19/07/2011
aneurysm
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and do the twist, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and shoot the shit, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
She keeps it pumpin' straight to my heart [x8]
chamada
Queres dançar mas não sabes.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
bom dia
Apesar de não ser um homem novo e, aparentemente, também não ser burro de todo, existem coisas que Manuel Zacarias Segura Viola não entende bem.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
17/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola, numa distracção aparente,
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
09/07/2011
bom dia
Apesar de acreditar em milagres e, por vezes, ainda lhe sair um santinho da boca, Manuel Zacarias Segura Viola nunca acreditou em santos. Os demónios aparecem-lhe em forma de banda desenhada, como que uma voz-interior que é arrotada num balão de vez em quanto.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
07/07/2011
6 x 2
1 olhar e verem-se os olhos
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
01/07/2011
valsa do adeus
Uma valsa em rodovia,
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
só a vida
Não há nada de especial,
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
30/06/2011
última hora
Os portugueses devem poupar mais.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
29/06/2011
bom dia
Tem dias que a alma de Manuel Zacarias Segura Viola desaparece, o espírito esconde-se e o corpo pesa mais que o de todos os concorrentes de um concurso parvo da televisão.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
21/06/2011
o homem confiante
Sempre pensei que a confiança devia ser uma atitude.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola anda sem paciência para intervalos de qualquer espécie. Apaixonado que está não tem tempo a perder nem, tão pouco, consegue sentir o tempo a perder-se, mas tem perdido muito tempo a sentir todas as artérias do corpo dilatadas, cheias de sangue vivo a correr com o tempo.
E ainda sorri para a estatística.
E ainda sorri para a estatística.
17/06/2011
enluernar
Olhar o desmoronamento grande
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
16/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com a realidade às costas e o sonho incrustado na costela da frente mais à direita de quem entra. Os olhos bem abertos estão na medida do que o coração permite.
13/06/2011
bom dia
Tem dias que o músculo das válvulas cardíacas de Manuel Zacarias Segura Viola descompassam mais que as músicas que dedilha na viola, começando a baralhar a direcção e velocidade do fluxo sanguíneo do interior das cavidades do coração para o resto do corpo. Sabendo que pode acontecer a qualquer um, Zacarias Segura Viola nunca se sentiu muito confortável com as consequências da falta de oxigenação do cérebro.
11/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é português nascido em Portugal, nunca cantou o fado e nunca ergueu a bandeira em jogos da selecção, mas sempre gostou de ameijoas à bolhão pato à beira-mar plantado e, sobretudo, sempre soube que um coração é um coração onde quer que ele nasça.
10/06/2011
bom dia
Ser a animalidade que faz sede mantendo a razão de beber um copo de água, é como o coração de Manuel Zacarias Segura Viola vive a vida.
07/06/2011
humildade
Não é por ser eu, mas tenho um bacamarte brutal, uma coisa que algumas pessoas ainda não sentiram.
Foda-se leva-se com cada uma.
Foda-se leva-se com cada uma.
insónias
Nasci em portugal, sou português, vivo em portugal, provavelmente morrerei em portugal, mesmo assim só tu é que me provocas insónias.
Dylan Thomas
Houve um Tempo
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
bom dia
Não, Manuel Zacarias Segura Viola não é um novo hippie, apesar da viola a tiracolo, da descontracção e da simplicidade, tem dias que anda com o coração todo fodido.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola nunca andou com o coração tão descontraído, chegou àquela altura da vida em que sabe bem o que não quer e o que quer é de uma simplicidade bastante simples.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
03/06/2011
bom dia
Não pertences aqui Manuel Zacarias Segura Viola, és as esquinas de um lugar sem nome, o deserto finito do tempo, o mar da espuma das ondas, o vento melodia desalvorada, a terra brava onde gerarás e o nó num coração revolto.
Não és daqui Zacarias, não és de lugar algum.
Não és daqui Zacarias, não és de lugar algum.
29/05/2011
enfáticos
Dizemos de forma singela as coisas mais fortes, e isso desde que estejamos rodeados de pessoas que acreditem na nossa força: um círculo assim forma-nos na «simplicidade de estilo». Os desconfiados falam de maneira enfática, os desconfiados tornam os outros enfáticos.
[Nietzsche]
aqui http://a-leiseca.blogspot.com/
[Nietzsche]
aqui http://a-leiseca.blogspot.com/
25/05/2011
antónio passos
O António Passos voltou a dar notícias, sem dizer onde pára nem para onde vai nem, tão pouco, quando volta, deixou-me no email mais esta excrescência.
Dá-me um beijo e leva-me o desassossego,
um abraço, um olhar, qualquer coisa que possas,
uma história, um parágrafo, uma frase ou palavra,
uma intenção que seja, pelo menos.
Qualquer coisa que consigas, que tentes tão só,
que me destape, me descubra, me afronte, me encontre.
Estou-me a ir e nem o vento me leva.
Estou parado e nem a terra me quer.
E neste desassossego vou perdendo a vida, que não sei onde continua.
Já não sei se é vazio que sou ou eu que sou vazio,
se é a memória que perco ou pensamento que nunca tive,
se é o tédio que faz pena ou a pena que construiu o tédio,
se é a contradição que faço o desespero que sou,
se é o silêncio que não digo as palavras que não sei.
Depois, invejo a sobriedade com que desfazes,
a coragem com que perdes e desamparas,
a calma serena com que abandonas, largas e partes.
Já não sei se a miséria que sinto é a miséria que encontro ou a que deixo.
Ei-la em todo o seu notável esplendor, a puta!
Ilusão abstracta e emaranhada, como um sonho que não tenho,
emoção descontínua que faz, mas sobretudo desfaz
poço escuro por onde deslizo e estatelo sem contemplações,
predadora voraz de um fado já esboçado e desafinado.
Olhem bem, vejam como se ri, a déspota,
como se baba, ávida pelo sal do sangue quente,
como se alegra num festim de desengano, desilusão e perda.
Ei-la, a puta, que indomável acelera o tempo e domestica a ambição.
Deliro. Deliro com a febre que o desassossego me provoca,
e me tolhe a alma nula como um porto sem barcos,
de onde parto à deriva de impressões que vou deixando,
onde me fico na inércia mole da incerteza que cumpro,
e onde a vacuidade se dispersa abraçando toda a acção e sonho.
Sou eu que assim me faço, apenas eu,
de sensibilidade inconsequente,
de emoções fúteis,
de sensações absurdas,
de enigmas obscuros,
de racionalidade devastadora,
de vontade vazia,
de desejo estéril
de utopia vã,
de histórias insignificantes.
Sou eu, apenas eu, que tento o que não posso, que tenho o que não vislumbro.
Que horas são?
Qual será a hora a que sai o barco que não vejo e me leva o desassossego?
Dá-me um beijo e leva-me o desassossego,
um abraço, um olhar, qualquer coisa que possas,
uma história, um parágrafo, uma frase ou palavra,
uma intenção que seja, pelo menos.
Qualquer coisa que consigas, que tentes tão só,
que me destape, me descubra, me afronte, me encontre.
Estou-me a ir e nem o vento me leva.
Estou parado e nem a terra me quer.
E neste desassossego vou perdendo a vida, que não sei onde continua.
Já não sei se é vazio que sou ou eu que sou vazio,
se é a memória que perco ou pensamento que nunca tive,
se é o tédio que faz pena ou a pena que construiu o tédio,
se é a contradição que faço o desespero que sou,
se é o silêncio que não digo as palavras que não sei.
Depois, invejo a sobriedade com que desfazes,
a coragem com que perdes e desamparas,
a calma serena com que abandonas, largas e partes.
Já não sei se a miséria que sinto é a miséria que encontro ou a que deixo.
Ei-la em todo o seu notável esplendor, a puta!
Ilusão abstracta e emaranhada, como um sonho que não tenho,
emoção descontínua que faz, mas sobretudo desfaz
poço escuro por onde deslizo e estatelo sem contemplações,
predadora voraz de um fado já esboçado e desafinado.
Olhem bem, vejam como se ri, a déspota,
como se baba, ávida pelo sal do sangue quente,
como se alegra num festim de desengano, desilusão e perda.
Ei-la, a puta, que indomável acelera o tempo e domestica a ambição.
