04/10/2009
estado de guerra
Gostava de desistir, deitar-me com as árvores sobre a terra e parar, ficar quieto, totalmente estático. Desistir de tudo sem contemplações, de todos os pensamentos e movimentos e, simplesmente, existir porque estou lá. Como as árvores, firmes e robustas.Gostava de desistir, confundir-me numa planície repleta de flores e parar na mistura aleatória de cores. Abandonando em cada pétala tudo o que conheço e aprendi e, simplesmente, existir em cada espécie. Ser todas as cores da natureza.Gostava de desistir, inserir-me deserto dentro sobre as dunas e parar na imensidão do horizonte. Sossegando o cansaço da gravidade, de todas as recordações e enganos e, simplesmente, existir no crepúsculo que, breve, desponta todos os dias.Gostava de desistir, afundar-me no oceano, ser uma onda e parar na areia infinita de uma praia, desaparecendo por entre cada pedaço e também os desejos, os sonhos e, simplesmente, existir em cada grão, tornando-me o infinito que não se encontra.Gostava de desistir, elevar-me ao céu sobre as nuvens e parar, aconchegar-me nas várias formas, perdendo todos os contornos que sou e também o tempo, passado e futuro e, simplesmente, existir no presente, em todas as formas e contornos possíveis.Gostava de desistir, perder-me no espaço com as estrelas e parar nos braços ternos de uma lua, desintegrando-se todo o corpo palpável e também o espírito mais a alma e, simplesmente, existir na eternidade, num ponto qualquer do universo.
Gostava de desistir, mas não sei.
Gostava de uma deixa que me permitisse continuar, por aqui fora sem mais que a loucura da certeza da inconsequência, um bocado, um pedaço, uma terra, um país, um continente, um mundo, o universo. Um tanto que será sempre tão pouco ou tão mais que este nervo que me tira o sono depois deste filme que me derrota e deixa amargo, ainda mais amargo nestes ácidos gástricos que não controlo e que, dizem, vem da minha inquietação. Ansiedades mil, caralho preciso é da droga, dá-me com a cannabis na minha inércia, espeta-me o cachimbo nos olhos para ver se acordo, leva-me nesse avião e desampara-me nessa guerra em cima de uma bomba por explodir. Só, eu e a minha eternidade ilusória, sem palavra, sem expressão, sem conjecturas, sem falácias, sem engano, sem política. Apenas só. E só sou comigo e contigo, explosão da alma, puta traiçoeira que não comando.
Gostava de sorrir aos Deuses e dizer-lhes que dificilmente me domam o espírito, mas que quero que continuem a tentar. Apaziguar-me em festas do jet7 ou no jacto orgásmico directo ao centro da fémea que desejo ou fazer-me mulher e receber vida, vida dentro que não sou mas que tenho e acarinho, dobrar-me as costas e parar com as revoluções fictícias e mais os golpes neste estado que sou, segurar-me nesta melancolia que figuro e amparar-me a queda desta tristeza que me assalta quando o vento me larga sem norte.
Preciso que a melodia que rodopia na minha cabeça se torne uma canção e se faça em arco-íris com um pote de ouro no fim ou em balões vermelho sangue que o vento leva em festa pelo céu azul, numa bola de andebol que giro nas mãos das crianças que tenho, em gomas coloridas que dou ao meu filho que ri satisfeito e feliz e me pede para ir ao estúdio tocar bateria parando aqui esta alucinação. Que bom rir, eu sorrio e vou-me com ele e os ácidos acalmam-se, esquecem-se das explosões, da traição, da guerra, da vida.
Gostava que o mundo fosse uma prateleira infinita de pacotes coloridos de flocos, mas não é.
01/10/2009
24/09/2009
e uma revolução
É QUE É MESMO ASSIM
Se quiser acabar com o governo PS de José Sócrates, só há uma maneira. Votar no PSD. Se não quiser, há várias maneiras de o manter em funções. Pode votar no PS, no CDS, no PCP, no BE, no MEP, não votar, votar nulo, etc, etc..O voto no PSD não é um voto útil, é um voto utilíssimo.Depende do que quiser, claro. É uma escolha, responsabilidade de cada um.
JPP aqui http://abrupto.blogspot.com/
PS: um golpe de estado, uns tiritos só ou apanhar um foguetão para o espaço também?
bom micróbio este
INTELECTUAL DE ESQUERDA
A partir de Antonio Gramsci
O intelectual de origem popular trabalhou uma vida inteira para fintar o destino.
Veio do povo. Ninguém sabe para onde foi.
Continuou ligado às origens pela retórica, que é um elo muito semelhante ao cordão umbilical. Com o tempo, apodrece. Resta o umbigo.
Ele sentia no umbigo as necessidades do povo, ele sentia no umbigo as aspirações do povo, ele sentia no umbigo os sentimentos do povo. Mas a barriga cresceu-lhe tanto, que o umbigo dilatado deixou de sentir o que quer que fosse.
O intelectual de origem popular é uma casta rara. Como todas as castas raras, este de que vos falo acabou por ser tragado por quem o pôde pagar.
HMBF aqui http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
22/09/2009
nojo
- Você tem pinta, tem muito bom aspecto, facilidade de comunicação e expressão, tem um discurso fluído, uma licenciatura, uma boa experiência profissional, acho que iria gostar de trabalhar connosco e sentir-se bem na nossa empresa.
Pois, pois, pensava eu, e quanto é que essa treta toda (da qual a maior parte eu nem tenho culpa) vale? Claro que a minha facilidade de comunicação e expressão ou a puta que os pariu conseguiu disfarçar e chegar lá de outra forma.
570 euros já com os descontos mais 1% de comissões, seguido do habitual sei que, hoje em dia, não é muito; mal dá para viver, mas... a empresa assim e assado e mais não sei quê, tudo com muitas vírgulas, pontos e vírgula e até a porra das reticências.
Então se eu tenho as qualidades todas que me acabaste de dizer, para que é que eu quero um trabalho a ganhar a merda de 570 euros meu cabrão. Será que não percebeste antes de me chamares aqui para perder tempo?
Que nojo de Portugal este.
última hora 2
Parece que a asfixia que tinha a virtude de ser democrática foi já ultrapassada por uma verdadeira asfixia da democracia.
Boa, e ainda não estão lá.
última hora
Neste sol radioso de fim de Verão, Portugal acordou descobrindo que tem um Presidente viscoso, estando por provar, para alguns, que quando morde deita veneno.
21/09/2009
The Triffids
Uma das coisas boas dos blogs é a possibilidade de alguém nos lembrar ou dar a conhecer algo que esquecemos ou desconhecemos.
Neste caso não conhecia mesmo, que grande versão de uma grande canção de um grande compositor por outro grande compositor de uma das bandas mais importantes da minha acne e não só. Com cerca de 15 anos ouvia e voltava a ouvir o Calenture dos Triffids, numa cassete que um professor de português me gravou, ainda hoje oiço com o mesmo prazer.
Então aqui fica mais uma vez e agradecendo ao Pedro Mexia, Leonard Cohen numa versão de David McComb e, já agora, mais duas de Calenture.
goleadas
Depois de uma série de goleadas parvas (porque podiam ter sido mais) e de uma falhada (com o Marítimo), o meu Benfica voltou a fazer um jogo sério, tal como já tinha feito com o Guimarães, em que não falharam golos atrás de golos e foram eficazes, que interessa marcar 8 se deviam ter sido 14 ou marcar 4 se deviam ter sido 9.
É muito bom sinal ganhar mesmo quando não se joga bem.
18/09/2009
Aí vou eu, desligado de tudo, em modo off de mim mesmo,
máquina estrépida de alta velocidade em quinta abrir,
norteado por uma bússola interior de parábolas inquietantes.
E o vento empurra-me, qual folha caída deste Inverno,
este pensamento provoca-me um esgar e deixa-me feliz,
hoje sou como uma folha levada pelos ventos em festa.
Preso na liberdade retórica deste pensamento avanço,
passo passos em passeios, caminhos, estradas, lugares,
e a cidade passa por mim.
Desejos, desespero, sorrisos, indiferença, nervos,
muitos nervos frenéticos, verves mil e a minha também.
Hoje a cidade sou eu.
Se existissem caçadores de almas e pudessem ser caçadas,
apanhadas na distracção de um olhar no virar de uma esquina,
que manjar dos Deuses teríamos neste dia claro.
Se existissem açambarcadores de espíritos e pudessem ser açambarcados,
perdidos na solidão de um lugar qualquer sem destino,
que orgia no Olimpo e sete colinas para pôr a mesa.
Se existissem umas escadas até à nuvem mais próxima,
treparia degrau a degrau até ao topo e sentar-me-ia nela,
aconchegado, olharia para baixo e ria sozinho.
E se existisse um céu grande onde me pudesse deitar,
apartaria toda a luz e regava de raios as colinas,
nesta minha cidade, branca, a claridade seria eu.
Mas não sou.
Sou apenas este vulto de negro vestido,
que se move andando por entre as cores.
Nesta corrida retenho tudo,
todos os ângulos de recantos e linhas rectas certas,
feitas depois das curvas e contracurvas deste vai e vem.
Todos os cruzamentos, entroncamentos e ligamentos,
que ultrapasso e acumulo dentro de mim,
como um maremoto da alma em erupção continua.
Todas as casas, prédios, jardins e bancos,
pedra que contemplo e de onde contemplo o que vejo,
este todo prometido que agarro e deixo fugir por entre os passos.
Todo o alcatrão e estradas que fazem o caminho,
p’ra baixo p’ra cima ao som da concertina,
imaginário incoerente que raza a razão.
O caminho será este?
