24/03/2010
anos 80
O rff lembrou-se disto http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2010/03/words-fr-david.html, então toma lá estes que é para não seres mau, repara bem nos movimentos de anca.
23/03/2010
artkafé
Sábado passado toquei num desses espaços que todos os músicos gostam de tocar. Um bar que, apesar da vertente comercial, privilegia não só a qualidade como a história, com vários discos em vinil dos primórdios do rock, do jazz e da pop, ainda por cima tivemos um acompanhamento por parte do Pedro, o melómano da casa, excepcional, chegou até nós com 2 vinis antigos acabados de comprar, Marvin Gay e Rolling Stones, que logo pôs a tocar e, naquele som puro, até a batata frita era mel para os ouvidos. Depois do som feito fomos jantar, a conversa foi música e mais música, incluindo crítica aberta e frontal à nossa, que, vindo de quem veio, foi mais mel para os nossos ouvidos e ainda mais força para continuarmos.
No concerto a sala estava completamente cheia, com o António a tocar os teclados em cima do público porque não cabia no estrado, um terço da sala bazou a meio mas os que ficaram foram efusivos quanto baste para quem está a ouvir aquelas músicas pela primeira vez, reconhecendo que algumas não são muito fáceis de assimilar numa primeira audição. No final e porque quem ficou merecia, antes do último original ainda tocámos o Rape me, Fake Plastic Trees e o Sympathy for the Devil, o que nos soube muito bem. Quando acábamos fui ao bar pedir uma bebida, um rapaz que a meio do concerto tinha mandado uma boca a dizer mais ritmo, mais força, abordou-me e disse-me que a nossa música era para pensar, muito mole ou suave e que o pessoal à noite não quer pensar, quer é desbundar, ainda disse que o nosso som estava assim entre Pink Floyd, Doors e os Beatles, a este excelente cocktail encolhi os ombros e disse que havia um bar de forró mesmo ali ao lado, entretanto paguei-lhe um copo e penso que ficou feliz e eu também.
A nossa versão é bem diferente mas à falta fica o original.
19/03/2010
haja fé
Well, jesus will be here
Be here soon
He's gonna cover us up with leaves
With a blanket from the moon
With a promise and a vow
And a lullaby for my brow
Jesus gonna be here
Be here soon
Well i'm just gonna wait here
I don't have to shout
I have no reason and
I have no doubt
I'm gonna get myself
Unfurled from this mortal coiled up world
Because jesus gonna be here
Be here soon
I got to keep my eyes open
So i can see my lord
I'm gonna watch the horizon
For a brand new ford
I can hear him rolling on down the lane
I said hollywood be thy name
Jesus gonna be
Gonna be here soon
Well i've been faithful
And i've been so good
Except for drinking
But he new that i would
I'm gonna leave this place better
Than the way i found it was
And jesus gonna be here
Be here soon
god's away on business
Desde Dezembro que ando sem carta de condução, pelo pecado grave de conduzir sem cinto teria de pagar 120 euros, como não paguei tiraram-me a carta. Tenho estado pacientemente à espera que chegue o grande Rezingão da Igreja Católica Apostólica Romana para ver se este meu grande pecado pode ser expiado só pela presença de tão magnânime personagem, ou será que a grande mão de deus só vai chegar às off-shores.
túneis, auto-estradas e TGV's
Muito trabalho e um computador avariado fizeram com que estivesse duas semanas ausente, o que me parece muito grave para a imensidão de pessoas que me costumam visitar, de qualquer forma, para quem pudesse estar preocupado, estou vivo e de boa saúde.
Entretanto, como quem conhece bem o dono, este meu velho PC chega mesmo a tempo de falar sobre uma coisa com importância de Estado, o meu Benfica. É que ontem, finalmente, compreendi as questões dos túneis, auto-estradas, TGV's de alta velocidade e sei lá que mais, então não é que os jogadores do Glorioso chegam a França, a um estádio que dizem complicado, para não dizer pior, e desatam a correr quais TGV's fazendo daquele campo uma autêntica auto-estrada com túneis, cruzamentos, bifurcações, quais diabos à solta do primeiro ao último minuto. Os pobres franceses pareciam os candidatos à liderança do PSD sem saber para onde se virar com aquela coisa da rolha, a asfixia foi tão grande que até a Manuela Ferreira Leite enviou uma carta à UEFA a dizer que o Benfica devia ser banido de todos os campeonatos, Nacionais e Internacionais. Platini ainda respondeu que tinha dado instruções precisas ao árbitro para ter atenção com a tendência daqueles diabos para asfixiarem as outras equipas, mas, de fonte segura, sei que até o árbitro abandonou o jogo com uma gastrite nervosa por, apesar do bom trabalho, não ter conseguido parar aquelas bestas.
Para a história fica mais uma goleada desperdiçada, é que a velocidade era tanta que na hora do remate estavam com os olhos esgaziados, como os bois. Depois veio o Sporting, que até nem foi um mau jogo mas, em comparação, parecia assim uma coisa tipo solteiros e casados.
Venham mais túneis e TGV's que aqui este vosso amigo gosta.
05/03/2010
cores
Queres que o céu seja o ventre e ela a lua, mas o céu anda encoberto e a lua escondida, satisfaz-te pensares que és o único, mas esqueces os pesadelos que a memória pode trazer, e pensas ser quem não és, e pensas feitos extraordinários, e pensas coisas absurdas, e pensas gritar e o grito sai seco, inaudível.
Queres que o amor tenha só uma cor mas o céu anda encoberto e as cores escondidas.
leia
Hoje, ouvi um jornalista a dizer na TV, a expressão foi mesmo esta, que o governo tem de se chegar à frente na questão dos livros que vão para a fogueira. Num país onde se anda sempre a dizer que existe Estado a mais, não só me a frase me pareceu desadequada como estranha.
Qua ao governo caiba a recolha e distribuição dos livros é uma coisa, que o governo tenha de pagar 1 € que seja por cada livro já me parece muito mal. Em primeiro lugar, a responsabilidade dos excedentes não lhes pertence, em segundo, existe a responsabilidade social que deve ser partilhada também pelas empresas privadas, muito mais quando até têm nomes como Leya.
28/02/2010
glorioso
Depois de, finalmente, um excelente jogo do FCP contra o Braga, de um soberbo jogo, tirado não se sabe de onde, do Sporting com o Everton, o meu Benfica não se deixou ficar e elevou a parada com uma exibição impressionante com o Leixões. Campo reconhecida e merecidamente difícil, onde muito se luta até ao fim por uma vitória.
Mais do que o resultado, que até podia e devia ter sido mais, foi a sensação de que aos bravos guerreiros do Leixões nunca foi dada a hipótese de ser isso mesmo que costumam ser, guerreiros. Até parecia que o Benfica estava a jogar com o dobro dos jogadores, a continuar assim e volto a repetir, a continuar assim o título é certo.
25/02/2010
mais ejaculações
E depois é esta coisa dos broches.
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/02/hoje-fartei-me-de-fazer-broches.html#links
Os falos continuam a atacar.
ejaculações precoces
Os microfones e até as câmaras das TV's, a cada acontecimento parecem, cada vez mais, um enorme falo erecto pronto a penetrar tudo quanto é sítio e lugar.
Como se isto não fosse suficientemente mau, é um falo que ainda tem a lata de, constantemente, respingar antes do tempo sujando quem desafortunadamente passa por ele.
23/02/2010
correr
Como não gosto de deixar a vontade só pelas palavras, hoje fui mesmo correr, por vezes vou aqui ao parque da paz em Almada, o grande espaço verde da cidade.
Tudo corria em corrida normal até quase pisar uma cobra de tamanho apreciável, neste encontro não sei quem se assustou mais, se eu se o desgraçado do animal, só tive tempo de saltar, dizer um palavrão e ficar a olhar para a beleza daquela pele amarela e verde, enquanto ela, passado o susto, seguiu o seu caminho.
run
O desejo é sair por aí e correr, correr até que o chão se faça pés, os pés se tornem ar, o ar se faça espaço, o espaço se faça tempo, o tempo se faça história e a história se faça memória.
Assim, será mais fácil partir.
estado de guerra
http://ipsilon.publico.pt/Flash/texto.aspx?id=251121
Estado de Guerra arrecadou mais uma série de prémios, de todos os filmes que vi este ano foi o que mais gostei e o único que me obrigou a um texto.
