06/11/2012

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta de frases feitas, daquelas que todos partilham no facebook como quem bate com a mão no peito aos domingos na igreja e, depois, passam a semana a fazer o contrário do que apregoam. Uma das frases deixou Zacarias confuso. Se a mente se enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá, a pergunta que se impõe é: na realidade o que é aquilo?

30/10/2012

modern drift


I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
When the moment dies
And i come to you
With a broken lie
That i made for you.
If i wait to see you
With the living ghosts
Will they catch your sight
Or the back of you?
I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
We appear so strong
But we're all afraid.
They will play your hands
Like a puppeteer.
And the dreams aren't true
But we know it-we know that too-
That the angel said to the hollow death:
"i can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
"you can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
"it's all i have".


A todas as palavras e nomes dados,
definições, rótulos, pensamentos falados,
preconceitos, ideias, considerações,
juízos, opiniões, boas ou más intenções.
A todos os ditames, velhas e novas doutrinas,
avisos, normas, regras cabotinas,
critérios, valores, generalizações,
ordens, exemplos ou supostas ponderações.
Penso pó.
Quem comigo não quiser estar,
entre este e o outro lugar,
nesta paragem em movimento,
posição sem assento.
Fico só.

A todas as ordens, comandos e posturas,
promessas, intenções, anseios, juras,
perspectivas certas, incertas,
razão, fé ou esperança despertas.
A todas as coisas do espírito e essência,
constância, presença ou ausência,
graça, alma, energia, sentido,
sopro, suspiro ou bramido.
Penso perigo.
Quem de mim apenas duvidar,
não é caso para alarmar,
neste  ou noutro caminho,
com mais ou menos alinho.
Fico comigo.

Se o que escrevo parece pretensioso,
falho, iníquo ou presunçoso,
vazio, frívolo, leviano,
uma mentira, uma verdade ou um engano.
Será um desentendimento descabido,
porque a um pássaro ferido,
não se nega abrigo.
Sigo, contradigo, desdigo, redigo, castigo.
Desato o nó.
E o vento levar-me-á,
e o vento levar-te-á.
Migalhas ínfimas de poeira
qual erro, qual asneira,
qual busca, qual demora, qual agora,
qual fracasso, qual sucesso, qual hora,
quer queira quer não queira
serei poeira e só poeira.
E serei só.

bom dia

Do alto dos desalinhados cabelos brancos e aos cinquenta e tal anos, o coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nada sabe, mas ainda pensa saber que se anda por aqui, planeta Terra ou emTerra, a batalhar por quem se ama e depois morre-se.
O pior é que nesta amargura já nem novidade existe.

25/10/2012

e a questão é: o trompete é rebelde ou mal-educado?

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola teve, hoje, uma reunião com vários professores, doze ou treze para ser mais exacto sem exactamente ser preciso. Ao ar acabado, resignado e, até, desinteressado de 60 a 70% dos senhores e senhoras, sucederam-se palavras transtornadas, amarguradas, desesperadas de queixas sem fim. Quando questionados objectivamente sobre a atenção dada na formação de turmas, sobre a necessidade de aguçar uma geração que consegue falar no facebook, mandar sms e ver um filme ou um jogo de futebol em simultâneo e, também, sobre distinguir o que é má-educação, parvoíce e estupidez de uma rebeldia saudável, objectivamente não objectivaram nada. Não confirmam nem desmentem, não se comprometem nem, tão pouco, se "compromentem", o mal estar está no ar e os putos têm é que não chatear, até porque, desconfia Zacarias, tem de se guardar força e capacidade para os dramáticos enredos da casa do degredo.
O coração de Zacarias percebe que os profs têm sido burocratizados, maltratados e desacreditados, mas com aquelas carrancas e discurso até a Zacarias apeteceu começar aos pinotes e caretas na reunião.

Casa dos Segredos ou a bondade televisiva


Há dias, nos minutos de Casa dos Segredos (TVI) que acompanhei, a apresentadora do programa insistia com os concorrentes para lhe dizerem se tinham ou não tinham estado “debaixo do edredon”... Mais do que isso: se admitiam que, nos dias mais próximos, iam estar “debaixo do edredon”... Presente na plateia, a mãe de uma das concorrentes foi mesmo solicitada a comentar o facto de a sua filha ter estado, ou poder vir a estar, “debaixo do edredon”... (e a humilhação a que a incauta senhora foi sujeita não foi das coisas mais agradáveis de observar).
Acontece isto num espaço televisivo em que, ciclicamente, nos impingem também uns programas muito sérios em que alguém modera conversas seriíssimas sobre temas de inquestionável seriedade. Temas como, por exemplo, a educação sexual...
E o mais espantoso já nem é o facto de a televisão, como sistema de linguagens, alimentar esta esquizofrenia mediática de nos vender os horrores do Big Brother e seus derivados, ao mesmo tempo que, ciclicamente, assume um ar muito sério para nos querer convencer que está preocupada com as atribulações dos humanos. O mais espantoso é que, sempre que se discutem as chamadas questões transversais, a própria televisão não seja convocada para o diálogo.
Fala-se da quebra de índices de leitura e ninguém fala de televisão... Fala-se da fragilização da consciência política dos cidadãos e ninguém fala de televisão... Fala-se de sexualidade e educação sexual e ninguém fala de televisão... E há sempre aquele momento em que algum dos convidados mais cândidos diz: “Seria importante perceber o papel da televisão na conjuntura que estamos a discutir...” Quase sempre também, há um moderador atento que esclarece: “Pois, isso é muito interessante, mas o nosso tema não é esse.”
Uma coisa é certa: através de tais práticas, a televisão alimenta as mais delirantes formas de fingimento, como se o mundo fosse um interminável espectáculo de coisas malignas, aqui e ali resgatado pela bondade inquestionável das mensagens televisivas. E tudo isso, heroicamente, por cima do edredon.