Se o faço será, se o piso é.
Assim em frente,
que tudo vale a pena quando a alma caminha.
Ligeira embriaguez que agarro neste tudo,
que são carne, pés, pernas, tronco, braços, cabeça e olhos,
abandonados na melancolia de um sentir vago intenso.
Se me ofereceres só mais um copo,
salto por ti acima,
acima de ti subindo e ergo-me desta solidão.
Serei um pouco mais de mim.
E eu consigo,
por vezes consigo ser um pouco mais,
mais vontade,
mais determinação,
mais ilusão,
mais sonho.
Na minha falta de fé começo a ver deuses
e a acreditar na claridade que o vento trás.
Olho para todos e vejo-te a ti,
despida,
nua,
completamente nua,
exposta,
os meus olhos espreitam.
Olho para tudo e sinto-te toda,
na calçada,
nos carros,
nos eléctricos,
nas lojas,
no rio,
humidade que desagua em mim.
Nas árvores,
ramos que se aconchegam em mim.
Na terra,
fertilidade que se oferece a mim.
No céu,
estrelas, planetas,
luz que fazes que sou,
claridade em mim.
Vida nos olhos dentro.
Neste deambular distraído entardece.
No rio vêem-se quase todas as cores do dia,
um dourado púrpura indefinido que,
onde o sol não reflecte,
se transforma num prata espelhado anunciando a noite.
Os cacilheiros num vai e vem ininterrupto de pessoas,
com pensamentos, vontades, ambições, sonhos,
tudo a cores e em três dimensões,
largura, altura e profundidade.
Luz que me atravessa a córnea, o humor aquoso e o cristalino,
transformando-se em filme fotográfico na retina,
ilusão invertida que o nervo óptico leva ao cérebro
que processa a imagem como a vejo.
Mas como a sinto?
Na altura da minha profundidade, cristalino o meu humor,
sorrio e retenho o nervo na ansiedade que este todo me faz.
Penso, admiro e recomeço o processo invertendo-o.
Imagem,
cérebro,
nervo,
retina,
cristalino,
humor,
córnea
e, finalmente,
luz.
Claridade que, devagar, se vai com o sol.
14/09/2009
vampiros
Prezo demais a liberdade e a iniciativa individual para ser de esquerda, na direita desprezo o individualismo, o moralismo e a falsa noção de liberdade.
O centrão mete-me nojo.
Não suporto quando a esquerda se faz ingénua, envergonhada e se cala ignorando o que foram factos, na direita agonia-me a prepotência, o autoritarismo, o populismo saloio e a hipocrisia inerente a tudo isto.
O centrão mete-me nojo.
Não gosto quando a esquerda ganha, nas autarquias, os tiques dos que criticam nos governos e servem-se do poder exactamente da mesma forma, na direita repugna-me a sobranceria, o egoísmo, o despotismo.
O centrão mete-me nojo.
Por tudo isto, votar está fora de questão, acho que nem com 3 ou 4 banhos recuperava.
there will be blood
Haverá sangue não, nasceste no sangue, fizeste-te no sangue e acabaste no sangue. Neste percurso não sei se percebeste que a hipocrisia que repugnavas era a mesma onde te construías e a mesma onde, em grande estilo, acabaste. "I'm finished" disseste, mas finished what, acabaste com um triste que nasceu triste, triste viveu e vais dar-lhe o privilégio de o matares tornando-te mais triste do ele próprio. Será que não vês que o que passaste devia fazer-te rir dessa gente e não dar-lhe conversa. Conheço pessoas como tu, abominam a hipocrisia excepto aquela que representam e são, arrasam tudo por onde passam, principalmente os mais próximos.
És esperto mas deves muito à inteligência, quando não percebes anulas não tentas aprender e se o teu divertimento se limita a desprezar um filho porque simplesmente quer seguir o seu caminho ou a matar falsos profetas com uma marreta dum jogo parvo é porque és um pouco limitado, percebo a vontade só não percebo a cedência a essa vontade. É esta pequena diferença que te diminui mas até entendo que para quem não cabe nos espelhos a opinião seja diferente.
11/09/2009
The First Days of Something
Os pássaros soltam-se arrastando o ar que o vento leva,
o voo para a madrugada estática que acorda.
Parte noite febril de frio fresco pelas frestas que desenhas,
arrepia os caminhos, todos, e leva-te perdendo.
Pouco a pouco dissolve, na água, a mágoa que sonhaste ter sonhado
e abandona todas as ilusões que não anunciaste
e todos os passos que não deste.
E pensaste em nascer.
Lembras o desejo que lavas esbugalhada e trazes abandono
coalhado nas margens em que ficas prostrada.
Anuncia a renúncia externa das exteriorizações que representas,
oferece um atalho até à última luz e vai-te, saindo.
Abranda a velocidade da perda, prostituta, que os sonos não levam
e também a vontade que não conseguiste ganhar
e despedaça esta sensação que fazes.
E volta a querer.
Não penses na claridade fingida que te rouba o espaço
e se ergue desassombrada do desassossego que és.
Sabes que podes aprender a ausência do tempo que não tens,
refugia-te no embaraço laço dos pensamentos e cai.
Procura-te na incerteza que és, pára, cresce na escuridão que estás
e confronta todas as dúvidas, hesitações
e lembra o efémero que o sol trás.
E pede para ficar.
Celebra as estrelas que se fazem abrindo, no teu infinito, caminhos,
liberta a certeza da presença única que existe.
Essa constância que desprezas por nunca estares satisfeita.
Que buscas no exterior? Que queres de lá de fora?
Luz, claridade, paz, sossego, satisfação, prazer, afecto, amor.
Desfaz-te em desolação quieta e volta a imaginar o sonho que perdeste,
faz-te no teu interior infinito de finitude ausente.
E volta a nascer.
ossos
RESTOS MORTAIS
O que de nós mais dura: só esqueleto
que nos fez ósseos mais do que moluscos.
O resto acaba tudo: quanto foi sentidos,
vontade, amor, inteligência, carne,
e sobretudo sexo, o sexo acaba
e se desfaz na mesma pasta informe
e fim de tudo que não é só ossos,
apenas os detritos da armação mecânica
de que se pendurou por algum tempo,
em sangue e carne, o porque somos vida.
E aquilo com que a vida se gozou
ou por acaso vidas foram feitas,
acaba como o mais – e os ossos ficam,
dos deuses esburgados. Porque os deuses temem
que sobreviva o sexo em de que morrem
na liberdade de existir-se nele.
A PORTUGAL
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.
Jorge de Sena
Embora agora não faça diferença nenhuma, não será um abuso fazer regressar quem nunca quis voltar?
09/09/2009
The beatles
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.
I saw a film today oh boy
The English Army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book, I'd love to turn you on...
Woke up, fell out of bed,
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup,
And looking up I noticed I was late.
Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke,
and somebody spoke and I went into a dream
I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall.
I'd love to turn you on.
08/09/2009
fados
Umas semanas atrás num concerto da Ana Moura, conheci um extraordinário Senhor de 90 anos que, apesar de sofrer de Parkinson, veio da Amadora até Corroios para assistir ao espectáculo.
Depois de alguma conversa, vim a saber que além de ter uma escola de fados ainda em actividade, também era produtor e já tinha escrito várias letras para muitos cantores bem como crónicas para jornais e revistas. Mais exemplar é o facto de continuar a fazê-lo apesar da doença, de forma engraçada e brincando com aquele destino lá me foi dizendo que tinha um despertador para se lembrar de tomar os medicamentos entre outras coisas.
Depois de saber que eu também era músico convidou-me para escrever canções, pois faria gosto em as apresentar a alguns cantores conhecidos. Nunca fiz um fado na minha vida mas, no dia a seguir, fiz duas letras de rajada, a música é que me anda a custar um pouco mais, não porque me pareça difícil mas porque ando um pouco irritado com a guitarra e as cordas mais as cordas desafinadas da vida e um fado irritado não me pareça uma boa opção. Talvez um punkfado ou fadopunk até não fosse uma má ideia, mas, para já, falta-me o génio e, para depois, talvez até o engenho.
Sim, talvez.
SIM
Sim, confesso o meu destino
E os passos que dizem ser sorte
Sobre esta guitarra em tom fino
Canto a vida e o caminho para morte
Sim, digo os segredos que quero
E as histórias que não esqueço
Neste fado em que espero
Ser tudo o que enfrento e pareço
Nem anjo ou vilão
Nem amor ou razão
Nem triste ou sério
Nem claro ou mistério
Só a voz que Deus me deu
Sim, sou a voz que canta
Os versos, as preces, a solidão
O sorriso de uma criança
Estas pedras que são chão
E se o mundo ainda se espanta
Com esta música que é dança
Abro o peito na ilusão
Que a vida também é mudança
Nem anjo ou vilão
Nem amor ou razão
Nem triste ou sério
Nem claro ou mistério
Só a voz que Deus me deu
Sim, confesso o meu destino
Sim, digo os segredos que quero
Sim, sou a voz que canta
A vida também pode ser mudança
TALVEZ
Talvez não possas amar assim
Sem meus olhos nos teus
E tudo o que buscas em mim
É a lágrima que se perdeu
Não sabes esperar
O tempo que não tem fim
Nem as falhas que já escondeu
Talvez não possas amar assim
Sem certeza nem condição
E tudo o que queiras de mim
É a frase que diz paixão
Mas o que não sabes
São as palavras que esqueci
Nem o aperto no coração
Por isso parte
Na descoberta que já perdi
Por isso parte
Que talvez não possas amar assim
Talvez não possas amar assim
Sem medo nem liberdade
E tudo o que procuras em mim
Seja um esgar de felicidade
Mas não podes saber
O espaço que não tem fim
Nem o tempo sem idade
Talvez não possas amar assim
Sem o fado que não sei
E o que precisas de mim
Seja tudo o que abandonei
Mas não podes esperar
Pelas palavras que já esqueci
Nem o destino onde me fiquei
Por isso parte
Na descoberta que já perdi
Por isso parte
Que talvez não possas amar assim
02/09/2009
Benfica e muito mais
Acontecia-me, muitas vezes, ter de apanhar um táxi de Yonkers para Mamaroneck quando acabava o trabalho demasiado tarde para transportes e não levava carro. Entre uma amálgama das Nações Unidas, uma vez apanhei um taxista ligeiramente para lá da meia-idade, baixo, anafado, com bigode e falador, ou seja um típico Mexicano, embora um taxista português pudesse enfiar também esta carapuça. Mas se esta descrição cabe na perfeição a um portuga, já relativamente à conversa tida nos vinte e tal minutos da viagem não direi o mesmo.
