No dia em que podia ter feito um brilharete, porque até li umas coisas do novo Nobel da Literatura, passei o tempo todo a trabalhar que nem um burro de carga. Depois chego a casa e dou de caras com uma histeria apenas compreensível porque há muito nos preparámos para o carácter neurótico dos amantes de poesia. Uma coisa vos digo cá do fundo do coração, só por causa da quantidade de palermices que já vi escritas, mesmo que de raspão, acerca da atribuição do Nobel, fico convencido de que A Casa dos Segredos teria muito mais sucesso se metesse por lá poetas e leitores de poesia em vez de putas e pasteleiros.
10/10/2011
casa dos segredos
Que A Casa dos Segredos (TVI) seja mais uma variação do horror humano do Big Brother, eis o que já sabíamos. Que haja políticos que fingem acreditar que é possível discutir o “serviço público”, ou apenas a nossa sanidade mental, sem enfrentar os efeitos (des)educacionais de tal horror, eis a triste conjuntura em que vivemos...
Daí que seja oportuno relançar a questão política que, neste caso, realmente conta: na televisão portuguesa, onde estão os anticorpos que proclamem alternativas? Quando vemos Estado de Graça (RTP1), compreendemos que nem tudo está perdido. Desde logo porque, ao regressar, o programa das Produções Fictícias escolheu A Casa dos Segredos como “inimigo principal”: já que, na sociedade portuguesa, quase ninguém tem uma palavra a dizer sobre a violência simbólica da institucionalização da reality TV, saúde-se a coragem moral de um genuíno programa de humor.
Podemos considerar que a fórmula adoptada (um sketch + uma charla a dois + uma canção) tem limitações difíceis de superar. Talvez. Mas o programa nasce de dois valores fundamentais: primeiro, o gosto pelas palavras e seus poderes de humor, ironia, contundência ou ambiguidade; depois, a valorização desse maravilhoso material humano que dá pelo nome de “actor” (ou “actriz”). Saudemos, por isso, os cinco mosqueteiros de Estado de Graça: Ana Bola, Eduardo Madeira, Manuel Marques, Joaquim Monchique e Maria Rueff são a prova muito real do talento dos nossos actores. Afogar a maior parte desses actores na rotina medíocre das telenovelas é matar, lentamente, as energias criativas que existem na sua classe profissional.
João Lopes aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/contra-casa-dos-segredos.html
Daí que seja oportuno relançar a questão política que, neste caso, realmente conta: na televisão portuguesa, onde estão os anticorpos que proclamem alternativas? Quando vemos Estado de Graça (RTP1), compreendemos que nem tudo está perdido. Desde logo porque, ao regressar, o programa das Produções Fictícias escolheu A Casa dos Segredos como “inimigo principal”: já que, na sociedade portuguesa, quase ninguém tem uma palavra a dizer sobre a violência simbólica da institucionalização da reality TV, saúde-se a coragem moral de um genuíno programa de humor.
Podemos considerar que a fórmula adoptada (um sketch + uma charla a dois + uma canção) tem limitações difíceis de superar. Talvez. Mas o programa nasce de dois valores fundamentais: primeiro, o gosto pelas palavras e seus poderes de humor, ironia, contundência ou ambiguidade; depois, a valorização desse maravilhoso material humano que dá pelo nome de “actor” (ou “actriz”). Saudemos, por isso, os cinco mosqueteiros de Estado de Graça: Ana Bola, Eduardo Madeira, Manuel Marques, Joaquim Monchique e Maria Rueff são a prova muito real do talento dos nossos actores. Afogar a maior parte desses actores na rotina medíocre das telenovelas é matar, lentamente, as energias criativas que existem na sua classe profissional.
João Lopes aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/contra-casa-dos-segredos.html
07/10/2011
03/10/2011
Gostavas que a morte fechasse os olhos
e dissesse a palavra amo-te
enquanto se entrega ao desejo,
ou escolhias um golpe aniquilador
que devorasse o tempo?
Diz.
Preferes o sossego seco do deserto
a paz solidificada no vazio,
ou a humildade da luta sem tréguas
que todas as acções abarcam?
Reconheces a inutilidade de tudo,
na mão que repousa, respira e sente,
na palavra que é dita ou que se escreve
e marcas as mãos na terra
como quem agarra a vida?
Diz.
Queres que o amor seja o espaço
largo de uma planície serena,
ou a força implacável
de um punho contra o ventre?
e dissesse a palavra amo-te
enquanto se entrega ao desejo,
ou escolhias um golpe aniquilador
que devorasse o tempo?
Diz.
Preferes o sossego seco do deserto
a paz solidificada no vazio,
ou a humildade da luta sem tréguas
que todas as acções abarcam?
Reconheces a inutilidade de tudo,
na mão que repousa, respira e sente,
na palavra que é dita ou que se escreve
e marcas as mãos na terra
como quem agarra a vida?
Diz.
Queres que o amor seja o espaço
largo de uma planície serena,
ou a força implacável
de um punho contra o ventre?
02/10/2011
holes in the story
Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came
Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home
Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came
It's all the same
It's all the same
Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home
It's all the same
It's all the same
Don't come try to find me now
I must confess
Holes in the plot rearrange themselves
with all the rest
Holes in the story
Holes in myself
nada
Aguentava-me como podia: num caco. Segue-se o marasmo à descoberta de que no âmago existe o nada.
AQUI: http://raposasasul.blogspot.com/2011/09/fors-sua-cuique-loco-est.html
AQUI: http://raposasasul.blogspot.com/2011/09/fors-sua-cuique-loco-est.html
do fazer
"Os conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audição é praticamente desprezível. Porque agir é estar próximo das coisas e ouvir é estar afastado das coisas. Alguém que apenas ouve nunca será considerado um intruso no mundo, a Natureza não se sentirá ameaçada. Quem ouve poderá acumular conhecimentos, mas essa acumulação não lutará com a Natureza. Esta resiste bem à inteligência, ao raciocíonio e à memória do Homem... ...e o que ameaça a natureza são as acções:...
... Qualquer cão mesquinho mijaria nas pernas de um homem altamente inteligente, mas imóvel."
Gonçalo M. Tavares "Um Homem Klaus Klump"
... Qualquer cão mesquinho mijaria nas pernas de um homem altamente inteligente, mas imóvel."
Gonçalo M. Tavares "Um Homem Klaus Klump"
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é um homem bastante simples, tem o cabelo grande e meio desgrenhado, barba por fazer, roupa meio desleixada, um andar desajeitado. Aparentemente distraído, é, na verdade, uma pessoa muito atenta a todos os pormenores e não nega à partida ciências que desconhece.
Mas uma coisa o coração de Zacarias sabe, é que o amor não se guarda vive-se.
Mas uma coisa o coração de Zacarias sabe, é que o amor não se guarda vive-se.
29/09/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola nunca percebeu bem aquela estória da porta que se fecha e abre uma janela, ou da janela que se fecha e abre uma porta, ou da porta que se fecha e abre outra porta, qualquer coisa assim, até por causa das correntes de ar.
Já a questão da Luz sempre surgiu simples ao coração de Zacarias, é só abrir a janela quando o sol nasce.
Já a questão da Luz sempre surgiu simples ao coração de Zacarias, é só abrir a janela quando o sol nasce.
28/09/2011
na ramada
É verdade que te reconheço a inutilidade, não semeias, não lavras, não dás fruto, não cultivas, no fundo não geras riqueza e a vida está cara, se está, mas foda-se, ver-te perdido no meio de tantos papéis inúteis, como tudo, foi triste.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sentir todos os grãos de vida nas partículas mais ínfimas,
do passado extrair as raízes que te fizeram,
do presente todas as sensações que provocam,
do futuro o sorriso que desejo.
Embrulhar o tempo num abraço e querer,
querer o corpo que é pele e o pensamento que é ser,
a palavra que é voz e o desejo que é carne,
o sangue que é ferida e os nervos que são dor,
a mão que é expressão e os olhos que são alma.
Desenhar o espaço num horizonte e sentir,
sentir o silêncio na paz que aconchegas e afagas,
o sossego no segredo que se faz profundo,
a música que imaginas no murmúrio dos corpos,
e os dedos que são verdade vincada na eternidade.
E voltar.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sonhar-te presente em mim.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sentir todos os grãos de vida nas partículas mais ínfimas,
do passado extrair as raízes que te fizeram,
do presente todas as sensações que provocam,
do futuro o sorriso que desejo.
Embrulhar o tempo num abraço e querer,
querer o corpo que é pele e o pensamento que é ser,
a palavra que é voz e o desejo que é carne,
o sangue que é ferida e os nervos que são dor,
a mão que é expressão e os olhos que são alma.
Desenhar o espaço num horizonte e sentir,
sentir o silêncio na paz que aconchegas e afagas,
o sossego no segredo que se faz profundo,
a música que imaginas no murmúrio dos corpos,
e os dedos que são verdade vincada na eternidade.
