08/11/2012
é que os desafinados também têm um coração
Não há nada que me console, neste momento
Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura nem tão pouco raiva
Neste momento, não há nada que me console
DeZafinando em MIm
Só em MIm
Nesta vida de uma nota só
Sozinha, perdida, deZafinada
Só em MIm
DeZafinando em MIm
Não há nada que queira, agora
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa nem tão pouco fúria
Agora, não há nada que queira
DeZafino em MIm
Só em mim
E em toda a escala
Nesta bruma feita vida
Gasta, corroída, vazia, errada
Em toda a escala deZafino em MIm
Só em MIm
Não há nada que lembre, sempre
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, muito menos glória
Sempre não há nada que lembre
DeZafinando sempre
Todas as notas e canções
Todas as palavras e poemas de uma vida
Feia, falhada, cansada
Todas as canções
DeZafinando sempre
Não há nada que faça, todos os dias
Não há desejo, não há interesse
Não há memória nem tão pouco pensamento
Todos os dias, não há nada que faça
DeZafinando em MIm,
sempre e só em MIm
Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura, não há raiva
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa, não há fúria
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, não há glória
Não há desejo, não há interesse
Não há memória, não há pensamento
Sempre e só em MIm
DeZafinando em MIm
Não há amor, não há verdade.
06/11/2012
mortos e mortos-vivos
Os mortos têm rostos imprecisos, a memória que lhes guardamos é como um corpo em decomposição. Com o tempo, tornam-se inidentificáveis. Até nada mais restar deles senão uma vaga certeza de terem existido, porque a própria existência dos mortos parece uma mentira.
aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/11/mortos.html
E quando acontece o mesmo com os que estão vivos mas é como se tivessem morrido. Será que foram uma verdade ou uma mentira que o tempo levou?
aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/11/mortos.html
E quando acontece o mesmo com os que estão vivos mas é como se tivessem morrido. Será que foram uma verdade ou uma mentira que o tempo levou?
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola gosta de frases feitas, daquelas que todos partilham no facebook como quem bate com a mão no peito aos domingos na igreja e, depois, passam a semana a fazer o contrário do que apregoam. Uma das frases deixou Zacarias confuso. Se a mente se enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá, a pergunta que se impõe é: na realidade o que é aquilo?
30/10/2012
modern drift
I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
But the modern drift is all i have.
When the moment dies
And i come to you
With a broken lie
That i made for you.
And i come to you
With a broken lie
That i made for you.
If i wait to see you
With the living ghosts
Will they catch your sight
Or the back of you?
With the living ghosts
Will they catch your sight
Or the back of you?
I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
But the modern drift is all i have.
We appear so strong
But we're all afraid.
They will play your hands
Like a puppeteer.
But we're all afraid.
They will play your hands
Like a puppeteer.
And the dreams aren't true
But we know it-we know that too-
That the angel said to the hollow death:
But we know it-we know that too-
That the angel said to the hollow death:
"i can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
When the modern drift is all i have.
"you can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
But the modern drift is all i have.
"it's all i have".
só
A todas as palavras e nomes dados,
definições, rótulos, pensamentos falados,
preconceitos, ideias, considerações,
juízos, opiniões, boas ou más intenções.
A todos os ditames, velhas e novas doutrinas,
avisos, normas, regras cabotinas,
critérios, valores, generalizações,
ordens, exemplos ou supostas ponderações.
Penso pó.
Quem comigo não quiser estar,
entre este e o outro lugar,
nesta paragem em movimento,
posição sem assento.
Fico só.
A todas as ordens, comandos e posturas,
promessas, intenções, anseios, juras,
perspectivas certas, incertas,
razão, fé ou esperança despertas.
A todas as coisas do espírito e essência,
constância, presença ou ausência,
graça, alma, energia, sentido,
sopro, suspiro ou bramido.
Penso perigo.
Quem de mim apenas duvidar,
não é caso para alarmar,
neste ou noutro caminho,
com mais ou menos alinho.
Fico comigo.
Se o que escrevo parece pretensioso,
falho, iníquo ou presunçoso,
vazio, frívolo, leviano,
uma mentira, uma verdade ou um engano.
Será um desentendimento descabido,
porque a um pássaro ferido,
não se nega abrigo.
Sigo, contradigo, desdigo, redigo, castigo.
Desato o nó.
E o vento levar-me-á,
e o vento levar-te-á.
Migalhas ínfimas de poeira
qual erro, qual asneira,
qual busca, qual demora, qual agora,
qual fracasso, qual sucesso, qual hora,
quer queira quer não queira
serei poeira e só poeira.
E serei só.
bom dia
Do alto dos desalinhados cabelos brancos e aos cinquenta e tal anos, o coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nada sabe, mas ainda pensa saber que se anda por aqui, planeta Terra ou emTerra, a batalhar por quem se ama e depois morre-se.
O pior é que nesta amargura já nem novidade existe.
O pior é que nesta amargura já nem novidade existe.
25/10/2012
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola teve, hoje, uma reunião com vários professores, doze ou treze para ser mais exacto sem exactamente ser preciso. Ao ar acabado, resignado e, até, desinteressado de 60 a 70% dos senhores e senhoras, sucederam-se palavras transtornadas, amarguradas, desesperadas de queixas sem fim. Quando questionados objectivamente sobre a atenção dada na formação de turmas, sobre a necessidade de aguçar uma geração que consegue falar no facebook, mandar sms e ver um filme ou um jogo de futebol em simultâneo e, também, sobre distinguir o que é má-educação, parvoíce e estupidez de uma rebeldia saudável, objectivamente não objectivaram nada. Não confirmam nem desmentem, não se comprometem nem, tão pouco, se "compromentem", o mal estar está no ar e os putos têm é que não chatear, até porque, desconfia Zacarias, tem de se guardar força e capacidade para os dramáticos enredos da casa do degredo.
O coração de Zacarias percebe que os profs têm sido burocratizados, maltratados e desacreditados, mas com aquelas carrancas e discurso até a Zacarias apeteceu começar aos pinotes e caretas na reunião.
O coração de Zacarias percebe que os profs têm sido burocratizados, maltratados e desacreditados, mas com aquelas carrancas e discurso até a Zacarias apeteceu começar aos pinotes e caretas na reunião.
Casa dos Segredos ou a bondade televisiva
Há dias, nos minutos de Casa dos Segredos (TVI) que acompanhei, a apresentadora do programa insistia com os concorrentes para lhe dizerem se tinham ou não tinham estado “debaixo do edredon”... Mais do que isso: se admitiam que, nos dias mais próximos, iam estar “debaixo do edredon”... Presente na plateia, a mãe de uma das concorrentes foi mesmo solicitada a comentar o facto de a sua filha ter estado, ou poder vir a estar, “debaixo do edredon”... (e a humilhação a que a incauta senhora foi sujeita não foi das coisas mais agradáveis de observar).