Quando a uma primeira pergunta lhe satisfiz a vontade, algo atabalhoado, e disse que era português, o excelentíssimo Senhor, que no México é Dom, começa logo a falar do Eusébio e do Benfica. Até aqui tudo normal, praticamente todos os países onde estive o Benfica era tema recorrente. Pedi-lhe para falar em castelhano em vez de inglês, visto ser-me mais difícil perceber aquele inglês, se a tendência para falar já era grande, na língua materna a vontade e o à-vontade aumentaram desatando a falar-me do D. Afonso Henriques, dos descobrimentos, do Infante D. Henrique, de D. Pedro mais a independência do Brasil, acabando no 25 de Abril e na entrada na CEE. Nisto dou comigo a chegar a casa, apesar do cansaço de 12 horas de trabalho ainda fico mais uns bons minutos a conversar com este Dom que, infelizmente, não lembro o nome.
Pior foi o drama da gorjeta. Que dinheiro se dá a uma pessoa que me apetecia por num avião directo para uma qualquer escola portuguesa para dar aulas de história. Àquela hora da madrugada Mamaroneck é uma aldeia, a casa tinha pessoas a dormir, como beber um copo estava fora de questão acho que a conta que costumava ser 20 foi só 17 e eu acabei a dar-lhe 30 e um forte aperto de mão.
01/09/2009
8
Não sei qual é a novidade dos 8, só não foi igual com o Marítimo porque não calhou. Bem, aos da ilha eram só 8 hoje deviam ter sido uns 12, logo ao Setúbal que eu gosto.
27/08/2009
25/08/2009
coisas simples
Na vida que tive até aqui, já fui vendedor, empregado de mesa, técnico administrativo (no estado), treinador, professor, distribuidor de congelados, barman e gestor, as três últimas em empresas minhas. Nenhuma destas actividades, excluindo treinador, me proporcionou grande prazer embora também não possa dizer que me tenha sido difícil executá-las, apareceram na minha vida com a mesma naturalidade com que foram desaparecendo. Nunca tive grande dificuldade em fazer e reservei sempre um espaço para o prazer, esse lugar, meu, sempre me sustentou, no resto ganhei dinheiro para o sustento, algumas estórias e pouco mais.
Cheguei a uma fase em que tudo me diz pouco e me apetece mais a apreensão de um todo que de tudo. Entenda-se este todo como coisas muito simples, não me pretendo nenhuma Laurinda nem Solnado de trazer por casa, nunca falei com deus nem espero que ele fale comigo a não ser que seja para me pagar um copo, também não me agarro a árvores excepto se for para subir ao encontro da fruta fresca. Sei que o mundo não se pode ver a si próprio em mim, era o que faltava, o mundo tem mais que fazer e eu também, de qualquer forma nunca esperei grande coisa do mundo, até porque me parece uma entidade demasiado abstracta para ter uma relação assim tão intensa. Por agora, saber que uma formiga transporta cem vezes o peso do seu próprio corpo parece-me bem mais interessante que Isaltinos, Ferreiras Leite com ou sem programa, Bonifácios e críticas e críticos dos Bonifácios mais os editores e provedores disto tudo. Já o vinho caseiro feito por uma remota prima agricultora que bebi na Tulha Velha na semana passada me mereceu uma grande atenção e isenção de qualquer crítica, nem que positiva, bebi-o e soube muito bem, saber-me-ia melhor se me alongasse aqui a dizer que foi feito assim e assado e cozido, não me parece.
Também penso saber que esta conversa não interessa a ninguém, embora nunca tenhamos a certeza, existem sempre mundos para tudo, até para pensarem perceber onde eu quero chegar ou, pior, quem eu sou, quando aqui escrevo o que quer que seja. Para mais num blog errático, sem critério, com textos, muitas vezes, desfasados no tempos e, até, no espaço. O que por aqui vou deixando não chega a ser uma gota de água do que escrevo quanto mais do que sou. Neste último fim-de-semana enquanto bebia outra excelente vinhaça caseira de uma quinta de uns tios meus em Palmela, perguntei a outro tio que escreve e já editou 3 livros de poemas, extraordinário né, se tem escrito ultimamente. Na sabedoria da idade disse-me que não tem querido ter tempo, entre o trabalho, a música (também é músico), a pesca, ajudar os outros tios na quinta e a atenção dedicada sobre a grande paixão da vida dele, a minha tia claro, o tempo que lhe sobrava era pouco. Já viram o esforço que muitos fazem nos ginásios para ficarem fortes e musculados, ponham os olhos nas formigas.
É por tudo isto e muito mais que prefiro as ondas onde mergulho, as ditas formigas ou este simples poema que o meu tio fez para a minha tia.
No teu mar de ondas sem fim
Cai o céu azul e marfim
O desejo, a sede de ti
No teu mar, eu nuvem bebi.
Lindolfo Paiva, in imagem da palavra, edição de autor, Pinhal Novo 2006.
24/08/2009
esquecidos ou quase
Logo esta que cheguei a tocar muitas vezes pelos bares da Caparica e em que o Nuno se perdia num solo final tão esquizofrénico quanto ele.
20/08/2009
esquecidos ou nunca lembrados
See the children play by
Running try to touch the sky
When one falls you hear a cry
“You’re dead, you’re dead, you must die”
“Take a dream and fly away” she will call
They will wait for you not I, see me crawl
And sometimes I feel so old
I never smile nor do cry
Shadows flicker from above
“Seeker save your soul” she said
She will fly, she will fly
He will wait far away
A golden key to open the door
Behind which the answer lies
You sinned in dreams
Now awake in deeper, deeper dreams
“Take a dream and fly away” she will call
They won’t wait for you not I,
they will wait for you not I
See me crawl, she will fly far away.
Decline and fall…
Never return…
Die…
Mary be so proud, things that are not allowed
To take your own life, stab it with a knife
They put you in a box, send you up to heaven
Oh what to do, not to feel and who are you
Give me money give me sex
Give me food and cigarette
What should we do if baby turns blue?
You broke my heart, it came in two
The faculties of a broken heart
I go out on Monday, looking for a Tuesday
Nothing ever makes much sense
You don’t seem to make much sense
It was an accident, I didn’t mean it
John had a bomb and he lit it in his head
Went to bed for seventeen weeks
Took too many drugs now he don’t eat
They put you in a box and send you up to heaven
The moon has eyes and watches me
As I go to sleep
I’ve caught so many falling stars
There’s holes in my hands
Such a tale I could tell you
Oh, I will take one more step
Get down on your knees, crawl!
Another dead soldier - me that’s all
Take a chance
Take a chance today
Fall in love - run away
True bliss for a couple of hours
Picking up the vainest loving flowers
Brothers! Sisters! Mothers too
A chip on my shoulder as I get older
Hey, buy me a drink and I’ll be like you
Can’t walk, can’t sleep, can’t think
My eyes deceive me my friends are freaks
A lover or a liar in the midnight sun
A lover or a liar, oh which one?
Oh leave me, or love me, I’m everyone’s fool
Confusion! Oh my Jesus guilt
“Am I man enough to take this?”
Get out of my way
Get out of my way
You should know better
Is pain the only comfort?
Is pain the only comfort?
My luck is where I fall
Acceptance! Deliverance!
Who? Who am I fooling?
Tomorrows never come
I am the meat
I am the murder
The eye of the fork
This man must walk
Oh no! Oh no!
I’m just one step, two steps, three steps away
Oh the moon looked down and laughed…
Hey blue moon, you saw me standing alone
Without a love of my own
13/08/2009
AUSÊNCIA MOÍDA EM FADIGA CANSADA
Voz que se abre e grita,
grita alto, muito alto!
Grita a apreensão mais o desespero.
A alma é um vulcão adormecido,
sem paz e, sobretudo, sem luz.
O silêncio apaga-se nos pensamentos
e a fadiga repousa nos braços cansados.
Voz rouca que se cala,
cala alto, muito alto!
Cala os conceitos e preconceitos.
O espírito é um mar estagnado,
superficial, sem ondas, sem sal.
O movimento é a paragem sem destino
e a fadiga repousa nos braços cansados.
Os morcegos roem as flores,
tudo escurece, escurece muito!
Negro contorno da existência.
Assim vai toda a chama, todo o querer,
toda a vontade, toda a beleza, desejo ou amor.
E, de repente, a ausência vestida de morte
que, em qualquer altura, encontra espaço na vida.
E esta fadiga que repousa nos braços cansados!
FADIGA MOÍDA EM AUSÊNCIA
Já não sei o que se passa,
se o cansaço é tristeza ou a tristeza cansaço,
mas sei que estou cansado
e alegrias já não encontro faz tempo.
