Manuel Zacarias Segura Viola já acreditou no Pai Natal e ainda acredita em Duendes, Fadas, Gnomos, Silfos, Elfos, no Speedy Gonzalez, no Calimero mais a Abelha Maia claro, no sapo Cocas, na miss Piggy e no Monstro das Bolachas. Em quem o coração de Zacarias tem mesmo dificuldade em acreditar é no cabrão do Pai Natal.
The question is what is mahna mahna?
The question is who cares?
28/11/2011
but it goes on
Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm
Last night I felt
Real arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm
So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?
The story is old - I know
But it goes on
The story is old - I know
But it goes on
the first time ever I saw your face
The first time ever I saw your face
I thought the sun rose in your eyes
And the moon and the stars were the gifts you gave
To the night and the empty skies my love
And the first time ever I kissed your mouth
I felt the earth move trough my hands
Like the trembling heart of a captive bird
That was there at my command my love
And the first time ever I lay with you
I felt your heart so close to mine
and I know our joy would fill the earth
And last 'till the end of time my love
The first time ever I saw your face
26/11/2011
on fire
Jurei nunca mais meter os pés no Rock no Rio, mas como quem mais jura mais mente, serei perdoado. Nunca andou por aqui nem sei bem porquê mas isto é do melhor.
e mais isto
e mais isto
24/11/2011
frágil
Hoje parei em galáxias longínquas no frio húmido desta estação, e voaram palavras por baixo das estrelas que trouxeram constelações mais um universo infinito de ânsias.
Já houve um tempo em que as palavras traziam sossego amanhado na saliva que pensava conhecer, mas os tempos não estão fáceis e a saliva começa a ficar gasta na acidez de desejos e sonhos que se desfazem em percepções inúteis e, quem sabe, falaciosas.
E regresso à terra, esta que os pés teimam em pisar, a força da gravidade é mais forte que a ilusão distante de outras dimensões, físicas, extrafísicas, é indiferente, a terra que pisamos será a terra que seremos.
Entretanto, enquanto a cabeça se mantém entre as orelhas, pouco mais há para querer do que o amor de quem amamos, olhar o espelho, ver a loucura de tudo e ter a certeza que, mesmo assim, ainda nos vemos e, já agora, fazer uma careta aos fracassos e insistir.
Depois, podemos sempre questionar a existência, esse abismo sem resolução, podemos sempre procurar um sentido para tudo, alguns podem até conhecer deus e fazer da esperança e da fé um nirvana, outros tentar perceber a força das emoções ou a natureza dos conflitos, é igual, no fim resta aquilo que sentimos, o que fizemos será apagado pela voragem do tempo.
Neste teatro tragicómico, resta-me resistir e procurar-te no canto mais isolado do palco, dar-te a mão, trazer-te à boca de cena e dizer que te amo.
Já houve um tempo em que as palavras traziam sossego amanhado na saliva que pensava conhecer, mas os tempos não estão fáceis e a saliva começa a ficar gasta na acidez de desejos e sonhos que se desfazem em percepções inúteis e, quem sabe, falaciosas.
E regresso à terra, esta que os pés teimam em pisar, a força da gravidade é mais forte que a ilusão distante de outras dimensões, físicas, extrafísicas, é indiferente, a terra que pisamos será a terra que seremos.
Entretanto, enquanto a cabeça se mantém entre as orelhas, pouco mais há para querer do que o amor de quem amamos, olhar o espelho, ver a loucura de tudo e ter a certeza que, mesmo assim, ainda nos vemos e, já agora, fazer uma careta aos fracassos e insistir.
Depois, podemos sempre questionar a existência, esse abismo sem resolução, podemos sempre procurar um sentido para tudo, alguns podem até conhecer deus e fazer da esperança e da fé um nirvana, outros tentar perceber a força das emoções ou a natureza dos conflitos, é igual, no fim resta aquilo que sentimos, o que fizemos será apagado pela voragem do tempo.
Neste teatro tragicómico, resta-me resistir e procurar-te no canto mais isolado do palco, dar-te a mão, trazer-te à boca de cena e dizer que te amo.
house is on fire
Hey little bird, fly away home
Your house is on fire, children are alone
Hey little bird, fly away home
Your house is on fire, your children are alone
22/11/2011
tenderness
A minha filha anda a ouvir isto.
O meu puto com 13 anos tem isto no mp3
The sun is up the world is flat
Damn good address for a rat
The smell of blood
The Drone of flies
You know what to do if
The baby cries
Hoist that rag
Fuck it tenho uns putos lindos, agora vou ver se chove.
O meu puto com 13 anos tem isto no mp3
The sun is up the world is flat
Damn good address for a rat
The smell of blood
The Drone of flies
You know what to do if
The baby cries
Hoist that rag
Fuck it tenho uns putos lindos, agora vou ver se chove.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola sabe o que quer dizer relação, sabe o que é o Tribunal da Relação, acordãos da relação, uma relação de bens, e, sobretudo, esforça-se por saber relacionar as coisas, o que o coração de Zacarias não consegue relacionar é o que é ter uma relação ou ter relações com pessoas.
21/11/2011
down for you is up
If I could make the world as pure and strange as what I see
I'd put you in the mirror I put in front of me
I put in front of me
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola sente, muitas vezes, uma tristeza em forma de dor no peito mesmo junto ao coração que revolve as entranhas.
Quando tal acontece Zacarias tem de se bufar e, assim, peido a peido vaza o corpo e mente.
Quando tal acontece Zacarias tem de se bufar e, assim, peido a peido vaza o corpo e mente.
31/10/2011
Love Will Tear Us Apart
When routine bites hard
and ambitions are low
And resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads
the Tree of Life
E se quisesses preencher o vazio e só encontrasses mais vazio, e se quisesses um sentido para tudo e só visses loucura, e se quisesses compreender o mistério da existência e este se reduza a nada, e se quisesses falar com deus que meio usarias, e se quisesses tocar guitarra e te falhassem os dedos, e se quisesses valorizar o sofrimento qual seria a utilidade, e se quisesses ter esperança ou até fé o que farias com estes conceitos, e se quisesses perceber a força das emoções e a natureza dos conflitos será que a vida era mais facilmente explicável, e se quisesses voltar onde pertences e não soubesses.
E se quisesses, simplesmente, amar.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/10/tree-of-life.html
E se quisesses, simplesmente, amar.
Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/10/tree-of-life.html
we all go back to where we belong
I dreamed what what you were offering
Imagine lying next to me
You should, and your reputation talks
I will write our story in my mind
Write about our dreams and triumphs
This might be my "Innocence Lost"
I can taste the ocean on your skin
That is where it all began
I dreamed that we were elephants
Out of sight, clouds of dust
And woke up thinking we were free
Oh oh oh
I can taste the ocean on your skin
That is where it all began
We all go back to where we belong
We all go back to where we belong
This really what you want
This really what you want
I can taste the ocean on your skin
That is where it all began
We all go back to where we belong
We all go back to where we belong
This really what you want
This really what you want
maioria maiorias enrendilhadas
"Um passeio pelas redes sociais, esse intrépido passatempo moderno, e logo me deparo pensando em como as pessoas andam modestas. Em todos os lugares das redes elas se confessam a todo instante, politicamente desinteressadas, inteligentemente deficientes, indignas ou incapazes de realizarem qualquer coisa. Ninguém crê ou tem convicção de nada, a não ser de sua própria imperfeição. Elas se vêem sempre como mutiladas. Frases como: “o primeiro desejo da inteligência é desconfiar dela mesma” ou “é preciso coragem para ser imperfeito”, seguido, do clichê socrático, “só sei que nada sei” e “preferia ser um burro para não sofrer tanto”, entulham os perfis ou se somam às mensagens diárias que as pessoas enviam umas às outras. Ninguém quer parecer auto-suficiente. Nos dias atuais isso soa indigno. Vai daí que as coisas andem tão pantanosas como estão. Ninguém tem a mínima convicção de nada. Andam todos em círculos esperando a voz de um líder que os indique o caminho. Com tantas trilhas abertas eu me pergunto o que estão todos ainda esperando para se enfurnarem em uma delas. Sigam as picadas ou desbravem rotas alternativas. Parem de ler manuais de auto-ajuda."
AQUI: http://implantesdeciclone.blogspot.com/
Relembrando um texto de 2009
Cada vez mais, tal como no tempo dos meus avós, volto a ouvir falar de mau olhado, superstições, bruxas, mezinhas. Conheço pessoas, quase todas relativamente bem e instruídas, que não param de me falar de auto-ajuda, feng shuis, meditismos e uma panóplia de situações que me deixam em estado de contracção para não ser indelicado e a abanar a cabeça ao jeito de pois, pois, tentando disfarçar o ar parvo com que fico. Porra pá, eu também gosto muito de Yoga, mas só porque aquilo estica-me o corpo todo depois do ginásio, quando começam a chamar não sei por quem desligo. Por outro lado, de forma mais séria, existem pessoas a organizar-se em movimentos cheios de boas intenções, mas completamente obscurantistas. Vou a uma entrevista de trabalho e a Sra. que me entrevista (que tem trabalho e não tão mau quanto isso) começa a desabafar comigo, à velocidade da luz, durante duas horas. Tenho uma reunião com vista a definir uma linha de trabalho para atingir determinados objectivos e está tudo completamente noutro planeta ou lugar espiritual sei lá. Com isto tudo, começa a parecer-me que o maluco sou eu, como os desgraçados deste estudo De Rerum Natura: Conformidade ou conformismo?, que apesar de saberem que a resposta estava mal seguem com a maioria. Apesar desta campanha, os medos são muitos e sinto um retrocesso civilizacional enorme, mas se calhar sou eu que estou a ficar choné.
AQUI: http://n--coisas.blogspot.com/search?q=auto+ajuda
AQUI: http://implantesdeciclone.blogspot.com/
Relembrando um texto de 2009
Cada vez mais, tal como no tempo dos meus avós, volto a ouvir falar de mau olhado, superstições, bruxas, mezinhas. Conheço pessoas, quase todas relativamente bem e instruídas, que não param de me falar de auto-ajuda, feng shuis, meditismos e uma panóplia de situações que me deixam em estado de contracção para não ser indelicado e a abanar a cabeça ao jeito de pois, pois, tentando disfarçar o ar parvo com que fico. Porra pá, eu também gosto muito de Yoga, mas só porque aquilo estica-me o corpo todo depois do ginásio, quando começam a chamar não sei por quem desligo. Por outro lado, de forma mais séria, existem pessoas a organizar-se em movimentos cheios de boas intenções, mas completamente obscurantistas. Vou a uma entrevista de trabalho e a Sra. que me entrevista (que tem trabalho e não tão mau quanto isso) começa a desabafar comigo, à velocidade da luz, durante duas horas. Tenho uma reunião com vista a definir uma linha de trabalho para atingir determinados objectivos e está tudo completamente noutro planeta ou lugar espiritual sei lá. Com isto tudo, começa a parecer-me que o maluco sou eu, como os desgraçados deste estudo De Rerum Natura: Conformidade ou conformismo?, que apesar de saberem que a resposta estava mal seguem com a maioria. Apesar desta campanha, os medos são muitos e sinto um retrocesso civilizacional enorme, mas se calhar sou eu que estou a ficar choné.
AQUI: http://n--coisas.blogspot.com/search?q=auto+ajuda
26/10/2011
correr, correr, correr
Ao fim de cerca de 15 anos voltei a jogar andebol, sem o peso da competição e com a anarquia própria de quem já só joga para se divertir. O primeiro treino foi cansativo mas compensador, em primeiro lugar parece que o corpo ainda se mexe bem mas, sobretudo, enquanto dura a contenda só penso no jogo, dá para esquecer tudo, absolutamente tudo, só existe o jogo, o que é um luxo que não tinha há muito anos.
Por isso larguem todos os psis e terapeutas e comecem a jogar a qualquer coisa, nem que seja ao chinquilho.
Por isso larguem todos os psis e terapeutas e comecem a jogar a qualquer coisa, nem que seja ao chinquilho.
25/10/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola não substitui, muda, à procura do hálito que lhe aqueça o coração.
24/10/2011
arejar
Yes, I understand that every life must end, uh-huh
As we sit alone, I know someday we must go, uh-huh
Oh I'm a lucky man, to count on both hands the ones I love
Some folks just have one, yeah, others, they've got none
Stay with me, Let's just breathe...
Practiced all my sins, never gonna let me win, uh-huh
Under everything, just another human being, uh-huh
I don't wanna hurt
there's so much in this world to make me bleed
Stay with me, You're all I see...
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean...
I wonder everyday, as I look upon your face, uh-huh
Everything you gave
And nothing you would save, oh no
Nothing you would take
Everything you gave...
Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
And I come clean, ah...
Nothing you would take
Everything you gave
Hold me til I die
Meet you on the other side...
fluir
Even flow, thoughts arrive like butterflies
Oh, he don't know, so he chases them away
Someday yet, he'll begin his life again
Whispering hands, gently lead him away
Him away, him away...
Yeah!
Woo...ah yeah...fuck it up...
20/10/2011
19/10/2011
second coming
Sem a genialidade e a pujança do primeiro o segundo ainda deu para manter a coisa bastante erecta.
Oiçam lá isto.
ou isto
ou ainda isto
Oiçam lá isto.
ou isto
ou ainda isto
ressurreição
Parece que os Stone Roses vão voltar aos palcos e talvez aos discos.
Se for para fazerem mais um álbum como o primeiro e ressuscitar mais músicas como esta o que vem aí é do melhor.
Oiçam e digam lá se isto não dá tusa?