18/10/2012

Today's Supernatural



Come on let-let-let-let-let-let-let go
From that sea-saw
This is fucking your brain
It's gonna hold me out again
Come on let-let-let-let-let-let-let go
By all the key-hole
You can press yourself against it
You keep waiting for me cage

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola desgrenhado ao espelho:
Camaradas e Camarados a nossa arma é a razão e o pensamento, por isso, portugueses e portuguesas, revoltem-se. Amigos e amigas a conjuntura e o conjunturo não é a que nos querem vender, outro mundo é possível. Unam-se contra os  ratos, ratas, coelhos, coelhas e todos os animais e animalas que nos governam. O poder dos corações e coraçonas vencerá e, já agora, exijam um novo acordo ortográfico, se existe coração porque não existe coraçona, se existe azeitona porque não existe azeitão e por aí fora. Obrigado, obrigada a todos e todas, amigos, amigas, portugueses, portuguesas, camaradas e camarados.

17/10/2012

camaradas, amigos e também amigas claro, ainda dizem que os camaradas são só velhos


O outro rio está igualmente caudaloso, mas tem foz e leito e sabe muito bem o que quer e di-lo cada vez mais. A manifestação da CGTP era muito mais difícil de fazer com sucesso do que a de 15 de Setembro. Não contava com a mesma simpatia comunicacional que a de 15 de Setembro, e teve que ser sujeita a uma agenda comunicacional assente na comparação de números com a anterior. Com toda a força que tem o pensamento débil, parecia que as redacções não queriam fazer mais nada do que saber se uma era maior do que a outra, se a multidão cabia no Terreiro do Paço cuja medida “cientifica” foi contraposta á de uma Praça de Espanha, nunca medida, nem cheia. A tendência para o exagero dos números de dia 15, contrastava aqui com a minimização, e como a cabeça não dava para muito mais, não viam o muito que havia para ver de novo no dia 29 de Setembro. Da mesma maneira que elogiavam a manifestação de 15 de Setembro para a engolir, o establishment fazia de conta que a 29 apenas tinha havido um remake das sempre iguais e sensaboronas manifestações da CGTP. 

Sindicatos e CGTP são para eles “velhos”, desinteressantes e de cassete, e prestaram pouca atenção ao facto de Arménio Carlos ter feito o mais violento discurso comunista desde o PREC, a milhas do moderado Jerónimo de Sousa, dirigindo-se quase sempre aos “camaradas” e só no fim se lembrou dos “amigos e amigas”. Não viram a multidão a cantar A Internacional, não viram aquilo que foi o mais evidente sinal de uma radicalização nas fileiras do PCP desde há anos de crise. Ora isso não só é novo, como dá uma dimensão que ao governo e o poder devia suscitar as maiores preocupações. Até porque se deve ao PCP e quase só ao PCP e à CGTP o clima de “paciência” do povo português e não haver violência nas ruas. Arménio Carlos afirmou que a CGTP não permitiria violência na sua manifestação e quem lá estava sabe que isso é para tomar á letra, como sabe a polícia que confia mais no serviço de ordem da CGTP do que em milhares de efectivos. O PCP, por cultura política, despreza a violência folclórica dos esquerdistas actuais, mas é tudo menos um touro manso. 

A CGTP e o PCP estão cada vez mais a dar expressão a uma radicalidade que vem de baixo, dos locais de trabalho, seja na função pública maltratada, seja nas fábricas onde há despedimentos colectivos, seja em sectores de trabalhadores que são tratados com desprezo por administrações que estão a rasgar acordos que assinaram há um ano. Se houver greve geral podem ter a certeza que será muito mais dura. Pode até haver menos grevistas, mas os piquetes vão tomar a sua função a sério. Porque este não é o mundo das raparigas a abraçar polícias e depois andar a tirar fotografias em pose para revistas cor-de-rosa. 

16/10/2012

anda Pacheco II


Por várias razões, entre as quais se conta uma diferente proximidade social, cultural, etária, profissional, os órgãos de comunicação social tratam de forma muito diferente as manifestações da CGTP e as dos movimentos como o 15O, os grupos "culturais", "indignados", "precários", etc. Isso foi evidente ontem, com um relato muito mais hostil à Marcha contra o Desemprego, permanentemente procurando medi-la em números, compara-la, fazendo perguntas que têm implícito factores de repulsão no movimento sindical, que nunca seriam (nem foram) colocadas à manifestação da "cultura". Não há aí também factores de repulsão? Não há aí comparações a fazer entre ontem e o 15 de Setembro? E depois o mundo da "cultura" parece mais conhecido e próximo do que aquele de "outra gente", vinda da margem sul, do Alentejo, de fábricas, sim dessa coisa exótica que são as fábricas. Mais ainda: dessa coisa exótica para os jornalistas que é o mundo do trabalho industrial, em que é suposto saber a diferença entre um torno e uma fresa.


Pois é Pacheco, e as famosas forças de bloqueio dos anos 80. Ó que porra.


anda pacheco


Os casos de Passos e Relvas são típicos, porque uma parte fundamental da sua carreira é feita dentro dos partidos, nas "jotas", passam pelos cargos mais ligados ao controlo político "distributivo" no Governo (Relvas) e são empregados por terceiros em empresas em que as redes de ligação com o poder político são fundamentais para aceder aos "negócios". Uma frase esquecida de Ilídio Pinho quando dizia que ter acesso ao poder político valia um milhão de contos traduz bem a utilidade dos políticos para os seus patrões privados. As contas ainda eram em escudos, mas toda a gente percebeu de que é que ele falava.