Nunca fiz ideia do que é a felicidade,
talvez a ausência na abstração,
talvez apenas o sol que nasce todos os dias.
Mas se até ele, por vezes, se esconde
e desaparece tristemente.
Já não sei o que é isto,
se é a mágoa da vida ou a vida que magoa,
mas sei que sinto mágoa
e com a vida não me encontro faz tempo.
Nunca percebi a causa de certas coisas,
talvez seja assim porque é assim, sempre,
talvez apenas a razão que teima todos os dias.
Mas se até ela, por vezes, se perde
e desaparece tristemente.
E, assim, não sei o que se passa,
se a dor é no corpo ou o corpo a dor,
mas sei que dói,
e o corpo existe porque está lá faz tempo.
Nunca encontrei a esperança de perceber,
talvez a inteligência seja isto,
talvez seja o inimigo a abater.
Mas se até ela, por vezes, se desentende
e desaparece tristemente.
Pois! Não sei mesmo o que é isto,
se é o pensamento da alma ou a alma que pensa pensar,
mas sei que penso
e a alma desiste porque sim faz tempo.
Nunca quis o desentendimento das partes,
talvez o cansaço seja o sorriso da derrota,
talvez seja como o sol que nasce todos os dias,
mas no fim, cansado, desiste
e desaparece também.
CANSAÇO MOÍDO EM AUSÊNCIA FATIGADA
Apetecia-me fechar os olhos e dormir,
poder descansar embalado num sonho sereno
e desistir desta procura vã de um não sei quê que não sei.
Sou a ilusão sem encontro,
sou uma ficção sem sentido,
sou a emoção que se perde com o tempo,
menos a mágoa que mói todo o espírito e corpo.
Apetecia-me fechar os olhos e dormir,
deixar de sentir a desolação que dói na carne,
cansa a alma que, desordenada, não se encontra.
Parar de viajar sem caminho,
parar de estranhar o que já sei
e parar de pensar mais que a água fresca,
mais o sal das ondas onde mergulho.
Apetecia-me fechar os olhos e dormir,
conseguir florir, sereno, os meus sonhos
e acalmar a ânsia das coisas efémeras.
Serenar os sacrifícios,
serenar a loucura,
serenar a consciência dos erros,
mais as atitudes que foram porque existiram.
Apetecia-me fechar os olhos e dormir,
acabar o pesadelo de não saber chorar
e fechar a porta ao desespero traquina.
Ser a calma das palavras ausentes,
ser a calma das coisas que não vejo,
ser a calma do acaso que não sei,
mais o sonho que me adormece em seus braços.
04/08/2009
The Verge
neste abismo que somos erra um vulcão
de dentro soltamos bramidos estrépitos sem DÓ
subimos a escala e escalamos até ao topo
no alto do SI que somos olhamos para baixo
dizemos adeus e partimos
o abismo cresce e a peregrinação começa
estridentes enFÁticos procuramos
todas as notas que desafinam e desafiam
voltamos regressados de LÁ e avistamos o SOL
dizemos olá e seguimos
o abismo molda-se procura e alcança o mar
apanha o barco e vagueia pela RÉ
o vento contrapõe um sustenido menor
de MIstério harmónico entrelaçado na melodia
dizemos agora e gritamos
Somos o Abismo e Queremos Ser Ouvidos!
03/08/2009
antologia do esquecimento
Tenho andado distraído, ocupado, com pouca vontade, longe de computadores e, sobretudo, antologicamente esquecido. Isto porque só agora me apercebi que o Henrique voltou aos blogs.
Fui curta a espera, ainda bem. Vão lá ler a série do redondo vocábulo e digam lá se não é ainda bem.
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
02/08/2009
rei que é prince
Passado um primeiro período de nojo e, principalmente, muita nojeira, agora um Rei assim mais Princepe, embora não embarque muito em monarquias e, pelos vistos, ele também já se tenha deixado disso. Ainda bem.
Como o original não entra fica aqui o que pode ser.
22/07/2009
glorioso
Ontem estive na Luz e pude comprovar que Jesus além de estar connosco também está entre nós, Irmãos da Catedral da Luz, mais conhecidos pela sigla SLB.
Naquela Catedral não existem as novas mariquices da igreja católica do não te abraces, não beijes e sei lá que mais. Embora não tenhamos a hóstia, temos os perdigotos de quando berramos e, ali, pude comprovar, existe fé verdadeira. As pessoas partilharam emoções, com sorrisos, abraços, "cascóis", refrigerantes, gritos, mais os ditos perdigotos, e não eram quatro ou cinco como nas outras igrejas, eram 60 mil.
Além da protecção do Nosso Senhor Jesus, ainda tivemos a honra de receber o Judas que, aproveitando uma distracção do Nosso Senhor, entre outras tropelias ainda teve o desplante de assinalar uma grande penalidade que só ele e Belzebu viram. Pouco depois, quase que nos valia o Nosso Querido Santo Mantorras que, assim que pisou o solo sagrado, com uma cabeçada quase fazia a desfeita a estas diabólicas criaturas vestidas de amarelo. Não foi desta mas temos fé que será na próxima, porquê um Santo sem joelhos que consegue fazer coisas destas só pode ser um grande Santo.
Talvez a maior maldade que os enviados do Demo conseguiram fazer connosco, foi conseguirem arrancar-te as rótulas, senão nem Cristianos com Ronaldas ou sem, nem Messis, era ver tudo aí a venerar o poder do primeiro toque e os golos do Santo Mantorras.
Para primeira missa deste ano na Catedral não estivemos mal, deve-se afinar melhor os finalmente, perdeu-se uma boa oportunidade de despachar os inquisitoriais espanhóis com uns cinco sacramentos sagrados, mesmo com as complicações daquele Judas vestido de palhaço, mas com a fé que demonstrámos, quer nas beiras como no solo sagrado, é não faltar às missas que os sacramentos vão aparecer.
Só temos de continuar a rezar alto SLB, SLB GLORIOSO SLB.
13/07/2009
vidas
Numa mesa do optimus alive por entre sons de 3 palcos, enquanto falava de como a vida me tinha desiludido neste últimos cinco anos, oiço um homem, casualmente ao lado, dizer a 2 amigos e a quem mais tinha de ouvir dada a proximidade: "A minha vida sexual é uma merda, uma grande merda!"
Registei, dei um pontapé na minha desilusão e fui ouvir música.
25/06/2009
monólogos da pilinha
Em primeiro lugar, tenho de esclarecer que não sou uma pilinha sou um caralho, não tenho é dedos, quem os tem para escrever não tem colhões, assim como os meus, e desata a usar eufemismos paneleironços como pilinha. Pilinha têm os meninos, eu sou um caralho, sério e responsável, mas um caralho, não um como aqueles muitos outros que vão com qualquer coisa que aparece à frente, mas um com atitude, que não quantifica e, sobretudo, não se importa de esperar semanas para saber bem onde se mete. Sim, não sou nenhuma broca, também tenho sensibilidade.
Posto esta introdução necessária ao meu orgulho e já que estou a falar de sensibilidade, no outro dia vi um programa onde muitas jovens falavam de zonas erógenas e sensíveis, falaram das orelhas, do pescoço, dos lábios superiores e inferiores também, que aquilo era um programa moderno, do clitóris, dos mamilos, dos dedos das mãos, dos pés, sei lá, tudo e mais alguma coisa. Só achei estranho esquecerem-se do ânus, pareceu-me realmente estranho esquecerem-se daquele orifício cheio de nervo, mas também me lembrei de uma frase que o meu pai diz desde que eu era uma pilinha, ou seja: "Quem tem cu tem medo!" Ok! Tá bem. Mas quem tem medo compra um cão, ou vai a um psicólogo ou, melhor ainda, vai à farmácia e compra um tubo de vaselina, sempre sai mais barato. Bem se fosse uma psicóloga já teria dúvidas, mas isso sou eu e acho que estava era a falar das jovens, com isto do cu fiquei perdido.
Outro mito que quero desfazer, é a história dos orgasmos fingidos. As meninas costumam dizer que é fácil fingir orgasmos e que o fazem frequentes vezes.
Fazem?
Como?
Põem-se a gemer como um animal antes da matança, chamam por Jesus como se não existisse amanhã ou ainda, as discretas, a ofegar baixinho ou mesmo as que anunciam: Estou-me a vir! Estou-me a vir!
Está bem pá, estás a vir-te mas eu não sinto nada. Está bem, calma, estás aos gritos mas eu não sinto nada. Está bem, chamas por Jesus, mas nem ele me faz sentir nada e já vos disse que sou sensível. Será que não percebem que é totalmente diferente, até podem ser as maiores actrizes do planeta, mas não conseguem inventar o que se passa lá em baixo, só se for com uns efeitos especiais que desconheço. Além disto tudo, a quem interessa fingir orgasmos, eu é que não certamente, onde eu me meto é porque quero muito e, principalmente, me querem muito, caso contrário prefiro contar quantos dedos tem o meu dono.
Outra vulgar falácia, não confundir com felatio (lá está a minha cabeça a inflamar-se em divagações), é o tempo, mais concretamente os minutos que aguentamos, firmes e hirtos que nem uma barra de ferro, no acto. Mas que interesse é que isso tem, já tive segundos fantásticos como horas, como já disse que nunca é fantástico para mim se também não for para os sítios onde me meto, deduzo que isso não tem importância nenhuma. Isto não é a maratona, muitas vezes até acontece uma grande sessão onde sinto tudo, mas cuidado para quem não sabe, é mais normal nos grandes percursos perder-se a sensibilidade, perguntem ao Carlos Lopes, além disso o objectivo não é chegar primeiro mas ao mesmo tempo, só assim vale a pena qualquer que seja a hora ou segundo que demore.
