15/03/2009

Perdi-te e perdi-me, agora, na abstracção que interpreto. Nesta madrugada tardia, fria, sombria, vazia, onde me perco a ver viver o que não vivo, a não ser em sensações e pensamentos que me obrigam. As palavras não param procurando uma quietude racional, assim aniquilo-me, fingindo um renascimento que não sinto, um despojamento que, mais do que vejo e penso, é o que sou. Invisível absolvo a vida, que serena corre obstinada. Despojado de mim, faço-me nesta abstracção que interpreto. Entrego-me a uma liberdade tão casual como virtual, rendendo-me à desolação isolada da solidão erma, construindo teias emaranhadas de um nada que não controlo. Nesta aflição, onde agonio, deixo a simpatia que não tenho, troçando alarve da insignificância que figuro. Não sou mais que um molde destroçado de mim próprio, uma matriz sem regras que não o desespero, que dissolvo em opostos pragmáticos da razão. Tanto logro que liberto na prisão em que estou. E, como sempre, ela volta, essa puta. Cheia de manhas e artimanhas nas manhãs que não tenho, nas tardes que tardiamente tardo em encontrar, nas noites claras que anseio e não descubro e madrugadas onde perdido me desassossego. Sempre sem piedade, dó ou compaixão, esta ditadora ávida, que, com devoção, me mostra o precipício que aparento, principiando um fim que não antevejo porque o represento. Rumo ao nada que sou, mais um empurrão da puta. Deliro perdido, sem o barco que não vem e o vento que me leva. Derivo à deriva em demanda de mim próprio, vencido pela fraqueza franca que sofro e suporto, pela intimidade solitária da solidão que vivo e faço, pela certeza pragmática de uma razão teimosa. Aqui estou e assim me afiguro, num voo perpétuo, de fragilidade obtusa, de perda irreparável, de arrependimento irremediável, de remorso obstinado, de consolo conveniente, de contrição penosa, de entrega sublimada, de poesia fingida, de fracasso decifrado. Nesta diluição infrutífera sou um porto sem barcos. Neste vento divago, prostrado, sem rumo e felicidade. Assim, contemplativo, diverge todo o meu ser, corpo e alma. Amanhã vou passear, desentorpecer as pernas e o espírito.

14/03/2009

I confide to anything So I have to hide from everything. Everybody wants a piece of me. Rinse the origin and cease to be Sit back and let it happen, Let us take your time away I don't understand you. I don't want your time of day. If you're gonna walk, might as well walk your way, Always walk the whole ways, Forget the punk, I pack the funk. I'm gonna take a piece of you. Making money for good health, but first I learn to see myself You've promised me poems I rue the day that I ever met you, And deeply regret you getting close to me. I cannot wait to deeply neglect you, Deeply forget you, Jesus believe me, You promised me poems. You might have been my reason for livin' I gave up ungivin', gave up everything. We were a right pair of believers A couple of dreamers, so how come You hate me? You promised me poems Dreamed of ringing voices, They contemplated choices. Taste like a rare kiss, To heighten my awareness. With all fairness, greatness, with gratitude. And simply rhymes with attitude Now do promotion and TV, and ya still can't see. We Down the hill cascade And keep away the masquerade, Dreamed of ringing voices, And you promised me poems

13/03/2009

coisas impossíveis

Como se não bastasse a proliferação rasca, em versões mais ou menos parecidas, de "yes we can" por todo o lado, ontem veio o Rui Mandela Lincoln Santos comparar a defesa da introdução das novas tecnologias no futebol à luta contra o apartheid e escravatura nos EUA. Mas que gente é esta que anda nas nossas TV's.

12/03/2009

O som pegou na memória e embalou-a dilacerando-a, desprevenido, aviltei o desassossego sossegado que gozo, emprestando uma ânsia ansiosa à ânsia que faço. De repente afundo-me, ainda mais, a pique, perco-me dentro de tudo o que sinto que sou, falho todas as ideias e, também, os sentidos, menos aquele, que é passado, que foi exclusivo, que é tristeza, que foi alegre, que é definido, que foi feito, que é recordação, que foi lugar e que é presente. Nesta memória abrem-se gavetas fechadas de sentimentos, daqueles reles, vulgares, sem apelo, sem paisagem, sem nada. Só o som que o ar traz.

10/03/2009

mais psicopatias

O primeiro quer-nos a pão e água, os segundos restaurar a confiança para consumirmos mais. Eu vou pelos segundos se não se importam, todos os domingos bebo um chá de camomila, café já era por causa da ansiedade, e um bolo de arroz aqui na pastelaria da esquina. Ao primeiro peço desculpa pela extravagância, aos segundos prometo que se financiarem a fundo muito perdido começo a comer dois bolos em vez de um.

psicopatias

Como se não bastasse o fds, ontem foi mais um dia de parvoíces e grande baboseira generalizada. O Medina Carreira continua a saga da miserabilidade, por ele era tudo posto a pão e água (não sei se ele também) para recuperar a economia, quando recuperada já poderemos, pelo menos, por manteiguinha, inha mesmo. Lá chegaremos, pá, com a tua ajuda, eu aqui já comecei, nem ponho manteiga na torrada que ando de caganeira. Depois, curioso, vi o 2.º episódio da série Prolongamento na TVI24. Achei aquele actor de cabelos brancos, com pronúncia do norte, muito bom, embora o argumentista que lhe escreve as deixas me pareça demasiado embrenhado num humor negro, assim tão escuro tão escuro que me provocava um grau elevado de permanente ansiedade, ao mesmo tempo que um riso absurdo quase demoníaco me saltava do rosto. E só me lembrava de uma frase que o meu velhote diz desde que nasci "Chama-lhe puta, antes que ela te chame a ti." E ria mais. Tentei acalmar o riso angustiado com a sapiência dos convidados do Contras com os Prós, mas ou eu ando maluco ou aquela gente é mais bolos, tortas, brioches ou qualquer coisa assim, porque crise é mentira. O espanhol então quase que me matava a rir quando disse que Espanha estava pior que esta coisa à beira-mar plantada, como farto de humor negro já eu estava fui para a cama acabar o Psicopata Amaricado, aliás Americano, que merda de livro este, mas comecei acabo.

09/03/2009

coisas sérias

Fiquei ontem a saber que o meu avô paterno recebeu indicações, pelo PCP, para matar um polícia, daqueles que gostavam de ser ainda piores que os pides. Respondeu que isso não fazia. Falta de coragem não terá sido pois imprimia e distribuía o jornal Avante, tendo sido preso e levado umas porradas valentes por isso, nunca denunciando ninguém. Só me resta a questão humanitária. Existe alguma mais importante? Mas fica a dúvida, o mundo não seria melhor e mais humano sem aquela pessoa?
Então e o Reyes que joga como quem faz bilu bilu ao bebé mas quando toca a mudar a fralda e limpar a merda quieto. Este é como o Quaresma, enganam bem.

futebol, crise, solteiros e casados

No Sábado tive um dia santo e deu-me para ver futebol, enquanto via o jogo do Real com o Atlético de Madrid ia passando pelo Sporting x Paços Ferreira, para ver o que se passava. Foi deprimente, no primeiro jogava-se futebol a sério, com velocidade, profissionalismo, muitas oportunidades de golo, garra e, principalmente, sem paneleirices nem repetições infinitas de lances duvidosos. Quando mudava, via jogadores a caírem porque o adversário soprava, jogo sempre parado com faltas e discussões, repetições constantes de lances banais, a velocidade era como sair de uma corrida de fórmula 1 para a Volta a Portugal em triciclo. Este exercício, involuntário, foi esclarecedor e, como se não bastasse, em Portugal vimos um estádio vazio de gente carrancuda, em Espanha estádio cheio de gente alegre, porque isto no que toca a crise, apesar de mundial afecta mais uns mundos do que outros. Acabei bem a noite, com uma soberba estética no canal 2. 2001 Odisseia no Espaço é um filme impressionante, não existe um plano falhado, não existe uma imagem onde fique a sensação que o realizador podia ter feito melhor, as cores, os alinhamentos, a música, tudo é perfeito, que infelicidade nunca ter visto este filme no cinema. A Laranja Mecânica já não deu para rever. Domingo de manhã, os meus putos do andebol continuaram a senda de vitórias, a semana passada foi o Sporting e desta vez o Loures, por uns esclarecedores 28-4, como o jogo foi em casa e tínhamos o pavilhão livre, os pais resolveram fazer uma espécie de solteiros e casados que, pareceu-me mais ao nível do derby espanhol, tal era a rapidez com que ficávamos exaustos, este escriba desajeitado ainda meteu 2 golos, mas não estava lá nenhum olheiro do SLB. O que já não esperava, era assistir a outro solteiros e casados à noite, sendo que os casados eram de certeza os de vermelho, cada vez que tocavam ou não tocavam na bola pareciam-me mais preocupados com as fraldas que tinham para mudar. A excepção foi o Aimar, esse parecia mais preocupado pela possibilidade de vir a ser avô, vá lá que ainda conseguiu dar uma valente bengalada na bola, só possível naquele minuto de jogo. Nem o glorioso me salva, vou mas é para Espanha.

seria esta ó puto

Insónia: DIA INTERNACIONAL DO CHOCOLATE

06/03/2009

ouvido na escola

"Vai lamber a cona de uma mulher." Aluno com 9 anos para outro puto depois de levar um pontapé.

