13/05/2010

especulações

Desde que fechei a minha empresa que não estava numa gráfica como estive hoje, junto da máquina de impressão a sentir o cheiro da tinta e do papel, ainda por cima uma bomba a seis cores a imprimir como se não existisse amanhã. Se por via das emoções, os cheiros mas também o ritmo compassado da impressão, vieram as saudades do tempo em que fazia os livros para a Assírio & Alvim, a colecção Rei Lagarto com o José Afonso, o Frank Zappa, a biografia de Jim Morrison "Daqui Ninguém Sai Vivo", ou da colecção O Imaginário com livros da Sylvia Plath, do Boris Vien, Tennessee Williams e muitos mais, pelo lado racional não consigo esquecer os problemas com os vigaristas que não pagavam, com a velocidade dos publicitários que só funcionavam com a força da coca e, pior ainda, com a prepotência de um Estado mau pagador, cheio de cunhas e travessas para se conseguir um trabalho e, ainda muito pior, com uns serviços de justiça e de finanças que não lembram ao melhor de Kafka. Por tudo isto, quando me chegam com a história do esforçar mais, eu respondo que sempre me esforcei em quase tudo o que faço, só que nos últimos 6 anos faço-o só para mim e não lhes dou nada.

10/05/2010

32

Este título que o SLB acabou de ganhar soube a pouco para uma época em que o futebol praticado merecia também a conquista da Liga Europa. Este Benfica foi impressionante, até na forma como, nesta última jornada, soube dar uns minutos de esperança a uns quantos portugueses, não só para a conquista do título como da bola de prata. Se o título é inquestionável, já a bola de prata assentaria bem a Falcão, excelente jogador, não fosse o sadismo de Cardozo em marcar o golo final com o pé direito.

06/05/2010

we don’t care about music anyway

Realizado por Cédric Dupire e Gaspard Kuentz, este filme documentário, foi, no mínimo, desconcertante. Dizer que este conjunto de artistas, músicos e performers japoneses que o filme dá a conhecer são bizarros e estranhos, seria injusto e, até, descontextualizar não só o trabalho que realizam mas, sobretudo, a vertente social, cultural e humana que rodeia esse trabalho. Numa sociedade altamente conformista e mecanizada, numa cidade onde milhões de pessoas têm acesso a tudo mas em que esse tudo é tão previsível, tão plástico, tão vazio de significado e, ao mesmo tempo, tão feio, tão sujo, tão barulhento, o ruído, muitas vezes ultrapassando os limites do suportável, torna-se uma catarse para estes artistas. Tudo serve para fazer esta espécie de música que mais será um furacão de sons, desde microfones de contacto junto do coração e de outras partes do corpo, até guitarras tocadas em amplificadores com a distorção e o volume no máximo, acompanhados de gritos ensurdecedores. Chamar vanguarda ou qualquer outro nome à ruidosa electrónica de Numb, ao turntablism de Otomo Yoshihide, aos batimentos cardíacos de Yamakawa Fuyuki, pode ser uma forma de rotular o trabalho destes artistas mas, como qualquer rótulo,torna-se redutor. Os realizadores fazem um trabalho extraordinário de contextualização, as imagens tornam-se um forte suporte que dinamiza todo o filme, com sequências quase perfeitas entre a trama sonora e a vivência de uma cidade assustadoramente grande, aparentemente ordenada, mas, também, feita de sujidade, lixo e ruínas, que muitas vezes nos escapa de um olhar mais atento na rapidez com que desejamos viver hoje em dia. Como ironia, no fim e depois de suportar mais de uma hora de ruídos infernais, surge uma peça pelo violoncelo de Sakamoto Hiromichi com uma melodia quase hipnótica e que me deixou completamente arrepiado. O Sakamoto Hiromichi é o que toca o serrote, pena não encontrar a música final do filme.

05/05/2010

benjamim

Calmamente dentro do carro estacionado na estrada de Benfica, enquanto esperava que acabasse o treino do meu puto, relia o Na Colónia Penal do Kafka, quando reparei num pombo que andava só à bicada aos outros que se aproximavam, devido à Primavera ainda pensei que fosse algum ritual de acasalamento tipo toma lá uma biqueirada e agora amoxa que vamos fazer pombinhos, mas passado uns minutos lá percebi que o cabrão do pombo, que era grande, não queria era deixar os outros tocarem num generoso pedaço de pão que ia bicando quando não bicava nas penas dos outros desgraçados, isto tudo na parte literária em que a máquina se descontrola e também começa a bicar o oficial por tudo quanto é lado, aquilo confundiu-se tudo na minha cabeça e subiu-me uma vontade de agarrar no pescoço daquele pombo e torcer assim só um bocadinho até partir e dizer-lhe, Ó Van Zeller dum cabrão e se deixasses os outros comer um bocadinho também, mas depois reflecti e cheguei à conclusão que o melhor era mesmo ir ver o treino e, quem sabe, tirar umas férias naquele hotel do Miguel Bombarda. É que nem todos os pombos se chamam Benjamim. http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/search/label/A%20Cidade%20a%20Tossir

sem lei mas com muita ordem

Entre estes dois textos, tirados daqui http://abrupto.blogspot.com/ Há dias vinha de carro na A1 por volta de Leiria quando o para-brisas foi atingido por aquilo que pensei ser areia ou pequenas pedras, projectadas pelo autocarro laranja de dois pisos que ia à minha frente. Mas logo percebi que era outra coisa: uma garrafa de vidro tinha sido atirada do autocarro para um carro que o estava a ultrapassar e os estilhaços tinham atingido o meu. Verifiquei então que qualquer carro que tentava ultrapassar o autocarro era bombardeado com garrafas de cerveja, latas e outros objectos, tudo isto a velocidades de autoestrada, mais ou menos à volta de 120 quilómetros hora. Vários carros ziguezaguearam na estrada e quase atingiram o separador, o que significaria um acidente muito grave, com muito possível invasão da faixa contrária. Telefonei de imediato à GNR, identificando o autocarro com a matrícula, em que área da autoestrada isto estava acontecer e insistindo no perigo em que todos estavam. Informei também que vira um carro da polícia na área de serviço imediatamente atrás e que não seria difícil interceptar o autocarro. Depois mantive-me atrás e pude assistir impotente a vários carros atingidos por garrafas e latas, um deles que só por milímetros não perdeu o controlo. Passado algum tempo vi o autocarro estacionar numa zona de repouso existente, que não faz parte de nenhuma área de serviço. A polícia estava à entrada e vários carros atingidos tinham parado a protestar com o que se estava a passar, perante a pasividade policial que estava mais preocupada em que os carros que pararam voltassem à autoestrada do que em dirigir-se ao autocarro que, entretanto, tinha parado mais à frente, na maior das normalidades. Parei e falei com os agentes da GNR e com o graduado e fiquei surpreendido pela indiferença geral que mostravam, como se fosse a coisa mais habitual do mundo. Disse-lhes que tinha testemunhado o que se passara e que estaria disposto a fazer queixa, embora os danos tivessem sido pequenos. Mais indiferença, como se nada se passasse. Resolvi seguir em frente mas, em vez de sair de imediato para a autoestrada passei junto do autocarro de onde dezenas de pessoas tinham saído. Sem haver um único agente perto e como se a paragem fosse normal e logo a seguir partissem de novo, o que muito provavelmente foi o que aconteceu. Apercebi-me então que se tratava de uma claque de futebol. Vários dias passados não vi nenhuma notícia sobre o que se passou, e todos me dizem que é comum acontecerem coisas deste tipo na mais total impunidade. Um dia morre alguém e quero ver as explicações que nos vão ser dadas. ... tem gerado em vários países, Portugal é um deles, um surto de imbecilidade considerável. À falta de anticlericalismo popular, há agora uma nova forma de anticlericalismo intelectual de parte da esquerda « fracturante ». Enquanto não houver um Papa que seja mulher, lésbica, negra, de preferência não crente, e que vote nos EUA no Obama, os Papas, em particular este, são alvos preferenciais. E este acirra os ânimos de forma muito especial porque é branco, alemão, conservador, teólogo, e conhece bem demais a impregnação da doutrina cristã pelas variantes na moda desde os anos sessenta de « progressismo » esquerdizante. A absurda intolerância dos « fracturantes » exerce-se então em toda a sua amplitude. e este tirado daqui http://lishbuna.blogspot.com/2010/05/mas-e-que-isto-nao-ha-meio-de-me-entrar.html "Por terra, pelo mar ou pelo ar. De 11 a 14 de Maio, ande por onde andar, o Papa Bento XVI não dará um só passo em que não tenha milhares de olhos a vigiá-lo. Milhares de armas, de todas as forças de segurança do país e até das Forças Armadas, estarão prontas a proteger aquele que é considerado um dos maiores símbolos mundiais da paz. (...) A julgar pelos meios operacionais envolvidos pela PSP (a força policial mais representada), admite-se que o total de pessoas arregimentadas possa rondar as 8.000. (...) Nas ruas por onde passar o Papa não serão permitidos carros estacionados, estando prestes a iniciar-se a distribuição de panfletos anunciando à população que serão autuados todos os veículos que não forem retirados no prazo previsto". Existe algo que me escapa, mas ainda não sei bem o que é.