Bem, agora vou mas é dar um mergulho que estou cheio de frio e preciso de me aquecer.
23/06/2009
k e outras coisas
Como já por aqui disse, não sou nada agarrado ao passado, por vezes até sinto uma grande tristeza por não me lembrar de coisas tão simples como alguns livros que li, por exemplo O Castelo de Kafka, que li teria uns 16 ou 17 anos. Lembro-me da enorme irritação e ao mesmo tempo fascínio ao ler o livro, mas não lembro uma frase que seja.
Esta falta de memória agravou-se neste último ano, comecei a esquecer lugares, pessoas, momentos, filmes e até sentimentos, neste vazio salva-se a música e nada mais.
Vem tudo isto a propósito de um post sobre a revista K no blog da literatura. Não só tive a colecção inteira dessa revista mas, também, de vários números de jornais como o Musicalíssimo, o Sete, o Blitz entre outros. Algures na minha existência foi tudo para o lixo, que é onde, pelos vistos, começo a deixar toda a minha vida.
Será que existe futuro sem passado?
Bem, este blog começou há mais ou menos um ano com este post e esta música.
Reflexo I
- Foda-se, queres mesmo continuar a discutir?
Olhou-a e disse.
- Não, mas quero que tu continues a discutir comigo.
- Cala-te e beija-me.
n começou por beijar-lhe os dedos dos pés, foi subindo devagar demorando-se em toda a carne que encontrou, entre as coxas e o sexo parou.
- Vês como eu tinha razão.
Rosa agarra-lhe os cabelos, abre os olhos nos dele e os lábios dizem.
- Fode-me, come-me o cu todo.
n comeu e guardou a razão para toda vida.
Well, the smart money's on Harlow
and the moon is in the street
the shadow boys are breaking all the laws
and you're east of East St. Louis
and the wind is making speeches
and the rain sounds like a round of applause
Napoleon is weeping in the Carnival saloon
his invisible fiance is in the mirror
the band is going home
it's raining hammers, it's raining nails
yes, it's true, there's nothing left for him down here
Chorus
And it's Time Time Time
And it's Time Time Time
And it's Time Time Time
that you love
And it's Time Time Time
And they all pretend they're orphans
and their memory's like a train
you can see it getting smaller as it pulls away
and the things you can't remember
tell the things you can't forget that
history puts a saint in every dream
Well she said she'd stick around
until the bandages came off
but these mamas boys just didn't know when to quit
and Matilda asks the sailors are those dreams
or are those prayers
so just close your eyes, son
and this won't hurt a bit
Chorus
Well, things are pretty lousy for a calendar girl
the boys just dive right off the cars
and splash into the street
and when she's on a roll she pulls a razor
from her boot and a thousand
pigeons fall around her feet
so put a candle in the window
and a kiss upon his lips
till the dish outside the window fills with rain
just like a stranger with the weeds in your heart
and pay the fiddler off till I come back again
Chorus
22/06/2009
loiras
Pacheco Pereira exige um pedido de desculpa ao jornal i pelo destaque, em título, da frase "Pacheco Pereira é a loira do PSD".
Tenho a dizer que, depois de ter passado algumas noites em branco e os dias aterrorizado só por imaginar tal imagem, também quero um pedido de desculpa.
Será o dito a lutar contra o situacionismo. Que susto!
19/06/2009
Jesus
Jesus chegou ao Benfica, o que está certo porque todos sabemos que ele encarnou, não esverdeou nem azulou, mas o que mais gosto no novo treinador do Benfica, é que vou poder dizer Jesus me valha sem ser beato.
16/06/2009
Vida nos olhos dentro.
Neste deambular distraído entardece.
No rio vêem-se quase todas as cores do dia,
um dourado púrpura indefinido que,
onde o sol não reflecte,
se transforma num prata espelhado anunciando a noite.
Os cacilheiros num vai e vem ininterrupto de pessoas,
com pensamentos, vontades, ambições, sonhos,
tudo a cores e em três dimensões,
largura, altura e profundidade.
Luz que me atravessa a córnea, o humor aquoso e o cristalino,
transformando-se em filme fotográfico na retina,
ilusão invertida que o nervo óptico leva ao cérebro
que processa a imagem como a vejo.
Mas como a sinto?
Na altura da minha profundidade, cristalino o meu humor,
sorrio e retenho o nervo na ansiedade que este todo me faz.
Penso, admiro e recomeço o processo invertendo-o.
Imagem,
cérebro,
nervo,
retina,
cristalino,
humor,
córnea
e, finalmente,
luz.
Claridade que, devagar, se vai com o sol.
Neste entardecer fixo-me nas sombras escusas
e na bola de fogo que é sol caindo por trás das colinas.
Bom seriam sete sóis, um para cada colina,
com sombras infinitas entrecruzando-se na cidade,
fazendo desenhos abstractos na abstracção que sou,
construídos no corpo, do corpo, para o corpo.
Deste pensamento sobra a imagem que deixo lá a atrás,
qual vulto peregrino que já não existe,
que a luz condensou na claridade e levou para longe.
Penso na amálgama de cores que começo a deixar fugir
e, a leste de mim, na noite que chega de este,
céu escuro à minha esquerda para o rio virado,
reflecte-se todo um dia cheio que também vou perder.
Mas, por enquanto, ainda tenho uma réstia,
uma réstia onde toda a estranheza do dia se concentra,
onde toda a dinâmica de sentidos se arruma.
Neste breve momento nada nos separa,
tu és tudo dentro de mim e as cores que fogem também.
Nos meus olhos está tudo,
a claridade que consegui encontrar, finalmente,
as encenações mal paridas que fiz e faço,
os paradoxos sempre irresolúveis,
a luz que absorvi sôfrego,
as colinas,
os deuses,
a solidão,
a cidade,
o rio.
A noite são meus olhos, agora sem luz.
When the day is done
Down to earth then sinks the sun
Along with everything that was lost and won
When the day is done.
When the day is done
Hope so much your race will be all run
Then you find you jumped the gun
Have to go back where you began
When the day is done.
When the night is cold
Some get by but some get old
Just to show life's not made of gold
When the night is cold.
When the bird has flown
Got no-one to call your own
Got no place to call your home
When the bird has flown.
When the game's been fought
You speed the ball across the court
Lost much sooner than you would have thought
Now the game's been fought.
When the party's through
Seems so very sad for you
Didn't do the things you meant to do
Now there's no time to start anew
Now the party's through.
When the day is done
Down to earth then sinks the sun
Along with everything that was lost and won
When the day is done.
Strange face, with your eyes
So pale and sincere.
Underneath you know well
You have nothing to fear.
For the dreams that came to you when so young
Told of a life
Where spring is sprung.
You would seem so frail
In the cold of the night
When the armies of emotion
Go out to fight.
But while the earth sinks to its grave
You sail to the sky
On the crest of a wave.
So forget this cruel world
Where I belong
I'll just sit and wait
And sing my song.
And if one day you should see me in the crowd
Lend a hand and lift me
To your place in the cloud.
08/06/2009
ganhei com 62%
No sábado, por volta das 17 horas, recebi um telefonema para ir para uma mesa de voto. Logo eu que, com o nojo e repugnância que adquiri, nestes últimos anos, a única coisa que desejo é estar o mais longe possível desta gente. A cidadania nada me diz, o facto de ter pensado que uma merda de uns miseráveis 70 euros até dariam jeito, ainda piorou a repugnância e o nojo por tudo isto.
Assim, disse educadamente que não queria saber disso para nada, larguei o telefone e fui tratar de comandar os meus meninos do andebol em mais um jogo, trabalho que venho fazendo sem ganhar um tostão desde Setembro, embora os pais das crianças também já me comecem a provocar umas comichões prestes a transformar-se em alergia grave e duradoura. Se dúvidas existissem porque Portugal é o que é, os portugueses estão sempre a dar-me motivos para não vacilar nas minhas convicções, que se pode esperar de um País onde os únicos comentários inteligentes na noite das eleições vieram de um humorista.
Por tudo isto, no domingo, fiquei sossegado mas não sossegando, acompanhado da minha insignificância, a ler, ver uns filmes e assistir àquele episódio cómico dos jotinhas, todos muito tontinhos e cheios de esperança nuns Jobs para o futuro, atrás do Rangel a saltar e cantar a cada cinco palavras.
Fuck-se Portugal!
PS: Como será a coisa da ministra da educação?