03/03/2009

on the verge of the word encore

Fotografia: MP Não vejo o porto, o barco, o tempo, a hora ou o vento que me leve. Songs are just songs Singing anywhere And I know no ones cares.

on the verge of the word XXI

Fotografia: M Apetece-me terra que me apetece ser e a pertença ao lugar onde estou. Ser todos os grãos de vida que não é e o magma perene de solidão. Destruir o abismo de medo, o desassossego e, também, os conceitos e preconceitos, os desenganos e desesperos, as angústias e os devaneios, as alegrias temperadas em sal insonso, ou as mágoas todas que sou e faço. Adubar-me do nada que não sei e transformar esta vida que tem que ser, porque existe, no lugar terra a que pertenço. Angel calls on me set to take me out, angel with no face. the end of the line; beginning of time, a matter of faith. I see all my friends from distance afar on another plane, mourning over me: a sickness of heart - a sense of betrayal. have you seen the twilight close so slow.. (I rose over them so light). men in black suits dressed – cold soft wood and marble silk, to take me away. no heaven or hell. the memory behind lingers on a face.

02/03/2009

on the verge of the word XX

Fotografia: MP Fujo com medo dos passos, do silêncio. Neste salão de baile que são as memorias, assusto-me com a dança das palavras. E, em todos os salões e praças de silêncio encontro todas as palavras que temo, dou-lhe as minhas mãos e aprendo a dançar. I see my dark angel passing by, Singing her melody. Trying hard to touch the sky and fly; Always trying to be strong and free. Don’t be ashamed of anything, Don’t be afraid of anything, In this way. Oh my sweet dark angel, sing this song with me. Oh my sweet dark angel, I just want your company. I listen to her voice singing I’m pretty sure, A melody full of grace. I know that you want more Always fighting for your time and space. Oh my sweet dark angel, sing this song with me. Oh my sweet dark angel, I just want your company. Fly in the dark or in the bright light, Don’t be scared, you’d never fall. You know that life is a fight And sometimes you’ve got to break the wall. Oh my sweet dark angel, sing this song with me. Oh my sweet dark angel, I just want your company.

on the verge of the word IX

Fotografia: MP Volto ao passeio sem calçada, na apatia sou mais um entre muitos, mas sei, que do alto do Empire State Building, não fui mais que uma Midletown de mim próprio. Look at me look at you Inside the House of Blues. Without faith or control, Breaking out in our soul. Look at me look at you Losing hope in the House of Blues. Cracking out – drift away, With no means or words to say. Will you take me out tonight? Shall we dance the blues away? Will you take me out tonight? So please, show me that we can. Look at me look at you In this House of lonely blues, Without style or even grace, Drowned in time and out of space. Look at me look at you. This is an empty House of Blues Where the song is the same, Always blue in this lost game. Will you take me out tonight? Shall we dance the blues away? Will you take me out tonight? So please, show me that we can.

28/02/2009

on the verge of the word VIII

Fotografia: MP Preciso da ausência que sou, e de todos os sonhos onde faço o sonho que prefiguro, arrebate falhado de um espírito inconsequente. Esvoaço sem tino, sempre ausente nesta ausência que sou. Oh wert thou in the cauld blast, On yonder lea, on yonder lea, My plaidie to the angry airt, I'd shelter thee, I'd shelter thee; Or did misfortune's bitter storms Around thee blaw, around thee blaw, Thy bield should be my bosom, To share it a', to share it a'. Or were I in the wildest waste, Sae black and bare, sae black and bare, The desart were a paradise, If thou wert there, if thou wert there. Or were I monarch o' the globe, Wi' thee to reign, wi' thee to reign, The brightest jewel in my crown Wad be my queen, wad be my queen http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Burns

27/02/2009

on the verge of the word VII

> Fotografia MP Ao vento conto segredos, em sigilo disfarçado resguardo-os e disperso-os em grãos finos de areia fina. E as dunas embalam-me. No céu escrevo cartas, todas as cartas com todas as letras que encontro, cartas de paixão e amor, enrolo-as em metáforas papel e sopro. E o céu abre-se. Nesta ausência feita de sonho construo a eternidade. Slow down, you’re innocent and frail, Words may make you fail, You’re green before the world. Limitless in pain but precious just the same, Life’s from skies above. Easy, you know my life is yours; You’ve heard it all before. It’s true – can’t be denied. Limitless in pain, life’s a dying game, You’ll play it well I’m sure. You’ll learn sweet Love from scratch, You’ll scream and dream and laugh, And then you may come back and do it all again.

26/02/2009

on the verge of the word VI

Fotografia: MP Sempre este desassossego que levo e trago em mim, só, sozinho, sem barco, sem partida, sem porto, sem chegada. E tu no outro lado a rir. You look at me and see my soul, See my mind, feel my soul. Eager in your world beneath, You take no care, you take no heed. Centered in your own belief, You disrespect what I may feel. Irreflected and unreal, You spin my world into ordeal. Stay with me now, every single day, every single way; Stay with me now, and make me believe I am more than just a game. Using and abusing fate, One night stands All seem ok. 20 years passed on this way You look behind, now it’s too late. Stay with me now, every single day, every single way. Stay with me now, and make me believe I am more than just a game. With me now, and depend on me, and make me believe. Stay with me now and hang on to this, That will always be like this.

on the verge of the word V

Fotografia: MP Neste abismo de ânsia e desassossego que sou, marina o tédio que sinto em mim. E o vento que os leva, quando chega? Tonight you can hate me, I know that you have to. In this war you might beat me ‘cause I feel that you have to. Temporarily, I forget the emptiness, Looking for myself in your soul. Tonight nobody loses: There ain’t no lies, There ain’t no tears to hold on to. In this war there’s no surrender. We feel rage but there are no fears. Temporarily, I forget the emptiness, Looking for myself in your soul.

25/02/2009

Não queria interromper esta série on the verge of the word, mas preciso de dizer isto. Apesar de ter achado o slumdog um bom filme, o facto de este ter ganho as principais estatuetas ao Beijamim só pode ser anedota. Assim, quase que fico com vontade de concordar com os escatológicos. Não adianta nada mas fica registado.

on the verge of the word IV

Fotografia de Mafalda Paiva tal como as anteriores O mundo é esta roupa que visto e me cai mal. Assim, procuro a simplicidade, o breve momento em que me confundo com uma gota húmida do orvalho! All you wanted was my name. All you wanted was to feel insane; And we walked and we drifted all night long. And we talked and we drifted all night long: The rain came down on me All I wanted was the same: All I wanted was to burn in flames. And we spoke, and we waited until dawn. Then we woke and we listened to some songs. The rain came down on me. The rain came down and set me free; The rain came over, made me stronger, set me free. The rain came down on me. All I wanted was your name; All you wanted was to feel insane; And we walked and we drifted all night long. And we talked and we drifted all night long: The rain came down on me. The rain came down and set me free; The rain came over, made me stronger, set me free. The rain came down on me.

24/02/2009

on the verge of the word III

Apetece-me partir de mim, sem volta que não a ida. E se no caminho todos os passos se apagarem, e se na chegada todos os pensamentos se perderem, será que aquele que de mim parte nunca terá existido? All you motherfuckers have been wrong: Put a weight on me, left me to drown. I’m not going down All you senseless bastards, all you crones Put a weight on me, left me alone. I’m going home. All the times I needed you were gone; Every cry for help was so forlorn But I pushed along, pushed along… In time you’d feel so fine, (It was so much more than fine – ‘cause in that time you’d feel Love shine) There was so much more to find So alone, on my own, or so it seems. All you MF have been wrong: Put a weight on me, left me to drown. I’m not going down All the times I needed you were gone; Every cry for help was so forlorn But I pushed along, pushed along… In time you’d feel so fine, There was so much more to find. In that time you’d feel just fine There was so much more to find. So alone, on my own, I just play it again, play it again on my own This is the end, or so it seems, The end.

