29/01/2009

Woody Allen

Tendo em conta o post anterior, fiquei muito desiludido com a cena da loira e da morena no Vicki Cristina Barcelona, beijinhos daqueles dou aos meus filhos. De resto, gosto que o Woody Allen ande a espalhar as objectivas pela Europa fora, acho uma lufada de ar para ele e para nós espectadores. Gostei daquele casal maravilha, Javier Barden e Penélope Cruz, estes dois sim dominam o filme, qual Scarlett boazona tonta (que raio de cena aquela do regresso no avião em que Scarlett parecia mais o Woody Allen do que ele próprio) ou Rebecca boazona boazinha. Aquele casal sim, óptimos os tempos daqueles devaneios em espanhol/inglês/inglês espanhol. Final sonso, bem como as risadas meio envergonhadas, meio chocadas, meio excitadas das duas moçoilas jovens na fila de trás, esta mentalidade que não anda.
A minha pátria é a língua.

28/01/2009

acorrentado pela 1.ª vez

O desafio veio daqui Insónia 1 - És homem ou mulher? I'm your man - Leonard Cohen 2 - Descreve-te The boy with the thorn in his side Behind the hatred there lies murderous desire for love – The Smiths 3 - O que as pessoas acham de ti? I'm a loser, I'm a loser - The Beatles 4 - Como descreves o teu último relacionamento? With or without you With or without you I can't live With or without you With or without you - U2 5 - Descreve o estado actual da tua relação. Are you ready to be heartbroken? Lloyd Cole 6 - Onde querias estar agora? New York New York - Frank Sinatra 7 - O que pensas a respeito do amor? Look at me look at you Loosing hope in the house of blues Cracking out and drift away With no means or words to say Will you take me out tonight Shall we dance the blues away Will you take me out tonight Show me that we can The Verge - a música vão conhecer brevemente :) 8 - Como é a tua vida? A formiga no carreiro andava à roda da vida caiu em cima de uma espinhela caída furou furou à brava numa cova que ali estava - José Afonso 9 - O que pedirias se pudesses ter um só desejo? Time - Tom Waits 10 - Escreve uma frase sábia. Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não. continuar a corrente é mais difícil, nem sei quem me lê, vou tentar aqui http://wittgensteinsvienna.blogspot.com/

27/01/2009

Acho que isto anda é a precisar de uma mortalha, daquelas que fazem rir.

Insónia: DIA 27

O dia acorda claro e intenso, sol que brilha em mim, apesar da geada. Com os pés na terra faço-me ao caminho, subo, paro e desço avenidas, ruas, becos, atalhos, calçada que calcorreio em pedra dura e fria. Nas encostas destas colinas passo por pessoas, muitas pessoas, todas numa azáfama de cá para lá, de lá para cá e de todo o lado para nenhum, que o meu caminho só eu sei e eles os deles. O céu está azul, tão azul que mais azul não podia estar, as gaivotas rodeiam o rio, quase mar de salgado que é. Em voos picados na procura de sustento atiram-se à vida. Detenho-me nesta imagem, um segundo, dois segundos, talvez uma vida, agora não que não posso, cinco segundos, dez segundos e atiro-me ao caminho, picado por uma ânsia que arranco ao tédio. Neste frenesim, ando e procuro procuro e ando, membros soltos em movimentos lineares desatinados, passos desarranjados que liberto ao ar, que, brisa fria, me inunda e aquece o corpo. Ossos, ligamentos, tendões, músculos, pele, monte de carne que sua, sonha e segue. Se encontrar as escadas, feitas de degraus, que me levem a ti, a claridade brilhante serei eu. Nesta loucura, abraço as cores, todas as cores. Abraço o preto roupa que sou e me cai mal, abraço o azul que do céu cai sobre mim, abraço o marfim da calçada que percorro, abraço o lilás do arco-íris que imagino, abraço o roxo escuro misterioso do rio, abraço o verde das árvores que cheiro, abraço o castanho das raízes profundas, abraço o laranja fogo, paixão em mim, abraço o púrpura do poente tardio, abraço o ocre desbotado que sou, abraço o amarelo dourado do sol, abraço o prata reflexo complexo, abraço o azul mar do horizonte, abraço o turquesa teus olhos, abraço o rosa que são lábios, abraço o bronze que é carne, abraço o vermelho coração, abraço o encarnado paixão, abraço o branco gelo, abraço o cinza pó. Papel ao vento, transparente, desordenado. E a vida, toda a vida. Comédia trágica que trago dentro do peito.