Deliro. Deliro com a febre que o desassossego me provoca,
e me tolhe a alma nula como um porto sem barcos,
de onde parto à deriva de impressões que vou deixando,
onde me fico na inércia mole da incerteza que cumpro,
e onde a vacuidade se dispersa abraçando toda a acção e sonho.
Sou eu que assim me faço, apenas eu,
de sensibilidade inconsequente,
de emoções fúteis,
de sensações absurdas,
de enigmas obscuros,
de racionalidade devastadora,
de vontade vazia,
de desejo estéril
de utopia vã,
de histórias insignificantes.
Sou eu, apenas eu, que tento o que não posso, que tenho o que não vislumbro.
Que horas são?
Qual será a hora a que sai o barco que não vejo e me leva o desassossego?
24/05/2011
bom dia
Para Manuel Zacarias Segura Viola tudo ficou mais simples desde que as ilusões findaram num dia incerto que não lembra, a partir daqui o sonho passou a ser determinado pelas direcções que o coração aponta. Tudo o resto lhe parece treta.
19/05/2011
idade II
- Já não percebo nada disto da idade. Sempre afirmativo, Manuel Zacarias Segura Viola solta este desabafo com o amigo José Tobias Taramouco, enquanto lhe salta um delicioso caracol para boca. Tobias distraí-se com um olho na imperial e outro numa natureza viva qualquer que não sabemos. Zacarias habituado às distracções do amigo volta à descarga deixando-se de eufemismos.
- Não percebo mesmo nada desta merda da idade.
Mais obrigado que tentado, Taramouco lá resolve tirar o olhar de nenhures que será algures para ele para se concentrar na frase do comparsa.
- Lá vens tu com isso, o que foi agora?
- O que foi não. O que é? Diz antes o que é?
Depois de dar um golo na imperial e perder-se com uma folha que o vento leva, Tobias, sempre sereno, olha o amigo e responde.
- Então 'tá bem, o que é?
- És sempre o mesmo, lês livros e mais livros, filosofias e mais sei lá o quê e um gajo anda aqui com um dilema existencial e tu perdes-te a olhar sabe-se lá para onde.
- Estou a olhar para ti homem, fala.
Segura Viola engasga-se na frontalidade do amigo e demora uns segundos a retomar o discurso.
- Épá sei lá... lembras-te da conversa sobre a idade que tivemos da última vez.
- Vagamente porquê?
- Acho que está tudo ao contrário.
- Ao contrário como? - espanta-se José Tobias
- Sei lá, parece que tenho 20 anos outra vez.
- Bem vi que estavas com uma enorme cara de parvo.
- Vê lá se te engasgas no teu sarcásmo.
- Engasgo-me é na tua parvoíce, diz Taramouco entusiasmado consigo próprio.
Manuel Zacarias Segura Viola nunca desarmando responde secamente,
- Goza à vontade, sei bem do que estou a falar.
Entretanto, come mais um caracol que se lhe enrola na alma, olha Taramouco ainda satisfeito consigo próprio e diz-lhe:
Sabes, podes voltar a olhar para o vento, depois diz-me o que ele te disse.
- Não percebo mesmo nada desta merda da idade.
Mais obrigado que tentado, Taramouco lá resolve tirar o olhar de nenhures que será algures para ele para se concentrar na frase do comparsa.
- Lá vens tu com isso, o que foi agora?
- O que foi não. O que é? Diz antes o que é?
Depois de dar um golo na imperial e perder-se com uma folha que o vento leva, Tobias, sempre sereno, olha o amigo e responde.
- Então 'tá bem, o que é?
- És sempre o mesmo, lês livros e mais livros, filosofias e mais sei lá o quê e um gajo anda aqui com um dilema existencial e tu perdes-te a olhar sabe-se lá para onde.
- Estou a olhar para ti homem, fala.
Segura Viola engasga-se na frontalidade do amigo e demora uns segundos a retomar o discurso.
- Épá sei lá... lembras-te da conversa sobre a idade que tivemos da última vez.
- Vagamente porquê?
- Acho que está tudo ao contrário.
- Ao contrário como? - espanta-se José Tobias
- Sei lá, parece que tenho 20 anos outra vez.
- Bem vi que estavas com uma enorme cara de parvo.
- Vê lá se te engasgas no teu sarcásmo.
- Engasgo-me é na tua parvoíce, diz Taramouco entusiasmado consigo próprio.
Manuel Zacarias Segura Viola nunca desarmando responde secamente,
- Goza à vontade, sei bem do que estou a falar.
Entretanto, come mais um caracol que se lhe enrola na alma, olha Taramouco ainda satisfeito consigo próprio e diz-lhe:
Sabes, podes voltar a olhar para o vento, depois diz-me o que ele te disse.
16/05/2011
beautiful
Não vale a pena, não vale mesmo a pena e o pior é que nunca valeu nem valerá a pena.
Aqui, debaixo deste sol, outra vez, o mesmo sol de antes e o mesmo de amanhã, até ao dia em que uma explosão levará e lavará tudo, pó cósmico e nada mais que pó, entretanto vamos lavando os dentes num espelho onde já não nos reconhecemos, porque as cáries aleijam e a boca quer-se fresca para dizer asneiras e, já agora, para dar beijos fugazes no destino. Saborearmos o hálito do tempo que nos entra pela boca, ora como um tornado, ora como uma brisa fresca, penetrando-nos até aos lugares mais recondidos de um interior bem profundo, tão profundo que quando o queremos agarrar já o perdemos sabe-se lá encostado a que cavidade estranha do corpo. Depois pensamos, o que é uma verdadeira chatice, mas pensamos, e perde-se tempo, muito tempo à procura do tempo que perdemos e às voltas com o que não encontramos, nesta demanda a pele engelha-se, as articulações desarticulam-se, a memória desentende-se e as entranhas comem-se num banquete delicioso de iguarias fora de prazo. Às vezes salva-se o coração, esse revolucionário apaixonado e sonhador que nos salta no peito e teima em pontapear o destino traçado, e no dia que desista, que pare por não caber mais de tão cheio que a vida o deixou.
E voltamos ao início, sim voltamos ao início, porque não vale mesmo a pena, até porque as penas são muito leves e voam.
Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed
I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today
To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?
'Cause you are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
'Cause you are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...
No matter what we do no matter what we say
We're the song inside the tune full of beautiful mistakes
And everywhere we go the sun will always shine
But tomorrow we might awake on the other side
We are beautiful in every single way
Words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today
Don't you bring me down today...
Aqui, debaixo deste sol, outra vez, o mesmo sol de antes e o mesmo de amanhã, até ao dia em que uma explosão levará e lavará tudo, pó cósmico e nada mais que pó, entretanto vamos lavando os dentes num espelho onde já não nos reconhecemos, porque as cáries aleijam e a boca quer-se fresca para dizer asneiras e, já agora, para dar beijos fugazes no destino. Saborearmos o hálito do tempo que nos entra pela boca, ora como um tornado, ora como uma brisa fresca, penetrando-nos até aos lugares mais recondidos de um interior bem profundo, tão profundo que quando o queremos agarrar já o perdemos sabe-se lá encostado a que cavidade estranha do corpo. Depois pensamos, o que é uma verdadeira chatice, mas pensamos, e perde-se tempo, muito tempo à procura do tempo que perdemos e às voltas com o que não encontramos, nesta demanda a pele engelha-se, as articulações desarticulam-se, a memória desentende-se e as entranhas comem-se num banquete delicioso de iguarias fora de prazo. Às vezes salva-se o coração, esse revolucionário apaixonado e sonhador que nos salta no peito e teima em pontapear o destino traçado, e no dia que desista, que pare por não caber mais de tão cheio que a vida o deixou.
E voltamos ao início, sim voltamos ao início, porque não vale mesmo a pena, até porque as penas são muito leves e voam.
Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed
I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today
To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?
'Cause you are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
'Cause you are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...
No matter what we do no matter what we say
We're the song inside the tune full of beautiful mistakes
And everywhere we go the sun will always shine
But tomorrow we might awake on the other side
We are beautiful in every single way
Words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today
Don't you bring me down today...
12/05/2011
bom dia
Manuel Zacarias anda com o coração mais dilatado, é dos calores, quanto maior fica mais claro lhe parece tudo, o passado pouco lhe interessa, menos ainda alguns assuntos que teimam em surgir, o presente saboreia-o o melhor que consegue e pode, mas, sente sempre, que todas as cavidades apontam para um futuro que não sabe qual é.