23/02/2009

on the verge of the word II

“Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer” Fernando Pessoa Fill the blanks with your eyes In a picture full of light. Draw this life in red and blue, A trace of blood that is you; In the sky, asking why. Don’t stop this flow in vain Copy that picture again and again. Draw this life in red and blue, A trace of blood that is you; In the sky, asking why. Don’t you care about grace? Just take your place. Don’t be scared, it’s just you in red and blue. Seal the pages, off your pride. In a picture you can’t hide; Blow the silence through the rain; Whisperings / shouts beneath the blame Asking why, under the sky. Don’t you care about grace? Just take your place. Don’t be scared, it’s just you in red and blue. Feel your feet over the ground; This moving image ain’t no sound; Silent picture of you, Traces of red and blue. Don’t you care about grace? Just take your place. Don’t be scared, it’s just you in red and blue.

22/02/2009

on the verge of the word I

Diz-se que uma pessoa que viva o suficiente acaba por ver passar os cadáveres dos seus inimigos, a verdade é que dos amigos também, e se existe alguma certeza nesta vida, a perda é o certo centro dessa certeza… Words are just words, Left in the paper, Written anywhere; And you know no one cares. Words are surreal, Spoken in the air; And you know you don’t care. There are stars in the sky shining for you; There are stars in the sky, they’re shining for you; There’s an angel in the sky, for you. There’s a song in the sky, for you. …e não existe solidão maior que perder alguém que queremos.

21/02/2009

on the verge of the word intro

Na perda encontramos, sempre, a vida, aquela a que somos obrigados porque continuamos cá.

20/02/2009

terra

Ainda nessa festa do avante lembro-me que depois dos Faiport Convention, a caminho de qualquer lado, vejo-me noutro palco a assistir a cantares alentejanos, passado um pouco pedi ao meu pai para ir embora que aquilo era uma seca. Um homem atrás de mim, barbudo como se usava na época, começou a dar-me uma lição da importância e significado daqueles cantares para as pessoas, de história, tradição, raízes, tudo com uma clareza e simplicidade de discurso que, apesar da tenra idade, ainda hoje não esqueci. Fiquei até ao fim aprender a importância do que via e não custou nada. PS: Entretanto já me esquecia, esta estória a propósito de ainda ficarmos espantados por sermos um país de queixinhas, de pequenos déspotas, moralistazinhos e, agora mais que nunca, de verdadeiros saloios.

coisas boas

Um dos melhores concertos que vi na minha vida, Fairport Convention na festa do avante, era uma criança imberbe de cerca de 9 anos. Mas lembro que foi no Jamor e não parei de saltar com o meu pai e o meu irmão ao lado.

save what you can

Estamos prestes a entrar na fase do salve-se quem puder. Well it doesn't look much like we'll see the new year Cos all the bright young faces are here And I can't see us rising to their occasion any more No, not their Christmas cheer Time is against us, even love conspires to disgrace us And with things being what they are ... Yes and things being what they are Oh my friend, we used to walk in the flames Now somebody's taken my arms The shadows are taller you're missing your halo With your face in the half-light you look like a stranger You made me catch my breath just then You made me catch my breath Is that you... is that still you? If you cannot run, then crawl If you can leave, then leave it all If you don't get caught, then steal it all If you don't get caught. then steal it all Steal it all The final time we touch I watch as you enter the church You turn and you wave, then you kneel and you pray And you save of yourself what you can save If you cannot run, then crawl If you can leave, then leave it all If you don't get caught. then steal it all If you don't get caught. then steal it all Steal it all And between ourselves, and the end at hand, Save what you can

19/02/2009

The Rolling Stoned (aka Stones YCAGWYW Soulwax remix)

californication

Hoje começa a série californication no canal fx, às 23.10 h., se a segunda temporada for tão boa como a primeira é de não perder.

18/02/2009

casamentos

Casamento homossexual incestuoso poligâmico, isso é que era um grande copo-de-água e uma rebaldaria na noite de núpcias, o que vale é que ficava tudo em família (boa matéria para os contemporâneos). A parte homossexual dispenso, infelizmente o corpo de um homem excita-me tanto como uma parede, mas a parte da poligamia agrada-me. A palavra homossexual é bonita porque é que insistem no gay, palavra feia, mesmo feia. Mais a sério sigam estes links. Insónia: CONTRA O CASAMENTO e depois sigam o link da adenda

16/02/2009

o vira do minho

A minha filha foi ao Gerês passar um fim-de-semana dos namorados. Ontem quando chegou disse-me que gostou mas aconteceu um episódio engraçado, quando chegou depois das 3 da tarde sem local para comer, foi a um café e pediu um pão de leite com queijo e manteiga pelo qual lhe pediram 5.50 €, claro que filha de quem é, perguntou se estavam a brincar com ela, então o dono disse para ela dar o que quisesse, deu 2 € e bye bye. E assim continuamos nós portugueses, iguais a nós próprios.

professor ppz

Lembram-se do meu texto das superstições, meditismos e quejandos, não dos avós com a quarta classe, mas gente com cursos superiores. Agora, inesperadamente, aparece um Pacheco Pereira messiânico, qual Zandinga a prever que o clube de azul vai ser campeão. Exmo. Dr. PPZ o que prevê já me aconteceu a mim e a muitos, que nos próximos anos vai acontecer a mais não é novidade, portanto esse preto não me assusta. Anedótico é querer parecer que só o desajeitado Sócrates tem responsabilidades. Como é que o primeiro pacote de dinheiro comunitário, Cavaco primeiro-ministro, foi aproveitado, e os outros depois e este agora, o preto só tem andado mal disfarçado de um pantone que resvala entre o cinza desbotado e um verde fé parva em não sei quê. Esperem, afinal nem tudo é negritude, ao longe vejo uma luz. Quem será? É um avião, é um raio, é um meteorito, será uma estrela? Não, é a Manuela Ferreira Leite, ufa estamos salvos!

15/02/2009

slumdog

Slumdog é um bom filme porque tem uma boa fotografia, realização, uma edição e direcção de actores excelente e, por fim mas mais importante, a estória é bem contada. O resto interessa-me pouco.

o que vale

Take me out tonight Where there's music and there's people Who are young and alive Driving in your car I never never want to go home Because I heaven't got one Anymore Take me out tonight Because I want to see people And I want to see lights Driving in your car Oh please don't drop me home Because is not my home, is their home And I'm welcome no more And if a double decker bus Crashes into us To died by your side It's such a heavenly way to die And if a ten ton truck Kills the both of us To died by your side Well, the pleasure and the privilege is mine Take me out tonight Oh, take me anywere, I don't care I don't care, I don't care And in the darkned underpass I tought 'Oh God, my chance has come at last' But then a strange fear gripped me and I just couldn't ask Take me out tonight Don't take me anywere, I don't care I don't care, Idon't care Driving in your car I never, never want to go home Because I heaven't got one, no, no Oh, I heaven't got one And if a double decker bus Crashes into us To died by your side It's such a heavenly way to die And if a ten ton truck Kills the both of us To died by your side Well, the pleasure and the privilege is mine There is a light that never goes out There is a light that never goes out There is a light that never goes out There is a light that never goes out And if a double decker bus, crashes into us To died by your side it's such a heavenly way to die And if a ten ton truck, kills the both of us To died by your side, well the pleasure and the privilege is mine There is a light that never goes out...

everyday is like sunday

Acordar tarde e ir à fnac comprar um jogo da nitendo para o puto, pagar o gás e pôr gasolina. jogo: 39 € gás: 22 € gasolina: 20 € Total: 81 € Mais uns trocos para café, bolos. Se de tarde for ao cinema vão 100 €, não me parece já são excentricidades a mais, o melhor é ficar a coser meias. Afinal, não foi só o Salazar, isto continua tudo fodido. Haja fé! Trudging slowly over wet sand Back to the bench Where your clothes were stolen This is the coastal town That they forgot to close down Armageddon - come Armageddon! Come, Armageddon! Come! Everyday is like Sunday Everyday is silent and grey Hide on the promenade Etch a postcard "How I Dearly Wish I Was Not Here" In the seaside town ...that they forgot to bomb Come! Come! Come - nuclear bomb! Everyday is like Sunday Everyday is silent and grey Trudging back over pebbles and sand And a strange dust lands on your hands (And on your face... On your face ... On your face ... On your face ...) Everyday is like Sunday "Win Yourself A Cheap Tray" Share some greased tea with me Everyday is silent and grey

13/02/2009

mais fé

Afinal Salazar não fodia só Portugal, também fodia as portuguesas. Tudo com muita fé.

mais fé

Só com muita fé não se gosta do Slumdog Millionaire. Como diz um amigo meu, tão próximo que quando me vejo ao espelho o vejo a ele. A vida é uma merda. E depois, sempre gostei de cu.