E voltar.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sonhar-te presente em mim.
desilusões
Passei o dia a arrumar tralha de uma vida, uma enorme volta ao quarto/biblioteca/videoteca/discoteca e sei lá que mais. A inutilidade do que guardamos é de uma pobreza confrangedora. Coisas que pensámos importantes, ou, pior ainda, que até foram importantes em determinada altura e agora resumem-se a pedaços de nada cheios de pó.
A questão é.
Será que com as pessoas é muito diferente?
A questão é.
Será que com as pessoas é muito diferente?
aprende
...À pergunta Para Que Serve a Poesia Hoje? Nós podemos, desde logo, juntar uma outra: para que servem hoje conferências e debates sobre a utilidade da poesia? E mais esta: servirá hoje a poesia para alguma coisa que não tenha já servido no passado? Estes problemas são tão mais urgentes quanto se torna necessário entender se, de facto, a poesia alguma vez serviu para alguma coisa ou se tem mesmo de servir para alguma coisa. Um pouco à semelhança da presunção de um sentido para a vida, buscado, cavado, semeado, colhido no absurdo da existência, também a utilidade de toda e qualquer actividade humana deverá ser pensada em função do paradoxo suscitado pela prática do impraticável. Na realidade, nada na vida pede sentido senão a própria perdição dos homens. Assim como a vida não tem que ter sentido algum, também a poesia não tem que servir para o que quer que seja...
...A poesia terá uma dimensão terapêutica que não esgota as suas funções, mas que de algum modo sublinha o carácter utilitário da sua não-utilidade. Duvido que cure ou dê prazer, pelo menos não tanto quanto um bom vinho ou a masturbação...
Sublinhados meus.
AQUI: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/para-que-serve-poesia-hoje.html
...A poesia terá uma dimensão terapêutica que não esgota as suas funções, mas que de algum modo sublinha o carácter utilitário da sua não-utilidade. Duvido que cure ou dê prazer, pelo menos não tanto quanto um bom vinho ou a masturbação...
Sublinhados meus.
AQUI: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/para-que-serve-poesia-hoje.html
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola inchou tanto de amor que até meteu nojo. De tanto inchar rebentou, deixando merda espalhada em todos os que estavam à sua volta.
Está pronto para voltar a ser.
Está pronto para voltar a ser.
25/09/2011
manifesto
não digam que a arte não alimenta
não digam que arte não abriga
não digam que a arte é inútil
nem para a enaltecer
nem para a desprezar
alimentem-se de arte,
da vossa e a da dos outros
façam da arte a vossa casa
e o vosso porto de abrigo
de onde partem e chegam
a verdade é que inútil é
a própria ideia
de utilidade
a arte é tão inútil
como o ser
luís ene
aqui: http://luis-ene.blogspot.com/
não digam que arte não abriga
não digam que a arte é inútil
nem para a enaltecer
nem para a desprezar
alimentem-se de arte,
da vossa e a da dos outros
façam da arte a vossa casa
e o vosso porto de abrigo
de onde partem e chegam
a verdade é que inútil é
a própria ideia
de utilidade
a arte é tão inútil
como o ser
luís ene
aqui: http://luis-ene.blogspot.com/
22/09/2011
fim
Hoje sinto tudo em cima de mim
e o mundo é esta reflexão que sou.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
I read bad poetry
into your machine
I save your messages
just to hear your voice.
you always listen carefully
to awkwards rhymes.
you always say your name.
like I woulden't know it's you,
at your most beautiful.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
at my most beautiful
I count your eyelashes secretly.
with every one, whisper I love you.
I let you sleep.
I know you're closed eye watching me,
listening.
I thought I saw a smile.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
e o mundo é esta reflexão que sou.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
I read bad poetry
into your machine
I save your messages
just to hear your voice.
you always listen carefully
to awkwards rhymes.
you always say your name.
like I woulden't know it's you,
at your most beautiful.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
at my most beautiful
I count your eyelashes secretly.
with every one, whisper I love you.
I let you sleep.
I know you're closed eye watching me,
listening.
I thought I saw a smile.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
maioria
O problema reside num autocentrismo assoberbado sem razão de ser. Muita gente está convencida de ter tido uma vida repleta de percalços e histórias incríveis, não lhe passando sequer pela cabeça que ao pé desses percalços e experiências incríveis a vida, vá lá, de uma criança soldado na Serra Leoa não é um mero facto desmistificador. Um homem que teve muitas mulheres pode morrer sem nunca ter tido verdadeiramente uma única mulher. Um homem que toda a vida teve a mesma mulher pode ter tido toda as mulheres do mundo. Só um tonto pode duvidar de que uma vida linear, sóbria, metódica e indiferente possa ser tão útil quanto uma vida inquieta, desassossegada, anárquica, extravagante, até porque a utilidade de ambas as “formas de vida” reside na razão intrínseca da existência dos seres humanos: virem um dia a servir de estrume. Daí que o interesse não esteja tanto na vida levada como parece estar na vida que se leva.
Texto completo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/maioria.html
Texto completo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/maioria.html
house of cards
"I don't wanna be your friend
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts
Care about your house of cards And I'll deal mine"
baralhas as cartas e voltas a dar
rompes as regras do jogo
tentas dominar a mesa.
sai-te sempre o ás de trunfo
uma mão que não dá hipótese
a contenda é sempre tua.
olhas para o lado vitorioso
e reparas que estás sozinho.
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts
Care about your house of cards And I'll deal mine"
baralhas as cartas e voltas a dar
rompes as regras do jogo
tentas dominar a mesa.
sai-te sempre o ás de trunfo
uma mão que não dá hipótese
a contenda é sempre tua.
olhas para o lado vitorioso
e reparas que estás sozinho.
21/09/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola não é homem muito dado a medos. O que o assusta mesmo é chegar ao fim da vida e não ter proporcionado à Maria tantos orgasmos quanto merecia, o resto são cagaços normais num coração a bater.
a derrota
A psicanálise está derrotada à partida quando sabemos que o maior medo de que podemos padecer é o único que não é infundado, o único cuja origem nunca conseguiremos evitar.
AQUI: http://retrato-auto.blogspot.com/2011/09/derrota.html
AQUI: http://retrato-auto.blogspot.com/2011/09/derrota.html
19/09/2011
a dança das feridas
Henry Miller a Anaís Nin
Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão,
adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?
Henrique Manuel Bento Fialho
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão,
adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?
Henrique Manuel Bento Fialho
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
bom dia
Para perderes a voz tens de ter uma voz Manuel Zacarias. Para te veres tens de te olhar ao espelho e reconheceres as marcas da pele. Para te abandonares tens de aprender a voar e partir, para seres sentas-te na pedra mais fria e recomeças, para sentires coças-te, para viveres respiras.
Para morreres Manuel Zacarias Segura Viola basta o coração parar.
Para morreres Manuel Zacarias Segura Viola basta o coração parar.
na volta voar
Please give me a second grace
Please give me a second face
I've fallen far down
The first time around
Now I just sit on the ground in your way
Now if it's time to recompense for what's done
Come, come sit down on the fence in the sun
And the clouds will roll by
And we'll never deny
It's really too hard for to fly.
Please tell me your second name
Please play me your second game
I've fallen so far
For the people you are
I just need your star for a day.
So come, come ride in my my street-car by the bay
For now I must know how fine you are in your way
And the sea sure as I
But she won't need to cry
For it's really too hard for to fly.
12/08/2011
Ter o mundo nos pés e tu nos braços,
calcar a terra como quem abraça o amor,
sentir os grãos que fazem o caminho,
da montanha a força,
da planície a serenidade,
de ti a beleza.
Deixar a confusão no título de uma canção qualquer,
a insegurança numa letra pensada no silêncio,
a dúvida num verso mal amanhado,
o medo numa palavra vazia.
Desenhar a velocidade no desejo,
de ti, de mim.
Ter a terra nas mãos e tu no coração,
sulcar o chão como quem sulca a vida,
sentir a ferida desmaiar-se com o tempo,
dos espinhos o sangue,
das pétalas a vontade,
de ti tudo.
calcar a terra como quem abraça o amor,
sentir os grãos que fazem o caminho,
da montanha a força,
da planície a serenidade,
de ti a beleza.
Deixar a confusão no título de uma canção qualquer,
a insegurança numa letra pensada no silêncio,
a dúvida num verso mal amanhado,
o medo numa palavra vazia.
Desenhar a velocidade no desejo,
de ti, de mim.
Ter a terra nas mãos e tu no coração,
sulcar o chão como quem sulca a vida,
sentir a ferida desmaiar-se com o tempo,
dos espinhos o sangue,
das pétalas a vontade,
de ti tudo.
11/08/2011
para ti
Lograsse a compreensão nas palavras,
nas palavras a possibilidade e o poema,
no poema a essência e o ritmo,
no ritmo o compasso certo para a dança.
Uma desilusão nunca vem só,
sucede-se, infinitudes da alma.
