terra, só da janela parece-me assim, como direi, uma coisa de amabilidades.
28/10/2008
coisas estranhas
Não gosto de um nem do outro, mas isto até está bom.
Boss AC & Mariza
Alguem me ouviu
completamente esquecidos
Parece que está na moda, outra vez, o roque em português.
Iodo
Malta à Porta
Com o meu amigo Alfredo na bateria.
Roquivarios
Cristina
Com o meu amigo Jorge Loução na guitarra.
Quando tinha 11,12 anos, costumava ver estas duas bandas a abrir os concertos dos UHF, com os Xutos entalados no meio.
27/10/2008
incomunicação
A TVI não dá ponto sem nó, depois de uma boa reportagem sobre uma criança com uma doença rara, hoje de manhã enfia essa mesma criança num estúdio sujeita a um ambiente naturalmente hostil.
Tentam a todo o custo fazer a menina falar, repetem a mesma história até à exaustão, conseguem por a mãe a chorar, facto que não me apercebi de ter acontecido na reportagem e, como corolário, os pseudo-apresentadores dizem que não podendo resolver o problema, podem, pelo menos, dar uma ajuda ou ajudazita.
Sabem qual foi, a fabulosa quantia de 1000 euros.
Se fossem bardamerda como dizia o meu avô e fossem explorar o cultivo de uvas em marte.
Bem esteve a menina, indiferente a esta palhaçada, mas isso deve ser o peso dos 70 anos num corpo de 10.
24/10/2008
esquecidos ou quase 8
Não são as minhas preferidas mas não encontrei outras.
Mler if dada
Zuvi Zeva Novi
Dance Music
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
esquecidos ou quase 7
23/10/2008
alma, culpa e outras confissões
"Uma alma que fosse posssível considerar responsável por todo e qualquer acto cometido teria de levar-nos, forçosamente, a reconhecer a total inocência do corpo, reduzido a ser o instrumento passivo de uma vontade, de um querer, de um desejar não especificamente localizáveis nesse mesmo corpo. A mão, em estado de repouso, com os seus ossos, nervos e tendões, está pronta para cumprir no instante seguinte a ordem que lhe for dada e de que em si mesma não é responsável, seja para oferecer uma flor ou para apagar um cigarro na pele de alguém." aqui http://caderno.josesaramago.org/
Um amigo meu dizia-me, (se não me engano a propósito de "gajas") tu é que tás bem, não sentes a culpa, isto por eu não acreditar em Deus, nem no sentido de culpa cristã.
O que ele não sabia é que a responsabilidade e o respeito que sempre tentei ter para com os outros, não se absolve em confissões.
22/10/2008
knock on wood
Numa pesquisa que fiz na net, entre outras coisas, knock on wood deu o que vem aí em baixo.
Gostava de dizer que o nome do estúdio não tem nada com isto, mas até tem piada. Agora tenho de arranjar uma bola de espelhos.
Amii Stewart
KNOCK ON WOOD
a minha marca amarela
livros
Aí está um livro muito importante na minha vida A marca amarela. Quando se fala em livros mais importantes ou melhores, andamos sempre pelos clássicos e esquecemos o que nos ajudou a chegar lá.
Sigam este caminho,
http://abrupto.blogspot.com/2008/10/errata-com-blake-e-mortimer-george.html
20/10/2008
blogs
Estão aí duas moradas novas, a única real tradição viva e casario do ginjal, o primeiro dedicado aos surrealistas, o segundo fala de muitas coisas, mas principalmente do meu ginjal que, pelos vistos, também é do Luís Milheiro.
Este foi escrito no ginjal há anos que não lembro.
I
Não sei para onde vou
Sei aquilo que tenho
Mas sei também aquilo que não tenho
Olho o rio quase parado
Correndo lento para o mar
Sem força, sem chama
Revejo-me nesta imagem
E entristeço ainda mais
Sinto a minha vida parada
Ao menos o rio vai para o mar
Eu, não sei para onde vou...
