15/02/2009

o que vale

Take me out tonight Where there's music and there's people Who are young and alive Driving in your car I never never want to go home Because I heaven't got one Anymore Take me out tonight Because I want to see people And I want to see lights Driving in your car Oh please don't drop me home Because is not my home, is their home And I'm welcome no more And if a double decker bus Crashes into us To died by your side It's such a heavenly way to die And if a ten ton truck Kills the both of us To died by your side Well, the pleasure and the privilege is mine Take me out tonight Oh, take me anywere, I don't care I don't care, I don't care And in the darkned underpass I tought 'Oh God, my chance has come at last' But then a strange fear gripped me and I just couldn't ask Take me out tonight Don't take me anywere, I don't care I don't care, Idon't care Driving in your car I never, never want to go home Because I heaven't got one, no, no Oh, I heaven't got one And if a double decker bus Crashes into us To died by your side It's such a heavenly way to die And if a ten ton truck Kills the both of us To died by your side Well, the pleasure and the privilege is mine There is a light that never goes out There is a light that never goes out There is a light that never goes out There is a light that never goes out And if a double decker bus, crashes into us To died by your side it's such a heavenly way to die And if a ten ton truck, kills the both of us To died by your side, well the pleasure and the privilege is mine There is a light that never goes out...

everyday is like sunday

Acordar tarde e ir à fnac comprar um jogo da nitendo para o puto, pagar o gás e pôr gasolina. jogo: 39 € gás: 22 € gasolina: 20 € Total: 81 € Mais uns trocos para café, bolos. Se de tarde for ao cinema vão 100 €, não me parece já são excentricidades a mais, o melhor é ficar a coser meias. Afinal, não foi só o Salazar, isto continua tudo fodido. Haja fé! Trudging slowly over wet sand Back to the bench Where your clothes were stolen This is the coastal town That they forgot to close down Armageddon - come Armageddon! Come, Armageddon! Come! Everyday is like Sunday Everyday is silent and grey Hide on the promenade Etch a postcard "How I Dearly Wish I Was Not Here" In the seaside town ...that they forgot to bomb Come! Come! Come - nuclear bomb! Everyday is like Sunday Everyday is silent and grey Trudging back over pebbles and sand And a strange dust lands on your hands (And on your face... On your face ... On your face ... On your face ...) Everyday is like Sunday "Win Yourself A Cheap Tray" Share some greased tea with me Everyday is silent and grey

13/02/2009

mais fé

Afinal Salazar não fodia só Portugal, também fodia as portuguesas. Tudo com muita fé.

mais fé

Só com muita fé não se gosta do Slumdog Millionaire. Como diz um amigo meu, tão próximo que quando me vejo ao espelho o vejo a ele. A vida é uma merda. E depois, sempre gostei de cu.

"...É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia." aqui: http://caderno.josesaramago.org/2009/02/10/ateus/ Penso muito nisto, um mundo sem fé, sem o absurdo pensamento de possibilidades que não aquelas que fazemos e sonhamos, seriamos um nada melhores e mais responsáveis.

12/02/2009

deZafinando

Não há nada que me console, neste momento Não há felicidade, não há tristeza Não há amargura nem tão pouco raiva Neste momento não há nada que me console... DeZafinando em MIm, só em mim Nesta vida de uma nota só Sozinha, perdida, deZafinada Só em mim deZafinando em MIm... Não há nada que queira, agora Não há vontade, não há inércia Não há mágoa nem tão pouco fúria Agora não há nada que queira... DeZafino em MIm, só em mim e em toda a escala Nesta bruma feita vida Gasta, corroída, errada Em toda a escala deZafino em MIm, só em mim... Não há nada que lembre, sempre Não há desafio, não há derrota Não há vitória, muito menos glória Sempre não há nada que lembre... DeZafinando sempre todas as canções Todas as letras e poemas de uma vida Feia, falhada, cansada Todas as canções deZafinando sempre... Não há nada que faça, todos os dias Não há desejo, não há interesse Não há memória nem tão pouco pensamento Todos os dias não há nada que faça... DeZafinando em MIm, sempre e só em mim Não há felicidade, não há tristeza Não há amargura, não há raiva Não há vontade, não há inércia Não há mágoa, não há fúria Não há desafio, não há derrota Não há vitória, não há glória Não há desejo, não há interesse Não há memória, não há pensamento Sempre e só em mim, deZafinando em MIm Não há amor, não há verdade! Fotografias: Mafalda Paiva

11/02/2009

Na escuridão escura que vejo, tento aprender apreendendo todos os lugares, todas as cores, todos os cheiros, todas as razões, que fazem esta existência isolada. E sinto o vento que se levanta devagar, sinto as nuvens que regressam sem pressa, a chuva que não cai mas se anuncia, o gelo que não está mas represento. Assim, faço-me sombra escura na escuridão. A esta escuridão dobro-me sem esplendor, aparto-me de tudo e de todas as coisas, penso nas curvas turvas que esta sombra aparenta, e, dos lábios, forjo palavras vagas. Nesta chegada sem verdade, sem partida, desejo a folha, o fruto, a força, o abstracto, arranco árvores pelas raízes profundas, que seguro fazendo-me braços e mãos, que, nesta escuridão, te descobre e agarra. Assim, solto o tempo e o espaço faço o sol e a chuva, recolho-me feto ou sábio grisalho, divido o natural e o além, sou o espírito e sou a alma, sou a mãe, sou o pai, e o amor também.

ao rff

massive attack teardrop Love, love is a verb Love is a doing word Fearless on my breath Gentle impulsion Shakes me makes me lighter Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath Night, night of matter Black flowers blossom Fearless on my breath Black flowers blossom Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath Water is my eye Most faithful mirror Fearless on my breath Teardrop on the fire of a confession Fearless on my breath Most faithful mirror Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath You're stumbling a little

10/02/2009

marcelo camelo

Tal como eu tinha dito aquando do Rock em Stock, apesar do mau som a que esteve sujeito, este Marcelo de Camelo não tem nada. Belo disco este nós.

um trompete que respira

Billy Bragg Levi Stubbs' Tears When the world falls apart some things stay in place Levi Stubbs' tears...

mais do mesmo ou esta merda não tem cura ou ainda que faço aqui

Ontem no prós e contras um empresário da indústria têxtil, talvez daqueles com Ferraris à porta de casa, dizia que há 1 ano que procurava pessoas para trabalhar e não tinha, porquê perguntaram, porque o povo não quer trabalhar. Exmo. Sr. Venho por este meio informá-lo que desejo ser integrado na sua empresa, e apesar do meu currículo ser o que poderá ver, se assim o desejar, aceito qualquer trabalho. Garanto que aprendo com rapidez e eficiência, consigo criar bom ambiente e informo ainda que em todos os trabalhos que tenho tido ao longo da vida uma mão chega e sobra para contar as vezes que faltei, todas muito bem justificadas. Como contrapartida a única coisa que lhe peço é um ordenado que dê para pagar uma renda de casa e despesas correntes, a minha alimentação e dos meus filhos, roupas, calçado (nada de exageros não se preocupe), educação, livros, uma ida ou outra ao teatro, cinema, concertos, exposições (não quero morrer estúpido nem os meus filhos), por último já que o Sr. anda tão bem instalado nesse carro bonito que tem, um qualquer Fiat que ande, para mim e para as crianças, chega. Assim sendo fico disponível para iniciar funções quando e onde quiser. Com os melhores cumprimentos, eu mesmo PS: De tão saudáveis que temos sido, quase me esquecia da saúde, pelo menos para o dentista, concerteza não quer desdentados e cariados na sua empresa. Billy Bragg There Is Power In A Union There is power in a factory, power in the land Power in the hands of a worker But it all amounts to nothing if together we don't stand There is power in a Union Now the lessons of the past were all learned with workers' blood The mistakes of the bosses we must pay for From the cities and the farmlands to trenches full of mud War has always been the bosses' way, sir The Union forever defending our rights Down with the blackleg, all workers unite With our brothers and our sisters from many far off lands There is power in a Union Now I long for the morning that they realise Brutality and unjust laws can not defeat us But who'll defend the workers who cannot organise When the bosses send their lackies out to cheat us? Money speaks for money, the Devil for his own Who comes to speak for the skin and the bone What a comfort to the widow, a light to the child There is power in a Union The Union forever defending our rights Down with the blackleg, all workers unite With our brothers and our sisters together we will stand There is power in a Union.