Acontece isto num espaço televisivo em que, ciclicamente, nos impingem também uns programas muito sérios em que alguém modera conversas seriíssimas sobre temas de inquestionável seriedade. Temas como, por exemplo, a educação sexual...
E o mais espantoso já nem é o facto de a televisão, como sistema de linguagens, alimentar esta esquizofrenia mediática de nos vender os horrores do Big Brother e seus derivados, ao mesmo tempo que, ciclicamente, assume um ar muito sério para nos querer convencer que está preocupada com as atribulações dos humanos. O mais espantoso é que, sempre que se discutem as chamadas questões transversais, a própria televisão não seja convocada para o diálogo.
Fala-se da quebra de índices de leitura e ninguém fala de televisão... Fala-se da fragilização da consciência política dos cidadãos e ninguém fala de televisão... Fala-se de sexualidade e educação sexual e ninguém fala de televisão... E há sempre aquele momento em que algum dos convidados mais cândidos diz: “Seria importante perceber o papel da televisão na conjuntura que estamos a discutir...” Quase sempre também, há um moderador atento que esclarece: “Pois, isso é muito interessante, mas o nosso tema não é esse.”
Uma coisa é certa: através de tais práticas, a televisão alimenta as mais delirantes formas de fingimento, como se o mundo fosse um interminável espectáculo de coisas malignas, aqui e ali resgatado pela bondade inquestionável das mensagens televisivas. E tudo isso, heroicamente, por cima do edredon.
18/10/2012
Today's Supernatural
Come on let-let-let-let-let-let-let go
From that sea-saw
This is fucking your brain
It's gonna hold me out again
Come on let-let-let-let-let-let-let go
By all the key-hole
You can press yourself against it
You keep waiting for me cage
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola desgrenhado ao espelho:
Camaradas e Camarados a nossa arma é a razão e o pensamento, por isso, portugueses e portuguesas, revoltem-se. Amigos e amigas a conjuntura e o conjunturo não é a que nos querem vender, outro mundo é possível. Unam-se contra os ratos, ratas, coelhos, coelhas e todos os animais e animalas que nos governam. O poder dos corações e coraçonas vencerá e, já agora, exijam um novo acordo ortográfico, se existe coração porque não existe coraçona, se existe azeitona porque não existe azeitão e por aí fora. Obrigado, obrigada a todos e todas, amigos, amigas, portugueses, portuguesas, camaradas e camarados.
Camaradas e Camarados a nossa arma é a razão e o pensamento, por isso, portugueses e portuguesas, revoltem-se. Amigos e amigas a conjuntura e o conjunturo não é a que nos querem vender, outro mundo é possível. Unam-se contra os ratos, ratas, coelhos, coelhas e todos os animais e animalas que nos governam. O poder dos corações e coraçonas vencerá e, já agora, exijam um novo acordo ortográfico, se existe coração porque não existe coraçona, se existe azeitona porque não existe azeitão e por aí fora. Obrigado, obrigada a todos e todas, amigos, amigas, portugueses, portuguesas, camaradas e camarados.
17/10/2012
camaradas, amigos e também amigas claro, ainda dizem que os camaradas são só velhos
O outro rio está igualmente caudaloso, mas tem foz e leito e sabe muito bem o que quer e di-lo cada vez mais. A manifestação da CGTP era muito mais difícil de fazer com sucesso do que a de 15 de Setembro. Não contava com a mesma simpatia comunicacional que a de 15 de Setembro, e teve que ser sujeita a uma agenda comunicacional assente na comparação de números com a anterior. Com toda a força que tem o pensamento débil, parecia que as redacções não queriam fazer mais nada do que saber se uma era maior do que a outra, se a multidão cabia no Terreiro do Paço cuja medida “cientifica” foi contraposta á de uma Praça de Espanha, nunca medida, nem cheia. A tendência para o exagero dos números de dia 15, contrastava aqui com a minimização, e como a cabeça não dava para muito mais, não viam o muito que havia para ver de novo no dia 29 de Setembro. Da mesma maneira que elogiavam a manifestação de 15 de Setembro para a engolir, o establishment fazia de conta que a 29 apenas tinha havido um remake das sempre iguais e sensaboronas manifestações da CGTP.
Sindicatos e CGTP são para eles “velhos”, desinteressantes e de cassete, e prestaram pouca atenção ao facto de Arménio Carlos ter feito o mais violento discurso comunista desde o PREC, a milhas do moderado Jerónimo de Sousa, dirigindo-se quase sempre aos “camaradas” e só no fim se lembrou dos “amigos e amigas”. Não viram a multidão a cantar A Internacional, não viram aquilo que foi o mais evidente sinal de uma radicalização nas fileiras do PCP desde há anos de crise. Ora isso não só é novo, como dá uma dimensão que ao governo e o poder devia suscitar as maiores preocupações. Até porque se deve ao PCP e quase só ao PCP e à CGTP o clima de “paciência” do povo português e não haver violência nas ruas. Arménio Carlos afirmou que a CGTP não permitiria violência na sua manifestação e quem lá estava sabe que isso é para tomar á letra, como sabe a polícia que confia mais no serviço de ordem da CGTP do que em milhares de efectivos. O PCP, por cultura política, despreza a violência folclórica dos esquerdistas actuais, mas é tudo menos um touro manso.
A CGTP e o PCP estão cada vez mais a dar expressão a uma radicalidade que vem de baixo, dos locais de trabalho, seja na função pública maltratada, seja nas fábricas onde há despedimentos colectivos, seja em sectores de trabalhadores que são tratados com desprezo por administrações que estão a rasgar acordos que assinaram há um ano. Se houver greve geral podem ter a certeza que será muito mais dura. Pode até haver menos grevistas, mas os piquetes vão tomar a sua função a sério. Porque este não é o mundo das raparigas a abraçar polícias e depois andar a tirar fotografias em pose para revistas cor-de-rosa.