"...É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia." aqui: http://caderno.josesaramago.org/2009/02/10/ateus/ Penso muito nisto, um mundo sem fé, sem o absurdo pensamento de possibilidades que não aquelas que fazemos e sonhamos, seriamos um nada melhores e mais responsáveis.

12/02/2009

deZafinando

Não há nada que me console, neste momento Não há felicidade, não há tristeza Não há amargura nem tão pouco raiva Neste momento não há nada que me console... DeZafinando em MIm, só em mim Nesta vida de uma nota só Sozinha, perdida, deZafinada Só em mim deZafinando em MIm... Não há nada que queira, agora Não há vontade, não há inércia Não há mágoa nem tão pouco fúria Agora não há nada que queira... DeZafino em MIm, só em mim e em toda a escala Nesta bruma feita vida Gasta, corroída, errada Em toda a escala deZafino em MIm, só em mim... Não há nada que lembre, sempre Não há desafio, não há derrota Não há vitória, muito menos glória Sempre não há nada que lembre... DeZafinando sempre todas as canções Todas as letras e poemas de uma vida Feia, falhada, cansada Todas as canções deZafinando sempre... Não há nada que faça, todos os dias Não há desejo, não há interesse Não há memória nem tão pouco pensamento Todos os dias não há nada que faça... DeZafinando em MIm, sempre e só em mim Não há felicidade, não há tristeza Não há amargura, não há raiva Não há vontade, não há inércia Não há mágoa, não há fúria Não há desafio, não há derrota Não há vitória, não há glória Não há desejo, não há interesse Não há memória, não há pensamento Sempre e só em mim, deZafinando em MIm Não há amor, não há verdade! Fotografias: Mafalda Paiva

11/02/2009

Na escuridão escura que vejo, tento aprender apreendendo todos os lugares, todas as cores, todos os cheiros, todas as razões, que fazem esta existência isolada. E sinto o vento que se levanta devagar, sinto as nuvens que regressam sem pressa, a chuva que não cai mas se anuncia, o gelo que não está mas represento. Assim, faço-me sombra escura na escuridão. A esta escuridão dobro-me sem esplendor, aparto-me de tudo e de todas as coisas, penso nas curvas turvas que esta sombra aparenta, e, dos lábios, forjo palavras vagas. Nesta chegada sem verdade, sem partida, desejo a folha, o fruto, a força, o abstracto, arranco árvores pelas raízes profundas, que seguro fazendo-me braços e mãos, que, nesta escuridão, te descobre e agarra. Assim, solto o tempo e o espaço faço o sol e a chuva, recolho-me feto ou sábio grisalho, divido o natural e o além, sou o espírito e sou a alma, sou a mãe, sou o pai, e o amor também.

ao rff

massive attack teardrop Love, love is a verb Love is a doing word Fearless on my breath Gentle impulsion Shakes me makes me lighter Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath Night, night of matter Black flowers blossom Fearless on my breath Black flowers blossom Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath Water is my eye Most faithful mirror Fearless on my breath Teardrop on the fire of a confession Fearless on my breath Most faithful mirror Fearless on my breath Teardrop on the fire Fearless on my breath You're stumbling a little

10/02/2009

marcelo camelo

Tal como eu tinha dito aquando do Rock em Stock, apesar do mau som a que esteve sujeito, este Marcelo de Camelo não tem nada. Belo disco este nós.

um trompete que respira

Billy Bragg Levi Stubbs' Tears When the world falls apart some things stay in place Levi Stubbs' tears...

mais do mesmo ou esta merda não tem cura ou ainda que faço aqui

Ontem no prós e contras um empresário da indústria têxtil, talvez daqueles com Ferraris à porta de casa, dizia que há 1 ano que procurava pessoas para trabalhar e não tinha, porquê perguntaram, porque o povo não quer trabalhar. Exmo. Sr. Venho por este meio informá-lo que desejo ser integrado na sua empresa, e apesar do meu currículo ser o que poderá ver, se assim o desejar, aceito qualquer trabalho. Garanto que aprendo com rapidez e eficiência, consigo criar bom ambiente e informo ainda que em todos os trabalhos que tenho tido ao longo da vida uma mão chega e sobra para contar as vezes que faltei, todas muito bem justificadas. Como contrapartida a única coisa que lhe peço é um ordenado que dê para pagar uma renda de casa e despesas correntes, a minha alimentação e dos meus filhos, roupas, calçado (nada de exageros não se preocupe), educação, livros, uma ida ou outra ao teatro, cinema, concertos, exposições (não quero morrer estúpido nem os meus filhos), por último já que o Sr. anda tão bem instalado nesse carro bonito que tem, um qualquer Fiat que ande, para mim e para as crianças, chega. Assim sendo fico disponível para iniciar funções quando e onde quiser. Com os melhores cumprimentos, eu mesmo PS: De tão saudáveis que temos sido, quase me esquecia da saúde, pelo menos para o dentista, concerteza não quer desdentados e cariados na sua empresa. Billy Bragg There Is Power In A Union There is power in a factory, power in the land Power in the hands of a worker But it all amounts to nothing if together we don't stand There is power in a Union Now the lessons of the past were all learned with workers' blood The mistakes of the bosses we must pay for From the cities and the farmlands to trenches full of mud War has always been the bosses' way, sir The Union forever defending our rights Down with the blackleg, all workers unite With our brothers and our sisters from many far off lands There is power in a Union Now I long for the morning that they realise Brutality and unjust laws can not defeat us But who'll defend the workers who cannot organise When the bosses send their lackies out to cheat us? Money speaks for money, the Devil for his own Who comes to speak for the skin and the bone What a comfort to the widow, a light to the child There is power in a Union The Union forever defending our rights Down with the blackleg, all workers unite With our brothers and our sisters together we will stand There is power in a Union.

09/02/2009

mais do mesmo ou onde está a honestidade ou que merda é esta ou ainda isto é Portugal

Depois de muitos anos a praticar desporto, andebol e futebol, nunca vi nem vivi, nem num desporto nem no outro, a experiência de alguém sofrer uma falta para um castigo máximo e prescindir desse mesmo castigo. Também poderia aqui explicar que para os jogadores de andebol, desporto que pratiquei mais anos, muitas das grandes penalidades assinaladas no futebol nos fazem rir, então para os de rugby faço ideia o fartote. Isto a propósito daquela brincadeira que o Lucho percebeu quase a tempo que não devia fazer, naquela fracção de segundo apalhaçada conseguiu discernir que aquilo não era o circo e recompôs-se, mas no intervalo disse ao compatriota, bem isto hoje não vamos lá, os gajos estão a defender muito bem e a contra-atacar melhor, tu que andas mais pela área na primeira vez que um adversário soprar mandas-te para o chão, o árbitro como já viu que eu sou assim mais ou menos honesto vai marcar de certeza, senão marcar o mais que pode acontecer é levares amarelo mas eu continuo mais ou menos honesto. Por fim, fico muito feliz que o professor, responsável pela equipa, tenha a visão que teve do jogo, parece que os parâmetros de exigência este ano estão bem mais baixos, mas mais satisfeito fico com o pragmatismo do espanhol Flores (bonito nome) do Benfica.

honestidade onde andas?

Este sábado tive mais uma confirmação do Portugal de hoje. Os meus meninos do andebol tinham um mini-torneio marcado no colégio Salasiano-Oficinas de S. José, nos Prazeres. Acordar às 8 da manhã, tropas reunidas no pavilhão do Almada às 8.45, junto ao Cristo-Rei, miúdos e pais com carro, que o Almada não tem dinheiro para autocarros, e lá fomos. Em 20 minutos chegamos ao destino, entramos e ninguém nos recebe, encontramos o colégio S. João de Brito, que também não percebiam o que se passava, a equipa da casa ou responsáveis não se deixavam ver. Depois de uns minutos à nora lá consigo encontrar alguém que me dá o número do coordenador das instalações desportivas, telefono e peço indicações. Resposta, quais indicações não temos nada agendado, nem sequer temos andebol e eu com o fax da Associação de Andebol de Lisboa com tudo marcado, tento ligar para a Associação mas é sábado. Espantado, mas não muito, digo aos pais e miúdos que, tristes, regressam a casa. Já noite, telefona-me um pai a dizer que no site da Federação está marcado outro mini-torneio domingo às 11 horas no pavilhão do Ginásio do Sul com o clube da casa, o Almada, o Sporting e o Coop. Escola, já tarde e presumindo nova confusão, porque só costuma existir um torneio por fim-de-semana, não convoco ninguém. Domingo de manhã vou até ao pavilhão do Ginásio, 5 minutos a pé, e deparo-me com a comitiva do Sporting, todos equipados a rigor na rua com o pavilhão fechado e fechado continuou, o Ginásio sei eu que tem andebol mas não apareceu ninguém, provavelmente foram enganados para outro lado, tal como nós no dia anterior. Não satisfeito, telefono e procuro informações com dirigentes mais velhos, resposta, estes gajos recebem subsídios para organizar estes torneios e como em todos os subsídios existem prazos a cumprir, então fazem tudo em cima do joelho originando confusões como a deste fim-de-semana. Esclarecido de algo que já suspeitava, reduzi-me à insignificância de quem se dedicou a treinar os putos, sem ganhar um tostão, só porque sim. Assim, pergunto àqueles que dizem, num contexto mais vasto, que o único caminho possível é a honestidade. Qual honestidade?