Essas áreas incluem a formação, no tempo áureo dos fundos, e depois nos sectores como o ambiente, energias renováveis, resíduos e construção, tudo áreas que conheceram grande expansão com dinheiros públicos nos últimos anos. O caso da Tecnoforma, envolvendo Passos e Relvas, é típico de uma espécie de empresas "jota", em que pessoas com carreiras políticas interdependentes entre si se organizam para aproveitar as oportunidades que o acesso ao poder político cria. Este tipo de processos é transversal aos dois partidos, PS e PSD, e acentuou-se nos momentos em que o dinheiro fácil, com os fundos comunitários e com um Estado gastador, permitiram todo o tipo de "negócios". Uns são gigantescos, como as PPP, e outros medíocres, como o das empresas de "formação", mas são da mesma natureza e têm o mesmo perfil de protagonistas.



Muito bem Pacheco, mas que eu me lembre, apesar da cabeça pesada de tanta hipocrisia e demagogia, isto começou no tempo do Cavaco quando os fundos começaram a jorrar da UE directamente para todos esses jogos de poder. Que eu me lembre o Pacheco era um dos testas de ferro da maioria cavaquista ou estou enganado?

a queda...


Camarada Van Zeller, na mesma semana em que um austríaco, a viver acima das suas possibilidades, subiu 39 mil metros para dar o salto mais alto de todos os tempos, o Governo português apresentou o Orçamento de Estado 2013 para cair definitivamente no mais fundo abismo de que há memória. Esta semana de recordes é também a semana em que ficámos a saber o que move homens inteligentes como Vítor Gaspar no Governo. O ministro confessou que está a tentar retribuir o custo que o país teve com a sua educação, está a tentar devolver ao país esse custo. Como? Procurando arrecadar 70.589.600.000€ em impostos no próximo ano. Repare-se como nos saiu cara a educação de Gaspar, ainda ontem fotografado, ao lado de outro espécime cuja boa educação também nos tem sido tão onerosa, a oferecer um livro de anedotas a uma cocker spaniel reformada, aos 42 anos, por 10 anos de trabalho no TC que lhe valem 7255€ mensais.

maniqueísmo

No facebook anda a circular uma foto de uma criança a receber uma bandeira americana enquanto chora a morte do pai, acompanhada com este maravilhoso texto:

His dad died from fighting for our country
Click Like to show respect ♥
keep scrolling to say I don't care.


Não sei se a fotografia é pública ou privada, o que daria para uma análise mais profunda sobre a forma como podemos dispor/expor a vida dos outros sem a respectiva autorização, mas olhando apenas para o texto, só por si demonstrativo do tipo de maniqueísmo que impregna a sociedade de hoje e da hipocrisia que, inevitavelmente, daí advém, só podemos ficar preocupados.
Preocupa-me, ainda mais, a enorme contagem de pessoas que, supostamente, tentaram demonstrar o tal respeito, qual concurso de TV em que se vota no número não sei quantos para sair um ou outro, geralmente sai o mau fica a boa ou boazona, que a pornografia está cara. Claro que aqui o maniqueísmo é um pouco pervertido, porque se a matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom, a não ser que as mamas e rabos já pertençam às coisas do espírito, existe qualquer coisa que não está bem. Como tudo isto me parece hard core bdsm pesado demais e uma perversão demasiado triste do que deve ser o sentimento humano enquadrado numa racionalidade que é suposto virmos a apurar ao longo dos milénios, deixo aqui duas excelentes fotos da World Press Photo, informativas deste mundo que vai sendo o nosso.


The international jury of the 55th annual World Press Photo Contest has selected a picture by Samuel Aranda from Spain as the World Press Photo of the Year 2011. The picture shows a woman holding her wounded son in her arms, inside a mosque used as a field hospital by demonstrators against the rule of President Ali Abdullah Saleh, during clashes in Sanaa, Yemen on 15 October 2011. Samuel Aranda was working in Yemen on assignment for The New York Times. He is represented by Corbis Images.

Nick Ut 1972
Phan Thi Kim Phuc (center) flees with other children after South Vietnamese planes mistakenly dropped napalm on South Vietnamese troops and civilians.

15/10/2012

juventude

Não tenho motivos para ter saudades da juventude, detestei a puta da juventude, mas agora ouço os mais novos à conversa e percebo que este já não é de todo «o meu tempo». E eu não sou sequer igual àquilo que era «no meu tempo». Em que sentido? Expliquei-lhe que me tornei agnóstico em matéria profana, as artérias endurecem, o coração também

aqui: http://a-leiseca.blogspot.pt/2012/10/juventude-2.html

desobediência

«Nunca a lei tornou um homem mais justo; é por causa do respeito pela lei que até alguns bem-intencionados se tornam todos os dias agentes da injustiça»

Henry David Thoreau: A Desobediência Civil

elogio aos touros bravos

Quando um puto se revolta contra a injustiça, mesmo que de forma desorganizada, o que é natural devido à tenra idade, o mundo pula e avança como diz o outro. A antiguidade não deve nunca ser um posto, levei com isso na tropa e lembro-me bem da estupidez que este pensamento gera. Quando os princípios básicos de equidade não são postos em prática por quem deve, todos têm o direito e o dever até de rebelar-se, os miúdos inclusive (felizmente nem todos são morangos com açúcar) . A sociedade bem pretende formar carneiros para o rebanho, sempre foi mais fácil a quem detém algum poder lidar com carneiros do que com touros bravos que investem quando são picados, mas o que seria do mundo sem esses touros.
Terão a vida muito dificultada é certo, mas serão sempre touros bravos e não carneiros.



I'm an antichrist, I'm an anarchist
Don't know what I want
But I know how to get it
I wanna destroy the passerby
'Cause I want to be anarchy
No dog's body...

13/10/2012

parabéns Tiago


Este sou eu com a mais recente aquisição da família, sei que depois de uma queda enquanto fazia traquinices levou uma série de pontos, já começa a ficar marcado pela vida, ainda bem, tem a quem sair :). Ontem o Tiago fez 2 anos, e daqui vai um grande beijo até ao outro lado do atlântico.

vamos?