Este.
Gostava de desistir, deitar-me com as árvores sobre a terra e parar, ficar quieto, totalmente estático. Desistir de tudo sem contemplações, de todos os pensamentos e movimentos e, simplesmente, existir porque estou lá. Como as árvores, firmes e robustas.Gostava de desistir, confundir-me numa planície repleta de flores e parar na mistura aleatória de cores. Abandonando em cada pétala tudo o que conheço e aprendi e, simplesmente, existir em cada espécie. Ser todas as cores da natureza.Gostava de desistir, inserir-me deserto dentro sobre as dunas e parar na imensidão do horizonte. Sossegando o cansaço da gravidade, de todas as recordações e enganos e, simplesmente, existir no crepúsculo que, breve, desponta todos os dias.Gostava de desistir, afundar-me no oceano, ser uma onda e parar na areia infinita de uma praia, desaparecendo por entre cada pedaço e também os desejos, os sonhos e, simplesmente, existir em cada grão, tornando-me o infinito que não se encontra.Gostava de desistir, elevar-me ao céu sobre as nuvens e parar, aconchegar-me nas várias formas, perdendo todos os contornos que sou e também o tempo, passado e futuro e, simplesmente, existir no presente, em todas as formas e contornos possíveis.Gostava de desistir, perder-me no espaço com as estrelas e parar nos braços ternos de uma lua, desintegrando-se todo o corpo palpável e também o espírito mais a alma e, simplesmente, existir na eternidade, num ponto qualquer do universo.
Gostava de desistir, mas não sei.
Gostava de uma deixa que me permitisse continuar, por aqui fora sem mais que a loucura da certeza da inconsequência, um bocado, um pedaço, uma terra, um país, um continente, um mundo, o universo. Um tanto que será sempre tão pouco ou tão mais que este nervo que me tira o sono depois deste filme que me derrota e deixa amargo, ainda mais amargo nestes ácidos gástricos que não controlo e que, dizem, vem da minha inquietação. Ansiedades mil, caralho preciso é da droga, dá-me com a cannabis na minha inércia, espeta-me o cachimbo nos olhos para ver se acordo, leva-me nesse avião e desampara-me nessa guerra em cima de uma bomba por explodir. Só, eu e a minha eternidade ilusória, sem palavra, sem expressão, sem conjecturas, sem falácias, sem engano, sem política. Apenas só. E só sou comigo e contigo, explosão da alma, puta traiçoeira que não comando.
Gostava de sorrir aos Deuses e dizer-lhes que dificilmente me domam o espírito, mas que quero que continuem a tentar. Apaziguar-me em festas do jet7 ou no jacto orgásmico directo ao centro da fémea que desejo ou fazer-me mulher e receber vida, vida dentro que não sou mas que tenho e acarinho, dobrar-me as costas e parar com as revoluções fictícias e mais os golpes neste estado que sou, segurar-me nesta melancolia que figuro e amparar-me a queda desta tristeza que me assalta quando o vento me larga sem norte.
Preciso que a melodia que rodopia na minha cabeça se torne uma canção e se faça em arco-íris com um pote de ouro no fim ou em balões vermelho sangue que o vento leva em festa pelo céu azul, numa bola de andebol que giro nas mãos das crianças que tenho, em gomas coloridas que dou ao meu filho que ri satisfeito e feliz e me pede para ir ao estúdio tocar bateria parando aqui esta alucinação. Que bom rir, eu sorrio e vou-me com ele e os ácidos acalmam-se, esquecem-se das explosões, da traição, da guerra, da vida.
Gostava que o mundo fosse uma prateleira infinita de pacotes coloridos de flocos, mas não é.
silêncio
Tem alturas que tudo parece tão mesquinho, tão vil, tão baixo, tão pobre, tão deprimente e, ao mesmo tempo, tão claro, que a vontade não consegue ser mais do que a abstracção e o silêncio.
astroman
Querias ser um man ou, melhor ainda, um astroman, não daqueles do jet feito num oito que se pretende sete e não vale um três, mas um verdadeiro astroman, daqueles que levantam voo e partem rumo ao imenso universo. Só que os pés pesam-te e agarram-se com a terra, raízes profundas que não consegues arrancar.
18/02/2010
coisas sem importância nenhuma
mas que me fazem confusão.
Já aqui disse que para mim o futebol é uma coisa simples. Sou benfiquista e quero que o Benfica ganhe sempre, os resultados dos outros interessam-me pouco ou mesmo nada, seja a nível nacional ou internacional, embora goste que o Sporting ganhe e esteja bem, porque um clube tem de ter rival à altura e eu gosto que esse clube seja o SCP (sei que para a maior parte dos lagartos dia que o Benfica perca é dia de glória, mas isso só reforça o que sinto).
Isto tudo, porque esta jornada europeia trouxe-nos duas situações caricatas, apesar de raramente ver jogos que não os do Benfica, MU e Real Madrid, costumo ver os resumos e os jogos do Arsenal e da Fiorentina deram-nos dois lances muito engraçados. Nós que andamos sempre a dizer mal dos árbitro portugueses, assistimos a dois lances que não lembram ao gajo do tridente quanto mais ao comum dos mortais. No primeiro, um livre indirecto dentro da área é marcado à má fila originando um golo, acontece (aliás parece que com este árbitro acontecem coisas estranhas muitas vezes) e as declarações dos treinadores mais jogadores não me espantam, é o habitual nestas situações. Já as declarações do Jorge Coroado, antigo árbitro dado a azias, fazem-me alguma comichão. Então o respectivo Sr. Azia não diz que o lance é legal porque a equipa do Arsenal não manifestou intenção de fazer a barreira, pois, a mim também não me pareceu que esse interesse fosse manifestado, aliás acho que no momento em que a falta foi marcada o Campbell estava a dizer ao árbitro, porra, isto é que é velocidade de execução. Granda golo pá. Or in english, what fuck motherfuck, this better than Speedy Gonzalez, Great gool man. Então tá-se bem, desde que a malta fique feliz.
O segundo lance também é engraçado, é que existem foras-de-jogo e existe fora-do campo, os primeiros percebe-se que, por vezes, não sejam bem vistos, analisados, assinalados e etc., agora fora-do-campo é preciso ser muito vesgo ou então gostar muito de fruta alemã, seja de que cor for.
Espero que os jogadores do meu Benfica hoje, sejam tão rápidos e "intelegentis" como aquele rapaz madeirense fã do Speddy Gonzales, o que, a acontecer, não me permite desejar-lhes mais do que a derrota.
16/02/2010
last rite
Angel calls on me
set to take me out,
angel with no face.
the end of the line;
beginning of time,
a matter of faith.
I see all my friends
from distance afar
on another plane,
mourning over me:
a sickness of heart
a sense of betrayal.
have you seen the twilight close so slow.
(I rose over them so light).
Men in black suits dressed
cold soft wood and marble silk,
to take me away.
No heaven or hell.
the memory behind lingers on a face.
have you seen the twilight close so slow.
(I rose over them so light).
Fotografias de Mafalda Paiva
12/02/2010
escutas
Hoje aqui
http://sitedev.renhau-nhau.com/cartaz.php
a escuta é outra, sem meias palavras, sem palavras escondidas, quando muito por vezes sussurradas, outras vezes gritadas, mas nunca veladas e sempre de peito aberto.
Songs are just songs
09/02/2010
bota o obido no carril
No sábado a Junta de Freguesia de Pinhal Novo (terra da bela sopa caramela) fez anos, as comemorações envolviam um concerto de uma nova banda de uma série de malucos caramelos doidinhos por música, p´ra aí uns 10 em palco, fora os convidados das gaitas de foles e da Bardoada (O Grupo do Sarrafo) http://www.myspace.com/bardoada
Com um reportório que vai desde o tradicional a Virgem Suta e Xutos&Pontapés, conseguiram um espectáculo bastante animado, os arranjos podiam ser mais arrojados mas também começaram agora.
Entretanto só o texto de apresentação valeu a noite.
Ora vejam lá.