A tristeza não se esclarece nem define
em segredos imaginados na incompreensão.
A percepção do entendimento no silêncio,
cadafalso exposto aos elementos.
Uma palavra nunca vem vazia,
coalha, incertezas no conceito.
Lograsse o sentido na expressão,
na expressão a pele e a carne,
na carne o suor e o corpo,
no corpo o passo certo e dançava.
E desesperas por mim.
E desespero por ti meu amor.
bom dia
Acerca de hoje é que apesar do tempo, das solas gastas e de uma miopia cada vez mais agreste, Manuel Zacarias Segura Viola, ainda consegue fazer-se ao pó, trilhar caminho, abrir os olhos e sentir-se bem vivo. Esquecer tudo num arrepio da ponta dos pés enrugados até ao cabelo branco mais espigado.
Acerca de hoje é o coração do Zacarias a bater ao ritmo da canção.
Acerca de hoje é o coração do Zacarias a bater ao ritmo da canção.
Today you were far away
and I didn't ask you why
What could I say
I was far away
You just walked away
and I just watched you
What could I say
How close am I to losing you
Tonight you just close your eyes
and I just watch you
slip away
How close am I to losing you
Hey, are you awake
Yeah I'm right here
Well can I ask you about today
How close am I to losing you
How close am I to losing
02/08/2011
bom dia
Mais do que um homem espiritual, Manuel Zacarias Segura Viola tenta ser um homem com espírito, mais do que uma transcendência de qualquer espécie, Zacarias tem de transcender-se várias vezes ao dia, mais do que preocupar-se com bioenergias, multidimensões, autoconsciências, Zacarias procura o copo de água fresca que todos os dias o acorda garganta abaixo. Nestas andanças, se numa dimensão extrafísica a serenidade é algo que ambiciona, numa perspectiva intrafísica o coração de Zacarias é um tumulto de emoções.
Ainda bem para ele, foda-se.
When you're sad and when you're lonely
And you haven't got a friend
Just remember that death is not the end
And all that you held sacred
Falls down and does not mend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When you're standing on the crossroads
That you cannot comprehend
Just remember that death is not the end
And all your dreams have vanished
And you don't know what's up the bend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When the storm clouds gather round you
And heavy rains descend
Just remember that death is not the end
And there's no-one there to comfort you
With a helping hand to lend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
For the tree of life is growing
Where the spirit never dies
And the bright light of salvation
Up in dark and empty skies
When the cities are on fire
With the burning flesh of men
Just remember that death is not the end
When you search in vain to find
Some law-abiding citizen
Just remember that death is not the end
Ainda bem para ele, foda-se.
When you're sad and when you're lonely
And you haven't got a friend
Just remember that death is not the end
And all that you held sacred
Falls down and does not mend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When you're standing on the crossroads
That you cannot comprehend
Just remember that death is not the end
And all your dreams have vanished
And you don't know what's up the bend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When the storm clouds gather round you
And heavy rains descend
Just remember that death is not the end
And there's no-one there to comfort you
With a helping hand to lend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
For the tree of life is growing
Where the spirit never dies
And the bright light of salvation
Up in dark and empty skies
When the cities are on fire
With the burning flesh of men
Just remember that death is not the end
When you search in vain to find
Some law-abiding citizen
Just remember that death is not the end
28/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é um homem que, quando é preciso, também pensa na esperança. Contudo, e como o verde até nem é das cores que mais gosta, rapidamente se lembra que quem espera desespera e, sobretudo, é um inútil.
Assim, tal como o coração, Zacarias é todo vermelho a bater pela Maria.
Assim, tal como o coração, Zacarias é todo vermelho a bater pela Maria.
20/07/2011
bom dia
Desde que se sabe gente, Manuel Zacarias Segura Viola sempre conheceu e teve pessoas que admirou, gostou e amou.
Sempre que quiseram ou tiveram que partir, o coração de Zacarias abanou mas compreendeu e continuou a bater.
Sempre que quiseram ou tiveram que partir, o coração de Zacarias abanou mas compreendeu e continuou a bater.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola gosta de ver a neve a derreter-se na montanha, de gelado a derreter-se na boca, de gelo a derreter-se no corpo, de chocolate derretido, de manteiga derretida nas torradas e do queijo nas tostas, das cordas a derreterem-se nos dedos.
Contudo, o coração de Zacarias, víscera mole mas sólida, só se consegue derreter com a Maria.
Contudo, o coração de Zacarias, víscera mole mas sólida, só se consegue derreter com a Maria.
19/07/2011
aneurysm
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and do the twist, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and shoot the shit, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
She keeps it pumpin' straight to my heart [x8]
chamada
Queres dançar mas não sabes.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
bom dia
Apesar de não ser um homem novo e, aparentemente, também não ser burro de todo, existem coisas que Manuel Zacarias Segura Viola não entende bem.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
17/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola, numa distracção aparente,
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
09/07/2011
bom dia
Apesar de acreditar em milagres e, por vezes, ainda lhe sair um santinho da boca, Manuel Zacarias Segura Viola nunca acreditou em santos. Os demónios aparecem-lhe em forma de banda desenhada, como que uma voz-interior que é arrotada num balão de vez em quanto.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
07/07/2011
6 x 2
1 olhar e verem-se os olhos
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
01/07/2011
valsa do adeus
Uma valsa em rodovia,
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
só a vida
Não há nada de especial,
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
30/06/2011
última hora
Os portugueses devem poupar mais.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
29/06/2011
bom dia
Tem dias que a alma de Manuel Zacarias Segura Viola desaparece, o espírito esconde-se e o corpo pesa mais que o de todos os concorrentes de um concurso parvo da televisão.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
21/06/2011
o homem confiante
Sempre pensei que a confiança devia ser uma atitude.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola anda sem paciência para intervalos de qualquer espécie. Apaixonado que está não tem tempo a perder nem, tão pouco, consegue sentir o tempo a perder-se, mas tem perdido muito tempo a sentir todas as artérias do corpo dilatadas, cheias de sangue vivo a correr com o tempo.
E ainda sorri para a estatística.
E ainda sorri para a estatística.
17/06/2011
enluernar
Olhar o desmoronamento grande
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
16/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com a realidade às costas e o sonho incrustado na costela da frente mais à direita de quem entra. Os olhos bem abertos estão na medida do que o coração permite.
13/06/2011
bom dia
Tem dias que o músculo das válvulas cardíacas de Manuel Zacarias Segura Viola descompassam mais que as músicas que dedilha na viola, começando a baralhar a direcção e velocidade do fluxo sanguíneo do interior das cavidades do coração para o resto do corpo. Sabendo que pode acontecer a qualquer um, Zacarias Segura Viola nunca se sentiu muito confortável com as consequências da falta de oxigenação do cérebro.
11/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é português nascido em Portugal, nunca cantou o fado e nunca ergueu a bandeira em jogos da selecção, mas sempre gostou de ameijoas à bolhão pato à beira-mar plantado e, sobretudo, sempre soube que um coração é um coração onde quer que ele nasça.
10/06/2011
bom dia
Ser a animalidade que faz sede mantendo a razão de beber um copo de água, é como o coração de Manuel Zacarias Segura Viola vive a vida.
07/06/2011
humildade
Não é por ser eu, mas tenho um bacamarte brutal, uma coisa que algumas pessoas ainda não sentiram.
Foda-se leva-se com cada uma.
Foda-se leva-se com cada uma.
insónias
Nasci em portugal, sou português, vivo em portugal, provavelmente morrerei em portugal, mesmo assim só tu é que me provocas insónias.
Dylan Thomas
Houve um Tempo
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
bom dia
Não, Manuel Zacarias Segura Viola não é um novo hippie, apesar da viola a tiracolo, da descontracção e da simplicidade, tem dias que anda com o coração todo fodido.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola nunca andou com o coração tão descontraído, chegou àquela altura da vida em que sabe bem o que não quer e o que quer é de uma simplicidade bastante simples.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
03/06/2011
bom dia
Não pertences aqui Manuel Zacarias Segura Viola, és as esquinas de um lugar sem nome, o deserto finito do tempo, o mar da espuma das ondas, o vento melodia desalvorada, a terra brava onde gerarás e o nó num coração revolto.
Não és daqui Zacarias, não és de lugar algum.
Não és daqui Zacarias, não és de lugar algum.
29/05/2011
enfáticos
Dizemos de forma singela as coisas mais fortes, e isso desde que estejamos rodeados de pessoas que acreditem na nossa força: um círculo assim forma-nos na «simplicidade de estilo». Os desconfiados falam de maneira enfática, os desconfiados tornam os outros enfáticos.
[Nietzsche]
aqui http://a-leiseca.blogspot.com/
[Nietzsche]
aqui http://a-leiseca.blogspot.com/
25/05/2011
antónio passos
O António Passos voltou a dar notícias, sem dizer onde pára nem para onde vai nem, tão pouco, quando volta, deixou-me no email mais esta excrescência.