anedotas

Uma carta das finanças diz que tenho de regularizar umas dívidas, caso contrário seguirá uma penhora de bens e direitos. Bens só se for a pele e os cabelos, direitos (penso que o ordenado) só se for o direito que tenho tido nos últimos 4 anos em fartar-me de trabalhar sem ganhar um tostão e viver recluso no meu sonho. Assim sendo, façam favor, já chega o que andam a comer ao meu velhote. Leonard Cohen Fingerprints I touched you once too often Now I don't know who I am My fingerprints were missing When I wiped away the jam Yes I called my fingerprints all night But they don't seem to care The last time that I saw them They were leafing through your hair Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Yeah I thought I'd leave this morning So I emptied out your drawer A hundred thousand fingerprints They floated to the floor You know you hardly stopped to pick them up You don't care what you lose Ah you don't even seem to know Whose fingerprints are whose Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? And now you want to marry me You want to take me down the aisle You want to throw confetti fingerprints You know that's not my style O sure I'd like to marry you But I can't face the dawn With any girl who knew me When my fingerprints were on Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Fingerprints, oh fingerprints Where are you now my fingerprints?

o abismo I

O corpo finalmente cede. A fim de 4 anos de grande vontade, luta, tensão e ansiedade, a mente e o corpo desceram à terra. A queda foi tão grande que finalmente estou a fazer uma limpeza numa constipação como já não tinha há anos. Se perder, outra vez, não será um problema. Aceito a perda com a certeza de que esta é, naturalmente, a possibilidade maior. O que não podia aceitar era a sensação de não ter feito o que devia. Até Junho se verá, depois existem sempre os aviões.

26/01/2009

ruído

Fotografias: Mafalda paiva

o abismo

Por volta dos 9 anos veio parar às minhas mãos uma guitarra, comprada pelos meus pais para o meu irmão mais velho, pouco depois, fui eu que comecei a dar-lhe mais uso, Naquela idade, ouvir o meu irmão a tentar tocar com os amigos clássicos como Smoke on the Water, Wish you Were Here ou uma versão de rua, se assim posso chamar, do Starway to Heaven, era algo diferente. Comecei, então, a ouvir música de uma forma quase obsessiva, com o meu pai conheci os Beatles, os Beach Boys, Leonard Cohen, o José Afonso, com os amigos Pink Floyd, Clash, U2 entre outros, na rádio ouvia-se new wave. Assim que aprendi 3 acordes, comecei logo a fazer músicas, com letras e tudo ou qualquer coisa parecida, nunca tive grande paciência para tocar os tais clássicos, aprendia depressa e esgotava-se o interesse. No ano seguinte, estava eu a brincar na rua, quando aparece o meu irmão com a trupe mais velha e dizem-me que nessa noite, exactamente nuns montes onde por vezes ia jogar à bola com o Figo e outros amigos de infância, tocavam os GNR e os UHF, numa das muitas festas da amizade que o PCP fazia pelo país. Nunca tinha visto um concerto de rock, nessa noite, com a ingenuidade própria do tamanho, fiquei perplexo. A potência do som, as luzes, os cânticos do público, a verdade (verdade porque estava a ver, ouvir e, sobretudo, sentir), a entrega, deixaram-me ainda mais maluquinho pela música. A partir daqui queria conhecer tudo, ouvir tudo, aprender tudo. Nessa noite construi um sonho, tinha de levar a minha guitarra com os 3 acordes e mais aquela espécie de letras para um palco. Felizmente, 2 anos depois, o meu pai foi trabalhar numa gráfica que fazia livros para a Assírio & Alvim, o saudoso Manuel Hermínio Monteiro oferecia-nos livros, assim passei dos Cinco e dos Sete para Boris Vian, Tennessee Williams, Kafka, Fernando Pessoa, que me ajudaram a passar a espécie de letras para letras com alguma espécie, qualquer que fosse. Demorei 7 curtos e bons anos, entre aulas de música (pagas com o dinheiro do passe-social que o dinheiro não dava para tudo), ler muito e fazer canções, a realizar esse sonho. Foi no dia 16 de Março de um ano extraordinário, tinha 18 anos, tocámos de dia no mesmo palco onde iriam tocar os UHF e Xutos à noite, apesar do enorme nervosismo inicial tudo correu com a naturalidade de quem faz as coisas porque tem que ser. Na altura, tínhamos como referência bandas da chamada música independente, The Smiths, Loyd Cole, REM. Desde o começo até hoje, já disseram que a minha música era parecida com Beatles, Pink Floyd, Doors, U2, REM, RadioHead, VU, Violent Femmes (estes dois últimos foi estranho porque na altura ainda não os tinha ouvido). A disparidade destas opiniões nunca me chateou bem pelo contrário, que riqueza se fosse verdade, de qualquer forma desde que agarrei numa guitarra a motivação foi sempre fazer, criar, nunca recriar. Neste caminho, sempre solitário mas não sozinho, nunca ganhei nada que não o prazer de fazer e de tocar com pessoas, foi uma forma de acompanhar uma solidão inútil e vazia e dar asas a uma inquietação inquietante que não me larga. Por várias razões, uma segunda parte do sonho não se cumpriu, mas esse ficará para depois.