Se for para fazerem mais um álbum como o primeiro e ressuscitar mais músicas como esta o que vem aí é do melhor.
Oiçam e digam lá se isto não dá tusa?
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola não acredita em bruxas mas acredita em bruxarias e gosta de pensar que, por vezes, também é bom estar enfeitiçado, mas o que fascina mesmo o coração de Zacarias é a possibilidade de agarrar numa vassoura, voar e avassourar ao lado da Maria.
17/10/2011
realismo
De que falamos, então, quando falamos de realismo? Exactamente do contrário do pueril naturalismo televisivo. O efeito de real nasce, não de qualquer “transcrição” neutra, mas de um elaborado trabalho narrativo que começa no visível (da vibração dos corpos à especificidade dramática dos objectos mais secundários) e passa por todas as nuances dramáticas (as relações entre personagens recusam qualquer espartilho moralista típico de telenovela).
Texto completo aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/realismo-realismos.html
Texto completo aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/realismo-realismos.html
no surprises
Such a pretty house and such a pretty garden
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises please (let me out of here)
Brazilina
Brazilina Correia de Paiva é uma mulher de 95 anos nascida na Tulha Velha, aldeia numa montanha perto de Cabril, Castro d'Aire, Viseu mas longe de tudo, onde há 30 anos quando lá cheguei pela primeira vez ainda se mijava e cagava para um buraco onde os porcos davam conta do recado, sem luz nem água e onde as mulheres não sabiam o que eram cuecas, ou sabiam mas achavam uma inutilidade, o que, bem vistas as coisas, é uma evidência que nesta urbanidade tosca nos recusamos a aceitar, a não ser por um erotismo tão estafado quanto básico.
Essas viagens que se tornaram regulares na segunda quinzena de Agosto, tinham o objectivo do reconhecimento das raízes familiares e, principalmente, proporcionar que a Brazilina revê-se a família. Pela estrada nacional n.º 1 até ao Porto e por uma espécie de estradas que nem lembro do Porto até à Tulha Velha chegávamos a levar 8 ou mais horas de caminho, isto numa carrinha mini com dois velhos e duas crianças no banco de trás. Estas viagens eram uma alegria, o reconhecimento que o mundo era muito mais que uma cidade onde tudo aparecia feito uma alegria ainda maior. Para a Brazilina foi um gosto dentro do que era possível a uma pessoa como ela ter gosto em alguma coisa. Mulher desinteressada e até apática não sabia ler nem escrever, chamou uma vida inteira Manel ao marido que se chamava José Leal Carriça, mas tinha um dom que dava e sobrava para a casualidade de estar vivo, embalava os bebés da família numa voz tão maravilhosa quanto a simplicidade com que se respira. Lembro-me de sair da escola primária e descer os 500 metros que me levavam aquela casa, encontrar o José Leal Carriça que era Manel a fumar cigarros atrás de cigarros, guardar tralha nas traseiras e a resmungar sozinho, só para a ouvir embalar os meus primos. Passava horas em pé com os bebés ao colo a cantar e eu no sofá deleitado a beber café, sim café da cafeteira e a comer pão com manteiga depois da sopa de feijão com hortaliças do quintal. Naquela casa bebia-se café como se fosse água e sempre foi uma questão democrática e consensual, calhava a todos, crianças, jovens e velhos, se nos fez mal não parece, no caso da Brazilina era mesmo o conduto principal do dia, de manhã, à tarde, à noite e até de madrugada. Mal não lhe fez como não faz ainda hoje, com 95 anos, por vezes, ainda é o café que a desperta de uma Alzheimer cada vez mais profunda, tão profunda que nem a tem lembrado que viver assim não vale a pena.
Há vários anos que já não reconhece ninguém, tirando os beijinhos que ainda sabe dar, das últimas coisas que a doença lhe levou foi a vontade de cantar e sem vontade de cantar de que vale viver, principalmente quando a voz se revelava tão importante como o ar.
Essas viagens que se tornaram regulares na segunda quinzena de Agosto, tinham o objectivo do reconhecimento das raízes familiares e, principalmente, proporcionar que a Brazilina revê-se a família. Pela estrada nacional n.º 1 até ao Porto e por uma espécie de estradas que nem lembro do Porto até à Tulha Velha chegávamos a levar 8 ou mais horas de caminho, isto numa carrinha mini com dois velhos e duas crianças no banco de trás. Estas viagens eram uma alegria, o reconhecimento que o mundo era muito mais que uma cidade onde tudo aparecia feito uma alegria ainda maior. Para a Brazilina foi um gosto dentro do que era possível a uma pessoa como ela ter gosto em alguma coisa. Mulher desinteressada e até apática não sabia ler nem escrever, chamou uma vida inteira Manel ao marido que se chamava José Leal Carriça, mas tinha um dom que dava e sobrava para a casualidade de estar vivo, embalava os bebés da família numa voz tão maravilhosa quanto a simplicidade com que se respira. Lembro-me de sair da escola primária e descer os 500 metros que me levavam aquela casa, encontrar o José Leal Carriça que era Manel a fumar cigarros atrás de cigarros, guardar tralha nas traseiras e a resmungar sozinho, só para a ouvir embalar os meus primos. Passava horas em pé com os bebés ao colo a cantar e eu no sofá deleitado a beber café, sim café da cafeteira e a comer pão com manteiga depois da sopa de feijão com hortaliças do quintal. Naquela casa bebia-se café como se fosse água e sempre foi uma questão democrática e consensual, calhava a todos, crianças, jovens e velhos, se nos fez mal não parece, no caso da Brazilina era mesmo o conduto principal do dia, de manhã, à tarde, à noite e até de madrugada. Mal não lhe fez como não faz ainda hoje, com 95 anos, por vezes, ainda é o café que a desperta de uma Alzheimer cada vez mais profunda, tão profunda que nem a tem lembrado que viver assim não vale a pena.
Há vários anos que já não reconhece ninguém, tirando os beijinhos que ainda sabe dar, das últimas coisas que a doença lhe levou foi a vontade de cantar e sem vontade de cantar de que vale viver, principalmente quando a voz se revelava tão importante como o ar.
14/10/2011
It's not going to stop
It's not.. what you thought...
When you first... began it.
You got... what you want...
Now you can hardly stand it, though,
By now you know, it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.
You're sure... there's a cure...
And you have finally found it.
You think... one drink...
Will shrink you to... your underground
And living down, but it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.
Prepare a list for what you need,
Before you sign away the deed,
'Cause it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
So just give up.
12/10/2011
um manancial
e já agora o melhor texto que li sobre Magnólia aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/search?q=magnolia
11/10/2011
XIII
Suspenso,
inútil Outono a queimar o Verão ultrapassado.
As nuvens chegarão,
chegam sempre,
a chuva arrastará tudo,
lavará corpo e alma.
A massa fria trará o vento forte,
uma tempestade levará o desejo e a ilusão.
Tu permanecerás, estática mas permanecerás.