04/06/2009
tempo que também pode ser time
Sinto-me a asfixiar. Desde que cheguei a Portugal faz cinco anos este mês, depois de alguns meses em Londres e cerca de um ano em Nova Iorque, de onde cheguei cheio de força, vejo-me na eventualidade de voltar a sair daqui. Não sou pessoa de projectos, deixo isso para engenheiros e arquitectos entre outros, mas faço coisas e gosto das coisas que faço, não porque ache que têm alguma importância, amanhã cai um calhau na terra e lá se vão as importâncias, mas, enquanto por cá se vai andando, não me apetece ficar, apenas, com a cabeça entre as orelhas a olhar o céu à espera que o calhau caia. Aqui é o que sinto, cada vez mais me vejo a espreitar por entre as nuvens à espera do nada e, apesar de tudo o que me prende e como para nada já chega o pouco que sou, apetece-me partir. Alguém muito próximo diz-me que quer ser feliz, a questão nem é essa, quero lá saber de ser feliz mas tentar seria bom. Na falta de sentido que esta vida tem, Portugal não faz sentido nenhum, é assim como uma espécie de fruta muito colorida e apetitosa mas que o veneno provoca uma morte lenta e dolorosa. Com a morte posso eu bem, a lentidão da dor é que já se torna um pouco pesada. Então preciso da distância, preciso deste divórcio, desta liberdade para poder amar ao largo e dizer, aos que ignoram, a mentira de que Portugal é uma terra muito bonita de gente boa, tornando-me assim mais português que os portugueses na hipocrisia que tanto prezamos e sofremos. Depois é o tempo que me fode, sempre o tempo, esse bastardo sereno e implacável em todos os segundos que tem. Olho para o passado e não vislumbro mais que algumas memórias, já falhadas na precisão e, até, nos sentimentos, o muito que esqueci não existe, o pouco que lembro é vago e difuso, vidas que já não sou nem me lembro de ter sido. O presente não é muito mais que um olhar para o ar a ver se não me falta a respiração e se o calhau não cai. O futuro é onde me fixo, onde sempre me fixei, é o espaço onde me fico e transformo, na certeza de que o futuro, além de não existir, cada vez está mais próximo fim. Assim sou eu nestes dias, asfixio neste tempo que desfaço. Resta-me a canção, aquela que, há 6 anos dedilhada no controle de entrada, me abriu as portas das Americas com um forte aplauso dos policias e todos os presentes. TIME It’s peace and it’s a fight It’s the dark and it’s the light It’s the sun and it’s the rain But it’ll never be the same It’s the grass and it’s the stone Losing hope like anyone It’s a joke and it’s a game But it’ll never be the same It’s the red and it’s the grey It’s a wall and it’s the way It’s the stars and it’s a shame But it’ll never be the same And it’s time, time, time It is love and it is kindness It’s so clear and it’s the blindness It’s the ice and it’s the flame But it’ll never be the same It’s the blue and it’s the black She is Rose and he is Jack It’s the world and it’s a shame But it’ll never be the same And it’s time, time, time I’m alive I’m alive
02/06/2009
29/05/2009
28/05/2009
27/05/2009
contemporâneo ou nem tanto
Isto é Portugal, no melhor e no pior, mais um grande retrato dos contemporâneos.
voltando a almada
O problema do pequeno comércio é o mesmo de todas as micro/pequenas empresas, ou a oferta/serviço tem mais qualquer coisa ou ninguém quer saber, esta é a realidade.
Medidas sérias terão de vir do governo, principalmente baixa de impostos.
A CMA fez uma campanha, a da cidade aberta, pela qual até deve ter pago bastante ao atelier do Henrique Cayatte, mas depois não se passa nada.
Claro que em casa onde não há pão todos ralham e etc, só que agora já não é de pão que falamos mas de migalhas. Um padeiro que conheço diz que existem pessoas a comprar duas carcaças por dia, já nem o pão se vende.
Este é que é o País real não aquele que se vai passear para o fórum.
21/05/2009
o que é que o Mexia tem a ver com isto
Hoje recordei-me de 2 bons professores que tive no 9.º ano, de física-química e biologia.
Lembrei-me do primeiro, um simpático homem de quase 70 anos na altura, por causa da frase "Já me tinha constado que vocês gostavam muito de ir aos anos uns dos outros", depois de um aluno ter dito que tinha de ir a uns anos. Do segundo, outro delirantemente simpático, lembrei-me por uma vez ao dar uma pequena régua a uma colega minha, a ter posto mais ou menos à altura da cintura mesmo ao centro onde se encontra aquilo que todos sabemos e ter dito "agarra na pontinha mas com cuidado".
Com estes 2 cromos muitas mais existiram, não eram bons, eram excelentes pessoas e professores também. Ainda bem que não era uma altura de queixinhas, meninos da mamã e gravadores.
Zeus me valha se o puto não é o Pedro Mexia, assim para o mais novo.
20/05/2009
almada
Vi, ontem, em quatro cafés de Almada, um cartaz com a frase Comércio Mal Apoiado, com destaque, em maiúsculas azuis, para CMA, numa crítica óbvia à Câmara Municipal de Almada.
Realmente, que interessa o facto de, nestes últimos vinte e tal anos, Almada ter passado de uma cidade dormitório para uma cidade com teatros, centros de exposições, bibliotecas, escolas, universidades, auditórios, piscinas, pavilhões desportivos, um razoável planeamento urbanístico tendo em conta a média portuguesa, saneamento básico coberto em mais de 90%, vários eventos culturais e desportivos, como o festival de teatro em Julho, o que interessa é o comércio mal apoiado, principalmente a quatro cafés seguidos, juntos num espaço de 40 metros, além de que, segundo sei, as leis que possam beneficiar as micro empresas, bem necessárias diga-se, são aprovadas no parlamento e não pelas Câmaras Municipais.
Oiço agora na rádio que as queixas são por causa do metro. Melhor ainda, que interessa os transportes públicos, o facto de este ser um meio de transporte menos poluente, mais prático, mais rápido, além de que os quatro cafés ficam a cerca de 1 km da linha do metro.
O pessoal não tem dinheiro para beber uma bica e a culpa é do metro, tá bem. E, já agora, será que nenhum dos proprietários dos estabelecimentos em causa se lembrou que quatro cafés num espaço tão curto era demais.
Querem criticar a Câmara, que o façam onde realmente ela falha, ou seja, nos compradios, apadrinhamentos e pseudo-concursos, mas, apesar desse lado tão português, pelo menos trabalham.
13/05/2009
ai Jesus
Depois de um cigano anormalmente racional e com o bonito nome de Flores, o meu Benfica prepara-se para trazer a Nossa Sra. do Caravaggio ou mesmo Jesus himself. Parece que o Rui Costa ainda está a tentar Deus, mas não só o passe é muito caro, como este lhe respondeu que não se quer meter em mais alhadas.
Haja fé.
12/05/2009
mais uma viagem
Ontem, em mais uma viagem a Coimbra, um pouco mais do mesmo.
Se sem chuva a nossa condução é o que é, com tudo molhado as estradas tornam-se autênticas pistas de skarros de choque, o que sendo mais perigoso é também mais divertido, então se for com um "Chama o António" em versão disco-feira ainda melhor.
Apesar de tudo passei fino, por entre skarros desalmados e umas coisas estranhas de colete amarelo ou laranja a passar nas pontes, que a minha namorada garantia serem peregrinos, a quem eu contradizia que não eram peregrinos nenhuns, mas sim devotos, em marcha pelo poder, daquela senhora daquele partido novo, acho que a Nossa Senhora Laurinda. Enfim, por volta da uma e qualquer coisa já estava sentado num restaurante simpático em Pombal, onde gosto de regressar, a comer uma açorda de ovas e a beber um Alento muito bom, sempre tinto seja peixe ou carne, mariscos já é outra conversa.
Como é hábito o serviço naquele espaço é eficiente e com grande simpatia, mas ontem até os clientes eram de uma amabilidade extrema, ao que não devia ser alheio o facto de a minha namorada andar de andarilho, ainda em recuperação de uma cirurgia que fez há um mês, e ao facto de terem todos ar de revolucionários do tal partido e, pensarem que, por causa do andarilho, também éramos devotos em marcha pela Nossa Senhora Laurinda na procura de um qualquer milagre. Mas não, como não somos interesseiros, íamos só ao nosso senhor Prof. Dr. Abel Nascimento mostrar umas radiografias para saber se podia começar a fisioterapia.
Acabado o almoço, com algum Alento mas não muito para não sair da estrada, resolvi fazer o restante caminho pela Nacional 1, também conhecida pela Scary Movie Road. Nisto, desato a ver centenas de revolucionários com paus, cajados, todos fardados a rigor, com aquelas cores berrantes para quê armas, a vitória é nossa, aliás deles. Ainda pensei que tentassem converter umas senhoras muito simpáticas que estavam, calmamente sentadas, a ver os carros passar só para os cumprimentar mas não, a fúria revolucionária era tal que não paravam por nada.
A minha namorada insistia com os peregrinos, e coitados, e que não tenho fé mas respeito, e que os condutores tinham de ter cuidado redobrado e mais não sei quê. Eu só lhe dizia que não respeito muito o respeito, defeito da geração reguadas, e que se acontecesse algum despiste triste, não seria mais que a vontade de uma nossa senhora qualquer, mas que tinha fé que não, pelo menos comigo a conduzir.
E consegui, a minha fé foi maior que qualquer vontade macabra de uma nossa senhora, cheguei a Coimbra pouco depois.
08/05/2009
Verdi
O meu primeiro contacto com a música clássica deu-se através de uma série sobre Verdi, devia ter por volta de uns 11 anos. Lembro-me que não perdia um episódio, via tudo com uma atenção e um sentir assim género Clearasil, absorvia e voltava a absorver.
Se a vida do homem me parecia fascinante a música ainda parecia muito mais, um mais tão forte que me transportava para espaços amplos onde, apesar das tragédias, tudo era belo e superior. No fundo é como a vida, de tragédia em tragédia a brisa fresca depois de um mergulho num dia quente vale o empreendimento.
Com o Verdi senti essa brisa muito cedo.
Ainda hoje é assim.
05/05/2009
04/05/2009
I'm so sorry
Sempre pensei que desculpas era coisa de criança.
- Bateste no menino, seu mauzão, agora vai lá pedir desculpa, imediatamente. Já pediste, assim é que é. Ele desculpou, sim, óptimo, então agora já podes bater outra vez.
Estamos entregues aos bichos.
Why do you come here?
And why do you hang around?
I'm so sorry
I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?
Why do you telephone?
And why send me silly notes?
I'm so sorry
I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?
You had to sneak into my room
'just' to read my diary
It was just to see, just to see
All the things you knew I'd written about you
And so many illustrations
I'm so very sickened
Oh, I am so sickened now
It was a good lay, good lay
It was a good lay, good lay...