De princípio era só rastolho. Ópois era a brisa das pinhas. Ao terceiro dia já se obia a canzoada a ganir à bolta dum óriço, e chegado ao sétimo dia já se faziam orquestras com foguetaige, caricas e trabessas da linha à bardoada contra a lombeira do carril. Foi tudo rápido que nem um tiro até há hora em que um home disse pró outro:
- Tôô, anda cá mais eu cantar aqui uma cantiga.
A modinha, de rara beleza e compleixidade, foi cantada pra toda a família obir (incluíndo a bicheza doméstica) e chamaba-se "Pega na lancheira e bai lebar o almoço ao pai". Tal momento artístico trouxe logo mais outro home, e mais outro e outro e a bizinhança cum gaiataige bádia, tudo com gaitas, flaitas, ferrinhos, apitos, paus e caixas chocadeiras, num intusiasmo tal, caté fazia inbeja aos grilos caramelos que, pra grilar toda a noite, ajuntam-se no eco das escadas dos prédio da Sul Ponte.
Dada a força deste tema de índole ruralo-quotidiano pós-barroco, muitos outros bieram de carreira, sando sustança a concertos ora selbaiges ora brabios, ora até mesmo espontâneos. Chamaram-lhes intão o grupo d"Os Amigos da Música".
Ainda assim, apesar da balentia de todos os homes a acarretar a música cá pra fora, sempre faltou algo im todo o grupo, faltava uma espécie de seiva alienígena, como aquela que faz crescer as longas patilhas numa rapariga brabia. Por isso não eram mines, não eram coiratos, nim era pão com tulicreme... era sim, um biolino.
- É o queim?? Um biolino? Tão parbos ó quêi? - Sai~-se logo um destemido à soleira do café. Ópoio disse: - Agora é um biolino, amanhã tão todos com as calças pu meio das nalgas.
Face ao comentário depreciatibo, só uma cantadeira de biolino bem composta, que buebesse mines e jogasse matraquilhos poderia resolber o problema da banda, sem que ninguém refilasse. Foi intão à luz do pitrol, que começou a precura porta im porta, por detrás das moitas, das silvas e, até, dentro dos elevadores da Refer. Ao fim dum tempo, os homes acabaram por encontrar ela escondida atrás das canas a tocar o biolino.
Mas, dado o especial tratamento que eles dabam à música, todos decunfiabam do nome "Os Amigos da Música". Hummmm "Amigos da Música" era um nome muito estrambólico e dubidoso, que mais fazia lembrar as sessões de caraóque em noites de budeira. Bai daí que o nome tinha de ser modificado. Muitas foram as ideias parbas, mas a que mais reunio consenso, foi uma tirada dos filmes de cábói do intigo cinema SFUA. Nesses filmes, os cábóis (berdaderos heróis da punhada), antes de atrbessarema linha do comboio, em bez de olhares pra um lado e pró outro, punham o obido no carril pra ber se binha por perto um comboio esgalgado. Assim, dada a íntima ligação do mundo caramelo às linhas do comboio e ao cinema da SFUA, seria de esperar que, antes que qualquer um atrabessasse a ferrobia se acautelasse e espatasse o obido no carril. Esse costume nunca beio a ter lugar em território caramelo já que os intigos horários da CP estabam sincronizados com o auspicioso momento em que as galinhas punham ovos caseiros, e, assim, todas a gente sabia o momento certo em que o comboio passaba. Paira no intanto uma lenda que quem punha o obido no carril conseguia captar música, não sendo certa a beraciddae dessa lenda já que quem o experimentou, nunca voltou cá pra contar o finómeno.
É pois, na reposição da berdade que o nome do grupo beio à luz da madrugada. Mas ainda com algumas incertezas:
- Afinal como é que ei? O nome é "Bota o Obido no Carril" ou é "Coloca o Ouvido no Carril"?
A dúbida permance e será esta note em debate-garreia com o público desta sala que esta polémica bai ser posta im pratos limpos.
Claro que ficou "Bota o Obido no Carril", infelizmente ainda não existe nada na net para mostrar.
07/02/2010
portugalzão
putos
Ontem o meu puto foi jogar a Setúbal, sempre que posso gosto de levar os miúdos pelas estradas nacionais para conhecerem os lugares e as terras por onde passam. Às tantas, Ukuamba, um negrito também colega de escola do Miguel, que ia completamente fascinado com a pequena viagem (para ele grande pois não parava de dizer que nunca mais chegávamos), pergunta-me onde estamos, eu respondo que estamos a passar por Coina, diz logo o meu puto, então a seguir é o útero não.
Não é ainda filhote mas hás-de lá chegar, ou perto.
06/02/2010
portugalzinho
Portugal anda aceso com as, agora famosas, escutas, supra sumo de uma tendência natural deste canto de boca aberta para o mar e de mão na boca para o vizinho. A coscuvelhice e o interessa pela vida alheia, mais ainda, pelos podres alheios não é de hoje, desde que me lembro que é assim, mas se nada disto me espanta já o espanto que isto causa me deixa perplexo.
Será que não temos a noção daquilo que somos, daquilo que fazemos, daquilo que dizemos, a maior parte das vezes de forma velada e semi-escondida, a facilidade com que ofendemos e dizemos asneiras, às vezes tão grossas que até conseguem corar o gajo dos chifres. Claro que também existe aquela classe que o faz em grande estilo, com palavras caras e bonitas, por vezes até codificadas, chama-se capacidade de invenção e/ou argumentação, mas a merda é a mesma, perdão a porcaria ou melhor a caca.
Agora vou ali à porta ver o que é se passa.
02/02/2010
coisas muito sérias
O que é que mudou nas empresas?
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário.
A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.”
Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…
Mas o assédio no trabalho é novo?
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam.
Toda a entrevista aqui: http://www.publico.clix.pt/Sociedade/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal_1420732
liga Sagres
Tenho andado um pouco alheio da actualidade, o trabalho e a falta de paciência raramente me deixam ver programas de informação, geralmente só enquanto almoço ou janto é que espreito as notícias, apesar do risco de indigestões lá vou mantendo este hábito. Ontem chegado do ensaio, já tarde, encontro na SIC notícias uns Srs. muito cómicos a falar de futebol, falar parece-me um termo lisonjeiro para o que aquelas pessoas fazem mas enfim.
A minha relação com o futebol é muito simples, sou Benfiquista, vejo religiosamente os jogos do Benfica, às vezes no estádio, e raramente os das outras equipas, quero sempre que o Benfica ganhe e não me interessa para nada os resultados dos outros com excepção do Sporting, nas raras vezes que vejo o SCP até dou por mim a querer que ganhem, porque é o adversário que mais gosto de ter ao lado na luta pelo título e títulos sem luta como tem sido vulgar nos últimos anos não tem piada nenhuma.
Apesar deste alheamento não deixo de me aperceber do que se passa, desta feita foram umas imagens do túnel do bonito, não digo lindo porque sou tímido, estádio da Luz, e o que me parece é que o Benfica devido ao facto de ser um clube de gente bastante educada, vendo o desespero dos jogadores do clube do Sr. Pinto que também é da Costa mas não costuma ir ao Barbas jantar, acho que a fruta se dá mais para os lado da Mealhada com leitões à mistura, caldeiradas é o que é, embora caldeiradas seja mais no Barbas, bem ultrapassando este devaneio e voltando à educação que reina na Luz onde as caldeiradas são à luz de todas as câmeras (onde estão as imagens de Braga), vê-se perfeitamente um segurança mais zeloso a pedir desculpa ao jogador Fernando por o Benfica ter ganho o jogo e por a manga de entrada no túnel ter ido contra o pé dele, até acredito que os tais seguranças se tivessem excedido nos pedidos de desculpa, possivelmente por estarmos em vésperas de Natal até cantaram algumas músicas da época por forma a tentar alegrar e descontrair os perdedores, mas os rapazes deviam cantar mesmo mal para depois provocarem um tumulto daqueles. Assim, acho que o estádio da Luz devia ficar interdito a jogos até a fim da época e os jogadores do FCP condecorados por tamanha provação. Aliás, o Benfica também devia pedir, desde já, desculpa pela deserção daquele jogador (acho que gladiador ou não sei quê) que chegou e foi embora, pela demissão de um Fernando Gomes que não o bibota, da não convocação de Bruno Alves para hoje, das lesões de quem quer que esteja lesionado, o melhor é mesmo pedir desculpa por existir, estar a jogar bem e ainda por cima ser, por vezes, beneficiado e não só prejudicado pelas arbitragens.
