12/11/2012

constatação à Jesus

A triste das realidades pá é que ainda vinvemos num cantinho, assim tipo, muita piquinino e salazarento ou lá o quéisso pá, que eu de políticas não percebo népias.
Cheira mal aqui pá. Quem é que se descuidou acima das suas possibilidades? Jo quê!
Esse já não joga no Benficas pás.

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola já não se espanta com muita coisa, mas num país de pseudos-muitas coisas, a pseudo-caridosa Jonet ainda conseguiu deixar Zacarias abananado e a sentir-se culpado por estar a comer uma banana, que, vendo bem, daria para alimentar pelo menos três ou quatro pessoas, ainda por cima logo após ter ingerido duas grandes batatas-doces, umas quantas castanhas e uns copos de tintol de garrafão. O coração de Zacarias contraiu-se só de pensar neste luxo acima das possibilidades e promete que no magusto do ano que vem, se ainda cá estiver, vai deixar meia banana, uma batata-doce, umas quantas castanhas e um copo de tintol para a Jonet dar aos pobrezinhos que andaram a viver acima das suas possibilidades. Com muito coração dá para imensa gente ó Jonet.

beatice

Tive o cuidado de ouvir as debatidas declarações de Isabel Jonet duas ou três vezes para assegurar que não me escapou nada e, sinceramente, não vejo motivos para tanto alarido. Jonet é o protótipo da beata fina que prolifera em Portugal. Vive num mundo altamente desfocado, alicerçado em dogmas ultrapassados. Aposto que votou contra a despenalização do aborto e que educa os filhos com base em livros escritos pelos seus amigos pedopsiquiatras, o que me levanta sempre sérias dúvidas relativamente à sanidade mental desses pais autómatos. As suas polémicas declarações misturam alguma realidade tangível (meio país viveu acima das suas possibilidades durante anos e anos - facto absolutamente indesmentível) com considerações um bocado imbecis resultantes daquela pose evangelista de amiga dos pobrezinhos.

texto integral aqui: http://hipocrisiasindigenas.blogspot.pt/2012/11/a-beatice_9.html

mundo de Jonet

Camarada Van Zeller, as ciganas do meu bairro excitam-me. As novas e as velhas. Estas porque vestem saias compridas, geralmente negras, não vão à cabeleireira e levantam-se cedo para apanhar caracóis. As outras porque parecem putas, vestem-se como putas, entram e saem de carros suspeitos, tal qual putas. E as putas excitam-me. As ciganas do meu bairro vivem no mundo de Jonet, apesar de não lavarem os dentes. Suponho que não os lavem porque ou os não têm ou os têm estragados. A pasta de dentes está pela hora da morte, não oferecem detergentes para a boca na benfeitoria, só sopa de caracóis. É preciso poupar para ir ao bowling beber café, já que não dá para ir ao concerto de rock. As ciganas do meu bairro nem sequer gostam de rock, o mais rock que ouvem é o Tony Carreira na grafonola do Mercado de Santana. Se alguma vez foram a um concerto, foram puxadas pelos carros suspeitos. Talvez tenham dançado ao som dos Lords nas festas em honra de Nossa Senhora de Jonet, à freguesia do Auxílio. Olho para as ciganas do meu bairro, este bairro do mundo de Jonet, e imponho-me uma estóica reaprendizagem de ser pobre. Isto de reaprender a ser pobre tem muito que se lhe diga, porque só reaprende a ser pobre quem já o foi e deixou de ser. Quem nunca foi pobre pode não ter sequer que aprender a sê-lo, bastando-lhe sugerir aos que já o foram que voltem a sê-lo. Eu quero ser pobre, eu ambiciono ser pobre, eu desejo ser pobre, preciso que me ensinem a ser pobre. Eu venho-me de austeridade. Por isso me levanto bem cedo, antes de ir para o trabalho, e fico a olhar as ciganas do meu bairro. Masturbo-me a olhá-las - as velhas apanhando caracóis, as novas ganhando para o Nestum - e confesso que tenho vivido acima das minhas possibilidades. Nada devo a ninguém, felizmente, mas a verdade é que vivo acima das minhas possibilidades. Contribuo para o banco alimentar, distribuo cigarros pelos carochos, fumo e bebo e vou ao cinema e ao concerto de rock. Só não vou à missa largar tostão no cesto de verga, não quero exagerar nesta coisa do despesismo. Sou um consumista indefectível, tenho asma, respiro mais do que o necessário, do MEO prescindiria não fosse ter a viver comigo uma família idiota. A minha família é idiota, vive num mundo de Jonet. No mundo de Jonet nós vivemos de uma maneira completamente idiota.

texto integral aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/search?q=jonet

09/11/2012

caçar

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola não gosta de fazer aos outros o que não gosta que lhe façam a si, não gosta que os outros lhe façam o que não gosta de fazer aos outros, não gosta de não fazer aos outros o que os outros gostam que lhes façam, não gosta que os outros não lhe façam o que gosta que lhe façam, não gosta que os outros gostem de não gostar e não gosta de gostar de quem não gosta e, aqui, abre-se uma auto-estrada de infinitudes de nãos quando gosta é de sins.
O que o coração de Zacarias gosta mesmo é de gostar e da ratoeira do Tom também.