Estaba pensando sobreviviendo con mi sister en New Jersey,
Ella me dijo que es una vida buena alla,
Bien rica bien chevere

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola acordou como o dia, cheio de luz, isto não soa muito bem mas pronto, energia, ainda pior, e vontade de caçar ratos e ratas (esta nova moda do género é parva mas aqui não gostamos de melindrar ninguém). Zacarias começava pelos críticos do prémio Nobel da Paz dado à União Europeia, porque gosta de ser Europeu e de uma ideia de uma Europa unida, depois passava ao conselho de ministros, grande caçada de ratos, ratas e uma ratazana disfarçada de coelho, depois o conselho de estadinho e por aí fora. O que faria bombear mesmo o coração de Zacarias era vê-los na ratoeira do grande Tom que Espera prontos para um banho no limpinho Trancão.
Vamos?

12/10/2012

by unting rats I mean this

Which will



Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell now
Which will you love the best

where's the High



There is a house with a fountain
Things that kept me satisfied
I lost my life as a young man
And I’ve been running ever since

bom dia

Já faz tempo que Manuel Zacarias Segura Viola disse que não percebia a questão da porta que se fecha e de outra que se abre, até porque, por vezes, só há uma porta, outra questão que Zacarias não percebe é a do copo meio cheio ou meio vazio, porque um copo cheio está cheio, um copo vazio está vazio, se estiver a meio, o que é uma merda, a meio está. Assim, se é verdade que o coração de Zacarias gosta do copo cheio, não é menos verdade que o prefere vazio do que a meio.

11/10/2012

many names



Curses turned gifts 
I was struck down 
But I could rise 

10/10/2012

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola ainda não anda a caçar ratos, nem ratas, já que agora se usa e é de bom tom usar os dois géneros, mas por vezes apetece-lhe. O passado passado está, o presente é a mesma dúvida que foi o passado e que será o futuro. E se existe uma certeza com pouca dúvida que assiste o coração de Zacarias é que, com mais ou menos sangue, o coração de Zacarias um dia deixará de assisti-lo e, aí, qualquer arrependimento será inútil.     

momento

É quase impossível destacar um, mas este arrepiou. Quando for grande quero ser assim, excepto o chapéu.




And who by fire, who by water,
who in the sunshine, who in the night time,
who by high ordeal, who by common trial,
who in your merry merry month of may,
who by very slow decay,
and who shall I say is calling?
And who in her lonely slip, who by barbiturate,
who in these realms of love, who by something blunt,
and who by avalanche, who by powder,
who for his greed, who for his hunger,
and who shall I say is calling?
And who by brave assent, who by accident,
who in solitude, who in this mirror,
who by his lady's command, who by his own hand,
who in mortal chains, who in power,
and who shall I say is calling?

04/10/2012

censura

O agravamento em 30% no IRS não me vai afectar, faz alguns anos que estou fora do sistema e assim pretendo estar enquanto me for possível. Comecei a descontar muito cedo, com 18 anos, nunca aldrabei as contas da empresa nem fiquei a dever dinheiro a ninguém e devido à incompetência das repartições de finanças ainda lhes paguei mais do que o que devia, o resultado natural foi a falência. Bastaram  14 anos para ver que portugal não funciona, que a honestidade e a urbanidade não valem de nada neste cantinho.
Depois, politicamente, tenho visto um povo mais dedicado às caldeiradas do big brother's e afins ou a quantidade de amigos e frases feitas facebookianas do que a preocupações sérias com o trilhar de um caminho presente e, principalmente, futuro. Continuamos a ser um povo de dentes estragados que cospe para o chão enquanto vomita as últimas da casa dos degredos. O ensino, mesmo o superior, não é mais do que encher chouriços de má qualidade, ninguém tem paciência para ninguém porque ninguém vislumbra o presente quanto mais o futuro.
Este sentimento de desilusão não me impediu de, no sábado, estar na manifestação da CGTP, onde se protestou contra este estado de coisas mas, também, se apontaram soluções e caminhos para o futuro. Mobilizações onde só se está contra dizem-me pouco e parecem-me mais parte do problema e do estado das coisas do que solução para o que quer que seja. Hoje, o Partido Comunista Português e o Bloco estão a apresentar, naturalmente e muito bem, moções de censura à insustentabilidade das políticas que nos tem conduzido ao estado de miséria social e cultural que vivemos. Que faz o PS, abstém-se, como, possivelmente, a maioria dos manifestantes do dia 15 de Setembro  até porque os penteados dos primeiros ou candidatos a primeiros continuam em permanente actualização e a ser notícia.

20/09/2012

portugal

bom dia

As manifestações aquecem o coração de Manuel Zacarias Segura Viola. Desde tenra idade, levado pela mão do pai, que Zacarias caminhava e dizia palavras de ordem bonitas como O Povo Unido Jamais Será Vencido. Nessa altura, as pessoas manifestavam-se contra algo e a favor de outro algo, nestas novas aglomerações facebookianas sabemos contra o que são, mas Zacarias pergunta: são a favor de quê?

12/09/2012

uma carta

Exmo. Senhor Primeiro Ministro














Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe. 

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal. 

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia. 

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se contempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo. 