09/02/2009

mais do mesmo ou onde está a honestidade ou que merda é esta ou ainda isto é Portugal

Depois de muitos anos a praticar desporto, andebol e futebol, nunca vi nem vivi, nem num desporto nem no outro, a experiência de alguém sofrer uma falta para um castigo máximo e prescindir desse mesmo castigo. Também poderia aqui explicar que para os jogadores de andebol, desporto que pratiquei mais anos, muitas das grandes penalidades assinaladas no futebol nos fazem rir, então para os de rugby faço ideia o fartote. Isto a propósito daquela brincadeira que o Lucho percebeu quase a tempo que não devia fazer, naquela fracção de segundo apalhaçada conseguiu discernir que aquilo não era o circo e recompôs-se, mas no intervalo disse ao compatriota, bem isto hoje não vamos lá, os gajos estão a defender muito bem e a contra-atacar melhor, tu que andas mais pela área na primeira vez que um adversário soprar mandas-te para o chão, o árbitro como já viu que eu sou assim mais ou menos honesto vai marcar de certeza, senão marcar o mais que pode acontecer é levares amarelo mas eu continuo mais ou menos honesto. Por fim, fico muito feliz que o professor, responsável pela equipa, tenha a visão que teve do jogo, parece que os parâmetros de exigência este ano estão bem mais baixos, mas mais satisfeito fico com o pragmatismo do espanhol Flores (bonito nome) do Benfica.

honestidade onde andas?

Este sábado tive mais uma confirmação do Portugal de hoje. Os meus meninos do andebol tinham um mini-torneio marcado no colégio Salasiano-Oficinas de S. José, nos Prazeres. Acordar às 8 da manhã, tropas reunidas no pavilhão do Almada às 8.45, junto ao Cristo-Rei, miúdos e pais com carro, que o Almada não tem dinheiro para autocarros, e lá fomos. Em 20 minutos chegamos ao destino, entramos e ninguém nos recebe, encontramos o colégio S. João de Brito, que também não percebiam o que se passava, a equipa da casa ou responsáveis não se deixavam ver. Depois de uns minutos à nora lá consigo encontrar alguém que me dá o número do coordenador das instalações desportivas, telefono e peço indicações. Resposta, quais indicações não temos nada agendado, nem sequer temos andebol e eu com o fax da Associação de Andebol de Lisboa com tudo marcado, tento ligar para a Associação mas é sábado. Espantado, mas não muito, digo aos pais e miúdos que, tristes, regressam a casa. Já noite, telefona-me um pai a dizer que no site da Federação está marcado outro mini-torneio domingo às 11 horas no pavilhão do Ginásio do Sul com o clube da casa, o Almada, o Sporting e o Coop. Escola, já tarde e presumindo nova confusão, porque só costuma existir um torneio por fim-de-semana, não convoco ninguém. Domingo de manhã vou até ao pavilhão do Ginásio, 5 minutos a pé, e deparo-me com a comitiva do Sporting, todos equipados a rigor na rua com o pavilhão fechado e fechado continuou, o Ginásio sei eu que tem andebol mas não apareceu ninguém, provavelmente foram enganados para outro lado, tal como nós no dia anterior. Não satisfeito, telefono e procuro informações com dirigentes mais velhos, resposta, estes gajos recebem subsídios para organizar estes torneios e como em todos os subsídios existem prazos a cumprir, então fazem tudo em cima do joelho originando confusões como a deste fim-de-semana. Esclarecido de algo que já suspeitava, reduzi-me à insignificância de quem se dedicou a treinar os putos, sem ganhar um tostão, só porque sim. Assim, pergunto àqueles que dizem, num contexto mais vasto, que o único caminho possível é a honestidade. Qual honestidade?

08/02/2009

mais do mesmo

O jornalista diz que o clube que jogou com o Benfica segurou o comando do campeonato, não me pareceu que fosse o clube mas se calhar vi mal. Nem fico chateado com os pontos oferecidos ao adversário, nunca me preocupei com os pontos dos outros clubes, mas aborrece-me que tirem pontos ao meu Benfica. Tirando o Leixões, de longe a melhor equipa deste campeonato, destes dois só vi uma equipa com estofo de campeão.

07/02/2009

esquecidos ou nunca lembrados

The MIGHTY LEMON DROPS Into The Sun Numa altura em que todos queriam parecer os Smiths.

06/02/2009

Time, life itself goes on

Portishead Half Day Closing In the days, the golden days When everybody knew what they wanted It ain't here today Through the times of lasting love when parents talked of things tried and tested They don't feel the same Dreams and belief have gone Time, life itself goes on From beyond the shrinking skies Where money talks and leaves us hypnotized It dont' pave the way Underneath the fading sun The silent sum of a businessman Has left us choking Dreams and belief have gone Time, life itself goes on In the days, the golden days When everybody knew what they wanted It ain't here today Dreams and belief have gone Time, life itself goes on

tango

Astor Piazzolla Adios Nonino Fotografias: Mafalda Paiva

04/02/2009

impressões

O mundo parou, qual crise económica, falências, desemprego, miséria, fome, doenças, o Michael Phels fumou uma ganza. Há 3 dias que não se fala noutra coisa, e depois de um pedido de desculpas ridículo até querem levar o homem a tribunal, cada vez fico mais choné.

02/02/2009

waterboys spirit

meditando

Cada vez mais, tal como no tempo dos meus avós, volto a ouvir falar de mau olhado, superstições, bruxas, mezinhas. Conheço pessoas, quase todas relativamente bem e instruídas, que não param de me falar de auto-ajuda, feng shuis, meditismos e uma panóplia de situações que me deixam em estado de contracção para não ser indelicado e a abanar a cabeça ao jeito de pois, pois, tentando disfarçar o ar parvo com que fico. Porra pá, eu também gosto muito de Yoga, mas só porque aquilo estica-me o corpo todo depois do ginásio, quando começam a chamar não sei por quem desligo. Por outro lado, de forma mais séria, existem pessoas a organizar-se em movimentos cheios de boas intenções, mas completamente obscurantistas. Vou a uma entrevista de trabalho e a Sra. que me entrevista(que tem trabalho e não tão mau quanto isso) começa a desabafar comigo, à velocidade da luz, durante 2 horas. Tenho uma reunião com vista a definir uma linha de trabalho para atingir determinados objectivos e está tudo completamente noutro planeta ou lugar espiritual sei lá. Com isto tudo, começa a parecer-me que o maluco sou eu, como os desgraçados deste estudo De Rerum Natura: Conformidade ou conformismo?, que apesar de saberem que a resposta estava mal, seguem com a maioria. Apesar desta campanha, os medos são muitos e sinto um retrocesso civilizacional enorme, mas se calhar sou eu que estou a ficar choné.

31/01/2009

o amor

Naquela coisa do BI musical, interessou-me, especialmente, a questão do amor, não por ser fodido mas mais por ser a foda que é. O Henrique diz que, Until you've flipped your heart and you have lost, you don't know what love is. – George Benson A Maria João E eu sem você Sou só desamor Um barco sem mar Um canto sem flor Tristeza que vai Tristeza que vem Sem você, meu amor Eu não sou ninguém - Vinícius de Moraes Eu mesmo, peço mais uma dança Look at me look at you Loosing hope in the house of blues Cracking out and drift away With no means or words to say Will you take me out tonight Shall we dance the blues away Will you take me out tonight Show me that we can A Ana, mais feliz, dá-nos essa espécie de dança, onde o que mais retenho dessa cena, já vista e revista na minha cabeça vezes sem conta, é que para dançar temos de ser mesmo heróis. Grande Ana. David Bowie Heroes

29/01/2009

Woody Allen

Tendo em conta o post anterior, fiquei muito desiludido com a cena da loira e da morena no Vicki Cristina Barcelona, beijinhos daqueles dou aos meus filhos. De resto, gosto que o Woody Allen ande a espalhar as objectivas pela Europa fora, acho uma lufada de ar para ele e para nós espectadores. Gostei daquele casal maravilha, Javier Barden e Penélope Cruz, estes dois sim dominam o filme, qual Scarlett boazona tonta (que raio de cena aquela do regresso no avião em que Scarlett parecia mais o Woody Allen do que ele próprio) ou Rebecca boazona boazinha. Aquele casal sim, óptimos os tempos daqueles devaneios em espanhol/inglês/inglês espanhol. Final sonso, bem como as risadas meio envergonhadas, meio chocadas, meio excitadas das duas moçoilas jovens na fila de trás, esta mentalidade que não anda.
A minha pátria é a língua.