01/05/2010

feira da ladra

Um dia desta semana, terça acho eu, fui à feira da ladra com a minha filha para fazer uma reportagem fotográfica, estas são algumas das preciosidades que lá encontrámos, e não falo só das coisas. fotografias: Mafalda Paiva Além de mais uma multa, que espero o grande papa com a ajuda da nossa senhora me possam perdoar, trouxe um cheiro irresistível nas narinas.

28/04/2010

até ao fim

Chamas, dá-me as chamas. Nesta loucura que é pouco mais que a certeza da inconsequência, só um bocado, um pedaço, uma terra, um país, um continente, um mundo, o universo, um tanto que é só isto, nós e a nossa eternidade ilusória, sem palavra, sem expressão, sem conjecturas, sem falácias, sem engano, sem política, apenas nós até ao fim. E as chamas onde estão?

27/04/2010

cromos

Cromo andamos pelo mundo experimentando a morte dos brancos cabelos das palavras atravessamos a vida com o nome do medo e o consolo dalgum vinho que nos sustém a urgência de escrever não se sabe para quem o fogo a seiva das plantas eivada de astros a vida policopiada e distribuída assim através da língua... gratuitamente o amargo sabor deste país contaminado as manchas de tinta na boca ferida dos tigres de papel enquanto durmo à velocidade dos pipelines esboço cromos para uma colecção de sonhos lunares e ao acordar... a incoerente cidade odeia quem deveria amar o tempo escoa-se na música silente deste mar ah meu amigo... como invejo essa tarde de fogo em que apetecia morrer e voltar Al Berto

prozac

Em quase todas as sociedades ocidentais, dois terços ou mais das pessoas dizem que são «felizes». Eis a felicidade como «estado de espírito declarado», isto é, como auto-ilusão. Quando uma pessoa anuncia que é «feliz», há um contentamento narcísico nesse anúncio, mesmo que o facto seja manifestamente falso. Conheço gente com vidas miseráveis que repete bem alto que é «feliz». E também conheço, em muitos casos, a medicação que eles e elas tomam para que a sua «felicidade» brilhe. As pessoas que se dizem «felizes» estão interessadas em obter o estatuto de «felizes», em serem reconhecidas pelos outros como pessoas felizes, mesmo que isso seja um logro. Dizem que são felizes como alguém diz que comprou um objecto que está à venda. Esperam que esse objecto as torne mais completas. Pedro Mexia aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/2010/04/um-objecto.html Também sou feliz. Onde é que deixei a cabeça?

mais um combate

por aqui me fico

aqui vou

Não, não é cansaço

Não, não é cansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Com tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço porquê? É uma sensação abstracta Da vida concreta — Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como... Como quê?... Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua, Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, vejo. Confesso: é cansaço!... Álvaro de Campos

26/04/2010

paz

Conta-me histórias de amor e de glória, com palácios e jardins de jasmim e princesas e unicórnios que me levem deste estado errático e transformem esta canção na espiral que me vai domar. Talvez assim encontre a paz.

22/04/2010

verão

De todas as maneiras Que há de amar Nós já nos amamos Com todas as palavras feitas pra sangrar Já nos cortamos Agora já passa da hora Tá lindo lá fora Larga a minha mão Solta as unhas do meu coração Que ele está apressado E desanda a bater desvairado Quando entra o verão Chico Buarque

um soneto

Diz-me o vento que faz lá fora que a calma que aparenta é engano por mais que finja a toda a hora a ninguém mente sempre ufano e a poeira que leva faz dano mágoa seca que não se vai embora mas na melhor nódoa cai o pano onde se veste e sopra agora. Noutra tentação vejo-te frio em outra ainda sinto-te quente noutra, talvez contente e assim fazes-me um arrepio de contrastes e de vontade vento que és e também liberdade. J. Paiva

21/04/2010

213253

Ofereceram-me o Kit de sócio do SLBenfica, foi-me atribuído o número 213253. Querem ver que o homem ainda chega mesmo aos 300000.

campeonatos

O campeonato aproxima-se do fim, só espero que o Benfica seja campeão no Porto com um penalty daqueles em que o Di Maria depois de fazer um túnel a um adversário tropeça no vento e cai, depois o Cardozo manda um tiro a 150 Km/h em que a bola bate nos dois postes, na trave e ressalte para fora da grande área, aparecerá então o Luisão que fará um carrinho levando tudo à frente empurrando a bola para a área novamente onde, atarantado, o Weldon mete a mão na bola que ressalta no árbitro bate nas costas do guarda-redes e entra. Depois, naturalmente, milhares de benfiquistas sairão à rua um pouco por todo o País, incluindo a bela cidade do Douro.

20/04/2010

os mornos

Léautaud escreveu que o afecto é o amor dos mornos. E a Bíblia diz que Deus vomita os mornos. aqui http://a-leiseca.blogspot.com/ Eu gosto destas frases mas depois fico sempre a pensar, o que é o afecto, como se mede o afecto, é um acto ou uma sequência de actos, é uma atitude, é uma opção de vida, é uma festinha na cabeça, é um beijo na face, é um linguado até às entranhas. Depois o que deus vomita não me interessa para nada.

19/04/2010

fragmento de frio

Porque cegamos No dia que sai connosco, E porque vimos o nosso hálito Embaciar O espelho do ar, A nada se abrirá O olho do ar Senão à palavra Que renunciamos: o inverno Terá sido um espaço De maturidade. Nós que nos tornamos nos mortos De outra vida que não a nossa. Paul Auster

17/04/2010

efeito de estufa

Mas que raio de mundo é este onde por causa de um vulcão que resolveu deitar umas poeiras para o ar fica tudo a queixar-se. São os Srs. Presidentes e afins que não podem viajar, são os turistas amontoados em aeroportos que não vão mas também não chegam mais, são os produtos frescos que se estragam e até são as flores que fenecem, ainda por cima na época dos casamentos vejam só. O mundo realmente anda um pouco para o agitado, antologia do esquecimento: 2012 mas porra que isto não é nada. Então e se fossem 3 vulcões ao mesmo tempo. Somos mesmo umas florzinhas de estufa com mais efeito ou menos. E que tal mais uma imperial e fiquem para mais uma dança ou então ponham os pés a caminho, sempre emagrecem.