De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa 

10/09/2012

morangos com cultura


O que está em jogo no debate cultural português, aqui e agora, 2012, não é saber o que se inscreve na cultura e o que fica de fora, supostamente entrando no espaço intocável (?) e inimputável (??) do divertimento. O que a ideologia de esquerda foi recalcando, acabando por ser consagrado pelos discursos de quase todas as forças sociais e políticas (a começar pelos partidos de esquerda e de direita), é um facto seco e linear: nenhuma intervenção pública é exterior à cultura. A cultura não é necessariamente um lugar de apaziguamento colectivo, mas sim um palco permanentemente agitado pelas diferenças que nele se explicitam.
Por alguma razão, o debate em torno do futuro da RTP é, globalmente, tão pobre. A noção de “serviço público” tornou-se mesmo um mero avatar ideológico (mais uma vez de esquerda & direita) através do qual se mascara uma dramática ausência de verdadeiros projectos políticos para o espaço televisivo – décadas de indiferença (política) em relação à televisão como peça central da dinâmica social não poderiamdar outro resultado.
Neste contexto, Morangos com Açúcar promove uma visão patética dos jovens como totós muito contentinhos, de sexualidade sempre imaculada, que conseguem proferir três devastadoras banalidades em cada conjunto de duas frases (supondo que, em algum momento, se passa da preguiça do soundbyte para a exigência da frase). Isto para além de explorar uma estética de imagem/som que nada mais tem para dar a não ser a retórica dos mais banais dispositivos publicitários. Ora, importa dizer algo de muito simples e radical: tal visão é eminentemente cultural, já que produz e consagra valores existenciais, valores de representação, valores de comunicação.
O problema não está em proclamar que qualquer filme de Manoel de Oliveira é melhor que Morangos com Açúcar (quem quiser dizer o contrário, que o faça). O problema está na cedência ideológica que a esquerda protagonizou – e, não poucas vezes, promove através de uma cega boa consciência –, gerando esta apatia social: tudo o que é medíocre, repetitivo e adequado aos valores mais fortes do mercado parece estar ilibado de qualquer responsabilidade social; tudo o que, artisticamente, escapa ao império dos estereótipos surge imediatamente recoberto por um véu de suspeição.
No limite, perdeu-se pelo caminho um dos valores viscerais do frágil e contraditório imaginário do 25 de Abril. A saber: o de que importa pensar tudo, incluindo a economia, em termos culturais.

Quem ganhou com isto?

O membro do Banco Central da Islândia Gylfi Zoega diz que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e dos bancos.

aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/islandia-defende-investigacao-ao-governo-portugues_117513.html

04/09/2012

granda tango

ratas à caça

Não era propriamente necessário um estudo, feito por Doutores, Antropólogos, Psicólogos e sei lá mais o quê, para se constatar uma realidade com  muitos séculos, mas nesta altura este estudo vem mesmo a calhar. E cada vez mais floresta a arder, não tenha tudo sido já depilado.
Em tempo de crise, as mulheres investem mais na beleza para caçar homens ricos, garante estudo norte-americano.
"jornal i" escreve que numa altura em que o mundo vive numa das maiores crises económicas da História, as mulheres investem cada vez mais na beleza. Porquê? "Querem tornar-se mais sedutoras para conquistar companheiros em boa situação económica".
Goste-se ou não da conclusão, é isso mesmo que defende o estudo norte-americano "Boosting Beauty in an Economic Decline: Mating, Spending, and the Lipstick Effect", divulgado numa publicação especializada em psicologia social e estudos da personalidade no "Journal of Personality and Social Psychology".
"Os estudos demonstram uma relação de causa e efeito entre a situação de recessão e o desejo das mulheres de comprar produtos específicos que acreditam que as vão tornar mais atraentes para o sexo oposto", explica a coordenadora da investigação, a antropóloga Sarah Hill.
De acordo com a antropóloga, as mulheres querem sempre ter parceiros com bons recursos financeiros mas em períodos de crise ainda dão mais importância a esse aspecto. "Décadas de pesquisas sobre as preferências masculinas das mulheres demonstram que essa é uma qualidade para a qual as mulheres dão mais importância"


03/09/2012

arder

Hoje no treino do meu puto em Benfica, debaixo de um ar podre de fumo de floresta a arder e de um calor infernal, lá me saiu um "esta merda devia era arder toda". As pessoas não percebem, ou não querem perceber, anda tudo tão enterrado e a focinhar no seu mundinho, que só mesmo quando esta merda arder toda é que vão acordar.
Felizmente há quem perceba.


Regresso debaixo de um calor infernal, transformado numa extensa nuvem negra ainda antes de avistamos a ponte de Santarém. Paro nos Vidais para atestar o depósito. Cai cinza do céu como se nevasse, autênticos flocos de neve metendo-se pelas narinas adentro e dificultando a respiração. Na caixa de correio, cerca de 50 folhetos anunciam o regresso às aulas. Concluo que as aulas transferiram-se da escola para as superfícies comerciais. Vou explicar isso mesmo às minhas filhas: se querem conhecer o mundo que vos espera, atentem-se neste fenómeno. Têm aqui leitura para a vida que poderá ser-vos muito útil na aprendizagem da matemática (comparar preços), da língua portuguesa (interpretar campanhas) e do estudo do meio (pensar sobre o assunto). O cenário é desolador, deprimente. Chamam a isto progresso, a este mergulho dos homens num desespero consumista que torna insuportavelmente frenética a vida quotidiana. Não me conformo e sofro, expresso aqui o meu sofrimento. Os incêndios no país são a alegoria perfeita de um certo conceito de civilização onde acontece à humanidade o mesmo que sucede à floresta, tudo arrasado, queimado, uma ruína em cima dos olhos de toda a gente e toda a gente a olhar para o lado como se ainda fosse possível esperar pela morte sem nos darmos conta do pântano onde estamos a enterrar os nossos filhos. Parece-vos depressivo, o discurso? Sofrerei eu de neurastenia? Abram os olhos, olhem à vossa volta, e digam-me se estou errado.

aqui : http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/09/regresso.html

caçar ratos ó Zacarias

bom dia

Ultimamente, uma pergunta anda a deixar Manuel Zacarias Segura Viola com os cabelos mais desgrenhados e o coração mais inchado. Quando não nos revemos no passado, temos dúvidas sobre o presente e não vislumbramos futuro, que fazemos?

