16/12/2012

Eu Vi O Sol Brilhar em Toda A Sua Glória

Se não temos a noção do tempo que temos, se não conhecemos a dimensão do espaço que ocupamos, se não sabemos se a memória é aquilo que lembramos ou aquilo que já esquecemos, se à noite sucede o dia e, depois, novamente a noite e outro dia outra vez, se ao sangue sucede a pele e se se rasga cicatriza e sucede uma nova, se à mão sucedem os dedos e aos dedos o toque e ao toque a coragem, como é que somos só aquilo que perdemos?

http://www.teatro-dmaria.pt/pt/calendario/eu-vi-o-sol-brilhar-em-toda-a-sua-gloria/

14/12/2012

Invincible WHO?


Follow through
Make your dreams come true
Don't give up the fight
You will be alright
'Cause there's no one like you
In the universe
Don't be afraid
Of what you're mind conceals
You should make a stand
Stand up for what you believe
And tonight we can truly say
Together we're invincible
And during the struggle
They will pull us down
But please, please let's use this chance to
Turn things around
And tonight we can truly say
Together we're invincible
Do it on your own
It makes no difference to me
What you leave behind
And what you choose to be
And whatever they say
Your soul's unbreakable
And during the struggle
They will pull us down
But please, please let's use this chance to
Turn things around
And tonight we can truly say
Together we're invincible
Together we're invincible

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola não gosta mesmo nada das palavras respeito e limites, dão-se a muitos equívocos, interpretações falaciosas ou, no mínimo, prepotentes, e foram, notoriamente, abusivas no tempo da nossa senhora. Para Zacarias são mais bonitas e objectivas as palavras consideração, estima ou reconhecimento por exemplo, não perdendo a noção que com papas e bolos se enganam os tolos. Já a responsabilidade surge a Zacarias como um pau de dois bicos, sendo importante o assumir da mesma nas mais variadas situações da vida, não deixa de constatar que os que mais se põe de parte nessa assunção são os que mais criticam os que, inevitavelmente e por vezes, erram no afã dessas mesmas responsabilidades.
Uma coisa descansa o coração de Zacarias, está farto de errar na vida.

13/12/2012

bom dia

Tipo, Manuel Zacarias Segura Viola conhece alguns tipos, tipo o arquétipo, tipo o estereotipo, tipo tipografia, tipo tipo de letra, tipo logótipo  tipo protótipo e, tipo, um tipo é sempre um tipo qualquer. Já fulano, tipo, não sabe bem o significado, mas, tipo, pensa que será, tipo, um tipo qualquer, isto se não for, tipo, um sicrano ou beltrano, não vá este, tipo, ter ciúmes, embora seja sempre um tipo qualquer. Tipo.
Zacarias, tipo, até conhece muitos tipos, o que o coração de Zacarias ainda não teve o prazer de conhecer foi uma tipa, tipo.

responsabilidade

Na verdade, era antes por ter sido obrigado a confessar os meus pecados. Sempre me causou aflição ver pessoas a sacrificar a vida na Terra com os olhos postos numa outra vida improvável. Interpreto esse sacrifício como uma aposta, pelo que vejo uma espécie de jogo na fé com que alguém se entrega a um dogma religioso. Não acreditando que Deus exista, coloco por vezes a possibilidade d'Ele existir e concluo que, a existir, o melhor é ser-lhe indiferente. Ele saberá o que fazer com a minha indiferença. Prefiro apostar que, a existir, Deus é uma entidade sábia e não uma entidade interesseira. Um sábio conseguirá distinguir os que foram bons indiferentemente daqueles que apenas o foram interessadamente. Mas parece-me muito mais… plausível… que Deus não exista, ou então que seja diferente daquilo que as religiões apregoam. Pensar Deus como o criador de todas as coisas, uma entidade omnisciente e omnipresente – atributos que lhe são reconhecidos pelos seres humanos -, retira a Deus a preciosidade da dúvida e sobrecarrega-o com uma monstruosa responsabilidade. 

