02/12/2011

psicanálise e a arte

Qual é a origem de produção de Um Método Perigoso? Não é um filme totalmente canadiano?
É uma coprodução entre Canadá e Alemanha. Ironicamente, isso fez com que o filme tivesse sido quase por inteiro rodado na Alemanha, mesmo se a sua história não se passa nesse país. Há uma razão, de produção precisamente, para que isso aconteça: quando se faz um acordo deste género, é preciso gastar o dinheiro em ambos os países. Neste caso, filmámos em Colónia e na zona do Lago Constança. Além do mais, quis filmar em locais nos quais sabemos que Freud viveu, ou por onde passou.


Este filme terá sido, talvez, um reencontro com a psicanálise. Não sente que a sua obra anterior está já muito marcada por Freud e pelas referências psicanalíticas?

Não de forma tão específica. No fundo, creio que a psicanálise e a arte fazem a mesma coisa. Digamos que somos confrontados com a versão oficial da realidade: o paciente chega ao consultório e conta que tem uma profissão, uma família, a sua mulher... E aí, a psicanálise diz: “Certo, mas o que é que está realmente a acontecer? Como é que conseguimos chegar a essas coisas que não são ditas, que fazem com que a sua vida vá num determinado sentido e não noutro?” O artista faz o mesmo com a sociedade: avança para além da superfície das coisas, tenta ver o que está realmente a acontecer. O que está escondido? O que não é compreendido? O que não é dito?

Entrevista completa aqui: http://www.sound--vision.blogspot.com/2011/12/uma-conversa-com-david-cronenberg-13.html

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