Não sei para onde vou
Sei aquilo que sou
Mas sei também aquilo que não sou
Não sei para onde quero ir
Nem sequer sei se quero ir
O rio sabe para onde vai
E devagar chega ao mar
Aí transforma-se e fica alegre e pujante
Cheio de vida
Eu, não sei para onde vou
Nem sei onde vou chegar!...
II
Por vezes os rios têm pontes
As pontes são úteis
E por vezes bonitas
Os rios têm barcos
E todos os barcos são bonitos
Eu sei aquilo que tenho
E o que não tenho
Mas também nunca achei útil ou bonito
Os rios sabem onde nascem
Mas também sabem onde acabam
Eu, só sei onde nasci.
Por vezes a vida tem aventuras
As aventuras são úteis
E por vezes bonitas
A vida tem sonhos
E os sonhos são sempre bonitos
Eu sei aquilo que sou
E o que não sou
Mas também nunca achei útil ou bonito
Os rios acabam no mar
E o mar é vida
Eu, só sei onde nasci.
18/10/2008
jornalismo, jornalistas
"Que a esmagadora maioria da classe jornalística não reaja, todos os dias, a estes atentados aos seus valores mais genuínos, eis o mistério filosófico dos nossos dias televisivos.", diz João Lopes no Sound & Vision.
Quais? Quem? Onde?
Os que tem medo de perder o lugar, os que nunca conseguiram o lugar, os que estão no lugar, estes não serão de certeza e os outros quem os escuta.
E o pior ainda está para vir, que eu bem vi como eles eram feitos para o tal lugar. Na cadeira de Jornalismo e Poder, mais teórica em que era preciso pensar mais e com um bom professor para o efeito, as notas foram uma desgraça. Quem foi o culpado? O professor claro, que logo foi posto a andar porque os meninos não pagavam para chumbar.
Depois era vê-los brilhar no atelier em frente às câmaras.
17/10/2008
uma família
coisas que me fazem ainda mais impressão
No 5 dias leio uma discussão muita parva sobre Rucas e Pedros, famílias gays, adopções e por aí fora.
Tal como dos casamentos, gosto de quem adopta e não me interessa nada o que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.
16/10/2008
música
Algumas pessoas perguntam-me porque não escrevo mais sobre música, porque me limito a postar os telediscos sem mais enquadramento algum.
Sempre preferi gastar o meu tempo a ouvir e fazer música, quando o faço emprego todos os meus sentidos, começo pelo geral e percorro todos os caminhos, instrumento a instrumento, até aos pormenores mais ínfimos das canções.
Seria um chato a falar de música, além disso também escrevo, quando o faço, para me libertar das melodias, embora acabe por tentar fazer música com as palavras, enfim, no fundo é tudo uma questão de ar e já agora de oxigénio também.
De qualquer forma, aí ao lado existem pessoas que escrevem muito bem sobre música e da boa, mesmo que pareça filosofia, vejam era um redondo vocábulo 39, aproveitem para ler os outros 38.
coisas que me fazem impressão
Casamentos homosexuais.
Como já aqui disse antes, gosto de casamentos, portanto acho que todos deviam poder casar com todos, independentemente do que fazem na cama ou noutro lugar qualquer.
15/10/2008
No nascer do sol o Lourenço diz "...uma Nova Iorque impiedosa, invadida por provincianos e suburbanos a tentar escalar até um topo místico e completamente inacessível, opaco, preenchido por nova iorquinos de gema."
Antes como agora, se isto é verdade também não é mentira que NY é muito mais que isto.
e já agora mais isto, ao vivo no ano em que nasci
14/10/2008
Não há engano,
na tormenta voraz dos acontecimentos.
O que foi, o que é e o que irá ser,
não há desvios, paragens ou perspectivas abstractas.
O caminho, que é uma estrada já feita,
terá o tempo que o tempo precisa,
sem pressas, que o tempo tem os seus caprichos
e leva, sempre, o tempo que o tempo tem.
Não há engano,
no desbravar voraz dos sentimentos.
O que se quis, o que se quer e o que se irá querer,
não há curvas, atalhos ou certezas condicionadas.
O destino, que é um fado já cantado,
terá todo o espaço que o espaço precisa,
e, na vastidão, qualquer dúvida será varrida,
porque o espaço quer-se vasto mas limpo também.