08/02/2009

mais do mesmo

O jornalista diz que o clube que jogou com o Benfica segurou o comando do campeonato, não me pareceu que fosse o clube mas se calhar vi mal. Nem fico chateado com os pontos oferecidos ao adversário, nunca me preocupei com os pontos dos outros clubes, mas aborrece-me que tirem pontos ao meu Benfica. Tirando o Leixões, de longe a melhor equipa deste campeonato, destes dois só vi uma equipa com estofo de campeão.

07/02/2009

esquecidos ou nunca lembrados

The MIGHTY LEMON DROPS Into The Sun Numa altura em que todos queriam parecer os Smiths.

06/02/2009

Time, life itself goes on

Portishead Half Day Closing In the days, the golden days When everybody knew what they wanted It ain't here today Through the times of lasting love when parents talked of things tried and tested They don't feel the same Dreams and belief have gone Time, life itself goes on From beyond the shrinking skies Where money talks and leaves us hypnotized It dont' pave the way Underneath the fading sun The silent sum of a businessman Has left us choking Dreams and belief have gone Time, life itself goes on In the days, the golden days When everybody knew what they wanted It ain't here today Dreams and belief have gone Time, life itself goes on

tango

Astor Piazzolla Adios Nonino Fotografias: Mafalda Paiva

04/02/2009

impressões

O mundo parou, qual crise económica, falências, desemprego, miséria, fome, doenças, o Michael Phels fumou uma ganza. Há 3 dias que não se fala noutra coisa, e depois de um pedido de desculpas ridículo até querem levar o homem a tribunal, cada vez fico mais choné.

02/02/2009

waterboys spirit

meditando

Cada vez mais, tal como no tempo dos meus avós, volto a ouvir falar de mau olhado, superstições, bruxas, mezinhas. Conheço pessoas, quase todas relativamente bem e instruídas, que não param de me falar de auto-ajuda, feng shuis, meditismos e uma panóplia de situações que me deixam em estado de contracção para não ser indelicado e a abanar a cabeça ao jeito de pois, pois, tentando disfarçar o ar parvo com que fico. Porra pá, eu também gosto muito de Yoga, mas só porque aquilo estica-me o corpo todo depois do ginásio, quando começam a chamar não sei por quem desligo. Por outro lado, de forma mais séria, existem pessoas a organizar-se em movimentos cheios de boas intenções, mas completamente obscurantistas. Vou a uma entrevista de trabalho e a Sra. que me entrevista(que tem trabalho e não tão mau quanto isso) começa a desabafar comigo, à velocidade da luz, durante 2 horas. Tenho uma reunião com vista a definir uma linha de trabalho para atingir determinados objectivos e está tudo completamente noutro planeta ou lugar espiritual sei lá. Com isto tudo, começa a parecer-me que o maluco sou eu, como os desgraçados deste estudo De Rerum Natura: Conformidade ou conformismo?, que apesar de saberem que a resposta estava mal, seguem com a maioria. Apesar desta campanha, os medos são muitos e sinto um retrocesso civilizacional enorme, mas se calhar sou eu que estou a ficar choné.

31/01/2009

o amor

Naquela coisa do BI musical, interessou-me, especialmente, a questão do amor, não por ser fodido mas mais por ser a foda que é. O Henrique diz que, Until you've flipped your heart and you have lost, you don't know what love is. – George Benson A Maria João E eu sem você Sou só desamor Um barco sem mar Um canto sem flor Tristeza que vai Tristeza que vem Sem você, meu amor Eu não sou ninguém - Vinícius de Moraes Eu mesmo, peço mais uma dança Look at me look at you Loosing hope in the house of blues Cracking out and drift away With no means or words to say Will you take me out tonight Shall we dance the blues away Will you take me out tonight Show me that we can A Ana, mais feliz, dá-nos essa espécie de dança, onde o que mais retenho dessa cena, já vista e revista na minha cabeça vezes sem conta, é que para dançar temos de ser mesmo heróis. Grande Ana. David Bowie Heroes

29/01/2009

Woody Allen

Tendo em conta o post anterior, fiquei muito desiludido com a cena da loira e da morena no Vicki Cristina Barcelona, beijinhos daqueles dou aos meus filhos. De resto, gosto que o Woody Allen ande a espalhar as objectivas pela Europa fora, acho uma lufada de ar para ele e para nós espectadores. Gostei daquele casal maravilha, Javier Barden e Penélope Cruz, estes dois sim dominam o filme, qual Scarlett boazona tonta (que raio de cena aquela do regresso no avião em que Scarlett parecia mais o Woody Allen do que ele próprio) ou Rebecca boazona boazinha. Aquele casal sim, óptimos os tempos daqueles devaneios em espanhol/inglês/inglês espanhol. Final sonso, bem como as risadas meio envergonhadas, meio chocadas, meio excitadas das duas moçoilas jovens na fila de trás, esta mentalidade que não anda.
A minha pátria é a língua.

28/01/2009

acorrentado pela 1.ª vez

O desafio veio daqui Insónia 1 - És homem ou mulher? I'm your man - Leonard Cohen 2 - Descreve-te The boy with the thorn in his side Behind the hatred there lies murderous desire for love – The Smiths 3 - O que as pessoas acham de ti? I'm a loser, I'm a loser - The Beatles 4 - Como descreves o teu último relacionamento? With or without you With or without you I can't live With or without you With or without you - U2 5 - Descreve o estado actual da tua relação. Are you ready to be heartbroken? Lloyd Cole 6 - Onde querias estar agora? New York New York - Frank Sinatra 7 - O que pensas a respeito do amor? Look at me look at you Loosing hope in the house of blues Cracking out and drift away With no means or words to say Will you take me out tonight Shall we dance the blues away Will you take me out tonight Show me that we can The Verge - a música vão conhecer brevemente :) 8 - Como é a tua vida? A formiga no carreiro andava à roda da vida caiu em cima de uma espinhela caída furou furou à brava numa cova que ali estava - José Afonso 9 - O que pedirias se pudesses ter um só desejo? Time - Tom Waits 10 - Escreve uma frase sábia. Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não. continuar a corrente é mais difícil, nem sei quem me lê, vou tentar aqui http://wittgensteinsvienna.blogspot.com/

27/01/2009

Acho que isto anda é a precisar de uma mortalha, daquelas que fazem rir.

Insónia: DIA 27

O dia acorda claro e intenso, sol que brilha em mim, apesar da geada. Com os pés na terra faço-me ao caminho, subo, paro e desço avenidas, ruas, becos, atalhos, calçada que calcorreio em pedra dura e fria. Nas encostas destas colinas passo por pessoas, muitas pessoas, todas numa azáfama de cá para lá, de lá para cá e de todo o lado para nenhum, que o meu caminho só eu sei e eles os deles. O céu está azul, tão azul que mais azul não podia estar, as gaivotas rodeiam o rio, quase mar de salgado que é. Em voos picados na procura de sustento atiram-se à vida. Detenho-me nesta imagem, um segundo, dois segundos, talvez uma vida, agora não que não posso, cinco segundos, dez segundos e atiro-me ao caminho, picado por uma ânsia que arranco ao tédio. Neste frenesim, ando e procuro procuro e ando, membros soltos em movimentos lineares desatinados, passos desarranjados que liberto ao ar, que, brisa fria, me inunda e aquece o corpo. Ossos, ligamentos, tendões, músculos, pele, monte de carne que sua, sonha e segue. Se encontrar as escadas, feitas de degraus, que me levem a ti, a claridade brilhante serei eu. Nesta loucura, abraço as cores, todas as cores. Abraço o preto roupa que sou e me cai mal, abraço o azul que do céu cai sobre mim, abraço o marfim da calçada que percorro, abraço o lilás do arco-íris que imagino, abraço o roxo escuro misterioso do rio, abraço o verde das árvores que cheiro, abraço o castanho das raízes profundas, abraço o laranja fogo, paixão em mim, abraço o púrpura do poente tardio, abraço o ocre desbotado que sou, abraço o amarelo dourado do sol, abraço o prata reflexo complexo, abraço o azul mar do horizonte, abraço o turquesa teus olhos, abraço o rosa que são lábios, abraço o bronze que é carne, abraço o vermelho coração, abraço o encarnado paixão, abraço o branco gelo, abraço o cinza pó. Papel ao vento, transparente, desordenado. E a vida, toda a vida. Comédia trágica que trago dentro do peito.