28/01/2009

acorrentado pela 1.ª vez

O desafio veio daqui Insónia 1 - És homem ou mulher? I'm your man - Leonard Cohen 2 - Descreve-te The boy with the thorn in his side Behind the hatred there lies murderous desire for love – The Smiths 3 - O que as pessoas acham de ti? I'm a loser, I'm a loser - The Beatles 4 - Como descreves o teu último relacionamento? With or without you With or without you I can't live With or without you With or without you - U2 5 - Descreve o estado actual da tua relação. Are you ready to be heartbroken? Lloyd Cole 6 - Onde querias estar agora? New York New York - Frank Sinatra 7 - O que pensas a respeito do amor? Look at me look at you Loosing hope in the house of blues Cracking out and drift away With no means or words to say Will you take me out tonight Shall we dance the blues away Will you take me out tonight Show me that we can The Verge - a música vão conhecer brevemente :) 8 - Como é a tua vida? A formiga no carreiro andava à roda da vida caiu em cima de uma espinhela caída furou furou à brava numa cova que ali estava - José Afonso 9 - O que pedirias se pudesses ter um só desejo? Time - Tom Waits 10 - Escreve uma frase sábia. Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não. continuar a corrente é mais difícil, nem sei quem me lê, vou tentar aqui http://wittgensteinsvienna.blogspot.com/

27/01/2009

Acho que isto anda é a precisar de uma mortalha, daquelas que fazem rir.

Insónia: DIA 27

O dia acorda claro e intenso, sol que brilha em mim, apesar da geada. Com os pés na terra faço-me ao caminho, subo, paro e desço avenidas, ruas, becos, atalhos, calçada que calcorreio em pedra dura e fria. Nas encostas destas colinas passo por pessoas, muitas pessoas, todas numa azáfama de cá para lá, de lá para cá e de todo o lado para nenhum, que o meu caminho só eu sei e eles os deles. O céu está azul, tão azul que mais azul não podia estar, as gaivotas rodeiam o rio, quase mar de salgado que é. Em voos picados na procura de sustento atiram-se à vida. Detenho-me nesta imagem, um segundo, dois segundos, talvez uma vida, agora não que não posso, cinco segundos, dez segundos e atiro-me ao caminho, picado por uma ânsia que arranco ao tédio. Neste frenesim, ando e procuro procuro e ando, membros soltos em movimentos lineares desatinados, passos desarranjados que liberto ao ar, que, brisa fria, me inunda e aquece o corpo. Ossos, ligamentos, tendões, músculos, pele, monte de carne que sua, sonha e segue. Se encontrar as escadas, feitas de degraus, que me levem a ti, a claridade brilhante serei eu. Nesta loucura, abraço as cores, todas as cores. Abraço o preto roupa que sou e me cai mal, abraço o azul que do céu cai sobre mim, abraço o marfim da calçada que percorro, abraço o lilás do arco-íris que imagino, abraço o roxo escuro misterioso do rio, abraço o verde das árvores que cheiro, abraço o castanho das raízes profundas, abraço o laranja fogo, paixão em mim, abraço o púrpura do poente tardio, abraço o ocre desbotado que sou, abraço o amarelo dourado do sol, abraço o prata reflexo complexo, abraço o azul mar do horizonte, abraço o turquesa teus olhos, abraço o rosa que são lábios, abraço o bronze que é carne, abraço o vermelho coração, abraço o encarnado paixão, abraço o branco gelo, abraço o cinza pó. Papel ao vento, transparente, desordenado. E a vida, toda a vida. Comédia trágica que trago dentro do peito.

anedotas

Uma carta das finanças diz que tenho de regularizar umas dívidas, caso contrário seguirá uma penhora de bens e direitos. Bens só se for a pele e os cabelos, direitos (penso que o ordenado) só se for o direito que tenho tido nos últimos 4 anos em fartar-me de trabalhar sem ganhar um tostão e viver recluso no meu sonho. Assim sendo, façam favor, já chega o que andam a comer ao meu velhote. Leonard Cohen Fingerprints I touched you once too often Now I don't know who I am My fingerprints were missing When I wiped away the jam Yes I called my fingerprints all night But they don't seem to care The last time that I saw them They were leafing through your hair Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Yeah I thought I'd leave this morning So I emptied out your drawer A hundred thousand fingerprints They floated to the floor You know you hardly stopped to pick them up You don't care what you lose Ah you don't even seem to know Whose fingerprints are whose Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? And now you want to marry me You want to take me down the aisle You want to throw confetti fingerprints You know that's not my style O sure I'd like to marry you But I can't face the dawn With any girl who knew me When my fingerprints were on Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Fingerprints, oh fingerprints Where are you now my fingerprints?

o abismo I

O corpo finalmente cede. A fim de 4 anos de grande vontade, luta, tensão e ansiedade, a mente e o corpo desceram à terra. A queda foi tão grande que finalmente estou a fazer uma limpeza numa constipação como já não tinha há anos. Se perder, outra vez, não será um problema. Aceito a perda com a certeza de que esta é, naturalmente, a possibilidade maior. O que não podia aceitar era a sensação de não ter feito o que devia. Até Junho se verá, depois existem sempre os aviões.

26/01/2009

ruído

Fotografias: Mafalda paiva

o abismo

Por volta dos 9 anos veio parar às minhas mãos uma guitarra, comprada pelos meus pais para o meu irmão mais velho, pouco depois, fui eu que comecei a dar-lhe mais uso, Naquela idade, ouvir o meu irmão a tentar tocar com os amigos clássicos como Smoke on the Water, Wish you Were Here ou uma versão de rua, se assim posso chamar, do Starway to Heaven, era algo diferente. Comecei, então, a ouvir música de uma forma quase obsessiva, com o meu pai conheci os Beatles, os Beach Boys, Leonard Cohen, o José Afonso, com os amigos Pink Floyd, Clash, U2 entre outros, na rádio ouvia-se new wave. Assim que aprendi 3 acordes, comecei logo a fazer músicas, com letras e tudo ou qualquer coisa parecida, nunca tive grande paciência para tocar os tais clássicos, aprendia depressa e esgotava-se o interesse. No ano seguinte, estava eu a brincar na rua, quando aparece o meu irmão com a trupe mais velha e dizem-me que nessa noite, exactamente nuns montes onde por vezes ia jogar à bola com o Figo e outros amigos de infância, tocavam os GNR e os UHF, numa das muitas festas da amizade que o PCP fazia pelo país. Nunca tinha visto um concerto de rock, nessa noite, com a ingenuidade própria do tamanho, fiquei perplexo. A potência do som, as luzes, os cânticos do público, a verdade (verdade porque estava a ver, ouvir e, sobretudo, sentir), a entrega, deixaram-me ainda mais maluquinho pela música. A partir daqui queria conhecer tudo, ouvir tudo, aprender tudo. Nessa noite construi um sonho, tinha de levar a minha guitarra com os 3 acordes e mais aquela espécie de letras para um palco. Felizmente, 2 anos depois, o meu pai foi trabalhar numa gráfica que fazia livros para a Assírio & Alvim, o saudoso Manuel Hermínio Monteiro oferecia-nos livros, assim passei dos Cinco e dos Sete para Boris Vian, Tennessee Williams, Kafka, Fernando Pessoa, que me ajudaram a passar a espécie de letras para letras com alguma espécie, qualquer que fosse. Demorei 7 curtos e bons anos, entre aulas de música (pagas com o dinheiro do passe-social que o dinheiro não dava para tudo), ler muito e fazer canções, a realizar esse sonho. Foi no dia 16 de Março de um ano extraordinário, tinha 18 anos, tocámos de dia no mesmo palco onde iriam tocar os UHF e Xutos à noite, apesar do enorme nervosismo inicial tudo correu com a naturalidade de quem faz as coisas porque tem que ser. Na altura, tínhamos como referência bandas da chamada música independente, The Smiths, Loyd Cole, REM. Desde o começo até hoje, já disseram que a minha música era parecida com Beatles, Pink Floyd, Doors, U2, REM, RadioHead, VU, Violent Femmes (estes dois últimos foi estranho porque na altura ainda não os tinha ouvido). A disparidade destas opiniões nunca me chateou bem pelo contrário, que riqueza se fosse verdade, de qualquer forma desde que agarrei numa guitarra a motivação foi sempre fazer, criar, nunca recriar. Neste caminho, sempre solitário mas não sozinho, nunca ganhei nada que não o prazer de fazer e de tocar com pessoas, foi uma forma de acompanhar uma solidão inútil e vazia e dar asas a uma inquietação inquietante que não me larga. Por várias razões, uma segunda parte do sonho não se cumpriu, mas esse ficará para depois.