discordâncias

A que no mundo tudo é fatal, inclusive a liberdade: há quem nasça com ela e quem nasça com a sua negativa, devendo-se sempre, em qualquer caso, supor que se nasceu com liberdade, estando mais próximo do divino aqueles a quem a liberdade tiver sido dom do fatal; ora digam-me, não é a liberdade de Deus uma fatalidade? Será que pode ele, ao mesmo tempo que todo-poderoso, deixar de ser livre?E por aqui me fico: examinareis e sacudireis todas as opiniões e só provisoriamente aceitareis como vossas as que convosco um todo lógico, ainda que o não possam constituir com outras opiniões que igualmente considereis vossas. O que é fundamental é que sejais sempre inteiramente vós, mesmo que os outros vos considerem ilógicos e incoerentes. Opinião esta minha ou nossa, de que podeis e talvez devais discordar e a discordar convidareis vossos amigos: a discordância anima, o aplauso estagna.

Agostinho da Silva

07/08/2012

questões internas

A solidão é realmente uma questão interna, e constitui o melhor e mais útil progresso discernir viver de acordo com isso. Trata-se de coisas que não estão sob o nosso controle que afinal são tão simples, e o êxito compõe-se de milhares de factores, embora nós nunca saibamos quais.

Rainer Maria Rilke

26/06/2012

bom dia


Quando quer fala, quando não quer também fala, quando as palavras se enrolam procura-lhes o som, quando deseja faz, quando não percebe investiga, quando não entende pensa, volta a pensar e, se necessário, pede que expliquem,  quando não encontra procura, quando se perde no caminho volta ao princípio e começa tudo de novo, quando gosta espanta-se, quando não gosta olha outra vez e por vezes outra ainda mudando a perspectiva, quando desiste desiste mesmo, quando se desilude fica triste, quando insiste insiste mesmo, quando sonha eleva-se, quando se apaixona sabe, quando ama diz.
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola enquando bate, respira e sente.

31/03/2012

facebook

http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/03/facebook.html

dança de roda

O balcão bancário que me emprestou dinheiro para comprar a minha casa é hoje uma sex shop chamada pérola do prazer, nasci em 69, sendo um número que só por si vale o que vale com um terramoto à mistura torna tudo ainda mais vibrante. Ontem, quando saí do teatro passa um grande rato ou rata à frente do carro, macho ou fémea era uma grande ratazana. Parei e deixei-a passar, com animais destes nunca gostei de me cruzar, depois da peça e deste episódio uma epifânia assaltou-me e percebi muita coisa.
Se puderem vão ver a Dança de Roda ao Teatro de Almada, da minha parte juro não faltar às próximas consultas com a psicóloga. Raios partam os animais.

vermes

O dono desta casa tem andado ocupado em arrumações no sotão, o motivo da desarrumação é uma espécie de macacos traquinas de que não se conhece a espécie, mas desconfio que são anões.

13/03/2012

XVI

E perde-se mais um dia na ânsia de te encontrar.
Como agarrar a terra se não te acho as mãos.
Como cheirar o hálito se não te vejo a boca.
Mais um interregno marcado no tempo,
Como as folhas que vão e voltam com as estações.

Assim, o teu corpo são as raízes e eu sou o tronco.
Tu profunda dentro da terra sorvendo a água
que sustenta a minha robustez.
A tua vontade é o vai e vem das folhas
que os meus ramos aguardam.

12/03/2012

diverge - prólogo

Bruno: Andamos aqui com esta conversa de merda não sei para quê. Já viste aqueles gajos todos que morreram com 27 anos, o Hendrix, a Janis Joplin, o Morrison, o Brian Jones, o Cobain, agora a Amy casa do vinho.

Jack: Sim, o que tem?

Bruno: Então? O que tem? Coincidências a mais não?

Jack: O Ian Curtis foi com 23, outros que não são tão conhecidos nas mais variadas idades, uns foram de overdose, outros de afogamento, enforcamento, outros de sei lá do quê. O Cobain deu um tiro na testa.

Bruno: Esse é que morreu como um Homem, Pum! Já está, miolos por tudo o que é sítio.

Jack: Eu seria no coração.

Bruno: Porra meu, isso é de gaja, era um suicídio gay.

Jack: Qual suicídio! Parava só o coração que é a causa desta merda toda.

Bruno: Mas olha que ficava a doer na mesma.

Jack: Eu sei.

10/03/2012

ablativo

Já o Ablativo quando demais embaraça-se-me na língua.

08/03/2012

genitivo

Do Latim, o que sempre mais gostei foi do Genitivo, e não posso dizer que me faça sentir a lígua morta.

e agora?


