16/04/2010

midletown

Sobes no elevador elevando o corpo mas não os sonhos. Na subida conheces uma pequena mulher Japonesa, saia curta, óculos redondos, sorriso genuinamente feliz, onde procuras numa espécie de inglês a receita da felicidade. Chegas ao cimo sais, despedes-te e ela sorri novamente, atrás as portas fecham-se encerrando com elas uma percepção de felicidade. No cimo do Empire State Building olhando a imensidão da cidade. BRUNO Já viste a imensidão? JACK Sim, visto cá de cima parece-me tudo bastante sereno. BRUNO Sereno? JACK Sim. Tão imenso que as casas não passam de casulos, os carros as asas e as pessoas pequenos insectos. BRUNO O quê? JACK Então não vês? Visto daqui até os carros são quase todos amarelos. Quais abelhinhas para cá e para lá e também alguns zangões pretos. Não vês? Uma mancha amarela vivo confunde-te, não são raios de sol mas indianos, paquistaneses, turcos, mexicanos, colombianos e sei lá que mais, conduzidos pelos táxis amarelo vivo. Bela cor esta que te tira um esgar de sorriso, que perdes rapidamente na mediania indiferente que figuras. BRUNO (ri-se) És louco. (riem-se os dois) JACK (sarcástico) Ovelhas de poderes fictícios, olha ali vai uma negra. Mascaramos a nossa animalidade nesta azáfama. BRUNO (ainda a rir) E tu és o quê? E nós os dois somos o quê? JACK Animais racionais, julgamo-nos inteligentes e não sabemos apreciar a natureza, a única coisa real que temos. Queremos o quê, segurança? BRUNO Sim, porquê não? JACK Olha, porque estamos aqui tão seguros da nossa pseudo-segurança cai um calhau na terra e acabou. Finito. (sorri) BRUNO Um calhau? Essa é boa mas não é novidade, já caíram vários e voltarão a cair, mas entretanto achas que devemos ficar a olhar para o céu à espera do calhau não? JACK I not my dear, I not. BRUNO (sério) Porque não podemos ser só uma massa desconfiada de nós mesmos, devorada por uma razão demasiado consciente. Não disseste que éramos animais, então sejamos animais em toda a nossa bestialidade, comendo, bebendo, mas também rindo, chorando. JACK (interrompe alegre) Fodendo parece-me bem. Onde vamos logo à noite? BRUNO (ri-se) Tu! Voltas ao passeio sem calçada, na apatia és mais um entre muitos, mas sabes que do alto do Empire State Building não foste mais que uma Midletown de ti próprio.

por outro lado

Quando estive a trabalhar nos EUA, sentia-me profundamente dividido entre o dinheiro que ganhava, o prazer que tinha em viver em NY e a necessidade de estar ao pé dos meus filhos, ainda por cima numa fase muito importante na vida de uma criança, neste caso duas. Numa conversa séria que calhou com um tipo com quem até nem existia grande química no relacionamento, um emigrante rabugento já com 30 anos de América, no fim disse-me com as lágrimas nos olhos: "Vim para aqui há 30 anos e só pensei ficar 5 ou 6 anos e voltar, mas, entretanto, quando mais ganhava mais queria ganhar, quanto mais tinha mais queria ter, passaram mais de 30 e ando por aqui, sozinho. Quando vou a Portugal o meu irmão vive numa casa tal como eu, a minha irmã vive numa casa tal como eu, têm carro como eu, comem bem ou melhor que eu e fazem-no em família, enquanto eu estou para aqui sozinho, os meus filhos são adultos e a infância deles não passa de umas memórias retorcidas de meia dúzia de dias passados em férias, agora quero voltar atrás e não posso e quando estou em Portugal sinto-me deslocado". Passado 3 semanas estava a apanhar o avião de regresso a Portugal e o tipo passou a ser o Sr. Cardoso, um dos meus maiores amigos durante o resto da estadia.

dar-me ao trabalho

Existem algumas pessoas que me perguntam porque é que com os meus estudos e experiência profissional ando a vender e entregar congelados. Talvez porque consigo ganhar cerca de 1000 € por mês em 2 dias de trabalho por semana sem aturar patrões, colegas, nem chefes com azia ou talvez porque os empregos a que me candidato na minha área estejam já comidos por filhos, sobrinhos, primos e afins de gente com outros nomes. E emigrar outra vez? This indecision's bugging me

dar-se ao trabalho

Sou quase um vagabundo, sem um tostão. Esta cidade fatal, Antioquia, devorou todo o meu dinheiro: esta cidade fatal com sua vida extravagante. Mas sou jovem e tenho excelente saúde. Prodigioso mestre de grego, conheço Aristóteles e Platão de ponta a ponta, bem como qualquer orador, poeta ou outro autor que se possa mencionar. Em assuntos militares não sou ignorante e tenho amigos entre os funcionários regulares mais velhos. Tenho também um certo conhecimento de questões administrativas. Passei seis meses em Alexandria no último ano; uma coisa que sei (e isto é útil) sobre o que acontece por lá: a corrupção e a sujeira e tudo o resto. Portanto creio que sou inteiramente qualificado para servir este país, minha amada pátria, a Síria. Em qualquer trabalho em que me coloquem me esforçarei para servir meu país. Esse é o meu propósito. Mas, de novo, se me entravarem com seus sistemas – nós os conhecemos, esses sabidos: precisamos falar disso agora? – se me entravarem não será culpa minha. Procurarei Zabinas primeiro, e se aquele idiota não me der valor, irei ao seu rival, Gripos. E se aquele imbecil não me der uma mão, irei imediatamente a Hircano. De qualquer modo, um deles me quererá. E a minha consciência está quieta acerca de minha indiferença à escolha: todos os três são danosos à Síria na mesma extensão. Mas – homem arruinado – não é culpa minha. Estou apenas, pobre diabo, tentando ajeitar as coisas. Os deuses todo-poderosos deviam ter se dado ao trabalho de criar um quarto, um homem honesto. De bom grado eu teria ido até ele. Konstantinus Kavafis

14/04/2010

como se não bastasse

No texto da semanada escrevi como se não bastasse duas vezes quase seguidas. Como se não bastasse não saber escrever bem e como se não bastasse não saber bem onde por as vírgulas, ainda por cima consigo repetir este como se não bastasse bastas vezes. Fónix.
Entre o meio-sono meio-sonho chegaste mansinha e, devagar, pousaste um arco-íris no meu corpo, separaste-me da razão e pintaste-me em sete cores, deste-me o vermelho paixão viva em mim, o laranja fogo em ácido temperado, o amarelo quente e sensual, depois o verde vigoroso da natureza, o azul sonho grave e eterno, o indigo tranquilo e fresco e, por fim, o violeta mistério irresolúvel em que me encontro. Neste meio-sono meio-sonho tu foste a melodia que me despertou.

11/04/2010

semanada

Esta tem sido uma semana de malucos, mais que não seja porque o Benfica não ganhou um jogo, o que só por si torna esta uma semana muito invulgar, mas como se não bastasse, no pouco tempo disponível, ainda consegui reter duas ou três curiosidades que me deixam com bastante fé na humanidade. Em primeiro lugar, continua a saga contra o grande Papa açorda de cu-entrada da Igreja dos Católicos Romanos que também são apostó-li-cus de vocação e alguns só simpatizantes assim de lado. Como se não bastasse, agora surge uma bela rapariga que editou um livro chamado Sim sou Virgem. E então? Esta virgem de 27 anos que edita esta preciosidade, apesar de não ter lido mas assumindo o direito de imaginar, não deve explicar é se a virgindade corresponde só aquela coisinha que as mulheres têm dentro do pipi, tipo aquelas cenas que se colam aos frigoríficos, ou se corresponde a todos os orifícios da menina, porque nestas coisas nunca fiando, até um pensamento pode criar um buraco negro do tamanho do universo. Quem leu que me elucide por favor. Mais ao lado, outra notícia estrondosa foi o facto de uma outra inocente rapariga quase ter asfixiado o namorado no enorme par de balões que tem no lugar das mamas, o que só prova que para atingir o éden nada como uma contida penitência aos pés, ou mãos, ou melhor mamas, nas trombas de um tipo. Claro que ainda temos o congresso do PSD, mas acho que não devemos abusar.

03/04/2010

peso 2

Pesa mais, pesa mesmo mais. Pelo menos na balança.