24/01/2009

talvez uma brisa I Aqui, agora, ausente, simplesmente fechado em mim E nos meus sonhos Onde existe toda a vida Onde posso encarnar quem eu quiser E até quem não quiser Posso ser alguém ou então o vento, a água, o fogo Mas nunca a mágoa Posso ver-me em tons de azul ou negro Posso sentir amor ou raiva Posso ter o impossível Posso ser tudo como a natureza!... II Sinto-me agora uma folha, verde, húmida, levada pelo vento Onde me sossego vendo o mundo correr Sinto-me agora um mar, imenso, revolto Onde apaziguado me domino Sinto-me agora uma chama, azul, púrpura Onde aqueço a vida Agora sou Platão e a caverna da ilusão Agora sou Cristo submisso ao Pai Agora sou um poeta soberbo Agora sou nada como tudo isto!... III E como é importante este nada Onde tudo o que me importa nasce Onde a fantasia se torna realidade Onde sempre a correr nunca me canso Onde sem querer me desculpo Onde sozinho me acompanho de todos Onde existo sem existir Onde se abre a alma, sossegando-me o espírito Onde sonho todos os sonhos do mundo... IV Agora sonho-me uma vasta planície Onde me perco no espaço Agora sonho-me a pirâmide mais alta Por onde penetro o céu Agora sou alguém entre muitos Onde me revejo Se quiser Agora sou tudo como o nada que é isto!... V E como é importante esta sensação Onde sou tudo o que importa Onde me sento a conversar com o homem mais sábio Contando-me histórias que nunca imaginei E fico feliz como uma criança E posso rir inocentemente E posso sentir com todos os sentidos sem me perder... VI Agora sou jovem, forte Abraçando a vida Agora sou velho, sabedor Partilhando tudo o que aprendi Agora sinto-me sem idade Agora não sei o que é isto!... VII Talvez imagens, somente imagens Que passam sem pedir licença Talvez simples sombras Que toldam a realidade Talvez um reino que não existe... VIII Talvez ilusões, enganosas ilusões Que enganam sem querer Talvez uma chama Queimando a vida... IX Talvez frustrações, irritantes frustrações Que teimam em aparecer Talvez um rio passando... X Talvez a vida, toda a vida Que existe só porque existe... XI Talvez uma brisa soprando.

coisas sérias ou isso

Fotografia: Mafalda Paiva
Grafismo: Paulo Paiva

23/01/2009

continuando aparvalhar

Podia falar do nosso querido Marinho de cognome o bochechas e aquilo dos casamentos e aleitamentos, podia falar da subida do spread (tás morto e bem morto tás é mal enterrado) ou ainda do árbitro que vai beneficiar o Glorioso daqui a mais uns minutos (cada expirro penalty para o SLB e muito bem). Mas quero lá saber disso tudo, sou bonito, mesmo bonito, o azar é que é lixado já parti 2 espelhos.

virgem - o perfeccionista

Recebi este email hoje, não os costumo abrir, mas hoje calhou. Ainda bem, parece que sou isto tudo em especial as duas em evidência e leal também, pelo menos no nome. Umas horas atrás uma amiga dizia que eu estava mesmo bonito, que não um boi (espero eu). Agora vou ali partir um espelho para ter mais uns anos de azar, sete é pouco. Dominante em relações. Conservador. Quer ter sempre a última palavra. Argumentativo. Preocupado. Muito inteligente. Antipatiza com barulho e caos. Ansioso. Trabalhador. Leal. Bonito. Fácil de falar. Difícil de agradar. Severo. Prático e muito exigente. Frequentemente tímido. Pessimista. 7 anos de azar se você não remete.

21/01/2009

australia

Os primeiros minutos do filme Australia, até arrancarem com o gado, são desastrosos. Depois de uma pequena introdução muito boa o filme descamba numa série de acções precipitadas onde até a bonita Nicole Kidman desilude, talvez falta de jeito para fazer de aristocrata inglesa, quando salta para cima do cavalo e começa a sujar-se o filme ganha outra dimensão, e ela também. Tirando os primeiros minutos, uma realização segura mas aqui ou ali um pouco atabalhoada, com vários finais falhados Baz Luhrmann não atinge com esta saga a qualidade de contador de histórias sentimentais como tinha conseguido em Moulin Rouge, embora eu seja suspeito para falar do Moulin Rouge devido a uma relação muito pessoal que tenho com este filme.

tudo isto é triste

Ontem tive de ir a Belém tratar de uns assuntos ao Cenjor, enquanto bebia um café na tasca em frente, um velhote meteu conversa comigo e com o meu irmão. Desde o Obama, que dava na TV, a guerra colonial até aos impérios Grego, Romano e sei lá que mais, foi um rol de estórias, daquelas de café mesmo. Mas, no meio da confusão estilística, este Sr. disse uma grande verdade, que foi esta: sou português porque sou obrigado. Eu ri-me, porque sinto o mesmo, o meu pai sempre sentiu p mesmo e, pelos vistos, faz parte da nossa condição porque outros também o sentem. Triste fado este. Amália Rodrigues Tudo isto é fado

19/01/2009

vida de parvos

Sitiados Outro Parvo no Meu Lugar Nascido no mesmo ano que eu, a memória que guardo do João Aguardela era a simplicidade mas, sobretudo, aqueles olhos azuis com vontade de comer o mundo.
Será que ceguei e parei, perdendo o nexo do que quero, desistindo de tudo o que espero e do querer que sempre acreditei? Será o tempo que não faço, as palavras que não escrevo e digo, o espaço por onde me perco e fico, um esboço que já não traço? Será que acomodei e deixei, toda a imaginação que fui e quis toda a vontade que fui e fiz e todas as ideias que pensei? Será um caminho perdido, o traçado de um destino obrigado, a evidência de um triste fado, uma realidade crua e sem sentido? Será que encerrei e fiquei, sem a força que pensava e fazia, sem o confronto que era e queria e todo o verso que disse e achei? Será uma metáfora falhada, que trespassa o vazio que é a vida, a angústia duma batalha não vencida, o desespero da derrota anunciada? Será que ceguei e parei, que não sei o que sou e tenho? Será que encerrei e fiquei, que não sei para onde vou ou donde venho? Será que arrumei e deixei, tudo o que queria e amei? Será? José Paiva

esteve nos nossos olhos

Este texto Não está nas nossas mãosa> no insónia, fala de quase tudo o que a excelente representação de Brad Pitt nos deixa ver. Independentemente dos efeitos e do absolutely, os silêncios, as expressões, os timings, o ritmo da velhice nova e da juventude velha, tudo nele pareceu-me perfeito. Quem olha para o personagem, mais do que ver que não está nas nossas mãos (neste caso das dele), Pitt deixa que isso se perceba com uma naturalidade que me impressionou. Apesar de ter gostado, preferia ver este filme realizado pelo Paul Thomas Anderson.

17/01/2009

O Estranho Caso de Benjamin Button

O absolutely com que Brad Pitt responde a Cate Blanchett quando esta lhe pergunta se ele quer dormir com ela encerra uma vontade tão grande que, só por si, vale o filme e já agora um Oscar para o Pittozinho.

esquecidos ou quase 10

The Men They Couldn't Hang Ghosts of Cable Street The Colours Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6 esquecidos ou quase 7 esquecidos ou quase 8 esquecidos ou quase 9

15/01/2009

É verdade, tive pena de não conhecer pessoalmente o Henrique, fica para a próxima, tenho de voltar a Coimbra dia 16 de Março.

14/01/2009

Viagem(zinha) na minha terra

Existem lugares assim, onde, apesar do tempo que passe sem lá voltar, me sinto em casa. Além da minha Almada/Lisboa, também Mamaroneck http://www.village.mamaroneck.ny.us/Pages/index , Maputo e Vieira de Leiria fazem parte deste lote acolhedor, e se nesta última passei muitos dias de férias na minha infância e adolescência durante vários anos seguidos, em Mamoroneck estive cerca de 1 ano e em Maputo apenas uns dias. Desta forma simplista, deduzo que este sentimento não é uma questão de quantidade mas de química, por exemplo, locais onde estive mais tempo como Londres, Recife ou Sion pouco me disseram, aliás os meses que passei na capital inglesa chegaram a ser penosos, apesar dos teatros, monumentos, exposições, da música e tudo o mais que ali encontrei. Nesta pequena viagem até Coimbra, com passagem pelas Caldas da Rainha, Marinha Grande, Vieira de Leiria e Monte Real, encontrei alguns exemplos típicos do que é o Portugal de hoje, auto-estradas com 3 vias onde raramente se vê um carro (A17), muita construção desordenada (praia da Vieira) e completamente às moscas, a perda quase total das tradições e um pseudo-desenvolvimento plástico tipo Tupperware de quarta categoria, em que na única vez que precisei de uma indicação, já na cidade dos Doutores, o analfabetismo prático veio ao de cima. A minha namorada dizia, estás a chegar lá por intuição, pois são os anos de hábito a perceber o imperceptível, e cheguei. É este o País que chama seniores aos seus velhos, acabei de ver agora num anúncio. O meu velhote diz que prefere ser júnior porque mini, infantil ou ainda iniciado já seria pedir demais. É o mesmo País em que o multibanco do tribunal de Setúbal foi, pela terceira vez, assaltado e o Juiz Presidente diz que não existe segurança alguma no edifício. Para quê Sr. Juiz? Vem aí mais auto-estradas, TGV's que não o shot, mundiais de futebol e bandeirinhas de orgulho nacional. E agora para algo verdadeiramente diferente, a minha prima de Vieira (padeira) recebeu-me com uns grandes camarões fritos e uma jardineira de galo que alimentou a broa de milho que eu também provei e aprovei com queijo, tal como o galo que, apesar de tudo, sabia a galo e não a broa, tudo regado com um tinto muito bom da Cartuxa. De manhã, pequeno-almoço com pão acabado de sair do forno, logo seguido de um almoço com costeletas de novilho que mais pareciam a vaca inteira e outro alentejano que não fixei o nome mas melhor que o da Cartuxa. Por fim, em Coimbra, um leitão delicioso e um ananás para regressar com a alma aconchegada. Nem tudo é mau, principalmente porque não engordo.