As folhas despenhar-se-ão como sempre,
ficarás despida outra vez.
Serás as raízes profundas, o tronco e os ramos nus,
a geada abater-se-á sobre ti.
Suspenso,
inútil será querer-te.
Lograr-te para quê se não te alcanço?
inútil Outono a queimar o Verão ultrapassado.
As nuvens chegarão,
chegam sempre,
a chuva arrastará tudo,
lavará corpo e alma.
A massa fria trará o vento forte,
uma tempestade levará o desejo e a ilusão.
Tu permanecerás, estática mas permanecerás.
As folhas despenhar-se-ão como sempre,
ficarás despida outra vez.
Serás as raízes profundas, o tronco e os ramos nus,
a geada abater-se-á sobre ti.
Suspenso,
inútil será querer-te.
Lograr-te para quê se não te alcanço?
10/10/2011
a casa dos poetas
No dia em que podia ter feito um brilharete, porque até li umas coisas do novo Nobel da Literatura, passei o tempo todo a trabalhar que nem um burro de carga. Depois chego a casa e dou de caras com uma histeria apenas compreensível porque há muito nos preparámos para o carácter neurótico dos amantes de poesia. Uma coisa vos digo cá do fundo do coração, só por causa da quantidade de palermices que já vi escritas, mesmo que de raspão, acerca da atribuição do Nobel, fico convencido de que A Casa dos Segredos teria muito mais sucesso se metesse por lá poetas e leitores de poesia em vez de putas e pasteleiros.
casa dos segredos
Que A Casa dos Segredos (TVI) seja mais uma variação do horror humano do Big Brother, eis o que já sabíamos. Que haja políticos que fingem acreditar que é possível discutir o “serviço público”, ou apenas a nossa sanidade mental, sem enfrentar os efeitos (des)educacionais de tal horror, eis a triste conjuntura em que vivemos...
Daí que seja oportuno relançar a questão política que, neste caso, realmente conta: na televisão portuguesa, onde estão os anticorpos que proclamem alternativas? Quando vemos Estado de Graça (RTP1), compreendemos que nem tudo está perdido. Desde logo porque, ao regressar, o programa das Produções Fictícias escolheu A Casa dos Segredos como “inimigo principal”: já que, na sociedade portuguesa, quase ninguém tem uma palavra a dizer sobre a violência simbólica da institucionalização da reality TV, saúde-se a coragem moral de um genuíno programa de humor.
Podemos considerar que a fórmula adoptada (um sketch + uma charla a dois + uma canção) tem limitações difíceis de superar. Talvez. Mas o programa nasce de dois valores fundamentais: primeiro, o gosto pelas palavras e seus poderes de humor, ironia, contundência ou ambiguidade; depois, a valorização desse maravilhoso material humano que dá pelo nome de “actor” (ou “actriz”). Saudemos, por isso, os cinco mosqueteiros de Estado de Graça: Ana Bola, Eduardo Madeira, Manuel Marques, Joaquim Monchique e Maria Rueff são a prova muito real do talento dos nossos actores. Afogar a maior parte desses actores na rotina medíocre das telenovelas é matar, lentamente, as energias criativas que existem na sua classe profissional.
João Lopes aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/contra-casa-dos-segredos.html
Daí que seja oportuno relançar a questão política que, neste caso, realmente conta: na televisão portuguesa, onde estão os anticorpos que proclamem alternativas? Quando vemos Estado de Graça (RTP1), compreendemos que nem tudo está perdido. Desde logo porque, ao regressar, o programa das Produções Fictícias escolheu A Casa dos Segredos como “inimigo principal”: já que, na sociedade portuguesa, quase ninguém tem uma palavra a dizer sobre a violência simbólica da institucionalização da reality TV, saúde-se a coragem moral de um genuíno programa de humor.
Podemos considerar que a fórmula adoptada (um sketch + uma charla a dois + uma canção) tem limitações difíceis de superar. Talvez. Mas o programa nasce de dois valores fundamentais: primeiro, o gosto pelas palavras e seus poderes de humor, ironia, contundência ou ambiguidade; depois, a valorização desse maravilhoso material humano que dá pelo nome de “actor” (ou “actriz”). Saudemos, por isso, os cinco mosqueteiros de Estado de Graça: Ana Bola, Eduardo Madeira, Manuel Marques, Joaquim Monchique e Maria Rueff são a prova muito real do talento dos nossos actores. Afogar a maior parte desses actores na rotina medíocre das telenovelas é matar, lentamente, as energias criativas que existem na sua classe profissional.
João Lopes aqui: http://sound--vision.blogspot.com/2011/10/contra-casa-dos-segredos.html
07/10/2011
03/10/2011
Gostavas que a morte fechasse os olhos
e dissesse a palavra amo-te
enquanto se entrega ao desejo,
ou escolhias um golpe aniquilador
que devorasse o tempo?
Diz.
Preferes o sossego seco do deserto
a paz solidificada no vazio,
ou a humildade da luta sem tréguas
que todas as acções abarcam?
Reconheces a inutilidade de tudo,
na mão que repousa, respira e sente,
na palavra que é dita ou que se escreve
e marcas as mãos na terra
como quem agarra a vida?
Diz.
Queres que o amor seja o espaço
largo de uma planície serena,
ou a força implacável
de um punho contra o ventre?
e dissesse a palavra amo-te
enquanto se entrega ao desejo,
ou escolhias um golpe aniquilador
que devorasse o tempo?
Diz.
Preferes o sossego seco do deserto
a paz solidificada no vazio,
ou a humildade da luta sem tréguas
que todas as acções abarcam?
Reconheces a inutilidade de tudo,
na mão que repousa, respira e sente,
na palavra que é dita ou que se escreve
e marcas as mãos na terra
como quem agarra a vida?
Diz.
Queres que o amor seja o espaço
largo de uma planície serena,
ou a força implacável
de um punho contra o ventre?
02/10/2011
holes in the story
Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came
Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home
Don't leave me now
I must confess
Haven't been the worst
Haven't been the best
Since you came
It's all the same
It's all the same
Don't take me now
I must confess
Found the word digress
And made it a home
It's all the same
It's all the same
Don't come try to find me now
I must confess
Holes in the plot rearrange themselves
with all the rest
Holes in the story
Holes in myself
nada
Aguentava-me como podia: num caco. Segue-se o marasmo à descoberta de que no âmago existe o nada.
AQUI: http://raposasasul.blogspot.com/2011/09/fors-sua-cuique-loco-est.html
AQUI: http://raposasasul.blogspot.com/2011/09/fors-sua-cuique-loco-est.html
do fazer
"Os conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audição é praticamente desprezível. Porque agir é estar próximo das coisas e ouvir é estar afastado das coisas. Alguém que apenas ouve nunca será considerado um intruso no mundo, a Natureza não se sentirá ameaçada. Quem ouve poderá acumular conhecimentos, mas essa acumulação não lutará com a Natureza. Esta resiste bem à inteligência, ao raciocíonio e à memória do Homem... ...e o que ameaça a natureza são as acções:...