02/04/2010

peso

O meu Benfica começa a desesperar, ao excelente e dominador futebol sucedem-se falhas incríveis à frente da baliza, e de possíveis goleadas ao Braga e ao Liverpool passa-se a vitoriasinhas difíceis ou comprometedoras. Vamos lá a acertar com a baliza gente. Entretanto, hoje, é dia de orgulho por aqui, o meu puto tem a grande estreia com a camisola do glorioso, vamos lá ver se realmente pesa tanto como dizem.

25/03/2010

ironias

Afinal parece que o Sr. Presidente do FCP goleou o Presidente do meu Benfica nas audiências, e, segundo Ferreira Fernandes no DN, também na ironia requintada que se lhe reconhece há largos anos, mas não será que a curiosidade esteve em ver exactamente como essa ironia começa a ser anedótica, tal como o personagem, é que já era tempo de o FCP se renovar e abrir os horizontes, seria bom para o clube e para o futebol.

Benfica

O meu Benfica, finalmente, voltou a estar à altura do passado e da grandeza que lhe é reconhecida por todos, nos últimos anos até mais pelos adversários do que pelos próprios benfiquistas que dificilmente se reconheciam na forma de estar e ser dos dirigentes nestas atribuladas duas décadas que agora chegam ao fim. Podemos dizer que foram as derrotas, mas, pelo menos para benfiquistas como eu, não foram as derrotas que mais marcaram estes anos negros, mas sim o desnorte, a incompetência, o aproveitamento a que o clube esteve sujeito por parte de várias personalidades. Não serei ingénuo ao ponto de pensar que o Luís Filipe Vieira também não terá interesses pessoais, mais ou menos legítimos, em ser o dirigente máximo do Benfica, mas como essa realidade será sempre indissociável do cargo, aquilo que interessa verdadeiramente é o trabalho realizado, e, aí, a recuperação do clube quer na dimensão nacional como internacional estão à vista. O trabalho de reorganização financeira poderá e deverá ser consolidado com os novos contratos de direitos televisivos e com a venda de 1 ou 2 jogadores para os quais, e muito bem, já existem substitutos à altura, desportivamente a manutenção do treinador é essencial, tal como a manutenção da mesma estrutura directiva em que o profissionalismo é por demais notório, basta ver a forma como reagiu rapidamente a uma muito aguardada e anunciada entrevista de Pinto da Costa à RTP, conseguindo esvaziar por completo um discurso já de si vazio e em que até os portistas mais ferrenhos já não acreditam, senão veja-se, o presidente do FCP disse a palavra Benfica 21 vezes e o nome do seu clube apenas 25, Luís Filipe Vieira deixou-se, finalmente, de instituições e disse a palavra Benfica 84 vezes e FCP apenas 14, das quais algumas nitidamente contrariado mas obrigado pelo entrevistador. Para quem o principal problema era o discurso, esta licção de marketing comunicacional é uma vitória quase tão saborosa como o campeonato. Enquanto os outros forem dizendo a palavra Benfica tanto ou mais que o nome dos próprios clubes estamos bem, venham mais entrevistas do Sr. Pinto da Costa.

rosas em mar de espinhos

Quero-te como se não existisse amanhã, quero-te como se ontem fosse um pedaço de chão que cultivei, quero-te como se hoje fosse o tempo que não controlo, quero-te como se agora fosse o momento em que me perco. Assim, só admito estar ao pé de ti, sempre e só junto a ti, se te puder beijar os lábios, acariciar o palato com a língua e conhecer todas as palavras na troca da saliva que fazemos, transformar o teu corpo num abraço de querer como só eu sei fazer. E respirar. Respirar o cheiro que sentia a fome, feito na pele da pele que cheirava, e, também, o sexo claro, porque teu, e, finalmente, saciar-me na recompensa da tua capacidade de acolhimento, piscares-me um olho cúmplice, sorrires e receber o meu amor, todo. Porque esta é única existência que quero, porque a vida não é um mar de rosas e ainda bem, porque os espinhos aleijam.

24/03/2010

parlamedeiros

http://www.ionline.pt/conteudo/52304-viagens-ines-medeiros-eu-e-que-nao-as-pago Para alguns, só as viagens para o trabalho já davam para pagar mais do que um café por dia.

monopólio

E não, não é a política que é como jogar o Monopólio, é tudo. http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/03/jogar-monopolio.html

grande notícia do dia

Recusados 58 mil postos de trabalho nos centros de emprego espalhados por Portugal. Destes 58 mil, conheço alguns casos, uma amiga chamaram-na para um curso de culinária com estágio imediato e emprego, era engenheira alimentar com um mestrado qualquer na área e alguns anos de trabalho também na área, há poucos meses um amigo meu que era designer na Maxmen (agora é feita em Espanha) entrou no desemprego com um subsídio de 1400 €, tem tido algumas propostas de trabalho na ordem dos 600 €, menos do dobro, a mim chamaram-me para trabalhar nos armazéns, reposição ou lá o que era, num novo hipermercado que ia abrir para os lados de Setúbal, eu até me estou a cagar para os cursos e experiência profissional que tenho, mas um ordenado que, descontando transporte e alimentação, mal me daria para um café por dia não me estimularam por ai além. Conheço mais casos mas são todos parecidos. O grande empresário de nome Belmiro diz que consegue 2000 postos de trabalho se os hipermercados abrirem ao domingo, extraordinário, ficamos com os problemas deste cantinho resolvidos, enfiamos 2000 pessoas a ganharem uma miséria num espaço onde se vendem produtos estrangeiros a portugueses que mal conseguem pagar a hipoteca da casa. Venham mais empresários destes que nós gostamos.

mais este

rff, desafio-te a conseguires pior.

anos 80

O rff lembrou-se disto http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2010/03/words-fr-david.html, então toma lá estes que é para não seres mau, repara bem nos movimentos de anca.

23/03/2010

artkafé

Sábado passado toquei num desses espaços que todos os músicos gostam de tocar. Um bar que, apesar da vertente comercial, privilegia não só a qualidade como a história, com vários discos em vinil dos primórdios do rock, do jazz e da pop, ainda por cima tivemos um acompanhamento por parte do Pedro, o melómano da casa, excepcional, chegou até nós com 2 vinis antigos acabados de comprar, Marvin Gay e Rolling Stones, que logo pôs a tocar e, naquele som puro, até a batata frita era mel para os ouvidos. Depois do som feito fomos jantar, a conversa foi música e mais música, incluindo crítica aberta e frontal à nossa, que, vindo de quem veio, foi mais mel para os nossos ouvidos e ainda mais força para continuarmos. No concerto a sala estava completamente cheia, com o António a tocar os teclados em cima do público porque não cabia no estrado, um terço da sala bazou a meio mas os que ficaram foram efusivos quanto baste para quem está a ouvir aquelas músicas pela primeira vez, reconhecendo que algumas não são muito fáceis de assimilar numa primeira audição. No final e porque quem ficou merecia, antes do último original ainda tocámos o Rape me, Fake Plastic Trees e o Sympathy for the Devil, o que nos soube muito bem. Quando acábamos fui ao bar pedir uma bebida, um rapaz que a meio do concerto tinha mandado uma boca a dizer mais ritmo, mais força, abordou-me e disse-me que a nossa música era para pensar, muito mole ou suave e que o pessoal à noite não quer pensar, quer é desbundar, ainda disse que o nosso som estava assim entre Pink Floyd, Doors e os Beatles, a este excelente cocktail encolhi os ombros e disse que havia um bar de forró mesmo ali ao lado, entretanto paguei-lhe um copo e penso que ficou feliz e eu também. A nossa versão é bem diferente mas à falta fica o original.