é assim

É só a vida, é só um bocado, um bocadinho assim bem inho, um instante como o sol do meio-dia que passa e deixa um travo de água fresca na garganta.

desejos

Como corpos belos de mortos que não envelheceram e estão fechados, com lágrimas, em esplêndida tumba grandiosa, com rosas na cabeça e nos pés jasmim - desse modo parecem os desejos que desapareceram sem serem cumpridos; sem nenhum deles ser dignado assim com uma noite do prazer, ou amanhã dele luminosa. Konstandinos Kavafis

um soneto

Deste fado a um tempo descompensado Na agonia de voltas e tormentos Neste vislumbre de combate e sofrimento Conta-se o perdido e o achado E num vago espaço de entendimento Encontra-se o compasso passado Na voracidade de um minuto chegado Resta a memória e o pensamento E se na ventura se achou o engano e se na acção prevaleceu a liberdade e se na batalha se venceu uma guerra Volta fado a três tempos humano que a agonia também é vontade passado, presente e futuro que encerra. José Paiva

16/04/2010

midletown

Sobes no elevador elevando o corpo mas não os sonhos. Na subida conheces uma pequena mulher Japonesa, saia curta, óculos redondos, sorriso genuinamente feliz, onde procuras numa espécie de inglês a receita da felicidade. Chegas ao cimo sais, despedes-te e ela sorri novamente, atrás as portas fecham-se encerrando com elas uma percepção de felicidade. No cimo do Empire State Building olhando a imensidão da cidade. BRUNO Já viste a imensidão? JACK Sim, visto cá de cima parece-me tudo bastante sereno. BRUNO Sereno? JACK Sim. Tão imenso que as casas não passam de casulos, os carros as asas e as pessoas pequenos insectos. BRUNO O quê? JACK Então não vês? Visto daqui até os carros são quase todos amarelos. Quais abelhinhas para cá e para lá e também alguns zangões pretos. Não vês? Uma mancha amarela vivo confunde-te, não são raios de sol mas indianos, paquistaneses, turcos, mexicanos, colombianos e sei lá que mais, conduzidos pelos táxis amarelo vivo. Bela cor esta que te tira um esgar de sorriso, que perdes rapidamente na mediania indiferente que figuras. BRUNO (ri-se) És louco. (riem-se os dois) JACK (sarcástico) Ovelhas de poderes fictícios, olha ali vai uma negra. Mascaramos a nossa animalidade nesta azáfama. BRUNO (ainda a rir) E tu és o quê? E nós os dois somos o quê? JACK Animais racionais, julgamo-nos inteligentes e não sabemos apreciar a natureza, a única coisa real que temos. Queremos o quê, segurança? BRUNO Sim, porquê não? JACK Olha, porque estamos aqui tão seguros da nossa pseudo-segurança cai um calhau na terra e acabou. Finito. (sorri) BRUNO Um calhau? Essa é boa mas não é novidade, já caíram vários e voltarão a cair, mas entretanto achas que devemos ficar a olhar para o céu à espera do calhau não? JACK I not my dear, I not. BRUNO (sério) Porque não podemos ser só uma massa desconfiada de nós mesmos, devorada por uma razão demasiado consciente. Não disseste que éramos animais, então sejamos animais em toda a nossa bestialidade, comendo, bebendo, mas também rindo, chorando. JACK (interrompe alegre) Fodendo parece-me bem. Onde vamos logo à noite? BRUNO (ri-se) Tu! Voltas ao passeio sem calçada, na apatia és mais um entre muitos, mas sabes que do alto do Empire State Building não foste mais que uma Midletown de ti próprio.

por outro lado

Quando estive a trabalhar nos EUA, sentia-me profundamente dividido entre o dinheiro que ganhava, o prazer que tinha em viver em NY e a necessidade de estar ao pé dos meus filhos, ainda por cima numa fase muito importante na vida de uma criança, neste caso duas. Numa conversa séria que calhou com um tipo com quem até nem existia grande química no relacionamento, um emigrante rabugento já com 30 anos de América, no fim disse-me com as lágrimas nos olhos: "Vim para aqui há 30 anos e só pensei ficar 5 ou 6 anos e voltar, mas, entretanto, quando mais ganhava mais queria ganhar, quanto mais tinha mais queria ter, passaram mais de 30 e ando por aqui, sozinho. Quando vou a Portugal o meu irmão vive numa casa tal como eu, a minha irmã vive numa casa tal como eu, têm carro como eu, comem bem ou melhor que eu e fazem-no em família, enquanto eu estou para aqui sozinho, os meus filhos são adultos e a infância deles não passa de umas memórias retorcidas de meia dúzia de dias passados em férias, agora quero voltar atrás e não posso e quando estou em Portugal sinto-me deslocado". Passado 3 semanas estava a apanhar o avião de regresso a Portugal e o tipo passou a ser o Sr. Cardoso, um dos meus maiores amigos durante o resto da estadia.

dar-me ao trabalho

Existem algumas pessoas que me perguntam porque é que com os meus estudos e experiência profissional ando a vender e entregar congelados. Talvez porque consigo ganhar cerca de 1000 € por mês em 2 dias de trabalho por semana sem aturar patrões, colegas, nem chefes com azia ou talvez porque os empregos a que me candidato na minha área estejam já comidos por filhos, sobrinhos, primos e afins de gente com outros nomes. E emigrar outra vez? This indecision's bugging me

dar-se ao trabalho

Sou quase um vagabundo, sem um tostão. Esta cidade fatal, Antioquia, devorou todo o meu dinheiro: esta cidade fatal com sua vida extravagante. Mas sou jovem e tenho excelente saúde. Prodigioso mestre de grego, conheço Aristóteles e Platão de ponta a ponta, bem como qualquer orador, poeta ou outro autor que se possa mencionar. Em assuntos militares não sou ignorante e tenho amigos entre os funcionários regulares mais velhos. Tenho também um certo conhecimento de questões administrativas. Passei seis meses em Alexandria no último ano; uma coisa que sei (e isto é útil) sobre o que acontece por lá: a corrupção e a sujeira e tudo o resto. Portanto creio que sou inteiramente qualificado para servir este país, minha amada pátria, a Síria. Em qualquer trabalho em que me coloquem me esforçarei para servir meu país. Esse é o meu propósito. Mas, de novo, se me entravarem com seus sistemas – nós os conhecemos, esses sabidos: precisamos falar disso agora? – se me entravarem não será culpa minha. Procurarei Zabinas primeiro, e se aquele idiota não me der valor, irei ao seu rival, Gripos. E se aquele imbecil não me der uma mão, irei imediatamente a Hircano. De qualquer modo, um deles me quererá. E a minha consciência está quieta acerca de minha indiferença à escolha: todos os três são danosos à Síria na mesma extensão. Mas – homem arruinado – não é culpa minha. Estou apenas, pobre diabo, tentando ajeitar as coisas. Os deuses todo-poderosos deviam ter se dado ao trabalho de criar um quarto, um homem honesto. De bom grado eu teria ido até ele. Konstantinus Kavafis

14/04/2010

como se não bastasse

No texto da semanada escrevi como se não bastasse duas vezes quase seguidas. Como se não bastasse não saber escrever bem e como se não bastasse não saber bem onde por as vírgulas, ainda por cima consigo repetir este como se não bastasse bastas vezes. Fónix.
Entre o meio-sono meio-sonho chegaste mansinha e, devagar, pousaste um arco-íris no meu corpo, separaste-me da razão e pintaste-me em sete cores, deste-me o vermelho paixão viva em mim, o laranja fogo em ácido temperado, o amarelo quente e sensual, depois o verde vigoroso da natureza, o azul sonho grave e eterno, o indigo tranquilo e fresco e, por fim, o violeta mistério irresolúvel em que me encontro. Neste meio-sono meio-sonho tu foste a melodia que me despertou.

11/04/2010

semanada

Esta tem sido uma semana de malucos, mais que não seja porque o Benfica não ganhou um jogo, o que só por si torna esta uma semana muito invulgar, mas como se não bastasse, no pouco tempo disponível, ainda consegui reter duas ou três curiosidades que me deixam com bastante fé na humanidade. Em primeiro lugar, continua a saga contra o grande Papa açorda de cu-entrada da Igreja dos Católicos Romanos que também são apostó-li-cus de vocação e alguns só simpatizantes assim de lado. Como se não bastasse, agora surge uma bela rapariga que editou um livro chamado Sim sou Virgem. E então? Esta virgem de 27 anos que edita esta preciosidade, apesar de não ter lido mas assumindo o direito de imaginar, não deve explicar é se a virgindade corresponde só aquela coisinha que as mulheres têm dentro do pipi, tipo aquelas cenas que se colam aos frigoríficos, ou se corresponde a todos os orifícios da menina, porque nestas coisas nunca fiando, até um pensamento pode criar um buraco negro do tamanho do universo. Quem leu que me elucide por favor. Mais ao lado, outra notícia estrondosa foi o facto de uma outra inocente rapariga quase ter asfixiado o namorado no enorme par de balões que tem no lugar das mamas, o que só prova que para atingir o éden nada como uma contida penitência aos pés, ou mãos, ou melhor mamas, nas trombas de um tipo. Claro que ainda temos o congresso do PSD, mas acho que não devemos abusar.

03/04/2010

peso 2

Pesa mais, pesa mesmo mais. Pelo menos na balança.