É chato não é?
29/01/2010
28/01/2010
tentações
Sinto-me tentado em acreditar em Belmiro de Azevedo, um Presidente ditador e um Poeta sem juízo é tão natural como o restaurador Olex.
O problema que se me afigura nestes elogios, é que eles cabem sempre na carapinha de qualquer um, por exemplo, este Belmiro de Azevedo quando diz que os empregados dele estão todos satisfeitos, frase que vomita bastas vezes, passa bem por mentiroso, é que muitas das ocasiões em que me encontro com os ditos empregados, surge por vezes essa linda metáfora à baila e, até hoje, nenhum me confirmou a veracidade de tal afirmação, bem pelo contrário
Vamos a ver e afinal o homem também gosta de figuras de estilo e é um poeta sem juízo ou então o ditador do quintal Sonae.
Estamos bem entregues estamos.
26/01/2010
25/01/2010
charlie brown
Sábado no Maxime, conheci uma nova e entusiasmante banda portuguesa, os Charlie Brown presentearam-me com algumas das melhores músicas feitas neste cantinho. Independentemente das influências, notórias na versão do segundo vídeo aí em baixo, é uma banda com um som próprio, o que para quem só tinha 7 ou 8 originais para apresentar me parece extraordinário.
Desde os Mler if Dada que não gostava assim tanto de um grupo numa primeira audição, e, como os frequentadores daquela casa sabem, as condições sonoras não são as melhores.
A seguir com atenção.
24/01/2010
22/01/2010
15/01/2010
viking moses
Ontem, na ZBD, o que me surpreendeu não foi tanto a música mas o despojamento ou, até mesmo, a crueldade de brincar com excelentes canções ao ponto de começarem sem começo e acabarem sem fim e no meio divagar ao sabor da mente tortuosa de Brendon, que sendo muitas vezes genial, também sabia ser patético noutras. Ainda bem, nós é que ficámos a ganhar.
Depois foi beber, calmamente, umas cervejas e conversar com as pessoas como se não fosse nada com ele. Raios o partam.
14/01/2010
Sympathético
Please allow me to introduce myself.
Danças com o Diabo nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que tranpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces.
Pleased to meet you, hope you guessed my name.
Como queres que saibam o teu nome se não o escreves, se não o dizes, se não o gritas, se não o pintas a vermelho sangue escuro sem luz? Oh yeah.
Tell me baby, what's my name, tell me honey, can ya guess my name?
E insistes.
Foda-se, não vês que não é assim, não podes ser uma aparência errática num abismo que não é só teu, na certeza de que daqui ninguém sai vivo como dizia o outro.
But what's confusing you is just the nature of my game.
E pensas jogar, mas não te está na natureza, o jogo claro, não conheces as peças, desdenhas das regras se é que as entendes, falta-te a habilidade e o estímulo. Querias jogar, mas não sabes.
Use all your well-learned politesse or I'll lay your soul to waste.
Sobram-te os poemas que afagas na inquietude do tempo, as palavras que embalas em melodias sem lugar e a sensação permanente de uma vida vazia.
Uma dor com alma dentro. Oh yeah.
(woo woo, woo woo)
So if you meet me, have some courtesy, have some sympathy and some taste.
Resta-te a compaixão num caixão lançado rumo ao futuro, a tolerância tolerada em desespero e a puta da ânsia sofrida nos passos de dança nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que transpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces. Fuck-se!
(woo woo, who who)
11/01/2010
afectivamente
O ano começa bem, depois de acabar a aventura em Alcabideche, a minha amiga só dizia que não se tinha produzido para aquilo, regressámos a Almada e fomos ao Knock-out bar http://www.clubeknock-out.web.pt/, que tem sempre umas bandas de baile modernas porreiras, agora chamadas, efectivamente gosto da aparência, de bandas de covers. Mal saímos do carro diz o meu irmão, mais adiantado no passo, estão a tocar o While my guitar gently weeps, que, por acaso, é a única versão que estamos a inserir no nosso alinhamento e tinhamos acabado de ensaiar antes de partir para aquele filme em Alcabidechejo, entrámos e estava a tocar o Trio Manaia do Alexandre Manaia, que já tocou com o Rui Veloso e com o efectivamente sem moralizar atirem-me água benta Reininho e só pensava, se até este anda por aqui isto anda mesmo mau, o bar até é engraçado mas sei que paga muito mal, de qualquer forma ainda bem que há mais gente a tocar porque gosta, como também gosto de quem gosta, de bons guitarristas, de calor humano sem correntes de ar, diria que até se esteve bem.
Efectivamente, pior foi depois, mas felizmente é pessoal e intransmissível.
Efectivamente é o Manaia que aqui está a tocar com os GNR.
10/01/2010
The Piano Has Been Drinking (Not Me)
Voltar a ter saldo no telemóvel exactamente no segundo que começa o ano talvez seja uma forma extraordinária de iniciar a nova data para as novas gerações, para mim celebrei com mais um copo e fui tocar bateria.
Entretanto fui conhecer o bar onde tinha um concerto marcado para dia 22, depois de mais de 1 hora às voltas em Alcabideche, lá encontrei o dito numa esconsa zona industrial em que a estrada de areia se transformava num lamaçal digno de qualquer sapato mais engraxado, então dos saltos altos que uma amiga minha levava nem vos digo.
Apesar do mau início pensámos que o pior já tinha passado, o responsável chega afável e leva-nos para mostrar o local onde iríamos tocar, abertas as portas ficámos todos de boca aberta a olhar para uns, para os outros e para lado nenhum, um barracão em obras mais umas colunas velhas por onde eu duvido que consigam sair sons decentes e um frio pior do que o da rua devido a umas correntes de ar malucas que pareciam vindas das profundezas dos pólos. Vendo a nossa cara de espanto, o dono só dizia que até dia 22 acabava as obras e nós, todos, a pensar, ok, 22, mas de Janeiro do próximo ano, continuando, perspicaz, a observar-nos lá disse que podíamos tocar na sala principal, que era difícil encher mas tinha melhores condições.
Lá fomos até à sala principal, onde havia uma festa e tudo, melhor, dava para ver as condições com a sala composta. Entrámos e começa-se a ouvir sons de forró, bem, festa é festa, deixa ver, meia-dúzia de marmanjos com muito bom aspecto a jogar snooker antes da entrada na sala, bem, quem vê caras não vê corações, seguindo, finalmente a sala principal, grande, com palco e tudo, tão grande que as cerca de vinte pessoas que estavam lá dentro pareciam a rainha de Inglaterra sozinha no palácio de Buckingham a dançar forró, ultrapassada a figura de estilo mal enjorcada, reparamos nos varões, que me faz retornar à rainha, agora a dançar no varão de fio-dental na dentadura amolecida pelos anos, o David Lynch ria-se e o Tom Waits cantava-me ao ouvido The Piano Has Been Drinking (Not Me), portanto o melhor era beber também.
Porra pá, não me importo mesmo nada de tocar para putas, no fundo os músicos também são umas grandes putas, sempre prontos a dar o cu e mais qualquer coisa, por uma palavra, um aplauso, um miminho seja ele qual for, mas que haja putas então e clientes e mais clientes e mais putas e faríamos uma orgia, mais alternativa, mas uma orgia. Agora assim, porra pá.
E as correntes de ar continuavam.
The piano has been drinking, my necktie is asleep
And the combo went back to New York, the jukebox has to take a leak
And the carpet needs a haircut, and the spotlight looks like a prison break
And the telephone's out of cigarettes, and the balcony is on the make
And the piano has been drinking, the piano has been drinking...
And the menus are all freezing, and the light man's blind in one eye
And he can't see out of the other
And the piano-tuner's got a hearing aid, and he showed up with his mother
And the piano has been drinking, the piano has been drinking
As the bouncer is a Sumo wrestler cream-puff casper milktoast
And the owner is a mental midget with the I.Q. of a fence post
'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking...
And you can't find your waitress with a Geiger counter
And she hates you and your friends and you just can't get served without her
And the box-office is drooling, and the bar stools are on fire
And the newspapers were fooling, and the ash-trays have retired
'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking
The piano has been drinking, not me, not me, not me, not me, not me
31/12/2009
amem, fumem, bebam - saúde
I’m running out of patience
to be fucking with this now
you better believe me when I say
this now
I’m packing up my nightmares
and I’ll be on my way
you better find me some time
when you have more to say
Throwing Bones
Lançar-te-às aos ossos, esganiçado.