19/03/2010

the verge

Artkafe - Setúbal este sábado às 22.30 h.

haja fé

Well, jesus will be here Be here soon He's gonna cover us up with leaves With a blanket from the moon With a promise and a vow And a lullaby for my brow Jesus gonna be here Be here soon Well i'm just gonna wait here I don't have to shout I have no reason and I have no doubt I'm gonna get myself Unfurled from this mortal coiled up world Because jesus gonna be here Be here soon I got to keep my eyes open So i can see my lord I'm gonna watch the horizon For a brand new ford I can hear him rolling on down the lane I said hollywood be thy name Jesus gonna be Gonna be here soon Well i've been faithful And i've been so good Except for drinking But he new that i would I'm gonna leave this place better Than the way i found it was And jesus gonna be here Be here soon

god's away on business

Desde Dezembro que ando sem carta de condução, pelo pecado grave de conduzir sem cinto teria de pagar 120 euros, como não paguei tiraram-me a carta. Tenho estado pacientemente à espera que chegue o grande Rezingão da Igreja Católica Apostólica Romana para ver se este meu grande pecado pode ser expiado só pela presença de tão magnânime personagem, ou será que a grande mão de deus só vai chegar às off-shores.

túneis, auto-estradas e TGV's

Muito trabalho e um computador avariado fizeram com que estivesse duas semanas ausente, o que me parece muito grave para a imensidão de pessoas que me costumam visitar, de qualquer forma, para quem pudesse estar preocupado, estou vivo e de boa saúde. Entretanto, como quem conhece bem o dono, este meu velho PC chega mesmo a tempo de falar sobre uma coisa com importância de Estado, o meu Benfica. É que ontem, finalmente, compreendi as questões dos túneis, auto-estradas, TGV's de alta velocidade e sei lá que mais, então não é que os jogadores do Glorioso chegam a França, a um estádio que dizem complicado, para não dizer pior, e desatam a correr quais TGV's fazendo daquele campo uma autêntica auto-estrada com túneis, cruzamentos, bifurcações, quais diabos à solta do primeiro ao último minuto. Os pobres franceses pareciam os candidatos à liderança do PSD sem saber para onde se virar com aquela coisa da rolha, a asfixia foi tão grande que até a Manuela Ferreira Leite enviou uma carta à UEFA a dizer que o Benfica devia ser banido de todos os campeonatos, Nacionais e Internacionais. Platini ainda respondeu que tinha dado instruções precisas ao árbitro para ter atenção com a tendência daqueles diabos para asfixiarem as outras equipas, mas, de fonte segura, sei que até o árbitro abandonou o jogo com uma gastrite nervosa por, apesar do bom trabalho, não ter conseguido parar aquelas bestas. Para a história fica mais uma goleada desperdiçada, é que a velocidade era tanta que na hora do remate estavam com os olhos esgaziados, como os bois. Depois veio o Sporting, que até nem foi um mau jogo mas, em comparação, parecia assim uma coisa tipo solteiros e casados. Venham mais túneis e TGV's que aqui este vosso amigo gosta.

05/03/2010

cores

Queres que o céu seja o ventre e ela a lua, mas o céu anda encoberto e a lua escondida, satisfaz-te pensares que és o único, mas esqueces os pesadelos que a memória pode trazer, e pensas ser quem não és, e pensas feitos extraordinários, e pensas coisas absurdas, e pensas gritar e o grito sai seco, inaudível. Queres que o amor tenha só uma cor mas o céu anda encoberto e as cores escondidas.

leia

Hoje, ouvi um jornalista a dizer na TV, a expressão foi mesmo esta, que o governo tem de se chegar à frente na questão dos livros que vão para a fogueira. Num país onde se anda sempre a dizer que existe Estado a mais, não só me a frase me pareceu desadequada como estranha. Qua ao governo caiba a recolha e distribuição dos livros é uma coisa, que o governo tenha de pagar 1 € que seja por cada livro já me parece muito mal. Em primeiro lugar, a responsabilidade dos excedentes não lhes pertence, em segundo, existe a responsabilidade social que deve ser partilhada também pelas empresas privadas, muito mais quando até têm nomes como Leya.

28/02/2010

glorioso

Depois de, finalmente, um excelente jogo do FCP contra o Braga, de um soberbo jogo, tirado não se sabe de onde, do Sporting com o Everton, o meu Benfica não se deixou ficar e elevou a parada com uma exibição impressionante com o Leixões. Campo reconhecida e merecidamente difícil, onde muito se luta até ao fim por uma vitória. Mais do que o resultado, que até podia e devia ter sido mais, foi a sensação de que aos bravos guerreiros do Leixões nunca foi dada a hipótese de ser isso mesmo que costumam ser, guerreiros. Até parecia que o Benfica estava a jogar com o dobro dos jogadores, a continuar assim e volto a repetir, a continuar assim o título é certo.

25/02/2010

mais ejaculações

E depois é esta coisa dos broches. http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/02/hoje-fartei-me-de-fazer-broches.html#links Os falos continuam a atacar.

ejaculações precoces

Os microfones e até as câmaras das TV's, a cada acontecimento parecem, cada vez mais, um enorme falo erecto pronto a penetrar tudo quanto é sítio e lugar. Como se isto não fosse suficientemente mau, é um falo que ainda tem a lata de, constantemente, respingar antes do tempo sujando quem desafortunadamente passa por ele.

23/02/2010

correr

Como não gosto de deixar a vontade só pelas palavras, hoje fui mesmo correr, por vezes vou aqui ao parque da paz em Almada, o grande espaço verde da cidade. Tudo corria em corrida normal até quase pisar uma cobra de tamanho apreciável, neste encontro não sei quem se assustou mais, se eu se o desgraçado do animal, só tive tempo de saltar, dizer um palavrão e ficar a olhar para a beleza daquela pele amarela e verde, enquanto ela, passado o susto, seguiu o seu caminho.

run

O desejo é sair por aí e correr, correr até que o chão se faça pés, os pés se tornem ar, o ar se faça espaço, o espaço se faça tempo, o tempo se faça história e a história se faça memória. Assim, será mais fácil partir.

estado de guerra

http://ipsilon.publico.pt/Flash/texto.aspx?id=251121 Estado de Guerra arrecadou mais uma série de prémios, de todos os filmes que vi este ano foi o que mais gostei e o único que me obrigou a um texto. Este. Gostava de desistir, deitar-me com as árvores sobre a terra e parar, ficar quieto, totalmente estático. Desistir de tudo sem contemplações, de todos os pensamentos e movimentos e, simplesmente, existir porque estou lá. Como as árvores, firmes e robustas.Gostava de desistir, confundir-me numa planície repleta de flores e parar na mistura aleatória de cores. Abandonando em cada pétala tudo o que conheço e aprendi e, simplesmente, existir em cada espécie. Ser todas as cores da natureza.Gostava de desistir, inserir-me deserto dentro sobre as dunas e parar na imensidão do horizonte. Sossegando o cansaço da gravidade, de todas as recordações e enganos e, simplesmente, existir no crepúsculo que, breve, desponta todos os dias.Gostava de desistir, afundar-me no oceano, ser uma onda e parar na areia infinita de uma praia, desaparecendo por entre cada pedaço e também os desejos, os sonhos e, simplesmente, existir em cada grão, tornando-me o infinito que não se encontra.Gostava de desistir, elevar-me ao céu sobre as nuvens e parar, aconchegar-me nas várias formas, perdendo todos os contornos que sou e também o tempo, passado e futuro e, simplesmente, existir no presente, em todas as formas e contornos possíveis.Gostava de desistir, perder-me no espaço com as estrelas e parar nos braços ternos de uma lua, desintegrando-se todo o corpo palpável e também o espírito mais a alma e, simplesmente, existir na eternidade, num ponto qualquer do universo. Gostava de desistir, mas não sei. Gostava de uma deixa que me permitisse continuar, por aqui fora sem mais que a loucura da certeza da inconsequência, um bocado, um pedaço, uma terra, um país, um continente, um mundo, o universo. Um tanto que será sempre tão pouco ou tão mais que este nervo que me tira o sono depois deste filme que me derrota e deixa amargo, ainda mais amargo nestes ácidos gástricos que não controlo e que, dizem, vem da minha inquietação. Ansiedades mil, caralho preciso é da droga, dá-me com a cannabis na minha inércia, espeta-me o cachimbo nos olhos para ver se acordo, leva-me nesse avião e desampara-me nessa guerra em cima de uma bomba por explodir. Só, eu e a minha eternidade ilusória, sem palavra, sem expressão, sem conjecturas, sem falácias, sem engano, sem política. Apenas só. E só sou comigo e contigo, explosão da alma, puta traiçoeira que não comando. Gostava de sorrir aos Deuses e dizer-lhes que dificilmente me domam o espírito, mas que quero que continuem a tentar. Apaziguar-me em festas do jet7 ou no jacto orgásmico directo ao centro da fémea que desejo ou fazer-me mulher e receber vida, vida dentro que não sou mas que tenho e acarinho, dobrar-me as costas e parar com as revoluções fictícias e mais os golpes neste estado que sou, segurar-me nesta melancolia que figuro e amparar-me a queda desta tristeza que me assalta quando o vento me larga sem norte. Preciso que a melodia que rodopia na minha cabeça se torne uma canção e se faça em arco-íris com um pote de ouro no fim ou em balões vermelho sangue que o vento leva em festa pelo céu azul, numa bola de andebol que giro nas mãos das crianças que tenho, em gomas coloridas que dou ao meu filho que ri satisfeito e feliz e me pede para ir ao estúdio tocar bateria parando aqui esta alucinação. Que bom rir, eu sorrio e vou-me com ele e os ácidos acalmam-se, esquecem-se das explosões, da traição, da guerra, da vida. Gostava que o mundo fosse uma prateleira infinita de pacotes coloridos de flocos, mas não é.

silêncio

Tem alturas que tudo parece tão mesquinho, tão vil, tão baixo, tão pobre, tão deprimente e, ao mesmo tempo, tão claro, que a vontade não consegue ser mais do que a abstracção e o silêncio.

astroman

Querias ser um man ou, melhor ainda, um astroman, não daqueles do jet feito num oito que se pretende sete e não vale um três, mas um verdadeiro astroman, daqueles que levantam voo e partem rumo ao imenso universo. Só que os pés pesam-te e agarram-se com a terra, raízes profundas que não consegues arrancar.