16/10/2012
anda Pacheco II
Por várias razões, entre as quais se conta uma diferente proximidade social, cultural, etária, profissional, os órgãos de comunicação social tratam de forma muito diferente as manifestações da CGTP e as dos movimentos como o 15O, os grupos "culturais", "indignados", "precários", etc. Isso foi evidente ontem, com um relato muito mais hostil à Marcha contra o Desemprego, permanentemente procurando medi-la em números, compara-la, fazendo perguntas que têm implícito factores de repulsão no movimento sindical, que nunca seriam (nem foram) colocadas à manifestação da "cultura". Não há aí também factores de repulsão? Não há aí comparações a fazer entre ontem e o 15 de Setembro? E depois o mundo da "cultura" parece mais conhecido e próximo do que aquele de "outra gente", vinda da margem sul, do Alentejo, de fábricas, sim dessa coisa exótica que são as fábricas. Mais ainda: dessa coisa exótica para os jornalistas que é o mundo do trabalho industrial, em que é suposto saber a diferença entre um torno e uma fresa.
J. Pacheco Pereira aqui: http://abrupto.blogspot.pt/2012/10/indice-do-situacionismo-questao-do.html
Pois é Pacheco, e as famosas forças de bloqueio dos anos 80. Ó que porra.
anda pacheco
Os casos de Passos e Relvas são típicos, porque uma parte fundamental da sua carreira é feita dentro dos partidos, nas "jotas", passam pelos cargos mais ligados ao controlo político "distributivo" no Governo (Relvas) e são empregados por terceiros em empresas em que as redes de ligação com o poder político são fundamentais para aceder aos "negócios". Uma frase esquecida de Ilídio Pinho quando dizia que ter acesso ao poder político valia um milhão de contos traduz bem a utilidade dos políticos para os seus patrões privados. As contas ainda eram em escudos, mas toda a gente percebeu de que é que ele falava.
Essas áreas incluem a formação, no tempo áureo dos fundos, e depois nos sectores como o ambiente, energias renováveis, resíduos e construção, tudo áreas que conheceram grande expansão com dinheiros públicos nos últimos anos. O caso da Tecnoforma, envolvendo Passos e Relvas, é típico de uma espécie de empresas "jota", em que pessoas com carreiras políticas interdependentes entre si se organizam para aproveitar as oportunidades que o acesso ao poder político cria. Este tipo de processos é transversal aos dois partidos, PS e PSD, e acentuou-se nos momentos em que o dinheiro fácil, com os fundos comunitários e com um Estado gastador, permitiram todo o tipo de "negócios". Uns são gigantescos, como as PPP, e outros medíocres, como o das empresas de "formação", mas são da mesma natureza e têm o mesmo perfil de protagonistas.
Essas áreas incluem a formação, no tempo áureo dos fundos, e depois nos sectores como o ambiente, energias renováveis, resíduos e construção, tudo áreas que conheceram grande expansão com dinheiros públicos nos últimos anos. O caso da Tecnoforma, envolvendo Passos e Relvas, é típico de uma espécie de empresas "jota", em que pessoas com carreiras políticas interdependentes entre si se organizam para aproveitar as oportunidades que o acesso ao poder político cria. Este tipo de processos é transversal aos dois partidos, PS e PSD, e acentuou-se nos momentos em que o dinheiro fácil, com os fundos comunitários e com um Estado gastador, permitiram todo o tipo de "negócios". Uns são gigantescos, como as PPP, e outros medíocres, como o das empresas de "formação", mas são da mesma natureza e têm o mesmo perfil de protagonistas.
J. Pacheco Pereira aqui: http://abrupto.blogspot.pt/2012/10/extracto-do-meu-artigo-do-publico.html
Muito bem Pacheco, mas que eu me lembre, apesar da cabeça pesada de tanta hipocrisia e demagogia, isto começou no tempo do Cavaco quando os fundos começaram a jorrar da UE directamente para todos esses jogos de poder. Que eu me lembre o Pacheco era um dos testas de ferro da maioria cavaquista ou estou enganado?
a queda...
Camarada Van Zeller, na mesma semana em que um austríaco, a viver acima das suas possibilidades, subiu 39 mil metros para dar o salto mais alto de todos os tempos, o Governo português apresentou o Orçamento de Estado 2013 para cair definitivamente no mais fundo abismo de que há memória. Esta semana de recordes é também a semana em que ficámos a saber o que move homens inteligentes como Vítor Gaspar no Governo. O ministro confessou que está a tentar retribuir o custo que o país teve com a sua educação, está a tentar devolver ao país esse custo. Como? Procurando arrecadar 70.589.600.000€ em impostos no próximo ano. Repare-se como nos saiu cara a educação de Gaspar, ainda ontem fotografado, ao lado de outro espécime cuja boa educação também nos tem sido tão onerosa, a oferecer um livro de anedotas a uma cocker spaniel reformada, aos 42 anos, por 10 anos de trabalho no TC que lhe valem 7255€ mensais.
Ler o texto todo aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/
maniqueísmo
No facebook anda a circular uma foto de uma criança a receber uma bandeira americana enquanto chora a morte do pai, acompanhada com este maravilhoso texto:
His dad died from fighting for our country
Click Like to show respect ♥
keep scrolling to say I don't care.
Não sei se a fotografia é pública ou privada, o que daria para uma análise mais profunda sobre a forma como podemos dispor/expor a vida dos outros sem a respectiva autorização, mas olhando apenas para o texto, só por si demonstrativo do tipo de maniqueísmo que impregna a sociedade de hoje e da hipocrisia que, inevitavelmente, daí advém, só podemos ficar preocupados.
Preocupa-me, ainda mais, a enorme contagem de pessoas que, supostamente, tentaram demonstrar o tal respeito, qual concurso de TV em que se vota no número não sei quantos para sair um ou outro, geralmente sai o mau fica a boa ou boazona, que a pornografia está cara. Claro que aqui o maniqueísmo é um pouco pervertido, porque se a matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom, a não ser que as mamas e rabos já pertençam às coisas do espírito, existe qualquer coisa que não está bem. Como tudo isto me parece hard core bdsm pesado demais e uma perversão demasiado triste do que deve ser o sentimento humano enquadrado numa racionalidade que é suposto virmos a apurar ao longo dos milénios, deixo aqui duas excelentes fotos da World Press Photo, informativas deste mundo que vai sendo o nosso.
His dad died from fighting for our country
Click Like to show respect ♥
keep scrolling to say I don't care.
Não sei se a fotografia é pública ou privada, o que daria para uma análise mais profunda sobre a forma como podemos dispor/expor a vida dos outros sem a respectiva autorização, mas olhando apenas para o texto, só por si demonstrativo do tipo de maniqueísmo que impregna a sociedade de hoje e da hipocrisia que, inevitavelmente, daí advém, só podemos ficar preocupados.