Da carne mais engelhada, curada em mais uma volta ao sol, da inércia marinada numa ansiedade desconhecida, da revolta absurda contra o que já sabias, da raiva inconsequente feita na inconsequência de tudo, da memória atropelada por um pensamento desgovernado, de uma razão que, lentamente, te foi reencontrando, perdeste alguma vontade mas não perdeste a tesão e com tesão a vontade acaba sempre por não partir.
Atirem mais ossos, no novo tempo que aí vem, atirem mais ossos, serão ruídos até ao tutano na certeza de que a fome vai continuar.
28/12/2009
azul
Dá-me um sonho azul, se puderes azul mar revolto em fúria na pele gretada salgando o anseio mais o desassossego e leva-me contigo maré baixa, troca-me as voltas nas correntes frias da tua profundidade e, devagar, retorna-me à superfície.
Na onda venho com a maré alta e o sonho azul no pensamento.
portugalzinho
Quando fechei a minha empresa há cerca de 9 anos fiquei desempregado, na altura o centro de emprego, através de um programa chamado POC, colocou-me 1 ano na segurança social em Almada. No departamento de acção social onde trabalhei, lidei com situações que desconhecia, a estranheza não foi tanto a falta de condições, espaço pequeno para tanta gente, mas os métodos e processos de trabalho.
Entre as várias tarefas que tinha, uma consistia em escrever no computador ofícios e relatórios vários (menores em risco por exemplo) que vinham manuscritos das assistentes sociais, entregavam-me o documento e passado 10/15 minutos para os ofícios e 30/40 minutos para os relatórios eu levava tudo pronto para ser assinado. Todos olhavam para mim de lado sem eu perceber porquê, passado umas semanas uma assistente lá me explicou que aqueles documentos costumavam estar dias, por vezes semanas, para serem despachados. Tudo me chocou, vinha da minha empresa onde chegava a trazer trabalhos gráficos complicados à tarde para entregar provas no dia a seguir de manhã, mas mais do que isso era o laxismo com situações como menores em risco, idosos doentes e outras parecidas, todas a necessitar de decisões urgentes e práticas. Apesar do ordenado de sessenta e tal contos, dos olhares e de me chatearem porque queriam que entrasse às 9 e eu entrava às 9.30 (podia entrar entre as 9 e as 10), aguentei esse ano e fiz as tarefas como as sei fazer.
Portanto, quando leio textos sobre organismos públicos e a disfuncionalidade, a perversão, a falta de transparência, as fiscalizações deficientes, sei bem do que se fala, se até com pessoas frágeis e totalmente dependentes não querem saber imagine-se o resto.
27/12/2009
like a puppet on a string
Como um boneco nas cordas do contentamento, escreves palavras que não consegues dedilhar. Também gostavas de cantar como se a terra fosse os pés e a voz o fruto ácido que mastigas inquieto na tua impaciência.
Assim, no novo tempo que aí vem, serias um pouco mais.
cinismo
Enfim, cínico, dandy e libertino, o libertário mostra-se, também, romântico, pois sabe que se comprometeu num combate de Titãs no qual tudo irá perder, excepto a honra. O desfecho não oferece a mínima dúvida: nenhum sacrifício individual bastará para inflectir o curso da História de modo definitivo e duradouro. Nada pode inverter a natureza trágica do real e a permanência das lutas violentas pelo poder. Pelo menos, com a elegância a ajudar, o libertário pode dar o seu último suspiro com a satisfação de uma tarefa cumprida até ao fim, apesar de todas as dificuldades.
A ler estes elogios aqui,
antologia do esquecimento: ELOGIO DO CINISMO (11)
25/12/2009
outra coisa qualquer
Nestas duas últimas atarefadas semanas, salvou-se a noite de quarta-feira. Na livraria Trama, além de ter tido o prazer de conhecer, finalmente, o Henrique, a Ana e a Maria João, conheci também um espaço muito simpático onde acontecem coisas também simpáticas como por exemplo, ler um poema ou outra coisa qualquer.
No meio disto tudo também existiu a música, na desordem sonora dos Ventilan a palavra com o Nuno Moura ordena e o contraste conseguia, por vezes, libertar os sentidos. Mais libertos ficaram ainda quando o Henrique encontrou a escala certa para desenhar aquela voz quente que se apoderou do microfone no final da noite.
Até o vento parou.
24/12/2009
boas festas
Respiro, como um sopro de Primavera,
como um bafo baço de Outono desfolhado.
Construo-me nas estações, todas e qualquer uma,
apanho brisas imaginadas e saio mundo fora,
e vejo girassóis, rochas, rios, espaço, muito espaço,
todo um espaço onde as coisas se fazem e se perdem,
e, também, o tempo, não o dos ponteiros mas aquele que é meu,
aquele que aprendo nas cores do céu,
aquele que desagua na minha pele e salta dos olhos.
No Inverno sou um pai todo poderoso,
incendeio chamas cor de ferrugem para aquecer,
aparto milagres em lençóis de linho e faço a cama.
No Verão sou uma mãe cheia de razão,
sou a água fresca onde mergulhas sem medo
e a areia fina onde deixas a tua marca.
Em todas as estações, todas, sou o mar,
de onde parto, de onde chego, onde me fico.
Profundo em mim, numa espera sem chegada.
Só,
quero estar só,
quero ser só,
verdadeiramente só.
Sozinho,
mergulhado neste mar onde vagueio ao sabor do vento.
Só assim chego a ti.
21/12/2009
anda tudo maluco
Um gajo põe um sério procura-se teclista/acordeonista e ninguém responde, agora a uma brincadeira a este post http://31daarmada.blogs.sapo.pt/3541056.html, aparecem-me 3 candidatas.
A minha namorada é que não achou muita piada.
18/12/2009
futuro
Nasci alguns meses depois da última vez que Portugal tremeu assim tanto.
Não deve vir aí coisa boa.
16/12/2009
procuro
Atleta sexual de alta competição, sensível, beleza algures entre Michelle Pfeiffer e Angelina Jolie, romântica qb, original, bem-humorada, inteligente e rica, para dar amor e aquecer a merda dos pés.
Respostas a este blog.
geada
Não sei o frio que faz lá fora,
nem a geada que queima a erva.
Madrugada que sinto no verbo,
nascer solto em mim, diz-me.
Quantas luas tem o espaço que não vejo?
Quantas vagas tem o tempo que não tenho?
Serás só um pensamento desconexo
num verso que solto sem ideias,
não mais que a noção da geada
arrefecendo o frio que não sofro,
ou, talvez, a sensação de um predicado
que teimo em não cumprir,
ou, talvez ainda, o absurdo da inércia,
onde teimo em fazer-me.
Nesta desfaçatez insolente que sinto e sou,
esqueço o dever e o prazer,
limito-me à geada do frio que não sinto,
e ao entendimento sentido que não tenho.
Preciso de outra vaga e mais outra e outra ainda,
que tragam um só esboço,
ainda que vago, de um pensamento que atine,
e afunde esta ausência que sou.
13/12/2009
mont blanc
No cume, a neve branca da montanha alonga-se,
e, na preguiça estática da planície, caiem avalanches de sensações,
alheia fica a amálgama de rochas que faz a montanha,
varrida é a alma que tarda em reencontrar-se.
Já no vale a neve, devagar, transforma-se,
despertando os sentidos, atordoados, em água limpa,
que, seguindo o seu curso, faz-se rio
onde as sensações refrescam deixando-se levar.
Naturalmente, todos os campos ficam verdes e coloridos,
do leito nascem flores, plantas e animais,
a fauna e a flora em fotossíntese constante,
numa escala infinita onde o espaço se conquista e o tempo se perde.
Neste espaço que é distante, neste tempo em que a vida corre,
somos pequenos fragmentos da imensa natureza,
que, indiferente, segue o seu rumo e destino também.
Resta-nos o pensamento e a memória.
11/12/2009
the story is old, but it goes on
Sonhar, acordar, lutar, esgravatar, furar, focinhar, sonhar.
