07/01/2012

exorcismo

O senhor precisa de esquecer que o mundo existe, precisa de esquecer-se de si próprio, precisa de criar na sua vida momentos de suspensão, precisa de ler e de escrever como se não houvesse nada mais importante sobre a terra, precisa de alimentar os seus medos e as suas frustrações com o veneno da indiferença, precisa de dizer adeus ao passado e, se lhe não for doloroso, ao próprio futuro.

Ler tudo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2012/01/exorcismo.html

06/01/2012

para L



Show me the place where you want your slave to go
Show me the place i've forgotten i don't know
Show me the place for my head is bending low
Show me the place where you want your slave to go

Show me the place help me roll away the stone
Show me the place i can't move this thing alone
Show me the place where the word became a man
Show me the place where the suffering began

The troubles came i saved what i could save
A thread of light a particle a wave
But there were chains so i hastened to behave
There were chains so i loved you like a slave

Show me the place where you want your slave to go
Show me the place i've forgotten i don't know
Show me the place for my head is bent and low
Show me the place where you want your slave to go

The troubles came i saved what i could save
A thread of light a particle a wave
But there were chains so i hastened to behave
There were chains so i loved you like a slave

Show me the place
Show me the place
Show me the place

Show me the place help me roll away the stone
Show me the place i can't move this thing alone
Show me the place where the word became a man
Show me the place where the suffering began

precocidade

A certa idade, que varia segundo as pessoas mas que se situa por volta dos quarenta, a vida começa a parecer-nos insípida, lenta, estéril, sem atractivos, repetitiva, como se cada dia não fosse senão o plágio do anterior. Algo em nós se apaga: entusiasmo, energia, capacidade de fazer planos, espírito de aventura ou simplesmente apetite de prazer, de invenção ou de risco. É o momento de fazer uma paragem, reconsiderar a vida sob todos os seus aspectos e tentar tirar partido das suas fraquezas. Momento de suprema eleição, pois trata-se, na realidade, de escolher entre a sabedoria e a estupidez.

Julio Ramón Ribeyro, in Prosas Apátridas, trad. Tiago Szabo, Edições Ahab, Abril de 2011, p. 67.


Aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2012/01/precocidade.html

05/01/2012

livros do ano

"Quando nascemos, alguma divindade marca com uma cruz preta o nosso nome e a partir daí a vida não dará tréguas, não encontraremos senão obstáculos, chacota, ciladas, e teremos de suar a mais pequena alegria, remando, lutando contra a corrente, vendo os afortunados a deslizar na margem, de trunfo na mão, e sem nos permitirem a menor distracção, pois é isso que se espera de nós, que cedamos um instante ao desânimo para que a arma penetre até ao cabo."

Prosas Apátridas, Julio Ramón Ribeyro, tradução de Tiago Szabo, ed. Ahab


Sérgio Lavos aqui: http://www.retrato-auto.blogspot.com/2011/12/livros-do-ano-1.html

lust for life

vontade

bom dia

Mais crise menos crise, mais mundo menos mundo, o que Manuel Zacarias Segura Viola deseja para o novo ano é que a tesão se mantenha, porque Zacarias sabe que sem tesão não há vontade e sem vontade não há nada, vegeta-se.
Nesta perspectiva, o coração de Manuel Zacarias Segura Viola sentiu que o ano começou muito bem, comeu as passas cheio de vontade.

i want you



antes da voz cavernosa.

ética da reciprocidade

O minimalismo moral teria sido suficiente. Que adoptassem a «regra de ouro» cristã (faz aos outros o que queres que te façam a ti) ou o «imperativo categórico» kantiano (age segundo um princípio que queiras como lei universal). Essa ética da reciprocidade existe no islamismo, no judaísmo, no confucionismo, no budismo, no hinduísmo e no humanismo laico e é talvez o mínimo denominador comum ético. E no entanto nada parece mais difícil, porque a reciprocidade requer humildade e empatia, bens escassos. Praticamente as únicas pessoas que até hoje vi seguirem uma ética da reciprocidade sem falhas foram pessoas auto-destrutivas, que, como é óbvio, subvertem o princípio de onde parte a regra de ouro. Fora disso, tenho convivido com severos Jeremias que depois fazem alegremente, alarvemente, o contrário do que exigem. O meu percurso moral, reconheço, não é recomendável, mas sempre me mantive fiel a esse preceito, em tempos bons e maus cumpri os mínimos, mesmo quando falhei os máximos, portei-me mal mas nunca nisso, segui sempre a ética da reciprocidade, do pouco que valho tenho isto a alegar antes de pedir justiça.

Pedro Mexia aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/2012/01/etica-da-reciprocidade.html