anedotas

Uma carta das finanças diz que tenho de regularizar umas dívidas, caso contrário seguirá uma penhora de bens e direitos. Bens só se for a pele e os cabelos, direitos (penso que o ordenado) só se for o direito que tenho tido nos últimos 4 anos em fartar-me de trabalhar sem ganhar um tostão e viver recluso no meu sonho. Assim sendo, façam favor, já chega o que andam a comer ao meu velhote. Leonard Cohen Fingerprints I touched you once too often Now I don't know who I am My fingerprints were missing When I wiped away the jam Yes I called my fingerprints all night But they don't seem to care The last time that I saw them They were leafing through your hair Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Yeah I thought I'd leave this morning So I emptied out your drawer A hundred thousand fingerprints They floated to the floor You know you hardly stopped to pick them up You don't care what you lose Ah you don't even seem to know Whose fingerprints are whose Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? And now you want to marry me You want to take me down the aisle You want to throw confetti fingerprints You know that's not my style O sure I'd like to marry you But I can't face the dawn With any girl who knew me When my fingerprints were on Fingerprints, fingerprints Where are you now my fingerprints? Fingerprints, oh fingerprints Where are you now my fingerprints?

o abismo I

O corpo finalmente cede. A fim de 4 anos de grande vontade, luta, tensão e ansiedade, a mente e o corpo desceram à terra. A queda foi tão grande que finalmente estou a fazer uma limpeza numa constipação como já não tinha há anos. Se perder, outra vez, não será um problema. Aceito a perda com a certeza de que esta é, naturalmente, a possibilidade maior. O que não podia aceitar era a sensação de não ter feito o que devia. Até Junho se verá, depois existem sempre os aviões.

26/01/2009

ruído

Fotografias: Mafalda paiva

o abismo

Por volta dos 9 anos veio parar às minhas mãos uma guitarra, comprada pelos meus pais para o meu irmão mais velho, pouco depois, fui eu que comecei a dar-lhe mais uso, Naquela idade, ouvir o meu irmão a tentar tocar com os amigos clássicos como Smoke on the Water, Wish you Were Here ou uma versão de rua, se assim posso chamar, do Starway to Heaven, era algo diferente. Comecei, então, a ouvir música de uma forma quase obsessiva, com o meu pai conheci os Beatles, os Beach Boys, Leonard Cohen, o José Afonso, com os amigos Pink Floyd, Clash, U2 entre outros, na rádio ouvia-se new wave. Assim que aprendi 3 acordes, comecei logo a fazer músicas, com letras e tudo ou qualquer coisa parecida, nunca tive grande paciência para tocar os tais clássicos, aprendia depressa e esgotava-se o interesse. No ano seguinte, estava eu a brincar na rua, quando aparece o meu irmão com a trupe mais velha e dizem-me que nessa noite, exactamente nuns montes onde por vezes ia jogar à bola com o Figo e outros amigos de infância, tocavam os GNR e os UHF, numa das muitas festas da amizade que o PCP fazia pelo país. Nunca tinha visto um concerto de rock, nessa noite, com a ingenuidade própria do tamanho, fiquei perplexo. A potência do som, as luzes, os cânticos do público, a verdade (verdade porque estava a ver, ouvir e, sobretudo, sentir), a entrega, deixaram-me ainda mais maluquinho pela música. A partir daqui queria conhecer tudo, ouvir tudo, aprender tudo. Nessa noite construi um sonho, tinha de levar a minha guitarra com os 3 acordes e mais aquela espécie de letras para um palco. Felizmente, 2 anos depois, o meu pai foi trabalhar numa gráfica que fazia livros para a Assírio & Alvim, o saudoso Manuel Hermínio Monteiro oferecia-nos livros, assim passei dos Cinco e dos Sete para Boris Vian, Tennessee Williams, Kafka, Fernando Pessoa, que me ajudaram a passar a espécie de letras para letras com alguma espécie, qualquer que fosse. Demorei 7 curtos e bons anos, entre aulas de música (pagas com o dinheiro do passe-social que o dinheiro não dava para tudo), ler muito e fazer canções, a realizar esse sonho. Foi no dia 16 de Março de um ano extraordinário, tinha 18 anos, tocámos de dia no mesmo palco onde iriam tocar os UHF e Xutos à noite, apesar do enorme nervosismo inicial tudo correu com a naturalidade de quem faz as coisas porque tem que ser. Na altura, tínhamos como referência bandas da chamada música independente, The Smiths, Loyd Cole, REM. Desde o começo até hoje, já disseram que a minha música era parecida com Beatles, Pink Floyd, Doors, U2, REM, RadioHead, VU, Violent Femmes (estes dois últimos foi estranho porque na altura ainda não os tinha ouvido). A disparidade destas opiniões nunca me chateou bem pelo contrário, que riqueza se fosse verdade, de qualquer forma desde que agarrei numa guitarra a motivação foi sempre fazer, criar, nunca recriar. Neste caminho, sempre solitário mas não sozinho, nunca ganhei nada que não o prazer de fazer e de tocar com pessoas, foi uma forma de acompanhar uma solidão inútil e vazia e dar asas a uma inquietação inquietante que não me larga. Por várias razões, uma segunda parte do sonho não se cumpriu, mas esse ficará para depois.

24/01/2009

talvez uma brisa I Aqui, agora, ausente, simplesmente fechado em mim E nos meus sonhos Onde existe toda a vida Onde posso encarnar quem eu quiser E até quem não quiser Posso ser alguém ou então o vento, a água, o fogo Mas nunca a mágoa Posso ver-me em tons de azul ou negro Posso sentir amor ou raiva Posso ter o impossível Posso ser tudo como a natureza!... II Sinto-me agora uma folha, verde, húmida, levada pelo vento Onde me sossego vendo o mundo correr Sinto-me agora um mar, imenso, revolto Onde apaziguado me domino Sinto-me agora uma chama, azul, púrpura Onde aqueço a vida Agora sou Platão e a caverna da ilusão Agora sou Cristo submisso ao Pai Agora sou um poeta soberbo Agora sou nada como tudo isto!... III E como é importante este nada Onde tudo o que me importa nasce Onde a fantasia se torna realidade Onde sempre a correr nunca me canso Onde sem querer me desculpo Onde sozinho me acompanho de todos Onde existo sem existir Onde se abre a alma, sossegando-me o espírito Onde sonho todos os sonhos do mundo... IV Agora sonho-me uma vasta planície Onde me perco no espaço Agora sonho-me a pirâmide mais alta Por onde penetro o céu Agora sou alguém entre muitos Onde me revejo Se quiser Agora sou tudo como o nada que é isto!... V E como é importante esta sensação Onde sou tudo o que importa Onde me sento a conversar com o homem mais sábio Contando-me histórias que nunca imaginei E fico feliz como uma criança E posso rir inocentemente E posso sentir com todos os sentidos sem me perder... VI Agora sou jovem, forte Abraçando a vida Agora sou velho, sabedor Partilhando tudo o que aprendi Agora sinto-me sem idade Agora não sei o que é isto!... VII Talvez imagens, somente imagens Que passam sem pedir licença Talvez simples sombras Que toldam a realidade Talvez um reino que não existe... VIII Talvez ilusões, enganosas ilusões Que enganam sem querer Talvez uma chama Queimando a vida... IX Talvez frustrações, irritantes frustrações Que teimam em aparecer Talvez um rio passando... X Talvez a vida, toda a vida Que existe só porque existe... XI Talvez uma brisa soprando.

coisas sérias ou isso

Fotografia: Mafalda Paiva
Grafismo: Paulo Paiva

23/01/2009

continuando aparvalhar

Podia falar do nosso querido Marinho de cognome o bochechas e aquilo dos casamentos e aleitamentos, podia falar da subida do spread (tás morto e bem morto tás é mal enterrado) ou ainda do árbitro que vai beneficiar o Glorioso daqui a mais uns minutos (cada expirro penalty para o SLB e muito bem). Mas quero lá saber disso tudo, sou bonito, mesmo bonito, o azar é que é lixado já parti 2 espelhos.

virgem - o perfeccionista

Recebi este email hoje, não os costumo abrir, mas hoje calhou. Ainda bem, parece que sou isto tudo em especial as duas em evidência e leal também, pelo menos no nome. Umas horas atrás uma amiga dizia que eu estava mesmo bonito, que não um boi (espero eu). Agora vou ali partir um espelho para ter mais uns anos de azar, sete é pouco. Dominante em relações. Conservador. Quer ter sempre a última palavra. Argumentativo. Preocupado. Muito inteligente. Antipatiza com barulho e caos. Ansioso. Trabalhador. Leal. Bonito. Fácil de falar. Difícil de agradar. Severo. Prático e muito exigente. Frequentemente tímido. Pessimista. 7 anos de azar se você não remete.