Acordo porque nasce o dia, igual,
ligo o botão da máquina e levanto-me,
autómato ligado para lutar, esgravatar, furar, focinhar.
Agora sonhar?
Sonhar é um privilégio, um luxo caro como a vida.
Sonhar, soluçar, sufocar, soçobrar, sobrancear, sonhar.
Sonhar é um sonho mal visto, sempre,
jogar, trabalhar, falar, amar, defecar, isto são verbos activos,
que produzem movimento, mesmo que cheire mal.
Agora sonhar?
Sonhar é um verbo que nada produz, como a vida.
Sonhar.
Muitos dizem que não há tempo para sonhar.
Mentira, sonhar é um verbo e os verbos têm tempo, sempre,
não há é paciência e tempo para ele, isso sim.
Acção parada, estática, inerte, envergonhada.
Sonhar?
Sonhar é um aconchego desorganizado, como a vida.
Sonhar é um desgaste solitário, o pesadelo de sonhar,
sonhar o passado, o presente e o futuro, sempre.
Conhecem o verbo pesadelar? Não?
Pois até o pesadelo tem que vir acompanhado.
Sonhar?
Sonhar é um pesadelo substantivo, como a vida.
Sonhar.
Que verbo pode fazer uma frase tão bonita como:
Um dia sonhei o sonho mais lindo que podia sonhar.
Conhecem algum, conhecem algo mais íntimo.
Sonhar é ter a humildade de pensar que se pode ser feliz.
Mas isto digo eu, que sou um lírico e sonhador.
Sonhador?
Por favor não me ofendas!
09/12/2009
cause if I could be...
Expoestáctico vida perante
Interminável tédio constante
sempre presente
Expotenso dias consoante
Indominável espírito distante
sempre ausente
Almargamente cérebro arder
Abominável mundo conhecer
nunca contente
Almafadada forma de viver
Questionável presença esquecer
nunca premente
Expoesteticamente sendo perante
Inimaginável sombra errante
sempre transparente
Almardilhada alma arder
Infindável arte perder
nunca consequente
03/12/2009
27/11/2009
26/11/2009
25/11/2009
novas oportunidades
À pala do canudo, neste último ano, ando a ver Angola, Moçambique e os EUA por um canudo e a perder oportunidades.
É como dizia à minha namorada faz umas semanas, andas chateada olha fode, vem-te e ri-te.
Descobri aqui antologia do esquecimento: QUANDO FOR GRANDE que o Cesariny é da mesma opinião.
coisas que me fazem muita impressão
A minha mãe foi ontem ao centro de emprego a uma reunião para a qual tinha sido convocada a semana passada, apesar de estranhar a convocação, pois não tem qualquer subsídio há anos, lá foi saber do que se tratava.
Tentaram fazer-lhe uma lavagem ao cérebro com as novas oportunidades, por uma empresa privada segundo lhe pareceu e por uma menina assim meio inexperiente (para ser simpático e não usar a palavra que foi dita que foi tótó). Perguntaram às pessoas se não queriam valorizar-se, um homem de 63 anos disse que não percebia a pergunta, valorizar o quê perguntava o homem espantado enquanto tirava a carteira profissional para mostrar à menina enquando dizia que queria era trabalhar, fazer o que sabia fazer e para o qual estava habilitado por longos anos de experiência.
A minha mãe vendo no que estava metida pediu licença para sair, perguntaram-lhe directamente, então mas a Sra. não quer ficar, não quer trabalhar, não quer valorizar-se, calmamente respondeu, sabe minha menina, já trabalho 24 horas por dia, tenho a minha mãe com 95 anos em casa ao meu cuidado, com Alzheimer desde os 80, se quiser mandar alguém lá a casa para ver o que trabalho e o valor que tem podem depois fazer o favor de me mandar o diploma e agora, se me dá licença, tenho de sair que a minha mãe está sozinha em casa e pode fazer alguma asneira ou acontecer alguma coisa.
Resta dizer que a D. Olga, senhora minha mãe, tem 64 anos, a quarta classe e uma larga experiência a tomar conta da casa, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos, dos amigos destes todos, do sogro e, também, da mãe. É verdade também não cozinha nada mal e tem o que vulgarmente se chama um sexto sentido lixado.
Entretanto, hoje acabei de fazer o meu 10.º ou 11.º telefonema para o ministério da educação a uma média de um por mês no último ano, para saber quando me mandam o meu certificado de habilitações lá enfiado nas trapalhadas da independente. É que pelo menos eu fui às aulas (algumas) e fiz a merda dos exames sem cunhas, sei que aquilo não era grande coisa mas se fiz e até com uma boa média, o canudo dá-me jeito, nem que seja para me pirar daqui, mas dá-me jeito, nem que, mais tarde, sirva só para me limpar o cu, dar-me-á jeito de qualquer forma. Agradecido.
23/11/2009
futebol
O Benfica perde um jogo e as razões são todas menos o facto de terem falhado mais uma série de golos, se é verdade que, ao contrário da Naval, o Guimarães ainda deu um ar de sua graça em 3 ou 4 jogadas na primeira parte, também não deixa de ser verdade que o Benfica dominou e jogou que se fartou, também falhou que se fartou é verdade, mas o futebol e a vontade de ganhar estão lá, o normal para quem joga assim é marcar mais golos que os adversários só que nem sempre o que é normal é o que acontece num jogo de futebol. Ainda bem.
20/11/2009
18/11/2009
para M.
Ontem chegaste a mim triste e desorientada, não percebias porque é que uma pessoa se enforca aos trinta anos. Eu consolei-te, não com respostas mas como posso, sei e consigo e, por ironia, o post anterior não é uma resposta, mas é um cenário que conheces bem demais e sabes o desespero que te provoca, agora põe-te no lugar deles.
17/11/2009
portugalzinho
A primeira notícia que ouvi hoje, foi que a associação dos panificadores estava muito chateada com o governo porque, segundo eles, não têm mão-de-obra devido ao rendimento de inserção. Esta notícia deixou-me logo bem disposto pela manhã, só espero que aconteça o mesmo noutros sectores da economia para o meu riso ser mais completo e satisfeito. A questão nem é ser um sector que conheço muito bem, porque nos outros acontece o mesmo, pagam em média 500 € de ordenado, as pessoas fazem mais horas sem receber ou a receber uma palmada nas costas e promessas de nada ou, até, ameaças de despedimento, são obrigadas a aturar um patronato e chefias rudes, intratáveis, analfabetas e incompetentes que se passeiam em 3 Mercedes e mais um jipe BMW, mais a gala nas quintas com piscina e nos garanhões puros lusitanos, e ficam chateados de não ter mão-de-obra.
Coitados.
16/11/2009
esclarecimento
Relativamente a Manuel Zacarias Segura Viola e José Tobias Taramouco, sei que existiram duas pessoas com estes nomes, quem me dera capacidade para inventar nomes destes, o resto da história não é real. Em relação a Rosa e n, qualquer semelhança com muitas realidade é pura coincidência, não só não sou o n como nunca conheci nenhuma Rosa, gosto mais de malmequeres.
14/11/2009
reflexo V
- Sabes que te tenho onde quero não sabes? - diz Rosa do quarto.
n, na sala, fingiu que não ouvia mas Rosa continuou:
- Sabes que te tenho onde quero?
n manteve-se impávido e Rosa insistiu:
- Ouves-me, sei que me ouves.
Mas de n nada, nem um pio, inundada por um silêncio que pesava nas entranhas, Rosa, enquanto se dirigia para a sala, dizia cada vez mais alto.
- Sei que me ouves, tu ouves sempre e muito bem nesses ouvidos de tísico.
Chegada à sala Rosa viu-se sozinha. n não estava onde ela queria.
reflexo IV
Reflexo III
Reflexo II
Reflexo I
12/11/2009
idade
- A idade é uma merda.
A frase de Manuel Zacarias Segura Viola, homem observador e prático, apanha o seu amigo José Tobias Taramouco mais distraído que desprevenido. Como se ninguém o tivesse ouvido, Zacarias procura o olhar do amigo e volta a repetir acrescentando um adjectivo como que procurando uma maior atenção.
- A idade é uma grande merda.
Tobias, rapaz mais dado a literaturas e filosofias, já refeito obriga-se a responder em forma de pergunta.