02/04/2010

peso

O meu Benfica começa a desesperar, ao excelente e dominador futebol sucedem-se falhas incríveis à frente da baliza, e de possíveis goleadas ao Braga e ao Liverpool passa-se a vitoriasinhas difíceis ou comprometedoras. Vamos lá a acertar com a baliza gente. Entretanto, hoje, é dia de orgulho por aqui, o meu puto tem a grande estreia com a camisola do glorioso, vamos lá ver se realmente pesa tanto como dizem.

25/03/2010

ironias

Afinal parece que o Sr. Presidente do FCP goleou o Presidente do meu Benfica nas audiências, e, segundo Ferreira Fernandes no DN, também na ironia requintada que se lhe reconhece há largos anos, mas não será que a curiosidade esteve em ver exactamente como essa ironia começa a ser anedótica, tal como o personagem, é que já era tempo de o FCP se renovar e abrir os horizontes, seria bom para o clube e para o futebol.

Benfica

O meu Benfica, finalmente, voltou a estar à altura do passado e da grandeza que lhe é reconhecida por todos, nos últimos anos até mais pelos adversários do que pelos próprios benfiquistas que dificilmente se reconheciam na forma de estar e ser dos dirigentes nestas atribuladas duas décadas que agora chegam ao fim. Podemos dizer que foram as derrotas, mas, pelo menos para benfiquistas como eu, não foram as derrotas que mais marcaram estes anos negros, mas sim o desnorte, a incompetência, o aproveitamento a que o clube esteve sujeito por parte de várias personalidades. Não serei ingénuo ao ponto de pensar que o Luís Filipe Vieira também não terá interesses pessoais, mais ou menos legítimos, em ser o dirigente máximo do Benfica, mas como essa realidade será sempre indissociável do cargo, aquilo que interessa verdadeiramente é o trabalho realizado, e, aí, a recuperação do clube quer na dimensão nacional como internacional estão à vista. O trabalho de reorganização financeira poderá e deverá ser consolidado com os novos contratos de direitos televisivos e com a venda de 1 ou 2 jogadores para os quais, e muito bem, já existem substitutos à altura, desportivamente a manutenção do treinador é essencial, tal como a manutenção da mesma estrutura directiva em que o profissionalismo é por demais notório, basta ver a forma como reagiu rapidamente a uma muito aguardada e anunciada entrevista de Pinto da Costa à RTP, conseguindo esvaziar por completo um discurso já de si vazio e em que até os portistas mais ferrenhos já não acreditam, senão veja-se, o presidente do FCP disse a palavra Benfica 21 vezes e o nome do seu clube apenas 25, Luís Filipe Vieira deixou-se, finalmente, de instituições e disse a palavra Benfica 84 vezes e FCP apenas 14, das quais algumas nitidamente contrariado mas obrigado pelo entrevistador. Para quem o principal problema era o discurso, esta licção de marketing comunicacional é uma vitória quase tão saborosa como o campeonato. Enquanto os outros forem dizendo a palavra Benfica tanto ou mais que o nome dos próprios clubes estamos bem, venham mais entrevistas do Sr. Pinto da Costa.

rosas em mar de espinhos

Quero-te como se não existisse amanhã, quero-te como se ontem fosse um pedaço de chão que cultivei, quero-te como se hoje fosse o tempo que não controlo, quero-te como se agora fosse o momento em que me perco. Assim, só admito estar ao pé de ti, sempre e só junto a ti, se te puder beijar os lábios, acariciar o palato com a língua e conhecer todas as palavras na troca da saliva que fazemos, transformar o teu corpo num abraço de querer como só eu sei fazer. E respirar. Respirar o cheiro que sentia a fome, feito na pele da pele que cheirava, e, também, o sexo claro, porque teu, e, finalmente, saciar-me na recompensa da tua capacidade de acolhimento, piscares-me um olho cúmplice, sorrires e receber o meu amor, todo. Porque esta é única existência que quero, porque a vida não é um mar de rosas e ainda bem, porque os espinhos aleijam.

24/03/2010

parlamedeiros

http://www.ionline.pt/conteudo/52304-viagens-ines-medeiros-eu-e-que-nao-as-pago Para alguns, só as viagens para o trabalho já davam para pagar mais do que um café por dia.

monopólio

E não, não é a política que é como jogar o Monopólio, é tudo. http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/03/jogar-monopolio.html

grande notícia do dia

Recusados 58 mil postos de trabalho nos centros de emprego espalhados por Portugal. Destes 58 mil, conheço alguns casos, uma amiga chamaram-na para um curso de culinária com estágio imediato e emprego, era engenheira alimentar com um mestrado qualquer na área e alguns anos de trabalho também na área, há poucos meses um amigo meu que era designer na Maxmen (agora é feita em Espanha) entrou no desemprego com um subsídio de 1400 €, tem tido algumas propostas de trabalho na ordem dos 600 €, menos do dobro, a mim chamaram-me para trabalhar nos armazéns, reposição ou lá o que era, num novo hipermercado que ia abrir para os lados de Setúbal, eu até me estou a cagar para os cursos e experiência profissional que tenho, mas um ordenado que, descontando transporte e alimentação, mal me daria para um café por dia não me estimularam por ai além. Conheço mais casos mas são todos parecidos. O grande empresário de nome Belmiro diz que consegue 2000 postos de trabalho se os hipermercados abrirem ao domingo, extraordinário, ficamos com os problemas deste cantinho resolvidos, enfiamos 2000 pessoas a ganharem uma miséria num espaço onde se vendem produtos estrangeiros a portugueses que mal conseguem pagar a hipoteca da casa. Venham mais empresários destes que nós gostamos.

mais este

rff, desafio-te a conseguires pior.

anos 80

O rff lembrou-se disto http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2010/03/words-fr-david.html, então toma lá estes que é para não seres mau, repara bem nos movimentos de anca.

23/03/2010

artkafé

Sábado passado toquei num desses espaços que todos os músicos gostam de tocar. Um bar que, apesar da vertente comercial, privilegia não só a qualidade como a história, com vários discos em vinil dos primórdios do rock, do jazz e da pop, ainda por cima tivemos um acompanhamento por parte do Pedro, o melómano da casa, excepcional, chegou até nós com 2 vinis antigos acabados de comprar, Marvin Gay e Rolling Stones, que logo pôs a tocar e, naquele som puro, até a batata frita era mel para os ouvidos. Depois do som feito fomos jantar, a conversa foi música e mais música, incluindo crítica aberta e frontal à nossa, que, vindo de quem veio, foi mais mel para os nossos ouvidos e ainda mais força para continuarmos. No concerto a sala estava completamente cheia, com o António a tocar os teclados em cima do público porque não cabia no estrado, um terço da sala bazou a meio mas os que ficaram foram efusivos quanto baste para quem está a ouvir aquelas músicas pela primeira vez, reconhecendo que algumas não são muito fáceis de assimilar numa primeira audição. No final e porque quem ficou merecia, antes do último original ainda tocámos o Rape me, Fake Plastic Trees e o Sympathy for the Devil, o que nos soube muito bem. Quando acábamos fui ao bar pedir uma bebida, um rapaz que a meio do concerto tinha mandado uma boca a dizer mais ritmo, mais força, abordou-me e disse-me que a nossa música era para pensar, muito mole ou suave e que o pessoal à noite não quer pensar, quer é desbundar, ainda disse que o nosso som estava assim entre Pink Floyd, Doors e os Beatles, a este excelente cocktail encolhi os ombros e disse que havia um bar de forró mesmo ali ao lado, entretanto paguei-lhe um copo e penso que ficou feliz e eu também. A nossa versão é bem diferente mas à falta fica o original.