06/05/2011
o bailarico continua
Não gostaria de parecer enganador, que esta cena da parvoíce não é um exclusivo lusitano mas sim humano, este animal que chamamos Homem. No outro dia vi na TV um grande aglomerado desta espécie, todos contentes a pular, gritar, rir, chorar, esse tipo de coisas que chamamos emoções, pelas bandeiras era para o lado dos USA. Tendo em conta o local, pensei que fosse um qualquer espectáculo daqueles espectaculares mesmo que só eles sabem fazer, usando linguagem corrente, assim tipo a Madona numa casa fechada com a Jay Lo em cenas lesbianas, ou o Elvis o Presley vindo do além de mão dada com o Michael Jackson a dizer-lhe não faças isso menino feio, ou, ainda, o Bush com o dedo no cu a apanhar macacos do nariz (a geografia nunca foi o forte deste animal), mas não, afinal estavam só a comemorar a morte de um sr. barbudo que é (era) mau. Parece que o tal barbudo era mesmo mau como as cobras como se usa dizer, porque na realidade as cobras não têm culpa da sua natureza, parece que a maldade deste barbas advém do facto de ter criado uma instituição que matou cerca de cinco mil e tal pessoas, o que, de facto, é uma tristeza.
Por causa desta tristeza o outro sr., o dos macacos no nariz, iniciou umas guerras que mataram muitos mais animais da espécie do que os tais cinco mil, claro que neste caso eram todos maus, aliás maus como as cobras mesmo, os que não eram maus eram apenas danos colaterais, assim como assim para quem procura macacos com o dedo no cu que diferença faz.
Assim, proponho também um bailarico, com aquela volta que já sabemos, nesta grandiosa nação, pode ser no grand canyon ou nas cataratas do niagara, a banda sonora pode ser o Bad daquele menino amigo de todos os meninos.
Por causa desta tristeza o outro sr., o dos macacos no nariz, iniciou umas guerras que mataram muitos mais animais da espécie do que os tais cinco mil, claro que neste caso eram todos maus, aliás maus como as cobras mesmo, os que não eram maus eram apenas danos colaterais, assim como assim para quem procura macacos com o dedo no cu que diferença faz.
Assim, proponho também um bailarico, com aquela volta que já sabemos, nesta grandiosa nação, pode ser no grand canyon ou nas cataratas do niagara, a banda sonora pode ser o Bad daquele menino amigo de todos os meninos.
05/05/2011
vai um bailarico
Aqui estamos, debaixo deste sol que vai e vem, plantados na beira deste mar que nos salga a boca até o coração saltar do peito e explodir pelos olhos, deixando os bocados espalhados por tudo quanto é lugar.
Nesta azáfama parva dos parvos, mesmo tentando evitar, lá existem parvoíces que nos caiem em cima e nos deixam com o mesmo mal-estar de quando um passaroco se larga no nosso melhor fato ou, pior ainda, na cabeça, embora aqui merda por merda é só ver qual pior cheira, nada que um bom shampoo não resolva, o pior mesmo são os condicionadores. Aliás, aqui de mim para mim e quem mais quiser apanhar, não me admiraria nada é que o nosso problema seja usar condicionador a mais, pensando ou merdando que assim nos desembaraçamos melhor e cuidamos melhor das pontas soltas, quando na verdade só condicionamos ainda mais uma forma de estar já de si mais que condicionada, isto porque atrofiada é uma palavra que não me apetece usar.
No meio de tantas troikas e baildrokas quem fica trocido sou eu, e quem mais quiser que nestas coisas não sou egoista, mas como o baile segue a dança continua, e dançarinos é o que não falta por aí. O pior são mesmo aqueles que dançam sempre para o mesmo lado e depois viram e começam a dançar para o lado contrário e assim sucessivamente, num vai e vem constante determinado ou, melhor, condicionado ao sabor das tais troikas e baildrokas que os comandam, nesta dança ainda se realçam os pisadores, ou seja, aqueles que apesar de saberem o baile de cor estão sempre a pisar os pés do parceiro.
Por mim, proponho um original baile ao ar livre no Cabo Espichel, com o grandioso título de Baile Final, a originalidade poderia ser que uma das voltas se daria para o lado do mar por exemplo.
Ainda bem que tenho dois pés esquerdos e uso sabão azul e branco.
Nesta azáfama parva dos parvos, mesmo tentando evitar, lá existem parvoíces que nos caiem em cima e nos deixam com o mesmo mal-estar de quando um passaroco se larga no nosso melhor fato ou, pior ainda, na cabeça, embora aqui merda por merda é só ver qual pior cheira, nada que um bom shampoo não resolva, o pior mesmo são os condicionadores. Aliás, aqui de mim para mim e quem mais quiser apanhar, não me admiraria nada é que o nosso problema seja usar condicionador a mais, pensando ou merdando que assim nos desembaraçamos melhor e cuidamos melhor das pontas soltas, quando na verdade só condicionamos ainda mais uma forma de estar já de si mais que condicionada, isto porque atrofiada é uma palavra que não me apetece usar.
No meio de tantas troikas e baildrokas quem fica trocido sou eu, e quem mais quiser que nestas coisas não sou egoista, mas como o baile segue a dança continua, e dançarinos é o que não falta por aí. O pior são mesmo aqueles que dançam sempre para o mesmo lado e depois viram e começam a dançar para o lado contrário e assim sucessivamente, num vai e vem constante determinado ou, melhor, condicionado ao sabor das tais troikas e baildrokas que os comandam, nesta dança ainda se realçam os pisadores, ou seja, aqueles que apesar de saberem o baile de cor estão sempre a pisar os pés do parceiro.
Por mim, proponho um original baile ao ar livre no Cabo Espichel, com o grandioso título de Baile Final, a originalidade poderia ser que uma das voltas se daria para o lado do mar por exemplo.
Ainda bem que tenho dois pés esquerdos e uso sabão azul e branco.
28/04/2011
aconteceu sim
Neste texto http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/04/25-de-abril.html, relativamente ao 25 de Abril, o hmbf diz que andamos a comemorar uma revolução que ainda não aconteceu. Discordo muito desta frase do Henrique. A revolução aconteceu, nos meus 5 anos lembro-me perfeitamente do sentimento de liberdade sentido, de um país que parecia estar a sair de um ventre putrefacto, onde de repente, apesar da tenra idade, me vejo a ajudar o meu pai a colar cartazes, ir a reuniões políticas, vendo nos olhos das pessoas uma vontade e alegria impossíveis de descrever, vender o Avante, que era maior do que eu, livremente na rua em bancas onde também se vendiam bustos do Lenine, Marx entre outras coisas, organização de eventos desportivos, recreativos, culturais sem outro intuito que o prazer de oferecer algo à população.
Isto durou um ano e cerca de outro de resquícios do anterior, mas aconteceu, só depois veio tudo o resto que está no texto do Henrique.
Isto durou um ano e cerca de outro de resquícios do anterior, mas aconteceu, só depois veio tudo o resto que está no texto do Henrique.
chamber music
XXVIII
Amável senhora, não cante
Canções tristes sobre o fim do amor;
Afaste a tristeza e cante
O quanto basta o amor que passa.
Cante o longo e profundo sono
Dos falecidos amantes, e como
Na sepultura todo o amor repousará:
Por ora o amor está cansado.
James Joyce, in Poems and Shorter Writings, Faber and Faber, 2001, p. 40.
Versão de HMBF.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
Amável senhora, não cante
Canções tristes sobre o fim do amor;
Afaste a tristeza e cante
O quanto basta o amor que passa.
Cante o longo e profundo sono
Dos falecidos amantes, e como
Na sepultura todo o amor repousará:
Por ora o amor está cansado.
James Joyce, in Poems and Shorter Writings, Faber and Faber, 2001, p. 40.
Versão de HMBF.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
bom dia
O coração de Manuel Zacarias sente que algures perdera o fio à meada, o que, tendo em conta uma variedade de situações, até acha normal. O que preocupa Segura Viola, é mesmo não ter a noção do que é a meada.
01/04/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com o coração inchado, entre a paixão constante e angústias momentâneas o coração não para de crescer. Até aqui tudo bem, o problema mesmo são os gases que o inchaço provoca.