Sublinhados meus

texto integral aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2008/09/ambiente-religiosamente-austero_09.html

ena pá 50 bejos - foda-se

bom dia

A Manuel Zacarias Segura Viola faz-lhe confusão maniqueísmos de qualquer espécie. Assim, quando lhe começam a falar de super-heróis e do alto valor de determinadas acções na vida, não se sente à-vontade e desconfia, já quando lhe falam do exacto contrário, umas vezes vezes dá-lhe para rir outras para pensar, sempre na certeza de que o espelho não é a exacta medida de todo o ser, embora faça muita gente mais gorda e maior do que o próprio reflexo. Zacarias desconfia ainda mais de quem morde a língua e não diz foda-se e até de quem não diz foda-se simplesmente. Depois neste chiqueiro que é, muitas vezes, a vida, ainda há o nojo que se mete ou deixa de se meter, um porco filho-da-puta intrometido invasor este nojo.
Nesta embrulhada, uma certeza assiste o coração de Zacarias, quando nos cagamos todos cheiramos mal.

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta muito de porco. Dos pezinhos de coentrada ao fino lombo assado no forno, da simples costeleta até à não menos simples salada de orelha, da mais requintada cataplana ao mais popular e estaladiço courato, da banal salsicha ao admirável presunto, da carne de porco à alentejana às favas cheias de enchidos com sangue e sem sangue, do bacon frito ao tempero da banha do dito, Zacarias perde-se nos sentidos e, por vezes, o sentido.
Nesta azáfama delirante da razão, no coração de Zacarias uma dúvida subsiste: Será carne de porco ou de porca?

12/12/2012

a questão não é cortar é arrasar



aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/

01/12/2012

o melhor "kitsch" do mundo


The summer air was soft and warm
The feeling right, the Paris night
Did it's best to please us
And strolling down the Elysee
We had a drink in each cafe
And you
You talked of politics, philosophy and I
Smiled like Mona Lisa
We had our chance
It was a fine and true romance
I can still recall our last summer
I still see it all
Walks along the Seine, laughing in the rain
Our last summer
Memories that remain
We made our way along the river
And we sat down in the grass
By the Eiffel tower
I was so happy we had met
It was the age of no regret
Oh yes
Those crazy years, that was the time
Of the flower-power
But underneath we had a fear of flying
Of getting old, a fear of slowly dying
We took the chance
Like we were dancing our last dance
I can still recall our last summer
I still see it all
In the tourist jam, round the Notre Dame
Our last summer
Walking hand in hand
Paris restaurants
Our last summer
Morning croissants
Living for the day, worries far away
Our last summer
We could laugh and play
And now you're working in a bank
The family man, the football fan
And your name is Harry
How dull it seems
Yet you're the hero of my dreams
I can still recall our last summer
I still see it all
Walks along the Seine, laughing in the rain
Our last summer
Memories that remain
I can still recall our last summer
I still see it all
In the tourist jam, round the Notre Dame
Our last summer
Walking hand in hand
Paris restaurants
Our last summer
Morning croissants
We were living for the day, worries far away..
Agradecido ao puto Mike - Lisboa x Almada

30/11/2012

bom dia

O coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nascemos para perder, aliás começa logo nesse primeiro acto, onde perdemos o útero, depois perdemos a infância, a juventude, muitas vezes os amigos, demasiadas vezes o amor, perdemos a direcção, o caminho, o sentido e, às vezes, os sentidos, perdemos a utopia,  o querer, o desejo e, até, a vontade, perdemos a tranquilidade, o sono, o sossego ou a paz,  perdemos a disposição, a zona de conforto, o lugar e, também, o espaço, perdemos o segundo certo, os minutos, as horas e os dias, perdemos a cabeça, a razão, um pensamento ou a memória, perdemos a verve, a força, a virilidade ou, menos eufemisticamente, a tesão.
Para Zacarias podemos perder tudo menos a coragem de voltar a perder tudo de novo, depois, como dizia o avô de Zacarias, morreu fodeu-se.

momento frase feita


É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber."

Sigmund Freud

26/11/2012

almada x benfica

Banda sonora do telemóvel do puto no caminho para os treinos.









Nada mau apesar de alguns rap's que dispensava.


rockaway beach

e a distância de tudo


É um cancro nos pulmões, projectado no ar pelas palavras
e um odor fétido paira sobre todas as coisas
sobre o mármore fino dos balcões
sobre as árvores agora sem folhas
sobre a calçada dos passeios
sobre a terra alcatroada a negro
sobre a cinza dos mortos
sobre a ausência sem direcção.