19/03/2010

the verge

Artkafe - Setúbal este sábado às 22.30 h.

haja fé

Well, jesus will be here Be here soon He's gonna cover us up with leaves With a blanket from the moon With a promise and a vow And a lullaby for my brow Jesus gonna be here Be here soon Well i'm just gonna wait here I don't have to shout I have no reason and I have no doubt I'm gonna get myself Unfurled from this mortal coiled up world Because jesus gonna be here Be here soon I got to keep my eyes open So i can see my lord I'm gonna watch the horizon For a brand new ford I can hear him rolling on down the lane I said hollywood be thy name Jesus gonna be Gonna be here soon Well i've been faithful And i've been so good Except for drinking But he new that i would I'm gonna leave this place better Than the way i found it was And jesus gonna be here Be here soon

god's away on business

Desde Dezembro que ando sem carta de condução, pelo pecado grave de conduzir sem cinto teria de pagar 120 euros, como não paguei tiraram-me a carta. Tenho estado pacientemente à espera que chegue o grande Rezingão da Igreja Católica Apostólica Romana para ver se este meu grande pecado pode ser expiado só pela presença de tão magnânime personagem, ou será que a grande mão de deus só vai chegar às off-shores.

túneis, auto-estradas e TGV's

Muito trabalho e um computador avariado fizeram com que estivesse duas semanas ausente, o que me parece muito grave para a imensidão de pessoas que me costumam visitar, de qualquer forma, para quem pudesse estar preocupado, estou vivo e de boa saúde. Entretanto, como quem conhece bem o dono, este meu velho PC chega mesmo a tempo de falar sobre uma coisa com importância de Estado, o meu Benfica. É que ontem, finalmente, compreendi as questões dos túneis, auto-estradas, TGV's de alta velocidade e sei lá que mais, então não é que os jogadores do Glorioso chegam a França, a um estádio que dizem complicado, para não dizer pior, e desatam a correr quais TGV's fazendo daquele campo uma autêntica auto-estrada com túneis, cruzamentos, bifurcações, quais diabos à solta do primeiro ao último minuto. Os pobres franceses pareciam os candidatos à liderança do PSD sem saber para onde se virar com aquela coisa da rolha, a asfixia foi tão grande que até a Manuela Ferreira Leite enviou uma carta à UEFA a dizer que o Benfica devia ser banido de todos os campeonatos, Nacionais e Internacionais. Platini ainda respondeu que tinha dado instruções precisas ao árbitro para ter atenção com a tendência daqueles diabos para asfixiarem as outras equipas, mas, de fonte segura, sei que até o árbitro abandonou o jogo com uma gastrite nervosa por, apesar do bom trabalho, não ter conseguido parar aquelas bestas. Para a história fica mais uma goleada desperdiçada, é que a velocidade era tanta que na hora do remate estavam com os olhos esgaziados, como os bois. Depois veio o Sporting, que até nem foi um mau jogo mas, em comparação, parecia assim uma coisa tipo solteiros e casados. Venham mais túneis e TGV's que aqui este vosso amigo gosta.

05/03/2010

cores

Queres que o céu seja o ventre e ela a lua, mas o céu anda encoberto e a lua escondida, satisfaz-te pensares que és o único, mas esqueces os pesadelos que a memória pode trazer, e pensas ser quem não és, e pensas feitos extraordinários, e pensas coisas absurdas, e pensas gritar e o grito sai seco, inaudível. Queres que o amor tenha só uma cor mas o céu anda encoberto e as cores escondidas.

leia

Hoje, ouvi um jornalista a dizer na TV, a expressão foi mesmo esta, que o governo tem de se chegar à frente na questão dos livros que vão para a fogueira. Num país onde se anda sempre a dizer que existe Estado a mais, não só me a frase me pareceu desadequada como estranha. Qua ao governo caiba a recolha e distribuição dos livros é uma coisa, que o governo tenha de pagar 1 € que seja por cada livro já me parece muito mal. Em primeiro lugar, a responsabilidade dos excedentes não lhes pertence, em segundo, existe a responsabilidade social que deve ser partilhada também pelas empresas privadas, muito mais quando até têm nomes como Leya.

28/02/2010

glorioso

Depois de, finalmente, um excelente jogo do FCP contra o Braga, de um soberbo jogo, tirado não se sabe de onde, do Sporting com o Everton, o meu Benfica não se deixou ficar e elevou a parada com uma exibição impressionante com o Leixões. Campo reconhecida e merecidamente difícil, onde muito se luta até ao fim por uma vitória. Mais do que o resultado, que até podia e devia ter sido mais, foi a sensação de que aos bravos guerreiros do Leixões nunca foi dada a hipótese de ser isso mesmo que costumam ser, guerreiros. Até parecia que o Benfica estava a jogar com o dobro dos jogadores, a continuar assim e volto a repetir, a continuar assim o título é certo.

25/02/2010

mais ejaculações

E depois é esta coisa dos broches. http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/02/hoje-fartei-me-de-fazer-broches.html#links Os falos continuam a atacar.

ejaculações precoces

Os microfones e até as câmaras das TV's, a cada acontecimento parecem, cada vez mais, um enorme falo erecto pronto a penetrar tudo quanto é sítio e lugar. Como se isto não fosse suficientemente mau, é um falo que ainda tem a lata de, constantemente, respingar antes do tempo sujando quem desafortunadamente passa por ele.

23/02/2010

correr

Como não gosto de deixar a vontade só pelas palavras, hoje fui mesmo correr, por vezes vou aqui ao parque da paz em Almada, o grande espaço verde da cidade. Tudo corria em corrida normal até quase pisar uma cobra de tamanho apreciável, neste encontro não sei quem se assustou mais, se eu se o desgraçado do animal, só tive tempo de saltar, dizer um palavrão e ficar a olhar para a beleza daquela pele amarela e verde, enquanto ela, passado o susto, seguiu o seu caminho.

run

O desejo é sair por aí e correr, correr até que o chão se faça pés, os pés se tornem ar, o ar se faça espaço, o espaço se faça tempo, o tempo se faça história e a história se faça memória. Assim, será mais fácil partir.

estado de guerra

http://ipsilon.publico.pt/Flash/texto.aspx?id=251121 Estado de Guerra arrecadou mais uma série de prémios, de todos os filmes que vi este ano foi o que mais gostei e o único que me obrigou a um texto. Este. Gostava de desistir, deitar-me com as árvores sobre a terra e parar, ficar quieto, totalmente estático. Desistir de tudo sem contemplações, de todos os pensamentos e movimentos e, simplesmente, existir porque estou lá. Como as árvores, firmes e robustas.Gostava de desistir, confundir-me numa planície repleta de flores e parar na mistura aleatória de cores. Abandonando em cada pétala tudo o que conheço e aprendi e, simplesmente, existir em cada espécie. Ser todas as cores da natureza.Gostava de desistir, inserir-me deserto dentro sobre as dunas e parar na imensidão do horizonte. Sossegando o cansaço da gravidade, de todas as recordações e enganos e, simplesmente, existir no crepúsculo que, breve, desponta todos os dias.Gostava de desistir, afundar-me no oceano, ser uma onda e parar na areia infinita de uma praia, desaparecendo por entre cada pedaço e também os desejos, os sonhos e, simplesmente, existir em cada grão, tornando-me o infinito que não se encontra.Gostava de desistir, elevar-me ao céu sobre as nuvens e parar, aconchegar-me nas várias formas, perdendo todos os contornos que sou e também o tempo, passado e futuro e, simplesmente, existir no presente, em todas as formas e contornos possíveis.Gostava de desistir, perder-me no espaço com as estrelas e parar nos braços ternos de uma lua, desintegrando-se todo o corpo palpável e também o espírito mais a alma e, simplesmente, existir na eternidade, num ponto qualquer do universo. Gostava de desistir, mas não sei. Gostava de uma deixa que me permitisse continuar, por aqui fora sem mais que a loucura da certeza da inconsequência, um bocado, um pedaço, uma terra, um país, um continente, um mundo, o universo. Um tanto que será sempre tão pouco ou tão mais que este nervo que me tira o sono depois deste filme que me derrota e deixa amargo, ainda mais amargo nestes ácidos gástricos que não controlo e que, dizem, vem da minha inquietação. Ansiedades mil, caralho preciso é da droga, dá-me com a cannabis na minha inércia, espeta-me o cachimbo nos olhos para ver se acordo, leva-me nesse avião e desampara-me nessa guerra em cima de uma bomba por explodir. Só, eu e a minha eternidade ilusória, sem palavra, sem expressão, sem conjecturas, sem falácias, sem engano, sem política. Apenas só. E só sou comigo e contigo, explosão da alma, puta traiçoeira que não comando. Gostava de sorrir aos Deuses e dizer-lhes que dificilmente me domam o espírito, mas que quero que continuem a tentar. Apaziguar-me em festas do jet7 ou no jacto orgásmico directo ao centro da fémea que desejo ou fazer-me mulher e receber vida, vida dentro que não sou mas que tenho e acarinho, dobrar-me as costas e parar com as revoluções fictícias e mais os golpes neste estado que sou, segurar-me nesta melancolia que figuro e amparar-me a queda desta tristeza que me assalta quando o vento me larga sem norte. Preciso que a melodia que rodopia na minha cabeça se torne uma canção e se faça em arco-íris com um pote de ouro no fim ou em balões vermelho sangue que o vento leva em festa pelo céu azul, numa bola de andebol que giro nas mãos das crianças que tenho, em gomas coloridas que dou ao meu filho que ri satisfeito e feliz e me pede para ir ao estúdio tocar bateria parando aqui esta alucinação. Que bom rir, eu sorrio e vou-me com ele e os ácidos acalmam-se, esquecem-se das explosões, da traição, da guerra, da vida. Gostava que o mundo fosse uma prateleira infinita de pacotes coloridos de flocos, mas não é.