Preocupa-me, ainda mais, a enorme contagem de pessoas que, supostamente, tentaram demonstrar o tal respeito, qual concurso de TV em que se vota no número não sei quantos para sair um ou outro, geralmente sai o mau fica a boa ou boazona, que a pornografia está cara. Claro que aqui o maniqueísmo é um pouco pervertido, porque se a matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom, a não ser que as mamas e rabos já pertençam às coisas do espírito, existe qualquer coisa que não está bem. Como tudo isto me parece hard core bdsm pesado demais e uma perversão demasiado triste do que deve ser o sentimento humano enquadrado numa racionalidade que é suposto virmos a apurar ao longo dos milénios, deixo aqui duas excelentes fotos da World Press Photo, informativas deste mundo que vai sendo o nosso.
The international jury of the 55th annual World Press Photo Contest has selected a picture by Samuel Aranda from Spain as the World Press Photo of the Year 2011. The picture shows a woman holding her wounded son in her arms, inside a mosque used as a field hospital by demonstrators against the rule of President Ali Abdullah Saleh, during clashes in Sanaa, Yemen on 15 October 2011. Samuel Aranda was working in Yemen on assignment for The New York Times. He is represented by Corbis Images.
Nick Ut 1972
Phan Thi Kim Phuc (center) flees with other children after South Vietnamese planes mistakenly dropped napalm on South Vietnamese troops and civilians.
Phan Thi Kim Phuc (center) flees with other children after South Vietnamese planes mistakenly dropped napalm on South Vietnamese troops and civilians.
15/10/2012
juventude
Não tenho motivos para ter saudades da juventude, detestei a puta da juventude, mas agora ouço os mais novos à conversa e percebo que este já não é de todo «o meu tempo». E eu não sou sequer igual àquilo que era «no meu tempo». Em que sentido? Expliquei-lhe que me tornei agnóstico em matéria profana, as artérias endurecem, o coração também.
aqui: http://a-leiseca.blogspot.pt/2012/10/juventude-2.html
aqui: http://a-leiseca.blogspot.pt/2012/10/juventude-2.html
desobediência
«Nunca a lei tornou um homem mais justo; é por causa do respeito pela lei que até alguns bem-intencionados se tornam todos os dias agentes da injustiça»
Henry David Thoreau: A Desobediência Civil
Henry David Thoreau: A Desobediência Civil
elogio aos touros bravos
Quando um puto se revolta contra a injustiça, mesmo que de forma desorganizada, o que é natural devido à tenra idade, o mundo pula e avança como diz o outro. A antiguidade não deve nunca ser um posto, levei com isso na tropa e lembro-me bem da estupidez que este pensamento gera. Quando os princípios básicos de equidade não são postos em prática por quem deve, todos têm o direito e o dever até de rebelar-se, os miúdos inclusive (felizmente nem todos são morangos com açúcar) . A sociedade bem pretende formar carneiros para o rebanho, sempre foi mais fácil a quem detém algum poder lidar com carneiros do que com touros bravos que investem quando são picados, mas o que seria do mundo sem esses touros.
Terão a vida muito dificultada é certo, mas serão sempre touros bravos e não carneiros.
Terão a vida muito dificultada é certo, mas serão sempre touros bravos e não carneiros.
I'm an antichrist, I'm an anarchist
Don't know what I want
But I know how to get it
I wanna destroy the passerby
Don't know what I want
But I know how to get it
I wanna destroy the passerby
'Cause I want to be anarchy
No dog's body...
No dog's body...
13/10/2012
parabéns Tiago
Este sou eu com a mais recente aquisição da família, sei que depois de uma queda enquanto fazia traquinices levou uma série de pontos, já começa a ficar marcado pela vida, ainda bem, tem a quem sair :). Ontem o Tiago fez 2 anos, e daqui vai um grande beijo até ao outro lado do atlântico.
vamos?
Estaba pensando sobreviviendo con mi sister en New Jersey,
Ella me dijo que es una vida buena alla,
Bien rica bien chevere
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola acordou como o dia, cheio de luz, isto não soa muito bem mas pronto, energia, ainda pior, e vontade de caçar ratos e ratas (esta nova moda do género é parva mas aqui não gostamos de melindrar ninguém). Zacarias começava pelos críticos do prémio Nobel da Paz dado à União Europeia, porque gosta de ser Europeu e de uma ideia de uma Europa unida, depois passava ao conselho de ministros, grande caçada de ratos, ratas e uma ratazana disfarçada de coelho, depois o conselho de estadinho e por aí fora. O que faria bombear mesmo o coração de Zacarias era vê-los na ratoeira do grande Tom que Espera prontos para um banho no limpinho Trancão.
Vamos?
Vamos?
12/10/2012
Which will
Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell now
Which will you love the best
where's the High
There is a house with a fountain
Things that kept me satisfied
I lost my life as a young man
And I’ve been running ever since
bom dia
Já faz tempo que Manuel Zacarias Segura Viola disse que não percebia a questão da porta que se fecha e de outra que se abre, até porque, por vezes, só há uma porta, outra questão que Zacarias não percebe é a do copo meio cheio ou meio vazio, porque um copo cheio está cheio, um copo vazio está vazio, se estiver a meio, o que é uma merda, a meio está. Assim, se é verdade que o coração de Zacarias gosta do copo cheio, não é menos verdade que o prefere vazio do que a meio.
11/10/2012
10/10/2012
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola ainda não anda a caçar ratos, nem ratas, já que agora se usa e é de bom tom usar os dois géneros, mas por vezes apetece-lhe. O passado passado está, o presente é a mesma dúvida que foi o passado e que será o futuro. E se existe uma certeza com pouca dúvida que assiste o coração de Zacarias é que, com mais ou menos sangue, o coração de Zacarias um dia deixará de assisti-lo e, aí, qualquer arrependimento será inútil.
momento
É quase impossível destacar um, mas este arrepiou. Quando for grande quero ser assim, excepto o chapéu.
And who by fire, who by water,
who in the sunshine, who in the night time,
who by high ordeal, who by common trial,
who in your merry merry month of may,
who by very slow decay,
and who shall I say is calling?
who in the sunshine, who in the night time,
who by high ordeal, who by common trial,
who in your merry merry month of may,
who by very slow decay,
and who shall I say is calling?
And who in her lonely slip, who by barbiturate,
who in these realms of love, who by something blunt,
and who by avalanche, who by powder,
who for his greed, who for his hunger,
and who shall I say is calling?
who in these realms of love, who by something blunt,
and who by avalanche, who by powder,
who for his greed, who for his hunger,
and who shall I say is calling?