11/01/2009

arejar

Amanhã vou até Vieira de Leiria, local onde costumava passar férias na minha infância e espero passar nas Caldas de caminho, terça trato de assuntos importantes em Coimbra, cidade onde já não vou há anos mas que gosto sempre de visitar. Quarta estou de volta, apesar de curto ver se dá para arejar.
Faço o mundo em orações sempre subordinadas. Tudo o resto são morfologias e sintaxes imperfeitas, pontuações incertas, inconstantes e imprecisas, figuras de estilo ou recursos estilísticos sem recursos. A estas folhas de faltas fátuas submeto-me, só, subordinante branco alvo, alvo de paz dissonante, discordante desarmonioso de palavras que desconstruo. Assim, neste Latim donde venho vejo-me Grego, qual Pessoa ou Kavafis, nesta Odisseia, que não sou. E tento, muito, aprender apreendendo o todo que posso, recomeçando, sempre, de um nada pesado para um nada carregado que sei que sou que sinto. E o erro é o certo centro da cegueira neutra do zero, implacável fardo calçado nas costelas do raciocínio, reiteração alegórica, absurdo hiperbólico desesperado. Nesta nulidade que sou, recomeço da nulidade que fui para a que serei, sem esquecimento que a razão não deixa, o trilho cansa. O todo que posso pesa e, tento, muito, descansar. Procuro o meu eido ermo, onde em silêncio me deito. Aparto as sombras, todas, os desejos que não sei que tenho, os palácios que construo, as aventuras que desconheço, a brisa leve que amo, as notas que desafinam e os barcos que perco. Calo todas as palavras que são frases que quero verso em prosa, todas as metáforas que são estrofes sem poemas, e todas as virgulas, interrogações, reticências e pontos, que pontuo confuso na confusão da minha incerteza. Em silêncio desfaço-me, qual livro branco desnudo-me e deito-me. Desvanecendo desvaneço-me nesta aurora entardecido. Replico provas, provadas em prosas arcaicas, de incapacidades sinceras, mendigo recomeços falhos. E, também, silêncios escusos, escuros, de sombras e palavras. Harmonia de contradições contrapostas de mim por mim para mim, assim, sem fim, sem arte, sem Outono, sem chuva, sem som, sem céu, sem orações, sem subordinante. Só, subordinado figurativo que figuro, tombo em sintaxes erradas, em paradoxos sem resolução, ironia imutável que interpreto. Neste palco, capitulo desvanecendo-me, destoado sem sorte. O mundo é esta roupa que visto e me cai mal. É Inverno, em mim também, frio que tenho que sou, geada gélida gelando o gelo que sulca a vida, aflora a pele e entra penetrando carne dentro, num encontro interior de glaciares, orgia de frio nas entranhas. Como as árvores despidas, tolhidas pelo Inverno frio que sei que faz que sinto, qual folhas caídas, dispo esta roupa, que é o mundo que dói, e suporto esta existência nula. Resignado estou a esta sensação de gelo que a razão e a epiderme obrigam-se a suster. Exposto, nu, vazio, cansado, submisso ao tédio que o frio não apaga. Assim, vou respirando ao acaso de uma pontuação irregular, feita de geadas e Invernos frios, ou, como no início deste desacerto, de desassossegos e ânsias sem vento, mas também de paisagens e pensamentos, de silêncios e sensações, e sonhos claro, sempre os sonhos, todos os sonhos, os que transbordam e os que ficam, neste tédio que sou. Está frio, com o dedo desenho espirais sem nexo nesta minha janela embaciada pela humidade gelada, em voltas alheias apago o orvalho e, no vidro, vejo uma sombra, a minha janela sou eu.

09/01/2009

frio

Parece que algumas pessoas andam contentes com a hipótese de nevar em Lisboa, eu passo. O tempo que passei em NY foi suficiente para ficar farto de nevões, como se não bastasse o frio, acordar 1 hora antes e desenterrar o carro para chegar a horas ao trabalho não é muito agradável. Por mim, a poesia da neve esgota-se num qualquer quadro que não me enregele os ossos.

08/01/2009

apesar do frio

Vivo sempre numa espécie de céu, não um paraíso aborrecido com tudo muito lavadinho e cheio de anjinhos, mas num céu muito meu. Apesar das desilusões constantes, de algumas tristezas mas nunca depressões nem tendências suicidas, chego a um ponto em que me rio de tudo. Nunca fui muito dado a espantos, mas sempre, estupidamente, esperei o melhor de alguns outros, apesar de saber que é estúpido vou continuar a esperar esse melhor. Parece que afinal tenho alguma fé e, se virmos bem, viver de outra forma deve ser ainda mais estúpido. Já viram como o céu até está bonito hoje, apesar do frio, parece aqueles olhos azuis onde me fiquei a meditar. Black Wonderful Life

06/01/2009

meditando

Ontem conheci uma mulher gira, para aí na quarta ou quinta frase, talvez terceira, já me dizia que era meditista, acho que era isto meditista (de meditação). A minha cara foi a mesma como se me tivesse dito que era lésbica e ela e a namorada queriam ir para a cama comigo, ou seja de espanto e ao mesmo tempo interesse, nunca neguei à partida ciências que desconheço. Acho extraordinária esta capacidade que algumas pessoas têm de se identificarem ou afirmarem ou sei lá o quê, se virmos bem teríamos um mundo melhor, por exemplo. - Olá o meu nome é Joana e sou católica. - Prazer, João, eu sou parvo. ou - Nuno, bom dia eu sou nazista. - Olá querido, Xiquinho e sou homossexual. ou, - Boas, sou a Francisca e sou vegetariana. - Sim Francisca que giro, o meu nome é Dina e sou comunista, como criancinhas. ou ainda, - Olá sou o n e não sou nada. - Eu sou a Rosa e sei que sou fodida e vou dar-te cabo da cabeça. Bem pelo menos tudo seria mais claro, agora vou meditar nos olhos azuis da moça. MEDITATION MUSIC Feng Shui- Kokin Gumi - Zen Garden

05/01/2009

arejar

Depois, olho para cima por baixo da razão e caio a pique, lembro as nuvens que não consigo ver que, densas e longínquas, sei que voltam com o mesmo vento que partiram. Mas, por enquanto, fico-me só um pouco mais, esqueço o vento nesta brisa que tenho, esqueço tudo e as nuvens também. Abandono-me e tento descobrir as cores, todas as cores que trazes nos olhos e as raízes que são teus pés, os sons todos que fazes nos cheiros que dizes, o tempo que deixaste neste pensamento e o desejo de querer entender-te. Nesta Primavera, agora já florida, vagueio na luz dourada que já não falha, intermitente, e nas estrelas que as nuvens, longínquas, deixam ver. Vejo as folhas que, levemente, se abraçam a esta claridade e percorro a constância e o calor que me dá, solto a razão, tento chegar-vos e dizer-vos baixinho, todas as coisas e lugares, todos os pensamentos e segredos, todas as derrotas e faltas, todos os sonhos e ausências, toda a paz e a vida, toda a luz e a morte, e abraçar-vos na eternidade que vislumbro.

coisas que me fazem muita impressão

Membros do Hamas matam os líderes da Administração da Fatah (OLP) em Gaza. Ter o poder de ser diferente e não conseguir na relação de Israel com os bárbaros de cima.

coisas que me fazem impressão

Os finais de ano são muito férteis em listas, estrelas e pontuações das obras, sejam elas música, cinema, literatura ou outra, curioso que nunca vi tal para escultura ou pintura, não sei se existe mas eu nunca vi, nunca percebi estas classificações. Também me parecem estranhas algumas polémicas como se se canta em português, inglês, chinês ou noutra língua qualquer, tal como as histórias dos melhores e por aí fora. Nunca o consegui fazer, comecei a ouvir música e a ler muito novo, por volta dos 11 anos, o cinema também entrou cedo na minha vida, mas nunca consegui pensar, este livro vale 2 estrelas e aquele cinco. O que garante a quem pontua que na semana seguinte ou no mês seguinte não daria mais ou menos estrelas. Já gostei mais de reler do que de ler, existem discos em que entro lá para a quinta audição, filmes há que gosto muito a primeira vez e depois nem por isso, poderia continuar mas como exemplo, até porque já deve ter acontecido a todos, penso que chega. Assim, parece-me um festival da canção intelectual, mas o problema deve ser só meu.

mais crises

O Benfica sempre na moda, resolveu entrar em crise também. Esta dispensava.