Viens, Viens

sexo

Gostava de entrelaçar os meus dedos no teu coração, agarrar-te o músculo com a palma da mão e sentir todos os batimentos no pulsar dos meus nervos, alinhar o compasso das batidas e afinar as palavras no pensamento que o sangue trouxe.

08/11/2012

é que os desafinados também têm um coração



Não há nada que me console, neste momento
Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura nem tão pouco raiva
Neste momento, não há nada que me console

DeZafinando em MIm
Só em MIm
Nesta vida de uma nota só 
Sozinha, perdida, deZafinada
Só em MIm
DeZafinando em MIm

Não há nada que queira, agora
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa nem tão pouco fúria
Agora, não há nada que queira

DeZafino em MIm
Só em mim
E em toda a escala
Nesta bruma feita vida
Gasta, corroída, vazia, errada
Em toda a escala deZafino em MIm
Só em MIm

Não há nada que lembre, sempre
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, muito menos glória
Sempre não há nada que lembre

DeZafinando sempre
Todas as notas e canções
Todas as palavras e poemas de uma vida
Feia, falhada, cansada
Todas as canções
DeZafinando sempre

Não há nada que faça, todos os dias
Não há desejo, não há interesse
Não há memória nem tão pouco pensamento
Todos os dias, não há nada que faça

DeZafinando em MIm,
sempre e só em MIm

Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura, não há raiva
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa, não há fúria
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, não há glória
Não há desejo, não há interesse
Não há memória, não há pensamento

Sempre e só em MIm
DeZafinando em MIm

Não há amor, não há verdade.

06/11/2012

mortos e mortos-vivos

Os mortos têm rostos imprecisos, a memória que lhes guardamos é como um corpo em decomposição. Com o tempo, tornam-se inidentificáveis. Até nada mais restar deles senão uma vaga certeza de terem existido, porque a própria existência dos mortos parece uma mentira.

aqui:  http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/11/mortos.html


E quando acontece o mesmo com os que estão vivos mas é como se tivessem morrido. Será que foram uma verdade ou uma mentira que o tempo levou?

shake it

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta de frases feitas, daquelas que todos partilham no facebook como quem bate com a mão no peito aos domingos na igreja e, depois, passam a semana a fazer o contrário do que apregoam. Uma das frases deixou Zacarias confuso. Se a mente se enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá, a pergunta que se impõe é: na realidade o que é aquilo?

30/10/2012

modern drift


I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
When the moment dies
And i come to you
With a broken lie
That i made for you.
If i wait to see you
With the living ghosts
Will they catch your sight
Or the back of you?
I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
We appear so strong
But we're all afraid.
They will play your hands
Like a puppeteer.
And the dreams aren't true
But we know it-we know that too-
That the angel said to the hollow death:
"i can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
"you can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
"it's all i have".


A todas as palavras e nomes dados,
definições, rótulos, pensamentos falados,
preconceitos, ideias, considerações,
juízos, opiniões, boas ou más intenções.
A todos os ditames, velhas e novas doutrinas,
avisos, normas, regras cabotinas,
critérios, valores, generalizações,
ordens, exemplos ou supostas ponderações.
Penso pó.
Quem comigo não quiser estar,
entre este e o outro lugar,
nesta paragem em movimento,
posição sem assento.
Fico só.

A todas as ordens, comandos e posturas,
promessas, intenções, anseios, juras,
perspectivas certas, incertas,
razão, fé ou esperança despertas.
A todas as coisas do espírito e essência,
constância, presença ou ausência,
graça, alma, energia, sentido,
sopro, suspiro ou bramido.
Penso perigo.
Quem de mim apenas duvidar,
não é caso para alarmar,
neste  ou noutro caminho,
com mais ou menos alinho.
Fico comigo.