And who by brave assent, who by accident,
who in solitude, who in this mirror,
who by his lady's command, who by his own hand,
who in mortal chains, who in power,
and who shall I say is calling?
who in solitude, who in this mirror,
who by his lady's command, who by his own hand,
who in mortal chains, who in power,
and who shall I say is calling?
04/10/2012
censura
O agravamento em 30% no IRS não me vai afectar, faz alguns anos que estou fora do sistema e assim pretendo estar enquanto me for possível. Comecei a descontar muito cedo, com 18 anos, nunca aldrabei as contas da empresa nem fiquei a dever dinheiro a ninguém e devido à incompetência das repartições de finanças ainda lhes paguei mais do que o que devia, o resultado natural foi a falência. Bastaram 14 anos para ver que portugal não funciona, que a honestidade e a urbanidade não valem de nada neste cantinho.
Depois, politicamente, tenho visto um povo mais dedicado às caldeiradas do big brother's e afins ou a quantidade de amigos e frases feitas facebookianas do que a preocupações sérias com o trilhar de um caminho presente e, principalmente, futuro. Continuamos a ser um povo de dentes estragados que cospe para o chão enquanto vomita as últimas da casa dos degredos. O ensino, mesmo o superior, não é mais do que encher chouriços de má qualidade, ninguém tem paciência para ninguém porque ninguém vislumbra o presente quanto mais o futuro.
Este sentimento de desilusão não me impediu de, no sábado, estar na manifestação da CGTP, onde se protestou contra este estado de coisas mas, também, se apontaram soluções e caminhos para o futuro. Mobilizações onde só se está contra dizem-me pouco e parecem-me mais parte do problema e do estado das coisas do que solução para o que quer que seja. Hoje, o Partido Comunista Português e o Bloco estão a apresentar, naturalmente e muito bem, moções de censura à insustentabilidade das políticas que nos tem conduzido ao estado de miséria social e cultural que vivemos. Que faz o PS, abstém-se, como, possivelmente, a maioria dos manifestantes do dia 15 de Setembro até porque os penteados dos primeiros ou candidatos a primeiros continuam em permanente actualização e a ser notícia.
Depois, politicamente, tenho visto um povo mais dedicado às caldeiradas do big brother's e afins ou a quantidade de amigos e frases feitas facebookianas do que a preocupações sérias com o trilhar de um caminho presente e, principalmente, futuro. Continuamos a ser um povo de dentes estragados que cospe para o chão enquanto vomita as últimas da casa dos degredos. O ensino, mesmo o superior, não é mais do que encher chouriços de má qualidade, ninguém tem paciência para ninguém porque ninguém vislumbra o presente quanto mais o futuro.
Este sentimento de desilusão não me impediu de, no sábado, estar na manifestação da CGTP, onde se protestou contra este estado de coisas mas, também, se apontaram soluções e caminhos para o futuro. Mobilizações onde só se está contra dizem-me pouco e parecem-me mais parte do problema e do estado das coisas do que solução para o que quer que seja. Hoje, o Partido Comunista Português e o Bloco estão a apresentar, naturalmente e muito bem, moções de censura à insustentabilidade das políticas que nos tem conduzido ao estado de miséria social e cultural que vivemos. Que faz o PS, abstém-se, como, possivelmente, a maioria dos manifestantes do dia 15 de Setembro até porque os penteados dos primeiros ou candidatos a primeiros continuam em permanente actualização e a ser notícia.
20/09/2012
bom dia
As manifestações aquecem o coração de Manuel Zacarias Segura Viola. Desde tenra idade, levado pela mão do pai, que Zacarias caminhava e dizia palavras de ordem bonitas como O Povo Unido Jamais Será Vencido. Nessa altura, as pessoas manifestavam-se contra algo e a favor de outro algo, nestas novas aglomerações facebookianas sabemos contra o que são, mas Zacarias pergunta: são a favor de quê?
12/09/2012
uma carta
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se contempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
10/09/2012
morangos com cultura
O que está em jogo no debate cultural português, aqui e agora, 2012, não é saber o que se inscreve na cultura e o que fica de fora, supostamente entrando no espaço intocável (?) e inimputável (??) do divertimento. O que a ideologia de esquerda foi recalcando, acabando por ser consagrado pelos discursos de quase todas as forças sociais e políticas (a começar pelos partidos de esquerda e de direita), é um facto seco e linear: nenhuma intervenção pública é exterior à cultura. A cultura não é necessariamente um lugar de apaziguamento colectivo, mas sim um palco permanentemente agitado pelas diferenças que nele se explicitam.
Por alguma razão, o debate em torno do futuro da RTP é, globalmente, tão pobre. A noção de “serviço público” tornou-se mesmo um mero avatar ideológico (mais uma vez de esquerda & direita) através do qual se mascara uma dramática ausência de verdadeiros projectos políticos para o espaço televisivo – décadas de indiferença (política) em relação à televisão como peça central da dinâmica social não poderiamdar outro resultado.
Neste contexto, Morangos com Açúcar promove uma visão patética dos jovens como totós muito contentinhos, de sexualidade sempre imaculada, que conseguem proferir três devastadoras banalidades em cada conjunto de duas frases (supondo que, em algum momento, se passa da preguiça do soundbyte para a exigência da frase). Isto para além de explorar uma estética de imagem/som que nada mais tem para dar a não ser a retórica dos mais banais dispositivos publicitários. Ora, importa dizer algo de muito simples e radical: tal visão é eminentemente cultural, já que produz e consagra valores existenciais, valores de representação, valores de comunicação.
O problema não está em proclamar que qualquer filme de Manoel de Oliveira é melhor que Morangos com Açúcar (quem quiser dizer o contrário, que o faça). O problema está na cedência ideológica que a esquerda protagonizou – e, não poucas vezes, promove através de uma cega boa consciência –, gerando esta apatia social: tudo o que é medíocre, repetitivo e adequado aos valores mais fortes do mercado parece estar ilibado de qualquer responsabilidade social; tudo o que, artisticamente, escapa ao império dos estereótipos surge imediatamente recoberto por um véu de suspeição.
No limite, perdeu-se pelo caminho um dos valores viscerais do frágil e contraditório imaginário do 25 de Abril. A saber: o de que importa pensar tudo, incluindo a economia, em termos culturais.
No limite, perdeu-se pelo caminho um dos valores viscerais do frágil e contraditório imaginário do 25 de Abril. A saber: o de que importa pensar tudo, incluindo a economia, em termos culturais.
Quem ganhou com isto?