É um cancro no estômago, que separa as entranhas
e um mal-estar constante que revolve o corpo
sobre a pele gretada no tempo
sobre a carne flácida na inércia
sobre as pernas cansadas
sobre os dedos sem tacto
sobre os ombros caídos
sobre a perda das horas.

É um cancro nos intestinos, tornados vísceras secas
e uma náusea solitária que encurrala o querer
sobre a vastidão confinada do espaço
sobre a erosão lenta das rochas
sobre o cimento armado dos edifícios
sobre a finitude da areia
sobre o granito das casas
sobre a espuma dos dias.

É um cancro na próstata, violada no desejo de vontade
e uma solidão profunda cavada na impotência
sobre um piano desafinado
sobre um pássaro mudo
sobre um contrabaixo sem cordas
sobre um cavalo domesticado
sobre um trompete sem boca
sobre o calor do fogo apagado.

É um cancro no cérebro, ampliado no imo do espírito
e a incerteza fotográfica de todas as imagens
sobre o passado sem história
sobre o presente sem futuro
sobre o livro sem palavra
sobre a voz sem som
sobre o peito sem nervo
sobre o pensamento perdido.


Sobre a vida
e a distância de tudo.

24/11/2012

escala de Jonet

O assunto já não é novo, mas continua a incomodar-me, não há dia que não me sinta vil e culpado por viver como vivo. Todas as manhãs, enquanto bebo a bica no Martins, só consigo pensar que estou a viver acima das minhas possibilidades, em casa podia beber o café por apenas 25 cêntimos, poupava 35 e não tinha de aturar o bigode mal-disposto do Martins todos os dias, já a Sra. do Martins desde que soube que eu era licenciado é Sr. Nelson para aqui Sr. Nelson para ali, embora eu continue a olhar para os lavagantes de lado quando passo pela montra, porque isso é só para os que vivem abaixo das possibilidades, os que vivem ao lado acho que se ficam pelos caracóis, babam-se muito entre o desejo de baixarem e o medo de subirem na escala de Jonet.
Depois estou sempre a fazer contas, se como demais, se preciso de tanta luz para ler mas se for pouca pioro dos faróis e tenho de mudar as lentes aos binóculos, se não gasto muito papel higiénico, por outro lado se for pouco sujo os dedos e gasto mais água e sabão macaco, ando o dia todo a cheirar-me para não tomar banho sem ser estritamente necessário que o gás está pela hora da morte e a água mais o sabão macaco também, se ando de carro gasto gasóleo, se ando a pé gasto as solas e fico com mais fome e gasto mais comida, suo mais e tenho de gastar mais água mais o, inevitável, sabão macaco, enfim, mais dilemas que uma tragédia grega, tragédia clássica atenção, não esta coisa moderna das troikas.
Por fim, ou melhor, no início, porque a bem dizer é assim que começa esta caldeirada toda, há o sexo, ainda estou para descobrir se acima ou abaixo das minhas possibilidades, mas como ainda não se paga, nem imposto nem nada, e como a ginástica feita me dá mais saúde física e psicológica (que as merdas da cachimónia estão na moda e não são para desprezar), com o dinheiro que poupo em ginásios, psis, terapeutas, medicamentos, estou inclinado para que seja abaixo das possibilidades não fosse o raio da fome desgraçada que me dá a seguir. Confesso que tenho comido muito, mas o que posso fazer se tenho fome e gosto muito de comer, além disto tudo este ano já fui a 4 concertos de rock e umas 5 peças de teatro.

12/11/2012

constatação à Jesus

A triste das realidades pá é que ainda vinvemos num cantinho, assim tipo, muita piquinino e salazarento ou lá o quéisso pá, que eu de políticas não percebo népias.
Cheira mal aqui pá. Quem é que se descuidou acima das suas possibilidades? Jo quê!
Esse já não joga no Benficas pás.