silêncio

Tem alturas que tudo parece tão mesquinho, tão vil, tão baixo, tão pobre, tão deprimente e, ao mesmo tempo, tão claro, que a vontade não consegue ser mais do que a abstracção e o silêncio.

astroman

Querias ser um man ou, melhor ainda, um astroman, não daqueles do jet feito num oito que se pretende sete e não vale um três, mas um verdadeiro astroman, daqueles que levantam voo e partem rumo ao imenso universo. Só que os pés pesam-te e agarram-se com a terra, raízes profundas que não consegues arrancar.

18/02/2010

coisas sem importância nenhuma

mas que me fazem confusão. Já aqui disse que para mim o futebol é uma coisa simples. Sou benfiquista e quero que o Benfica ganhe sempre, os resultados dos outros interessam-me pouco ou mesmo nada, seja a nível nacional ou internacional, embora goste que o Sporting ganhe e esteja bem, porque um clube tem de ter rival à altura e eu gosto que esse clube seja o SCP (sei que para a maior parte dos lagartos dia que o Benfica perca é dia de glória, mas isso só reforça o que sinto). Isto tudo, porque esta jornada europeia trouxe-nos duas situações caricatas, apesar de raramente ver jogos que não os do Benfica, MU e Real Madrid, costumo ver os resumos e os jogos do Arsenal e da Fiorentina deram-nos dois lances muito engraçados. Nós que andamos sempre a dizer mal dos árbitro portugueses, assistimos a dois lances que não lembram ao gajo do tridente quanto mais ao comum dos mortais. No primeiro, um livre indirecto dentro da área é marcado à má fila originando um golo, acontece (aliás parece que com este árbitro acontecem coisas estranhas muitas vezes) e as declarações dos treinadores mais jogadores não me espantam, é o habitual nestas situações. Já as declarações do Jorge Coroado, antigo árbitro dado a azias, fazem-me alguma comichão. Então o respectivo Sr. Azia não diz que o lance é legal porque a equipa do Arsenal não manifestou intenção de fazer a barreira, pois, a mim também não me pareceu que esse interesse fosse manifestado, aliás acho que no momento em que a falta foi marcada o Campbell estava a dizer ao árbitro, porra, isto é que é velocidade de execução. Granda golo pá. Or in english, what fuck motherfuck, this better than Speedy Gonzalez, Great gool man. Então tá-se bem, desde que a malta fique feliz. O segundo lance também é engraçado, é que existem foras-de-jogo e existe fora-do campo, os primeiros percebe-se que, por vezes, não sejam bem vistos, analisados, assinalados e etc., agora fora-do-campo é preciso ser muito vesgo ou então gostar muito de fruta alemã, seja de que cor for. Espero que os jogadores do meu Benfica hoje, sejam tão rápidos e "intelegentis" como aquele rapaz madeirense fã do Speddy Gonzales, o que, a acontecer, não me permite desejar-lhes mais do que a derrota.

16/02/2010

last rite

Angel calls on me set to take me out, angel with no face. the end of the line; beginning of time, a matter of faith. I see all my friends from distance afar on another plane, mourning over me: a sickness of heart a sense of betrayal. have you seen the twilight close so slow. (I rose over them so light). Men in black suits dressed cold soft wood and marble silk, to take me away. No heaven or hell. the memory behind lingers on a face. have you seen the twilight close so slow. (I rose over them so light). Fotografias de Mafalda Paiva

12/02/2010

escutas

Hoje aqui http://sitedev.renhau-nhau.com/cartaz.php a escuta é outra, sem meias palavras, sem palavras escondidas, quando muito por vezes sussurradas, outras vezes gritadas, mas nunca veladas e sempre de peito aberto. Songs are just songs

09/02/2010

sexta 12

Aqui: http://sitedev.renhau-nhau.com/cartaz.php

bota o obido no carril

No sábado a Junta de Freguesia de Pinhal Novo (terra da bela sopa caramela) fez anos, as comemorações envolviam um concerto de uma nova banda de uma série de malucos caramelos doidinhos por música, p´ra aí uns 10 em palco, fora os convidados das gaitas de foles e da Bardoada (O Grupo do Sarrafo) http://www.myspace.com/bardoada Com um reportório que vai desde o tradicional a Virgem Suta e Xutos&Pontapés, conseguiram um espectáculo bastante animado, os arranjos podiam ser mais arrojados mas também começaram agora. Entretanto só o texto de apresentação valeu a noite. Ora vejam lá. De princípio era só rastolho. Ópois era a brisa das pinhas. Ao terceiro dia já se obia a canzoada a ganir à bolta dum óriço, e chegado ao sétimo dia já se faziam orquestras com foguetaige, caricas e trabessas da linha à bardoada contra a lombeira do carril. Foi tudo rápido que nem um tiro até há hora em que um home disse pró outro: - Tôô, anda cá mais eu cantar aqui uma cantiga. A modinha, de rara beleza e compleixidade, foi cantada pra toda a família obir (incluíndo a bicheza doméstica) e chamaba-se "Pega na lancheira e bai lebar o almoço ao pai". Tal momento artístico trouxe logo mais outro home, e mais outro e outro e a bizinhança cum gaiataige bádia, tudo com gaitas, flaitas, ferrinhos, apitos, paus e caixas chocadeiras, num intusiasmo tal, caté fazia inbeja aos grilos caramelos que, pra grilar toda a noite, ajuntam-se no eco das escadas dos prédio da Sul Ponte. Dada a força deste tema de índole ruralo-quotidiano pós-barroco, muitos outros bieram de carreira, sando sustança a concertos ora selbaiges ora brabios, ora até mesmo espontâneos. Chamaram-lhes intão o grupo d"Os Amigos da Música". Ainda assim, apesar da balentia de todos os homes a acarretar a música cá pra fora, sempre faltou algo im todo o grupo, faltava uma espécie de seiva alienígena, como aquela que faz crescer as longas patilhas numa rapariga brabia. Por isso não eram mines, não eram coiratos, nim era pão com tulicreme... era sim, um biolino. - É o queim?? Um biolino? Tão parbos ó quêi? - Sai~-se logo um destemido à soleira do café. Ópoio disse: - Agora é um biolino, amanhã tão todos com as calças pu meio das nalgas. Face ao comentário depreciatibo, só uma cantadeira de biolino bem composta, que buebesse mines e jogasse matraquilhos poderia resolber o problema da banda, sem que ninguém refilasse. Foi intão à luz do pitrol, que começou a precura porta im porta, por detrás das moitas, das silvas e, até, dentro dos elevadores da Refer. Ao fim dum tempo, os homes acabaram por encontrar ela escondida atrás das canas a tocar o biolino. Mas, dado o especial tratamento que eles dabam à música, todos decunfiabam do nome "Os Amigos da Música". Hummmm "Amigos da Música" era um nome muito estrambólico e dubidoso, que mais fazia lembrar as sessões de caraóque em noites de budeira. Bai daí que o nome tinha de ser modificado. Muitas foram as ideias parbas, mas a que mais reunio consenso, foi uma tirada dos filmes de cábói do intigo cinema SFUA. Nesses filmes, os cábóis (berdaderos heróis da punhada), antes de atrbessarema linha do comboio, em bez de olhares pra um lado e pró outro, punham o obido no carril pra ber se binha por perto um comboio esgalgado. Assim, dada a íntima ligação do mundo caramelo às linhas do comboio e ao cinema da SFUA, seria de esperar que, antes que qualquer um atrabessasse a ferrobia se acautelasse e espatasse o obido no carril. Esse costume nunca beio a ter lugar em território caramelo já que os intigos horários da CP estabam sincronizados com o auspicioso momento em que as galinhas punham ovos caseiros, e, assim, todas a gente sabia o momento certo em que o comboio passaba. Paira no intanto uma lenda que quem punha o obido no carril conseguia captar música, não sendo certa a beraciddae dessa lenda já que quem o experimentou, nunca voltou cá pra contar o finómeno. É pois, na reposição da berdade que o nome do grupo beio à luz da madrugada. Mas ainda com algumas incertezas: - Afinal como é que ei? O nome é "Bota o Obido no Carril" ou é "Coloca o Ouvido no Carril"? A dúbida permance e será esta note em debate-garreia com o público desta sala que esta polémica bai ser posta im pratos limpos. Claro que ficou "Bota o Obido no Carril", infelizmente ainda não existe nada na net para mostrar.