O membro do Banco Central da Islândia Gylfi Zoega diz que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e dos bancos.
aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/islandia-defende-investigacao-ao-governo-portugues_117513.html
aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/islandia-defende-investigacao-ao-governo-portugues_117513.html
04/09/2012
ratas à caça
Não era propriamente necessário um estudo, feito por Doutores, Antropólogos, Psicólogos e sei lá mais o quê, para se constatar uma realidade com muitos séculos, mas nesta altura este estudo vem mesmo a calhar. E cada vez mais floresta a arder, não tenha tudo sido já depilado.
Em tempo de crise, as mulheres investem mais na beleza para caçar homens ricos, garante estudo norte-americano.
O "jornal i" escreve que numa altura em que o mundo vive numa das maiores crises económicas da História, as mulheres investem cada vez mais na beleza. Porquê? "Querem tornar-se mais sedutoras para conquistar companheiros em boa situação económica".
Goste-se ou não da conclusão, é isso mesmo que defende o estudo norte-americano "Boosting Beauty in an Economic Decline: Mating, Spending, and the Lipstick Effect", divulgado numa publicação especializada em psicologia social e estudos da personalidade no "Journal of Personality and Social Psychology".
"Os estudos demonstram uma relação de causa e efeito entre a situação de recessão e o desejo das mulheres de comprar produtos específicos que acreditam que as vão tornar mais atraentes para o sexo oposto", explica a coordenadora da investigação, a antropóloga Sarah Hill.
De acordo com a antropóloga, as mulheres querem sempre ter parceiros com bons recursos financeiros mas em períodos de crise ainda dão mais importância a esse aspecto. "Décadas de pesquisas sobre as preferências masculinas das mulheres demonstram que essa é uma qualidade para a qual as mulheres dão mais importância"
03/09/2012
arder
Hoje no treino do meu puto em Benfica, debaixo de um ar podre de fumo de floresta a arder e de um calor infernal, lá me saiu um "esta merda devia era arder toda". As pessoas não percebem, ou não querem perceber, anda tudo tão enterrado e a focinhar no seu mundinho, que só mesmo quando esta merda arder toda é que vão acordar.
Felizmente há quem perceba.
Regresso debaixo de um calor infernal, transformado numa extensa nuvem negra ainda antes de avistamos a ponte de Santarém. Paro nos Vidais para atestar o depósito. Cai cinza do céu como se nevasse, autênticos flocos de neve metendo-se pelas narinas adentro e dificultando a respiração. Na caixa de correio, cerca de 50 folhetos anunciam o regresso às aulas. Concluo que as aulas transferiram-se da escola para as superfícies comerciais. Vou explicar isso mesmo às minhas filhas: se querem conhecer o mundo que vos espera, atentem-se neste fenómeno. Têm aqui leitura para a vida que poderá ser-vos muito útil na aprendizagem da matemática (comparar preços), da língua portuguesa (interpretar campanhas) e do estudo do meio (pensar sobre o assunto). O cenário é desolador, deprimente. Chamam a isto progresso, a este mergulho dos homens num desespero consumista que torna insuportavelmente frenética a vida quotidiana. Não me conformo e sofro, expresso aqui o meu sofrimento. Os incêndios no país são a alegoria perfeita de um certo conceito de civilização onde acontece à humanidade o mesmo que sucede à floresta, tudo arrasado, queimado, uma ruína em cima dos olhos de toda a gente e toda a gente a olhar para o lado como se ainda fosse possível esperar pela morte sem nos darmos conta do pântano onde estamos a enterrar os nossos filhos. Parece-vos depressivo, o discurso? Sofrerei eu de neurastenia? Abram os olhos, olhem à vossa volta, e digam-me se estou errado.
aqui : http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/09/regresso.html
Felizmente há quem perceba.
Regresso debaixo de um calor infernal, transformado numa extensa nuvem negra ainda antes de avistamos a ponte de Santarém. Paro nos Vidais para atestar o depósito. Cai cinza do céu como se nevasse, autênticos flocos de neve metendo-se pelas narinas adentro e dificultando a respiração. Na caixa de correio, cerca de 50 folhetos anunciam o regresso às aulas. Concluo que as aulas transferiram-se da escola para as superfícies comerciais. Vou explicar isso mesmo às minhas filhas: se querem conhecer o mundo que vos espera, atentem-se neste fenómeno. Têm aqui leitura para a vida que poderá ser-vos muito útil na aprendizagem da matemática (comparar preços), da língua portuguesa (interpretar campanhas) e do estudo do meio (pensar sobre o assunto). O cenário é desolador, deprimente. Chamam a isto progresso, a este mergulho dos homens num desespero consumista que torna insuportavelmente frenética a vida quotidiana. Não me conformo e sofro, expresso aqui o meu sofrimento. Os incêndios no país são a alegoria perfeita de um certo conceito de civilização onde acontece à humanidade o mesmo que sucede à floresta, tudo arrasado, queimado, uma ruína em cima dos olhos de toda a gente e toda a gente a olhar para o lado como se ainda fosse possível esperar pela morte sem nos darmos conta do pântano onde estamos a enterrar os nossos filhos. Parece-vos depressivo, o discurso? Sofrerei eu de neurastenia? Abram os olhos, olhem à vossa volta, e digam-me se estou errado.
aqui : http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/09/regresso.html
bom dia
Ultimamente, uma pergunta anda a deixar Manuel Zacarias Segura Viola com os cabelos mais desgrenhados e o coração mais inchado. Quando não nos revemos no passado, temos dúvidas sobre o presente e não vislumbramos futuro, que fazemos?
discordâncias
A que no mundo tudo é fatal, inclusive a liberdade: há quem nasça com ela e quem nasça com a sua negativa, devendo-se sempre, em qualquer caso, supor que se nasceu com liberdade, estando mais próximo do divino aqueles a quem a liberdade tiver sido dom do fatal; ora digam-me, não é a liberdade de Deus uma fatalidade? Será que pode ele, ao mesmo tempo que todo-poderoso, deixar de ser livre?E por aqui me fico: examinareis e sacudireis todas as opiniões e só provisoriamente aceitareis como vossas as que convosco um todo lógico, ainda que o não possam constituir com outras opiniões que igualmente considereis vossas. O que é fundamental é que sejais sempre inteiramente vós, mesmo que os outros vos considerem ilógicos e incoerentes. Opinião esta minha ou nossa, de que podeis e talvez devais discordar e a discordar convidareis vossos amigos: a discordância anima, o aplauso estagna.
Agostinho da Silva
Agostinho da Silva
25/08/2012
07/08/2012
questões internas
A solidão é realmente uma questão interna, e constitui o melhor e mais útil progresso discernir viver de acordo com isso. Trata-se de coisas que não estão sob o nosso controle que afinal são tão simples, e o êxito compõe-se de milhares de factores, embora nós nunca saibamos quais.