14/02/2012

um texto verdadeiramente piegas

Mais um dia em que o sol se levantou num resplandecente louvor à mãe terra inundando-a de brilho e luz. (Porra que frase extraordinariamente piegas) Os seres, os mais ou menos racionais, levantam-se mais ou menos estremunhados, mais ou menos deprimidos e seguem mais ou menos caminho sem verdadeiramente sair da concha que julgam mais ou menos os proteger. Uns vão directamente para os trabalhos miseráveis que aceitam para pagar a vida, a vidinha que lhes permitem ter, que se permitem aceitar numa acomodação tão acomodada como os desejos que esqueceram e os sonhos que não lembram, mas há que por comida na mesa e pagar as continhas, uma luta perdida à partida na voragem de tudo.
Mas, enquanto não cai um calhau ou um raio gama direccionado ao centro deste lindo planeta (piegas), a vida segue e cada segundo é mais um momento conquistado aos elementos. Assim seja. Entretanto, lá nos vamos entretendo, como sempre, com as merdinhas do costume, o facebook é um manancial de pura distracção e diversão, são as frases feitas, as mensagens de amor a tudo e a todos, à mãe, ao pai, aos irmãos, aos amigos, aos cães, aos gatos, aos passarinhos (acho que não são fritos) às pulgas, aos chatos e a toda a fauna e flora desta querida terra neste glorioso universo plantado (pieguinhas), eu cá liko muito toda esta cena, aqui não há mentira, ou se lika ou não se lika e ficamos todos um pouco mais felikes. Depois, nós portugas, temos aquela arte de falar sobre tudo e sobre todos, ter sempre uma opinião é regra, até porque somos um povo muito instruído, que lê muito, principalmente os outros, quando toca a nós o espelho é o reflexo de uma luz intensa e brilhante. Por exemplo, somos uma cambada que adora futebol, nas tricas do dia seguinte claro porque quando o jogo é jogado os estádios estão vazios, somos um povo de poetas e artistas mas não lemos poesia nem vamos ao teatro, somos um povo de brandos costumes excepto para criticar o vizinho do lado ou até os mais próximos, somos um povo de garanhões e foliões que na hora da verdade se encolhe e fica castrado a moralismos serôdios. Depois do céu na terra que era Sócrates (paz à sua alma), agora temos o empreendedor e competitivo Coelho, que de castrado não parece ter nada, anda a foder tudo a torto e a direito e ainda se dá ao luxo de nos brindar com mimos e pieguices como nunca vi, o povo finge que está chateado mas anda sempre de rabo espetado a ver o que lhe calha, pode ser que uma seja bem dada e se consiga um lugar qualquer num qualquer lugar a que o rabo se habitue.
E agora para terminar de uma forma verdadeiramente piegas. Uma maravilha este glorioso rectângulo de nariz empinado para o mar cheio de gente linda, solidária e amiga, tão glorioso como a luz desta espantosa estrela que me aquece a alma.
Liko muito este sol. Levitemos.

08/02/2012

é assim



Aqui, lá, acolá em alijó e ali já em todo o lado.

07/02/2012

dialecto



O novo disco da banda do meu querido tio Lindolfo Paiva, o que parece o avô cantigas mas assim pró mais bonito, muito mais.

ar puro




let me take control,
let me take control

7




Sometimes i'd head for the highway
I'm old and the mirrors don't lie
But crazy has places to hide in
That are deeper than any goodbye
I had to go crazy to love you
Had to let everything fall
Had to be people i hated
Had to be no one at all



31/01/2012

prova documental

Preciso de prova documental, sempre precisei, talvez por optimismo, talvez por masoquismo. E quem procura provas documentais está condenado a encontrá-las.

aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/2012/01/prova-documental.html

bom dia

Do passado Manuel Zacarias Segura Viola tenta reter o que a vida lhe ensinou, cada pedra pisada foi um caminho, cada palavra teve um contexto, cada acorde uma motivação, cada acontecimento uma estória, mas, como diz o outro, o passado foi lá atrás. Do presente guarda o sol da manhã tardia que lhe bate nos olhos e as vagas nos pés enterrados nos grãos finos da areia. Do futuro a tentação de voltar a mergulhar sem medo do tamanho da onda, até porque um dia Zacarias não será mais que a terra que gosta de pisar.
Desperto para o mundo, o coração de Zacarias também sabe bater ao sabor do vento.

going home


I love to speak with Leonard
He’s a sportsman and a shepherd
He’s a lazy bastard
Living in a suit
But he does say what I tell him
Even though it isn’t welcome
He will never have the freedom
To refuse

He will speak these words of wisdom
Like a sage, a man of vision
Though he knows he’s really nothing
But the brief elaboration of a tube

Going home
Without my sorrow
Going home
Sometime tomorrow
Going home
To where it’s better
Than before
Going home
Without my burden
Going home
Behind the curtain
Going home
Without the costume
That I wore

He wants to write a love song
An anthem of forgiving
A manual for living with defeat
A cry above the suffering
A sacrifice recovering
But that isn’t what I want him to complete
I want to make him certain
That he doesn’t have a burden
That he doesn’t need a vision
That he only has permission
To do my instant bidding
That is to SAY what I have told him
To repeat

Going home
Without my sorrow
Going home
Sometime tomorrow
Going home
To where it’s better
han before
Going home
Without my burden
Going home
Behind the curtain
Going home
Without the costume
That I wore

I love to speak with Leonard
He’s a sportsman and a shepherd
He’s a lazy bastard
Living in a suit

30/01/2012

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta de olhar para todo lado e ter várias perspectivas das coisas, incluindo a periférica. Quando se levanta gosta de olhar para o sol, e, se por um momento pode ter um devaneio sonhador, do que gosta mesmo é de ouvir, aprender, fazer e dizer.
Para o coração de Zacarias chega-lhe a noção de, em todas as formas de olhar, se sentir vivo e acordado procurando fazer sempre o melhor, o que quer que isso seja.

25/01/2012

ar puro

mais presidentes

e não é político

Estou numa relação mas é complicado.

Ver aqui: https://www.facebook.com/#!/CavacoSilva?sk=info

espécie de qualquer coisa

E o facebook tem a sua piada para alguns de nós seres mortais comuns, agora para coisas sérias como mensagens do sr. sisudo e marcações de manifs faz-me assim uma espécie de qualquer coisa.

o sr. sisudo

Estou-me nas tintas para o que ganha o sr. sisudo, para as reformas do sr. sisudo, para as regalias do sr. sisudo, e até para a demagogia do sr. sisudo, o que não tenho mesmo pachorra é para o péssimo primeiro que foi, para a corja de vigaros, sacanas e bandidos de que se rodeou, que sempre amparou e que sempre o ampararam. Claro que o sr. sempre pairou sobre tudo isto, tanto como primeiro como agora como presidente, nem nunca tirou dividendos desta corja toda, aliás ele é puro como a nossa sra., virgem como o azeite e escorregadio também, aliás nem político é coitado. Podia era ser menos pobre de espírito e de reforma também já agora, 10 mil aérios para um presidente, muito mal está um país que um presidente tem só isto de reforma. Se tivesse trabalhado como deve de ser podia ter uma reforma maior e o povo que infelizmente representa também.