28/04/2009
The Voice
A voz, esse instrumento único, na altura nem sabia que a voz era um instrumento e não percebia porque é que aquele homem era a Voz, mas era e ainda é.
Neste momento, em que nascem vozes como cogumelos em karaokes de luxo que chegam a milhares de pessoas de forma fria via internet, temos tendência a pensar que vozes há muitas. E há, voz é que é um pouco diferente.
Uma voz não pode nascer em programas manhosos, uma voz transporta uma vida, os sucessos, os momentos altos mas, principalmente, os baixos e o fracasso ou, ainda melhor, a normalidade de tudo isso cantada como se fosse um respirar fundo antes de um copo de água fresco.
Nesta Voz comecei, muito novo, a respirar tudo isso.
Ainda hoje é assim.
22/04/2009
16/04/2009
and I love her
O álbum vermelho e o álbum azul dos The Beatles eram outros discos que me deixavam prostrado horas agarrado ao gira-discos, agarrado é o termo certo.
Do primeiro, o vermelho, existia uma música à qual a agulha voltava vezes sem conta, não me lembro porquê mas sei que voltava. De inglês só sabia que love era amor, mas era novo demais para o amor excepto o que sentia pela aquela canção.
Depois dessa primeira fase, com o tempo e a insistência, os sons mais estranhos do azul foram penetrando mais profundamente, como aquela frase batida em que primeiro estranha-se depois entranha-se, e entranhou-se fundo.
Tão fundo que ainda hoje respiro aquelas melodias.
04/04/2009
fly me to the moon
Outro LP que o meu pai tinha era um disco do Nat King Cole, diziam-me, na altura, que King era Rei.
Quando ouvia aquela música parecia-me mesmo música para Reis e imaginava palácios, salas cheias de mulheres com vestidos elegantes, tão bonitas que o meu coração saltava para dentro daquelas salas. Já adulto, com as mãos aquecidas naquela voz quente, uma agarrava outra mão e a outra passava nas costas húmidas parando na cintura, dançava.
Com o tempo os dois pés esquerdos fizeram a devida descida para realidade, mas aquela voz insistiu e continuou a fazer o que sempre fez.
Ainda hoje é assim.
03/04/2009
all I really want to do
Não, não fiquei encalhado no passarinho(a).
Uma semana em Coimbra a tratar de assuntos muito importantes e, apesar do portátil, pouco fui a net, mas, pela primeira vez, não senti falta nenhuma.
Muitas vezes penso que se pudesse fazer a vida que gostava, o tempo que me sobraria para a net seria escasso.
Sempre fui mais do fazer.
27/03/2009
26/03/2009
what have i done to deserve this
Um gajo fica prostrado em casa com uma gastroenterite deprimente, põe-se a ver os canais de documentários e no Odisseia é o gelo que está a derreter todo, mudo para o Discovery e são os Vulcões, no N. Geographic são os furacões, volto ao Odisseia e agora já são os asteróides que podem foder isto tudo, ainda por cima passou um aqui perto recentemente.
Já sabemos que somos muito pequeninos, mas também não é preciso estarem sempre a lembrar-nos disso.
Fica aí um teledisco onde, de vez em quanto, aparecem umas miúdas giras. Menos mal.
suzanne
Outra música que andava lá por casa na altura era esta, e eu ouvia voltava a ouvir e ouvia outra vez. Não fazia a mínima ideia do fascínio por esta música, uma voz morna, monocórdica, repetitiva como uma lengalenga. Tudo muito sóbrio e morno menos aquele impulso de a ouvir novamente.
Aprendi com o tempo?
Não.
Ainda hoje é assim.
25/03/2009
era um redondo vocábulo
Mais ou menos na mesma altura, por volta dos 9 anos, o Venham Mais Cinco era um LP que estava sempre a tocar lá em casa. Apesar de gostar de todo o disco, esta música assombrava-me, quando digo que me assombrava não é só no sentido do deslumbramento, assombrava-me mesmo, especialmente a parte dos coros ia comigo para a cama e sonhava, ainda acordado, com sombras agrestes e tinha medo e queria entender.
O que seriam sombras agrestes?
Seriam aquelas harmonias que me enfeitiçavam?
Ainda hoje não sei.
PS: Parabéns ao autor das imagens.
24/03/2009
good vibrations
Quando era puto, p'ra aí 9/10 anos, e o meu pai punha este 45 rotações a tocar, eu pensava que esta música vinha de outro planeta.
Oiçam lá se isto não parece de outra galáxia.
Ainda hoje tenho dúvidas.
23/03/2009
pancadas
Como adepto do Benfica, penso que o meu clube devia oferecer a taça da liga ao adversário Sporting, indigitando para essa entrega, junto com um curso de como defender e marcar grandes penalidades, o Quim e o Cardozo, mas na condição de ser o Pedro Silva a receber o caneco.
O Cardozo explica. É assim pá.
Lloyd Cole
Quando tinha 18 anos vi o Lloyd Cole no pavilhão do dramático de Cascais, ainda me lembro desse concerto como se tivesse sido ontem, principalmente este Forest Fire com que acabou, numa versão mais longa e cheia de guitarras em feedback no solo final.
Parece que o homem só tem 114 fãs, fã não sei se sou mas gosto muito dele, até porque quando o conheci revelou uma simpatia ímpar.
Esta versão ao vivo não será a melhor mas foi a única que encontrei.
19/03/2009
Lento, tento ultrapassar
Em mim aquilo que sou
Como a brisa que passou
E me disse a sussurrar
A natureza que são as coisas todas
Leva o tempo que o tempo faz
Assim, perco e ganho a paz
Como o cair perene das folhas
Lento, tento ignorar
Em mim o sono que despertou
Como o sonho que acordou
E me disse a sussurrar
A vida que é tudo o que temos
Leva o tempo e o tempo traz
Assim, perco e ganho a paz
Como tudo o que ganhamos e perdemos
Lento, tento aproximar
Em mim a alma que sou
Como o espírito que voou
E me disse a sussurrar
O amor que são as coisas que fazemos
É todo o tempo que o faz
Assim, ganho sempre a paz
Como a eternidade que queremos!
Insónia: FIM
Depois do estado civil o insónia também fecha as portas, num texto onde o Henrique escreve claro e com a frontalidade habitual.
Alguns apontaram-lhe defeitos e fizeram birras, sendo a principal acusação a de vaidade, nunca percebendo que essa vaidade era um orgulho mais que justificado no facto de não fazer favores a ninguém, nem aos amigos ou pseudo-amigos ou, ainda, amiguinhos se preferirem, quando digo favores sabem a qualidade e o tipo a que me refiro.
Não sou advogado do Henrique, nem tão pouco o conheço pessoalmente, nunca quis nada dele nem ele de mim, nunca lhe enviei o que escrevo nem a minha música, embora se o fizer não vou querer mais do que a tal frontalidade tão rara e subestimada nos dias de hoje.
Fartou-se, está cansado, é normal, este País cansa, deixa-nos demasiadas vezes a falar sozinhos, corta-nos as pernas e o pensamento, senão pela inércia contorna pela mediocridade ou apanha um atalho pela inveja banhada em hipocrisia.
Neste momento, também estou a prolongar um limite, não deste blog, nunca dei tanta importância à blogagem como o Henrique, até por falta de empenho e talento (às vezes gosto mesmo mais de coçar os tomates), mas de um sonho que entendi concretizar quando regressei dos EUA cheio de força e vitalidade, com bastante prejuízo para mim e para os meus. Apesar do esforço enorme nestes 4 anos, a mediocridade e, principalmente, a hipocrisia estão prestes a arrebatar-me para saltar daqui para fora outra vez, preciso urgentemente de uma injecção de adrenalina e, sobretudo, dinheiro que sei não ser aqui que encontro.
Portugal é mesmo triste.
18/03/2009
16/03/2009
28
Well we know where we're going, but we dont know where we've been
and we know what we're knowing, but we can't say what we've seen
and we're not little children, and we know what we want
and the future is certain, give us time to work it out
we're on a road to nowhere, come on inside
we'll take that ride to nowhere, we'll take that ride
feeling ok this morning, and you know
we're on a road to paradise, here we go, here we go
we're on a ride to nowhere, come on inside
taking that ride to nowhere, we'll take that ride
maybe you want me while i'm here, i dont care
even when time isnt on our side, i'll take you there, take youthere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
there's a city in my mind so come on and take the ride, and its alright, baby its alright
and its very far away, but its going day by day and its alright, baby its alright
would you like to come along? you can help me sing this song and its alright, baby its alright
they can tell you what to do, oh god they'll make a fool of you,and its alright, baby its alright
there's a city in my mind so come on and take the ride, and its alright, baby its alright
and its very far away, but its going day by day and its alright,baby its alright
would you like to come along? you can help me sing this song and its alright, baby its alright
they can tell you what to do, oh god they'll make a fool of you, and its alright, baby its alright
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
15/03/2009
Perdi-te e perdi-me, agora, na abstracção que interpreto.
Nesta madrugada tardia, fria, sombria, vazia,
onde me perco a ver viver o que não vivo,
a não ser em sensações e pensamentos que me obrigam.
As palavras não param procurando uma quietude racional,
assim aniquilo-me, fingindo um renascimento que não sinto,
um despojamento que, mais do que vejo e penso, é o que sou.
Invisível absolvo a vida, que serena corre obstinada.
Despojado de mim, faço-me nesta abstracção que interpreto.
Entrego-me a uma liberdade tão casual como virtual,
rendendo-me à desolação isolada da solidão erma,
construindo teias emaranhadas de um nada que não controlo.