Rainer Maria Rilke
Rainer Maria Rilke
29/06/2012
26/06/2012
bom dia
Quando quer fala, quando não quer também fala, quando as palavras se enrolam procura-lhes o som, quando deseja faz, quando não percebe investiga, quando não entende pensa, volta a pensar e, se necessário, pede que expliquem, quando não encontra procura, quando se perde no caminho volta ao princípio e começa tudo de novo, quando gosta espanta-se, quando não gosta olha outra vez e por vezes outra ainda mudando a perspectiva, quando desiste desiste mesmo, quando se desilude fica triste, quando insiste insiste mesmo, quando sonha eleva-se, quando se apaixona sabe, quando ama diz.
O coração de Manuel Zacarias Segura Viola enquando bate, respira e sente.
23/06/2012
31/03/2012
dança de roda
O balcão bancário que me emprestou dinheiro para comprar a minha casa é hoje uma sex shop chamada pérola do prazer, nasci em 69, sendo um número que só por si vale o que vale com um terramoto à mistura torna tudo ainda mais vibrante. Ontem, quando saí do teatro passa um grande rato ou rata à frente do carro, macho ou fémea era uma grande ratazana. Parei e deixei-a passar, com animais destes nunca gostei de me cruzar, depois da peça e deste episódio uma epifânia assaltou-me e percebi muita coisa.
Se puderem vão ver a Dança de Roda ao Teatro de Almada, da minha parte juro não faltar às próximas consultas com a psicóloga. Raios partam os animais.
Se puderem vão ver a Dança de Roda ao Teatro de Almada, da minha parte juro não faltar às próximas consultas com a psicóloga. Raios partam os animais.
vermes
O dono desta casa tem andado ocupado em arrumações no sotão, o motivo da desarrumação é uma espécie de macacos traquinas de que não se conhece a espécie, mas desconfio que são anões.
13/03/2012
XVI
E perde-se mais um dia na ânsia de te encontrar.
Como agarrar a terra se não te acho as mãos.
Como cheirar o hálito se não te vejo a boca.
Mais um interregno marcado no tempo,
Como as folhas que vão e voltam com as estações.
Assim, o teu corpo são as raízes e eu sou o tronco.
Tu profunda dentro da terra sorvendo a água
que sustenta a minha robustez.
A tua vontade é o vai e vem das folhas
que os meus ramos aguardam.
Como agarrar a terra se não te acho as mãos.
Como cheirar o hálito se não te vejo a boca.
Mais um interregno marcado no tempo,
Como as folhas que vão e voltam com as estações.
Assim, o teu corpo são as raízes e eu sou o tronco.
Tu profunda dentro da terra sorvendo a água
que sustenta a minha robustez.
A tua vontade é o vai e vem das folhas
que os meus ramos aguardam.
12/03/2012
diverge - prólogo
Bruno: Andamos aqui com esta conversa de merda não sei para quê. Já viste aqueles gajos todos que morreram com 27 anos, o Hendrix, a Janis Joplin, o Morrison, o Brian Jones, o Cobain, agora a Amy casa do vinho.
Jack: Sim, o que tem?
Bruno: Então? O que tem? Coincidências a mais não?
Jack: O Ian Curtis foi com 23, outros que não são tão conhecidos nas mais variadas idades, uns foram de overdose, outros de afogamento, enforcamento, outros de sei lá do quê. O Cobain deu um tiro na testa.
Bruno: Esse é que morreu como um Homem, Pum! Já está, miolos por tudo o que é sítio.
Jack: Eu seria no coração.
Bruno: Porra meu, isso é de gaja, era um suicídio gay.
Jack: Qual suicídio! Parava só o coração que é a causa desta merda toda.
Bruno: Mas olha que ficava a doer na mesma.
Jack: Eu sei.
Jack: Sim, o que tem?
Bruno: Então? O que tem? Coincidências a mais não?
Jack: O Ian Curtis foi com 23, outros que não são tão conhecidos nas mais variadas idades, uns foram de overdose, outros de afogamento, enforcamento, outros de sei lá do quê. O Cobain deu um tiro na testa.
Bruno: Esse é que morreu como um Homem, Pum! Já está, miolos por tudo o que é sítio.
Jack: Eu seria no coração.
Bruno: Porra meu, isso é de gaja, era um suicídio gay.
Jack: Qual suicídio! Parava só o coração que é a causa desta merda toda.
Bruno: Mas olha que ficava a doer na mesma.
Jack: Eu sei.
10/03/2012
08/03/2012
genitivo
Do Latim, o que sempre mais gostei foi do Genitivo, e não posso dizer que me faça sentir a lígua morta.
17/02/2012
14/02/2012
um texto verdadeiramente piegas
Mais um dia em que o sol se levantou num resplandecente louvor à mãe terra inundando-a de brilho e luz. (Porra que frase extraordinariamente piegas) Os seres, os mais ou menos racionais, levantam-se mais ou menos estremunhados, mais ou menos deprimidos e seguem mais ou menos caminho sem verdadeiramente sair da concha que julgam mais ou menos os proteger. Uns vão directamente para os trabalhos miseráveis que aceitam para pagar a vida, a vidinha que lhes permitem ter, que se permitem aceitar numa acomodação tão acomodada como os desejos que esqueceram e os sonhos que não lembram, mas há que por comida na mesa e pagar as continhas, uma luta perdida à partida na voragem de tudo.
Mas, enquanto não cai um calhau ou um raio gama direccionado ao centro deste lindo planeta (piegas), a vida segue e cada segundo é mais um momento conquistado aos elementos. Assim seja. Entretanto, lá nos vamos entretendo, como sempre, com as merdinhas do costume, o facebook é um manancial de pura distracção e diversão, são as frases feitas, as mensagens de amor a tudo e a todos, à mãe, ao pai, aos irmãos, aos amigos, aos cães, aos gatos, aos passarinhos (acho que não são fritos) às pulgas, aos chatos e a toda a fauna e flora desta querida terra neste glorioso universo plantado (pieguinhas), eu cá liko muito toda esta cena, aqui não há mentira, ou se lika ou não se lika e ficamos todos um pouco mais felikes. Depois, nós portugas, temos aquela arte de falar sobre tudo e sobre todos, ter sempre uma opinião é regra, até porque somos um povo muito instruído, que lê muito, principalmente os outros, quando toca a nós o espelho é o reflexo de uma luz intensa e brilhante. Por exemplo, somos uma cambada que adora futebol, nas tricas do dia seguinte claro porque quando o jogo é jogado os estádios estão vazios, somos um povo de poetas e artistas mas não lemos poesia nem vamos ao teatro, somos um povo de brandos costumes excepto para criticar o vizinho do lado ou até os mais próximos, somos um povo de garanhões e foliões que na hora da verdade se encolhe e fica castrado a moralismos serôdios. Depois do céu na terra que era Sócrates (paz à sua alma), agora temos o empreendedor e competitivo Coelho, que de castrado não parece ter nada, anda a foder tudo a torto e a direito e ainda se dá ao luxo de nos brindar com mimos e pieguices como nunca vi, o povo finge que está chateado mas anda sempre de rabo espetado a ver o que lhe calha, pode ser que uma seja bem dada e se consiga um lugar qualquer num qualquer lugar a que o rabo se habitue.