- Porque é que dizes isso?
- Porque o tempo gasta-nos, cansa-nos, dá-nos cabo dos ossos...
José Taramouco replica sem deixar o amigo acabar.
- Torna-nos mais sabedores, mais preparados, mais...
- Porra. Lá vens tu com as tuas filosofias - diz, abruptamente, Manuel Zacarias - não sentes no corpo, nos músculos, nessa cabeça cada vez mais distraída?
Tobias, vendo o desnorte do amigo não desarma.
- Que se passa contigo, preferias ser o puto parvo de vinte anos a vida toda? Não leste mais livros, não viste mais mundo, não te sentes melhor pessoa, não amaste mais?
- Outra vez - interrompe Segura Viola já irritado - falo do corpo, da carne e tu falas-me de livros e de amor, deixa-me dizer-te uma coisa sobre o amor. Da adolescência aos vinte e cinco dás três, quatro, às vezes cinco, dos vinte cinco aos trinta andas pelas três às vezes duas, dos trinta aos trinta e cinco passas para duas às vezes três, dos trinta e cinco aos quarenta passas para uma e raramente duas, a partir dos quarenta passas para uma e, na melhor das hipóteses, no dia a seguir mais uma.
Tobias, mais taramouco do que o Taramouco do próprio nome, abre os olhos para o amigo tentando responder mas Zacarias antecipa-se:
- E não me venhas com a história da qualidade.
José, ainda Taramouco de nome e de estado, após uma pausa diz cabisbaixo:
- A idade é uma merda.
10/11/2009
continuamos na paróquia
Se, por regra, os amigos se viessem, as amizades não duravam muito.
Obrigatório, texto integral aqui http://a-leiseca.blogspot.com/2009/11/amizade-e-fodida.html
09/11/2009
pequenez
Depois de uma série de goleadas parvas e outras falhadas de forma parva, de uma derrota mais devido à pouca sorte do jogo e do sistema que da equipa, a goleada falhada hoje de parva não teve nada e a vitória por 1 golo deixou-me mais contente que se ganhasse pelos cinco ou seis que merecia. Uma vitória de campeões cheios de raça e vontade de jogar à bola, arrancada a ferros a uma equipa que, sem eu perceber porquê, recebeu elogios de todos os comentadores, claro que não espero que as equipas que vão à Luz abram uma passadeira vermelha para os jogadores do Benfica passar, mas espero que façam mais do que mandar biqueiradas em forma de balão para a frente, acho que nem aqui no Cova da Piedade se usa hoje em dia.
Por incrível que pareça, depois de uma série de tiros ao boneco (grande boneco aquele guardião da naval) e outros à barra, às traves e sei lá que mais, o importante foi a única oportunidade da Naval aos 92 minutos de jogo, outra vez, aos 92 minutos.
Até no futebol temos o País que merecemos.
evolução
Mas antes o autor conta-nos o terramoto, depois de ter entrado no livro apresentando a entrada de um barco no rio Tejo em Lisboa (Cap. 1, “Quem nunca viu Lisboa não viu coisa boa”), e de ter apresentado o rei que reinou em Lisboa na primeira metade do século XVIII, D. João V, para uns o Magnânimo e para outros o Freirático (Cap. 2, “Na corte do rei D. João”). A impressão que Paice transmite sobre o século XVIII português é a mesma que os viajantes ou residentes estrangeiros deixaram, até porque o autor se baseou em larga medida nas fontes britânicas (e irlandesas), nomeadamente as dos comerciantes dessa nacionalidade que aqui se encontravam na época, dada a existência de alguma protecção ao seu comércio em troca da protecção oferecida nos mares pela Royal Navy. Portugal era, para os estrangeiros que nos demandavam e que aqui se estabeleciam, um sítio algo distante e exótico. Apesar da riqueza que D. João V tão exuberantemente ostentava (em grande parte proveniente do Brasil) era, sob vários pontos de vista incluindo o cultural, um país atrasado relativamente aos países da Europa Central e do Norte. Segundo viajante Arthur Costigan, citado por Pairce, era como se “Igreja e estado concordassem ambos em manter a nação naquele estado de escravatura, ignorância e pobreza do qual dependia a sua própria conservação e segurança.”
Aqui http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/ira-de-deus.html
E assim continuamos.
08/11/2009
rir
Ontem no minuto de silêncio no jogo dos meus putos alguns começaram a rir, de cabeça para baixo envergonhados mas a rir, o que é normal em crianças entre os 8 e 11 anos. Alguns adultos estavam chocados mas eu preferi rir com eles, porque não, se muitas vezes são palmas porque não risos, para mais assim simples e espontâneos.
06/11/2009
Humberto Borges
Sou um tipo que gosta de rir da vida e com a vida e, principalmente, rir de mim próprio, dos falhanços, das pequenas vitórias, de alegria e, também, das tristezas. Esta semana foi particularmente difícil e se me ri algum dia, hora ou minuto, não consigo ou quero lembrar agora. Entre o impacto da morte do António Sérgio no principio da semana, a morte do Humberto na quarta e o funeral hoje, o espaço e disposição para a ironia foi pouco.
O Humberto foi meu treinador de andebol e um amigo, daqueles que não é preciso estar sempre a aparecer mas que sabemos que estão lá. Nestes últimos anos, voltámos a aproximar-nos, regressei ao meu clube, agora eu como treinador, e ele lá estava, como sempre, quarenta anos dedicados ao desporto, ao andebol, às crianças, tudo sem ganhar um tostão. Há trinta anos, organizou o primeiro torneio internacional de andebol para jovens da Europa e nunca mais parou, até agora. Ainda conseguiu acabar o sonho dele, um livro sobre a história do andebol no Concelho de Almada, um levantamento que lhe levou dez exaustivos anos.
Aqui http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=181818 falam em doença prolongada, felizmente não foi tão prolongada quanto isso, ainda há três semanas lá estava no pavilhão a ver um jogo, com algumas dores mas ainda com esperança, com a mesma esperança que nos faz continuar. Amanhã lá estarei com os meus meninos para mais um jogo, sabendo que, perdendo ou ganhando, vou rir outra vez.
05/11/2009
match point
Match Point começa com uma metáfora, uma bola de ténis balouça na rede indecisa no lado para o qual irá pender, ao mesmo tempo uma voz-off centra toda a temática da narrativa no acaso da sorte e do azar e na direcção que essa casualidade aleatória nos proporciona nos diferentes caminhos e descaminhos da vida. Com um tratamento invulgar de uma história banal, Woody Allen consegue suscitar o interesse bem como um pensamento mais profundo sobre alguns comportamentos, atitudes e acções que fazem a nossa existência.
Neste filme, o realizador utiliza uma linguagem filosófica, derivada de acções e comportamentos com motivações profundas, que têm origem em filósofos como Nietzsche, onde a vontade de poder não é tão só uma aspiração, mas uma necessidade intrínseca ao ser Humano. Woody Allen consegue traduzir este pensamento de forma exemplar através da frieza calculista e da altivez meio indiferente do personagem principal, o instrutor de ténis Chris, bem como da ironia com que determinadas esferas da sociedade, neste caso Londrina, são apresentadas.
Ao contrário dos habituais fundos de Jazz usados na grande maioria dos seus filmes, em Match Point o enredo surge-nos com peças trágicas de Ópera, como que entreabrindo a porta a um desfecho adverso a conceitos considerados consensuais. A predominância dos tons amarelo forte, vermelho e preto, especialmente nas cenas entre Nola e Chris, realça a emotividade, a paixão mas, também, a possibilidade de tragédia nesta relação, em grande contraste com as cores claras e frias do apartamento de Chris e da mulher Chloe. Ao nível dos planos o mesmo acontece, enquanto com Nola e Chris assistimos a uma insistência em planos relativamente fechados, realçando as reacções, a intensidade e a intimidade de ambos, nas cenas com Chloe, essencialmente, temos planos gerais reveladores da distância e da indiferença calculista desta relação.
Através de um argumento (logos) sólido, baseado em clássicos, a que não são alheias as claras referências a Dostoievski ou, também, de forma menos perceptível a Nietzsche, neste filme, Chris define o ethos de toda a trama ao cotar-se como um destruidor de noções e definições praticamente unânimes e universais como a paixão e o amor. Assim, toda a acção suscita uma emotividade (pathos) que advém dessa vontade de poder como uma lei originária que surge da própria realidade das coisas e das pessoas. É Nietzsche quem diz que “a vontade de poder não é nem um ser, nem um devir, é um pathos”.