Dá-me um beijo e leva-me o desassossego,
um abraço, um olhar, qualquer coisa que possas,
uma história, um parágrafo, uma frase ou palavra,
uma intenção que seja, pelo menos.
Qualquer coisa que consigas, que tentes tão só,
que me destape, me descubra, me afronte, me encontre.
Estou-me a ir e nem o vento me leva.
Estou parado e nem a terra me quer.
E neste desassossego vou perdendo a vida, que não sei onde continua.
Já não sei se é vazio que sou ou eu que sou vazio,
se é a memória que perco ou pensamento que nunca tive,
se é o tédio que faz pena ou a pena que construiu o tédio,
se é a contradição que faço o desespero que sou,
se é o silêncio que não digo as palavras que não sei.
Depois, invejo a sobriedade com que desfazes,
a coragem com que perdes e desamparas,
a calma serena com que abandonas, largas e partes.
Já não sei se a miséria que sinto é a miséria que encontro ou a que deixo.
Ei-la em todo o seu notável esplendor, a puta!
Ilusão abstracta e emaranhada, como um sonho que não tenho,
emoção descontínua que faz, mas sobretudo desfaz
poço escuro por onde deslizo e estatelo sem contemplações,
predadora voraz de um fado já esboçado e desafinado.
Olhem bem, vejam como se ri, a déspota,
como se baba, ávida pelo sal do sangue quente,
como se alegra num festim de desengano, desilusão e perda.
Ei-la, a puta, que indomável acelera o tempo e domestica a ambição.
Deliro. Deliro com a febre que o desassossego me provoca,
e me tolhe a alma nula como um porto sem barcos,
de onde parto à deriva de impressões que vou deixando,
onde me fico na inércia mole da incerteza que cumpro,
e onde a vacuidade se dispersa abraçando toda a acção e sonho.
Sou eu que assim me faço, apenas eu,
de sensibilidade inconsequente,
de emoções fúteis,
de sensações absurdas,
de enigmas obscuros,
de racionalidade devastadora,
de vontade vazia,
de desejo estéril
de utopia vã,
de histórias insignificantes.
Sou eu, apenas eu, que tento o que não posso, que tenho o que não vislumbro.
Que horas são?
Qual será a hora a que sai o barco que não vejo e me leva o desassossego?
Dá-me um beijo e leva-me o desassossego,
um abraço, um olhar, qualquer coisa que possas,
uma história, um parágrafo, uma frase ou palavra,
uma intenção que seja, pelo menos.
Qualquer coisa que consigas, que tentes tão só,
que me destape, me descubra, me afronte, me encontre.
Estou-me a ir e nem o vento me leva.
Estou parado e nem a terra me quer.
E neste desassossego vou perdendo a vida, que não sei onde continua.
Já não sei se é vazio que sou ou eu que sou vazio,
se é a memória que perco ou pensamento que nunca tive,
se é o tédio que faz pena ou a pena que construiu o tédio,
se é a contradição que faço o desespero que sou,
se é o silêncio que não digo as palavras que não sei.
Depois, invejo a sobriedade com que desfazes,
a coragem com que perdes e desamparas,
a calma serena com que abandonas, largas e partes.
Já não sei se a miséria que sinto é a miséria que encontro ou a que deixo.
Ei-la em todo o seu notável esplendor, a puta!
Ilusão abstracta e emaranhada, como um sonho que não tenho,
emoção descontínua que faz, mas sobretudo desfaz
poço escuro por onde deslizo e estatelo sem contemplações,
predadora voraz de um fado já esboçado e desafinado.
Olhem bem, vejam como se ri, a déspota,
como se baba, ávida pelo sal do sangue quente,
como se alegra num festim de desengano, desilusão e perda.
Ei-la, a puta, que indomável acelera o tempo e domestica a ambição.
Deliro. Deliro com a febre que o desassossego me provoca,
e me tolhe a alma nula como um porto sem barcos,
de onde parto à deriva de impressões que vou deixando,
onde me fico na inércia mole da incerteza que cumpro,
e onde a vacuidade se dispersa abraçando toda a acção e sonho.
Sou eu que assim me faço, apenas eu,
de sensibilidade inconsequente,
de emoções fúteis,
de sensações absurdas,
de enigmas obscuros,
de racionalidade devastadora,
de vontade vazia,
de desejo estéril
de utopia vã,
de histórias insignificantes.
Sou eu, apenas eu, que tento o que não posso, que tenho o que não vislumbro.
Que horas são?
Qual será a hora a que sai o barco que não vejo e me leva o desassossego?
24/05/2011
bom dia
Para Manuel Zacarias Segura Viola tudo ficou mais simples desde que as ilusões findaram num dia incerto que não lembra, a partir daqui o sonho passou a ser determinado pelas direcções que o coração aponta. Tudo o resto lhe parece treta.
19/05/2011
idade II
- Já não percebo nada disto da idade. Sempre afirmativo, Manuel Zacarias Segura Viola solta este desabafo com o amigo José Tobias Taramouco, enquanto lhe salta um delicioso caracol para boca. Tobias distraí-se com um olho na imperial e outro numa natureza viva qualquer que não sabemos. Zacarias habituado às distracções do amigo volta à descarga deixando-se de eufemismos.
- Não percebo mesmo nada desta merda da idade.
Mais obrigado que tentado, Taramouco lá resolve tirar o olhar de nenhures que será algures para ele para se concentrar na frase do comparsa.
- Lá vens tu com isso, o que foi agora?
- O que foi não. O que é? Diz antes o que é?
Depois de dar um golo na imperial e perder-se com uma folha que o vento leva, Tobias, sempre sereno, olha o amigo e responde.
- Então 'tá bem, o que é?
- És sempre o mesmo, lês livros e mais livros, filosofias e mais sei lá o quê e um gajo anda aqui com um dilema existencial e tu perdes-te a olhar sabe-se lá para onde.
- Estou a olhar para ti homem, fala.
Segura Viola engasga-se na frontalidade do amigo e demora uns segundos a retomar o discurso.
- Épá sei lá... lembras-te da conversa sobre a idade que tivemos da última vez.
- Vagamente porquê?
- Acho que está tudo ao contrário.
- Ao contrário como? - espanta-se José Tobias
- Sei lá, parece que tenho 20 anos outra vez.
- Bem vi que estavas com uma enorme cara de parvo.
- Vê lá se te engasgas no teu sarcásmo.
- Engasgo-me é na tua parvoíce, diz Taramouco entusiasmado consigo próprio.
Manuel Zacarias Segura Viola nunca desarmando responde secamente,
- Goza à vontade, sei bem do que estou a falar.
Entretanto, come mais um caracol que se lhe enrola na alma, olha Taramouco ainda satisfeito consigo próprio e diz-lhe:
Sabes, podes voltar a olhar para o vento, depois diz-me o que ele te disse.
- Não percebo mesmo nada desta merda da idade.
Mais obrigado que tentado, Taramouco lá resolve tirar o olhar de nenhures que será algures para ele para se concentrar na frase do comparsa.
- Lá vens tu com isso, o que foi agora?
- O que foi não. O que é? Diz antes o que é?
Depois de dar um golo na imperial e perder-se com uma folha que o vento leva, Tobias, sempre sereno, olha o amigo e responde.
- Então 'tá bem, o que é?
- És sempre o mesmo, lês livros e mais livros, filosofias e mais sei lá o quê e um gajo anda aqui com um dilema existencial e tu perdes-te a olhar sabe-se lá para onde.
- Estou a olhar para ti homem, fala.
Segura Viola engasga-se na frontalidade do amigo e demora uns segundos a retomar o discurso.
- Épá sei lá... lembras-te da conversa sobre a idade que tivemos da última vez.
- Vagamente porquê?
- Acho que está tudo ao contrário.
- Ao contrário como? - espanta-se José Tobias
- Sei lá, parece que tenho 20 anos outra vez.
- Bem vi que estavas com uma enorme cara de parvo.
- Vê lá se te engasgas no teu sarcásmo.
- Engasgo-me é na tua parvoíce, diz Taramouco entusiasmado consigo próprio.
Manuel Zacarias Segura Viola nunca desarmando responde secamente,
- Goza à vontade, sei bem do que estou a falar.
Entretanto, come mais um caracol que se lhe enrola na alma, olha Taramouco ainda satisfeito consigo próprio e diz-lhe:
Sabes, podes voltar a olhar para o vento, depois diz-me o que ele te disse.
16/05/2011
beautiful
Não vale a pena, não vale mesmo a pena e o pior é que nunca valeu nem valerá a pena.