31/03/2011
António Passos
O António Passos é um tipo estranho. Encontro-o nos lugares mais improváveis desde há sete anos a esta parte e, sempre que nos encontramos, além de me contar histórias ainda me oferece textos rabiscados em teclados inimagináveis. Sendo uma pessoa escusa e um pouco evasiva, lá me vai pedindo para deixar aqui alguns dos textos que me dá, sempre anonimamente.
Uma das coisas que me disse sempre, era que não lhe interessava para nada os sentimentos ou a profundeza dos sentimentos nas palavras, no que escrevia o que lhe interessava mesmo eram as palavras, as frases, porque o sentimento pode ser datado, a beleza das palavras não. Ainda me dizia que o sentimento é uma coisa mais pragmática, como um pai a ajeitar o cabelo a um filho ou um namorado a sorrir apaixonado com a chegada da namorada, contra tudo isto as palavras não passavam mesmo de palavras, só palavras que o tempo trazia e que o tempo levaria, os gestos eram eternos, ficavam cravados até ao fim desta vida e, quem sabe, retornavam numa próxima se a ela tivéssemos direito.
Para um céptico como eu, tanto a postura misteriosa como este tipo de diálogo deixavam-me inquieto, apesar de uma enorme vontade nunca aprofundei conhecimento com o António, não sei nada da vida particular do homem, mas cálculo que não tenha página no facebook. Aqui há uns dias, disse-me que ia de vez, agradeceu-me e despediu-se assim:
- Aqui vou eu, António Passos de Solidão.
Deixou-me um último texto:
Apetece-me partir de mim sem volta que não a ida.
E se no caminho todos os passos se apagarem,
e se na chegada todos os pensamentos se perderem,
será que aquele que de mim parte nunca terá existido?
Nunca pensei muito no fim físico,
menos ainda no depois,
mas sinto,
continuamente,
um desejo de não existência que a morte nunca conseguirá apagar.
E este desejo implica com esta minha vida escusa e enfadonha,
não com a morte que,
pelo menos,
tem a virtude do enigma.
A morte é pó só pó e nada mais que pó.
Talvez seja por tudo isto que gosto tanto do vento,
imaginar-me pó liberto à sorte sem destino,
chegando a todo o lado,
conhecendo todos os cantos,
todos os recantos,
todos os encantos que não encontro ou consigo agora.
Será o tédio que sinto apenas a espera deste mistério?
Tudo me cansa,
os pensamentos que não encontro mas,
também,
os que faço.
E todas as sensações.
O sol que nasce claro ofuscando,
as nuvens densas que escondem as impressões que sinto e as que aspiro,
o mar que se revolta ou o céu tranquilo marinando.
Entretanto,
olho por cima de mim para mim,
dou meias voltas com voltas e meia e giro,
rodopiando em espirais de considerações,
elevando-me até ao patamar em que a invenção
não é mais que uma fábula entediante dos sonhos que perco.
E,
do alto da minha confusa congeminação,
desço tonto de tanto rodopio e esqueço tudo,
o que fui,
o que sou,
o que nunca virei a ser,
e faço um interstício de mim mesmo.
Paro toda a acção que não sou e os pensamentos que imagino.
Assim,
deslembro-me da vida,
menos do cansaço.
Uma das coisas que me disse sempre, era que não lhe interessava para nada os sentimentos ou a profundeza dos sentimentos nas palavras, no que escrevia o que lhe interessava mesmo eram as palavras, as frases, porque o sentimento pode ser datado, a beleza das palavras não. Ainda me dizia que o sentimento é uma coisa mais pragmática, como um pai a ajeitar o cabelo a um filho ou um namorado a sorrir apaixonado com a chegada da namorada, contra tudo isto as palavras não passavam mesmo de palavras, só palavras que o tempo trazia e que o tempo levaria, os gestos eram eternos, ficavam cravados até ao fim desta vida e, quem sabe, retornavam numa próxima se a ela tivéssemos direito.
Para um céptico como eu, tanto a postura misteriosa como este tipo de diálogo deixavam-me inquieto, apesar de uma enorme vontade nunca aprofundei conhecimento com o António, não sei nada da vida particular do homem, mas cálculo que não tenha página no facebook. Aqui há uns dias, disse-me que ia de vez, agradeceu-me e despediu-se assim:
- Aqui vou eu, António Passos de Solidão.
Deixou-me um último texto:
Apetece-me partir de mim sem volta que não a ida.
E se no caminho todos os passos se apagarem,
e se na chegada todos os pensamentos se perderem,
será que aquele que de mim parte nunca terá existido?
Nunca pensei muito no fim físico,
menos ainda no depois,
mas sinto,
continuamente,
um desejo de não existência que a morte nunca conseguirá apagar.
E este desejo implica com esta minha vida escusa e enfadonha,
não com a morte que,
pelo menos,
tem a virtude do enigma.
A morte é pó só pó e nada mais que pó.
Talvez seja por tudo isto que gosto tanto do vento,
imaginar-me pó liberto à sorte sem destino,
chegando a todo o lado,
conhecendo todos os cantos,
todos os recantos,
todos os encantos que não encontro ou consigo agora.
Será o tédio que sinto apenas a espera deste mistério?
Tudo me cansa,
os pensamentos que não encontro mas,
também,
os que faço.
E todas as sensações.
O sol que nasce claro ofuscando,
as nuvens densas que escondem as impressões que sinto e as que aspiro,
o mar que se revolta ou o céu tranquilo marinando.
Entretanto,
olho por cima de mim para mim,
dou meias voltas com voltas e meia e giro,
rodopiando em espirais de considerações,
elevando-me até ao patamar em que a invenção
não é mais que uma fábula entediante dos sonhos que perco.
E,
do alto da minha confusa congeminação,
desço tonto de tanto rodopio e esqueço tudo,
o que fui,
o que sou,
o que nunca virei a ser,
e faço um interstício de mim mesmo.
Paro toda a acção que não sou e os pensamentos que imagino.
Assim,
deslembro-me da vida,
menos do cansaço.
22/03/2011
para L.
Começou a Primavera e tudo parece mais claro e intenso,
olho os meus plátanos de braços abertos, ainda despidos,
tento um contraste com o gelo cristalino de Takk
e sinto-o derreter, desfazendo-se em gotas de água límpida.
Nesta noite morna alcanço tudo e a ti também.
olho os meus plátanos de braços abertos, ainda despidos,
tento um contraste com o gelo cristalino de Takk
e sinto-o derreter, desfazendo-se em gotas de água límpida.
Nesta noite morna alcanço tudo e a ti também.
15/03/2011
tremores
Salvaguardando o drama humano, nunca ouvi nem li tanta baboseira por causa de algo que é uma realidade com a qual teremos de viver enquanto estivermos cá. Cada vez que o planeta tosse são os mercados e os milhões e os prejuízos e mais não sei quê, se um dia vier com o catarro do fumador está tudo fundido.
As centrais nucleares sim, são um assunto que está nas nossas mãos. Quer dizer assim mais ou menos um bocadinho.
As centrais nucleares sim, são um assunto que está nas nossas mãos. Quer dizer assim mais ou menos um bocadinho.
convicção
Também pode ser uma manifestaxão, uma canção de protestu, uma indignaxão, uma revoluxãozita, embora lá vender qualquer coisita a ver se deixamos de ser percaros.
12/03/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola tem um coração do tamanho do mundo. Sendo um coração virado para o futuro, não deixa de guardar muitas memórias, desde as coisas mais importantes a pequenas trivialidades que, por qualquer motivo, se lembra de vez em quanto.
Numa simplicidade que não é mais do que uma ingenuidade bem resolvida, por vezes o coração surpreende e, de tão grande que fica, deixa-o engasgado e sem ar.
Numa simplicidade que não é mais do que uma ingenuidade bem resolvida, por vezes o coração surpreende e, de tão grande que fica, deixa-o engasgado e sem ar.
07/03/2011
xistrices
Arrancou o campeonato e, desde já, podemos dar os parabéns ao novo campeão. Tirando raras excepções, não acredito em campeões só pela excelência do futebol. Tal como o ano passado os penaltys assinalados a favor do Benfica deram um empurram para a excelente época, o penalty a favor do Porto e os que não foram marcados a favor do Benfica, nesta primeira jornada, definiram o rumo deste campeonato. É preciso lembrar que esta já não é a Liga Sagres, mas sim a Liga Zon Sagres, e todos sabemos a quem pertence a Zon. Agora vou para o monte mais uma semana, ver se o Ti'Joaquim tem uma explicação para isto.