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola já não se espanta com muita coisa, mas num país de pseudos-muitas coisas, a pseudo-caridosa Jonet ainda conseguiu deixar Zacarias abananado e a sentir-se culpado por estar a comer uma banana, que, vendo bem, daria para alimentar pelo menos três ou quatro pessoas, ainda por cima logo após ter ingerido duas grandes batatas-doces, umas quantas castanhas e uns copos de tintol de garrafão. O coração de Zacarias contraiu-se só de pensar neste luxo acima das possibilidades e promete que no magusto do ano que vem, se ainda cá estiver, vai deixar meia banana, uma batata-doce, umas quantas castanhas e um copo de tintol para a Jonet dar aos pobrezinhos que andaram a viver acima das suas possibilidades. Com muito coração dá para imensa gente ó Jonet.

beatice

Tive o cuidado de ouvir as debatidas declarações de Isabel Jonet duas ou três vezes para assegurar que não me escapou nada e, sinceramente, não vejo motivos para tanto alarido. Jonet é o protótipo da beata fina que prolifera em Portugal. Vive num mundo altamente desfocado, alicerçado em dogmas ultrapassados. Aposto que votou contra a despenalização do aborto e que educa os filhos com base em livros escritos pelos seus amigos pedopsiquiatras, o que me levanta sempre sérias dúvidas relativamente à sanidade mental desses pais autómatos. As suas polémicas declarações misturam alguma realidade tangível (meio país viveu acima das suas possibilidades durante anos e anos - facto absolutamente indesmentível) com considerações um bocado imbecis resultantes daquela pose evangelista de amiga dos pobrezinhos.

texto integral aqui: http://hipocrisiasindigenas.blogspot.pt/2012/11/a-beatice_9.html

mundo de Jonet

Camarada Van Zeller, as ciganas do meu bairro excitam-me. As novas e as velhas. Estas porque vestem saias compridas, geralmente negras, não vão à cabeleireira e levantam-se cedo para apanhar caracóis. As outras porque parecem putas, vestem-se como putas, entram e saem de carros suspeitos, tal qual putas. E as putas excitam-me. As ciganas do meu bairro vivem no mundo de Jonet, apesar de não lavarem os dentes. Suponho que não os lavem porque ou os não têm ou os têm estragados. A pasta de dentes está pela hora da morte, não oferecem detergentes para a boca na benfeitoria, só sopa de caracóis. É preciso poupar para ir ao bowling beber café, já que não dá para ir ao concerto de rock. As ciganas do meu bairro nem sequer gostam de rock, o mais rock que ouvem é o Tony Carreira na grafonola do Mercado de Santana. Se alguma vez foram a um concerto, foram puxadas pelos carros suspeitos. Talvez tenham dançado ao som dos Lords nas festas em honra de Nossa Senhora de Jonet, à freguesia do Auxílio. Olho para as ciganas do meu bairro, este bairro do mundo de Jonet, e imponho-me uma estóica reaprendizagem de ser pobre. Isto de reaprender a ser pobre tem muito que se lhe diga, porque só reaprende a ser pobre quem já o foi e deixou de ser. Quem nunca foi pobre pode não ter sequer que aprender a sê-lo, bastando-lhe sugerir aos que já o foram que voltem a sê-lo. Eu quero ser pobre, eu ambiciono ser pobre, eu desejo ser pobre, preciso que me ensinem a ser pobre. Eu venho-me de austeridade. Por isso me levanto bem cedo, antes de ir para o trabalho, e fico a olhar as ciganas do meu bairro. Masturbo-me a olhá-las - as velhas apanhando caracóis, as novas ganhando para o Nestum - e confesso que tenho vivido acima das minhas possibilidades. Nada devo a ninguém, felizmente, mas a verdade é que vivo acima das minhas possibilidades. Contribuo para o banco alimentar, distribuo cigarros pelos carochos, fumo e bebo e vou ao cinema e ao concerto de rock. Só não vou à missa largar tostão no cesto de verga, não quero exagerar nesta coisa do despesismo. Sou um consumista indefectível, tenho asma, respiro mais do que o necessário, do MEO prescindiria não fosse ter a viver comigo uma família idiota. A minha família é idiota, vive num mundo de Jonet. No mundo de Jonet nós vivemos de uma maneira completamente idiota.

texto integral aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/search?q=jonet