Aqui, debaixo deste sol, outra vez, o mesmo sol de antes e o mesmo de amanhã, até ao dia em que uma explosão levará e lavará tudo, pó cósmico e nada mais que pó, entretanto vamos lavando os dentes num espelho onde já não nos reconhecemos, porque as cáries aleijam e a boca quer-se fresca para dizer asneiras e, já agora, para dar beijos fugazes no destino. Saborearmos o hálito do tempo que nos entra pela boca, ora como um tornado, ora como uma brisa fresca, penetrando-nos até aos lugares mais recondidos de um interior bem profundo, tão profundo que quando o queremos agarrar já o perdemos sabe-se lá encostado a que cavidade estranha do corpo. Depois pensamos, o que é uma verdadeira chatice, mas pensamos, e perde-se tempo, muito tempo à procura do tempo que perdemos e às voltas com o que não encontramos, nesta demanda a pele engelha-se, as articulações desarticulam-se, a memória desentende-se e as entranhas comem-se num banquete delicioso de iguarias fora de prazo. Às vezes salva-se o coração, esse revolucionário apaixonado e sonhador que nos salta no peito e teima em pontapear o destino traçado, e no dia que desista, que pare por não caber mais de tão cheio que a vida o deixou.
E voltamos ao início, sim voltamos ao início, porque não vale mesmo a pena, até porque as penas são muito leves e voam.
Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed
I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today
To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?
'Cause you are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
'Cause you are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...
No matter what we do no matter what we say
We're the song inside the tune full of beautiful mistakes
And everywhere we go the sun will always shine
But tomorrow we might awake on the other side
We are beautiful in every single way
Words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today
Don't you bring me down today...
Aqui, debaixo deste sol, outra vez, o mesmo sol de antes e o mesmo de amanhã, até ao dia em que uma explosão levará e lavará tudo, pó cósmico e nada mais que pó, entretanto vamos lavando os dentes num espelho onde já não nos reconhecemos, porque as cáries aleijam e a boca quer-se fresca para dizer asneiras e, já agora, para dar beijos fugazes no destino. Saborearmos o hálito do tempo que nos entra pela boca, ora como um tornado, ora como uma brisa fresca, penetrando-nos até aos lugares mais recondidos de um interior bem profundo, tão profundo que quando o queremos agarrar já o perdemos sabe-se lá encostado a que cavidade estranha do corpo. Depois pensamos, o que é uma verdadeira chatice, mas pensamos, e perde-se tempo, muito tempo à procura do tempo que perdemos e às voltas com o que não encontramos, nesta demanda a pele engelha-se, as articulações desarticulam-se, a memória desentende-se e as entranhas comem-se num banquete delicioso de iguarias fora de prazo. Às vezes salva-se o coração, esse revolucionário apaixonado e sonhador que nos salta no peito e teima em pontapear o destino traçado, e no dia que desista, que pare por não caber mais de tão cheio que a vida o deixou.
E voltamos ao início, sim voltamos ao início, porque não vale mesmo a pena, até porque as penas são muito leves e voam.
Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed
I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today
To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?
'Cause you are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
'Cause you are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...
No matter what we do no matter what we say
We're the song inside the tune full of beautiful mistakes
And everywhere we go the sun will always shine
But tomorrow we might awake on the other side
We are beautiful in every single way
Words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today
Don't you bring me down today...
12/05/2011
bom dia
Manuel Zacarias anda com o coração mais dilatado, é dos calores, quanto maior fica mais claro lhe parece tudo, o passado pouco lhe interessa, menos ainda alguns assuntos que teimam em surgir, o presente saboreia-o o melhor que consegue e pode, mas, sente sempre, que todas as cavidades apontam para um futuro que não sabe qual é.
06/05/2011
o bailarico continua
Não gostaria de parecer enganador, que esta cena da parvoíce não é um exclusivo lusitano mas sim humano, este animal que chamamos Homem. No outro dia vi na TV um grande aglomerado desta espécie, todos contentes a pular, gritar, rir, chorar, esse tipo de coisas que chamamos emoções, pelas bandeiras era para o lado dos USA. Tendo em conta o local, pensei que fosse um qualquer espectáculo daqueles espectaculares mesmo que só eles sabem fazer, usando linguagem corrente, assim tipo a Madona numa casa fechada com a Jay Lo em cenas lesbianas, ou o Elvis o Presley vindo do além de mão dada com o Michael Jackson a dizer-lhe não faças isso menino feio, ou, ainda, o Bush com o dedo no cu a apanhar macacos do nariz (a geografia nunca foi o forte deste animal), mas não, afinal estavam só a comemorar a morte de um sr. barbudo que é (era) mau. Parece que o tal barbudo era mesmo mau como as cobras como se usa dizer, porque na realidade as cobras não têm culpa da sua natureza, parece que a maldade deste barbas advém do facto de ter criado uma instituição que matou cerca de cinco mil e tal pessoas, o que, de facto, é uma tristeza.
Por causa desta tristeza o outro sr., o dos macacos no nariz, iniciou umas guerras que mataram muitos mais animais da espécie do que os tais cinco mil, claro que neste caso eram todos maus, aliás maus como as cobras mesmo, os que não eram maus eram apenas danos colaterais, assim como assim para quem procura macacos com o dedo no cu que diferença faz.
Assim, proponho também um bailarico, com aquela volta que já sabemos, nesta grandiosa nação, pode ser no grand canyon ou nas cataratas do niagara, a banda sonora pode ser o Bad daquele menino amigo de todos os meninos.
Por causa desta tristeza o outro sr., o dos macacos no nariz, iniciou umas guerras que mataram muitos mais animais da espécie do que os tais cinco mil, claro que neste caso eram todos maus, aliás maus como as cobras mesmo, os que não eram maus eram apenas danos colaterais, assim como assim para quem procura macacos com o dedo no cu que diferença faz.
Assim, proponho também um bailarico, com aquela volta que já sabemos, nesta grandiosa nação, pode ser no grand canyon ou nas cataratas do niagara, a banda sonora pode ser o Bad daquele menino amigo de todos os meninos.
05/05/2011
vai um bailarico
Aqui estamos, debaixo deste sol que vai e vem, plantados na beira deste mar que nos salga a boca até o coração saltar do peito e explodir pelos olhos, deixando os bocados espalhados por tudo quanto é lugar.
Nesta azáfama parva dos parvos, mesmo tentando evitar, lá existem parvoíces que nos caiem em cima e nos deixam com o mesmo mal-estar de quando um passaroco se larga no nosso melhor fato ou, pior ainda, na cabeça, embora aqui merda por merda é só ver qual pior cheira, nada que um bom shampoo não resolva, o pior mesmo são os condicionadores. Aliás, aqui de mim para mim e quem mais quiser apanhar, não me admiraria nada é que o nosso problema seja usar condicionador a mais, pensando ou merdando que assim nos desembaraçamos melhor e cuidamos melhor das pontas soltas, quando na verdade só condicionamos ainda mais uma forma de estar já de si mais que condicionada, isto porque atrofiada é uma palavra que não me apetece usar.
No meio de tantas troikas e baildrokas quem fica trocido sou eu, e quem mais quiser que nestas coisas não sou egoista, mas como o baile segue a dança continua, e dançarinos é o que não falta por aí. O pior são mesmo aqueles que dançam sempre para o mesmo lado e depois viram e começam a dançar para o lado contrário e assim sucessivamente, num vai e vem constante determinado ou, melhor, condicionado ao sabor das tais troikas e baildrokas que os comandam, nesta dança ainda se realçam os pisadores, ou seja, aqueles que apesar de saberem o baile de cor estão sempre a pisar os pés do parceiro.
Por mim, proponho um original baile ao ar livre no Cabo Espichel, com o grandioso título de Baile Final, a originalidade poderia ser que uma das voltas se daria para o lado do mar por exemplo.
Ainda bem que tenho dois pés esquerdos e uso sabão azul e branco.
Nesta azáfama parva dos parvos, mesmo tentando evitar, lá existem parvoíces que nos caiem em cima e nos deixam com o mesmo mal-estar de quando um passaroco se larga no nosso melhor fato ou, pior ainda, na cabeça, embora aqui merda por merda é só ver qual pior cheira, nada que um bom shampoo não resolva, o pior mesmo são os condicionadores. Aliás, aqui de mim para mim e quem mais quiser apanhar, não me admiraria nada é que o nosso problema seja usar condicionador a mais, pensando ou merdando que assim nos desembaraçamos melhor e cuidamos melhor das pontas soltas, quando na verdade só condicionamos ainda mais uma forma de estar já de si mais que condicionada, isto porque atrofiada é uma palavra que não me apetece usar.
No meio de tantas troikas e baildrokas quem fica trocido sou eu, e quem mais quiser que nestas coisas não sou egoista, mas como o baile segue a dança continua, e dançarinos é o que não falta por aí. O pior são mesmo aqueles que dançam sempre para o mesmo lado e depois viram e começam a dançar para o lado contrário e assim sucessivamente, num vai e vem constante determinado ou, melhor, condicionado ao sabor das tais troikas e baildrokas que os comandam, nesta dança ainda se realçam os pisadores, ou seja, aqueles que apesar de saberem o baile de cor estão sempre a pisar os pés do parceiro.
Por mim, proponho um original baile ao ar livre no Cabo Espichel, com o grandioso título de Baile Final, a originalidade poderia ser que uma das voltas se daria para o lado do mar por exemplo.