24/01/2009

talvez uma brisa I Aqui, agora, ausente, simplesmente fechado em mim E nos meus sonhos Onde existe toda a vida Onde posso encarnar quem eu quiser E até quem não quiser Posso ser alguém ou então o vento, a água, o fogo Mas nunca a mágoa Posso ver-me em tons de azul ou negro Posso sentir amor ou raiva Posso ter o impossível Posso ser tudo como a natureza!... II Sinto-me agora uma folha, verde, húmida, levada pelo vento Onde me sossego vendo o mundo correr Sinto-me agora um mar, imenso, revolto Onde apaziguado me domino Sinto-me agora uma chama, azul, púrpura Onde aqueço a vida Agora sou Platão e a caverna da ilusão Agora sou Cristo submisso ao Pai Agora sou um poeta soberbo Agora sou nada como tudo isto!... III E como é importante este nada Onde tudo o que me importa nasce Onde a fantasia se torna realidade Onde sempre a correr nunca me canso Onde sem querer me desculpo Onde sozinho me acompanho de todos Onde existo sem existir Onde se abre a alma, sossegando-me o espírito Onde sonho todos os sonhos do mundo... IV Agora sonho-me uma vasta planície Onde me perco no espaço Agora sonho-me a pirâmide mais alta Por onde penetro o céu Agora sou alguém entre muitos Onde me revejo Se quiser Agora sou tudo como o nada que é isto!... V E como é importante esta sensação Onde sou tudo o que importa Onde me sento a conversar com o homem mais sábio Contando-me histórias que nunca imaginei E fico feliz como uma criança E posso rir inocentemente E posso sentir com todos os sentidos sem me perder... VI Agora sou jovem, forte Abraçando a vida Agora sou velho, sabedor Partilhando tudo o que aprendi Agora sinto-me sem idade Agora não sei o que é isto!... VII Talvez imagens, somente imagens Que passam sem pedir licença Talvez simples sombras Que toldam a realidade Talvez um reino que não existe... VIII Talvez ilusões, enganosas ilusões Que enganam sem querer Talvez uma chama Queimando a vida... IX Talvez frustrações, irritantes frustrações Que teimam em aparecer Talvez um rio passando... X Talvez a vida, toda a vida Que existe só porque existe... XI Talvez uma brisa soprando.

coisas sérias ou isso

Fotografia: Mafalda Paiva
Grafismo: Paulo Paiva

23/01/2009

continuando aparvalhar

Podia falar do nosso querido Marinho de cognome o bochechas e aquilo dos casamentos e aleitamentos, podia falar da subida do spread (tás morto e bem morto tás é mal enterrado) ou ainda do árbitro que vai beneficiar o Glorioso daqui a mais uns minutos (cada expirro penalty para o SLB e muito bem). Mas quero lá saber disso tudo, sou bonito, mesmo bonito, o azar é que é lixado já parti 2 espelhos.