07/02/2010

portugalzão

Ao menos estes não andam com meias palavrinhas veladas, bons portugueses estes, embora o Jorge Baptista pudesse falar menos sobre o sucedido.

putos

Ontem o meu puto foi jogar a Setúbal, sempre que posso gosto de levar os miúdos pelas estradas nacionais para conhecerem os lugares e as terras por onde passam. Às tantas, Ukuamba, um negrito também colega de escola do Miguel, que ia completamente fascinado com a pequena viagem (para ele grande pois não parava de dizer que nunca mais chegávamos), pergunta-me onde estamos, eu respondo que estamos a passar por Coina, diz logo o meu puto, então a seguir é o útero não. Não é ainda filhote mas hás-de lá chegar, ou perto.

06/02/2010

portugalzinho

Portugal anda aceso com as, agora famosas, escutas, supra sumo de uma tendência natural deste canto de boca aberta para o mar e de mão na boca para o vizinho. A coscuvelhice e o interessa pela vida alheia, mais ainda, pelos podres alheios não é de hoje, desde que me lembro que é assim, mas se nada disto me espanta já o espanto que isto causa me deixa perplexo. Será que não temos a noção daquilo que somos, daquilo que fazemos, daquilo que dizemos, a maior parte das vezes de forma velada e semi-escondida, a facilidade com que ofendemos e dizemos asneiras, às vezes tão grossas que até conseguem corar o gajo dos chifres. Claro que também existe aquela classe que o faz em grande estilo, com palavras caras e bonitas, por vezes até codificadas, chama-se capacidade de invenção e/ou argumentação, mas a merda é a mesma, perdão a porcaria ou melhor a caca. Agora vou ali à porta ver o que é se passa.

02/02/2010

coisas muito sérias

O que é que mudou nas empresas? A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário. A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.” Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe… Mas o assédio no trabalho é novo? Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam. Toda a entrevista aqui: http://www.publico.clix.pt/Sociedade/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal_1420732

liga Sagres

Tenho andado um pouco alheio da actualidade, o trabalho e a falta de paciência raramente me deixam ver programas de informação, geralmente só enquanto almoço ou janto é que espreito as notícias, apesar do risco de indigestões lá vou mantendo este hábito. Ontem chegado do ensaio, já tarde, encontro na SIC notícias uns Srs. muito cómicos a falar de futebol, falar parece-me um termo lisonjeiro para o que aquelas pessoas fazem mas enfim. A minha relação com o futebol é muito simples, sou Benfiquista, vejo religiosamente os jogos do Benfica, às vezes no estádio, e raramente os das outras equipas, quero sempre que o Benfica ganhe e não me interessa para nada os resultados dos outros com excepção do Sporting, nas raras vezes que vejo o SCP até dou por mim a querer que ganhem, porque é o adversário que mais gosto de ter ao lado na luta pelo título e títulos sem luta como tem sido vulgar nos últimos anos não tem piada nenhuma. Apesar deste alheamento não deixo de me aperceber do que se passa, desta feita foram umas imagens do túnel do bonito, não digo lindo porque sou tímido, estádio da Luz, e o que me parece é que o Benfica devido ao facto de ser um clube de gente bastante educada, vendo o desespero dos jogadores do clube do Sr. Pinto que também é da Costa mas não costuma ir ao Barbas jantar, acho que a fruta se dá mais para os lado da Mealhada com leitões à mistura, caldeiradas é o que é, embora caldeiradas seja mais no Barbas, bem ultrapassando este devaneio e voltando à educação que reina na Luz onde as caldeiradas são à luz de todas as câmeras (onde estão as imagens de Braga), vê-se perfeitamente um segurança mais zeloso a pedir desculpa ao jogador Fernando por o Benfica ter ganho o jogo e por a manga de entrada no túnel ter ido contra o pé dele, até acredito que os tais seguranças se tivessem excedido nos pedidos de desculpa, possivelmente por estarmos em vésperas de Natal até cantaram algumas músicas da época por forma a tentar alegrar e descontrair os perdedores, mas os rapazes deviam cantar mesmo mal para depois provocarem um tumulto daqueles. Assim, acho que o estádio da Luz devia ficar interdito a jogos até a fim da época e os jogadores do FCP condecorados por tamanha provação. Aliás, o Benfica também devia pedir, desde já, desculpa pela deserção daquele jogador (acho que gladiador ou não sei quê) que chegou e foi embora, pela demissão de um Fernando Gomes que não o bibota, da não convocação de Bruno Alves para hoje, das lesões de quem quer que esteja lesionado, o melhor é mesmo pedir desculpa por existir, estar a jogar bem e ainda por cima ser, por vezes, beneficiado e não só prejudicado pelas arbitragens. É chato não é?

28/01/2010

tentações

Sinto-me tentado em acreditar em Belmiro de Azevedo, um Presidente ditador e um Poeta sem juízo é tão natural como o restaurador Olex. O problema que se me afigura nestes elogios, é que eles cabem sempre na carapinha de qualquer um, por exemplo, este Belmiro de Azevedo quando diz que os empregados dele estão todos satisfeitos, frase que vomita bastas vezes, passa bem por mentiroso, é que muitas das ocasiões em que me encontro com os ditos empregados, surge por vezes essa linda metáfora à baila e, até hoje, nenhum me confirmou a veracidade de tal afirmação, bem pelo contrário Vamos a ver e afinal o homem também gosta de figuras de estilo e é um poeta sem juízo ou então o ditador do quintal Sonae. Estamos bem entregues estamos.

25/01/2010

charlie brown

Sábado no Maxime, conheci uma nova e entusiasmante banda portuguesa, os Charlie Brown presentearam-me com algumas das melhores músicas feitas neste cantinho. Independentemente das influências, notórias na versão do segundo vídeo aí em baixo, é uma banda com um som próprio, o que para quem só tinha 7 ou 8 originais para apresentar me parece extraordinário. Desde os Mler if Dada que não gostava assim tanto de um grupo numa primeira audição, e, como os frequentadores daquela casa sabem, as condições sonoras não são as melhores. A seguir com atenção.

24/01/2010

2 novas casas

http://www.myspace.com/thevergeoficial http://the-verge-band.blogspot.com/

15/01/2010

viking moses

Ontem, na ZBD, o que me surpreendeu não foi tanto a música mas o despojamento ou, até mesmo, a crueldade de brincar com excelentes canções ao ponto de começarem sem começo e acabarem sem fim e no meio divagar ao sabor da mente tortuosa de Brendon, que sendo muitas vezes genial, também sabia ser patético noutras. Ainda bem, nós é que ficámos a ganhar. Depois foi beber, calmamente, umas cervejas e conversar com as pessoas como se não fosse nada com ele. Raios o partam.