... Qualquer cão mesquinho mijaria nas pernas de um homem altamente inteligente, mas imóvel."
Gonçalo M. Tavares "Um Homem Klaus Klump"
... Qualquer cão mesquinho mijaria nas pernas de um homem altamente inteligente, mas imóvel."
Gonçalo M. Tavares "Um Homem Klaus Klump"
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é um homem bastante simples, tem o cabelo grande e meio desgrenhado, barba por fazer, roupa meio desleixada, um andar desajeitado. Aparentemente distraído, é, na verdade, uma pessoa muito atenta a todos os pormenores e não nega à partida ciências que desconhece.
Mas uma coisa o coração de Zacarias sabe, é que o amor não se guarda vive-se.
Mas uma coisa o coração de Zacarias sabe, é que o amor não se guarda vive-se.
29/09/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola nunca percebeu bem aquela estória da porta que se fecha e abre uma janela, ou da janela que se fecha e abre uma porta, ou da porta que se fecha e abre outra porta, qualquer coisa assim, até por causa das correntes de ar.
Já a questão da Luz sempre surgiu simples ao coração de Zacarias, é só abrir a janela quando o sol nasce.
Já a questão da Luz sempre surgiu simples ao coração de Zacarias, é só abrir a janela quando o sol nasce.
28/09/2011
na ramada
É verdade que te reconheço a inutilidade, não semeias, não lavras, não dás fruto, não cultivas, no fundo não geras riqueza e a vida está cara, se está, mas foda-se, ver-te perdido no meio de tantos papéis inúteis, como tudo, foi triste.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sentir todos os grãos de vida nas partículas mais ínfimas,
do passado extrair as raízes que te fizeram,
do presente todas as sensações que provocam,
do futuro o sorriso que desejo.
Embrulhar o tempo num abraço e querer,
querer o corpo que é pele e o pensamento que é ser,
a palavra que é voz e o desejo que é carne,
o sangue que é ferida e os nervos que são dor,
a mão que é expressão e os olhos que são alma.
Desenhar o espaço num horizonte e sentir,
sentir o silêncio na paz que aconchegas e afagas,
o sossego no segredo que se faz profundo,
a música que imaginas no murmúrio dos corpos,
e os dedos que são verdade vincada na eternidade.
E voltar.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sonhar-te presente em mim.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sentir todos os grãos de vida nas partículas mais ínfimas,
do passado extrair as raízes que te fizeram,
do presente todas as sensações que provocam,
do futuro o sorriso que desejo.
Embrulhar o tempo num abraço e querer,
querer o corpo que é pele e o pensamento que é ser,
a palavra que é voz e o desejo que é carne,
o sangue que é ferida e os nervos que são dor,
a mão que é expressão e os olhos que são alma.
Desenhar o espaço num horizonte e sentir,
sentir o silêncio na paz que aconchegas e afagas,
o sossego no segredo que se faz profundo,
a música que imaginas no murmúrio dos corpos,
e os dedos que são verdade vincada na eternidade.
E voltar.
Tocar-te como quem toca o chão e amaciar-te a terra nas mãos,
sonhar-te presente em mim.
desilusões
Passei o dia a arrumar tralha de uma vida, uma enorme volta ao quarto/biblioteca/videoteca/discoteca e sei lá que mais. A inutilidade do que guardamos é de uma pobreza confrangedora. Coisas que pensámos importantes, ou, pior ainda, que até foram importantes em determinada altura e agora resumem-se a pedaços de nada cheios de pó.
A questão é.
Será que com as pessoas é muito diferente?
A questão é.
Será que com as pessoas é muito diferente?
aprende
...À pergunta Para Que Serve a Poesia Hoje? Nós podemos, desde logo, juntar uma outra: para que servem hoje conferências e debates sobre a utilidade da poesia? E mais esta: servirá hoje a poesia para alguma coisa que não tenha já servido no passado? Estes problemas são tão mais urgentes quanto se torna necessário entender se, de facto, a poesia alguma vez serviu para alguma coisa ou se tem mesmo de servir para alguma coisa. Um pouco à semelhança da presunção de um sentido para a vida, buscado, cavado, semeado, colhido no absurdo da existência, também a utilidade de toda e qualquer actividade humana deverá ser pensada em função do paradoxo suscitado pela prática do impraticável. Na realidade, nada na vida pede sentido senão a própria perdição dos homens. Assim como a vida não tem que ter sentido algum, também a poesia não tem que servir para o que quer que seja...
...A poesia terá uma dimensão terapêutica que não esgota as suas funções, mas que de algum modo sublinha o carácter utilitário da sua não-utilidade. Duvido que cure ou dê prazer, pelo menos não tanto quanto um bom vinho ou a masturbação...
Sublinhados meus.
AQUI: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/para-que-serve-poesia-hoje.html
...A poesia terá uma dimensão terapêutica que não esgota as suas funções, mas que de algum modo sublinha o carácter utilitário da sua não-utilidade. Duvido que cure ou dê prazer, pelo menos não tanto quanto um bom vinho ou a masturbação...
Sublinhados meus.
AQUI: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/para-que-serve-poesia-hoje.html
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola inchou tanto de amor que até meteu nojo. De tanto inchar rebentou, deixando merda espalhada em todos os que estavam à sua volta.
Está pronto para voltar a ser.
Está pronto para voltar a ser.
25/09/2011
manifesto
não digam que a arte não alimenta
não digam que arte não abriga
não digam que a arte é inútil
nem para a enaltecer
nem para a desprezar
alimentem-se de arte,
da vossa e a da dos outros
façam da arte a vossa casa
e o vosso porto de abrigo
de onde partem e chegam
a verdade é que inútil é
a própria ideia
de utilidade
a arte é tão inútil
como o ser
luís ene
aqui: http://luis-ene.blogspot.com/
não digam que arte não abriga
não digam que a arte é inútil
nem para a enaltecer
nem para a desprezar
alimentem-se de arte,
da vossa e a da dos outros
façam da arte a vossa casa
e o vosso porto de abrigo
de onde partem e chegam
a verdade é que inútil é
a própria ideia
de utilidade
a arte é tão inútil
como o ser
luís ene
aqui: http://luis-ene.blogspot.com/
22/09/2011
fim
Hoje sinto tudo em cima de mim
e o mundo é esta reflexão que sou.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
I read bad poetry
into your machine
I save your messages
just to hear your voice.
you always listen carefully
to awkwards rhymes.
you always say your name.
like I woulden't know it's you,
at your most beautiful.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
at my most beautiful
I count your eyelashes secretly.
with every one, whisper I love you.
I let you sleep.
I know you're closed eye watching me,
listening.