Não há engano,
no tempo e no espaço que é só um.
Onde tudo o que foi dito, se diz ou virá a dizer
é, tão só, um ciclo de repetições constantes.
Nesta vida, que temos e fazemos,
o tempo que levamos leva-nos também
e o espaço que é nosso é aquele que conquistamos.
Resta-nos esperar que os enganos se vão apagando.
10/10/2008
esquecidos ou quase 7
XTC
Making plans for nigel (1979)
Senses Working Overtime (1982)
Dear God (1986)
The ballad of Peter Pumpkinhead (1992)
Esquecidos ou quase 1
esquecidos ou quase 2
esquecidos ou quase 3
esquecidos ou quase 4
esquecidos ou quase 5
esquecidos ou quase 6
07/10/2008
blogs
Isto dos blogs é realmente giro, Pedro Mexia diz no estado civil "Como acontece com frequência nos blogues, alguém teve a mesma ideia no mesmo dia e lembrou «It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)»." por causa de um post no corta-fitas http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2502769.html.
Já agora tinha tido a mesma ideia aqui Era bom era mais não vai ser, se não me engano por causa da crise do petróleo em Junho e com as mesmas imagens do estado civil e tudo.
Andamos todos ao mesmo, mas também como a minha crise já é antiga é normal que me lembrasse primeiro, azar o meu.
03/10/2008
do bom e do burro - texto de Maria João no insónia
Ultimamente tenho reparado que muita gente confunde as pessoas boas com pessoas burras, mas bom e burro não são sinónimos. Se formos verificar, no dicionário a palavra bom quer dizer de boa qualidade, que tem bondade e é sinónimo de virtuoso, vantajoso, próprio, agradável, útil, sadio, nobre, seguro e garantido. É claro que burro também começa por b, mas isso não quer dizer que o b de bom seja igual ao b de burro. Burro, segundo o dicionário é um nome vulgar de uns mamíferos perissodáctilos, da família dos Equídeos, menos corpulentos que os cavalos, mas com orelhas mais compridas; é sinónimo de asno, jumento e cavalgadura; também pode ser um jogo de cartas; e, finalmente, significa indivíduo estúpido e teimoso. Assim, no dicionário verificamos que estas duas palavras não são sinónimas, não surgem associadas, dai se deduz que uma pessoa boa não é burra, ou seja, estúpida e teimosa. Eu acho que por vezes o b de bom pode coincidir com o b de burro, mas isso é uma excepção que confirma a regra. O equívoco existe também porque muita gente confunde as pessoas boas com pessoas fracas. Ora fraco significa não ter força e é sinónimo de débil, frouxo, delgado, cobarde, pusilânime, debilitado, medíocre, brando, mau, reles, defeito, tendência, simpatia, paixão (estes últimos quando se tem um fraco por…), vício, predominante, balda. Assim, ser fraco não é coisa boa de certeza, também não sei se os fracos são burros, ou seja estúpidos e teimosos, não tenho a certeza, um indivíduo pode ser fraco apenas porque está doente, a doença nada tem a ver com a inteligência. Mas penso que a origem deste equívoco está no facto da bondade, o altruísmo, a generosidade, a partilha serem vistas com maus olhos no capitalismo selvático onde vivemos, sobretudo no mundo do trabalho que é uma psicose desenfreada, onde o individualismo, o egocentrismo, o egoísmo é sinónimo de forte no salve-se quem puder. Infelizmente, sinto que o sistema de mercado do salve-se quem puder também contamina e abrange não apenas o mundo do trabalho, mas outras áreas dos humanos. Verifico que essa contaminação está sempre presente na gente que confunde o b de bom com o b de burro. Acho, no entanto, que nunca nos devemos de esquecer que burro em italiano significa manteiga.
Com as orelhas de burro que tenho e magro (fraco) que sou só posso ser bom, vou ali matar uma mosca e já venho.
Muito fraco este texto, aliás burro, porra bom. É isso bom.
Subscrever:
Mensagens (Atom)