18/02/2010

coisas sem importância nenhuma

mas que me fazem confusão. Já aqui disse que para mim o futebol é uma coisa simples. Sou benfiquista e quero que o Benfica ganhe sempre, os resultados dos outros interessam-me pouco ou mesmo nada, seja a nível nacional ou internacional, embora goste que o Sporting ganhe e esteja bem, porque um clube tem de ter rival à altura e eu gosto que esse clube seja o SCP (sei que para a maior parte dos lagartos dia que o Benfica perca é dia de glória, mas isso só reforça o que sinto). Isto tudo, porque esta jornada europeia trouxe-nos duas situações caricatas, apesar de raramente ver jogos que não os do Benfica, MU e Real Madrid, costumo ver os resumos e os jogos do Arsenal e da Fiorentina deram-nos dois lances muito engraçados. Nós que andamos sempre a dizer mal dos árbitro portugueses, assistimos a dois lances que não lembram ao gajo do tridente quanto mais ao comum dos mortais. No primeiro, um livre indirecto dentro da área é marcado à má fila originando um golo, acontece (aliás parece que com este árbitro acontecem coisas estranhas muitas vezes) e as declarações dos treinadores mais jogadores não me espantam, é o habitual nestas situações. Já as declarações do Jorge Coroado, antigo árbitro dado a azias, fazem-me alguma comichão. Então o respectivo Sr. Azia não diz que o lance é legal porque a equipa do Arsenal não manifestou intenção de fazer a barreira, pois, a mim também não me pareceu que esse interesse fosse manifestado, aliás acho que no momento em que a falta foi marcada o Campbell estava a dizer ao árbitro, porra, isto é que é velocidade de execução. Granda golo pá. Or in english, what fuck motherfuck, this better than Speedy Gonzalez, Great gool man. Então tá-se bem, desde que a malta fique feliz. O segundo lance também é engraçado, é que existem foras-de-jogo e existe fora-do campo, os primeiros percebe-se que, por vezes, não sejam bem vistos, analisados, assinalados e etc., agora fora-do-campo é preciso ser muito vesgo ou então gostar muito de fruta alemã, seja de que cor for. Espero que os jogadores do meu Benfica hoje, sejam tão rápidos e "intelegentis" como aquele rapaz madeirense fã do Speddy Gonzales, o que, a acontecer, não me permite desejar-lhes mais do que a derrota.

16/02/2010

last rite

Angel calls on me set to take me out, angel with no face. the end of the line; beginning of time, a matter of faith. I see all my friends from distance afar on another plane, mourning over me: a sickness of heart a sense of betrayal. have you seen the twilight close so slow. (I rose over them so light). Men in black suits dressed cold soft wood and marble silk, to take me away. No heaven or hell. the memory behind lingers on a face. have you seen the twilight close so slow. (I rose over them so light). Fotografias de Mafalda Paiva

12/02/2010

escutas

Hoje aqui http://sitedev.renhau-nhau.com/cartaz.php a escuta é outra, sem meias palavras, sem palavras escondidas, quando muito por vezes sussurradas, outras vezes gritadas, mas nunca veladas e sempre de peito aberto. Songs are just songs

09/02/2010

sexta 12

Aqui: http://sitedev.renhau-nhau.com/cartaz.php

bota o obido no carril

No sábado a Junta de Freguesia de Pinhal Novo (terra da bela sopa caramela) fez anos, as comemorações envolviam um concerto de uma nova banda de uma série de malucos caramelos doidinhos por música, p´ra aí uns 10 em palco, fora os convidados das gaitas de foles e da Bardoada (O Grupo do Sarrafo) http://www.myspace.com/bardoada Com um reportório que vai desde o tradicional a Virgem Suta e Xutos&Pontapés, conseguiram um espectáculo bastante animado, os arranjos podiam ser mais arrojados mas também começaram agora. Entretanto só o texto de apresentação valeu a noite. Ora vejam lá. De princípio era só rastolho. Ópois era a brisa das pinhas. Ao terceiro dia já se obia a canzoada a ganir à bolta dum óriço, e chegado ao sétimo dia já se faziam orquestras com foguetaige, caricas e trabessas da linha à bardoada contra a lombeira do carril. Foi tudo rápido que nem um tiro até há hora em que um home disse pró outro: - Tôô, anda cá mais eu cantar aqui uma cantiga. A modinha, de rara beleza e compleixidade, foi cantada pra toda a família obir (incluíndo a bicheza doméstica) e chamaba-se "Pega na lancheira e bai lebar o almoço ao pai". Tal momento artístico trouxe logo mais outro home, e mais outro e outro e a bizinhança cum gaiataige bádia, tudo com gaitas, flaitas, ferrinhos, apitos, paus e caixas chocadeiras, num intusiasmo tal, caté fazia inbeja aos grilos caramelos que, pra grilar toda a noite, ajuntam-se no eco das escadas dos prédio da Sul Ponte. Dada a força deste tema de índole ruralo-quotidiano pós-barroco, muitos outros bieram de carreira, sando sustança a concertos ora selbaiges ora brabios, ora até mesmo espontâneos. Chamaram-lhes intão o grupo d"Os Amigos da Música". Ainda assim, apesar da balentia de todos os homes a acarretar a música cá pra fora, sempre faltou algo im todo o grupo, faltava uma espécie de seiva alienígena, como aquela que faz crescer as longas patilhas numa rapariga brabia. Por isso não eram mines, não eram coiratos, nim era pão com tulicreme... era sim, um biolino. - É o queim?? Um biolino? Tão parbos ó quêi? - Sai~-se logo um destemido à soleira do café. Ópoio disse: - Agora é um biolino, amanhã tão todos com as calças pu meio das nalgas. Face ao comentário depreciatibo, só uma cantadeira de biolino bem composta, que buebesse mines e jogasse matraquilhos poderia resolber o problema da banda, sem que ninguém refilasse. Foi intão à luz do pitrol, que começou a precura porta im porta, por detrás das moitas, das silvas e, até, dentro dos elevadores da Refer. Ao fim dum tempo, os homes acabaram por encontrar ela escondida atrás das canas a tocar o biolino. Mas, dado o especial tratamento que eles dabam à música, todos decunfiabam do nome "Os Amigos da Música". Hummmm "Amigos da Música" era um nome muito estrambólico e dubidoso, que mais fazia lembrar as sessões de caraóque em noites de budeira. Bai daí que o nome tinha de ser modificado. Muitas foram as ideias parbas, mas a que mais reunio consenso, foi uma tirada dos filmes de cábói do intigo cinema SFUA. Nesses filmes, os cábóis (berdaderos heróis da punhada), antes de atrbessarema linha do comboio, em bez de olhares pra um lado e pró outro, punham o obido no carril pra ber se binha por perto um comboio esgalgado. Assim, dada a íntima ligação do mundo caramelo às linhas do comboio e ao cinema da SFUA, seria de esperar que, antes que qualquer um atrabessasse a ferrobia se acautelasse e espatasse o obido no carril. Esse costume nunca beio a ter lugar em território caramelo já que os intigos horários da CP estabam sincronizados com o auspicioso momento em que as galinhas punham ovos caseiros, e, assim, todas a gente sabia o momento certo em que o comboio passaba. Paira no intanto uma lenda que quem punha o obido no carril conseguia captar música, não sendo certa a beraciddae dessa lenda já que quem o experimentou, nunca voltou cá pra contar o finómeno. É pois, na reposição da berdade que o nome do grupo beio à luz da madrugada. Mas ainda com algumas incertezas: - Afinal como é que ei? O nome é "Bota o Obido no Carril" ou é "Coloca o Ouvido no Carril"? A dúbida permance e será esta note em debate-garreia com o público desta sala que esta polémica bai ser posta im pratos limpos. Claro que ficou "Bota o Obido no Carril", infelizmente ainda não existe nada na net para mostrar.