28/12/2011

no reino da tugolândia

Mais um ano que passou e tudo na mesma continuando a cair a pique para pior na tugolândia. Foi-se o Sócrates mais o choque tecnológico, o discurso positivo de exaltação da nação e sobrou uma tragédia descomunal neste desastre que somos, já Guterres era um apaixonado com juras de amor pela educação. Ontem era notícia de primeira página do Correio da Manhã que uma concorrente de um concurso parvo da TV fez uma mamada, um bico, um broche a outro concorrente, parece que o programa se chama "casa dos segredos", agora imaginem se fosse uma casa sem segredos, o que saberíamos, que têm um burro no quintal com o qual fazem loucas orgias, era giro, quase aposto que o burro ganhava aquela espécie de concurso, talento não lhe falta, enorme talento. Então, mas o que é que isto tem a ver com a educação, epá não sei, fiquei distraído com a imagem do talento burro nos concorrentes, o que é chocante mas não tecnológico. É a natureza pá diria o outro.
Como natural é ser entroikado por uns burocratas aziagos da União Europeia, parece que se fartaram do nosso bacalhau com todos, das azevias, das filhoses e dos coscurões e nos entroikaram até..., enfim até aos dedos dos pés que as solas vão começar a ficar rotas. Vá, esqueçam lá o burro ou não saímos daqui, coisa que, parece, alguns tugas aparentemente com mais neurónios começaram a fazer, desopilar está na moda, só que em vez desses paladinos da civilização como a Alemanha, França, Canadá ou USA estamos a ir para sítios como Angola, Moçambique, Brasil, Burkina Faso e sei lá que mais, parece que são países que estão a crescer, tirando o último que foi só para ver se vão ao mapa ver onde é e se esquecem do raio do burro, mas voltando ao que interessa, se estão a crescer para que é que precisam de tugas, só se for para fazer concursos parvos e levar o burro.
Entretanto andamos a levar com um coelho, que, sendo um animal bastante trabalhador, não me parece tão imponente como o burro, basta ver o tamanho das orelhas.

21/12/2011

bom dia

Para Manuel Zacarias Segura Viola o pior cego é o que não vê mesmo, o que não quer ver pode aprender.
E o que é que isto tem a ver com o coração?

19/12/2011

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola conhece bem a história dos papéis e sabe sempre onde está a porra do papel, o que se torna, muitas vezes, uma grande chatice. Depois, não só academicamente mas também na vida real, a merda dos papéis nunca se apresentaram como complicados para Zacarias e, tanto nas várias organizações por onde passou como na família, sempre soube qual o caralho do papel a desempenhar, ainda que, amiúde, agarre no filha da puta do papel faça um avião e o mande ao ar.
Agora o coração de Zacarias sabe que existem alturas em que o cabrão do papel está tão amachucado que se torna de difícil leitura para os outros.

13/12/2011

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola, apesar de cheio de amor e paixão, anda parvo com a indecência e o mau cheiro que emana do mundo. Crise económica, bolhas que enchem, rebentam, voltam a encher, voltam a rebentar num ciclo de papa papalvos que, mais indignação menos indignação, continuam a ir enganados para o trabalho e a guardar o dinheiro nas instituições que os comem desavergonhadamente.
Nesta conjuntura, resta a Zacarias manter o coração apaixonado e a manter a coluna direita não vá ser apanhado desprevenido de nalgas para o ar.

beijo



The fire's dying out
All the embers have been spent
Outside on the street
Lovers hide in the shadows
You look at me I look at you
There's only one thing
I want you to do

Kiss me
I want you to kiss me
Like a stranger once again
Kiss me like a stranger once again
I want to believe that our love's a mystery
I want to believe that our love's a sin
I want you to kiss me like a stranger once again

You wear the same kind of perfume
You wore when we met
I suppose there's something comforting
In knowing what to expect
But when you brushed up against me
Before i knew your name
Everything was thrilling
Because nothing was the same

I want you to kiss me
I want you to kiss me
Like a stranger once again
Kiss me like a stranger once again
I want to believe our love's a mystery
I want to believe our love's a sin
Oh, will you kiss me like a stranger once again
I want you to kiss me like a stranger
Kiss me like a stranger once again

XV

Olhar para o lado e encontrar-te,
outra vez,
dizer-te bom dia,
sorrir dos sonhos irrequietos da manhã
e sossegar-te com o aconchego de um beijo.

Olhar para o lado e saber que estás lá,
outra vez,
ver-te de novo,
contemplar os traços de uma vida
e sossegar-me no hálito húmido da tua boca.

Olhar para o lado e sentir-te,
outra vez,
encher-me de ti,
aspirar cheirando a essência
e respirar a pele na inquietude do desejo.

Olhar para o lado e dizer amor,
outra vez.

disco

Em ano de Tom Waits até poderia ser outro, mas como é possível.
É só ouvir.



12/12/2011

livro

Não percebo nada de melhores nem de estrelas, mas este foi o que mais gostei de ler este ano.


Rainer Maria Rilke a Lou Andréas-Salomé

Todos sabemos que o destino não tem destino,
sabemos que o destino passa frio
numa rua escura,
num deserto habitado apenas pelo vento.
Só não o dizemos a ninguém,
preferimos calar que o destino
anda dentro dos bolsos da noite,
preferimos escondê-lo na tristeza
snobe dos escritores de canções.
O destino, essa cadeia infame que nos prende,
nos adestra e nos mantém
morrendo para dentro de um poema.

Todos sabemos que o futuro não tem destino.
É esta a razão da nossa trajectória:
a seguir a cada argumento,
uma vaga precavida de calor
para que nos comportemos bem
à porta da sabedoria.

Todos sabemos que a medida do destino
é o fumo esvaindo-se no ar,
o ar adaptando-se aos pulmões,
os pulmões crescendo para fora do peito,
quebrando os ossos.

Henrique Manuel Bento Fialho

satisfied



I said i will have satisfaction
I will be satisfied
Before i'm gone
Before i'm gone

I will have satisfaction
I will be satisfied
I will have satisfaction
I will be satisfied

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola sabe o que é o sacrifício e sabe que em nome do sacrifício se tem sacrificado muita boa gente e, por vezes, Zacarias himself também não consegue fugir a um bom sacrifício, por exemplo, levar uma tia a um concerto dos Anjos. Contudo, a noção messiânica do sacrifício pelo amor aos Homens como noção de amor que se tem mantido até hoje sugere a Segura a Viola uma malha muito desafinada e falaciosa.
Para o coração de Zacarias o amor faz-se não se sacrifica, não se obriga e muito menos se deve.

06/12/2011

do amor

às vezes assim


outras assado