Ainda bem que tenho dois pés esquerdos e uso sabão azul e branco.
28/04/2011
aconteceu sim
Neste texto http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/04/25-de-abril.html, relativamente ao 25 de Abril, o hmbf diz que andamos a comemorar uma revolução que ainda não aconteceu. Discordo muito desta frase do Henrique. A revolução aconteceu, nos meus 5 anos lembro-me perfeitamente do sentimento de liberdade sentido, de um país que parecia estar a sair de um ventre putrefacto, onde de repente, apesar da tenra idade, me vejo a ajudar o meu pai a colar cartazes, ir a reuniões políticas, vendo nos olhos das pessoas uma vontade e alegria impossíveis de descrever, vender o Avante, que era maior do que eu, livremente na rua em bancas onde também se vendiam bustos do Lenine, Marx entre outras coisas, organização de eventos desportivos, recreativos, culturais sem outro intuito que o prazer de oferecer algo à população.
Isto durou um ano e cerca de outro de resquícios do anterior, mas aconteceu, só depois veio tudo o resto que está no texto do Henrique.
Isto durou um ano e cerca de outro de resquícios do anterior, mas aconteceu, só depois veio tudo o resto que está no texto do Henrique.
chamber music
XXVIII
Amável senhora, não cante
Canções tristes sobre o fim do amor;
Afaste a tristeza e cante
O quanto basta o amor que passa.
Cante o longo e profundo sono
Dos falecidos amantes, e como
Na sepultura todo o amor repousará:
Por ora o amor está cansado.
James Joyce, in Poems and Shorter Writings, Faber and Faber, 2001, p. 40.
Versão de HMBF.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
Amável senhora, não cante
Canções tristes sobre o fim do amor;
Afaste a tristeza e cante
O quanto basta o amor que passa.
Cante o longo e profundo sono
Dos falecidos amantes, e como
Na sepultura todo o amor repousará:
Por ora o amor está cansado.
James Joyce, in Poems and Shorter Writings, Faber and Faber, 2001, p. 40.
Versão de HMBF.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
bom dia
O coração de Manuel Zacarias sente que algures perdera o fio à meada, o que, tendo em conta uma variedade de situações, até acha normal. O que preocupa Segura Viola, é mesmo não ter a noção do que é a meada.
01/04/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com o coração inchado, entre a paixão constante e angústias momentâneas o coração não para de crescer. Até aqui tudo bem, o problema mesmo são os gases que o inchaço provoca.
31/03/2011
António Passos
O António Passos é um tipo estranho. Encontro-o nos lugares mais improváveis desde há sete anos a esta parte e, sempre que nos encontramos, além de me contar histórias ainda me oferece textos rabiscados em teclados inimagináveis. Sendo uma pessoa escusa e um pouco evasiva, lá me vai pedindo para deixar aqui alguns dos textos que me dá, sempre anonimamente.
Uma das coisas que me disse sempre, era que não lhe interessava para nada os sentimentos ou a profundeza dos sentimentos nas palavras, no que escrevia o que lhe interessava mesmo eram as palavras, as frases, porque o sentimento pode ser datado, a beleza das palavras não. Ainda me dizia que o sentimento é uma coisa mais pragmática, como um pai a ajeitar o cabelo a um filho ou um namorado a sorrir apaixonado com a chegada da namorada, contra tudo isto as palavras não passavam mesmo de palavras, só palavras que o tempo trazia e que o tempo levaria, os gestos eram eternos, ficavam cravados até ao fim desta vida e, quem sabe, retornavam numa próxima se a ela tivéssemos direito.
Para um céptico como eu, tanto a postura misteriosa como este tipo de diálogo deixavam-me inquieto, apesar de uma enorme vontade nunca aprofundei conhecimento com o António, não sei nada da vida particular do homem, mas cálculo que não tenha página no facebook. Aqui há uns dias, disse-me que ia de vez, agradeceu-me e despediu-se assim:
- Aqui vou eu, António Passos de Solidão.
Deixou-me um último texto:
Apetece-me partir de mim sem volta que não a ida.
E se no caminho todos os passos se apagarem,
e se na chegada todos os pensamentos se perderem,
será que aquele que de mim parte nunca terá existido?
Nunca pensei muito no fim físico,
menos ainda no depois,
mas sinto,
continuamente,
um desejo de não existência que a morte nunca conseguirá apagar.
E este desejo implica com esta minha vida escusa e enfadonha,
não com a morte que,
pelo menos,
tem a virtude do enigma.
A morte é pó só pó e nada mais que pó.
Talvez seja por tudo isto que gosto tanto do vento,
imaginar-me pó liberto à sorte sem destino,
chegando a todo o lado,
conhecendo todos os cantos,
todos os recantos,
todos os encantos que não encontro ou consigo agora.
Será o tédio que sinto apenas a espera deste mistério?
Tudo me cansa,
os pensamentos que não encontro mas,
também,
os que faço.
E todas as sensações.
O sol que nasce claro ofuscando,
as nuvens densas que escondem as impressões que sinto e as que aspiro,
o mar que se revolta ou o céu tranquilo marinando.
Entretanto,
olho por cima de mim para mim,
dou meias voltas com voltas e meia e giro,
rodopiando em espirais de considerações,
elevando-me até ao patamar em que a invenção
não é mais que uma fábula entediante dos sonhos que perco.
E,
do alto da minha confusa congeminação,
desço tonto de tanto rodopio e esqueço tudo,
o que fui,
o que sou,
o que nunca virei a ser,
e faço um interstício de mim mesmo.
Paro toda a acção que não sou e os pensamentos que imagino.
Assim,
deslembro-me da vida,
menos do cansaço.
Uma das coisas que me disse sempre, era que não lhe interessava para nada os sentimentos ou a profundeza dos sentimentos nas palavras, no que escrevia o que lhe interessava mesmo eram as palavras, as frases, porque o sentimento pode ser datado, a beleza das palavras não. Ainda me dizia que o sentimento é uma coisa mais pragmática, como um pai a ajeitar o cabelo a um filho ou um namorado a sorrir apaixonado com a chegada da namorada, contra tudo isto as palavras não passavam mesmo de palavras, só palavras que o tempo trazia e que o tempo levaria, os gestos eram eternos, ficavam cravados até ao fim desta vida e, quem sabe, retornavam numa próxima se a ela tivéssemos direito.
Para um céptico como eu, tanto a postura misteriosa como este tipo de diálogo deixavam-me inquieto, apesar de uma enorme vontade nunca aprofundei conhecimento com o António, não sei nada da vida particular do homem, mas cálculo que não tenha página no facebook. Aqui há uns dias, disse-me que ia de vez, agradeceu-me e despediu-se assim:
- Aqui vou eu, António Passos de Solidão.
Deixou-me um último texto:
Apetece-me partir de mim sem volta que não a ida.
E se no caminho todos os passos se apagarem,
e se na chegada todos os pensamentos se perderem,
será que aquele que de mim parte nunca terá existido?
Nunca pensei muito no fim físico,
menos ainda no depois,
mas sinto,
continuamente,
um desejo de não existência que a morte nunca conseguirá apagar.
E este desejo implica com esta minha vida escusa e enfadonha,
não com a morte que,
pelo menos,
tem a virtude do enigma.
A morte é pó só pó e nada mais que pó.
Talvez seja por tudo isto que gosto tanto do vento,
imaginar-me pó liberto à sorte sem destino,
chegando a todo o lado,
conhecendo todos os cantos,
todos os recantos,
todos os encantos que não encontro ou consigo agora.
Será o tédio que sinto apenas a espera deste mistério?
Tudo me cansa,
os pensamentos que não encontro mas,
também,
os que faço.
E todas as sensações.
O sol que nasce claro ofuscando,
as nuvens densas que escondem as impressões que sinto e as que aspiro,
o mar que se revolta ou o céu tranquilo marinando.
Entretanto,
olho por cima de mim para mim,
dou meias voltas com voltas e meia e giro,
rodopiando em espirais de considerações,
elevando-me até ao patamar em que a invenção
não é mais que uma fábula entediante dos sonhos que perco.
E,
do alto da minha confusa congeminação,
desço tonto de tanto rodopio e esqueço tudo,
o que fui,
o que sou,
o que nunca virei a ser,
e faço um interstício de mim mesmo.
Paro toda a acção que não sou e os pensamentos que imagino.
Assim,
deslembro-me da vida,
menos do cansaço.
22/03/2011
para L.
Começou a Primavera e tudo parece mais claro e intenso,
olho os meus plátanos de braços abertos, ainda despidos,
tento um contraste com o gelo cristalino de Takk
e sinto-o derreter, desfazendo-se em gotas de água límpida.
Nesta noite morna alcanço tudo e a ti também.
olho os meus plátanos de braços abertos, ainda despidos,
tento um contraste com o gelo cristalino de Takk
e sinto-o derreter, desfazendo-se em gotas de água límpida.