03/01/2009

qual crise?

O jornal da SIC das 13 horas foi confrangedor, começou com uma tragédia em Ferreira do Alentejo que, afinal, foi só um acidente parvo, o jornalista da reportagem era mau de mais para ser verdade numa notícia já de si muito má. Depois um rol de banalidades, por volta do quarto de hora a Palestina como se fosse outra banalidade logo seguida de uma série de crises, da Chrysler, da aviação e mais umas quantas, tantas que o meu puto até perguntou porque é que só usavam a palavra crise. Porque são parvos disse, antes de começar a explicação a sério. Depois o inevitável desporto e desisti, vim ouvir música e tentar ler qualquer informação decente.

01/01/2009

a crise é mesmo grande

Acabado de acordar, ainda oiço que o Roman Abramovich não sabe se vai vender o Chelsea ou o iate, notícia muito importante dos últimos 3 dias, ainda por cima logo a seguir a uma com reformados a dizer como não vivem com 300 €. Chatice, a crise de 2009 é mesmo grande.

31/12/2008

bom 2009

Para 2009, aconselho pessoas como o HMBF do insónia, o João Lopes do Sound$Vision, o Pedro Mexia do estado civil entre outros, a entregar os respectivos teclados ao génio das prosas do Pacheco Pereira no abrupto e aos "ressabiamentos" com estilo do João Gonçalves no portugal dos pequeninos. Xutos & Pontapés Sou Bom

banda sonora para as 00 h

The Beatles - Helter Skelter Jimi Hendrix - Voodoo Child Sex Pistols - Anarchy In The UK Nirvana - Smells Like Teen Spirit Metalica - Enter Sandman Rage Against the Machine - Killing in the Name entre outras...

30/12/2008

doente, quem?

Ontem revi os momentos Tumba dos Gatos Fedorentos, passando a piada da primeira vez, desta vi-me a pensar na amplitude de tais programas. João Lopes no soun&vision tem alertado, muito bem, para a primazia do discurso novelesco "...com a formatação das narrativas e normalização dos olhares todos os dias decorrentes do domínio totalitário das telenovelas...", cada vez mais imbecil e vazio de conteúdo narrativo e até de imagem, cenários sempre com muitas cores e a transbordar de uma falsidade arrepiantes. Mas que se pode esperar de uma geração que já cresceu e foi formada em momentos fascinantes como os que vimos nos Tumba, desde o big show sic ao muita louco até aquele momento mágico com o ícone da cultura que é o Toy. Quando apareceram as tv's privadas passou a valer tudo, o resultado está aí, seja no jornalismo das gripes e outras desgraças, seja nos conteúdos culturais ou colturais. Agora vou ali ver se apanho uma gripe, que está a chegar o pico da doença e não tenho nem uma gota no nariz.

29/12/2008

hipocrisias

Nesta hipocrisia em que vivemos, o que eu mais gosto são as pessoas que não tratam dos seus pais, avós e até filhos, mas gostam de falar, recriminar e aconselhar. Quando se lembram de estar com eles é só beijinhos. Só não digo para porem os beijinhos no cu porque os beijinhos no cu até são bons.

26/12/2008

mudar as cordas

Mudar as cordas sempre foi um frete para mim, mas até gosto de passar o óleo de cedro e ao som de Johnny Cash até escorre melhor, agora que o disco acabou deixo aqui uma. Johnny Cash Hurt

24/12/2008

boas festinhas

Contemporâneos Salvem os Ricos O RFF do hipocrisias indígenas que me desculpe o decalque, mas esta não podia deixar passar. Parece-me que aqui os contemporâneos atingem o máximo da crítica do que é o mundo de hoje e, ainda por cima, conseguem por-nos a rir por isso. Vi quase todos os programas, mas esta tinha deixado passar e parece-me o melhor momento de todo um conjunto já de si muito bom. Por isso boas festinhas que as festas estão caras e a crise é grande.

23/12/2008

que se lixe o árbitro, vivão os trenadores coltus

O treinador do Nacional é um tipo culto e engraçado, disse logo a seguir ao jogo o seguinte: claro que a subtracção de um jogador nosso dificultou, etc e etc (palavras difíceis)... rapaz da sport tv: então e o lance polémico no fim do jogo? treinador: sinceramente do lugar onde estava, com 22 jogadores à minha frente, não consegui ver e etc (mais palavras de cinco tostões como se dizia quando existiam tostões). 22 jogadores, então e a subtracção já não contando com o Moreira entre outros. Depois ainda falou da mão do Nuno Gomes e que não era golo e mais não sei o quê. Não foi o Nuno foi o Miguel Vítor ó sinceramente subtraído pá. Que é que se pode esperar de uma pessoa que ficou chateada com um sketch dos gatos fedorentos sobre a forma peculiar como este fala dos jogos.

errata

No post anterior referi o texto como pertencendo ao insónia mas não, era o estado civil do Pedro Mexia. Foi engano de simpatia, acho que já várias vezes demonstrei que o blog do hmbf é aquele pelo qual sinto uma maior afinidade, não conheço o Henrique pessoalmente, mas garanto que se passar pelas Caldas lhe faço uma visita à livraria e me identifico com um abraço se ele me permitir. Posto isto, as minhas desculpas a todos pela troca, a porra da tesão deu-me a volta à cabeça.

22/12/2008

ainda a tesão

Bem f Ele conta-me que uma mulher lhe disse: «eu gosto de ser bem fodida». Não sei se foi um statement, um clin d'oeil, um caveat ou qualquer outra coisa em estrangeiro. Sei que ele ficou como ficam os homens quando as mulheres usam linguagem reles: surpreendido, chocado e excitado. É verdade que, tirante o vocábulo, ela não disse nada do outro mundo. Toda a gente gosta de foder ou ser fodida, de preferência bem. A falta de manutenção ou o serviço deficiente já não são tolerados, especialmente pelas mulheres, que antes tinham de suportar o que lhes calhasse em azar. Hoje em dia uma mulher perdoa tudo a um homem, até violências e traições, mas não perdoa ser mal fodida. Abençoadas. Texto de Pedro Mexia no estado civil Na realidade, o que não se desculpa é a falta de vontade e dedicação no acto, no fundo é uma questão de tesão, seja homem ou mulher.

18/12/2008

2009

Nestes dias, tenho recebido votos de felicidade, sucesso, entre outras palavras mais ou menos bonitas, sucesso é muito feia por acaso. Não se cansem, para o próximo ano só quero uma coisa. Continuar com tesão. Nirvana Lithium

15/12/2008

Manoel de Oliveira

No meu último ano do curso de Ciências da Comunicação, farto de publicidade e, ainda mais, de jornalismo, optei por realização e produção de cinema. Num estágio final de três meses no Cenjor, tive de fazer um documentário. Nas primeiras semanas, enquanto aprendíamos a editar, o formador, penso que o editor chefe da TVI, pôs-me a alcunha de Manoel de Oliveira, segundo ele os meus planos eram demasiado longos. Apesar de ser só uma brincadeira deu para constatar dos preconceitos que, até os profissionais do ramo, têm para com o cineasta. A piada até esbarrou no facto de conhecer mal a obra do centenário realizador, quatro filmes apenas, e a minha indiferença traduziu-se em acabar a realizar o documentário sozinho, os meus colegas assustaram-se penso eu. Por azar tive a melhor nota, mas o referido formador ainda me disse que o documentário era demasiado triste, como para mim demasiado nunca foi demais agradeci. O pior é que fiquei com a sensação, quase certeza, que o rapaz nunca tinha visto um filme de Manoel de Oliveira.