21/01/2009

australia

Os primeiros minutos do filme Australia, até arrancarem com o gado, são desastrosos. Depois de uma pequena introdução muito boa o filme descamba numa série de acções precipitadas onde até a bonita Nicole Kidman desilude, talvez falta de jeito para fazer de aristocrata inglesa, quando salta para cima do cavalo e começa a sujar-se o filme ganha outra dimensão, e ela também. Tirando os primeiros minutos, uma realização segura mas aqui ou ali um pouco atabalhoada, com vários finais falhados Baz Luhrmann não atinge com esta saga a qualidade de contador de histórias sentimentais como tinha conseguido em Moulin Rouge, embora eu seja suspeito para falar do Moulin Rouge devido a uma relação muito pessoal que tenho com este filme.

tudo isto é triste

Ontem tive de ir a Belém tratar de uns assuntos ao Cenjor, enquanto bebia um café na tasca em frente, um velhote meteu conversa comigo e com o meu irmão. Desde o Obama, que dava na TV, a guerra colonial até aos impérios Grego, Romano e sei lá que mais, foi um rol de estórias, daquelas de café mesmo. Mas, no meio da confusão estilística, este Sr. disse uma grande verdade, que foi esta: sou português porque sou obrigado. Eu ri-me, porque sinto o mesmo, o meu pai sempre sentiu p mesmo e, pelos vistos, faz parte da nossa condição porque outros também o sentem. Triste fado este. Amália Rodrigues Tudo isto é fado

19/01/2009

vida de parvos

Sitiados Outro Parvo no Meu Lugar Nascido no mesmo ano que eu, a memória que guardo do João Aguardela era a simplicidade mas, sobretudo, aqueles olhos azuis com vontade de comer o mundo.
Será que ceguei e parei, perdendo o nexo do que quero, desistindo de tudo o que espero e do querer que sempre acreditei? Será o tempo que não faço, as palavras que não escrevo e digo, o espaço por onde me perco e fico, um esboço que já não traço? Será que acomodei e deixei, toda a imaginação que fui e quis toda a vontade que fui e fiz e todas as ideias que pensei? Será um caminho perdido, o traçado de um destino obrigado, a evidência de um triste fado, uma realidade crua e sem sentido? Será que encerrei e fiquei, sem a força que pensava e fazia, sem o confronto que era e queria e todo o verso que disse e achei? Será uma metáfora falhada, que trespassa o vazio que é a vida, a angústia duma batalha não vencida, o desespero da derrota anunciada? Será que ceguei e parei, que não sei o que sou e tenho? Será que encerrei e fiquei, que não sei para onde vou ou donde venho? Será que arrumei e deixei, tudo o que queria e amei? Será? José Paiva

esteve nos nossos olhos

Este texto Não está nas nossas mãosa> no insónia, fala de quase tudo o que a excelente representação de Brad Pitt nos deixa ver. Independentemente dos efeitos e do absolutely, os silêncios, as expressões, os timings, o ritmo da velhice nova e da juventude velha, tudo nele pareceu-me perfeito. Quem olha para o personagem, mais do que ver que não está nas nossas mãos (neste caso das dele), Pitt deixa que isso se perceba com uma naturalidade que me impressionou. Apesar de ter gostado, preferia ver este filme realizado pelo Paul Thomas Anderson.

17/01/2009

O Estranho Caso de Benjamin Button

O absolutely com que Brad Pitt responde a Cate Blanchett quando esta lhe pergunta se ele quer dormir com ela encerra uma vontade tão grande que, só por si, vale o filme e já agora um Oscar para o Pittozinho.

esquecidos ou quase 10

The Men They Couldn't Hang Ghosts of Cable Street The Colours Esquecidos ou quase 1 esquecidos ou quase 2 esquecidos ou quase 3 esquecidos ou quase 4 esquecidos ou quase 5 esquecidos ou quase 6 esquecidos ou quase 7 esquecidos ou quase 8 esquecidos ou quase 9

15/01/2009

É verdade, tive pena de não conhecer pessoalmente o Henrique, fica para a próxima, tenho de voltar a Coimbra dia 16 de Março.

14/01/2009

Viagem(zinha) na minha terra

Existem lugares assim, onde, apesar do tempo que passe sem lá voltar, me sinto em casa. Além da minha Almada/Lisboa, também Mamaroneck http://www.village.mamaroneck.ny.us/Pages/index , Maputo e Vieira de Leiria fazem parte deste lote acolhedor, e se nesta última passei muitos dias de férias na minha infância e adolescência durante vários anos seguidos, em Mamoroneck estive cerca de 1 ano e em Maputo apenas uns dias. Desta forma simplista, deduzo que este sentimento não é uma questão de quantidade mas de química, por exemplo, locais onde estive mais tempo como Londres, Recife ou Sion pouco me disseram, aliás os meses que passei na capital inglesa chegaram a ser penosos, apesar dos teatros, monumentos, exposições, da música e tudo o mais que ali encontrei. Nesta pequena viagem até Coimbra, com passagem pelas Caldas da Rainha, Marinha Grande, Vieira de Leiria e Monte Real, encontrei alguns exemplos típicos do que é o Portugal de hoje, auto-estradas com 3 vias onde raramente se vê um carro (A17), muita construção desordenada (praia da Vieira) e completamente às moscas, a perda quase total das tradições e um pseudo-desenvolvimento plástico tipo Tupperware de quarta categoria, em que na única vez que precisei de uma indicação, já na cidade dos Doutores, o analfabetismo prático veio ao de cima. A minha namorada dizia, estás a chegar lá por intuição, pois são os anos de hábito a perceber o imperceptível, e cheguei. É este o País que chama seniores aos seus velhos, acabei de ver agora num anúncio. O meu velhote diz que prefere ser júnior porque mini, infantil ou ainda iniciado já seria pedir demais. É o mesmo País em que o multibanco do tribunal de Setúbal foi, pela terceira vez, assaltado e o Juiz Presidente diz que não existe segurança alguma no edifício. Para quê Sr. Juiz? Vem aí mais auto-estradas, TGV's que não o shot, mundiais de futebol e bandeirinhas de orgulho nacional. E agora para algo verdadeiramente diferente, a minha prima de Vieira (padeira) recebeu-me com uns grandes camarões fritos e uma jardineira de galo que alimentou a broa de milho que eu também provei e aprovei com queijo, tal como o galo que, apesar de tudo, sabia a galo e não a broa, tudo regado com um tinto muito bom da Cartuxa. De manhã, pequeno-almoço com pão acabado de sair do forno, logo seguido de um almoço com costeletas de novilho que mais pareciam a vaca inteira e outro alentejano que não fixei o nome mas melhor que o da Cartuxa. Por fim, em Coimbra, um leitão delicioso e um ananás para regressar com a alma aconchegada. Nem tudo é mau, principalmente porque não engordo.