Como se pode ver pelo post em cima de 16 de Agosto, desde a primeira jornada que, para mim, este campeonato está decidido. Sem novidade portanto. De qualquer forma, porque ninguém esperava que o Benfica tivesse a força, a qualidade e a garra que vem demonstrando e não vá o Diabo ou os Diabos Vermelhos tecê-las e para que não restassem dúvidas resolveu despachar-se a questão (aliás com um artista já mais que conhecido e reconhecido).
Além disso é preciso não esquecer que a equipa do FCP precisa de começar a descansar para a Liga Europa.
Resta a pena de não ver uma liga que podia ser sensacional, com um super Porto e um super Benfica a disputá-la até ao fim.
Parabéns.
Como se pode ver pelo post em cima de 16 de Agosto, desde a primeira jornada que, para mim, este campeonato está decidido. Sem novidade portanto. De qualquer forma, porque ninguém esperava que o Benfica tivesse a força, a qualidade e a garra que vem demonstrando e não vá o Diabo ou os Diabos Vermelhos tecê-las e para que não restassem dúvidas resolveu despachar-se a questão (aliás com um artista já mais que conhecido e reconhecido).
Além disso é preciso não esquecer que a equipa do FCP precisa de começar a descansar para a Liga Europa.
Resta a pena de não ver uma liga que podia ser sensacional, com um super Porto e um super Benfica a disputá-la até ao fim.
Parabéns.
05/03/2011
o homem espiritual
Sempre pensei que toda a existência devia ser espiritual.
Como uma extensão extra-large de um estado de consciência,
como uma árvore que estica as raízes e, parada,
medita durante anos que se fazem séculos.
A futilidade um escarro da matéria,
a substância a água fresca na garganta,
a essência num pathos profundo
de uma transcendência verdadeiramente transcendental.
Mas não é.
Nesta noção sou uma interpretação de mim mesmo e,
como perdido num labirinto, começo a suar em bica.
De repente começo a sentir umas vibrações estranhas,
entre diversos pensamentos desarrumados,
levita uma sensação real de perda de líquidos.
Tento chegar à torneira mas não consigo,
cada vez levito mais e quanto mais levito mais suo,
quanto mais suo mais sede tenho.
Perplexo, vejo-me mais e mais longe,
entro numa de holista e tento compreender tudo,
a real dimensão em que me encontro.
Aspiro um todo e começo um processo de desmaterialização,
omnisciente,
vejo tudo, conheço tudo, sei tudo e sinto tudo.
Principalmente a sede que não me deixa partir.
Como uma extensão extra-large de um estado de consciência,
como uma árvore que estica as raízes e, parada,
medita durante anos que se fazem séculos.
A futilidade um escarro da matéria,
a substância a água fresca na garganta,
a essência num pathos profundo
de uma transcendência verdadeiramente transcendental.
Mas não é.
Nesta noção sou uma interpretação de mim mesmo e,
como perdido num labirinto, começo a suar em bica.
De repente começo a sentir umas vibrações estranhas,
entre diversos pensamentos desarrumados,
levita uma sensação real de perda de líquidos.
Tento chegar à torneira mas não consigo,
cada vez levito mais e quanto mais levito mais suo,
quanto mais suo mais sede tenho.
Perplexo, vejo-me mais e mais longe,
entro numa de holista e tento compreender tudo,
a real dimensão em que me encontro.
Aspiro um todo e começo um processo de desmaterialização,
omnisciente,
vejo tudo, conheço tudo, sei tudo e sinto tudo.
Principalmente a sede que não me deixa partir.
04/03/2011
o homem leve
Sempre pensei que o mundo devia ser leve.
Como uma bola de sabão soprada sem rumo ao sabor do vento,
onde se poderiam transportar os sonhos e outras coisas simples,
como a transparência de todos os desejos.
A gravidade amarrada nos confins da existência,
o peso a enxada que revolve a terra,
e a seriedade uma ilusão que rebenta
na naturalidade dos pés sobre chão que seremos.
Mas não é.
Neste sentido ganho asas e começo a voar sem tino,
e, como um desenho mal animado, desafio os céus.
Meto a primeira e arranco prego a fundo, mundo,
meto a segunda e dou um esticão, corpo,
meto a terceira e ganho velocidade, espírito.
Nesta viagem o silêncio faz-se de cores,
verde natureza do musgo contra o solo,
azul mar contra a rocha cinza esburacada
e amarelo torrado nas dunas do deserto.
Nisto, enquanto o meu olhar repousa sobre tudo,
surge uma sombra que me acompanha,
estico até à quarta e tento fugir,
forço a quinta e fico fora de mim.
Na sexta fugi de tudo antes de me estatelar sobre o Cristo Rei.
Como uma bola de sabão soprada sem rumo ao sabor do vento,
onde se poderiam transportar os sonhos e outras coisas simples,
como a transparência de todos os desejos.
A gravidade amarrada nos confins da existência,
o peso a enxada que revolve a terra,
e a seriedade uma ilusão que rebenta
na naturalidade dos pés sobre chão que seremos.
Mas não é.
Neste sentido ganho asas e começo a voar sem tino,
e, como um desenho mal animado, desafio os céus.
Meto a primeira e arranco prego a fundo, mundo,
meto a segunda e dou um esticão, corpo,
meto a terceira e ganho velocidade, espírito.
Nesta viagem o silêncio faz-se de cores,
verde natureza do musgo contra o solo,
azul mar contra a rocha cinza esburacada
e amarelo torrado nas dunas do deserto.
Nisto, enquanto o meu olhar repousa sobre tudo,
surge uma sombra que me acompanha,
estico até à quarta e tento fugir,
forço a quinta e fico fora de mim.
Na sexta fugi de tudo antes de me estatelar sobre o Cristo Rei.
02/03/2011
rosas em mar de espinhos
Quero-te como se não existisse amanhã,
quero-te como se ontem fosse um pedaço de chão que cultivei,
quero-te como se hoje fosse o tempo que não controlo,
quero-te como se agora fosse o momento em que me perco.
Assim,
só admito estar ao pé de ti,
sempre e só junto a ti,
se te puder beijar os lábios,
acariciar o palato com a língua,
conhecer todas as palavras na troca da saliva que fazemos,
transformar o teu corpo num abraço de querer
e respirar
o cheiro que sente a fome,
feito na pele da pele que cheira,
e,
também,
o sexo claro,
porque teu,
e,
finalmente,
saciar-me na recompensa da tua capacidade de acolhimento.
Depois,
piscares-me um olho cúmplice,
sorrires e receberes o meu amor,
todo.
Porque esta é existência que quero,
porque tu és a existência que desejo,
porque a vida não é um mar de rosas,
ainda bem porque os espinhos aleijam.
serei
Serei uma planície vasta e serena
uma montanha que rasga o céu
uma frase longa ou pequena
uma metáfora que o desejo deu
Serei como as pedras por onde passo
ou como o vento que corre
serei um espírito devasso
um corpo inerte que não morre
Serei uma árvore robusta em flor
um fruto pronto a ser colhido
uma mente atormentada de dor
num sonho que foi esquecido
Serei um muro que não deixa ver
ou janelas transparentes
serei uma alma sem querer
lágrimas que caiem indiferentes
Serei uma raiz que brota da terra
uma semente que tarda em nascer
uma vida que só encerra
esta mágoa que teima em viver
Serei como uma rocha intransponível
ou como o mar violento
serei um som seco, inaudível
canções trazidas pelo vento
Serei uma palavra desalinhada
ou uma simples frase batida
serei algo parecido com nada
o primeiro dia do resto da vida
Serei um gesto desordenado
uma expressão grave e triste
serei um futuro continuado
uma pessoa que desiste
Serei um texto mal acabado
ou o princípio de uma linha
serei um livro estragado
uma folha que definha
Serei como um grito estridente
ou como um sussurro inquietante
serei uma estrela cadente
um simples vagabundo errante
Serei um romance sem história
um clássico sempre eterno
serei o altar e a glória
uma descida ao inferno
Serei como a carne a gretar
ou como a pela macia
serei o mundo por amar
uma alma escura e sombria
Serei um vulcão explodindo
um deserto imenso, vazio
serei um deus terno rindo
um pensamento duro e frio
Serei como a raiva de um poema
ou como a fúria de um touro
serei só um sentido de pena
de não saber o que é ouro?