12/12/2008

ainda o natal

O meu pai teve uma bela prenda de natal. Como tem uma reforma bastante alta, cerca de 450 €, as finanças resolveram cortar 160 € devido a uma dívida, tudo bem quem deve tem de pagar, eu acho que ao Estado nem sempre mas enfim deve, deve. O problema é que não deve, a referida dívida está paga e foi paga há mais de três anos, mais de 36 meses, mais de 1080 dias. Muitos meses, dias, horas, minutos para entrar num sistema de computadores obsoleto e não foder o natal a uma pessoa, que mais do que a honestidade, se fartou e ainda farta de trabalhar (desde os 10 anos) para este estrume à beira mar plantado. Sei que as finanças andam atrás das pessoas como os cães atrás de gatos, já era tempo dos gatos que não têm carros desportivos último modelo soltarem as garras e deitarem fogo a umas quantas repartições, principalmente a sede, porque parece que o problema é sempre na sede. Entretanto, num pequeno negócio que ele tem em nome individual porque 450 € só dão para metade da prestação da casa, água, luz, etc, ou seja não chega para comer, faz umas vendas para umas escolas, como estas pertencem ao Estado, os serviços só pagam se a pessoa (empresa) não tiver dívidas, nem às finanças nem à segurança social. Para receber é preciso apresentar de 6 em 6 meses, não é ano a ano, é mesmo 6 em 6 meses uma declaração de cada instituição em como não existem dívidas. Tudo bem também, ele tem as declarações, o que só por si invalida a "estória" dos parágrafos anteriores mas, mas sei lá, como não sou nenhum Kafka não consigo fazer melhor, de qualquer forma tudo bem, não, tudo mal, porque o prazo das declarações expirou e era suposto terem renovado automaticamente, pois o meu pai tinha posto uma cruz para esse efeito mas nada. Ou seja não só não recebe do Estado como ainda lhe gamam 150 € da reforma, por isso: Viva o natal; viva as finanças; viva a segurança social; viva Portugal, aliás portugal; viva a Puta que os Pariu e, principalmente, viva o fogo nas sedes.

10/12/2008

o natal o lindo natal

Só saiu esta porcaria, não sei se a minha tia vai gostar, muito menos a professora De ano para ano, todos os anos segue em ritual. São as luzes, os enfeites ou o engano, do calor que queríamos, talvez divino, talvez humano, talvez esta cor não fique mal. Compra, compra, se não te serve dá, oferece. Não tens notas ou moedas tens cartão, ou inventas qualquer coisa, que o comboio já está na estação, se não entras ele vai e esquece. Lembra, lembra, não te deixes ficar, caminha. Nesta paragem todos podem entrar, mas vai cedo e prevenido, que a lotação pode esgotar e a entrada não se adivinha. Perde, perde, se não perderes não há pobres. E queremos muitos pobres para ajudar, ou uma coisa assim, que fique bem e dê um ar, de sentimentos puros e nobres. De ano para ano, todos os anos segue em ritual. É a certeza da ilusão da esperança, ou de uma vontade qualquer, talvez uma mão, talvez a mudança, que queres sempre e não só no Natal.

natal

Uma tia minha pediu-me um poema de natal, não sei bem para que efeito, o meu puto idem, para a escola, duas alunas de guitarra pediram-me para ensinar uma música de natal. Isto anda seco, ainda por cima com a hipocrisia que esta época representa mais seco fica. Como é que se explica isto a quem não merece que lhes estraguem a festa.
Suaram, aleijaram-se, morderam os lábios e até choraram mas ganharam a uns putos muita grandes e fortes do Paço de Arcos. Os meus meninos do andebol aprenderam este domingo que a vontade e capacidade de sofrer fazem parte do caminho e não só no desporto, há 3 meses que lhes digo. Fico feliz que tenham percebido. Ainda que de uma das bandas mais foleiras de sempre, para eles a música certa. Queen We Are The Champions

05/12/2008

em stock

O Festival Super Bock em Stock foi uma desilusão, grande confusão para organizar o programa, salas esgotadas e duas delas manifestamente más para este tipo de evento, o Teatro Variedades e o Maxime, incluindo para os desgraçados dos técnicos de som. Na primeira noite no São Jorge, vi uma Ladyhawke com uma banda muito bem ensaiada, um baterista muito bom, 2 ou 3 boas canções mas pouco mais. Do outro lado, no Tivoli, sala bonita e com boas condições, ainda cheguei com um José James em palco e para surpresa minha assisti a uma boa actuação de um jazz muito cool, pena o som demasiado baixo, dizia o técnico que não podia usar os compressores, só para a Santogold, coisa que achei estranho mas enfim. A dita, de santa tinha pouco, mas de diabo também não tinha nada, novamente algumas boas canções, mas a falta de músicos torna o concerto demasiado digital para mim, tenho a certeza que com uma banda seria bem melhor. Ainda fui ao Maxime para os El Perro del Mar, até consegui entrar sem dificuldade mas desisti, o som é muito mau nesta sala, conseguir sair é que foi mais difícil. No segundo dia de festival comecei com a Lykke Li no Variedades, a sala não ajudou, mas não foi o que estava à espera, meio desiludido saltei para o Tivoli, pelo menos dá para curtir o espaço, e estava a cantar um Camelo, mais propriamente um Marcelo Camelo. O que faltava à Santogold aqui sobrava, oito músicos em palco, sendo que o guitarrista ao lado do trompetista persistia em estragar uma música muito bem feita e sobretudo sincera, com muitas das virtudes da boa música brasileira, mas, infelizmente, também alguns dos defeitos, mais uma vez o som boicotado, não consigo mesmo entender. Por fim a banda onde depositava mais esperança, fruto de um bom recente disco, mas com os Walkman apanhei a desilusão maior. O som que faltava aos desgraçados das primeiras partes aqui sobrava e a banda não ajudava, muita tesão descontrolada, o rock também é isso, mas aqui não funcionou, além de alto o som estava embrulhado, só que vinha embrulhado dos próprios músicos, nas primeiras filas conseguia ouvir o som de palco. Diria que a vontade estragou um conjunto de boas e até muito boas canções. Ainda fui ao Variedades, mas não consigo gostar dos X-Wife e ainda menos da sala, 3 músicas foram suficiente. Parece que para o ano esta ideia um pouco parva de por as pessoas de um lado para o outro é para continuar, ainda por cima a pagar 40 € é que os sapatos não estão baratos.

01/12/2008

convergências

Gosto tanto quando os chamam de sectários enquanto arrumam a casa num piscar de olhos. Uns gostam de convergências, outros gostam de fazer coisas como por exemplo, arrumar a casa assim, num piscar de olhos. Gente mais sectária só pensa em trabalhar.

28/11/2008

digital e outras coisas

Daí a nostalgia. Faz-nos falta essa capacidade de inventar outros mundos que, no limite, nos devolvam o sabor da epopeia (veja-se ou reveja-se, justamente, O Rei Leão). Às vezes, até sentimos que o digital pode ser uma limitação: faz-nos falta a “imprecisão” dos traços desenhados pelas mãos humanas. Texto integral de João Lopes no Sound & Vision A questão do digital não se verifica apenas nas soluções precisas para o produto final, neste momento já existe uma geração de criativos e profissionais que cresceram, apreenderam e aprenderam somente esta técnica, ou seja, independentemente da técnica, o próprio pensamento já é digital. É aqui que reside o problema, pelo menos para quem estava habituado a uma forma de estar muito mais orgânica, não só nos processos de trabalho, mas, principalmente, no resultado final. A rapidez dos métodos significa uma maior rapidez de pensamento que, mal gerida, torna-se inimiga de epopeias ou da capacidade de inventar outros mundos que não seja qualquer coisa rápida, barulhenta e, muitas vezes, vazia ou pouco mais que vazia. Vi acontecer nas artes gráficas há cerca de 15 anos, na música pouco depois e no cinema logo a seguir. Muitos dirão que sempre existiu má música, filmes ou criações gráficas, é um facto, mas a questão aqui é toda uma mudança de mentalidade à qual dificilmente fugimos. Noto nos meus alunos de guitarra, nos miúdos do andebol que treino, nas bandas de bares que encontro por aí, aprendem e assimilam com uma rapidez impressionante, mas, de uma forma geral, são demasiado formatados, apesar do esforço que faço para procurarem outras soluções, imaginadas e criadas por eles, dificilmente saiem do previsto. Cebola num macdonalds? Nem lhes passa pela cabeça. Não pretendo com este texto criticar esta geração mas, por trabalhar bastante com crianças e jovens, tem sido algo com que me tenho debatido nestes últimos anos, até porque estou convencido que a criatividade, independentemente dos meios e da forma, existirá sempre.