11/01/2009

arejar

Amanhã vou até Vieira de Leiria, local onde costumava passar férias na minha infância e espero passar nas Caldas de caminho, terça trato de assuntos importantes em Coimbra, cidade onde já não vou há anos mas que gosto sempre de visitar. Quarta estou de volta, apesar de curto ver se dá para arejar.
Faço o mundo em orações sempre subordinadas. Tudo o resto são morfologias e sintaxes imperfeitas, pontuações incertas, inconstantes e imprecisas, figuras de estilo ou recursos estilísticos sem recursos. A estas folhas de faltas fátuas submeto-me, só, subordinante branco alvo, alvo de paz dissonante, discordante desarmonioso de palavras que desconstruo. Assim, neste Latim donde venho vejo-me Grego, qual Pessoa ou Kavafis, nesta Odisseia, que não sou. E tento, muito, aprender apreendendo o todo que posso, recomeçando, sempre, de um nada pesado para um nada carregado que sei que sou que sinto. E o erro é o certo centro da cegueira neutra do zero, implacável fardo calçado nas costelas do raciocínio, reiteração alegórica, absurdo hiperbólico desesperado. Nesta nulidade que sou, recomeço da nulidade que fui para a que serei, sem esquecimento que a razão não deixa, o trilho cansa. O todo que posso pesa e, tento, muito, descansar. Procuro o meu eido ermo, onde em silêncio me deito. Aparto as sombras, todas, os desejos que não sei que tenho, os palácios que construo, as aventuras que desconheço, a brisa leve que amo, as notas que desafinam e os barcos que perco. Calo todas as palavras que são frases que quero verso em prosa, todas as metáforas que são estrofes sem poemas, e todas as virgulas, interrogações, reticências e pontos, que pontuo confuso na confusão da minha incerteza. Em silêncio desfaço-me, qual livro branco desnudo-me e deito-me. Desvanecendo desvaneço-me nesta aurora entardecido. Replico provas, provadas em prosas arcaicas, de incapacidades sinceras, mendigo recomeços falhos. E, também, silêncios escusos, escuros, de sombras e palavras. Harmonia de contradições contrapostas de mim por mim para mim, assim, sem fim, sem arte, sem Outono, sem chuva, sem som, sem céu, sem orações, sem subordinante. Só, subordinado figurativo que figuro, tombo em sintaxes erradas, em paradoxos sem resolução, ironia imutável que interpreto. Neste palco, capitulo desvanecendo-me, destoado sem sorte. O mundo é esta roupa que visto e me cai mal. É Inverno, em mim também, frio que tenho que sou, geada gélida gelando o gelo que sulca a vida, aflora a pele e entra penetrando carne dentro, num encontro interior de glaciares, orgia de frio nas entranhas. Como as árvores despidas, tolhidas pelo Inverno frio que sei que faz que sinto, qual folhas caídas, dispo esta roupa, que é o mundo que dói, e suporto esta existência nula. Resignado estou a esta sensação de gelo que a razão e a epiderme obrigam-se a suster. Exposto, nu, vazio, cansado, submisso ao tédio que o frio não apaga. Assim, vou respirando ao acaso de uma pontuação irregular, feita de geadas e Invernos frios, ou, como no início deste desacerto, de desassossegos e ânsias sem vento, mas também de paisagens e pensamentos, de silêncios e sensações, e sonhos claro, sempre os sonhos, todos os sonhos, os que transbordam e os que ficam, neste tédio que sou. Está frio, com o dedo desenho espirais sem nexo nesta minha janela embaciada pela humidade gelada, em voltas alheias apago o orvalho e, no vidro, vejo uma sombra, a minha janela sou eu.

09/01/2009

frio

Parece que algumas pessoas andam contentes com a hipótese de nevar em Lisboa, eu passo. O tempo que passei em NY foi suficiente para ficar farto de nevões, como se não bastasse o frio, acordar 1 hora antes e desenterrar o carro para chegar a horas ao trabalho não é muito agradável. Por mim, a poesia da neve esgota-se num qualquer quadro que não me enregele os ossos.

08/01/2009

apesar do frio

Vivo sempre numa espécie de céu, não um paraíso aborrecido com tudo muito lavadinho e cheio de anjinhos, mas num céu muito meu. Apesar das desilusões constantes, de algumas tristezas mas nunca depressões nem tendências suicidas, chego a um ponto em que me rio de tudo. Nunca fui muito dado a espantos, mas sempre, estupidamente, esperei o melhor de alguns outros, apesar de saber que é estúpido vou continuar a esperar esse melhor. Parece que afinal tenho alguma fé e, se virmos bem, viver de outra forma deve ser ainda mais estúpido. Já viram como o céu até está bonito hoje, apesar do frio, parece aqueles olhos azuis onde me fiquei a meditar. Black Wonderful Life

06/01/2009

meditando

Ontem conheci uma mulher gira, para aí na quarta ou quinta frase, talvez terceira, já me dizia que era meditista, acho que era isto meditista (de meditação). A minha cara foi a mesma como se me tivesse dito que era lésbica e ela e a namorada queriam ir para a cama comigo, ou seja de espanto e ao mesmo tempo interesse, nunca neguei à partida ciências que desconheço. Acho extraordinária esta capacidade que algumas pessoas têm de se identificarem ou afirmarem ou sei lá o quê, se virmos bem teríamos um mundo melhor, por exemplo. - Olá o meu nome é Joana e sou católica. - Prazer, João, eu sou parvo. ou - Nuno, bom dia eu sou nazista. - Olá querido, Xiquinho e sou homossexual. ou, - Boas, sou a Francisca e sou vegetariana. - Sim Francisca que giro, o meu nome é Dina e sou comunista, como criancinhas. ou ainda, - Olá sou o n e não sou nada. - Eu sou a Rosa e sei que sou fodida e vou dar-te cabo da cabeça. Bem pelo menos tudo seria mais claro, agora vou meditar nos olhos azuis da moça. MEDITATION MUSIC Feng Shui- Kokin Gumi - Zen Garden

05/01/2009

arejar

Depois, olho para cima por baixo da razão e caio a pique, lembro as nuvens que não consigo ver que, densas e longínquas, sei que voltam com o mesmo vento que partiram. Mas, por enquanto, fico-me só um pouco mais, esqueço o vento nesta brisa que tenho, esqueço tudo e as nuvens também. Abandono-me e tento descobrir as cores, todas as cores que trazes nos olhos e as raízes que são teus pés, os sons todos que fazes nos cheiros que dizes, o tempo que deixaste neste pensamento e o desejo de querer entender-te. Nesta Primavera, agora já florida, vagueio na luz dourada que já não falha, intermitente, e nas estrelas que as nuvens, longínquas, deixam ver. Vejo as folhas que, levemente, se abraçam a esta claridade e percorro a constância e o calor que me dá, solto a razão, tento chegar-vos e dizer-vos baixinho, todas as coisas e lugares, todos os pensamentos e segredos, todas as derrotas e faltas, todos os sonhos e ausências, toda a paz e a vida, toda a luz e a morte, e abraçar-vos na eternidade que vislumbro.

coisas que me fazem muita impressão

Membros do Hamas matam os líderes da Administração da Fatah (OLP) em Gaza. Ter o poder de ser diferente e não conseguir na relação de Israel com os bárbaros de cima.

coisas que me fazem impressão

Os finais de ano são muito férteis em listas, estrelas e pontuações das obras, sejam elas música, cinema, literatura ou outra, curioso que nunca vi tal para escultura ou pintura, não sei se existe mas eu nunca vi, nunca percebi estas classificações. Também me parecem estranhas algumas polémicas como se se canta em português, inglês, chinês ou noutra língua qualquer, tal como as histórias dos melhores e por aí fora. Nunca o consegui fazer, comecei a ouvir música e a ler muito novo, por volta dos 11 anos, o cinema também entrou cedo na minha vida, mas nunca consegui pensar, este livro vale 2 estrelas e aquele cinco. O que garante a quem pontua que na semana seguinte ou no mês seguinte não daria mais ou menos estrelas. Já gostei mais de reler do que de ler, existem discos em que entro lá para a quinta audição, filmes há que gosto muito a primeira vez e depois nem por isso, poderia continuar mas como exemplo, até porque já deve ter acontecido a todos, penso que chega. Assim, parece-me um festival da canção intelectual, mas o problema deve ser só meu.

mais crises

O Benfica sempre na moda, resolveu entrar em crise também. Esta dispensava.

03/01/2009

qual crise?

O jornal da SIC das 13 horas foi confrangedor, começou com uma tragédia em Ferreira do Alentejo que, afinal, foi só um acidente parvo, o jornalista da reportagem era mau de mais para ser verdade numa notícia já de si muito má. Depois um rol de banalidades, por volta do quarto de hora a Palestina como se fosse outra banalidade logo seguida de uma série de crises, da Chrysler, da aviação e mais umas quantas, tantas que o meu puto até perguntou porque é que só usavam a palavra crise. Porque são parvos disse, antes de começar a explicação a sério. Depois o inevitável desporto e desisti, vim ouvir música e tentar ler qualquer informação decente.

01/01/2009

a crise é mesmo grande

Acabado de acordar, ainda oiço que o Roman Abramovich não sabe se vai vender o Chelsea ou o iate, notícia muito importante dos últimos 3 dias, ainda por cima logo a seguir a uma com reformados a dizer como não vivem com 300 €. Chatice, a crise de 2009 é mesmo grande.

31/12/2008

bom 2009

Para 2009, aconselho pessoas como o HMBF do insónia, o João Lopes do Sound$Vision, o Pedro Mexia do estado civil entre outros, a entregar os respectivos teclados ao génio das prosas do Pacheco Pereira no abrupto e aos "ressabiamentos" com estilo do João Gonçalves no portugal dos pequeninos. Xutos & Pontapés Sou Bom