14/01/2010

Sympathético

Please allow me to introduce myself. Danças com o Diabo nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que tranpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces. Pleased to meet you, hope you guessed my name. Como queres que saibam o teu nome se não o escreves, se não o dizes, se não o gritas, se não o pintas a vermelho sangue escuro sem luz? Oh yeah. Tell me baby, what's my name, tell me honey, can ya guess my name? E insistes. Foda-se, não vês que não é assim, não podes ser uma aparência errática num abismo que não é só teu, na certeza de que daqui ninguém sai vivo como dizia o outro. But what's confusing you is just the nature of my game. E pensas jogar, mas não te está na natureza, o jogo claro, não conheces as peças, desdenhas das regras se é que as entendes, falta-te a habilidade e o estímulo. Querias jogar, mas não sabes. Use all your well-learned politesse or I'll lay your soul to waste. Sobram-te os poemas que afagas na inquietude do tempo, as palavras que embalas em melodias sem lugar e a sensação permanente de uma vida vazia. Uma dor com alma dentro. Oh yeah. (woo woo, woo woo) So if you meet me, have some courtesy, have some sympathy and some taste. Resta-te a compaixão num caixão lançado rumo ao futuro, a tolerância tolerada em desespero e a puta da ânsia sofrida nos passos de dança nas asas de um anjo dizendo olá a Jesus Cristo na cruz que transpostas nas costas de um Deus que não sentes nem conheces. Fuck-se! (woo woo, who who)

11/01/2010

afectivamente

O ano começa bem, depois de acabar a aventura em Alcabideche, a minha amiga só dizia que não se tinha produzido para aquilo, regressámos a Almada e fomos ao Knock-out bar http://www.clubeknock-out.web.pt/, que tem sempre umas bandas de baile modernas porreiras, agora chamadas, efectivamente gosto da aparência, de bandas de covers. Mal saímos do carro diz o meu irmão, mais adiantado no passo, estão a tocar o While my guitar gently weeps, que, por acaso, é a única versão que estamos a inserir no nosso alinhamento e tinhamos acabado de ensaiar antes de partir para aquele filme em Alcabidechejo, entrámos e estava a tocar o Trio Manaia do Alexandre Manaia, que já tocou com o Rui Veloso e com o efectivamente sem moralizar atirem-me água benta Reininho e só pensava, se até este anda por aqui isto anda mesmo mau, o bar até é engraçado mas sei que paga muito mal, de qualquer forma ainda bem que há mais gente a tocar porque gosta, como também gosto de quem gosta, de bons guitarristas, de calor humano sem correntes de ar, diria que até se esteve bem. Efectivamente, pior foi depois, mas felizmente é pessoal e intransmissível. Efectivamente é o Manaia que aqui está a tocar com os GNR.

10/01/2010

The Piano Has Been Drinking (Not Me)

Voltar a ter saldo no telemóvel exactamente no segundo que começa o ano talvez seja uma forma extraordinária de iniciar a nova data para as novas gerações, para mim celebrei com mais um copo e fui tocar bateria. Entretanto fui conhecer o bar onde tinha um concerto marcado para dia 22, depois de mais de 1 hora às voltas em Alcabideche, lá encontrei o dito numa esconsa zona industrial em que a estrada de areia se transformava num lamaçal digno de qualquer sapato mais engraxado, então dos saltos altos que uma amiga minha levava nem vos digo. Apesar do mau início pensámos que o pior já tinha passado, o responsável chega afável e leva-nos para mostrar o local onde iríamos tocar, abertas as portas ficámos todos de boca aberta a olhar para uns, para os outros e para lado nenhum, um barracão em obras mais umas colunas velhas por onde eu duvido que consigam sair sons decentes e um frio pior do que o da rua devido a umas correntes de ar malucas que pareciam vindas das profundezas dos pólos. Vendo a nossa cara de espanto, o dono só dizia que até dia 22 acabava as obras e nós, todos, a pensar, ok, 22, mas de Janeiro do próximo ano, continuando, perspicaz, a observar-nos lá disse que podíamos tocar na sala principal, que era difícil encher mas tinha melhores condições. Lá fomos até à sala principal, onde havia uma festa e tudo, melhor, dava para ver as condições com a sala composta. Entrámos e começa-se a ouvir sons de forró, bem, festa é festa, deixa ver, meia-dúzia de marmanjos com muito bom aspecto a jogar snooker antes da entrada na sala, bem, quem vê caras não vê corações, seguindo, finalmente a sala principal, grande, com palco e tudo, tão grande que as cerca de vinte pessoas que estavam lá dentro pareciam a rainha de Inglaterra sozinha no palácio de Buckingham a dançar forró, ultrapassada a figura de estilo mal enjorcada, reparamos nos varões, que me faz retornar à rainha, agora a dançar no varão de fio-dental na dentadura amolecida pelos anos, o David Lynch ria-se e o Tom Waits cantava-me ao ouvido The Piano Has Been Drinking (Not Me), portanto o melhor era beber também. Porra pá, não me importo mesmo nada de tocar para putas, no fundo os músicos também são umas grandes putas, sempre prontos a dar o cu e mais qualquer coisa, por uma palavra, um aplauso, um miminho seja ele qual for, mas que haja putas então e clientes e mais clientes e mais putas e faríamos uma orgia, mais alternativa, mas uma orgia. Agora assim, porra pá. E as correntes de ar continuavam. The piano has been drinking, my necktie is asleep And the combo went back to New York, the jukebox has to take a leak And the carpet needs a haircut, and the spotlight looks like a prison break And the telephone's out of cigarettes, and the balcony is on the make And the piano has been drinking, the piano has been drinking... And the menus are all freezing, and the light man's blind in one eye And he can't see out of the other And the piano-tuner's got a hearing aid, and he showed up with his mother And the piano has been drinking, the piano has been drinking As the bouncer is a Sumo wrestler cream-puff casper milktoast And the owner is a mental midget with the I.Q. of a fence post 'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking... And you can't find your waitress with a Geiger counter And she hates you and your friends and you just can't get served without her And the box-office is drooling, and the bar stools are on fire And the newspapers were fooling, and the ash-trays have retired 'Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking The piano has been drinking, not me, not me, not me, not me, not me

31/12/2009

amem, fumem, bebam - saúde

I’m running out of patience to be fucking with this now you better believe me when I say this now I’m packing up my nightmares and I’ll be on my way you better find me some time when you have more to say

Throwing Bones

Lançar-te-às aos ossos, esganiçado. Da carne mais engelhada, curada em mais uma volta ao sol, da inércia marinada numa ansiedade desconhecida, da revolta absurda contra o que já sabias, da raiva inconsequente feita na inconsequência de tudo, da memória atropelada por um pensamento desgovernado, de uma razão que, lentamente, te foi reencontrando, perdeste alguma vontade mas não perdeste a tesão e com tesão a vontade acaba sempre por não partir. Atirem mais ossos, no novo tempo que aí vem, atirem mais ossos, serão ruídos até ao tutano na certeza de que a fome vai continuar.

28/12/2009

azul

Dá-me um sonho azul, se puderes azul mar revolto em fúria na pele gretada salgando o anseio mais o desassossego e leva-me contigo maré baixa, troca-me as voltas nas correntes frias da tua profundidade e, devagar, retorna-me à superfície. Na onda venho com a maré alta e o sonho azul no pensamento.

portugalzinho

Quando fechei a minha empresa há cerca de 9 anos fiquei desempregado, na altura o centro de emprego, através de um programa chamado POC, colocou-me 1 ano na segurança social em Almada. No departamento de acção social onde trabalhei, lidei com situações que desconhecia, a estranheza não foi tanto a falta de condições, espaço pequeno para tanta gente, mas os métodos e processos de trabalho. Entre as várias tarefas que tinha, uma consistia em escrever no computador ofícios e relatórios vários (menores em risco por exemplo) que vinham manuscritos das assistentes sociais, entregavam-me o documento e passado 10/15 minutos para os ofícios e 30/40 minutos para os relatórios eu levava tudo pronto para ser assinado. Todos olhavam para mim de lado sem eu perceber porquê, passado umas semanas uma assistente lá me explicou que aqueles documentos costumavam estar dias, por vezes semanas, para serem despachados. Tudo me chocou, vinha da minha empresa onde chegava a trazer trabalhos gráficos complicados à tarde para entregar provas no dia a seguir de manhã, mas mais do que isso era o laxismo com situações como menores em risco, idosos doentes e outras parecidas, todas a necessitar de decisões urgentes e práticas. Apesar do ordenado de sessenta e tal contos, dos olhares e de me chatearem porque queriam que entrasse às 9 e eu entrava às 9.30 (podia entrar entre as 9 e as 10), aguentei esse ano e fiz as tarefas como as sei fazer. Portanto, quando leio textos sobre organismos públicos e a disfuncionalidade, a perversão, a falta de transparência, as fiscalizações deficientes, sei bem do que se fala, se até com pessoas frágeis e totalmente dependentes não querem saber imagine-se o resto.