27/11/2008

ao Nuno

de profundis I Navegando pelo mar, ausente, perdido na razão contraditória de uma ficção real, avisto uma paisagem que parece um sonho, que me pertence. Talvez? Mas é imensa e real esta sensação, de um lugar amplo onde o vento sopra, acolhendo o corpo como um braço macio, que penetra fundo, envolvendo-o profundamente na confusão. De repente, o mar cresce, atormenta-se, baloiçando ainda mais a ténue convicção desta imagem fantástica. Raros são os momentos de tão pura harmonia, em que os sentidos não são sentidos, em que ser não é ser. Ausência, total ausência. Mas será assim? Será possível? No fundo é só um sonho, o imaginário da ilusão que inunda o corpo de sensações. Mas depois há sempre um sinal qualquer que estremece esta opinião... Um pouco depois, vejo-me enrolado nas ondas, mas já não estão revoltas, simplesmente embalam-me, ternamente. Eu confundo-me com o meu sonho, se é que de um sonho se trata. Súbito, sem qualquer motivo, afundo-me, com tal rapidez que perco os sentidos. Mas nos sonhos não se perdem os sentidos. Acorda-se. Estranho! II Que luz é esta que tudo ofusca e não deixa ver nada, estarei dentro da minha própria ilusão. Que ausência é esta, serei uma ilusão iluminada por uma clareza cega. Mas lentamente começo a ver. Que enorme alucinação! Caberá tamanha alucinação dentro de um sonho? Vejo um mundo de cristal envolto numa grande bolha de água. E eu perdido, sem saber que caminho tomar, mas noto não existirem caminhos. Vagueio, vagueio sem sentido aparente... Sem dar por isso, encontro-me ao lado de pessoas e parecem-me familiares, mas não consigo distinguir feições. Parecem demasiado envolvidas em algo. Devagar começo a ver um pouco mais, nesta claridade vislumbro alguma nitidez. Parece que escrevem. Canetas iguais à minha? Porquê? Estranho! Apesar de confuso, surge-me, nitidamente, a sensação de que tudo é perfeito. Desenrola-se tudo dentro de uma cadência onde apenas a minha confusão diverge. Que abismo é este? Estarei dentro de mim? Serei um estranho dentro de mim? Entretanto, enquanto vagueio neste entendimento, um mundo inigualável corre pelos meus olhos. Como uma música de harmonias infinitas, como um comboio vagaroso numa linha sem fim... III Desfilando calmamente, como o comboio, vejo pessoas, muitas pessoas, com estranhas roupas, parecem-me roupas antigas, cada vez mais antigas. Todas me parecem familiares, as pessoas e as roupas também. Estranho! Por fim, apercebo-me que todas as pessoas são imagens diferentes de mim próprio, as caras, as roupas, os lugares. O tempo é diferente, mas sei que sou eu. Apesar do total desentendimento dos sentidos, reconheço, infinitamente, o meu espírito dentro deste mundo. Não sei se é sonho, ilusão ou o que quer que seja, mas o espírito vagueia, ausente, neste mundo que não sei qual é.

26/11/2008

Esquizofrenia

Richey Edwards, dos Manic Street Preachers, foi, ao fim de 13 anos, declarado morto pelo tribunal. Esquizofrénico talentoso despareceu para não aparecer mais até hoje. Infelizmente, sei bem o que é ter um esquizofrénico talentoso numa banda, quando partem a paz é maior mas a música não é bem a mesma. Manic Street Preachers Motorcycle emptiness Para o Nuno com amor e saudade.

25/11/2008

hipocondriaco eu?

A hipocondria, do grego hypo- (abaixo) e chondros (cartilagem do diafragma), também conhecida por nosomifalia, é um estado psíquico que se caracteriza pela crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, preocupação e auto-observação constante do corpo e até as vezes, à descrença nos diagnósticos médicos. A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo-compulsivo e à ansiedade. Wikipédia Se nunca pensei padecer de doenças graves, a morte não é coisa que acompanhe muito a minha vida, as únicas obsessões que tenho são aquelas duas que sabes, mas também se podem chamar desejo ou vontade. Também sabes que a minha orelha de abano sempre foi motivo de troça, mas que eu sou o primeiro a rir disso, raramente me vejo ao espelho e tenho uma crença quase absurda nos médicos, embora passem anos sem visitar um. Ansioso sou bastante, mas tirando uma excepção em 39 anos, sempre foi essa ânsia que me fez andar, querer, desejar, fazer. Hipocondriaco eu, porquê?

esquecidos ou talvez não

Echo and the bunnymen killing moon Devotchka We're leaving

24/11/2008

quem pediu?

Vaticano "absolve" John Lennon Artigo do ‘L’Osservatore Romano’ elogia a banda britânica The Beatles. Chegou ao fim a Guerra Fria entre a Igreja Católica e um dos maiores grupos musicais de sempre. Notícia do Correio da Manhã Já vou dormir mais descansado e o John Lennon, a arder no inferno, também. The Beatles Bad Boy

22/11/2008

álbum colorido

Quarenta anos depois do álbum branco um álbum muito colorido, venham mais quarenta. The Fireman Electric Arguments Nothing Too Much Just Out of Sight Lovers in a Dream Two Magpies

21/11/2008

Loverman

A propósito deste Loverman, faz 4 anos que vi esta versão ao vivo em New York. Grande versão e grande concerto. De resto tudo na mesma Cause I am what I am what I am what I am. Metallica
Ao acordar a minha voz é bela, nas duas primeiras frases da manhã atinjo os médios/graves com que sempre sonhei. Em mim, até a voz que mais gosto é efémera. Nick Cave Loverman There's a devil waiting outside your door (How much longer?) There's a devil waiting outside your door It is bucking and braying and pawing at the floor And he's howling with pain and crawling up the walls There's a devil waiting outside your door He's weak with evil and broken by the world He's shouting your name and he's asking for more There's a devil waiting outside your door Loverman! Since the world began Forever, Amen Till end of time Take off that dress I'm coming down I'm your loverman Cause I am what I am what I am what I am L is for LOVE, baby O is for ONLY you that I do V is for loving VIRTUALLY all that you are E is for loving almost EVERYTHING that you do R is for RAPE me M is for MURDER me A is for ANSWERING all of my prayers N is for KNOWING your loverman's going to be the answer to all of yours Loverman! Till the bitter end While empires burn down Forever and ever and ever and ever Amen I'm your loverman So help me, baby So help me Cause I am what I am what I am what I am I'll be your loverman! There's a devil crawling along your floor There's a devil crawling along your floor With a trembling heart, he's coming through your door With his straining sex in his jumping paw There's a devil crawling along your floor And he's old and he's stupid and he's hungry and he's sore And he's lame and he's blind and he's dirty and he's poor Give him more There's a devil crawling along your floor Loverman! Here I stand Forever, Amen Cause I am what I am what I am what I am Forgive me, baby My hands are tied And I got no choice No, I got no choice at all I'll say it again L is for LOVE, baby O is for O yes I do V is for VIRTUE, so I ain't gonna hurt you E is for EVEN if you want me to R is for RENDER unto me, baby M is for that which is MINE A is for ANY old how, darling N is for ANY old time I'll be your loverman! I got a masterplan To take off your dress And be your man Seize the throne Seize the mantle Seize the crown Cause I am what I am What I am what I am I'm your loverman! There's a devil lying by your side You might think he's asleep but look at his eyes He wants you, baby, to be his bride There's a devil lying by your side Loverman! Loverman!

19/11/2008

ainda o silêncio

A Maria João fez o favor de deixar esta delícia aqui, vão ver http://atrama.blogspot.com/2008/11/silncio.html, existe sempre alguém que explica melhor as coisas do que nós. John Cage about silence

17/11/2008

silêncios

«Foram momentos exemplares. Desde logo porque, ao contrário dessa obscenidade a que já assistimos diversas vezes (inclusive em Portugal), o público respeitou o silêncio. Depois, porque quem comentava teve o elementar bom senso, também nem sempre prevalecente, de assinalar o facto, de seguida assumindo por inteiro o seu próprio silêncio (peço desculpa, mas não retive o nome do comentador). Finalmente, porque graças a uma dessas maravilhas que um directo pode proporcionar, o silêncio foi de tal modo avassalador que foi possível ouvir as gotas de chuva que caíam nas superfícies metálicas do estádio. Para nossa desgraça existencial, a televisão pouco ou nada nos ensina sobre essa coisa nobre e difícil que é saber ouvir. O que aconteceu na abertura do Blackburn-Chelsea acabou por ser uma maneira singela, também ela simbólica, de resistir às vozes histéricas dos programas de “entretenimento”, ao alarido de alguns programas de debate em que todos se esquecem que a sobreposição de vozes é impossível de acompanhar e, enfim, aos sons violentos de muita publicidade. Não precisamos de ter vergonha de dizer que ouvir a chuva é uma arte esquecida.» Texto integral no sound +vision Há poucos dias acabei as obras no meu estúdio e a forma como tenho celebrado o fim de 5 meses de trabalho tem sido em silêncio. Sento-me e sinto-me a olhar o que fiz. Mais do que não passar som para fora, o que mais gosto neste meu espaço é o facto de não deixar passar ruído para dentro. Assim, posso construir o meu mundo de sons mas, sobretudo, de silêncios, algo quase impossível nos dias de hoje.