19/10/2011

second coming

Sem a genialidade e a pujança do primeiro o segundo ainda deu para manter a coisa bastante erecta.
Oiçam lá isto.


ou isto



ou ainda isto

ressurreição

Parece que os Stone Roses vão voltar aos palcos e talvez aos discos.
Se for para fazerem mais um álbum como o primeiro e ressuscitar mais músicas como esta o que vem aí é do melhor.
Oiçam e digam lá se isto não dá tusa?

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola não acredita em bruxas mas acredita em bruxarias e gosta de pensar que, por vezes, também é bom estar enfeitiçado, mas o que fascina mesmo o coração de Zacarias é a possibilidade de agarrar numa vassoura, voar e avassourar ao lado da Maria.

17/10/2011

realismo

De que falamos, então, quando falamos de realismo? Exactamente do contrário do pueril naturalismo televisivo. O efeito de real nasce, não de qualquer “transcrição” neutra, mas de um elaborado trabalho narrativo que começa no visível (da vibração dos corpos à especificidade dramática dos objectos mais secundários) e passa por todas as nuances dramáticas (as relações entre personagens recusam qualquer espartilho moralista típico de telenovela).

Texto completo aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/realismo-realismos.html

espectro

Brazilina Correia de Paiva fotografada por Mafalda Paiva - bisneta

no surprises



Such a pretty house and such a pretty garden


No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises please (let me out of here)

Brazilina

Brazilina Correia de Paiva é uma mulher de 95 anos nascida na Tulha Velha, aldeia numa montanha perto de Cabril, Castro d'Aire, Viseu mas longe de tudo,  onde há 30 anos quando lá cheguei pela primeira vez ainda se mijava e cagava para um buraco onde os porcos davam conta do recado, sem luz nem água e onde as mulheres não sabiam o que eram cuecas, ou sabiam mas achavam uma inutilidade, o que, bem vistas as coisas, é uma evidência que nesta urbanidade tosca nos recusamos a aceitar, a não ser por um erotismo tão estafado quanto básico.
Essas viagens que se tornaram regulares na segunda quinzena de Agosto, tinham o objectivo do reconhecimento das raízes familiares e, principalmente, proporcionar que a Brazilina revê-se a família. Pela estrada nacional n.º 1 até ao Porto e por uma espécie de estradas que nem lembro do Porto até à Tulha Velha chegávamos a levar 8 ou mais horas de caminho, isto numa carrinha mini com dois velhos e duas crianças no banco de trás. Estas viagens eram uma alegria, o reconhecimento que o mundo era muito mais que uma cidade onde tudo aparecia feito uma alegria ainda maior. Para a Brazilina foi um gosto dentro do que era possível a uma pessoa como ela ter gosto em alguma coisa. Mulher desinteressada e até apática não sabia ler nem escrever, chamou uma vida inteira Manel ao marido que se chamava José Leal Carriça, mas tinha um dom que dava e sobrava para a casualidade de estar vivo, embalava os bebés da família numa voz tão maravilhosa quanto a simplicidade com que se respira. Lembro-me de sair da escola primária e descer os 500 metros que me levavam aquela casa, encontrar o José Leal Carriça que era Manel a fumar cigarros atrás de cigarros, guardar tralha nas traseiras e a resmungar sozinho, só para a ouvir embalar os meus primos. Passava horas em pé com os bebés ao colo a cantar e eu no sofá deleitado a beber café, sim café da cafeteira e a comer pão com manteiga depois da sopa de feijão com hortaliças do quintal. Naquela casa bebia-se café como se fosse água e sempre foi uma questão democrática e consensual, calhava a todos, crianças, jovens e velhos, se nos fez mal não parece, no caso da Brazilina era mesmo o conduto principal do dia, de manhã, à tarde, à noite e até de madrugada. Mal não lhe fez como não faz ainda hoje, com 95 anos, por vezes, ainda é o café que a desperta de uma Alzheimer cada vez mais profunda, tão profunda que nem a tem lembrado que viver assim não vale a pena.
Há vários anos que já não reconhece ninguém, tirando os beijinhos que ainda sabe dar, das últimas coisas que a doença lhe levou foi a vontade de cantar e sem vontade de cantar de que vale viver, principalmente quando a voz se revelava tão importante como o ar.

14/10/2011

It's not going to stop



It's not.. what you thought...
When you first... began it.
You got... what you want...
Now you can hardly stand it, though,
By now you know, it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.
You're sure... there's a cure...
And you have finally found it.
You think... one drink...
Will shrink you to... your underground
And living down, but it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

Prepare a list for what you need,
Before you sign away the deed,
'Cause it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

No, it's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
So just give up.