07/02/2010

portugalzão

Ao menos estes não andam com meias palavrinhas veladas, bons portugueses estes, embora o Jorge Baptista pudesse falar menos sobre o sucedido.

putos

Ontem o meu puto foi jogar a Setúbal, sempre que posso gosto de levar os miúdos pelas estradas nacionais para conhecerem os lugares e as terras por onde passam. Às tantas, Ukuamba, um negrito também colega de escola do Miguel, que ia completamente fascinado com a pequena viagem (para ele grande pois não parava de dizer que nunca mais chegávamos), pergunta-me onde estamos, eu respondo que estamos a passar por Coina, diz logo o meu puto, então a seguir é o útero não. Não é ainda filhote mas hás-de lá chegar, ou perto.

06/02/2010

portugalzinho

Portugal anda aceso com as, agora famosas, escutas, supra sumo de uma tendência natural deste canto de boca aberta para o mar e de mão na boca para o vizinho. A coscuvelhice e o interessa pela vida alheia, mais ainda, pelos podres alheios não é de hoje, desde que me lembro que é assim, mas se nada disto me espanta já o espanto que isto causa me deixa perplexo. Será que não temos a noção daquilo que somos, daquilo que fazemos, daquilo que dizemos, a maior parte das vezes de forma velada e semi-escondida, a facilidade com que ofendemos e dizemos asneiras, às vezes tão grossas que até conseguem corar o gajo dos chifres. Claro que também existe aquela classe que o faz em grande estilo, com palavras caras e bonitas, por vezes até codificadas, chama-se capacidade de invenção e/ou argumentação, mas a merda é a mesma, perdão a porcaria ou melhor a caca. Agora vou ali à porta ver o que é se passa.

02/02/2010

coisas muito sérias

O que é que mudou nas empresas? A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário. A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.” Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe… Mas o assédio no trabalho é novo? Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam. Toda a entrevista aqui: http://www.publico.clix.pt/Sociedade/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal_1420732

liga Sagres

Tenho andado um pouco alheio da actualidade, o trabalho e a falta de paciência raramente me deixam ver programas de informação, geralmente só enquanto almoço ou janto é que espreito as notícias, apesar do risco de indigestões lá vou mantendo este hábito. Ontem chegado do ensaio, já tarde, encontro na SIC notícias uns Srs. muito cómicos a falar de futebol, falar parece-me um termo lisonjeiro para o que aquelas pessoas fazem mas enfim. A minha relação com o futebol é muito simples, sou Benfiquista, vejo religiosamente os jogos do Benfica, às vezes no estádio, e raramente os das outras equipas, quero sempre que o Benfica ganhe e não me interessa para nada os resultados dos outros com excepção do Sporting, nas raras vezes que vejo o SCP até dou por mim a querer que ganhem, porque é o adversário que mais gosto de ter ao lado na luta pelo título e títulos sem luta como tem sido vulgar nos últimos anos não tem piada nenhuma. Apesar deste alheamento não deixo de me aperceber do que se passa, desta feita foram umas imagens do túnel do bonito, não digo lindo porque sou tímido, estádio da Luz, e o que me parece é que o Benfica devido ao facto de ser um clube de gente bastante educada, vendo o desespero dos jogadores do clube do Sr. Pinto que também é da Costa mas não costuma ir ao Barbas jantar, acho que a fruta se dá mais para os lado da Mealhada com leitões à mistura, caldeiradas é o que é, embora caldeiradas seja mais no Barbas, bem ultrapassando este devaneio e voltando à educação que reina na Luz onde as caldeiradas são à luz de todas as câmeras (onde estão as imagens de Braga), vê-se perfeitamente um segurança mais zeloso a pedir desculpa ao jogador Fernando por o Benfica ter ganho o jogo e por a manga de entrada no túnel ter ido contra o pé dele, até acredito que os tais seguranças se tivessem excedido nos pedidos de desculpa, possivelmente por estarmos em vésperas de Natal até cantaram algumas músicas da época por forma a tentar alegrar e descontrair os perdedores, mas os rapazes deviam cantar mesmo mal para depois provocarem um tumulto daqueles. Assim, acho que o estádio da Luz devia ficar interdito a jogos até a fim da época e os jogadores do FCP condecorados por tamanha provação. Aliás, o Benfica também devia pedir, desde já, desculpa pela deserção daquele jogador (acho que gladiador ou não sei quê) que chegou e foi embora, pela demissão de um Fernando Gomes que não o bibota, da não convocação de Bruno Alves para hoje, das lesões de quem quer que esteja lesionado, o melhor é mesmo pedir desculpa por existir, estar a jogar bem e ainda por cima ser, por vezes, beneficiado e não só prejudicado pelas arbitragens. É chato não é?

28/01/2010

tentações

Sinto-me tentado em acreditar em Belmiro de Azevedo, um Presidente ditador e um Poeta sem juízo é tão natural como o restaurador Olex. O problema que se me afigura nestes elogios, é que eles cabem sempre na carapinha de qualquer um, por exemplo, este Belmiro de Azevedo quando diz que os empregados dele estão todos satisfeitos, frase que vomita bastas vezes, passa bem por mentiroso, é que muitas das ocasiões em que me encontro com os ditos empregados, surge por vezes essa linda metáfora à baila e, até hoje, nenhum me confirmou a veracidade de tal afirmação, bem pelo contrário Vamos a ver e afinal o homem também gosta de figuras de estilo e é um poeta sem juízo ou então o ditador do quintal Sonae. Estamos bem entregues estamos.

25/01/2010

charlie brown

Sábado no Maxime, conheci uma nova e entusiasmante banda portuguesa, os Charlie Brown presentearam-me com algumas das melhores músicas feitas neste cantinho. Independentemente das influências, notórias na versão do segundo vídeo aí em baixo, é uma banda com um som próprio, o que para quem só tinha 7 ou 8 originais para apresentar me parece extraordinário. Desde os Mler if Dada que não gostava assim tanto de um grupo numa primeira audição, e, como os frequentadores daquela casa sabem, as condições sonoras não são as melhores. A seguir com atenção.

24/01/2010

2 novas casas

http://www.myspace.com/thevergeoficial http://the-verge-band.blogspot.com/

15/01/2010

viking moses

Ontem, na ZBD, o que me surpreendeu não foi tanto a música mas o despojamento ou, até mesmo, a crueldade de brincar com excelentes canções ao ponto de começarem sem começo e acabarem sem fim e no meio divagar ao sabor da mente tortuosa de Brendon, que sendo muitas vezes genial, também sabia ser patético noutras. Ainda bem, nós é que ficámos a ganhar. Depois foi beber, calmamente, umas cervejas e conversar com as pessoas como se não fosse nada com ele. Raios o partam.

14/01/2010

Sympathético

Please allow me to introduce myself. Danças com o Diabo nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que tranpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces. Pleased to meet you, hope you guessed my name. Como queres que saibam o teu nome se não o escreves, se não o dizes, se não o gritas, se não o pintas a vermelho sangue escuro sem luz? Oh yeah. Tell me baby, what's my name, tell me honey, can ya guess my name? E insistes. Foda-se, não vês que não é assim, não podes ser uma aparência errática num abismo que não é só teu, na certeza de que daqui ninguém sai vivo como dizia o outro. But what's confusing you is just the nature of my game. E pensas jogar, mas não te está na natureza, o jogo claro, não conheces as peças, desdenhas das regras se é que as entendes, falta-te a habilidade e o estímulo. Querias jogar, mas não sabes. Use all your well-learned politesse or I'll lay your soul to waste. Sobram-te os poemas que afagas na inquietude do tempo, as palavras que embalas em melodias sem lugar e a sensação permanente de uma vida vazia. Uma dor com alma dentro. Oh yeah. (woo woo, woo woo) So if you meet me, have some courtesy, have some sympathy and some taste. Resta-te a compaixão num caixão lançado rumo ao futuro, a tolerância tolerada em desespero e a puta da ânsia sofrida nos passos de dança nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que transpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces. Fuck-se! (woo woo, who who)

11/01/2010

afectivamente

O ano começa bem, depois de acabar a aventura em Alcabideche, a minha amiga só dizia que não se tinha produzido para aquilo, regressámos a Almada e fomos ao Knock-out bar http://www.clubeknock-out.web.pt/, que tem sempre umas bandas de baile modernas porreiras, agora chamadas, efectivamente gosto da aparência, de bandas de covers. Mal saímos do carro diz o meu irmão, mais adiantado no passo, estão a tocar o While my guitar gently weeps, que, por acaso, é a única versão que estamos a inserir no nosso alinhamento e tinhamos acabado de ensaiar antes de partir para aquele filme em Alcabidechejo, entrámos e estava a tocar o Trio Manaia do Alexandre Manaia, que já tocou com o Rui Veloso e com o efectivamente sem moralizar atirem-me água benta Reininho e só pensava, se até este anda por aqui isto anda mesmo mau, o bar até é engraçado mas sei que paga muito mal, de qualquer forma ainda bem que há mais gente a tocar porque gosta, como também gosto de quem gosta, de bons guitarristas, de calor humano sem correntes de ar, diria que até se esteve bem. Efectivamente, pior foi depois, mas felizmente é pessoal e intransmissível. Efectivamente é o Manaia que aqui está a tocar com os GNR.