uma montanha que rasga o céu
uma frase longa ou pequena
uma metáfora que o desejo deu
Serei como as pedras por onde passo
ou como o vento que corre
serei um espírito devasso
um corpo inerte que não morre
Serei uma árvore robusta em flor
um fruto pronto a ser colhido
uma mente atormentada de dor
num sonho que foi esquecido
Serei um muro que não deixa ver
ou janelas transparentes
serei uma alma sem querer
lágrimas que caiem indiferentes
Serei uma raiz que brota da terra
uma semente que tarda em nascer
uma vida que só encerra
esta mágoa que teima em viver
Serei como uma rocha intransponível
ou como o mar violento
serei um som seco, inaudível
canções trazidas pelo vento
Serei uma palavra desalinhada
ou uma simples frase batida
serei algo parecido com nada
o primeiro dia do resto da vida
Serei um gesto desordenado
uma expressão grave e triste
serei um futuro continuado
uma pessoa que desiste
Serei um texto mal acabado
ou o princípio de uma linha
serei um livro estragado
uma folha que definha
Serei como um grito estridente
ou como um sussurro inquietante
serei uma estrela cadente
um simples vagabundo errante
Serei um romance sem história
um clássico sempre eterno
serei o altar e a glória
uma descida ao inferno
Serei como a carne a gretar
ou como a pela macia
serei o mundo por amar
uma alma escura e sombria
Serei um vulcão explodindo
um deserto imenso, vazio
serei um deus terno rindo
um pensamento duro e frio
Serei como a raiva de um poema
ou como a fúria de um touro
serei só um sentido de pena
de não saber o que é ouro?
15/02/2011
o homem pragmático
Sempre pensei que toda a acção devia ser pragmática.
Como uma linha que serve apenas para transportar comboios,
que nos levam daqui para ali e dali para aqui,
sempre com um objectivo bem definido.
As teorias comprimidas no ferro dos carris,
o certo e o errado ultrapassado na velocidade da viagem,
o pluralismo só mais um ismo que devoramos na passagem
e a utilidade a verdade como um facto real.
Mas não é.
Nesta jornada carrego mil pesos e uma chama que me deixam prostrado,
e, como uma ficção sem sentido, sinto o corpo a arder.
Procuro o meio mais eficaz de baixar este sobreaquecimento,
o intelecto e a energia ao serviço da condição humana,
a eficiência a ciência que salta sobre um fatalismo estéril.
Recorro à lógica e deito-me numa banheira de água fria,
a temperatura começa a baixar imediatamente,
nesta voragem pragmática os pés ficam dormentes,
depois as pernas, o tronco, os braços, as mãos.
Lentamente, começo a esquecer o corpo,
pedaço de carne que transporto,
daqui para ali dali para aqui,
mas nunca para todo o lado.
Nesta inércia gelada perco a noção de tudo menos da febre que me consome.
Como uma linha que serve apenas para transportar comboios,
que nos levam daqui para ali e dali para aqui,
sempre com um objectivo bem definido.
As teorias comprimidas no ferro dos carris,
o certo e o errado ultrapassado na velocidade da viagem,
o pluralismo só mais um ismo que devoramos na passagem
e a utilidade a verdade como um facto real.
Mas não é.
Nesta jornada carrego mil pesos e uma chama que me deixam prostrado,
e, como uma ficção sem sentido, sinto o corpo a arder.
Procuro o meio mais eficaz de baixar este sobreaquecimento,
o intelecto e a energia ao serviço da condição humana,
a eficiência a ciência que salta sobre um fatalismo estéril.
Recorro à lógica e deito-me numa banheira de água fria,
a temperatura começa a baixar imediatamente,
nesta voragem pragmática os pés ficam dormentes,
depois as pernas, o tronco, os braços, as mãos.
Lentamente, começo a esquecer o corpo,
pedaço de carne que transporto,
daqui para ali dali para aqui,
mas nunca para todo o lado.
Nesta inércia gelada perco a noção de tudo menos da febre que me consome.
11/02/2011
a necessidade
Prometeu
Nem virá sobre mim nenhum sofrimento imprevisto. Preciso é suportar o mais facilmente possível o que foi marcado pelo destino, pois bem sei que a força da Necessidade é inexpugnável.
O destino, que tudo acaba, ainda não determinou pôr termo a isto, mas, depois de vergar ao peso de mil sofrimentos e calamidades, eu fugirei a estas cadeias. O engenho é, de longe, mais fraco do que a Necessidade.
Corifeu
Quem governa a Necessidade?
Prometeu Agrilhoado – Ésquilo
o homem lírico
Gostava que a palavra fosse sempre um poema.
Como um verso cruzado, emparelhado, interpolado, encadeado, esfolado,
numa rima solta e a lua como pano de fundo,
mais ou menos assim:
procura o refúgio na tempestade
nos ventos que são tornados
na lua a eternidade
e as palavras que são achados.
Mas não é.
Neste caminho troco os passos no ritmo que desafina,
e, como uma nota deslocada, tusso a meio do pensamento.
As emoções exprimem-se como um catarro descontrolado,
o eu mais interior que se abre ao universo físico,
espiritual também, com a alma e o karma dentro e tudo.
A existência em todo o seu esplendor glorificado
e a insignificância o sentimento que a tosse acorda,
e cospe assim:
oh tempo que desatina
num frio que faz tremer
neste catarro que ensina
que às vezes a dor faz doer.
Neste divagar perco o meu eu interior,
os meus pensamentos mais íntimos.
Resta-me a esperança que a constipação passe.
08/02/2011
um dia
Vladimir
O que é que vão fazer quando caírem onde não estiver ninguém para vos ajudar?
Pozzo
Esperamos até nos conseguirmos levantar. E depois continuamos. A andar!
Vladimir
Antes de se ir embora, diga-lhe para ele cantar!
Pozzo
Quem?
Vladimir
O Lucky.
Pozzo
Cantar?
Vladimir
Sim. Ou para pensar. Ou para recitar.
Pozzo
Mas ele é mudo!
Vladimir
Mudo!
Pozzo
Mudo. Nem sequer é capaz de gemer.
Vladimir
Mudo! Desde quando?
Pozzo
Ainda não acabou de me atormentar com o raio do seu tempo?! É abominável! Quando! Quando! Um dia, não lhe chega, um dia como qualquer outro dia, um dia ele ficou mudo, um dia eu fiquei cego, um dia vamos ficar surdos, um dia nascemos, um dia vamos morrer, o mesmo dia, o mesmo segundo, não lhe chega? Dão à luz montados num túmulo, o dia brilha por um instante, e depois fica outra vez noite. A andar!
À espera de Godot – Samuel Beckett, Cotovia, 2001
02/02/2011
31/01/2011
campeões
30/01/2011
a música
No Fórum Romeu Correia em Almada, num grande concerto com grandes músicas, para mim esta foi a música.
28/01/2011
coisas que me deixam contente
As 6 biscas que o Miguel mandou para dentro da baliza do Sporting. No Almada, em 12 anos de andebol, raramente ganhei ao Sporting, o puto em 3 anos já leva 5 vitórias e nenhuma derrota sobre os lagartos, não sendo a mesma coisa não deixa de ser fixe.
Esta época ainda não perderam, tal como o Belenenses, amanhã jogo decisivo em Belém, os pastéis não são nada fáceis de digerir.
Esta época ainda não perderam, tal como o Belenenses, amanhã jogo decisivo em Belém, os pastéis não são nada fáceis de digerir.
A dança das feridas
27/01/2011
25/01/2011
loucura
Gostavas que a loucura te arrancasse do torpor dos dias e trouxesse, embalada em papel colorido, as rugas da carne feitas num tempo e num espaço que nem lembras. Olhares e leres em cada pedaço uma letra, uma palavra, uma frase, uma história, um gesto perdido.
louco eu?
Vladimir
Só sei que nestas condições as horas duram mais e nos obrigam a iludi-las com actividades que – como é que hei-de dizer – que poderão parecer à primeira vista razoáveis, até se tornarem num hábito. Poderá dizer que é para evitar o colapso da nossa razão. Sem dúvida. Mas será que não anda ela há já muito a vaguear pela noite sem fim das profundezas abissais? É isso que por vezes me pergunto. Estás a seguir o meu raciocínio?