12/10/2011

11/10/2011

13

Foda-se e não é que é o 13.º.
Raios, cruzes canhoto, patas de coelho, ferraduras.
Foda-se.

XIII

Suspenso,
inútil Outono a queimar o Verão ultrapassado.
As nuvens chegarão,
chegam sempre,
a chuva arrastará tudo,
lavará corpo e alma.
A massa fria trará o vento forte,
uma tempestade levará o desejo e a ilusão.
Tu permanecerás, estática mas permanecerás.
As folhas despenhar-se-ão como sempre,
ficarás despida outra vez.
Serás as raízes profundas, o tronco e os ramos nus,
a geada abater-se-á sobre ti.
Suspenso,
inútil será querer-te.

Lograr-te para quê se não te alcanço?

10/10/2011

Chase The Tear

a casa dos poetas

No dia em que podia ter feito um brilharete, porque até li umas coisas do novo Nobel da Literatura, passei o tempo todo a trabalhar que nem um burro de carga. Depois chego a casa e dou de caras com uma histeria apenas compreensível porque há muito nos preparámos para o carácter neurótico dos amantes de poesia. Uma coisa vos digo cá do fundo do coração, só por causa da quantidade de palermices que já vi escritas, mesmo que de raspão, acerca da atribuição do Nobel, fico convencido de que A Casa dos Segredos teria muito mais sucesso se metesse por lá poetas e leitores de poesia em vez de putas e pasteleiros.
 

casa dos segredos

Que A Casa dos Segredos (TVI) seja mais uma variação do horror humano do Big Brother, eis o que já sabíamos. Que haja políticos que fingem acreditar que é possível discutir o “serviço público”, ou apenas a nossa sanidade mental, sem enfrentar os efeitos (des)educacionais de tal horror, eis a triste conjuntura em que vivemos...


Daí que seja oportuno relançar a questão política que, neste caso, realmente conta: na televisão portuguesa, onde estão os anticorpos que proclamem alternativas? Quando vemos Estado de Graça (RTP1), compreendemos que nem tudo está perdido. Desde logo porque, ao regressar, o programa das Produções Fictícias escolheu A Casa dos Segredos como “inimigo principal”: já que, na sociedade portuguesa, quase ninguém tem uma palavra a dizer sobre a violência simbólica da institucionalização da reality TV, saúde-se a coragem moral de um genuíno programa de humor.

Podemos considerar que a fórmula adoptada (um sketch + uma charla a dois + uma canção) tem limitações difíceis de superar. Talvez. Mas o programa nasce de dois valores fundamentais: primeiro, o gosto pelas palavras e seus poderes de humor, ironia, contundência ou ambiguidade; depois, a valorização desse maravilhoso material humano que dá pelo nome de “actor” (ou “actriz”). Saudemos, por isso, os cinco mosqueteiros de Estado de Graça: Ana Bola, Eduardo Madeira, Manuel Marques, Joaquim Monchique e Maria Rueff são a prova muito real do talento dos nossos actores. Afogar a maior parte desses actores na rotina medíocre das telenovelas é matar, lentamente, as energias criativas que existem na sua classe profissional.

 João Lopes aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/contra-casa-dos-segredos.html

03/10/2011

You Lost Sight On Me

Gostavas que a morte fechasse os olhos
e dissesse a palavra amo-te
enquanto se entrega ao desejo,
ou escolhias um golpe aniquilador
que devorasse o tempo?

Diz.
Preferes o sossego seco do deserto
a paz solidificada no vazio,
ou a humildade da luta sem tréguas
que todas as acções abarcam?

Reconheces a inutilidade de tudo,
na mão que repousa, respira e sente,
na palavra que é dita ou que se escreve
e marcas as mãos na terra
como quem agarra a vida?

Diz.
Queres que o amor seja o espaço
largo de uma planície serena,
ou a força implacável
de um punho contra o ventre?

02/10/2011

holes in the story



Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came

Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home

Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came
It's all the same
It's all the same

Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home

It's all the same
It's all the same

Don't come try to find me now
I must confess
Holes in the plot rearrange themselves
with all the rest

Holes in the story
Holes in myself

nada

Aguentava-me como podia: num caco. Segue-se o marasmo à descoberta de que no âmago existe o nada.

AQUI: http://raposasasul.blogspot.com/2011/09/fors-sua-cuique-loco-est.html