Apesar de não ser um homem novo e, aparentemente, também não ser burro de todo, existem coisas que Manuel Zacarias Segura Viola não entende bem.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
19/07/2011
17/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola, numa distracção aparente,
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
09/07/2011
bom dia
Apesar de acreditar em milagres e, por vezes, ainda lhe sair um santinho da boca, Manuel Zacarias Segura Viola nunca acreditou em santos. Os demónios aparecem-lhe em forma de banda desenhada, como que uma voz-interior que é arrotada num balão de vez em quanto.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
07/07/2011
6 x 2
1 olhar e verem-se os olhos
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
01/07/2011
valsa do adeus
Uma valsa em rodovia,
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
só a vida
Não há nada de especial,
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
30/06/2011
última hora
Os portugueses devem poupar mais.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
29/06/2011
bom dia
Tem dias que a alma de Manuel Zacarias Segura Viola desaparece, o espírito esconde-se e o corpo pesa mais que o de todos os concorrentes de um concurso parvo da televisão.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
21/06/2011
o homem confiante
Sempre pensei que a confiança devia ser uma atitude.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola anda sem paciência para intervalos de qualquer espécie. Apaixonado que está não tem tempo a perder nem, tão pouco, consegue sentir o tempo a perder-se, mas tem perdido muito tempo a sentir todas as artérias do corpo dilatadas, cheias de sangue vivo a correr com o tempo.
E ainda sorri para a estatística.
E ainda sorri para a estatística.
17/06/2011
enluernar
Olhar o desmoronamento grande
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
16/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com a realidade às costas e o sonho incrustado na costela da frente mais à direita de quem entra. Os olhos bem abertos estão na medida do que o coração permite.
13/06/2011
bom dia
Tem dias que o músculo das válvulas cardíacas de Manuel Zacarias Segura Viola descompassam mais que as músicas que dedilha na viola, começando a baralhar a direcção e velocidade do fluxo sanguíneo do interior das cavidades do coração para o resto do corpo. Sabendo que pode acontecer a qualquer um, Zacarias Segura Viola nunca se sentiu muito confortável com as consequências da falta de oxigenação do cérebro.
11/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é português nascido em Portugal, nunca cantou o fado e nunca ergueu a bandeira em jogos da selecção, mas sempre gostou de ameijoas à bolhão pato à beira-mar plantado e, sobretudo, sempre soube que um coração é um coração onde quer que ele nasça.
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