Killing In The Name

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gostava de se espantar com algum mundo, mas já não consegue. Entre um presidente tosco e saloio e a saloíce parola de manifestações facebokianas ou láoquéisso, a distância que existe é a de ver quem dá a dentada maior no bolo-rei e o consegue manter mais tempo na boca aberta em frente das câmaras da TV. Claro que este concurso foi ganho há muito tempo pelo sr. presidente, daí ele ser o sr. presidente eleito de todos os portugueses, inclusive do pobre Zacarias. Foda-se!
Nesta conjuntura desconjunturada Zacarias renúncia ao ponto de encontro facebokafkiano, dar asas ao coração e viver uma vida real de guitarra a tiracolo mais uma G3 que dispare balões de água na cara desta gente ser-lhe-á suficiente.

24/01/2012

alturas existem em que não há palavras
em que as canções se tornam frágeis
a poesia uma ilusão de ritmo ou futuro
e no mármore se cravam epitáfios mais ou menos banais
alturas existem em que ficamos pequenos
tão pequenos como o grão mais ínfimo
como o mais ínfimo átomo que somos
e na terra cravamos as mãos um lugar para o corpo
alturas existem que não existimos
por segundos desfaz-se o tempo
nada se faz útil nada se pensa útil
e a inutilidade é um pensamento tão vago como tudo
alturas existem que as flores são feias
de um odor indefinido a vazio
e o vazio uma canção sem nome
que um dia cantaste a alguém


http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2012/01/rui-costa-1972-2012.html

19/01/2012

para o D.

Depois de duas semanas muito tristes e complicadas, chegar de levar um filho rabugento à escola ligar o computador e ver um comentário do Daniel é o tipo  de coisa que considero extraordinário, não só pela surpresa como pelo timing.
Quando vivi em Mamaroneck em 2003-2004, trabalhei num restaurante em Yonkers http://www.lusitaniarestaurant.com/, em dias de grandes festas acompanhavam-me no serviço às mesas um cinquentão bonacheirão e anafado de bigode retorcido e o Daniel, um puto de 18 anos que no final ficava a arrumar a sala comigo. Enquanto varríamos tinha paciência para ouvir os meus dilemas existências, as mágoas e angústias da altura, lembro-me de uma noite em que depois de uma festa de bombeiros, ainda ressacados do 11 de Setembro, depois de pôr no lixo mais garrafas de cerveja do que alguma vez verei na vida, ficámos a contar a alta gorjeta e a conversar até tarde. A tudo o que eu dizia respondia com uma simplicidade desarmante, o espaço para grandes metafísicas ficava ali despojado na nossa simples realidade. Uma brincadeira que eu e o anafado bigodes tínhamos era despedirmo-nos dele com beijinhos, coisa que o rapaz não gostava nada, com a azáfama dos anos fomos perdendo o contacto.

Daniel, saber que te lembras de mim é uma honra, ver que lês o meu blog é estapafurdio, saber que cresceste bem é um orgulho. O teu comentário comoveu-me, eu e o Zacarias aprendemos muito contigo.
Bjs :)

16/01/2012

o corvo voa

Lembrei-me de uma expressão de Oakeshott, «the pursuit of perfection as the crow flies». Procurei essa passagem: «The pursuit of perfection as the crow flies is an activity both impious and unavoidable in human life. It involves the penalties of impiety (the anger of the gods and social isolation), and its reward is not that of achievement but that of having made the attempt. It is an activity, therefore, suitable for individuals, but not for societies». As minhas ideias sempre foram desfavoráveis à «busca da perfeição» na sociedade, ao passo que o meu temperamento favorecia a «busca da perfeição» no indivíduo. Mas talvez as minhas ideias tenham levado a melhor sobre o meu temperamento, ou o tenham modificado, na medida em que cheguei à conclusão de que também o projecto individual está condenado. Oakeshott, no mesmo ensaio, explica: «For an individual who is impelled to engage in it [the pursuit of perfection], the reward may exceed both the penalty and the inevitable defeat. The penitent may hope, or even expect, to fall back, a wounded hero, into the arms of an understanding and forgiving society. And even the impenitent can be reconciled with himself in the powerful necessity of his impulse, though, like Prometheus, he must suffer for it». Já passei por isso, tentei e falhei gloriosamente em devido tempo, com o devido dramatismo prometaico e o devido chinfrim. Agora, fico-me por objectivos modestos, a segurança e a decência, por exemplo. Fico a ver o corvo voar em vez de voar com ele.

aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola, apesar da idade, da evidência experenciada e sabida, continua a lidar muito mal com a bazófia e a hipocrisia. Depois, não sendo homem dado à parvoíce da mundanice nem ao logro de uma intelectualidade estéril, acaba por ficar num meio que só contribui mais para uma tendência misantrópica que nunca desejou.
Assim, resta ao coração de Zacarias reconhecer quem de facto lhe faz bem e, por vezes, fazer um teste de esforço cardíaco para aceitar, desde que não fique sem ar.

13/01/2012

recomeçar

Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga


aqui: http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2012/01/recomecar.html

07/01/2012

exorcismo

O senhor precisa de esquecer que o mundo existe, precisa de esquecer-se de si próprio, precisa de criar na sua vida momentos de suspensão, precisa de ler e de escrever como se não houvesse nada mais importante sobre a terra, precisa de alimentar os seus medos e as suas frustrações com o veneno da indiferença, precisa de dizer adeus ao passado e, se lhe não for doloroso, ao próprio futuro.

Ler tudo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2012/01/exorcismo.html