Nesta aflição, onde agonio, deixo a simpatia que não tenho,
troçando alarve da insignificância que figuro.
Não sou mais que um molde destroçado de mim próprio,
uma matriz sem regras que não o desespero,
que dissolvo em opostos pragmáticos da razão.
Tanto logro que liberto na prisão em que estou.
E, como sempre, ela volta, essa puta.
Cheia de manhas e artimanhas nas manhãs que não tenho,
nas tardes que tardiamente tardo em encontrar,
nas noites claras que anseio e não descubro
e madrugadas onde perdido me desassossego.
Sempre sem piedade, dó ou compaixão, esta ditadora ávida,
que, com devoção, me mostra o precipício que aparento,
principiando um fim que não antevejo porque o represento.
Rumo ao nada que sou, mais um empurrão da puta.
Deliro perdido, sem o barco que não vem e o vento que me leva.
Derivo à deriva em demanda de mim próprio,
vencido pela fraqueza franca que sofro e suporto,
pela intimidade solitária da solidão que vivo e faço,
pela certeza pragmática de uma razão teimosa.
Aqui estou e assim me afiguro, num voo perpétuo,
de fragilidade obtusa,
de perda irreparável,
de arrependimento irremediável,
de remorso obstinado,
de consolo conveniente,
de contrição penosa,
de entrega sublimada,
de poesia fingida,
de fracasso decifrado.
Nesta diluição infrutífera sou um porto sem barcos.
Neste vento divago, prostrado, sem rumo e felicidade.
Assim, contemplativo, diverge todo o meu ser, corpo e alma.
Amanhã vou passear, desentorpecer as pernas e o espírito.
14/03/2009
I confide to anything
So I have to hide from everything.
Everybody wants a piece of me.
Rinse the origin and cease to be
Sit back and let it happen,
Let us take your time away
I don't understand you.
I don't want your time of day.
If you're gonna walk, might as well walk your way,
Always walk the whole ways,
Forget the punk, I pack the funk.
I'm gonna take a piece of you.
Making money for good health, but first I learn to see myself
You've promised me poems
I rue the day that I ever met you,
And deeply regret you getting close to me.
I cannot wait to deeply neglect you,
Deeply forget you, Jesus believe me,
You promised me poems.
You might have been my reason for livin'
I gave up ungivin', gave up everything.
We were a right pair of believers
A couple of dreamers, so how come
You hate me?
You promised me poems
Dreamed of ringing voices,
They contemplated choices.
Taste like a rare kiss,
To heighten my awareness.
With all fairness, greatness, with gratitude.
And simply rhymes with attitude
Now do promotion and TV, and ya still can't see. We
Down the hill cascade
And keep away the masquerade,
Dreamed of ringing voices,
And you promised me poems
13/03/2009
coisas impossíveis
Como se não bastasse a proliferação rasca, em versões mais ou menos parecidas, de "yes we can" por todo o lado, ontem veio o Rui Mandela Lincoln Santos comparar a defesa da introdução das novas tecnologias no futebol à luta contra o apartheid e escravatura nos EUA.
Mas que gente é esta que anda nas nossas TV's.
12/03/2009
O som pegou na memória e embalou-a dilacerando-a,
desprevenido, aviltei o desassossego sossegado que gozo,
emprestando uma ânsia ansiosa à ânsia que faço.
De repente afundo-me, ainda mais, a pique,
perco-me dentro de tudo o que sinto que sou,
falho todas as ideias e, também, os sentidos, menos aquele,
que é passado,
que foi exclusivo,
que é tristeza,
que foi alegre,
que é definido,
que foi feito,
que é recordação,
que foi lugar
e que é presente.
Nesta memória abrem-se gavetas fechadas de sentimentos,
daqueles reles, vulgares, sem apelo, sem paisagem, sem nada.
Só o som que o ar traz.
10/03/2009
mais psicopatias
O primeiro quer-nos a pão e água, os segundos restaurar a confiança para consumirmos mais.
Eu vou pelos segundos se não se importam, todos os domingos bebo um chá de camomila, café já era por causa da ansiedade, e um bolo de arroz aqui na pastelaria da esquina. Ao primeiro peço desculpa pela extravagância, aos segundos prometo que se financiarem a fundo muito perdido começo a comer dois bolos em vez de um.
psicopatias
Como se não bastasse o fds, ontem foi mais um dia de parvoíces e grande baboseira generalizada.
O Medina Carreira continua a saga da miserabilidade, por ele era tudo posto a pão e água (não sei se ele também) para recuperar a economia, quando recuperada já poderemos, pelo menos, por manteiguinha, inha mesmo. Lá chegaremos, pá, com a tua ajuda, eu aqui já comecei, nem ponho manteiga na torrada que ando de caganeira.
Depois, curioso, vi o 2.º episódio da série Prolongamento na TVI24. Achei aquele actor de cabelos brancos, com pronúncia do norte, muito bom, embora o argumentista que lhe escreve as deixas me pareça demasiado embrenhado num humor negro, assim tão escuro tão escuro que me provocava um grau elevado de permanente ansiedade, ao mesmo tempo que um riso absurdo quase demoníaco me saltava do rosto. E só me lembrava de uma frase que o meu velhote diz desde que nasci "Chama-lhe puta, antes que ela te chame a ti." E ria mais.
Tentei acalmar o riso angustiado com a sapiência dos convidados do Contras com os Prós, mas ou eu ando maluco ou aquela gente é mais bolos, tortas, brioches ou qualquer coisa assim, porque crise é mentira. O espanhol então quase que me matava a rir quando disse que Espanha estava pior que esta coisa à beira-mar plantada, como farto de humor negro já eu estava fui para a cama acabar o Psicopata Amaricado, aliás Americano, que merda de livro este, mas comecei acabo.
09/03/2009
coisas sérias
Fiquei ontem a saber que o meu avô paterno recebeu indicações, pelo PCP, para matar um polícia, daqueles que gostavam de ser ainda piores que os pides. Respondeu que isso não fazia.
Falta de coragem não terá sido pois imprimia e distribuía o jornal Avante, tendo sido preso e levado umas porradas valentes por isso, nunca denunciando ninguém. Só me resta a questão humanitária. Existe alguma mais importante?
Mas fica a dúvida, o mundo não seria melhor e mais humano sem aquela pessoa?
futebol, crise, solteiros e casados
No Sábado tive um dia santo e deu-me para ver futebol, enquanto via o jogo do Real com o Atlético de Madrid ia passando pelo Sporting x Paços Ferreira, para ver o que se passava.
Foi deprimente, no primeiro jogava-se futebol a sério, com velocidade, profissionalismo, muitas oportunidades de golo, garra e, principalmente, sem paneleirices nem repetições infinitas de lances duvidosos. Quando mudava, via jogadores a caírem porque o adversário soprava, jogo sempre parado com faltas e discussões, repetições constantes de lances banais, a velocidade era como sair de uma corrida de fórmula 1 para a Volta a Portugal em triciclo.
Este exercício, involuntário, foi esclarecedor e, como se não bastasse, em Portugal vimos um estádio vazio de gente carrancuda, em Espanha estádio cheio de gente alegre, porque isto no que toca a crise, apesar de mundial afecta mais uns mundos do que outros.
Acabei bem a noite, com uma soberba estética no canal 2. 2001 Odisseia no Espaço é um filme impressionante, não existe um plano falhado, não existe uma imagem onde fique a sensação que o realizador podia ter feito melhor, as cores, os alinhamentos, a música, tudo é perfeito, que infelicidade nunca ter visto este filme no cinema. A Laranja Mecânica já não deu para rever.
Domingo de manhã, os meus putos do andebol continuaram a senda de vitórias, a semana passada foi o Sporting e desta vez o Loures, por uns esclarecedores 28-4, como o jogo foi em casa e tínhamos o pavilhão livre, os pais resolveram fazer uma espécie de solteiros e casados que, pareceu-me mais ao nível do derby espanhol, tal era a rapidez com que ficávamos exaustos, este escriba desajeitado ainda meteu 2 golos, mas não estava lá nenhum olheiro do SLB.
O que já não esperava, era assistir a outro solteiros e casados à noite, sendo que os casados eram de certeza os de vermelho, cada vez que tocavam ou não tocavam na bola pareciam-me mais preocupados com as fraldas que tinham para mudar. A excepção foi o Aimar, esse parecia mais preocupado pela possibilidade de vir a ser avô, vá lá que ainda conseguiu dar uma valente bengalada na bola, só possível naquele minuto de jogo.
Nem o glorioso me salva, vou mas é para Espanha.
06/03/2009
ouvido na escola
"Vai lamber a cona de uma mulher."
Aluno com 9 anos para outro puto depois de levar um pontapé.
04/03/2009
03/03/2009
on the verge of the word encore
on the verge of the word XXI
Fotografia: M
Apetece-me terra que me apetece ser e a pertença ao lugar onde estou.
Ser todos os grãos de vida que não é e o magma perene de solidão.
Destruir o abismo de medo, o desassossego e, também, os conceitos e preconceitos, os desenganos e desesperos, as angústias e os devaneios, as alegrias temperadas em sal insonso, ou as mágoas todas que sou e faço.
Adubar-me do nada que não sei e transformar esta vida que tem que ser, porque existe, no lugar terra a que pertenço.
Angel calls on me set to take me out, angel with no face. the end of the line; beginning of time, a matter of faith. I see all my friends from distance afar on another plane, mourning over me: a sickness of heart - a sense of betrayal. have you seen the twilight close so slow.. (I rose over them so light). men in black suits dressed – cold soft wood and marble silk, to take me away. no heaven or hell. the memory behind lingers on a face.
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