10/01/2010

The Piano Has Been Drinking (Not Me)

Voltar a ter saldo no telemóvel exactamente no segundo que começa o ano talvez seja uma forma extraordinária de iniciar a nova data para as novas gerações, para mim celebrei com mais um copo e fui tocar bateria. Entretanto fui conhecer o bar onde tinha um concerto marcado para dia 22, depois de mais de 1 hora às voltas em Alcabideche, lá encontrei o dito numa esconsa zona industrial em que a estrada de areia se transformava num lamaçal digno de qualquer sapato mais engraxado, então dos saltos altos que uma amiga minha levava nem vos digo. Apesar do mau início pensámos que o pior já tinha passado, o responsável chega afável e leva-nos para mostrar o local onde iríamos tocar, abertas as portas ficámos todos de boca aberta a olhar para uns, para os outros e para lado nenhum, um barracão em obras mais umas colunas velhas por onde eu duvido que consigam sair sons decentes e um frio pior do que o da rua devido a umas correntes de ar malucas que pareciam vindas das profundezas dos pólos. Vendo a nossa cara de espanto, o dono só dizia que até dia 22 acabava as obras e nós, todos, a pensar, ok, 22, mas de Janeiro do próximo ano, continuando, perspicaz, a observar-nos lá disse que podíamos tocar na sala principal, que era difícil encher mas tinha melhores condições. Lá fomos até à sala principal, onde havia uma festa e tudo, melhor, dava para ver as condições com a sala composta. Entrámos e começa-se a ouvir sons de forró, bem, festa é festa, deixa ver, meia-dúzia de marmanjos com muito bom aspecto a jogar snooker antes da entrada na sala, bem, quem vê caras não vê corações, seguindo, finalmente a sala principal, grande, com palco e tudo, tão grande que as cerca de vinte pessoas que estavam lá dentro pareciam a rainha de Inglaterra sozinha no palácio de Buckingham a dançar forró, ultrapassada a figura de estilo mal enjorcada, reparamos nos varões, que me faz retornar à rainha, agora a dançar no varão de fio-dental na dentadura amolecida pelos anos, o David Lynch ria-se e o Tom Waits cantava-me ao ouvido The Piano Has Been Drinking (Not Me), portanto o melhor era beber também. Porra pá, não me importo mesmo nada de tocar para putas, no fundo os músicos também são umas grandes putas, sempre prontos a dar o cu e mais qualquer coisa, por uma palavra, um aplauso, um miminho seja ele qual for, mas que haja putas então e clientes e mais clientes e mais putas e faríamos uma orgia, mais alternativa, mas uma orgia. Agora assim, porra pá. E as correntes de ar continuavam. The piano has been drinking, my necktie is asleep And the combo went back to New York, the jukebox has to take a leak And the carpet needs a haircut, and the spotlight looks like a prison break And the telephone's out of cigarettes, and the balcony is on the make And the piano has been drinking, the piano has been drinking... And the menus are all freezing, and the light man's blind in one eye And he can't see out of the other And the piano-tuner's got a hearing aid, and he showed up with his mother And the piano has been drinking, the piano has been drinking As the bouncer is a Sumo wrestler cream-puff casper milktoast And the owner is a mental midget with the I.Q. of a fence post 'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking... And you can't find your waitress with a Geiger counter And she hates you and your friends and you just can't get served without her And the box-office is drooling, and the bar stools are on fire And the newspapers were fooling, and the ash-trays have retired 'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking The piano has been drinking, not me, not me, not me, not me, not me

31/12/2009

amem, fumem, bebam - saúde

I’m running out of patience to be fucking with this now you better believe me when I say this now I’m packing up my nightmares and I’ll be on my way you better find me some time when you have more to say

Throwing Bones

Lançar-te-às aos ossos, esganiçado. Da carne mais engelhada, curada em mais uma volta ao sol, da inércia marinada numa ansiedade desconhecida, da revolta absurda contra o que já sabias, da raiva inconsequente feita na inconsequência de tudo, da memória atropelada por um pensamento desgovernado, de uma razão que, lentamente, te foi reencontrando, perdeste alguma vontade mas não perdeste a tesão e com tesão a vontade acaba sempre por não partir. Atirem mais ossos, no novo tempo que aí vem, atirem mais ossos, serão ruídos até ao tutano na certeza de que a fome vai continuar.

28/12/2009

azul

Dá-me um sonho azul, se puderes azul mar revolto em fúria na pele gretada salgando o anseio mais o desassossego e leva-me contigo maré baixa, troca-me as voltas nas correntes frias da tua profundidade e, devagar, retorna-me à superfície. Na onda venho com a maré alta e o sonho azul no pensamento.

portugalzinho

Quando fechei a minha empresa há cerca de 9 anos fiquei desempregado, na altura o centro de emprego, através de um programa chamado POC, colocou-me 1 ano na segurança social em Almada. No departamento de acção social onde trabalhei, lidei com situações que desconhecia, a estranheza não foi tanto a falta de condições, espaço pequeno para tanta gente, mas os métodos e processos de trabalho. Entre as várias tarefas que tinha, uma consistia em escrever no computador ofícios e relatórios vários (menores em risco por exemplo) que vinham manuscritos das assistentes sociais, entregavam-me o documento e passado 10/15 minutos para os ofícios e 30/40 minutos para os relatórios eu levava tudo pronto para ser assinado. Todos olhavam para mim de lado sem eu perceber porquê, passado umas semanas uma assistente lá me explicou que aqueles documentos costumavam estar dias, por vezes semanas, para serem despachados. Tudo me chocou, vinha da minha empresa onde chegava a trazer trabalhos gráficos complicados à tarde para entregar provas no dia a seguir de manhã, mas mais do que isso era o laxismo com situações como menores em risco, idosos doentes e outras parecidas, todas a necessitar de decisões urgentes e práticas. Apesar do ordenado de sessenta e tal contos, dos olhares e de me chatearem porque queriam que entrasse às 9 e eu entrava às 9.30 (podia entrar entre as 9 e as 10), aguentei esse ano e fiz as tarefas como as sei fazer. Portanto, quando leio textos sobre organismos públicos e a disfuncionalidade, a perversão, a falta de transparência, as fiscalizações deficientes, sei bem do que se fala, se até com pessoas frágeis e totalmente dependentes não querem saber imagine-se o resto.

27/12/2009

mais uma da menina descalça

like a puppet on a string

Como um boneco nas cordas do contentamento, escreves palavras que não consegues dedilhar. Também gostavas de cantar como se a terra fosse os pés e a voz o fruto ácido que mastigas inquieto na tua impaciência. Assim, no novo tempo que aí vem, serias um pouco mais.

cinismo

Enfim, cínico, dandy e libertino, o libertário mostra-se, também, romântico, pois sabe que se comprometeu num combate de Titãs no qual tudo irá perder, excepto a honra. O desfecho não oferece a mínima dúvida: nenhum sacrifício individual bastará para inflectir o curso da História de modo definitivo e duradouro. Nada pode inverter a natureza trágica do real e a permanência das lutas violentas pelo poder. Pelo menos, com a elegância a ajudar, o libertário pode dar o seu último suspiro com a satisfação de uma tarefa cumprida até ao fim, apesar de todas as dificuldades. A ler estes elogios aqui, antologia do esquecimento: ELOGIO DO CINISMO (11)

25/12/2009

outra coisa qualquer

Nestas duas últimas atarefadas semanas, salvou-se a noite de quarta-feira. Na livraria Trama, além de ter tido o prazer de conhecer, finalmente, o Henrique, a Ana e a Maria João, conheci também um espaço muito simpático onde acontecem coisas também simpáticas como por exemplo, ler um poema ou outra coisa qualquer. No meio disto tudo também existiu a música, na desordem sonora dos Ventilan a palavra com o Nuno Moura ordena e o contraste conseguia, por vezes, libertar os sentidos. Mais libertos ficaram ainda quando o Henrique encontrou a escala certa para desenhar aquela voz quente que se apoderou do microfone no final da noite. Até o vento parou.