I thought I saw a smile.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
e o mundo é esta reflexão que sou.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
I read bad poetry
into your machine
I save your messages
just to hear your voice.
you always listen carefully
to awkwards rhymes.
you always say your name.
like I woulden't know it's you,
at your most beautiful.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
at my most beautiful
I count your eyelashes secretly.
with every one, whisper I love you.
I let you sleep.
I know you're closed eye watching me,
listening.
I thought I saw a smile.
I've found a way to make you
I've found a way
a way to make you smile
maioria
O problema reside num autocentrismo assoberbado sem razão de ser. Muita gente está convencida de ter tido uma vida repleta de percalços e histórias incríveis, não lhe passando sequer pela cabeça que ao pé desses percalços e experiências incríveis a vida, vá lá, de uma criança soldado na Serra Leoa não é um mero facto desmistificador. Um homem que teve muitas mulheres pode morrer sem nunca ter tido verdadeiramente uma única mulher. Um homem que toda a vida teve a mesma mulher pode ter tido toda as mulheres do mundo. Só um tonto pode duvidar de que uma vida linear, sóbria, metódica e indiferente possa ser tão útil quanto uma vida inquieta, desassossegada, anárquica, extravagante, até porque a utilidade de ambas as “formas de vida” reside na razão intrínseca da existência dos seres humanos: virem um dia a servir de estrume. Daí que o interesse não esteja tanto na vida levada como parece estar na vida que se leva.
Texto completo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/maioria.html
Texto completo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/09/maioria.html
house of cards
"I don't wanna be your friend
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts
Care about your house of cards And I'll deal mine"
baralhas as cartas e voltas a dar
rompes as regras do jogo
tentas dominar a mesa.
sai-te sempre o ás de trunfo
uma mão que não dá hipótese
a contenda é sempre tua.
olhas para o lado vitorioso
e reparas que estás sozinho.
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts
Care about your house of cards And I'll deal mine"
baralhas as cartas e voltas a dar
rompes as regras do jogo
tentas dominar a mesa.
sai-te sempre o ás de trunfo
uma mão que não dá hipótese
a contenda é sempre tua.
olhas para o lado vitorioso
e reparas que estás sozinho.
21/09/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola não é homem muito dado a medos. O que o assusta mesmo é chegar ao fim da vida e não ter proporcionado à Maria tantos orgasmos quanto merecia, o resto são cagaços normais num coração a bater.
a derrota
A psicanálise está derrotada à partida quando sabemos que o maior medo de que podemos padecer é o único que não é infundado, o único cuja origem nunca conseguiremos evitar.
AQUI: http://retrato-auto.blogspot.com/2011/09/derrota.html
AQUI: http://retrato-auto.blogspot.com/2011/09/derrota.html
19/09/2011
a dança das feridas
Henry Miller a Anaís Nin
Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão,
adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?
Henrique Manuel Bento Fialho
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
Se eu te amasse a horas certas,
abririas as pernas com menos cuidado?
Se eu começasse sempre pela língua,
julgar-me-ias menos bruto?
E se eu não te mordesse o pescoço,
acaso continuarias a cravar-me as unhas nas costas?
Se eu não apagasse a televisão,
adormecerias aconchegada à minha cintura?
Se eu tomasse banho depois de fornicarmos,
julgarias o acto mais higiénico?
Se em vez do silêncio depois do orgasmo
passássemos a ter uma confissão no olhar,
perdoar-nos-ia deus o desperdício?
Já agora diz-me: se não dependêssemos
um do outro, como é que explicarias
o teu cheiro nas minhas palavras?
Henrique Manuel Bento Fialho
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/
bom dia
Para perderes a voz tens de ter uma voz Manuel Zacarias. Para te veres tens de te olhar ao espelho e reconheceres as marcas da pele. Para te abandonares tens de aprender a voar e partir, para seres sentas-te na pedra mais fria e recomeças, para sentires coças-te, para viveres respiras.
Para morreres Manuel Zacarias Segura Viola basta o coração parar.
Para morreres Manuel Zacarias Segura Viola basta o coração parar.
na volta voar
Please give me a second grace
Please give me a second face
I've fallen far down
The first time around
Now I just sit on the ground in your way
Now if it's time to recompense for what's done
Come, come sit down on the fence in the sun
And the clouds will roll by
And we'll never deny
It's really too hard for to fly.
Please tell me your second name
Please play me your second game
I've fallen so far
For the people you are
I just need your star for a day.
So come, come ride in my my street-car by the bay
For now I must know how fine you are in your way
And the sea sure as I
But she won't need to cry
For it's really too hard for to fly.
12/08/2011
Ter o mundo nos pés e tu nos braços,
calcar a terra como quem abraça o amor,
sentir os grãos que fazem o caminho,
da montanha a força,
da planície a serenidade,
de ti a beleza.
Deixar a confusão no título de uma canção qualquer,
a insegurança numa letra pensada no silêncio,
a dúvida num verso mal amanhado,
o medo numa palavra vazia.
Desenhar a velocidade no desejo,
de ti, de mim.
Ter a terra nas mãos e tu no coração,
sulcar o chão como quem sulca a vida,
sentir a ferida desmaiar-se com o tempo,
dos espinhos o sangue,
das pétalas a vontade,
de ti tudo.
calcar a terra como quem abraça o amor,
sentir os grãos que fazem o caminho,
da montanha a força,
da planície a serenidade,
de ti a beleza.
Deixar a confusão no título de uma canção qualquer,
a insegurança numa letra pensada no silêncio,
a dúvida num verso mal amanhado,
o medo numa palavra vazia.
Desenhar a velocidade no desejo,
de ti, de mim.
Ter a terra nas mãos e tu no coração,
sulcar o chão como quem sulca a vida,
sentir a ferida desmaiar-se com o tempo,
dos espinhos o sangue,
das pétalas a vontade,
de ti tudo.
11/08/2011
para ti
Lograsse a compreensão nas palavras,
nas palavras a possibilidade e o poema,
no poema a essência e o ritmo,
no ritmo o compasso certo para a dança.
Uma desilusão nunca vem só,
sucede-se, infinitudes da alma.
A tristeza não se esclarece nem define
em segredos imaginados na incompreensão.
A percepção do entendimento no silêncio,
cadafalso exposto aos elementos.
Uma palavra nunca vem vazia,
coalha, incertezas no conceito.
Lograsse o sentido na expressão,
na expressão a pele e a carne,
na carne o suor e o corpo,
no corpo o passo certo e dançava.
E desesperas por mim.
E desespero por ti meu amor.
bom dia
Acerca de hoje é que apesar do tempo, das solas gastas e de uma miopia cada vez mais agreste, Manuel Zacarias Segura Viola, ainda consegue fazer-se ao pó, trilhar caminho, abrir os olhos e sentir-se bem vivo. Esquecer tudo num arrepio da ponta dos pés enrugados até ao cabelo branco mais espigado.
Acerca de hoje é o coração do Zacarias a bater ao ritmo da canção.