virgem - o perfeccionista

Recebi este email hoje, não os costumo abrir, mas hoje calhou. Ainda bem, parece que sou isto tudo em especial as duas em evidência e leal também, pelo menos no nome. Umas horas atrás uma amiga dizia que eu estava mesmo bonito, que não um boi (espero eu). Agora vou ali partir um espelho para ter mais uns anos de azar, sete é pouco. Dominante em relações. Conservador. Quer ter sempre a última palavra. Argumentativo. Preocupado. Muito inteligente. Antipatiza com barulho e caos. Ansioso. Trabalhador. Leal. Bonito. Fácil de falar. Difícil de agradar. Severo. Prático e muito exigente. Frequentemente tímido. Pessimista. 7 anos de azar se você não remete.

21/01/2009

australia

Os primeiros minutos do filme Australia, até arrancarem com o gado, são desastrosos. Depois de uma pequena introdução muito boa o filme descamba numa série de acções precipitadas onde até a bonita Nicole Kidman desilude, talvez falta de jeito para fazer de aristocrata inglesa, quando salta para cima do cavalo e começa a sujar-se o filme ganha outra dimensão, e ela também. Tirando os primeiros minutos, uma realização segura mas aqui ou ali um pouco atabalhoada, com vários finais falhados Baz Luhrmann não atinge com esta saga a qualidade de contador de histórias sentimentais como tinha conseguido em Moulin Rouge, embora eu seja suspeito para falar do Moulin Rouge devido a uma relação muito pessoal que tenho com este filme.

tudo isto é triste

Ontem tive de ir a Belém tratar de uns assuntos ao Cenjor, enquanto bebia um café na tasca em frente, um velhote meteu conversa comigo e com o meu irmão. Desde o Obama, que dava na TV, a guerra colonial até aos impérios Grego, Romano e sei lá que mais, foi um rol de estórias, daquelas de café mesmo. Mas, no meio da confusão estilística, este Sr. disse uma grande verdade, que foi esta: sou português porque sou obrigado. Eu ri-me, porque sinto o mesmo, o meu pai sempre sentiu p mesmo e, pelos vistos, faz parte da nossa condição porque outros também o sentem. Triste fado este. Amália Rodrigues Tudo isto é fado

19/01/2009

vida de parvos

Sitiados Outro Parvo no Meu Lugar Nascido no mesmo ano que eu, a memória que guardo do João Aguardela era a simplicidade mas, sobretudo, aqueles olhos azuis com vontade de comer o mundo.
Será que ceguei e parei, perdendo o nexo do que quero, desistindo de tudo o que espero e do querer que sempre acreditei? Será o tempo que não faço, as palavras que não escrevo e digo, o espaço por onde me perco e fico, um esboço que já não traço? Será que acomodei e deixei, toda a imaginação que fui e quis toda a vontade que fui e fiz e todas as ideias que pensei? Será um caminho perdido, o traçado de um destino obrigado, a evidência de um triste fado, uma realidade crua e sem sentido? Será que encerrei e fiquei, sem a força que pensava e fazia, sem o confronto que era e queria e todo o verso que disse e achei? Será uma metáfora falhada, que trespassa o vazio que é a vida, a angústia duma batalha não vencida, o desespero da derrota anunciada? Será que ceguei e parei, que não sei o que sou e tenho? Será que encerrei e fiquei, que não sei para onde vou ou donde venho? Será que arrumei e deixei, tudo o que queria e amei? Será? José Paiva

esteve nos nossos olhos

Este texto Não está nas nossas mãosa> no insónia, fala de quase tudo o que a excelente representação de Brad Pitt nos deixa ver. Independentemente dos efeitos e do absolutely, os silêncios, as expressões, os timings, o ritmo da velhice nova e da juventude velha, tudo nele pareceu-me perfeito. Quem olha para o personagem, mais do que ver que não está nas nossas mãos (neste caso das dele), Pitt deixa que isso se perceba com uma naturalidade que me impressionou. Apesar de ter gostado, preferia ver este filme realizado pelo Paul Thomas Anderson.

17/01/2009

O Estranho Caso de Benjamin Button

O absolutely com que Brad Pitt responde a Cate Blanchett quando esta lhe pergunta se ele quer dormir com ela encerra uma vontade tão grande que, só por si, vale o filme e já agora um Oscar para o Pittozinho.