Nesta noite morna alcanço tudo e a ti também.
15/03/2011
tremores
Salvaguardando o drama humano, nunca ouvi nem li tanta baboseira por causa de algo que é uma realidade com a qual teremos de viver enquanto estivermos cá. Cada vez que o planeta tosse são os mercados e os milhões e os prejuízos e mais não sei quê, se um dia vier com o catarro do fumador está tudo fundido.
As centrais nucleares sim, são um assunto que está nas nossas mãos. Quer dizer assim mais ou menos um bocadinho.
As centrais nucleares sim, são um assunto que está nas nossas mãos. Quer dizer assim mais ou menos um bocadinho.
convicção
Também pode ser uma manifestaxão, uma canção de protestu, uma indignaxão, uma revoluxãozita, embora lá vender qualquer coisita a ver se deixamos de ser percaros.
12/03/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola tem um coração do tamanho do mundo. Sendo um coração virado para o futuro, não deixa de guardar muitas memórias, desde as coisas mais importantes a pequenas trivialidades que, por qualquer motivo, se lembra de vez em quanto.
Numa simplicidade que não é mais do que uma ingenuidade bem resolvida, por vezes o coração surpreende e, de tão grande que fica, deixa-o engasgado e sem ar.
Numa simplicidade que não é mais do que uma ingenuidade bem resolvida, por vezes o coração surpreende e, de tão grande que fica, deixa-o engasgado e sem ar.
07/03/2011
xistrices
Arrancou o campeonato e, desde já, podemos dar os parabéns ao novo campeão. Tirando raras excepções, não acredito em campeões só pela excelência do futebol. Tal como o ano passado os penaltys assinalados a favor do Benfica deram um empurram para a excelente época, o penalty a favor do Porto e os que não foram marcados a favor do Benfica, nesta primeira jornada, definiram o rumo deste campeonato. É preciso lembrar que esta já não é a Liga Sagres, mas sim a Liga Zon Sagres, e todos sabemos a quem pertence a Zon. Agora vou para o monte mais uma semana, ver se o Ti'Joaquim tem uma explicação para isto.
Como se pode ver pelo post em cima de 16 de Agosto, desde a primeira jornada que, para mim, este campeonato está decidido. Sem novidade portanto. De qualquer forma, porque ninguém esperava que o Benfica tivesse a força, a qualidade e a garra que vem demonstrando e não vá o Diabo ou os Diabos Vermelhos tecê-las e para que não restassem dúvidas resolveu despachar-se a questão (aliás com um artista já mais que conhecido e reconhecido).
Além disso é preciso não esquecer que a equipa do FCP precisa de começar a descansar para a Liga Europa.
Resta a pena de não ver uma liga que podia ser sensacional, com um super Porto e um super Benfica a disputá-la até ao fim.
Parabéns.
Como se pode ver pelo post em cima de 16 de Agosto, desde a primeira jornada que, para mim, este campeonato está decidido. Sem novidade portanto. De qualquer forma, porque ninguém esperava que o Benfica tivesse a força, a qualidade e a garra que vem demonstrando e não vá o Diabo ou os Diabos Vermelhos tecê-las e para que não restassem dúvidas resolveu despachar-se a questão (aliás com um artista já mais que conhecido e reconhecido).
Além disso é preciso não esquecer que a equipa do FCP precisa de começar a descansar para a Liga Europa.
Resta a pena de não ver uma liga que podia ser sensacional, com um super Porto e um super Benfica a disputá-la até ao fim.
Parabéns.
05/03/2011
o homem espiritual
Sempre pensei que toda a existência devia ser espiritual.
Como uma extensão extra-large de um estado de consciência,
como uma árvore que estica as raízes e, parada,
medita durante anos que se fazem séculos.
A futilidade um escarro da matéria,
a substância a água fresca na garganta,
a essência num pathos profundo
de uma transcendência verdadeiramente transcendental.
Mas não é.
Nesta noção sou uma interpretação de mim mesmo e,
como perdido num labirinto, começo a suar em bica.
De repente começo a sentir umas vibrações estranhas,
entre diversos pensamentos desarrumados,
levita uma sensação real de perda de líquidos.
Tento chegar à torneira mas não consigo,
cada vez levito mais e quanto mais levito mais suo,
quanto mais suo mais sede tenho.
Perplexo, vejo-me mais e mais longe,
entro numa de holista e tento compreender tudo,
a real dimensão em que me encontro.
Aspiro um todo e começo um processo de desmaterialização,
omnisciente,
vejo tudo, conheço tudo, sei tudo e sinto tudo.
Principalmente a sede que não me deixa partir.
Como uma extensão extra-large de um estado de consciência,
como uma árvore que estica as raízes e, parada,
medita durante anos que se fazem séculos.
A futilidade um escarro da matéria,
a substância a água fresca na garganta,
a essência num pathos profundo
de uma transcendência verdadeiramente transcendental.
Mas não é.
Nesta noção sou uma interpretação de mim mesmo e,
como perdido num labirinto, começo a suar em bica.
De repente começo a sentir umas vibrações estranhas,
entre diversos pensamentos desarrumados,
levita uma sensação real de perda de líquidos.
Tento chegar à torneira mas não consigo,
cada vez levito mais e quanto mais levito mais suo,
quanto mais suo mais sede tenho.
Perplexo, vejo-me mais e mais longe,
entro numa de holista e tento compreender tudo,
a real dimensão em que me encontro.
Aspiro um todo e começo um processo de desmaterialização,
omnisciente,
vejo tudo, conheço tudo, sei tudo e sinto tudo.
Principalmente a sede que não me deixa partir.
04/03/2011
o homem leve
Sempre pensei que o mundo devia ser leve.
Como uma bola de sabão soprada sem rumo ao sabor do vento,
onde se poderiam transportar os sonhos e outras coisas simples,
como a transparência de todos os desejos.
A gravidade amarrada nos confins da existência,
o peso a enxada que revolve a terra,
e a seriedade uma ilusão que rebenta
na naturalidade dos pés sobre chão que seremos.
Mas não é.
Neste sentido ganho asas e começo a voar sem tino,
e, como um desenho mal animado, desafio os céus.
Meto a primeira e arranco prego a fundo, mundo,
meto a segunda e dou um esticão, corpo,
meto a terceira e ganho velocidade, espírito.
Nesta viagem o silêncio faz-se de cores,
verde natureza do musgo contra o solo,
azul mar contra a rocha cinza esburacada
e amarelo torrado nas dunas do deserto.
Nisto, enquanto o meu olhar repousa sobre tudo,
surge uma sombra que me acompanha,
estico até à quarta e tento fugir,
forço a quinta e fico fora de mim.
Na sexta fugi de tudo antes de me estatelar sobre o Cristo Rei.
Como uma bola de sabão soprada sem rumo ao sabor do vento,
onde se poderiam transportar os sonhos e outras coisas simples,
como a transparência de todos os desejos.
A gravidade amarrada nos confins da existência,
o peso a enxada que revolve a terra,
e a seriedade uma ilusão que rebenta
na naturalidade dos pés sobre chão que seremos.
Mas não é.
Neste sentido ganho asas e começo a voar sem tino,
e, como um desenho mal animado, desafio os céus.
Meto a primeira e arranco prego a fundo, mundo,
meto a segunda e dou um esticão, corpo,
meto a terceira e ganho velocidade, espírito.
Nesta viagem o silêncio faz-se de cores,
verde natureza do musgo contra o solo,
azul mar contra a rocha cinza esburacada
e amarelo torrado nas dunas do deserto.
Nisto, enquanto o meu olhar repousa sobre tudo,
surge uma sombra que me acompanha,
estico até à quarta e tento fugir,
forço a quinta e fico fora de mim.
Na sexta fugi de tudo antes de me estatelar sobre o Cristo Rei.
02/03/2011
rosas em mar de espinhos
Quero-te como se não existisse amanhã,
quero-te como se ontem fosse um pedaço de chão que cultivei,
quero-te como se hoje fosse o tempo que não controlo,
quero-te como se agora fosse o momento em que me perco.
Assim,
só admito estar ao pé de ti,
sempre e só junto a ti,
se te puder beijar os lábios,
acariciar o palato com a língua,
conhecer todas as palavras na troca da saliva que fazemos,
transformar o teu corpo num abraço de querer
e respirar
o cheiro que sente a fome,
feito na pele da pele que cheira,
e,
também,
o sexo claro,
porque teu,
e,
finalmente,
saciar-me na recompensa da tua capacidade de acolhimento.
Depois,
piscares-me um olho cúmplice,
sorrires e receberes o meu amor,
todo.