Acerca de hoje é o coração do Zacarias a bater ao ritmo da canção.
Today you were far away
and I didn't ask you why
What could I say
I was far away
You just walked away
and I just watched you
What could I say
How close am I to losing you
Tonight you just close your eyes
and I just watch you
slip away
How close am I to losing you
Hey, are you awake
Yeah I'm right here
Well can I ask you about today
How close am I to losing you
How close am I to losing
02/08/2011
bom dia
Mais do que um homem espiritual, Manuel Zacarias Segura Viola tenta ser um homem com espírito, mais do que uma transcendência de qualquer espécie, Zacarias tem de transcender-se várias vezes ao dia, mais do que preocupar-se com bioenergias, multidimensões, autoconsciências, Zacarias procura o copo de água fresca que todos os dias o acorda garganta abaixo. Nestas andanças, se numa dimensão extrafísica a serenidade é algo que ambiciona, numa perspectiva intrafísica o coração de Zacarias é um tumulto de emoções.
Ainda bem para ele, foda-se.
When you're sad and when you're lonely
And you haven't got a friend
Just remember that death is not the end
And all that you held sacred
Falls down and does not mend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When you're standing on the crossroads
That you cannot comprehend
Just remember that death is not the end
And all your dreams have vanished
And you don't know what's up the bend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When the storm clouds gather round you
And heavy rains descend
Just remember that death is not the end
And there's no-one there to comfort you
With a helping hand to lend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
For the tree of life is growing
Where the spirit never dies
And the bright light of salvation
Up in dark and empty skies
When the cities are on fire
With the burning flesh of men
Just remember that death is not the end
When you search in vain to find
Some law-abiding citizen
Just remember that death is not the end
Ainda bem para ele, foda-se.
When you're sad and when you're lonely
And you haven't got a friend
Just remember that death is not the end
And all that you held sacred
Falls down and does not mend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When you're standing on the crossroads
That you cannot comprehend
Just remember that death is not the end
And all your dreams have vanished
And you don't know what's up the bend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
When the storm clouds gather round you
And heavy rains descend
Just remember that death is not the end
And there's no-one there to comfort you
With a helping hand to lend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
For the tree of life is growing
Where the spirit never dies
And the bright light of salvation
Up in dark and empty skies
When the cities are on fire
With the burning flesh of men
Just remember that death is not the end
When you search in vain to find
Some law-abiding citizen
Just remember that death is not the end
28/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é um homem que, quando é preciso, também pensa na esperança. Contudo, e como o verde até nem é das cores que mais gosta, rapidamente se lembra que quem espera desespera e, sobretudo, é um inútil.
Assim, tal como o coração, Zacarias é todo vermelho a bater pela Maria.
Assim, tal como o coração, Zacarias é todo vermelho a bater pela Maria.
20/07/2011
bom dia
Desde que se sabe gente, Manuel Zacarias Segura Viola sempre conheceu e teve pessoas que admirou, gostou e amou.
Sempre que quiseram ou tiveram que partir, o coração de Zacarias abanou mas compreendeu e continuou a bater.
Sempre que quiseram ou tiveram que partir, o coração de Zacarias abanou mas compreendeu e continuou a bater.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola gosta de ver a neve a derreter-se na montanha, de gelado a derreter-se na boca, de gelo a derreter-se no corpo, de chocolate derretido, de manteiga derretida nas torradas e do queijo nas tostas, das cordas a derreterem-se nos dedos.
Contudo, o coração de Zacarias, víscera mole mas sólida, só se consegue derreter com a Maria.
Contudo, o coração de Zacarias, víscera mole mas sólida, só se consegue derreter com a Maria.
19/07/2011
aneurysm
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and do the twist, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Come on over, and do the twist, uh-huh
Over-do it, and have a fit, uh-huh
Love you so much, it makes me sick, uh-huh
Come on over, and shoot the shit, uh-huh
Beat me outta me, beat it, beat it [x7]
Beat the outta me...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
She keeps it pumpin' straight to my heart [x8]
chamada
Queres dançar mas não sabes.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
Na valsa pensas binário,
dois seres dois tempos,
pisas em falso o terceiro
e pesa-te a cabeça sobre os ombros.
No tango tentas a sensualidade,
a paixão nos movimentos,
soltos na chama da vontade
corpo preso na tensão dos músculos.
A rumba sugere descontracção,
vida a abanar o vento,
pensamento perdido no nada
e a brisa desfeita o cabelo.
Do flamenco queres a transcendência,
espírito aberto às sensações,
a luta, a esperança, o orgulho,
engolidos na voragem de um suspiro.
Do samba arrancas a atitude,
o encanto da surpresa
na elegância da carne,
mas falta-te o ritmo na condução.
Da salsa antevês o tempero,
a pitada de sal e pimenta
que desejas do encontro,
e queima-se-te a língua no sabor.
Resta-te o rock,
três acordes a embalar o desejo de aprender a dançar.
Queres dançar e não sabes,
mas sabes que é difícil amar sem saber ser amado.
bom dia
Apesar de não ser um homem novo e, aparentemente, também não ser burro de todo, existem coisas que Manuel Zacarias Segura Viola não entende bem.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
O que é que a sede tem a ver com a água, a virtude com a verdade, a verdade com a mentira, o silêncio com a paz ou a paz com o fim. A paixão com a vontade, a vontade com a chama, o desejo com a memória, a memória com o tempo ou o tempo com o espaço. A animalidade com a estupidez, a estupidez com o corpo, o corpo com a carne, a carne com o espírito ou espírito com a alma. O medo com a desonra, a vergonha com o medo, a justiça com a compaixão, a cobardia com o amor ou a guerra com a morte.
O coração de Zacarias é um fenómeno, bate no númeno com a coisa em si, no cu com as calças faz ricochete e aleija-se.
17/07/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola, numa distracção aparente,
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
tem-se desinteressado de várias coisas e há muito que deixou de esperar o melhor das pessoas. No entanto, quando o melhor das pessoas acontece, o coração de Zacarias fica insuflado de ar.
09/07/2011
bom dia
Apesar de acreditar em milagres e, por vezes, ainda lhe sair um santinho da boca, Manuel Zacarias Segura Viola nunca acreditou em santos. Os demónios aparecem-lhe em forma de banda desenhada, como que uma voz-interior que é arrotada num balão de vez em quanto.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
E se o pensamento se baralha amiúde, o filha da puta do coração do Zacarias teima em dizer sim.
07/07/2011
6 x 2
1 olhar e verem-se os olhos
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
2 lugares de encontro
3 sentidos corpo dentro
4 mãos entrelaçadas
5 dedos na carne
6 sopros no destino
7 ondas de espuma
8 sonhos para embalar
9 segredos sussurrados
10 desejos marcados na pele
11 beijos no horizonte
Uma dúzia de vontade e querer
Dentro de ti o fim.
