28/04/2009

The Voice

A voz, esse instrumento único, na altura nem sabia que a voz era um instrumento e não percebia porque é que aquele homem era a Voz, mas era e ainda é. Neste momento, em que nascem vozes como cogumelos em karaokes de luxo que chegam a milhares de pessoas de forma fria via internet, temos tendência a pensar que vozes há muitas. E há, voz é que é um pouco diferente. Uma voz não pode nascer em programas manhosos, uma voz transporta uma vida, os sucessos, os momentos altos mas, principalmente, os baixos e o fracasso ou, ainda melhor, a normalidade de tudo isso cantada como se fosse um respirar fundo antes de um copo de água fresco. Nesta Voz comecei, muito novo, a respirar tudo isso. Ainda hoje é assim.

16/04/2009

and I love her

O álbum vermelho e o álbum azul dos The Beatles eram outros discos que me deixavam prostrado horas agarrado ao gira-discos, agarrado é o termo certo. Do primeiro, o vermelho, existia uma música à qual a agulha voltava vezes sem conta, não me lembro porquê mas sei que voltava. De inglês só sabia que love era amor, mas era novo demais para o amor excepto o que sentia pela aquela canção. Depois dessa primeira fase, com o tempo e a insistência, os sons mais estranhos do azul foram penetrando mais profundamente, como aquela frase batida em que primeiro estranha-se depois entranha-se, e entranhou-se fundo. Tão fundo que ainda hoje respiro aquelas melodias.

04/04/2009

fly me to the moon

Outro LP que o meu pai tinha era um disco do Nat King Cole, diziam-me, na altura, que King era Rei. Quando ouvia aquela música parecia-me mesmo música para Reis e imaginava palácios, salas cheias de mulheres com vestidos elegantes, tão bonitas que o meu coração saltava para dentro daquelas salas. Já adulto, com as mãos aquecidas naquela voz quente, uma agarrava outra mão e a outra passava nas costas húmidas parando na cintura, dançava. Com o tempo os dois pés esquerdos fizeram a devida descida para realidade, mas aquela voz insistiu e continuou a fazer o que sempre fez. Ainda hoje é assim.

03/04/2009

all I really want to do

Não, não fiquei encalhado no passarinho(a). Uma semana em Coimbra a tratar de assuntos muito importantes e, apesar do portátil, pouco fui a net, mas, pela primeira vez, não senti falta nenhuma. Muitas vezes penso que se pudesse fazer a vida que gostava, o tempo que me sobraria para a net seria escasso. Sempre fui mais do fazer.