Porque esta é existência que quero,
porque tu és a existência que desejo,
porque a vida não é um mar de rosas,
ainda bem porque os espinhos aleijam.
serei
Serei uma planície vasta e serena
uma montanha que rasga o céu
uma frase longa ou pequena
uma metáfora que o desejo deu
Serei como as pedras por onde passo
ou como o vento que corre
serei um espírito devasso
um corpo inerte que não morre
Serei uma árvore robusta em flor
um fruto pronto a ser colhido
uma mente atormentada de dor
num sonho que foi esquecido
Serei um muro que não deixa ver
ou janelas transparentes
serei uma alma sem querer
lágrimas que caiem indiferentes
Serei uma raiz que brota da terra
uma semente que tarda em nascer
uma vida que só encerra
esta mágoa que teima em viver
Serei como uma rocha intransponível
ou como o mar violento
serei um som seco, inaudível
canções trazidas pelo vento
Serei uma palavra desalinhada
ou uma simples frase batida
serei algo parecido com nada
o primeiro dia do resto da vida
Serei um gesto desordenado
uma expressão grave e triste
serei um futuro continuado
uma pessoa que desiste
Serei um texto mal acabado
ou o princípio de uma linha
serei um livro estragado
uma folha que definha
Serei como um grito estridente
ou como um sussurro inquietante
serei uma estrela cadente
um simples vagabundo errante
Serei um romance sem história
um clássico sempre eterno
serei o altar e a glória
uma descida ao inferno
Serei como a carne a gretar
ou como a pela macia
serei o mundo por amar
uma alma escura e sombria
Serei um vulcão explodindo
um deserto imenso, vazio
serei um deus terno rindo
um pensamento duro e frio
Serei como a raiva de um poema
ou como a fúria de um touro
serei só um sentido de pena
de não saber o que é ouro?
uma montanha que rasga o céu
uma frase longa ou pequena
uma metáfora que o desejo deu
Serei como as pedras por onde passo
ou como o vento que corre
serei um espírito devasso
um corpo inerte que não morre
Serei uma árvore robusta em flor
um fruto pronto a ser colhido
uma mente atormentada de dor
num sonho que foi esquecido
Serei um muro que não deixa ver
ou janelas transparentes
serei uma alma sem querer
lágrimas que caiem indiferentes
Serei uma raiz que brota da terra
uma semente que tarda em nascer
uma vida que só encerra
esta mágoa que teima em viver
Serei como uma rocha intransponível
ou como o mar violento
serei um som seco, inaudível
canções trazidas pelo vento
Serei uma palavra desalinhada
ou uma simples frase batida
serei algo parecido com nada
o primeiro dia do resto da vida
Serei um gesto desordenado
uma expressão grave e triste
serei um futuro continuado
uma pessoa que desiste
Serei um texto mal acabado
ou o princípio de uma linha
serei um livro estragado
uma folha que definha
Serei como um grito estridente
ou como um sussurro inquietante
serei uma estrela cadente
um simples vagabundo errante
Serei um romance sem história
um clássico sempre eterno
serei o altar e a glória
uma descida ao inferno
Serei como a carne a gretar
ou como a pela macia
serei o mundo por amar
uma alma escura e sombria
Serei um vulcão explodindo
um deserto imenso, vazio
serei um deus terno rindo
um pensamento duro e frio
Serei como a raiva de um poema
ou como a fúria de um touro
serei só um sentido de pena
de não saber o que é ouro?
15/02/2011
o homem pragmático
Sempre pensei que toda a acção devia ser pragmática.
Como uma linha que serve apenas para transportar comboios,
que nos levam daqui para ali e dali para aqui,
sempre com um objectivo bem definido.
As teorias comprimidas no ferro dos carris,
o certo e o errado ultrapassado na velocidade da viagem,
o pluralismo só mais um ismo que devoramos na passagem
e a utilidade a verdade como um facto real.
Mas não é.
Nesta jornada carrego mil pesos e uma chama que me deixam prostrado,
e, como uma ficção sem sentido, sinto o corpo a arder.
Procuro o meio mais eficaz de baixar este sobreaquecimento,
o intelecto e a energia ao serviço da condição humana,
a eficiência a ciência que salta sobre um fatalismo estéril.
Recorro à lógica e deito-me numa banheira de água fria,
a temperatura começa a baixar imediatamente,
nesta voragem pragmática os pés ficam dormentes,
depois as pernas, o tronco, os braços, as mãos.
Lentamente, começo a esquecer o corpo,
pedaço de carne que transporto,
daqui para ali dali para aqui,
mas nunca para todo o lado.
Nesta inércia gelada perco a noção de tudo menos da febre que me consome.
Como uma linha que serve apenas para transportar comboios,
que nos levam daqui para ali e dali para aqui,
sempre com um objectivo bem definido.
As teorias comprimidas no ferro dos carris,
o certo e o errado ultrapassado na velocidade da viagem,
o pluralismo só mais um ismo que devoramos na passagem
e a utilidade a verdade como um facto real.
Mas não é.
Nesta jornada carrego mil pesos e uma chama que me deixam prostrado,
e, como uma ficção sem sentido, sinto o corpo a arder.
Procuro o meio mais eficaz de baixar este sobreaquecimento,
o intelecto e a energia ao serviço da condição humana,
a eficiência a ciência que salta sobre um fatalismo estéril.
Recorro à lógica e deito-me numa banheira de água fria,
a temperatura começa a baixar imediatamente,
nesta voragem pragmática os pés ficam dormentes,
depois as pernas, o tronco, os braços, as mãos.
Lentamente, começo a esquecer o corpo,
pedaço de carne que transporto,
daqui para ali dali para aqui,
mas nunca para todo o lado.
Nesta inércia gelada perco a noção de tudo menos da febre que me consome.
11/02/2011
a necessidade
Prometeu
Nem virá sobre mim nenhum sofrimento imprevisto. Preciso é suportar o mais facilmente possível o que foi marcado pelo destino, pois bem sei que a força da Necessidade é inexpugnável.
O destino, que tudo acaba, ainda não determinou pôr termo a isto, mas, depois de vergar ao peso de mil sofrimentos e calamidades, eu fugirei a estas cadeias. O engenho é, de longe, mais fraco do que a Necessidade.
Corifeu
Quem governa a Necessidade?
Prometeu Agrilhoado – Ésquilo
o homem lírico
Gostava que a palavra fosse sempre um poema.
Como um verso cruzado, emparelhado, interpolado, encadeado, esfolado,
numa rima solta e a lua como pano de fundo,
mais ou menos assim:
procura o refúgio na tempestade
nos ventos que são tornados
na lua a eternidade
e as palavras que são achados.
Mas não é.
Neste caminho troco os passos no ritmo que desafina,
e, como uma nota deslocada, tusso a meio do pensamento.
As emoções exprimem-se como um catarro descontrolado,
o eu mais interior que se abre ao universo físico,
espiritual também, com a alma e o karma dentro e tudo.
A existência em todo o seu esplendor glorificado
e a insignificância o sentimento que a tosse acorda,
e cospe assim:
oh tempo que desatina
num frio que faz tremer
neste catarro que ensina
que às vezes a dor faz doer.
Neste divagar perco o meu eu interior,
os meus pensamentos mais íntimos.
Resta-me a esperança que a constipação passe.
08/02/2011
um dia
Vladimir
O que é que vão fazer quando caírem onde não estiver ninguém para vos ajudar?
Pozzo
Esperamos até nos conseguirmos levantar. E depois continuamos. A andar!
Vladimir
Antes de se ir embora, diga-lhe para ele cantar!
Pozzo
Quem?
Vladimir
O Lucky.
Pozzo
Cantar?
Vladimir
Sim. Ou para pensar. Ou para recitar.
Pozzo
Mas ele é mudo!
Vladimir
Mudo!
Pozzo
Mudo. Nem sequer é capaz de gemer.
Vladimir
Mudo! Desde quando?
Pozzo
Ainda não acabou de me atormentar com o raio do seu tempo?! É abominável! Quando! Quando! Um dia, não lhe chega, um dia como qualquer outro dia, um dia ele ficou mudo, um dia eu fiquei cego, um dia vamos ficar surdos, um dia nascemos, um dia vamos morrer, o mesmo dia, o mesmo segundo, não lhe chega? Dão à luz montados num túmulo, o dia brilha por um instante, e depois fica outra vez noite. A andar!
À espera de Godot – Samuel Beckett, Cotovia, 2001
02/02/2011
31/01/2011
campeões
30/01/2011
a música
No Fórum Romeu Correia em Almada, num grande concerto com grandes músicas, para mim esta foi a música.
28/01/2011
coisas que me deixam contente
As 6 biscas que o Miguel mandou para dentro da baliza do Sporting. No Almada, em 12 anos de andebol, raramente ganhei ao Sporting, o puto em 3 anos já leva 5 vitórias e nenhuma derrota sobre os lagartos, não sendo a mesma coisa não deixa de ser fixe.
Esta época ainda não perderam, tal como o Belenenses, amanhã jogo decisivo em Belém, os pastéis não são nada fáceis de digerir.
Esta época ainda não perderam, tal como o Belenenses, amanhã jogo decisivo em Belém, os pastéis não são nada fáceis de digerir.
A dança das feridas
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