01/07/2011
valsa do adeus
Uma valsa em rodovia,
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
andamento em compasso ternário,
duas vozes paradas,
dança adiada.
Se soubesses o impossível,
o veludo da palma das mãos,
o desfolhar dos minutos,
a ferida do tempo.
Um adeus invisível,
personagens de ficções trocadas,
“estórias” e a vida,
a realidade a passar.
Se quisesses o sorriso,
o beijo no fim do poema,
o entendimento dos sentidos
a descoberta do amor.
Uma valsa a sós,
sobre pétalas de muitas cores,
dois corpos apertados,
dança adiada.
E o mundo parado a ver.
só a vida
Não há nada de especial,
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
na noite caída,
o precipício do corpo,
talhado no cansaço
de sonhos confusos.
O silêncio.
A vida sobre os ombros,
nem deserto nem oásis,
só tudo,
palavras truncadas no pensamento.
O silêncio.
Não há nada de especial,
entre o ir e vir,
as portas que se abrem
para se fecharem a seguir,
o cinzento de Verão abafado lá fora.
O silêncio.
Um autocarro sobre a memória.
Porra! Quanto?
O valor a vencer a idade,
gotas mornas na vidraça.
E o silêncio.
Não há mesmo nada de especial.
30/06/2011
última hora
Os portugueses devem poupar mais.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
Dizem os economistas, os politólogos, os sociólogos, os inteligentes, os ignorantes, os patrões, os desempregados de barriga ao balcão e até os ET's.
As contas são simples:
600 € de ordenado quando lá chega
-100 para transportes
-150 para alimentação
-100 para água, luz e gás
-400 para uma renda de casa
Porra pá, já não chega e ainda não cheguei ao vestir, calçar, aspirinas para a dor de cabeça e, enfim, ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto pelo menos.
Por mim está mais que poupado.
Além de que se as pessoas começam a poupar o que não têm como é que as empresas vendem e ganham dinheiro?
E se fossem chupar pilas a burros para não dizerem asneiras.
29/06/2011
bom dia
Tem dias que a alma de Manuel Zacarias Segura Viola desaparece, o espírito esconde-se e o corpo pesa mais que o de todos os concorrentes de um concurso parvo da televisão.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
Nestes dias, resta a Zacarias o bater do coração no peito, monótono e fiável como os Suíços.
21/06/2011
o homem confiante
Sempre pensei que a confiança devia ser uma atitude.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
Como uma forma clara de afirmação determinada,
como uma semente que, lançada à terra,
floresce e se impõe a todos os elementos.
A insegurança uma deriva no percurso,
um qualquer acidente parvo,
um escorregar estatelado naquele preciso momento
em que o tempo pára para nos levantarmos e seguirmos.
Mas não é.
Nesta imagem considero ponderando todos os imponderáveis e,
como que esparramado pelo chão deixo-me ficar.
Sinto uma aflição nos ossos na frieza da calçada,
uma artrose reumatóide que me sobe pela espinha,
cavalga o pescoço e chega aos neurónios.
Tento erguer-me subindo pela minha vontade acima,
começo a trepar entrelaçando-me todo,
artérias, veias, músculos e tendões embaraçados.
Um emaranhado complexo de situações,
posições, condições, orientações e direcções,
directas a uma teia em que a aranha é um formigueiro.
Consciente deste estado procuro a origem de tudo,
dormente,
sou ainda a convicção confiante de mim próprio.
Um borrão ferido na pedra dura.
bom dia
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola anda sem paciência para intervalos de qualquer espécie. Apaixonado que está não tem tempo a perder nem, tão pouco, consegue sentir o tempo a perder-se, mas tem perdido muito tempo a sentir todas as artérias do corpo dilatadas, cheias de sangue vivo a correr com o tempo.
E ainda sorri para a estatística.
E ainda sorri para a estatística.
17/06/2011
enluernar
Olhar o desmoronamento grande
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
da tarde e o das palavras gordas
em glaromas de anil e penubis.
Mover a voz, porém como navios
que afundam nágua sua força finda.
Com estas mornas flores de oromãs
morigerantes ou cansadas corças
em remouro e palmas árvores, mãos,
dispor gestos delgados, delicadas
pendências, breves milagres, contas
de coloraina em tua pele aromaterna,
e com cuidados-orvalho e penetrando
e com singelos de vidro e penetrando
nesse interregno de tuas coxas
enluernar teu coração de esperma.
Augusto de Campos
16/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola anda com a realidade às costas e o sonho incrustado na costela da frente mais à direita de quem entra. Os olhos bem abertos estão na medida do que o coração permite.
13/06/2011
bom dia
Tem dias que o músculo das válvulas cardíacas de Manuel Zacarias Segura Viola descompassam mais que as músicas que dedilha na viola, começando a baralhar a direcção e velocidade do fluxo sanguíneo do interior das cavidades do coração para o resto do corpo. Sabendo que pode acontecer a qualquer um, Zacarias Segura Viola nunca se sentiu muito confortável com as consequências da falta de oxigenação do cérebro.
11/06/2011
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola é português nascido em Portugal, nunca cantou o fado e nunca ergueu a bandeira em jogos da selecção, mas sempre gostou de ameijoas à bolhão pato à beira-mar plantado e, sobretudo, sempre soube que um coração é um coração onde quer que ele nasça.
10/06/2011
bom dia
Ser a animalidade que faz sede mantendo a razão de beber um copo de água, é como o coração de Manuel Zacarias Segura Viola vive a vida.
07/06/2011
humildade
Não é por ser eu, mas tenho um bacamarte brutal, uma coisa que algumas pessoas ainda não sentiram.
Foda-se leva-se com cada uma.
Foda-se leva-se com cada uma.
insónias
Nasci em portugal, sou português, vivo em portugal, provavelmente morrerei em portugal, mesmo assim só tu é que me provocas insónias.
Dylan Thomas
Houve um Tempo
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
Em que época puderam os bailarinos com seus violinos
suspender os problemas nos parques infantis?
Houve um tempo em que podiam chorar sobre os livros,
mas o tempo gerou uma larva nos seus caminhos.
Estão inseguros sob o arco dos céus.
É mais seguro o que nesta vida fica por conhecer.
Sob os signos celestes aqueles que não têm armas
têm as mãos limpas, e, como o fantasma impiedoso
que sozinho fica ileso, também os cegos vêem melhor.
Tradução do hmbf
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2010/12/um-poema-de-dylan-thomas.html
bom dia
Não, Manuel Zacarias Segura Viola não é um novo hippie, apesar da viola a tiracolo, da descontracção e da simplicidade, tem dias que anda com o coração todo fodido.
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola nunca andou com o coração tão descontraído, chegou àquela altura da vida em que sabe bem o que não quer e o que quer é de uma simplicidade bastante simples.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
Correu no sangue as mágoas que o fizeram, agora já ressequidas no dedo mindinho do pé esquerdo, sobra na alma a certeza de um peito a bater.
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