Nesta trama dramática, Woody Allen foge ao personagem-tipo dos seus filmes, como por exemplo, o criador neurótico, a intelectual atormentada ou o génio desastrado, talvez por, pela primeira vez, ter filmado fora de New York, cidade querida do realizador. A concepção das personagens pretende reflectir a alta sociedade Londrina, de que é exemplo toda a família de Chloe, especialmente o seu irmão Tom, mesmo Nola e Chris revelam um carácter mais real ou, talvez, mundano, do que os arquétipos habituais usados em filmes anteriores do cineasta. Não deixamos, contudo, de ter personagens complexos e interessantes, com várias situações de carácter duvidoso e ambíguo, onde as motivações e acções não são claras, como exemplo temos o caso de Chloe que parece compor um personagem sincero que ama/gosta??, pretendendo apenas estar ao lado e ajudar Chris, porém não deixa de, subtilmente, o direccionar ao mesmo tempo que controla o desempenho e ambições do marido. Tom é um hipócrita, ainda que disfarçado mas um hipócrita, apesar de aceitar e até apreciar Chris, não deixa de o qualificar como “irlandês”, numa alusão às diferentes origens de ambos, como que dizendo, até me divertes mas sei de onde vens. Esta dualidade aplica-se de forma mais intensa ao protagonista, quando no início Chris nos aparece como uma pessoa interessada em cultura, orgulhosa, com carácter e boas intenções, com o decorrer do filme vamos percebendo a fragilidade e incoerência do seu comportamento na tentativa de impressionar o futuro sogro e família. Nola personifica uma das personagens mais clássicas do cinema, surgindo como uma mulher fatal, embora na segunda parte do filme, quando regressa a Londres, sofra uma inversão, aparecendo-nos frágil, ingénua, romântica e, ao mesmo tempo, sincera como nenhum outro personagem neste filme.
Na segunda parte do enredo, Woody Allen consegue surpreender-nos, não só com a continuação de uma construção sólida dos diálogos e da história, como com uma mudança repentina, onde começa a mostrar o lado mais profundo, obscuro e tenebroso daquelas personalidades. Subtilmente, já o realizador nos tinha preparado para esta situação, com a referência visual a Crime e Castigo de Dostoievski, com uma frase ocasional dita por Nola sobre episódios ocorridos no seu prédio, o combinar do plano inicial da bola de ténis, qual vida ou sorte para cá e para lá, com o plano da bola de ping-pong quando Chris e Nola se conhecem, e, principalmente, a genial interligação entre a câmara lenta do plano inicial com a câmara lenta de Chris a atirar a aliança ao Tamisa que, suspensa como a bola, acaba por cair para o lado em que o jogador perde o ponto, deixando o espectador na expectativa perante a sorte, neste caso azar, que daí advirá.
Nesta história de ambição, amor, desejo, paixão, traição, crime, culpa, enganos, desenganos, azar e, sobretudo, sorte, a surpresa chega-nos na forma como Chris escapa ao azar e à justiça. Segundo o próprio Woody Allen, a situação que se passa neste filme acontece muitas vezes no nosso quotidiano. “Penso que há uma enorme quantidade de injustiças e de crimes manifestos que se cometem diariamente em todos os extractos da sociedade, que ninguém castiga, e, com frequência, ainda são recompensados generosamente por tal acto”.
Alguém tem dúvidas?
02/11/2009
tempo
Hoje a seguir ao almoço enquanto ia para o estúdio no carro, ainda com o pensamento no António Sérgio, ouvia a radar e aproximadamente na hora em que se realizava o funeral, a voz, aquela voz que o meu filho diz, carinhosamente, que faz sono, ouvia-se como se estivesse entre nós. E talvez por causa do vento que, devagar, empurrava as nuvens num céu azul brilhante, talvez porque o sabor do som me soubesse bem entrecortado, a espaços, pela aquela voz grave e profunda, talvez porque o paradoxo daquela ausência presente me confundisse, talvez porque aquele tudo me parecesse tão estranho, parei o carro à porta do estúdio e ali fiquei a olhar as nuvens, a ouvir o som, deixando que o tempo me enganasse.
Só mais um bocado por favor.
tudo
Aqui estou,
consumindo o cérebro
Porque ele pensa, estranhamente ele pensa,
porque ele mente, lucidamente ele mente.
E enquanto vagueia o pensamento
a vida corre lá fora,
como um rio
ou um comboio numa linha interminável.
Mas que importa, sim que importa,
se de uma forma ou doutra
ela corre sempre no mesmo sentido.
Sabem do que estou a falar
Da morte.
E aí é o fim, tudo desaparece.
Tudo?
António Sérgio
Quando John Peel morreu, lembro-me de ter comentado que ainda tínhamos o nosso António Sérgio, tristemente já não temos. Mais do que muitos críticos que leio desde puto, foi com o António Sérgio, no programa Som da Frente e outros que se seguiram, que arrepiei caminho na música.
Numa altura em que os meios eram poucos, o Som da Frente foi uma ilha diferente e fascinante, com o António aprendi a conhecer, a ouvir e a gostar de boa música.
É uma dívida que só posso pagar continuando a amar a música como ele amava.
31/10/2009
Right, wrong, what to do.
Someday it will come to you.
Hostile indians,
We named a summercamp for you.
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I'm in utter dismay
I've got nothin' to say
Harmless children
We named our soldiers after you.
Don't be a coconut.
God is trying to talk to you.
We could drag it out,
But that's for other bands to do.
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to give
Got no reason to live
But I will fight to survive
I've got nothin' to hide
Wish I wasn't so shy
I'd like to watch
I'd like to read
I'd like a part
I'd like the lead
But I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to say
I've got nothin' to give
Got no reason to live
Oh I'll kill to survive
I've got nothin' to hide
Wish I wasn't so shy.
solo
Então, o futuro é onde me fixo, onde sempre me fixei,
é o espaço onde me fico e transformo,
é onde derivo contra o vento e contra o mar,
e, na frescura da espuma, lavo as memórias,
e, na espuma da brisa, levo os pensamentos,
é onde me ergo arregaçando as mangas,
e, na estrada que é caminho, sigo
e, no caminho que é espaço, escrevo,
é onde a sombra se dobra e esconde,
e, na paz do silêncio, digo,
e, no silêncio da luta, faço,
é onde a beleza se abre,
e, no espaço que é tempo, sou,
e, no tempo que é tudo, desisto.
Neste futuro nada proclamo e muito calo,
uma vida toda,
talvez mesmo a vida toda,
passado, presente e futuro,
ser só palavra não é enredo,
ser só abstracção não é nada,
ser só sonho não é arte,
ser só ilusão não é vida,
ser só folha não é livro,
ser só é ser sozinho.
E, nesta certeza, asseguro que o futuro,
além de, na realidade, não existir,
cada vez está mais próximo do fim.
Assim sou eu nestes dias,
asfixio neste tempo que desfaço.
30/10/2009
little boy
Little Boy Blue
Come blow your horn
The dish ran away with the spoon
Home again home again
Saturday morn
Never gets up before noon
She used to render
You legal and tender
When you used to
Send her your promises boy
A dill or a dollar
Unbutton your collar
Come out and holler
Out all of your noise
Little boy blue
Come blow your top
Cut it rite down to the quick
Don't sit home and cry
On the fourth of july
Around now you're hittin' bricks
Little boy blow
Lost little bo peep
She fell thru a hole in the nest
Now ain't it peculiar
That she's finally cooled your
Big wheels just like all of the rest
Whenever it rains
The umbrella complain
They're always gettin' played for a chump
So mark and strike it
She's history now
And you're hangin' out at the pump
Little Boy Blue
Come blow your horn
The dish ran away with the spoon
Home again home again
Saturday morn
Never gets up before noon
She used to render
You legal and tender
When you used to
Send her your promises boy
A dill or a dollar
Unbutton your collar
Come out and holler
Out all of your noise
será que foi a gorjeta
10.000 € dez mil euros DEZ MIL EUROS
outra vez
10.000 € dez mil euros DEZ MIL EUROS
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