Se o que escrevo parece pretensioso,
falho, iníquo ou presunçoso,
vazio, frívolo, leviano,
uma mentira, uma verdade ou um engano.
Será um desentendimento descabido,
porque a um pássaro ferido,
não se nega abrigo.
Sigo, contradigo, desdigo, redigo, castigo.
Desato o nó.
E o vento levar-me-á,
e o vento levar-te-á.
Migalhas ínfimas de poeira
qual erro, qual asneira,
qual busca, qual demora, qual agora,
qual fracasso, qual sucesso, qual hora,
quer queira quer não queira
serei poeira e só poeira.
E serei só.

bom dia

Do alto dos desalinhados cabelos brancos e aos cinquenta e tal anos, o coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nada sabe, mas ainda pensa saber que se anda por aqui, planeta Terra ou emTerra, a batalhar por quem se ama e depois morre-se.
O pior é que nesta amargura já nem novidade existe.

25/10/2012

e a questão é: o trompete é rebelde ou mal-educado?

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola teve, hoje, uma reunião com vários professores, doze ou treze para ser mais exacto sem exactamente ser preciso. Ao ar acabado, resignado e, até, desinteressado de 60 a 70% dos senhores e senhoras, sucederam-se palavras transtornadas, amarguradas, desesperadas de queixas sem fim. Quando questionados objectivamente sobre a atenção dada na formação de turmas, sobre a necessidade de aguçar uma geração que consegue falar no facebook, mandar sms e ver um filme ou um jogo de futebol em simultâneo e, também, sobre distinguir o que é má-educação, parvoíce e estupidez de uma rebeldia saudável, objectivamente não objectivaram nada. Não confirmam nem desmentem, não se comprometem nem, tão pouco, se "compromentem", o mal estar está no ar e os putos têm é que não chatear, até porque, desconfia Zacarias, tem de se guardar força e capacidade para os dramáticos enredos da casa do degredo.
O coração de Zacarias percebe que os profs têm sido burocratizados, maltratados e desacreditados, mas com aquelas carrancas e discurso até a Zacarias apeteceu começar aos pinotes e caretas na reunião.

Casa dos Segredos ou a bondade televisiva


Há dias, nos minutos de Casa dos Segredos (TVI) que acompanhei, a apresentadora do programa insistia com os concorrentes para lhe dizerem se tinham ou não tinham estado “debaixo do edredon”... Mais do que isso: se admitiam que, nos dias mais próximos, iam estar “debaixo do edredon”... Presente na plateia, a mãe de uma das concorrentes foi mesmo solicitada a comentar o facto de a sua filha ter estado, ou poder vir a estar, “debaixo do edredon”... (e a humilhação a que a incauta senhora foi sujeita não foi das coisas mais agradáveis de observar).
Acontece isto num espaço televisivo em que, ciclicamente, nos impingem também uns programas muito sérios em que alguém modera conversas seriíssimas sobre temas de inquestionável seriedade. Temas como, por exemplo, a educação sexual...
E o mais espantoso já nem é o facto de a televisão, como sistema de linguagens, alimentar esta esquizofrenia mediática de nos vender os horrores do Big Brother e seus derivados, ao mesmo tempo que, ciclicamente, assume um ar muito sério para nos querer convencer que está preocupada com as atribulações dos humanos. O mais espantoso é que, sempre que se discutem as chamadas questões transversais, a própria televisão não seja convocada para o diálogo.
Fala-se da quebra de índices de leitura e ninguém fala de televisão... Fala-se da fragilização da consciência política dos cidadãos e ninguém fala de televisão... Fala-se de sexualidade e educação sexual e ninguém fala de televisão... E há sempre aquele momento em que algum dos convidados mais cândidos diz: “Seria importante perceber o papel da televisão na conjuntura que estamos a discutir...” Quase sempre também, há um moderador atento que esclarece: “Pois, isso é muito interessante, mas o nosso tema não é esse.”
Uma coisa é certa: através de tais práticas, a televisão alimenta as mais delirantes formas de fingimento, como se o mundo fosse um interminável espectáculo de coisas malignas, aqui e ali resgatado pela bondade inquestionável das mensagens televisivas. E tudo isso, heroicamente, por cima do edredon.

18/10/2012

Today's Supernatural



Come on let-let-let-let-let-let-let go
From that sea-saw
This is fucking your brain
It's gonna hold me out again
Come on let-let-let-let-let-let-let go
By all the key-hole
You can press yourself against it
You keep waiting for me cage

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola desgrenhado ao espelho:
Camaradas e Camarados a nossa arma é a razão e o pensamento, por isso, portugueses e portuguesas, revoltem-se. Amigos e amigas a conjuntura e o conjunturo não é a que nos querem vender, outro mundo é possível. Unam-se contra os  ratos, ratas, coelhos, coelhas e todos os animais e animalas que nos governam. O poder dos corações e coraçonas vencerá e, já agora, exijam um novo acordo ortográfico, se existe coração porque não existe coraçona, se existe azeitona porque não existe azeitão e por aí fora. Obrigado, obrigada a todos e todas, amigos, amigas, portugueses, portuguesas, camaradas e camarados.