24/12/2009

boas festas

Respiro, como um sopro de Primavera, como um bafo baço de Outono desfolhado. Construo-me nas estações, todas e qualquer uma, apanho brisas imaginadas e saio mundo fora, e vejo girassóis, rochas, rios, espaço, muito espaço, todo um espaço onde as coisas se fazem e se perdem, e, também, o tempo, não o dos ponteiros mas aquele que é meu, aquele que aprendo nas cores do céu, aquele que desagua na minha pele e salta dos olhos. No Inverno sou um pai todo poderoso, incendeio chamas cor de ferrugem para aquecer, aparto milagres em lençóis de linho e faço a cama. No Verão sou uma mãe cheia de razão, sou a água fresca onde mergulhas sem medo e a areia fina onde deixas a tua marca. Em todas as estações, todas, sou o mar, de onde parto, de onde chego, onde me fico. Profundo em mim, numa espera sem chegada. Só, quero estar só, quero ser só, verdadeiramente só. Sozinho, mergulhado neste mar onde vagueio ao sabor do vento. Só assim chego a ti.

21/12/2009

anda tudo maluco

Um gajo põe um sério procura-se teclista/acordeonista e ninguém responde, agora a uma brincadeira a este post http://31daarmada.blogs.sapo.pt/3541056.html, aparecem-me 3 candidatas. A minha namorada é que não achou muita piada.

18/12/2009

futuro

Nasci alguns meses depois da última vez que Portugal tremeu assim tanto. Não deve vir aí coisa boa.

16/12/2009

procuro

Atleta sexual de alta competição, sensível, beleza algures entre Michelle Pfeiffer e Angelina Jolie, romântica qb, original, bem-humorada, inteligente e rica, para dar amor e aquecer a merda dos pés. Respostas a este blog.

amor

O amor não se pede, dá-se.

geada

Não sei o frio que faz lá fora, nem a geada que queima a erva. Madrugada que sinto no verbo, nascer solto em mim, diz-me. Quantas luas tem o espaço que não vejo? Quantas vagas tem o tempo que não tenho? Serás só um pensamento desconexo num verso que solto sem ideias, não mais que a noção da geada arrefecendo o frio que não sofro, ou, talvez, a sensação de um predicado que teimo em não cumprir, ou, talvez ainda, o absurdo da inércia, onde teimo em fazer-me. Nesta desfaçatez insolente que sinto e sou, esqueço o dever e o prazer, limito-me à geada do frio que não sinto, e ao entendimento sentido que não tenho. Preciso de outra vaga e mais outra e outra ainda, que tragam um só esboço, ainda que vago, de um pensamento que atine, e afunde esta ausência que sou.

13/12/2009

mont blanc

No cume, a neve branca da montanha alonga-se, e, na preguiça estática da planície, caiem avalanches de sensações, alheia fica a amálgama de rochas que faz a montanha, varrida é a alma que tarda em reencontrar-se. Já no vale a neve, devagar, transforma-se, despertando os sentidos, atordoados, em água limpa, que, seguindo o seu curso, faz-se rio onde as sensações refrescam deixando-se levar. Naturalmente, todos os campos ficam verdes e coloridos, do leito nascem flores, plantas e animais, a fauna e a flora em fotossíntese constante, numa escala infinita onde o espaço se conquista e o tempo se perde. Neste espaço que é distante, neste tempo em que a vida corre, somos pequenos fragmentos da imensa natureza, que, indiferente, segue o seu rumo e destino também. Resta-nos o pensamento e a memória.

11/12/2009

the story is old, but it goes on

Sonhar, acordar, lutar, esgravatar, furar, focinhar, sonhar. Acordo porque nasce o dia, igual, ligo o botão da máquina e levanto-me, autómato ligado para lutar, esgravatar, furar, focinhar. Agora sonhar? Sonhar é um privilégio, um luxo caro como a vida. Sonhar, soluçar, sufocar, soçobrar, sobrancear, sonhar. Sonhar é um sonho mal visto, sempre, jogar, trabalhar, falar, amar, defecar, isto são verbos activos, que produzem movimento, mesmo que cheire mal. Agora sonhar? Sonhar é um verbo que nada produz, como a vida. Sonhar. Muitos dizem que não há tempo para sonhar. Mentira, sonhar é um verbo e os verbos têm tempo, sempre, não há é paciência e tempo para ele, isso sim. Acção parada, estática, inerte, envergonhada. Sonhar? Sonhar é um aconchego desorganizado, como a vida. Sonhar é um desgaste solitário, o pesadelo de sonhar, sonhar o passado, o presente e o futuro, sempre. Conhecem o verbo pesadelar? Não? Pois até o pesadelo tem que vir acompanhado. Sonhar? Sonhar é um pesadelo substantivo, como a vida. Sonhar. Que verbo pode fazer uma frase tão bonita como: Um dia sonhei o sonho mais lindo que podia sonhar. Conhecem algum, conhecem algo mais íntimo. Sonhar é ter a humildade de pensar que se pode ser feliz. Mas isto digo eu, que sou um lírico e sonhador. Sonhador? Por favor não me ofendas!

09/12/2009

cause if I could be...

Expoestáctico vida perante Interminável tédio constante sempre presente Expotenso dias consoante Indominável espírito distante sempre ausente Almargamente cérebro arder Abominável mundo conhecer nunca contente Almafadada forma de viver Questionável presença esquecer nunca premente Expoesteticamente sendo perante Inimaginável sombra errante sempre transparente Almardilhada alma arder Infindável arte perder nunca consequente

03/12/2009

Vulgareticamente preso bem Moralestupidamente sentido sem sentidos, perdidos Arguciosamente amarrado tem Cristalinamente vivido sem sentidos, contidos Ironicamente distinto também Subjectivamente abstraído sem sentidos, invadidos Absurdamente como alguém Absolutamente perdido sem sentidos, sentidos

27/11/2009

Depois acordar e lamber-me no teu sangue, penetrar todas as tuas cavidades caminhando ao teu pulsar e saciar-me de ti, só então, completo, desembaraçar-me de todos os músculos e tendões e arrancar-te ao torpor que sou.

26/11/2009

Gostava de nadar por ti dentro, abrir-te ao meio e chegar-te ao coração, aconchegar-me na cavidade mais sensível e adormecer sonhando baixinho.

25/11/2009

novas oportunidades

À pala do canudo, neste último ano, ando a ver Angola, Moçambique e os EUA por um canudo e a perder oportunidades. É como dizia à minha namorada faz umas semanas, andas chateada olha fode, vem-te e ri-te. Descobri aqui antologia do esquecimento: QUANDO FOR GRANDE que o Cesariny é da mesma opinião.

coisas que me fazem muita impressão

A minha mãe foi ontem ao centro de emprego a uma reunião para a qual tinha sido convocada a semana passada, apesar de estranhar a convocação, pois não tem qualquer subsídio há anos, lá foi saber do que se tratava. Tentaram fazer-lhe uma lavagem ao cérebro com as novas oportunidades, por uma empresa privada segundo lhe pareceu e por uma menina assim meio inexperiente (para ser simpático e não usar a palavra que foi dita que foi tótó). Perguntaram às pessoas se não queriam valorizar-se, um homem de 63 anos disse que não percebia a pergunta, valorizar o quê perguntava o homem espantado enquanto tirava a carteira profissional para mostrar à menina enquando dizia que queria era trabalhar, fazer o que sabia fazer e para o qual estava habilitado por longos anos de experiência. A minha mãe vendo no que estava metida pediu licença para sair, perguntaram-lhe directamente, então mas a Sra. não quer ficar, não quer trabalhar, não quer valorizar-se, calmamente respondeu, sabe minha menina, já trabalho 24 horas por dia, tenho a minha mãe com 95 anos em casa ao meu cuidado, com Alzheimer desde os 80, se quiser mandar alguém lá a casa para ver o que trabalho e o valor que tem podem depois fazer o favor de me mandar o diploma e agora, se me dá licença, tenho de sair que a minha mãe está sozinha em casa e pode fazer alguma asneira ou acontecer alguma coisa. Resta dizer que a D. Olga, senhora minha mãe, tem 64 anos, a quarta classe e uma larga experiência a tomar conta da casa, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos, dos amigos destes todos, do sogro e, também, da mãe. É verdade também não cozinha nada mal e tem o que vulgarmente se chama um sexto sentido lixado. Entretanto, hoje acabei de fazer o meu 10.º ou 11.º telefonema para o ministério da educação a uma média de um por mês no último ano, para saber quando me mandam o meu certificado de habilitações lá enfiado nas trapalhadas da independente. É que pelo menos eu fui às aulas (algumas) e fiz a merda dos exames sem cunhas, sei que aquilo não era grande coisa mas se fiz e até com uma boa média, o canudo dá-me jeito, nem que seja para me pirar daqui, mas dá-me jeito, nem que, mais tarde, sirva só para me limpar o cu, dar-me-á jeito de qualquer forma. Agradecido.