Estragon
Todos nós nascemos loucos. Alguns mantêm-se.
À espera de Godot – Samuel Beckett, Cotovia, 2001
21/01/2011
o homem trágico
Sempre pensei que a vida devia ser uma tragédia constante.
Como um vai que não vai que fica do lado contrário onde se vai estando,
onde se quer, se deseja, se constrói,
se luta, se existe e, sobretudo, se destrói.
A salvação dentro de um tupperware rasca oferecido à vizinha do lado,
o espírito solto ao vento num dia de tempestade,
a razão batida em claras de ovo servida aos chacais
e a vontade o destino final de cada acção.
Mas não é.
Nesta certeza tenho a consciência das mágoas que sou e faço,
e, como um meio em que me fico, por vezes falta-me o ar.
Então, no lado certo do passeio diz:
Acabe com o seu sofrimento.
Eu digo está bem.
Já hoje?
Quanto custa?
Uma montanha de consciência, um balúrdio de negação,
uns theras de individualidade, umas pitadas de necessidade,
um molho de redenção, gigas de prazer,
e, por fim, um universo de aceitação.
Começo a rir e penso que é capaz de ser um pouco caro,
procuro nos bolsos mas só encontro inquietação,
da carteira salta um monte de desassossego.
Nesta azáfama tropeço na calçada bato com a cabeça e morro,
com um sorriso na cara.
20/01/2011
anibalices
Parece que Portugal não tem dinheiro para a democracia, segundo o candidato que não lia jornais, nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, que não é político nem se dá com eles, que gosta mesmo é de dar aulas, auto-estradas, bolo-rei, estar de pantufas, dar miminhos aos netos, à Maria e aos amigalhaços do BPN (um português exemplar este), uma hipotética segunda volta traria muitos custos ao País.
No fundo o Sr. gostava mesmo era de ser nomeado, agora esta coisa de eleições, gastar papel, canetas e o bom tempo dos bons portugueses como ele claro.
Aqui: http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=9535
começar
Estragon
Enquanto esperamos podemos tentar conversar calmamente, já que somos incapazes de ficar calados.
Vladimir
Tens razão, somos inesgotáveis.
Estragon
É para não pensarmos.
Vladimir
Temos essa desculpa.
Estragon
É para não ouvirmos.
Vladimir
Temos as nossas razões.
Estragon
Todas as vozes mortas.
Vladimir
Fazem um barulho de asas.
Estragon
De folhas.
Vladimir
De areia.
Estragon
De folhas.
Vladimir
Falam todas ao mesmo tempo.
Estragon
Cada uma para si.
Vladimir
Ou melhor, sussurram.
Estragon
Ciciam.
Vladimir
Murmuram.
Estragon
Ciciam.
Vladimir
O que é que elas dizem?
Estragon
Falam das suas vidas.
Vladimir
Não lhes chega ter vivido.
Estragon
Têm de falar sobre isso.
Vladimir
Não lhes chega estar mortas.
Estragon
Não é suficiente.
Vladimir
Fazem um barulho de penas.
Estragon
De folhas.
Vladimir
De cinzas.
Estragon
De folhas.
Silêncio
Vladimir
Diz alguma coisa!
Estragon
Estou a tentar.
Longo silêncio
Vladimir
(angustiado) Diz qualquer coisa, não interessa o quê!
Estragon
O que é que fazemos agora?
Vladimir
Esperamos pelo Godot.
Estragon
Ah, pois é.
Silêncio
Vladimir
Isto é horrível!
Estragon
Canta qualquer coisa.
Vladimir
Não, não! (Pensa) Talvez pudéssemos começar tudo outra vez.
Estragon
Isso era fácil.
Vladimir
O começo é que é difícil.
À espera de Godot – Samuel Beckett, Cotovia, 2001
14/01/2011
10/01/2011
last rite
Queres um anjo antes do tempo e saber se vem num tempo que começa ou num tempo que acaba. Queres que chorem a perda com uma dor de alma e subir, como que pairando noutra dimensão, por sobre eles. Queres que te levem, o fim do Céu e do Inferno, dizes, e que a tua memória perdure numa expressão qualquer.
No fim queres ter fé como aconchego, mas como é possível se não viveste assim.
Angel calls on me
set to take me out,
angel with no face.
the end of the line;
beginning of time,
a matter of faith.
I see all my friends
from distance afar
on another plane,
mourning over me:
a sickness of heart
a sense of betrayal.
have you seen the twilight close so slow.
(I rose over them so light).
Men in black suits dressed
cold soft wood and marble silk,
to take me away.
No heaven or hell.
the memory behind lingers on a face.
have you seen the twilight close so slow.
(I rose over them so light).
31/12/2010
28/12/2010
natal
Que se foda o Natal mais a caridade com prazo de validade e as campanhas para ajudar aqueles que prejudicaram o ano inteiro, que se fodam os brindes, as ofertas, as promoções, os presentes, o trabalhinho a prazo.
Que se foda a virgem para ver se consegue parir alguma coisa de jeito.
ifoda-se
O Media Market de Alfragide fez uma promoção de 3 horas sem IVA para celebrar os 3 anos de actividade. Vi que o mesmo se passou em Londres e na Austrália, claro que aqui tem sempre pormenores peculiares inerentes ao ser portuga como afinal só receberem um vale de desconto no valor do IVA para futuras compras, mas o resultado é parecido.
Isto é o que temos numa sociedade com mais jornais, telejornais, internet com blogs, facebooks, telemóveis artilhados, ipods, ipads e ifoda-se que não quero viver neste mundo. Pelo menos podemos dizer, orgulhosamente, que é como no estrangeiro.
26/12/2010
o homem teórico
Sempre pensei que o mundo devia ser plano e navegasse pelo universo.
Como um barco fantasma à deriva pelo espaço,
sem tempo, sem mitos, sem deuses,
sem conceitos nem precisões.
A justiça embrulhada num papel largado ao vento,
o pensamento atirado para uma lua qualquer,
a filosofia transformada em estrume para adubar a terra
e o sonho a noção premente de continuar a navegar.
Mas não é.
Neste ideal ganho a noção das dores que me afligem e,
como um passo trocado, fico com comichão nas virilhas.
Cravo as unhas e coço, mas quanto mais coço mais cresce,
este sentimento inútil da inutilidade,
esta inutilidade inútil do sentimento e da comichão que não acaba.
Então, continuo a coçar até a carne ficar rosada,
quanto mais coço mais vivo fico,
quanto mais vivo fico mais vermelho estou, um fio de sangue desafia-me.
Olho-te pasmado e sigo-te o caminho,
vejo a trajectória e procuro um sentido,
observo-te, analiso-te, estudo-te e recolho a informação.
Insiro e processo todos os dados,
cientificamente,
entre todas as possibilidades apenas concluo que a comichão não me passou.
Só espero que não me passe para os colhões.
24/12/2010
23/12/2010
21/12/2010
15/12/2010
formidável mundo português
A minha filha acabou o 12.º ano e resolveu começar a trabalhar para pagar os estudos, opção que muito me apraz. O problema é que estamos em Portugal e, infelizmente, a Mafalda, que não percebia como é que eu não consigo emprego, rapidamente percebeu como funcionam as coisas neste cantinho acanhado.
Depois de procurar, lá recebeu uma resposta, há cerca de 2 meses, para promotora da ZON, coisas novas (produtos) para o maravilhoso natal, contrato só de 2 meses com a possibilidade de renovação (tanga), um ordenado razoável no que é um ordenado razoável em Portugal, uma merda, mas enfim. Entretanto, era suposto começar no início de Dezembro mas foi sendo adiado, nisto começou a ter formação, deram-lhe umas roupas e sapatos género "Espaço 1999", comprar passe, comer qualquer coisa, etc., o dinheiro começa a sair. Ontem, véspera de começar, ou seja um dia antes, 24 horas, telefonam a dizer que tinham gente a mais, talvez porque a Mafalda não se deixou ficar, lá disseram para ela ir trabalhar mas que tinha de fazer um exame médico às 15 h, isto às 11 da manhã, impossível estava a fazer de ama a um bebé, após mais uma ronda de muita negociação a miúda conseguiu que marcassem o médico para outro dia.
Hoje, já me telefonou a pedir para lhe levar dinheiro ou comida, é que era suposto trabalhar até às 16 h. mas vai ter de ficar até à meia-noite. Será que vão pagar as horas a mais?