E agora para terminar de uma forma verdadeiramente piegas. Uma maravilha este glorioso rectângulo de nariz empinado para o mar cheio de gente linda, solidária e amiga, tão glorioso como a luz desta espantosa estrela que me aquece a alma.
Liko muito este sol. Levitemos.
Mas, enquanto não cai um calhau ou um raio gama direccionado ao centro deste lindo planeta (piegas), a vida segue e cada segundo é mais um momento conquistado aos elementos. Assim seja. Entretanto, lá nos vamos entretendo, como sempre, com as merdinhas do costume, o facebook é um manancial de pura distracção e diversão, são as frases feitas, as mensagens de amor a tudo e a todos, à mãe, ao pai, aos irmãos, aos amigos, aos cães, aos gatos, aos passarinhos (acho que não são fritos) às pulgas, aos chatos e a toda a fauna e flora desta querida terra neste glorioso universo plantado (pieguinhas), eu cá liko muito toda esta cena, aqui não há mentira, ou se lika ou não se lika e ficamos todos um pouco mais felikes. Depois, nós portugas, temos aquela arte de falar sobre tudo e sobre todos, ter sempre uma opinião é regra, até porque somos um povo muito instruído, que lê muito, principalmente os outros, quando toca a nós o espelho é o reflexo de uma luz intensa e brilhante. Por exemplo, somos uma cambada que adora futebol, nas tricas do dia seguinte claro porque quando o jogo é jogado os estádios estão vazios, somos um povo de poetas e artistas mas não lemos poesia nem vamos ao teatro, somos um povo de brandos costumes excepto para criticar o vizinho do lado ou até os mais próximos, somos um povo de garanhões e foliões que na hora da verdade se encolhe e fica castrado a moralismos serôdios. Depois do céu na terra que era Sócrates (paz à sua alma), agora temos o empreendedor e competitivo Coelho, que de castrado não parece ter nada, anda a foder tudo a torto e a direito e ainda se dá ao luxo de nos brindar com mimos e pieguices como nunca vi, o povo finge que está chateado mas anda sempre de rabo espetado a ver o que lhe calha, pode ser que uma seja bem dada e se consiga um lugar qualquer num qualquer lugar a que o rabo se habitue.
E agora para terminar de uma forma verdadeiramente piegas. Uma maravilha este glorioso rectângulo de nariz empinado para o mar cheio de gente linda, solidária e amiga, tão glorioso como a luz desta espantosa estrela que me aquece a alma.
Liko muito este sol. Levitemos.
08/02/2012
07/02/2012
dialecto
O novo disco da banda do meu querido tio Lindolfo Paiva, o que parece o avô cantigas mas assim pró mais bonito, muito mais.
7
Sometimes i'd head for the highway
I'm old and the mirrors don't lie
But crazy has places to hide in
That are deeper than any goodbye
I had to go crazy to love you
Had to let everything fall
Had to be people i hated
Had to be no one at all
31/01/2012
prova documental
Preciso de prova documental, sempre precisei, talvez por optimismo, talvez por masoquismo. E quem procura provas documentais está condenado a encontrá-las.
aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/2012/01/prova-documental.html
aqui: http://a-leiseca.blogspot.com/2012/01/prova-documental.html
bom dia
Do passado Manuel Zacarias Segura Viola tenta reter o que a vida lhe ensinou, cada pedra pisada foi um caminho, cada palavra teve um contexto, cada acorde uma motivação, cada acontecimento uma estória, mas, como diz o outro, o passado foi lá atrás. Do presente guarda o sol da manhã tardia que lhe bate nos olhos e as vagas nos pés enterrados nos grãos finos da areia. Do futuro a tentação de voltar a mergulhar sem medo do tamanho da onda, até porque um dia Zacarias não será mais que a terra que gosta de pisar.
Desperto para o mundo, o coração de Zacarias também sabe bater ao sabor do vento.
Desperto para o mundo, o coração de Zacarias também sabe bater ao sabor do vento.
going home
I love to speak with Leonard
He’s a sportsman and a shepherd
He’s a lazy bastard
Living in a suit
But he does say what I tell him
Even though it isn’t welcome
He will never have the freedom
To refuse
He will speak these words of wisdom
Like a sage, a man of vision
Though he knows he’s really nothing
But the brief elaboration of a tube
Going home
Without my sorrow
Going home
Sometime tomorrow
Going home
To where it’s better
Than before
Going home
Without my burden
Going home
Behind the curtain
Going home
Without the costume
That I wore
He wants to write a love song
An anthem of forgiving
A manual for living with defeat
A cry above the suffering
A sacrifice recovering
But that isn’t what I want him to complete
I want to make him certain
That he doesn’t have a burden
That he doesn’t need a vision
That he only has permission
To do my instant bidding
That is to SAY what I have told him
To repeat
Going home
Without my sorrow
Going home
Sometime tomorrow
Going home
To where it’s better
han before
Going home
Without my burden
Going home
Behind the curtain
Going home
Without the costume
That I wore
I love to speak with Leonard
He’s a sportsman and a shepherd
He’s a lazy bastard
Living in a suit
30/01/2012
bom dia
Manuel Zacarias Segura Viola gosta de olhar para todo lado e ter várias perspectivas das coisas, incluindo a periférica. Quando se levanta gosta de olhar para o sol, e, se por um momento pode ter um devaneio sonhador, do que gosta mesmo é de ouvir, aprender, fazer e dizer.
Para o coração de Zacarias chega-lhe a noção de, em todas as formas de olhar, se sentir vivo e acordado procurando fazer sempre o melhor, o que quer que isso seja.
Para o coração de Zacarias chega-lhe a noção de, em todas as formas de olhar, se sentir vivo e acordado procurando fazer sempre o melhor, o que quer que isso seja.
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