23/11/2009

futebol

O Benfica perde um jogo e as razões são todas menos o facto de terem falhado mais uma série de golos, se é verdade que, ao contrário da Naval, o Guimarães ainda deu um ar de sua graça em 3 ou 4 jogadas na primeira parte, também não deixa de ser verdade que o Benfica dominou e jogou que se fartou, também falhou que se fartou é verdade, mas o futebol e a vontade de ganhar estão lá, o normal para quem joga assim é marcar mais golos que os adversários só que nem sempre o que é normal é o que acontece num jogo de futebol. Ainda bem.

20/11/2009

concerto

Tenda no largo do mercado - Pinhal Novo - 22 h.

18/11/2009

para M.

Ontem chegaste a mim triste e desorientada, não percebias porque é que uma pessoa se enforca aos trinta anos. Eu consolei-te, não com respostas mas como posso, sei e consigo e, por ironia, o post anterior não é uma resposta, mas é um cenário que conheces bem demais e sabes o desespero que te provoca, agora põe-te no lugar deles.

17/11/2009

portugalzinho

A primeira notícia que ouvi hoje, foi que a associação dos panificadores estava muito chateada com o governo porque, segundo eles, não têm mão-de-obra devido ao rendimento de inserção. Esta notícia deixou-me logo bem disposto pela manhã, só espero que aconteça o mesmo noutros sectores da economia para o meu riso ser mais completo e satisfeito. A questão nem é ser um sector que conheço muito bem, porque nos outros acontece o mesmo, pagam em média 500 € de ordenado, as pessoas fazem mais horas sem receber ou a receber uma palmada nas costas e promessas de nada ou, até, ameaças de despedimento, são obrigadas a aturar um patronato e chefias rudes, intratáveis, analfabetas e incompetentes que se passeiam em 3 Mercedes e mais um jipe BMW, mais a gala nas quintas com piscina e nos garanhões puros lusitanos, e ficam chateados de não ter mão-de-obra. Coitados.

16/11/2009

bemmequer

esclarecimento

Relativamente a Manuel Zacarias Segura Viola e José Tobias Taramouco, sei que existiram duas pessoas com estes nomes, quem me dera capacidade para inventar nomes destes, o resto da história não é real. Em relação a Rosa e n, qualquer semelhança com muitas realidade é pura coincidência, não só não sou o n como nunca conheci nenhuma Rosa, gosto mais de malmequeres.

14/11/2009

reflexo V

- Sabes que te tenho onde quero não sabes? - diz Rosa do quarto. n, na sala, fingiu que não ouvia mas Rosa continuou: - Sabes que te tenho onde quero? n manteve-se impávido e Rosa insistiu: - Ouves-me, sei que me ouves. Mas de n nada, nem um pio, inundada por um silêncio que pesava nas entranhas, Rosa, enquanto se dirigia para a sala, dizia cada vez mais alto. - Sei que me ouves, tu ouves sempre e muito bem nesses ouvidos de tísico. Chegada à sala Rosa viu-se sozinha. n não estava onde ela queria. reflexo IV Reflexo III Reflexo II Reflexo I

12/11/2009

idade

- A idade é uma merda. A frase de Manuel Zacarias Segura Viola, homem observador e prático, apanha o seu amigo José Tobias Taramouco mais distraído que desprevenido. Como se ninguém o tivesse ouvido, Zacarias procura o olhar do amigo e volta a repetir acrescentando um adjectivo como que procurando uma maior atenção. - A idade é uma grande merda. Tobias, rapaz mais dado a literaturas e filosofias, já refeito obriga-se a responder em forma de pergunta. - Porque é que dizes isso? - Porque o tempo gasta-nos, cansa-nos, dá-nos cabo dos ossos... José Taramouco replica sem deixar o amigo acabar. - Torna-nos mais sabedores, mais preparados, mais... - Porra. Lá vens tu com as tuas filosofias - diz, abruptamente, Manuel Zacarias - não sentes no corpo, nos músculos, nessa cabeça cada vez mais distraída? Tobias, vendo o desnorte do amigo não desarma. - Que se passa contigo, preferias ser o puto parvo de vinte anos a vida toda? Não leste mais livros, não viste mais mundo, não te sentes melhor pessoa, não amaste mais? - Outra vez - interrompe Segura Viola já irritado - falo do corpo, da carne e tu falas-me de livros e de amor, deixa-me dizer-te uma coisa sobre o amor. Da adolescência aos vinte e cinco dás três, quatro, às vezes cinco, dos vinte cinco aos trinta andas pelas três às vezes duas, dos trinta aos trinta e cinco passas para duas às vezes três, dos trinta e cinco aos quarenta passas para uma e raramente duas, a partir dos quarenta passas para uma e, na melhor das hipóteses, no dia a seguir mais uma. Tobias, mais taramouco do que o Taramouco do próprio nome, abre os olhos para o amigo tentando responder mas Zacarias antecipa-se: - E não me venhas com a história da qualidade. José, ainda Taramouco de nome e de estado, após uma pausa diz cabisbaixo: - A idade é uma merda.

10/11/2009

continuamos na paróquia

Se, por regra, os amigos se viessem, as amizades não duravam muito. Obrigatório, texto integral aqui http://a-leiseca.blogspot.com/2009/11/amizade-e-fodida.html

09/11/2009

pequenez

Depois de uma série de goleadas parvas e outras falhadas de forma parva, de uma derrota mais devido à pouca sorte do jogo e do sistema que da equipa, a goleada falhada hoje de parva não teve nada e a vitória por 1 golo deixou-me mais contente que se ganhasse pelos cinco ou seis que merecia. Uma vitória de campeões cheios de raça e vontade de jogar à bola, arrancada a ferros a uma equipa que, sem eu perceber porquê, recebeu elogios de todos os comentadores, claro que não espero que as equipas que vão à Luz abram uma passadeira vermelha para os jogadores do Benfica passar, mas espero que façam mais do que mandar biqueiradas em forma de balão para a frente, acho que nem aqui no Cova da Piedade se usa hoje em dia. Por incrível que pareça, depois de uma série de tiros ao boneco (grande boneco aquele guardião da naval) e outros à barra, às traves e sei lá que mais, o importante foi a única oportunidade da Naval aos 92 minutos de jogo, outra vez, aos 92 minutos. Até no futebol temos o País que merecemos.

evolução

Mas antes o autor conta-nos o terramoto, depois de ter entrado no livro apresentando a entrada de um barco no rio Tejo em Lisboa (Cap. 1, “Quem nunca viu Lisboa não viu coisa boa”), e de ter apresentado o rei que reinou em Lisboa na primeira metade do século XVIII, D. João V, para uns o Magnânimo e para outros o Freirático (Cap. 2, “Na corte do rei D. João”). A impressão que Paice transmite sobre o século XVIII português é a mesma que os viajantes ou residentes estrangeiros deixaram, até porque o autor se baseou em larga medida nas fontes britânicas (e irlandesas), nomeadamente as dos comerciantes dessa nacionalidade que aqui se encontravam na época, dada a existência de alguma protecção ao seu comércio em troca da protecção oferecida nos mares pela Royal Navy. Portugal era, para os estrangeiros que nos demandavam e que aqui se estabeleciam, um sítio algo distante e exótico. Apesar da riqueza que D. João V tão exuberantemente ostentava (em grande parte proveniente do Brasil) era, sob vários pontos de vista incluindo o cultural, um país atrasado relativamente aos países da Europa Central e do Norte. Segundo viajante Arthur Costigan, citado por Pairce, era como se “Igreja e estado concordassem ambos em manter a nação naquele estado de escravatura, ignorância e pobreza do qual dependia a sua própria conservação e segurança.” Aqui http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/ira-de-deus.html E assim continuamos.