Até começar a trabalhar já gastou cerca de 150 euros, com o que ainda vai gastar em alimentação, quando receber o primeiro ordenado, o que sobra deve dar para meia renda de casa. Ainda querem mais flexibilização, é que já parecemos aqueles artistas de circo que se enrolam todos neste rectângulo com cara de parvo a ocidente virado.
Não é formidável este Portugal.
13/12/2010
09/12/2010
07/12/2010
sofrimento
Aquela coisa do sofrimento foi uma brincadeira com as duas velhotas simpáticas que até serviu para as deixar mais bem dispostas. Felizmente só sofro de umas caganeiras quando a ansiedade aperta, nada que um chá de camomila ou outra paneileirice parecida não resolva e, no fundo, até era capaz de dar o meu dedo mindinho do pé esquerdo pela humanidade, com jeito talvez até o direito, com muito jeito talvez até mais qualquer coisa.
06/12/2010
testemunhas
Vinha de uma entrevista de merda para um emprego de merda e, nem a propósito, duas velhotas muito amorosas abordaram-me na rua para me dar este folheto.
Todo Sofrimento
ACABARÁ EM BREVE
Em algum momento na vida, você provavelmente já se perguntou “Por que há tanto sofrimento?” Há milhares de anos, o homem vem sofrendo, muito devido a guerras, pobreza, calamidades, violência, injustiça, doenças e morte. Nunca houve tanto sofrimento como nos últimos cem anos. Será que um dia isso tudo vai acabar?
Este primeiro parágrafo não é maravilhoso? Mas o melhor é que eles dizem que sim, o sofrimento vai acabar, e é em breve, ainda lhes disse que hoje me dava jeito, riram-se e disseram que não era o meu era o da humanidade, eu respondi, tá certo adeus e felicidades.
dezembro
Que se foda o Natal mais a caridade com prazo de validade e as campanhas para ajudar aqueles que prejudicaram o ano inteiro, que se foda os brindes, as ofertas, as promoções, os presentes, o trabalhinho a prazo mais os ordenados de merda. Que se foda a virgem para ver se consegue parir alguma coisa de jeito.
28/10/2010
um maluco em qualquer lugar
Mas, depois, pensaste conhecer o amor e a distância do mundo esbateu-se, começaste a ser a pele, começaste a ser corpo, começaste a ser gente. E sentias tudo, todo o tempo. E dominavas tudo, todo o espaço. Agora pensas dizer adeus e voltar ao princípio mas está tudo ao contrário.
27/10/2010
distraídos
Continuamos em grande, quase ninguém nota mas continuamos em grande. Há 3 semanas que praticamente não consigo vender um croquete, pastel ou chamuça, os clientes dizem-me que nem o meu produto nem outros, não se vende, até a pão vai para o lixo. Entretanto, o meu vizinho de baixo, amargurado com problemas pessoais graves, convida-me para um whiskey, uma garrafa cheia de pó mas com um líquido excelente começa a escorrer para os copos. Lançado, mais pela amargura do que pelo líquido, conta-me que no fim-de-semana foi para uma caçada numa herdade qualquer para a beira interior, homem simples foi com algum espanto que vê chegar um helicoptoro com alguns administradores do BES, mas, mais espanto ainda, quando ao primeiro se sucede o segundo, o terceiro, o quarto e até um quinto, não só com mais administradores ou coisa que os valha, mais umas meninas de mini-saia com enormes caixas cheias de camarão, navalheiras, lagostas e sei lá que mais. Depois mostrou-me uns papéis com umas contas que ia abrir para os filhos exactamente no BES e rasgou-os, disse que ficou enojado com o que viu dizendo que tem a 4.ª classe mas não é parvo. Pena será que os outros onde irá pôr o dinheiro são massa da mesma farinha.
Depois, vou ao Hospital ver um amigo ao qual rebentou uma úlcera e nem um lugar para estacionar o carro, nem pago, quando vou à merda do Fórum Almada para ir ao cinema tenho sempre lugares para dar e vender à borla e começo a pensar que realmente este País está bem, do melhor até, alguns de nós é que andam distraídos.
25/10/2010
20/10/2010
paradoxos
Este blog anda em serviços mínimos, um mestrado com muita leitura e pesquisa assim obriga. Assim, tenho andado um pouco a leste de orçamentos, aprovações, desaprovações, obrigações, irritações, desilusões, FMI's, cortes, crises e outras porcarias iguais. Estou em crise há mais de 6 anos, se é que alguma vez estive bem, não faço IRS desde mais ou menos essa altura, tenho vivido completamente à margem porque sempre que procuro trabalho, as situações que me são propostas são tão ridículas que chegaria ao fim do mês e gastava mais do que o que iria ganhar, é claro que tenho uma vida de merda, não consigo ir a lado nenhum, concertos, teatros, mesmo exposições só se não for muito longe, comprar livros, cd's, dvd's, etc., é impossível, mas, enfim, como para dar umas não tenho de pagar nada, nem para ver o mar ou as pessoas que passam, isto até anda, como um bêbado a cambalear mas anda.
Mas o que me trouxe mesmo aqui, são alguns dos paradoxos deste nosso belo canto à beira mar plantado. Tirei a minha licenciatura na famosa Universidade Independente e, realmente, não achei o curso nada de especial, tirando uma cadeira ou outra com bons professores, e, pensava, que era da falta de qualidade da instituição, engano meu, agora na Faculdade de Letras de Lisboa, exceptuando um caso extraordinário, a merda é a mesma.
Agora vou mas é trabalhar que o ordenado é alto.
13/10/2010
a dúvida
Será que um Homem chegado aos 40, depois de duas de 20 em cada braço, poderá sentar-se, calmamente, a pensar e, finalmente, ficar sozinho.
12/10/2010
come out and play - I'll go e já
Por volta dos 12 anos, quando comecei a ser um adolescente viril, esta menina fazia as delícias das minhas fantasias masturbatórias, era a única softcore que batia a minha literatura preferida da época, a Gina, Sylvia, Weekend Sex entre outras, como se isso não tivesse sido suficiente, acabou de editar um disco e continua um borracho.
assim foi, assim é, assim será
Diz-me, ó Rei, destruidor de Tróia, descendente de Atreu, como te hei-de saudar? Como te prestarei homenagem sem ir além nem ficar aquém do tratamento que te é devido? É que muitas pessoas apreciam mais o parecer do que o ser, ultrapassando assim os limites da justiça. Toda a gente está pronta a ecoar os gemidos de quem sofre, mas a mordedura da dor não atinge verdadeiramente o seu coração. Estes mesmos alegram-se com os felizes, assumindo idêntico aspecto, forçando os seus rostos a rir. Mas aquele que é bom conhecedor do seu rebanho não se deixa iludir pelas atitudes daqueles que, aparentando um espírito leal, o adulam com uma amizade aguada.
Ésquilo em Agamémnon mais ou menos em 450 a.C
10/10/2010
notícias
Ontem o telejornal da RTP trouxe-nos uma notícia engraçada. Parece que os portugueses são os que mais demoram a abandonar a casa paterna, se não me engano por volta dos 35 anos. A abordagem foi de uma superficialidade enganadoramente triste, com comparações, veja-se bem, com a Dinamarca, esse País muito pobre do norte da Europa, culminando a chamar meninos da mamã a estes portugueses.
Para quem saiu de casa dos pais aos 21 anos como eu, seria fácil embarcar nos propósitos desta pseudo-notícia, não fosse o problema da certeza dos 500 € de ordenado médio dos poucos contemplados até esta idade com um emprego/trabalho, acrescentando os recibos verdes, os contratos a prazo e a precaridade generalizada, o que sobra para pagar uma renda?
Claro que existem aqueles que vivem, desde tenra idade, sozinhos, em casas oferecidas ou com rendas pagas pelos pais, mas estes não são meninos da mamã, devem ser do papá.
04/10/2010
discursos
O concerto que dei no sábado, foi dos melhores dos The Verge, dúvido é que a organização nos volte a convidar, mas quem os mandou pedir um discurso sobre a República.
Bem o que interessa é que a Verga continua a crescer.
02/10/2010
os Bobos da corte
O concerto que vamos fazer hoje é integrado nas comemorações do centenário da implantação da República.
Não me parece que se tenha plantado grande coisa, mas, também, não se pode dizer que o solo seja muito fértil.
01/10/2010
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